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Opinião: “Desfiliação partidária do PS”

Sandro 51559111_10161280342970591_2182667942779420672_nAnuncio que após meses de reflexão me demiti de militante do Partido Socialista e, como é uma decisão complexa – essa de me demitir de um partido onde me filiei durante 20 anos – irei tentar resumi-la neste artigo (longo mas clarificador) do meu blog pessoal:

Desconsideração, a ideologia vazia do poucochinho e o futuro…

A Desconsideração

Despedi-me na minha nota que vos reencaminha para este artigo/postagem com “a todas e todos a minha mais profunda consideração“, pois bem foi com um misto de respeito e ironia que o fiz.
Respeito porque gostaria de referir que nada disto tem a ver com centenas de militantes com que me cruzei ao longo destes mais de vinte anos e com que de certeza me irei continuar a cruzar quer virtualmente quer fisicamente. Aos primeiros e mormente aqueles que conseguem apreciar um bom debate intelectual e uma boa troca de ideias e/ou ideológica continuarei certamente a fazê-lo independente de onde estiver e me filiar. Aos segundos porque os conheço pessoalmente e a muitos com quem me cruzo e irei continuar a cruzar por sermos e/ou termos amigos comuns, habitarmos no mesmo espaço geográfico ou porque os continuarei a ajudar independentemente do partido onde me irei filiar.
Aos Andrés, Antónios, Arnaldos, Brunos, Eduardos, Herminios, Filipes, Josés, Jorges, Joãos, Manuéis, Miguéis, Ruis, às Anas, Cristinas, Carlas, Elsas (com ou sem “z”), Fernandas, Idálias, Ivanildas, Marias (com ou sem “de” qualquer coisa), Susanas, Teresas, etc…
Será apenas um até já!!!
Mas gostaria de referir em particular quatro camaradas:
Luís Miguel Reis, Presidente da minha antiga concelhia do PS de Cascais, incansável militante que representa neste todos os militantes de boa índole que conheci dentro do PS, e a quem sempre desconsideraram como pessoa e político e irão desconsiderar no futuro, pois o PS não serve para beneficiar pessoas que têm bom caráter e boa índole, que são éticos e leais, mas para as trucidar e os desconsiderar e promover muitos militantes maus caráteres e de má índole que estão espalhados em amiúde em muitas listas de candidatos a deputados do PS!!!
– À minha Presidente de Junta de Freguesia de São Domingos de Rana, Fernanda Gonçalves, a quem a ética republicana de governo, tem-lhe granjeado inúmeras inimizades dentro de um Concelho como o de Cascais que é dos piores concelhos para se fazer política, e que, é o exemplo do que melhor são os autarcas por este país fora, tenham a cor política que tiverem;
– Ao Luís Calaím de Palister, Presidente da Secção do Ambiente e Território do PS/FAUL, por ser um militante desinteressado que discute ideias e se bate por elas e que representa os que muitos por esse PS e país fora o fazem;
– Por fim ao meu Presidente da minha secção de residência,  Luís Miguel Fonseca, e neste a todos os militantes do PS Cascais que ao longo de 20 anos eu acompanhei e me acompanharam e também por o considerar como um excelente ser humano, do melhor que conheci até hoje e um militante desinteressado, que discute ideias e se bate por elas e que representa os que muitos por esse PS e país fora o fazem e de forma pessoal.
Foram inúmeros camaradas destas Secções (residência/temática), autarcas e militantes em geral da Concelhia de Cascais que sempre foram excelentes comigo no trato e na consideração que me levaram muitas vezes a adiar esta saída.
A política também se faz com relações interpessoais e sociais – que alguns confundem com “afetos” – e algumas transformam-se em amizades, outras em respeito intelectual e pela sua praxis e por fim outras em relações pontuais e/ou passageiras que deixam ou não ficar rasto.
Mas também vos referi que havia ironia!!!
Ironia porque sendo um assunto secundário fundamenta as posteriores razões que apresentarei para a minha decisão de desfiliação, a ideológica e sobre o futuro, mas que não deixa de ter o papel de ser o gatilho que dispara a arma que dá o meu tiro de partida dessa marcha que me faz iniciar este percurso de um ponto para o outro, ou seja, do Partido Socialista para outro partido.
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Ironia porque o contrário do Respeito é a falta deste, ao ponto de se perder a Consideração e se chegar à Desconsideração pura e simples.
No passado dia, 23 de julho, foram apresentadas e votadas em Comissão Política Nacional as listas de candidatos a deputados pelos vários círculos, listas essas de militantes e/ou independentes que, teria como militante e dirigente local do PS, apoiar e fazer campanha eleitoral por estes.
Em alguns círculos foram apresentados para serem sufragadas pelos cidadãos, militantes com ética mais que duvidosa, fosse no seu passado ou seja neste nosso presente, e que estão envolvidos em chapeladas e em episódios que só desonram quem como eu se rege pela ética republicana na política.
Alguns destes – de que excluo todos os cabeças de lista – estão envolvidos em episódios criminais contra o Partido Socialista (focando-me neste caso no círculo de Coimbra) e são cidadãos com uma ética não só reprovável e que eu como ex-militante e ex-camarada destes nunca poderia fazer e/ou sequer me cruzar com estes em ações de campanha.
