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Artigo de opinião: “Porque o interior não é uma fatalidade – é uma oportunidade”

hugo-corQuem te viu e quem te vê. Em alguns anos, aquilo que era uma situação muito preocupante em Ponte de Sor, em 2009, à data do encerramento da Delphi, empresa do setor automóvel e a principal empregadora do concelho, transformou-se em 2020 numa realidade de otimismo e num horizonte de crescimento. O obstáculo, que não era pequeno, deu lugar à oportunidade, que é grande.

Nesta década, além do esforço de recuperação e apoio do investimento nos setores mais tradicionais do concelho – no agroalimentar, no agroflorestal, com destaque para a indústria da transformação da cortiça, que é agora o maior empregador da região -, em Ponte de Sor conseguiu-se pensar em novos voos, literalmente, e depois concretizá-los.

Com efeito, aquilo que é atualmente o cluster aeronáutico de Ponte de Sor, com investimentos de dezenas de milhões de euros no seu conjunto e um evento anual de referência a nível mundial – o Ponte de Sor Portugal Air Summit -, e com uma força de emprego de várias centenas de pessoas, na sua maioria altamente qualificadas, deu não só um forte impulso anímico e económico a toda a comunidade pontessorense, como também permitiu colocar o concelho no topo da lista daqueles que em todo o território nacional mais reduziram a sua taxa de desemprego.

Em Ponte de Sor, aterra cada vez mais investimento

Não podemos dizer que a aviação foi uma oportunidade que caiu do céu, porque a verdade é que deu certamente muito trabalho, a quem tem responsabilidades públicas, conseguir fazer deste cluster da aeronáutica o que ele é hoje em Ponte de Sor. Mas é um facto que tem ajudado a evitar a turbulência e a dissipar as nuvens negras que se observam em muitos territórios do interior de Portugal. Em Ponte de Sor, o interior não é uma fatalidade – é uma oportunidade.

Com a aeronáutica vieram mais investimentos e mais recursos humanos, e também mais possibilidades de requalificação dos recursos humanos do próprio concelho. Com este cluster, não o esqueçamos, Ponte de Sor passou a ter ensino superior, com a Escola de Aviação no Aeródromo Municipal, o que leva à fixação e à atração de população e conhecimento, à criação de competências e a condições de emprego e de vida com uma visão apontada ao futuro.

Ao mesmo tempo, com o Portugal Air Summit, Ponte de Sor conquistou, no concurso Município do Ano 2019, o prémio “Projeto da Região no Alentejo”. (A quarta edição do Portugal Air Summit realiza-se de 7 a 10 de outubro.)

Em suma, a aeronáutica, de certa forma, deu asas à Ponte de Sor do século 21.

Um concelho com condições para ganhar no século 21

Acresce que os preços do metro quadrado dos terrenos e das casas são ainda extremamente competitivos por comparação com outras realidades nacionais. Além da oferta imobiliária, também as ofertas de saúde, de hotelaria e restauração, têm, crescentemente, procurado acompanhar o dinamismo da sociedade e da economia do concelho. O mesmo acontece com os serviços públicos, os equipamentos coletivos, a área social, que se vão preparando para a nova atualidade do concelho.

Havendo emprego, havendo soluções de ensino, havendo centralidade geográfica (estamos a pouco mais de 1h de Lisboa e a 1h de Espanha), e havendo condições de qualidade geral de vida, Ponte de Sor é, e será cada vez mais, uma cidade atraente para as famílias se instalarem e aqui construírem o seu futuro. E é bom lembrar que a albufeira de Montargil é todo um tesouro natural à parte, completo com praia fluvial e muitas outras valências.

É preciso também dizer que a comunidade tem sabido receber e integrar a população que veio de fora, de outras regiões do país e dos quatro cantos do mundo. Nisso, Ponte de Sor um exemplo do melhor da alma portuguesa, de um dos elementos que é sempre valorizado por quem visita Portugal – o sermos hospitaleiros, calorosos e interessados.

