Opinião: “O 25 de Abril em Nisa”

Eduardo PiresDiscretamente, aproveitando estes dias de páscoa e feriado, estive por lá.

Não gostei de ver a exibição da frota à moda dos comunistas da velha CDU, em frente à biblioteca. Não gostei de ver o desfile de vaidades com máscara de vermelho no vestido, unhas e adereços a lembrar que o diabo veste Prada. Não gostei de ver uma mudança de percurso para se passar ao lado da super hiper mega canalização trazida das termas (vulgo Fonte da Chanfrada). Não gostei de ver os rostos carregados das principais figuras e seus guarda-costas, sempre à espera de ouvir gritar que podia estar uma bomba em qualquer esquina. Não gostei de ver uma péssima organização que só se preveniu para chuva ao pé do cravo e não soube pensar num plano B para as comemorações (apesar da previsão da meteorologia). Não gostei de ver que as associações foram mal tratadas (nenhum apreço no discurso oficial da edilidade para com os ensopados). Não gostei de ouvir a tristeza de discurso atabalhoado do senhor da assembleia municipal que com a sua “informalidade” nada diz. Não gostei da pobreza de discurso da presidente que diz que agora sim, mas esquece-se que antes dela havia vida e progresso. Hoje vive-se melhor que há 20 anos, e há 20 anos vivia-se melhor que há 40. Esquece-se agora a presidente dos NÃOS e dos NUNCAS que saem da sua boca e impedem o progresso do concelho, envaidece-se com investimento dos privados (mas apresenta só os “amigos”) mas não é capaz de fazer a ponta de um corno. Não gostei do discurso soft soft soft e apagado da jovem do PS que se enrolou num cravo fofinho e na palavra liberdade que em Nisa não significa nada nem tem a ver com o que tem sido a atuação do PS de Nisa.

Gostei dos enganos do apresentador pois o que aconteceu na cerimónia não está errado, foi diferente. Em boa hora deu destaque à intervenção da jovem do PSD que teve mesmo destaque sem mirones na mesa nobre a espetarem-se-lhe nas costas mas com a possibilidade de olhos nos olhos dizer o que disse, e muito bem, à presidente. Não me lembro do nome da jovem mas gostei da juventude dela, da calma e determinação com que falou. Gostei que a representante da CDU falasse como falou apesar de os desgraçados não serem vistos nem achados mas fazem mais do que podem num concelho onde a CDU nunca tinha sido realmente oposição.

Balanço geral: mau, muito mau, “mal vai à raposa quando ela anda aos grilos” e por aqui, minha senhora raposa, até os grilos já fugiram. A raposa de focinho aguçado anda a ver se se espanta para outros paragens. Pena … a segurança social bem lhe podia ter dado amparo mas nem para isso lá a querem. A malta que se aguente aí por Nisa. Volto à minha rotina, longe daí, mas decidi que irei acompanhando e comentando. Vejam se se organizam para 2021. A malta não merece isso. Saúde!

Eduardo Pires

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Opinião: “Aumento da idade da reforma”

Sobre a proposta de aumento da idade da reforma para os 69 anos pela Fundação Francisco Manuel dos Santos (Grupo Jerónimo Martins), deixo aqui o meu comentário curto:

Não existe ciência neutra, existe ciência séria. O estudo pode estar bem ou mal realizado, mas não passa a estar mal feito porque é financiado por um grupo de supermercados.

Discordo totalmente do estudo não por as contas serem enviesadas (não conheço, nem tenho razões para achar que o foram, pelo contrário) mas porque os pressupostos metodológicos do estudo, que são públicos e conhecidos, são diametralmente opostos aos meus e de vários colegas com quem trabalho na área da sustentabilidade da segurança social:

1) o estudo parte pressuposto de que não podemos aumentar os salários. Isto é, com salários de 600 euros e esta demografia a segurança social é insustentável. Eu, o Eugénio Rosa, o Pedro Nogueira Ramos e muitos outros que fizemos estudos sobre a segurança social partimos de outros pressupostos – não há um problema demográfico, nem económico. Quem reformou-se com 2 mil euros está a ser pago por quem ganha 600 euros – é isto que torna a segurança social insustentável. Isto não é um problema demográfico, nem económico, é um problema de relações laborais. Grave.