E sim, avisei o partido internamente de forma leal e com isso fui coerente em primeiro o fazer, mas como e mesmo assim estes nomes avançaram e foram apresentados como candidatos, são agora denunciados por mim publicamente.
Esta foi a principal desconsideração neste campo, das listas de deputados a sufrágio, mas não foi a única, no círculo de Lisboa, onde fui militante da Concelhia de Cascais, membro do respetivo secretariado – órgão diretivo deste partido neste concelho – da sua Comissão Política Concelhia e no passado membro da Comissão Política da FAUL (tendo integrado vários órgãos nesta estrutura quer fosse no PS ou na JS) sem nunca pedir nada em troca, é com tristeza que olho para a lista candidata a este círculo e na qual não só teria que votar como fazer campanha por esta.
Mais uma vez o Concelho de Cascais não terá um deputado que represente este Concelho – o único passível de o fazer representa a estrutura da JS/FAUL e estará lá a representar esta estrutura – e esta desconsideração, é efetuada à custa dos mesmos de sempre ligados a lobbys bem conhecidos e sem nenhuma ligação quer às populações deste distrito – dois até veem de círculos eleitorais distintos – quer à maioria das estruturas do PS, no seu círculo eleitoral de Lisboa e aos seus militantes.
Esta desconsideração da sede nacional do PS indica que, futuramente este nosso Concelho, esta estrutura partidária e Concelhia do PS bem como e este conjunto de militantes, alguns que considero amigos e outros que são até meus familiares próximos, será de novo deixada de lado e que continuaram a lutar sozinhos contra tudo e todos no próximo combate autárquico.
E mais uma vez nos considerarem secundários em desfavor de muitos ex-camaradas que sempre e ao longo destes últimos anos demonstraram uma desconsideração razoável por todos os restantes camaradas enquanto representantes destes (fossem estes cidadãos e/ou militantes) na nossa Assembleia da República.
E isso é inadmissível para quem como eu combate há longos anos e tenazmente a corrupção, compadrio, as fraudes, a política de favores e o nepotismo que é protagonizada pela coligação PPD/PSD e CDS-PP neste Concelho. Assim se é para combater numa trincheira que seja numa que irá recolocar o debate na ideologia que sempre defendi e no futuro que sempre pretendi que os meus concidadãos deste concelho tenham!!!
E já agora esclareço – pois a política dos graçolas e mal intencionados abunda – que o meu nome nunca constou nem constaria a meu pedido de nenhuma lista a deputados desta Concelhia e que nunca foi esse o meu fito na política pois, quem me conhece sabe, que se houver alguma vez uma Assembleia Metropolitana e/ou Regional de Lisboa/Setúbal, com representantes eleitos, esse seria sempre o meu objetivo.
O que me indignou neste ponto especificamente foi sempre e apenas uma questão de princípio, que demonstra a alienação que esses deputados mais uma vez terão por quem os elege e os apoiará!!!
Aliás essa alienação entre os eleitos e os militantes que os apoiam é algo que se tem vindo a agravar nos últimos anos e para vos dar um exemplo eloquente, na ultima discussão das propostas para o programa de governo do PS na FAUL, apenas 1 dos 18 eleitos pelo PS e a exercer mandato na Assembleia da República, compareceu para discutir com militantes!!! Este facto, o de serem mal agradecidos tem sido a tónica dominante interna da última legislatura destes “chamados representantes” sendo que raramente se vêm em atividades do partido, ou seja, a sua eleição implica o desprezo recorrente e constante por quem os elege internamente e os apoiaria externamente!!!
Essa prática política é contrária em democracias com países com o mesmo número de eleitores que o nosso e/ou até maiores como França, Holanda ou Bélgica, onde já fui a eventos e em que os eleitos convivem em amiúde com os eleitores sejam estes militantes ou não desses partidos!!!
E quantos pensarão vós que estão nas listas de novo por Lisboa? Pois bem apenas 6 dos 18 – Helena Roseta, Wanda Guimarães, João Soares, Miranda Calha, Joaquim Raposo e Vitalino Canas – é que não estarão de novo!!! Será então este o prémio que a maioria – os restantes 12 – recebe após se estar a marimbar recorrentemente e durante quatro anos para a base militante que a apoiou na sua eleição?
Esta desconsideração que se irá perpetuar no futuro, pela lista apresentada e candidata pelo Circulo de Lisboa em que os deputados julgam os militantes como seres secundários e ridículos (designação que ouvi acerca de nós por um dos candidatos em lugar elegível num evento recente em que se despediu desta maneira após estar lá menos de 5 minutos), e se o fazem com os seus, nem se fala qual é o seu comportamento com a população em geral de que se distanciam ao nível da sobranceria mais ridícula, absurda e petulante de pequenos reis que julgam que são superiores a nós como militantes e cidadãos!!!
A sobranceria alarga-se ao aspeto pessoal, alguns nem têm a dignidade de me cumprimentar quando me cruzo com estes na AR quando lá fui várias vezes quer em visitas com convidados – por causa da minha atividade profissional – quer quando fui ajudar o partido, o mesmo se passando quer em eventos quer em sedes por essa Federação da Área Urbana de Lisboa do PS afora!!! Ao contrário de muitos destes nunca precisei do Partido para sobreviver – e irei não continuar a precisar – e isto faz-me superior a estes e não como muitos destes julgam, inferior a estes, pois são os meus impostos que lhes pagam os ordenados e não o contrário!!! O mesmo acontecendo com muitos nomeados governamentais, sejam estes ministros, secretários de estado e/ou membros dos gabinetes governamentais!!!