Ponte de Sor está hoje uma cidade mais cosmopolita, em que nas ruas, nos cafés, nos restaurantes se falam várias línguas, em que os naturais do concelho e os novos pontessorenses globais se relacionam com gosto e facilidade. Em 2020, é uma cidade longe dos problemas e dos conflitos de outras paragens – longe da xenofobia, das tensões por causa da origem de cada um. Ponte de Sor é, com orgulho, um modelo de integração social e económica, em que as oportunidades são para todos os que queiram aproveitá-las.

Cada vez mais, a ‘oportunidade a quem a trabalha’

Em tempos, dizia-se ‘a terra a quem a trabalha’. Em 2020, pode dizer-se de Ponte de Sor que é uma terra da ‘oportunidade a quem a trabalha’.

A palavra importante, aqui, é mesmo oportunidade. Oportunidade para quem vem de fora, é certo, mas igualmente oportunidade para quem está – para quem intervém, organiza, gere, ajuda, projeta – de usar o que já foi feito para criar novas oportunidades para a região. Porque este é um trabalho que nunca está concluído. E o que funciona em determinado momento pode não ser o que funciona num momento futuro.

Para continuar nesta trajetória, ser capaz de ter capacidade de adaptação e de atração dos recursos, dos conhecimentos, das redes que melhor vão servir Ponte de Sor amanhã é uma competência de valor incalculável. Porque se calcula em benefício global para uma comunidade e para uma região inteiras. Porque é aí que está a base estrutural para um elemento decisivo neste caminho – todo o marketing territorial estratégico da região. E porque é assim, nesta cidade banhada pelo rio Sor, que se constrói uma Ponte sólida para o futuro.

Hugo Oliveira Ribeiro

Diretor Geral do HBR Group

At https://www.linhasdeelvas.pt/

13 castelos do distrito de Portalegre no Programa Dinamizar Fortalezas

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Foi hoje apresentado o Plano de Ação do Programa Dinamizar Fortalezas, que pretende promover a valorização e a divulgação do vasto conjunto de fortificações existentes em Portugal, em particular na linha de fronteira com Espanha.

A cerimónia decorreu em Freixo de Espada à Cinta, sob a presidência da Secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, que, na ocasião, destacou a “importância do trabalho conjunto em projetos como este, que contribuem para o reforço da atratividade das regiões do interior”.

“Trabalhamos, numa lógica de união e de envolvimento de todos, para garantir ofertas estruturadas e integradas em todo o país. Estamos a reforçar os esforços para que cada parte de Portugal seja um destino turístico qualificado e inovador”, acrescentou.

O Plano de Ação hoje apresentado inclui iniciativas, que visam melhorar as acessibilidades, aumentar a sinalética, desenvolver conteúdos digitais e interativos e promover atividades de animação cultural.

Pretende-se, assim, captar mais visitantes e aumentar o tempo médio de estada do turista nos territórios do interior, valorizando e dinamizando o património que nos diferencia através da qualificação da visita a cada um destes imóveis.

O projeto abrange 62 fortificações e é coordenado pelo Turismo de Portugal, em parceria com os municípios onde se localizam as fortalezas, as ERT – Entidades Regionais de Turismo, as ARPT – Agências Regionais de Promoção Turística, a Direção Geral do Património Cultural, a Direção Geral dos Recursos da Defesa Nacional e a Direção Geral do Tesouro e das Finanças.

Hoje foi ainda detalhado o projeto piloto Roteiro Nordeste Transmontano, que engloba nove fortalezas, situadas em Vinhais, Bragança, Outeiro, Vimioso, Miranda do Douro, Algoso, Penas Roías, Mogadouro e Freixo de Espada a Cinta.

Também, por Trás-os-Montes, a Secretária de Estado do Turismo, inaugurou a “Porta de entrada do Parque Natural Regional do Vale do Tua”, promovida pela Câmara Municipal de Murça, e que é um espaço fundamental na receção, estruturação e organização das visitas ao Parque e aos concelhos que o integram.