2) A esperança média de vida aumentou até aqui porque havia condições favoráveis sociais e económicas. Essas estão em decadência, é muito provável que daqui a uma década de maus salários, ma alimentação e ma saúde a EMV vá cair. Estamos ainda a celebra a revolução dos cravos e os seus efeitos, só daqui a 2 décadas vamos ver os efeitos na esperança média de vida do neoliberalismo.

3) Mesmo não contabilizando este facto a esperança média de vida é muito diferente entre quem trabalha – quem trabalha por turnos por exemplo tem menos esperança média de vida, os homens têm menos do que as mulheres, etc, pelo que fazer médias para calcular a reforma é errado. Nem todos vivemos o mesmo.

4) A esperança média de vida com saúde em Portugal é 13 anos abaixo da EMV. Ou seja os portugueses quando se reformam, e mesmo antes, estão já doentes. Aliás o que este estudo vem dizer – e essa é a conclusão – é que nenhum português vai trabalhara até aos 69 anos, mas vão entrar de baixa médica e reforma antecipada – a metade do valor – muito antes dos 69 deixando de ser um «custo» para a empresa.

5) A produtividade por trabalhador é hoje 5 vezes superior ao que era quando foram criados os sistemas de segurança social há 40 anos. Ou seja, pode haver menos 5 pessoas a trabalhar (mais 5 pessoas a ir para a reforma) por cada um que trabalha quando comparado com há 40 anos. Deve-se portanto usar essa produtividade para – no mínimo – reduzir os lucros das empresas, reduzir o horário de trabalho, diminuir a idade da reforma para os 60 ou menos.

A minha conclusão é a seguinte. A Fundação FMS (financiada pelos supermercados Pingo Doce) é um espelho da burguesia ou elites, como prefiram, deste país. Perante a escassez de força de trabalho que vai previsivelmente aumentar os salários propõem que a Segurança Social assuma os custos das empresas (ou que importemos migrantes baratos para aumentar a concorrência no mercado de trabalho – estas são as duas áreas de estudos da FMMS – aumentar a idade da reforma e aumentar o número de migrantes porque o Pingo Doce não terá força de trabalho a prazo de outra forma, mantendo os lucros). Ninguém vai trabalhar até aos 69 mas aos 55, 58, mortos vivos vão deixar de receber salário no Pingo Doce e passar a receber uma meia pensão da Segurança Social…É a eterna dependência do Estado que os grupos económicos portugueses mantêm historicamente. É, numa palavra, a incapacidade cabal de os de cima governarem, terem um projecto de país e bem estar, para o conjunto da população. É o salve-se a família Jerónimo Martins e os seus accionistas, mesmo que destruindo a Segurança Social e , por isso mesmo, a vida civilizada. Si, em sociedades urbanas, sem apoios de grandes famílias rurais, a vida civilizada é insustentável sem um forte Estado Social.

Não existe ciência neutra – mas existe ciência séria que se faz a pensar metodologicamente no bem estar geral. É essa a ciência que produzimos. Porque o bem estar colectiva é fundamento primeiro da liberdade individual. E por isso da vida civilizada.

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Em Portalegre, o Conselho Municipal da Juventude reúne

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A JS de Portalegre, representada pelo seu Vice-Presidente, Ricardo Silva, participou na reunião do plenário do Conselho Municipal de Juventude de Portalegre (CMJP), onde também marcou presença o Presidente da JS de Portalegre, João Pedro Meira, que na qualidade de deputado municipal, representou o Grupo Municipal do PS.

Depois da JS ter levado a cabo inúmeras manifestações de interesse, de ter exercido alguma pressão através da Assembleia Municipal e de comunicados, para que o CMJP – órgão obrigatório para qualquer câmara – voltasse a reunir (passados 6 anos de inatividade), para a JS de Portalegre a realização de mais uma reunião deste órgão é a prova de que lideramos a Voz dos Jovens Portalegrenses.

Os principais pontos de discussão centraram-se no Festival do Desporto e Juventude e nas propostas de regulamento para o Orçamento Participativo Jovem e para o Voluntariado Municipal Jovem, matérias em que a JS e o Grupo Municipal do PS assumiram uma postura crítica construtiva, demonstrando-se cooperantes para o sucesso de ambas as iniciativas.

Destaque-se também que é com enorme satisfação que a JS de Portalegre vê uma das suas propostas contidas no Manifesto Autárquico de 2017 – o Orçamento Participativo Jovem – em vias de implementação.