Sou militante há mais de 20 anos e estou farto desta desconsideração que infelizmente não afeta apenas os militantes internamente mas que se alargou aos cidadãos em geral!!!
Estamos a eleger “representantes do povo”, mas os do PS, portaram-se e portam-se como donos dos votos deste!!!
Esta desconsideração de acharem que somos todos menores, militantes do PS e cidadãos em geral, em relação aos eleitos e nomeados alarga-se à discussão do seu programa eleitoral e das ideias contidas neste em geral!!!Falemos na prática interna e não na ideologia, de que falarei mais à frente, assim e numa primeira fase, um conjunto de iluminados que se acondiciona no pomposo Gabinete de Estudos do PS nomeados e/ou eleitos por ninguém, decide, sem consultar os restantes militantes inscritos neste Gabinete – em que eu e umas boas dezenas de camaradas conhecidos e amigos meus também estamos inscritos – efetuar um conjunto de debates à volta de determinadas temáticas que provavelmente outro conjunto de iluminados também delineou!!!
Mas suponhamos que até aqui tudo estava bem e que apesar destas práticas estranhas e não democráticas internamente os temas foram bem escolhidos e que seriam essas as temáticas a abordar.
Passa-se então aos debates e a quem os conduz e/ou a quem estes escolhem para o fazer. Já aqui referi que pertenci a uma secção temática ligada aos temas do Ambiente e Território – a única ativa nestes assuntos em todo o PS – mas não vos referi que nesta se acantonavam militantes que iam desde os gabinetes ministeriais ligados a essas temáticas, membros de concelhos de administração de empresas públicas ligadas a esses setores bem como alguns quadros médios destas, especialistas ligados a essas temáticas – onde eu me incluiria – e por fim dirigentes associativos de associações ligadas a esses assuntos. Pois bem quantos destes foram chamados a contribuir para a temática, Combate às Alterações Climáticas, ou para o tal debate realizado?
Nenhum!!!
Pior que isto é se não reconhecessem qualidade a algum destes militantes e até reconhecem, porque uma irá ser candidata às listas pelo círculo de Lisboa – em lugar não elegível é certo – mas pelos vistos nem isso serviu para algum daqueles iluminados que vos falei ter um pingo de respeito e vergonha na cara por quem como eu e outros há décadas que andamos a falar sobre estes assuntos esteja o PS na oposição ou no governo!!!
Pior após esses debates, em que alguns dos nossos a título particular se deslocaram – pois nenhum convite interno foi enviado – é editado uma espécie de rascunho que se anuncia como estando a discussão que, espante-se tem entre o pouco e o nada, das várias propostas efetuadas e feitas – por escrito – nesse debate!!!
Deste modo e esse é o cúmulo da desconsideração chega-se à conclusão óbvia de que tudo estava escrito à priori e que todos os que foram lá nada mais foram do que fazer figuras de corpo presente e de verbos de encher para bater palmas a figuras que se limitaram a seguir um guião pré-preenchido e a apresentar um espetáculo deprimente de ideias pré-concebidas e vazias de conteúdo anteriormente escritas por esse conjunto de iluminados!!!
Mas vamos lá imaginar que até essas ideias eram pontos de partida e que após esse espetáculo deprimente haveria a energia redentora do apelo à participação democrática de militantes e cidadãos em geral conforme foi anunciada publicamente!!! E que eu até estaria disposto a perder algum tempo e a queimar algumas pestanas após o meu trabalho a colaborar com isso!!!
Após ler esse débil ponto de partida e após ter enviado várias páginas de alterações fundamentadas não só na minha experiência mas também em estudos – não em achismos pessoais – o que se lê, nessas 141 páginas é para além de poucochinho, uma mão cheia de nada, com vazios constantes e muito poucas metas traduzidas em resultados efetivos.
A desconsideração foi tal que em dezenas de alterações propostas enviadas foi considerada uma parte de uma frase, que estava aliás errada como se prova em inúmeros estudos internacionais, as restantes propostas de alteração foram ignoradas!!!
O mesmo aconteceu com propostas efetuadas por mim e por outros camaradas, no tal encontro do PS/FAUL em que só o deputado Jorge Lacão marcou presença em 18 eleitos pelo Círculo de Lisboa, propostas essas minhas e de outros camaradas fundamentadas e muito interessantes que quase todos enviaram por escrito e da qual obtivemos Feedback do seu envio para esse conjunto de iluminados.
E por fim a farsa ficou completa numa Convenção em que se anunciava muito pomposamente que #TodosDecidem, lamento mas não sei sinceramente quem são esses todos e o que é que estes decidiram!!! Não foram de certeza os militantes do PS, mas sim lobbys ligados a esse conjunto de iluminados que nenhum respeito teve ou terá por nenhum camarada, cozinhando à porta fechada algo vazio que nos/vos ultrapassa como militantes do PS!!!
O vazio das propostas assim o demonstra, bem como a inexistência de metas objetivas!!!
Esse foi o cúmulo da desconsideração!!!
Pois um partido que não precisa de mim para propor ideias, como precisou no passado não muito longínquo num processo bem mais aberto e participativo, não precisará de mim, para mais nada!!!