Apresentado Plano de Ação do Programa Dinamizar Fortalezas

Distrito de Portalegre (13 Castelos):

– Castelo de Montalvão (Nisa)

– Castelo de Nisa

– Castelo de Alpalhão (Nisa)

– Castelo de Castelo de Vide

– Castelo de Marvão

– Castelo de Portalegre

– Castelo de Alegrete (Portalegre)

– Castelo de Arronches

– Castelo de Assumar (Monforte)

– Castelo de Monforte

– Castelo de Ouguela (Campo Maior)

– Castelo de Campo Maior

– Castelo de Elvas

At https://www.portugal.gov.pt/

Comidas da matança em Portalegre, até 1 de Março, em 22 restaurantes

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A Câmara Municipal de Portalegre organiza, de 15 de fevereiro a 1 de março, mais uma quinzena gastronómica, desta vez dedicada às “Comidas da Matança”. Esta quinzena, em que o paladar está em primeiro lugar, tem também como objetivo fundamental a divulgação dos estabelecimentos de restauração do concelho.

A este desafio, responderam 22 restaurantes, onde os comensais provarão produtos que resultam de uma tradição milenar da região. A partir do porco, um dos animais fundamentais para a dieta alentejana, poderão ser degustadas entradas e pratos que fazem parte do nosso imaginário gastronómico, desde as Sopas de Cachola, as Febrinhas do Alguidar, as Migas de Batata com Entrecosto Frito, até à Carne de Porco à Alentejana, a Entremeada, a Miolada com Rim, as Bochechas, o Cachaço de Porco Assado, sem esquecer o Toucinho Frito, o Paio de Porco Preto, os Abanicos, os Lagartinhos, a Linguiça e a Farinheira, comidas que são parte única do nosso património imaterial, tão rico e fundamental para a economia, que há que preservar e divulgar.

A “Comidas da Matança” será a primeira quinzena gastronómica de 2020 organizada pelo Município de Portalegre, num ano em que se dará também grande destaque aos “Sabores da Páscoa & Doces Conventuais”, aos “Santos e Sardinhadas”, às “Comidas com Cebola” e aos magníficos “Vinhos de Portalegre”.

PS: Cada restaurante pratica o seu próprio preço por ementa e por prato servido.

Governo dá até 4800 euros a quem vá viver para o interior

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A linha de financiamento vai ser aberta até Março deste ano, segundo a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho.

Os trabalhadores que decidam mudar-se para o interior do país, bem como os estudantes que iniciem aqui a sua vida profissional, vão passar a ter direito a um apoio que começa nos 2600 euros mas que pode ir até aos 4800 euros, adiantou esta segunda-feira a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho.

Antecipando-se à apresentação do programa “Trabalhar no Interior”, a governante explicou à TSF que o programa visa apoiar financeiramente, e de forma directa, os trabalhadores que decidam mudar-se para as zonas do interior menos densamente povoadas, desde que celebrem um contrato de trabalho. Os valores oscilarão entre os 2600 e os 4800 euros, consoante as despesas de instalação e transporte, bem como a composição do agregado familiar.

Esta linha de financiamento deverá ser aberta até Março próximo. E as empresas terão também direito a uma majoração de 25% no apoio à criação de emprego para contratação de desempregados. Na prática, este apoio poderá ascender aos 6500 euros por trabalhador”, segundo a governante.

De acordo com a mesma lógica de “discriminação positiva”, o Governo propõe-se criar 13 novos centros Qualifica no interior do país, bem como flexibilizar as regras quanto aos cursos de formação que acontecem no interior, nomeadamente quanto ao número mínimo de formandos.

At https://www.publico.pt/

Com ironia e por Portugal. A carta de despedida de Lídia Jorge ao Reino Unido publicada no The Guardian

Lídia Jorge at Café Nicola

“Nenhum homem é uma ilha”. Com ironia e literatura. Assim se despediu Portugal, pela voz e mão de Lídia Jorge, do Reino Unido, num especial publicado esta sexta-feira pelo The Guardian.