Por fim, há que destacar a eleição do representante do CMJP no Conselho Municipal de Educação, da qual resultou a eleição do Diogo Aragonez, representante da Associação Académica do IPP, a quem a JS de Portalegre endereça as suas felicitações, no desejo de um ótimo mandato em defesa dos jovens portalegrenses.

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Candidaturas abertas à Porta 65 Jovem

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Programa Porta 65 Jovem tem como objectivo regular os incentivos aos jovens arrendatários, estimulando:
• Estilos de vida mais autónomos por parte de jovens sozinhos, em família ou em coabitação jovem;

• A reabilitação de áreas urbanas degradadas;
• A dinamização do mercado de arrendamento.

Este programa apoia o arrendamento de habitações para residência, atribuindo uma percentagem do valor da renda como subvenção mensal.

O próximo período de candidaturas ao Programa Porta65 decorrerá entre as 10h do dia 16 de abril e as 18h do dia 21 de maio de 2019 (hora do continente).

Caso não tenha essa senha deverá solicitá-la no Portal das Finanças em http://www.portaldasfinancas.gov.pt/.

At https://www.portaldahabitacao.pt/pt/porta65j/

Carta aberta de Jô Soares «ao Ilmo. Sr. Presidente Jair Bolsonaro»

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“Caro presidente Jair Bolsonaro. Entendo a reação provocada quando o senhor afirmou que o nazismo era de esquerda. Isso se deve ao fato de que, depois da Primeira Guerra Mundial, vários pequenos grupos se formaram, à direita e à esquerda.

Um desses grupos foi o NSDAP: em alemão, sigla do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães. Entre seus fundadores originais havia dois irmãos: Otto e Gregor Strasser. Otto era um socialista convicto, queria orientar o movimento do partido à esquerda. Foi expulso e a cabeça posta a prêmio.

Seu irmão Gregor preferiu unir-se ao grupo do Camelô do Apocalipse. Quanto a Otto, que não concordava com essa vertente, nem com as teorias racistas, teve sua cabeça posta a prêmio por Joseph Goebbels pela quantia de US$ 500 mil. Foi obrigado a fugir para o exílio, só conseguindo voltar à Alemanha anos depois do final da guerra. Hitler apressou-se em tirar o ‘social’ da sigla do partido. Mais tarde, Gregor foi eliminado junto com Ernst Röhm, chefe das S.A., na famigerada ‘Noite das Facas Longas’.

Devo lhe confessar que também já fui alvo de chacota, mas por um motivo totalmente diferente: só peço que não deboche muito de mim.

Imagine o senhor que confundi o dinamarquês Søren Aabye Kierkegaard, filósofo, teólogo, poeta, crítico social e autor religioso, e amplamente considerado o primeiro filósofo existencialista, com o filósofo Ludwig Wittgenstein, que, como o senhor está farto de saber, foi um filósofo austríaco, naturalizado britânico e um dos principais autores da virada linguística na filosofia do século 20.

Finalmente, um conselho: não se deixe influenciar por certas palavras. Seguem alguns exemplos:

1. Quando chegar a um prédio e o levarem para o elevador social, entre sem receio. Isso não fará do senhor um trotskista fanático;

2. A expressão ‘no pasarán!’, utilizada por Dolores Ibárruri Gómez, conhecida como ‘La Pasionaria’, não era uma convocação feminista para que as mulheres deixassem de passar as roupas dos seus maridos;

3. ‘Social climber’ não se refere a uma alpinista de esquerda;

4. Rosa Luxemburgo não era assim chamada porque só vendia rosas vermelhas;

5. Picasso: não usou o partido para divulgar seus gigantescos atributos físicos;

6. Quanto à palavra ‘social’, ela consta até no seu partido.

Finalmente, adoraria convidá-lo para assistir ao meu espetáculo.

Foi quando surgiu um dilema impossível de resolver. Claro que eu o colocaria na plateia à direita. Assim, o senhor, à direita, me veria no palco à direita. Só que, do meu lugar no palco, eu seria obrigado a vê-lo sempre à esquerda.

Espero que minha despretensiosa missiva lhe sirva de alguma utilidade.

Convicto de ter feito o melhor possível, subscrevo-me.”

Jô Soares,

Influenciador analógico

At https://www.folhape.com.br/