A ideologia vazia do poucochinho

Ou o poucochinho programático e ideológico como poderia ser este também o nome deste sub-título, tal como existiria outro possível mas esse seria demasiado longo que seria: distinção entre ação e prática e como é que se deve ser coerente entre a nossa preocupação pelo futuro e o nosso estilo de vida. Mas esse título irá encadear-se com o sub-capitulo seguinte sobre o Futuro e por isso já lá iremos.
Às desconsiderações referidas no anterior artigo, juntou-se uma razão bem mais profunda que se prendia e prende, com tanto o programa de governo apresentado como pela razão ideológica que se operou em mim de descrença de que o Partido Socialista se enquadrava naquilo que sempre defendi ideologicamente ser ao longo dos anos que seria a via ideológica de governo que algum partido deveria seguir, ou seja, a via Social Democrata Verde (tendo como parâmetro a social democracia nórdica).
Comecemos pela razão da minha pertença ao Partido Socialista ao longo das últimas décadas.
O PS é dentro daquilo que em ciência política se chama um partido de massas de amplo espectro ideológico, alguns cientistas políticos, dão-lhe o nome de partidos assembleia, ou seja, partidos que somam dentro de si uma forte diversidade ideológica ao ponto de até terem no seio seio utilitaristas, ou seja, cidadãos sem nenhuma ideologia, aqueles que popularmente se podem chamar de tachistas, vira-casacas e/ou capachos lesmas sem nenhuma espinha dorsal!!! E existem muitos creiam-me, inclusive deputados, que se julgam a última bolacha do pacote mas que não passam de utilitaristas pedantes sem nenhuma consistência ideológica.
A diversidade ideológica do PS, por ser um partido de massas e de assembleia, vai desde marxistas, socialistas utópicos, socialistas democráticos e anarquistas personalistas sociais passa por socialistas católicos progressistas, republicanos de esquerda, sociais-democratas (estritos), sociais-democratas (defensores dos modelos sociais-democratas) nórdicos e acaba em socialistas monárquicos, socialistas liberais, defensores da terceira via e até conservadores católicos romanos (defensores da teoria social desta Igreja).
Neste partido de assembleia cabe assim um largo espectro ideológico que nuns momentos é mais sustentado por uns sectores ideológicos e noutros por outros, tendo sempre dentro de si uma ideologia central e maioritária!!!
O problema do PS nos últimos anos é que perdeu esse carácter de partido assembleia e de partido de massas para se transformar num partido de quadros e num partido personalista!!! Essa tensão sempre existiu, diga-se de passagem, assim muitos líderes do PS tentaram ou tentam personalizar o partido à sua imagem e é em momentos de turbulência que o PS volta a ser um partido de massas e um partido de assembleia transformando-se normalmente num partido de quadros quando governa!!!
O problema é quando não são os seus quadros que o direcionam, o que é aliás normal num partido de massas quando governa, mas apenas alguns dos desses quadros, assim esses alguns excluem os restantes e manobram nas propostas e as ideias o partido em causa para os seus interesses!!!
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Este partido não deixará de ser um partido de massas nem deixará de ser um partido de assembleia pois a massa militante assim o assegurará, mas em termos de prática de governação e de prática política, deixará de ser de certeza democrático!!!
E dirão mas já não foi assim no passado, claro que foi, mas ou o partido estava na oposição e nos livramos do líder personalista em causa ou a liderança não tinha assim tanta força e tentava ser inclusiva ouvindo tudo e todos e/ou era em alguns momentos mais próxima de todos quadros e noutra da massa militante incluindo até em momentos de transição da oposição para o governo de muitos simpatizantes!!!
Pois bem, não é o que se passa agora no PS? 
Não, pois na direção ideológica e programática composta por alguns quadros intermédios que já aqui referi são uma minoria dos efetivos até dentro dos quadros e que estão a direcionar o Partido Socialista para lobbys escusos e subterrâneos difíceis de descortinar até para pessoas como eu que sempre foram atentas a esses fenómenos.
Já agora dentro do PS se houve no partido assembleia e nas suas múltiplas ideologias uma, que sempre foi dominante, essa foi quase sempre a social-democracia, pois não é por existir um Partido Social Democrata que é nesse partido que os existam, aliás nem a juventude desse partido se safa, o PSD, aliás PPD/PSD, há muito que se transformou num partido personalista e de quadros com três ideologias bem definidas: a) liberalismo económico (com mais ou menos pendor social dependendo dos líderes); b) conservadorismo de valores (mais ou menos liberais dependendo dos eleitos); c) populismo democrata de direita (com vagos momentos de populismo demagogo puro).
Mas infelizmente e recentemente, com António Costa, o PS deixou de ser social-democrata e passou a ser um partido personalista rodeado por um conjunto de quadros que o personalizaram.
Será que seria diferente com António José Seguro?
Líder que eu combati ferozmente por ser personalista e por ter ostracizado a ideologia dominante do seu seio – a social-democracia – e de ter entregue o PS a quadros socialistas monárquicos, socialistas liberais, defensores da terceira via e até conservadores católicos romanos (defensores da teoria social desta Igreja)!!! Claro que não, seria pior!!! Porque a prática de governo, nestes últimos anos por uma, denominada Geringonça (com apoio parlamentar assimétrico à esquerda) seria substituída por uma de Bloco Central (união PS com PPD/PSD+CDS-PP) fazendo com que o PS internamente perdesse milhares de militantes, dirigentes e autarcas e se criasse por um lado um partido dos verdadeiros sociais-democratas e por outro indo uma razoável parte da sua militância mais há esquerda para o Bloco de Esquerda. O PS transformaria-se assim no Partido Socialista Francês e numa espécie de centro liberal populista que seria maioritário numa eventual governação futura com o PPD/PSD+CDS-PP abrindo deste modo a porta à extrema-direita.
Deste modo, António Costa, preservou e bem este grande partido inteiro e irá levá-lo a sobreviver mais uns anos no futuro, anulando qualquer veleidade à existência de uma extrema-direita em Portugal!!! Mas e talvez porque é um utilitarista e, este PS se transformou num partido personalista, esqueceu-se de olhar para quem o rodeava e quem escamoteou os restantes quadros que, se agora calam e comem, porque o poder é assim e gera esses silêncios seja por interesse ou por medo no futuro, se revoltarão quando tiverem oportunidade ou então já não estarão presentes como eu e outros que estamos de saída!!!