O jornal britânico The Guardian convidou uma série de ilustres — um por cada estado-membro da União Europeia — para se despedir do Reino Unido. No especial publicado esta sexta-feira, 31 de janeiro de 2020, dia do adeus, Lídia Jorge foi convidada escrever o texto de Portugal.

Com recurso à ironia, a escritora portuguesa lembrou ao Reino Unido que “nenhum homem é uma ilha”.

Leia o texto na íntegra (tradução livre):

Ninguém deve menosprezar a vossa decisão de seguir sozinhos

Talvez o melhor que podemos desejar é que o Reino Unido, finalmente liberto do pesadelo europeu, rume para novas margens, parcerias e oportunidades — e aquilo que for bom para o Reino Unido não será mau para os seus ex-parceiros europeus.

Obviamente que ninguém deve menosprezar a decisão dos britânicos de seguir sozinhos. Isso foi longamente debatido. As nações têm o seu ego, como disse James Joyce. Se outros países europeus lidassem com crises como ilhas, talvez também eles ansiassem por recuperar a grandeza do passado. Portugal teve a sua próprio experiência nos anos 1950, quando o ditador “tin-pot” [expressão inglesa atribuída a ditadores de países pequenos que acham que são mais importantes do que são de facto] António Salazar proclamou que iríamos ficar orgulhosamente sós.

É suposto que o Reino Unido, de novo como uma ilha, siga à deriva no Atlântico em direção aos Estados Unidos. A América estará à espera, de braços abertos, com as suas boas maneiras e jogo limpo, personificados pelo atual presidente. Ele irá explicar a Boris Johnson que as alterações climáticas não existem, que é bom continuar a explorar minas de carvão e que a lei internacional foi ultrapassada pelo Twitter.

Mas as escolas na Europa vão continuar a ensinar a linha poética de John Donne que diz que “Nenhum homem é uma ilha”

É de referir que o The Guardian é contra a saída do Reino Unido da União Europeia, tendo tornado público o seu posicionamento.

O “casamento” de 47 anos entre o Reino Unido e a União Europeia chegou hoje ao fim, às 23h00 desta sexta-feira. Para que o “divórcio” não seja inteiramente litigioso, segue-se um período de transição que vigorará até 31 de dezembro.

Foi a 01 de janeiro de 1973 que o Reino Unido aderiu à então Comunidade Económica Europeia, mas num referendo realizado em junho de 2016, a maioria dos britânicos preferiu sair do bloco.

O período de transição começa a contar a partir de agora e vai até 31 de dezembro de 2020, durante o qual o Reino Unido continua a respeitar as normas europeias a fazer parte do mercado único europeu.

Designado oficialmente por Período de Implementação, mantém na prática o Reino Unido dentro do mercado único, estando obrigado a respeitar as regras europeias, mas sem estar representado nas instituições de Bruxelas nem participar nas decisões.

O objetivo é evitar uma mudança repentina, dando tempo a que empresas e cidadãos se adaptem.

As negociações, oficialmente, só deverão começar em março, e os termos ficaram definidos na declaração política que acompanha o Acordo de Saída negociado pelo primeiro-ministro, Boris Johnson.

At https://24.sapo.pt/

Opinião: “Carta aberta a uma maluca.”

Ana Gomes

Cara Ana Gomes. Durante toda a sua carreira política foi acusada de mentirosa, difamadora, caluniadora e maluca por expor, sem papas na língua, vários esquemas de corrupção e os seus protagonistas. Agora, os mesmos que a acusaram de maluca quando atacou Isabel dos Santos, pelas ligações criminosas e aproveitamento de fundos públicos, estão calados e aflitos.

Foi acusada de maluca quando denunciou os milhares de milhões de euros transferidos de Portugal para paraísos fiscais sem pagamento de um único imposto. No ano passado alertou que a investigação a esse desfalque fiscal está parada há dois anos.