E qual foi o corolário dessa captura, ideológica e programática por esse conjunto minoritário de quadros?
O programa de governo, que foi uma desilusão completa, neste repetem-se palavras como apoiar, concluir, aprofundar, ampliar, alargar, clarificar, desenvolver, avaliar, incorporar que revelam que não se pretende fazer mais do que já se fez, é a aposta no pouconhinho programático ideológico e realizá-lo é pelos os vistos a maior ambição do PS no futuro!!!
Outras palavras como adotar, instituir e/ou criar são pela leitura posterior dos parágrafos apresentados totalmente vazias de conteúdo pois nenhuma meta se estabelece e nenhum objetivo é sequer contabilizado!!!
Na área do programa de governo e no referente ao Combate às alterações climáticas em que me irei focar face à emergência do assunto em causa, o que se vê é uma cedência em toda a linha aos interesses e lobbys que visam não só a exploração de Petróleo de forma descontrolada na nossa costa como o arrombo sem restrições de nenhuma ordem à exploração dos filões de lítio existentes em Portugal. Já referi várias vezes internamente e publicamente que essa era uma das linhas vermelhas que me faria sair do Partido Socialista, a possibilidade de exploração de Petróleo nas nossas costas, pois bem essa linha vermelha foi ultrapassada ao não se referir uma linha acerca do assunto no programa eleitoral. E como a regra sempre foi o que não é referido é permitido, sendo essa a regra de políticos habilidosos ligados a lobbysnomeadamente nas listas dos círculos do PS de Lisboa e Setúbal existem alguns – quer dizer que aquilo que alguns não conseguiram aprovar em Congresso, querem fazer os portugueses referendar de forma encapotada e ao arrepio de milhares de militantes e autarcas do PS por este país fora.
Mas vejamos que por absurdo eu não teria razão e que apenas me iria cingir ao que estaria escrito acerca deste assunto, no ultimo parágrafo, do ponto contido na página 60 do Programa Eleitoral do PS, na parte referente ao Conservar a natureza e recuperar a biodiversidade é referido que se irá, e cito, assegurar a conservação da biodiversidade e da geodiversidade nas atividades de
prospeção, pesquisa e exploração de recursos minerais, ou seja, abre-se a porta à exploração de recursos minerais – sem referir quais por isso deduz-se que poderão ser todos – apenas se pondo um vago que se irá assegurar a conservação da biodiversidade e da geodiversidade!!!Mas estes vazios repetem-se amplamente por toda esta proposta de programa e no caso especifico do Combate às alterações climáticas gostava que me referissem uma medida sequer que seja quantificável?
Aliás não é a agarrar-se ao passado, que no caso do PS é muito positivo, que se consegue conquistar o futuro, pode-se ter conquistado muita coisa mas se não houver futuro do nosso planeta, para que é que serve essas conquistas passadas?
E o problema é que o PS deixou de acreditar que pode mudar o futuro mesmo que pontualmente!!!
O que se lê em relação ao Combate às alterações climáticas, é um programa vazio e é algo a que a Direita e a Extrema-direita do nosso espectro político nos habituou amplamente. No PPD/PSD, por exemplo, esse vazio sempre serviu para enganar os incautos eleitores que, após serem amplamente enganados e verem que nada fazem cada vez mais olham com o desprezo para o que têm. Já o CDS-PP um partido cada vez mais profundamente salazarento e que, se baseia nos setores ultra montanos do nosso espetro político, o vazio aplaudido amplamente pelos os jornalistas e órgãos de comunicação social da nossa praça e que ganha tanta projeção e credibilidade como os jornalistas e estes órgãos de comunicação social que os apoiam e veneram, ou seja, nula ao ponto de uns e outros desaparecem felizmente quase do nosso olhar ou por não eleição ou por falência!!!
Mas no PS, o vazio em relação a um assunto tão importante como o Combate às alterações climáticas, leva-me a pensar que nada será efetuado para além do que está programado, ou seja, o PS não se irá comprometer mais do que já negociou com os lobbys financeiros e industriais do nosso país!!!
E quem é que negociou em meu nome e em nome dos restantes militantes do PS com estes?
Pois, os tais quadros que excluindo os restantes sejam estes quadros e/ou militantes se estão a marimbar para o futuro do nosso planeta e da nossa sociedade!!!
O PS deixou de ser deste modo o partido assembleia e de quadros passando a ser o partido personalista e alguns quadros é pena é que a grande massa de militantes ainda disto não se tenha apercebido!!!
É triste pensar que será nisso em que os cidadãos em geral irão depositar maioritariamente o seu voto, num  programa sem compromissos, vago e, muito pior do que isso, sem nenhuma opção quantificada e isto tudo num assunto tão importante para o nosso futuro comum!!!
O que o PS me pedia a mim enquanto militante, era que acreditasse neste partido que nada promete e que com nada se compromete, era que tivesse , mas lamento sou crente em D’us mas profundamente racionalista e não fui bafejado com essa fé transcendente alargada!!!
Sou alguém de ação e não consigo ver o que o PS fará se – espero que não – ganhar com a maioria absoluta!!!
Ideologicamente falando continuarei a ser um social-democrata defensor da social-democracia nórdica e verde, mas como é óbvio nos últimos anos evolui ideologicamente e já não considero que deve haver distinção entre a ação e prática e que devo e tenho que ser coerente entre a nossa preocupação pelo futuro e o nosso estilo de vida!!!
Existe deste modo um problema meu ideológico e de descrença generalizada no Partido Socialista bem como na sua prática interna, no seu programa eleitoral, na sua liderança, nos quadros que rodeiam essa liderança e a até na sua ideologia e/ou na crença que a sua assembleia de ideologias poderiam resolver os problemas futuros da minha comunidade, do país e da humanidade!!!
Pois nem os cidadãos que o lideram e o representam são coerentes, como até desrespeitam e desconsideram camaradas internamente bem como o seu programa de governo e a ideologia foi vendida a entidades estranhas em assuntos tão fundamentais como aqueles que, nos irão permitir existir ou não a mim e a todos, num futuro próximo!!!

O Futuro

Após falar de desconsiderações internas várias, do programa eleitoral vazio e poucochinho e da captura programática ideológica do PS por alguns quadros ligados a lobbys, poderia taticamente me manter no PS e aguardar que no futuro houvesse alguma esperança de que as coisas se alterassem mas o problema é que não tenho essa esperança e pior penso que muitos destes problemas se irão agravar.
Primeiro e ao contrário de outros ex-camaradas meus, tal como já referi, não tenho a fé que muitos têm (e alguns até são ateus, por isso é estranha essa ) nos chamados jovens turcos pois, não é o facto de serem fortes ideologicamente que os fará ser bons políticos, mas sim as suas ações e estas pelo que se pode ver estão entre o fraco e o medíocre não só internamente como no governo!!!
E muitos destes nessa ideologia nem são da maioritária dentro do partido assembleia que é o PS, a social-democracia, mas agarram-se a amanhãs que cantam marxistas que podem ser bons pontos de partida retóricos ideológicos mas que não passam disso mesmo!!! Mas também está aliás amplamente publicitado e provado que um marxista e/ou extremista ideológico de esquerda se transforma com a prática governativa num liberal e é isso que eu temo que aconteça!!! E por fim muitos desses jovens turcos e a tal esperança futura do PS são os mesmos que deixaram o PS ser capturado por esses quadros ligados a lobbys que são estranhos, pelo que a prática não bate com aquilo que anunciam!!!
Segundo saio com a convicção de que o PS já não representa o futuro e que as futuras gerações já não acreditam que este o seja!!! Tenho pena – pois durante muitos anos fui militante desinteressado – da JS e receio que esta esteja – aparte de alguns camaradas que reconheço com alguma capacidade – enquistada de um espírito conformista!!!
Fui militante durante alguns anos da JS, e nesta os debates ideológicos e programáticos eram intensos, o que hoje se assiste é a consensos pelo mínimo diapasão comum sendo que pelo menos na última década não houve candidatos da oposição a líder nacional!!! Ao ponto de quem é líder nacional desta estrutura hoje em dia é alguém que reputo de não só sofrível de trato pessoal como de uma nulidade ideológica sem precedentes!!!
E é isto que poderá ser o PS no futuro? Esta nulidade ideológica e programática e que repete até à exaustão as desconsiderações que já aqui referi?
Falta à JS a capacidade reformar o PS em assuntos tão sérios como a emergência climática ou a à descarbonização do país e que o programa eleitoral e a ideologia tenham uma correspondência prática face à realidade em que vivemos!!!
O futuro neste campo anuncia-se negro e muito longe de alguém que como eu acha que temos poucas décadas para agir!!!
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E olhando para o fundo túnel, que será o nosso futuro, será mesmo que temos tempo para isso?
E esse é o terceiro ponto, o PS o que é que defende para o futuro próximo?
O PS também irá permitir que a destruição do Alentejo e que a sua desertificação se intensifique graças à exploração intensiva e sem regras dos seus campos. O facto de o cabeça de lista por Évora ser, alguém ligado a esses lobbys agro-industriais e, como Ministro da Agricultura ter intensificado essa destruição, bem como o alargamento da agricultura intensiva que leva à morte de milhões de aves e ao gasto de água sem regras mantendo a exploração agro-pecuária intensiva. E deste cabeça de lista conviver e apoiar os lobbys taurinos que recebem mais de 100 milhões de euros de apoios diretos e indiretos nossos para que, um bando de nababos marialvas extremistas de direita se, galvanize com o sofrimento de animais, demonstra que esse é o futuro que o PS escolheu!!!
O PS também continuará a ser cúmplice com os lobbys florestais que ou por continuação da exploração silvícola e florestal sem regras ou planos ou porque se beneficiam com o combate às chamas não olham a meios para atingir os seus fins!!! A inação é gritante, mesmo após dezenas de tragédias, que se irão inevitavelmente agravar e o pior é que quando outros tentam propor planos e ações concretas são barrados no parlamento pelo PS, aliado ao PPD/PSD e ao CDS-PP, sendo que estes últimos partidos são os principais responsáveis do estado a que chegámos nesse campo!!!
E é este o futuro que o PS quer que eu acredite que mudará?
Por fim o que acontecerá com o atingir das metas e objetivos para combater as alterações climáticas pois todo aquele programa de governo é o contrário do que deve ser efetuado em todas as frentes!!!
O PS está enquistado de lobbys que irão continuar a destruir este planeta e que tentarão adiar coisas tão simples como, a descarbonização da nossa sociedade, a implementação rápida de um plano de produção de energia 100% elétrica baseada em fontes renováveis e a generalização do transporte público em todo o país!!!
Tudo porque interessa dar dinheiro aos lobbys que vivem da importação de gás e petróleo, da exploração de petróleo sem regras e a lobbys ligados à exploração de vários recursos naturais (como o lítio) sem ter em conta a preservação do ambiente, das paisagens, do turismo sustentável ou da proteção da avifauna que ainda nos resta!!!
Será esse o futuro que o PS representa?
Se é então não precisa de mim!!!
Saio no final de uma legislatura, após ter colaborado com quem me pediu sem receber um tostão, saio limpo de encargos e olho para o futuro.
Saio numa altura fácil para o PS, que apenas terá ou não maioria absoluta, devido a este e não por causa de terceiros.
Quem me conhece também sabe o que sempre defendi no PS e que continuarei a ser social-democrata verde, ecologista, europeísta federal e de centro-esquerda. 
Radical em princípios sem transigir em aspetos importantes como a minha liberdade e o respeito que os eleitos têm que ter pelos militantes que os apoiam e os elegem e os eleitores em geral, sem os paternalismos e a desconsideração que os antigos meus camaradas entraram comigo e com outros, esquecendo-se quem eram e de onde vêm, olhando-me com a superioridade e sobranceria que quem os conhece à muitos anos não lhes autoriza!!!
Continuarei ser ativista ecológico, radical na ação e na forma e agora estarei onde acredito que será a via coerente e com futuro!!!
Saio porque existe futuro noutro partido/projeto ideológico, na ação deste e com este e que se deve ser coerente entre a nossa preocupação pelo futuro e o nosso estilo de vida.
Não existem partidos prefeitos, mas o PS deixou de não só o ser mas no qual deixei de acreditar que seria ou poderia estar e ser o nosso futuro enquanto sociedade, país e enquanto planeta e casa comum que vivemos!!!
Sandro Figueiredo Pires

Crónica: “Os Mistérios do 28 de Maio 1926”

28 de Maio Reunião do Governo (foto sem texto) a 7 de Junho 1926.

Não houve comemorações ontem. Ainda bem. Qualquer comemoração, de quem quer que fosse, seria um equívoco. A acrescentar a muitos outros ao longo de décadas fabricados. E de todas as suas peças montados. O “28 de Maio” é, de facto, a data mais mal conhecida de todo o século XX português (apesar de ser a de maiores referências, só ultrapassada pelo 25 de Abril) e a mais oculta em equívocos e outras narrativas “convenientes” (tanto de esquerda como de direita). É incrível como a Universidade portuguesa, em quatro décadas, não teve ainda tempo para ter sido capaz de “deslindar” este assunto…

Sob a presidência do Almirante Mendes Cabeçadas, reunião do Governo saído do golpe de 28 Maio 1926. O General Gomes da Costa está à direita de Cabeçadas e, de braços cruzados, em posição de expectativa, o General Carmona que, a 9 de Julho de 1926, assumiria a presidência até à sua morte em 1951. Salazar sentar-se-ia a esta mesa, pouco depois da reunião documentada na foto, a convite do Presidente Mendes Cabeçadas.