Enquanto eurodeputada foi acusada de maluca por denunciar as jogadas de Ricardo Salgado, ainda ele era o Dono Disto Tudo, e teve a coragem de denunciar os donos do Novo Banco às autoridades europeias, por criarem um esquema de “enriquecimento” indevido com ativos do banco para obter fundos europeus. Foi dos poucos políticos que pediu a Bruxelas que actuasse contra os ex-gestores e credores que abusaram do banco público para benefício próprio. Esteve e está na linha da frente pela proteção legal de quem denuncia grandes redes de corrupção em Portugal e na Europa.

Foi um dos rostos principais contra um esquema financeiro de lavagem de dinheiro que envolveu bilionários e grandes políticos mundialmente.

Foi das primeiras pessoas que expôs os casos de corrupção de José Sócrates e pediu a sua saída do partido socialista, enquanto todos os outros, incluindo António Costa, caluniavam o ministério público por fazer o seu trabalho: investigar. Talvez por isso tenha sido afastada no partido.

Foi acusada de maluca quando teve a coragem de gritar “vergonha” ao primeiro-ministro socialista de Malta, enquanto todos batiam, depois do assassinato de uma jornalista que investigava o seu governo.

Ainda ontem, depois da tentativa de intimidação, teve a coragem de acusar a Procurada-Geral da República, a CMVM e Banco de Portugal de conivência com os esquemas alegadamente fraudulentos da empresária angolana Isabel dos Santos.

Por isso, cara Ana, embora seja vítima de uma campanha de intimidação e difamação, é para mim alguém que alimenta o meu orgulho em ser português, independente dos partidos. Provou vezes sem conta que não está na política para apenas sorrir e falar, mas sim para agir. Continua, mesmo depois de afastada, na linha da frente no combate à corrupção.

Há por aí quem ambicione poder apenas para ser poderoso. Esses, servem-se apenas a eles próprios. A senhora serve os outros, até mesmo quando poder a faz de si um alvo a abater. Para isso, só mesmo um maluco.

Tenho dito.

Gaspar Macedo

At https://www.facebook.com/

Paulo Pedroso abandona o PS

Paulo PedrosoNo modelo de partido que está subjacente ao Partido Socialista e no modelo de sindicalismo que esteve subjacente à criação da UGT não estava prevista a mesma ligação umbilical entre partido e sindicatos que encontramos nos partidos trabalhistas, social-democratas escandinavos ou do centro da Europa, ou mesmo da Espanha dos primeiros anos da democracia.

A UGT, hegemonizada por socialistas, sempre assentou num entendimento entre sindicalistas do PS e do PSD, que vem do tempo da luta contra a unicidade sindical e teve outras correntes minoritárias (a democrata-cristã e mesmo quadros comunistas na direção de alguns dos seus mais importantes sindicatos em alguns momentos).

Dito isto,a declaração de Carlos Silva ao pôr entre os seus motivos para sair da liderança da UGT a falta de apoio do PS merece reflexão de quem se situe politicamente à esquerda.

Eu hoje sou um socialista democrático, preocupado com o futuro do sindicalismo e desvinculado da militância partidária e partilho com Carlos Silva o desencanto com o modo como esse partido trata, não a UGT, mas o sindicalismo em geral.

Nas últimas eleições, o programa eleitoral do PS em matéria de diálogo social era quase igual ao de qualquer partido democrata-cristão europeu, manifestando igual preocupação com o associativismo empresarial e o sindical e pugnando por um papel de árbitro descomprometido na concertação social, equidistante de empregadores e trabalhadores, que é contra o seu património genético e mesmo a sua declaração de princípios. É certo que logo a seguir às eleições o governo avançou com propostas de revalorização salarial na concertação que contrariam essa visão. Mas, se for a sério, é a manifestação de um voluntarismo governamental que prescinde dos sindicatos, uma fórmula que não costuma dar resultados duradouros, porque demasiado dependente dos ciclos políticos.

A escolha das listas de deputados, que relegou os sindicalistas socialistas para fora do Parlamento foi o corolário lógico de um desvio pro-business que é visível na posição do governo face à legislação laboral e no desequilíbrio dado na atenção a empresas e a trabalhadores.