Há um aspecto fascinante neste golpe de Estado. Fascinante para a equipa de Intelnomics, esclareça-se. É que o “28 de Maio” é um golpe em que a guerra de informação desempenhou um papel decisivo e até talvez mais importante que o da própria tropa sublevada. Os “Correios” valeram por vários quartéis… Mas isto é matéria ainda a trabalhar e é cedo para aqui a explanar.

Há também um aspecto bizarro. O golpe está classificado de “fascista”. Ora, o triunvirato que o concebe e organiza é constituído por um (prestigiado mas isolado) general oriundo dos campos de batalha da Flandres e por dois altos quadros republicanos, dirigentes da Maçonaria (um general e o outro almirante) e com vasta experiência política e de governo. O isolado mas prestigiado general perde, numa curta meia-dúzia de semanas todo o seu prestígio e é exilado sob prisão militar para os Açores.

O bizarro da coisa reside no facto de ainda ninguém ter explicado como é que a Maçonaria (republicana até à medula…) faz um golpe “fascista”… Aliás, também nunca ninguém se lembrou de explicar como é que o almirante maçon (e, na altura, dirigente máximo do triunvirato militar) vai pessoalmente a Coimbra buscar um professor que ninguém conhecia, um tal Salazar (que se demitirá, pouco depois, solidário com o almirante, entretanto, caído em desgraça às mãos de outro membro do triunvirato, o general Gomes da Costa). Voltará ao governo, a 27 de abril de 1928, pela mão de outro maçon e último sobrevivente do triunvirato inicial, o general Óscar Carmona (não deixa de ser curioso e também bizarro que, no 25 de Abril, o máximo responsável operacional tenha escolhido Óscar para nome de código…).

28 de Maio de 1926 é uma data ainda à espera de ver os seus mistérios desvendados… E, consequentemente, todo o nosso século XX está “uma história muito mal contada”.

At https://intelnomics.blogspot.com

Estado despreocupa-se com espólio maçónico

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O Museu da República e Maçonaria, em Pedrógão Grande, encerra ao público em geral no final do ano, mas em 2019 o proprietário permitirá ainda a visita de membros das diferentes obediências maçónicas.

O dono e fundador do museu particular, Aires Henriques, disse hoje à agência Lusa que “a decisão de fechar está tomada”, independentemente do destino que venha a ser dado ao acervo.

Nos últimos meses, Aires Henriques, de 70 anos, efetuou diligências junto do Ministério da Cultura, Câmara de Pedrógão Grande e Grande Oriente Lusitano (GOL), com o propósito de dar continuidade ao projeto museológico e garantir a sua fruição pública.

Ao longo de mais de 30 anos, Aires Henriques reuniu peças e documentos de vários períodos da História de Portugal e de outros países, expostas em edifícios que possui na aldeia de Troviscais, naquele município do distrito de Leiria. “Preciso de encontrar uma solução e um futuro condigno para que a coleção não desapareça”, adiantou. Este objetivo, contudo, ainda não está assegurado, após contactos com aquelas entidades.

Entretanto, está previsto que “parte deste acervo pedroguense será exibida” em Condeixa-a-Nova, este ano, no âmbito das comemorações do 108.º aniversário da revolução republicana do 5 de Outubro, promovidas pela Câmara local.

O Museu da República e Maçonaria começou a funcionar em 2010, coincidindo com o centenário da implantação da República em Portugal, e foi inaugurado oficialmente em 2012, na presença de Fernando Lima, grão-mestre do GOL – Maçonaria Portuguesa, com um programa que incluiu a assinatura de um protocolo de colaboração entre as duas entidades.

Aires Henriques crê que o GOL e o município de Pedrógão Grande “poderão vir a colaborar na manutenção e promoção dos vários acervos disponíveis”.

Também a Câmara de Condeixa-a-Nova, presidida pelo socialista Nuno Moita, “vem manifestando interesse” num eventual acolhimento das coleções, que constituem “um dos três raros museus no seu género em toda a Península Ibérica”, incluindo os de Lisboa e Salamanca (Espanha).

Em março, o Departamento de Museus, Conservação e Credenciação da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) considerou que “os intuitos de salvaguardar e preservar de forma sustentada” as coleções do museu dos Troviscais, “bem como de garantir a sua gestão integrada num serviço público e museológico, poderão eventualmente ser alcançados” através de parcerias com a Câmara de Pedrógão Grande ou com o Museu Maçónico Português, propriedade do GOL, em Lisboa.

Agora “em fase de negociação” com a instituição maçónica liderada por Fernando Lima, Aires Henriques espera também uma resposta da autarquia a que preside o independente Valdemar Alves, eleito pelo PS nas eleições de outubro de 2017, no qual tem encontrado “alguma recetividade” para solucionar o problema, mas nos dois casos ainda sem resultados concretos.

Associado ao empreendimento de turismo rural Villa Isaura, o Museu da República e Maçonaria engloba também um núcleo de peças relacionadas com os períodos do Estado Novo (1933-1974), Guerra Civil de Espanha (1931-1939) e II Guerra Mundial (1939-1945).

Em março, na sequência do relatório concebido por aquele departamento da DGPC, Aires Henriques escreveu mais uma vez ao ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, a quem já tinha exposto o problema do museu.

“Em face da minha idade (…), penso que o bom senso me aconselha a colocar à venda os respetivos acervos, entre os quais algumas peças únicas” que já percorreram, designadamente, o Museu da Presidência da República, o Panteão Nacional, a Biblioteca-Museu República e Resistência e o Museu José Malhoa, em Lisboa e Caldas da Rainha, além de exposições em diversas localidades.

Na carta, a que a Lusa teve acesso, o investigador pede a Luís Filipe Castro Mendes ajuda para “divulgar entre as estruturas museológicas afetas ao Estado” a sua disponibilidade para vender ou ceder os espólios. “Por esta via, não alimentarei a especulação mercantil nem as caves escuras das várias instituições que no país guardam idênticos tesouros expressivos do viver das nossas gentes e da nossa história pátria”, afirma.

A agência Lusa tentou obter a posição do presidente da Câmara de Pedrógão Grande sobre o assunto, mas as tentativas revelaram-se infrutíferas.

At https://www.dn.pt

Cimeira da Maçonaria Europeia considera a extrema-direita um perigo

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O presidente da Aliança Maçónica Europeia, Marc Menschaert, considera a extrema-direita “claramente um perigo” que divide a Europa, quando defende que esta deve estar unida contra o “fanatismo” e no apoio aos países pobres.

Marc Menschaert falava à Agência Lusa a propósito da cimeira da Aliança Maçónica Europeia (AME), que hoje junta em Lisboa dezenas de organizações maçónicas europeias, numa organização do Grande Oriente Lusitano, a mais antiga obediência maçónica portuguesa, e que contou ainda com a presença da Grande Loja Simbólica de Portugal, a Grande Loja Feminina de Portugal e a Grande Loja Simbólica da Lusitania.

“A maçonaria, o trabalho maçónico, é para unir as pessoas, a extrema-direita é mais um movimento que divide. Para nós a extrema-direita é claramente um perigo”, avisou.

Um tema importante para a maçonaria, defendeu, é a educação e por isso a instituição questiona o que devem fazer os maçons e o que devem fazer os países europeus “para lutar por exemplo contra o fanatismo”.

“Pensamos que isso é importante e por isso investir na educação, para que os jovens possam fazer as suas escolhas, possam escolher por si próprios, sem que as escolhas lhes sejam impostas”.

Marc Menschaert não crê que a Europa esteja a tornar-se intolerante, mas admite que há pessoas e partidos que o são. E reafirma que por isso é preciso “investir nos jovens” para que estes pensem por sim mesmo, que reflitam sobre o que se passa à sua volta, que pensem de forma crítica. Porque “o importante é que a pessoa, entendendo o que se passa, ouvindo, escutando, refletindo, tome a sua própria posição, sem influência de ideias populistas”.

Por isso, defendeu, “é importante que a Europa esteja unida” e que nessa união os países ou regiões mais pobres sejam ajudados pelos mais ricos. E só uma Europa mais unida, mais forte e desenvolvida, sem divisões que a questão da Catalunha poderia prenunciar, é capaz de ajudar os países mais pobres a chegar a um nível elevado de desenvolvimento e de educação, disse ainda.

“Defendemos no fundo a solidariedade, e é nesse ideal que para nós a Europa tem de ser unida, o mais forte possível. Não uma Europa da finança mas que esteja lá para desenvolver a sociedade mas também apoiando os mais pobres para que juntos eles cheguem a um nível considerado aceitável”, disse na entrevista.

E depois, acrescentou, não é justo uma União Europeia “a duas ou três velocidades”, pelo que tem de haver uma Europa atenta, a Portugal, à Grécia e a outros países, e que continue a investir na ajuda a esses países.

E a relação com a UE é de apoio ou de contestação? Marc Menschaert diz ser de apoio quando a União Europeia investe em valores que a maçonaria preza, mas acrescenta: “Quanto aos refugiados, por exemplo, é importante dizer que consideramos que são uma oportunidade para a Europa, que não e concebível que essas pessoas morram a atravessar o Mediterrâneo”.

Se há países que “investem muito, que fazem muito” pelos refugiados, há outros que não, e nas palavras do presidente da AME é importante lembrar às instituições europeias a relevância de tratar os refugiados com respeito e com dignidade.

A ME reúne-se hoje em Lisboa, no coração da cidade, Bairro Alto, para onde uma organização de extrema-direita está a convocar, nas redes sociais, uma manifestação “contra a reunião da maçonaria europeia”. Porque, justifica, “a maçonaria é uma arqui-inimiga do nacionalismo desde a sua fundação”.

A AME foi inicialmente formada por 23 obediências maçónicas, entre elas as de França, Bélgica, Suíça, Holanda, Áustria, Espanha, Polónia ou Itália.

At https://www.dn.pt/

“É para preservar o nascimento de muitas ideias que o que dizemos em Loja deve ser discreto , mas a maçonaria não é uma sociedade secreta”, afirma Marc Menschaert que acrescenta “a AME tem uma página online e é um parceiro na Comissão Europeia e está representada no Parlamento Europeu”.

Em Portugal foi a primeira vez que aconteceu uma reunião com os responsáveis máximos das principais Obediencias Maçonicas europeias.

O objetivo foi igual ao que se passa noutros países; os maçons devem trabalhar em conjunto para defenderem os valores que acreditam, que são os princípios da Liberdade, Igualdade e Fraternidade, pela qual a Maçonaria foi criada. Apesar da discrição, a cimeira em Lisboa foi essencial para se definir formas de comunicar e para partilhar ideias “melhorar a sociedade em que todos vivemos e somos parte” disse Marc Menschaert. A pagina online da AME “vai também servir para que todos, maçons e não maçons, possam ter acesso aos trabalhos que se vão realizado e o que apresentamos às instituições da União Europeia”.

A Aliança Maçónica Europeia é uma associação internacional que segue os princípios da transparência da União Europeia “defendemos valores que a maçonaria considera de tal forma importantes que devem ser falados e partilhados com outras instituições europeias” reforça o presidente da instituição.

A Aliança Maçónica Europeia engloba mais de três dezenas de Obediencias Maçonicas Europeias, das quais o Grande Oriente Lusitano, Grande Loja Simbólica de Portugal, Grande Loja Simbólica da Lusitânia e Grande Loja Feminina de Portugal, representantes da Maçonaria portuguesa.

A Grande Loja Simbólica de Portugal e o Grande Oriente Lusitano são membros fundadores da Aliança Maçónica Europeia.

At http://www.maconariaportugal.com