Não sei se a falta de apoio de uma direção do PS, no quadro da autonomia do sindicalismo em relação aos partidos e da UGT em particular face ao PS, devia ser motivo suficiente para um Secretário-Geral da UGT ponderar sair. Mas concordo que o desinteresse do PS pelo sindicalismo que se agravou desde que António Costa é Secretário-Geral e Primeiro-Ministro é motivo para quem não quer a desinstitucionalização das relações laborais pensar que via socialista é esta que a direção do PS de António Costa adotou, mas que ainda está muito a tempo de corrigir, no partido e no governo, embora já não na representatividade parlamentar. Resta saber se o PS acha que tem aqui um problema e não há sinal nenhum de que ache.

Vinte e seis presidentes de câmara do PS contra subida do IVA nos bilhetes das touradas. Nisa não consta

Cultura

Municípios com atividades taurinas apelam ao Ministério da Cultura para que reverta subida da taxa na discussão na especialidade do Orçamento do Estado para 2020. E exigem “direito à cultura em igualdade de circunstâncias, independentemente dos gostos pessoais de cada um”.

A Seção de Municípios com Atividade Taurina da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), que junta 41 autarquias de vários distritos, incluindo 26 presididas por socialistas, lançou um apelo ao Ministério da Cultura para manter o IVA reduzido de seis por cento nos espetáculos tauromáquicos, ao contrário do que está disposto na proposta do Orçamento do Estado para 2020 que foi aprovada na generalidade. “Uma opção que se traduz numa medida discriminatória e que deve ser corrigida em sede de especialidade”, consideram esses autarcas.

“Para os municípios com atividade tauromáquica, a alteração da taxa de IVA representa uma medida meramente discricionária, cujo impacto fiscal será negativo, nas atividades económicas a montante de todo o espetáculo tauromáquico, sobretudo nas atividades ligadas ao mundo rural”, indica um comunicado em nome dos 41 municípios que foi emitido nesta segunda-feira pela Câmara de Coruche, cujo presidente, Francisco Silvestre Oliveira, eleito pelo PS, lidera a Seção de Municípios com Atividade Taurina da ANMP.

Além de Coruche, as outras autarquias socialistas que estão a reclamar ao Governo que não suba o IVA dos bilhetes das touradas para 23% são Almeirim, Cartaxo, Chamusca, Golegã, Salvaterra de Magos, Tomar e Vila Nova da Barquinha (do distrito de Santarém); Alandroal, Reguengos de Monsaraz e Viana do Alentejo (Évora); Barrancos, Beja e Moura (Beja), Alter do Chão, Elvas e Sousel (Portalegre); Alcochete e Montijo (Setúbal); Arruda dos Vinhos, Azambuja e Vila Franca de Xira (Lisboa); Angra do Heroísmo, Praia da Vitória e Santa Cruz da Graciosa (Açores); e Lagoa (Faro).

Entre as restantes 15 câmaras municipais, sete têm gestão comunista (Alcácer do Sal, Benavente, Cuba, Moita, Monforte, Setúbal e Sobral de Monte Agraço), três têm presidentes do PSD (Santarém, Pombal e Fronteira), outros três são geridas por independentes (Portalegre, Redondo e Calheta) e uma tem um presidente do CDS-PP (Velas).

A Seção de Municípios com Atividade Taurina da ANMP alega que “a liberdade de escolha de acesso a todo e qualquer espetáculo deve ter condições fiscais iguais, de forma a salvaguardar o princípio constitucional de igualdade e do direito à cultura para todos”. E garante que a preocupação “é refletida também pelas suas populações, que esperam que os seus autarcas sejam defensores da liberdade de escolha de acesso a atividades culturais e exijam dos seus representantes no Parlamento e no Governo que garantam o direito à cultura em igualdade de circunstâncias, independentemente dos gostos pessoais de cada um”.

At https://jornaleconomico.sapo.pt/