Artigo de opinião: “Elvas vs Badajoz”

Diogo lvg3uetS_400x400.jpgCerca de 1890, mais coisa menos coisa, Badajoz tinha mais 3 mil habitantes do que Elvas. Hoje, em 2019, Elvas tem cerca de 18 mil habitantes e Badajoz tem 150 mil habitantes.

Duas realidades bem diferentes, lado a lado, separadas apenas pela fronteira entre os dois países. Duas apostas totalmente diferentes de políticas públicas e de visão de território. Duas cidades do interior. Aliás, Badajoz é hoje uma potência em crescimento. De investimentos realizados, lá até se sonha com uma futura Disneyland.

No fundo, temos do lado de lá da fronteira, uma terra que está mais longe de Madrid do que de Lisboa. Uma terra longe, bem longe do litoral. Mas é o espelho de opções políticas e económicas acertadas, por comparação com um interior de Portugal isolado e abandonado. Medi bem as palavras. Portugal tem um interior abandonado. Tirando os resistentes que por lá vivem, que por lá investem e que por lá ainda resistem, Portugal é hoje um país assimétrico e sem visão de território. Um país pequeno, que somos, contudo macrocéfalo e desnivelado para o litoral. Com esta dimensão e com um abandono total de uma visão integrada para o território, que lhe permita reduzir a perigosa assimetria, que desde os anos 60 do século passado se construiu. Se está a ler este artigo pergunto. Já foi a Portalegre? A Fronteira? À Covilhã? A Boticas? É extraordinário, apesar de tudo, o trabalho de muitos dos nossos autarcas. E até de empresários. Como é fantástico que, em Boticas, por exemplo, exista uma empresa de concepção de redes de pesca, que garante emprego e forte dinamismo económico. Bons, mas, infelizmente, raros exemplos.

Todavia vamos ser claros, para que não restem dúvidas, por melhor que seja o trabalho das Câmaras Municipais e de algumas empresas, isso não chega. Não há desenvolvimento sem verbas, sem estratégia, sem planeamento e sem visão de conjunto ao nível nacional. Conceitos caros e raros neste país que tudo faz em cima do joelho. Que vive sem reformas de fundo, sem horizontes e que, apesar de estarmos em plena campanha eleitoral, pouco se discute do que realmente importa ao interior, apesar das soluções avulsas como baixar IRC das empresas no interior ou Vistos Gold para estas zonas. São propostas bondosas? São. Claro que são. O leilão fiscal é sempre atractivo. Mas não chega. Não basta. É curto. Precisamos de mais, de um planeamento a longo prazo, com compromissos na sociedade portuguesa, por forma a que “territórios de baixa densidade” deixe de ser um eufemismo para descrever aquilo de que o país urbano, concentrado nas grandes cidades do litoral, se esqueceu e só se lembra a cada tragédia que acontece, como os fogos florestais, mas rapidamente perde de vista. Precisamos de quem pense o território de facto e não como mera esmola ou distribuição de fundos, a abordagem tem de ser integral e não uma mera lista desgarrada de medidas, senão como criar ou potenciar sinergias e gerir processos interdependentes, como são os que ligam território, economia e demografia. Podemos ser ainda mais claros? As CIM e CCDR são boas intenções, mas diminutas para a natureza do problema. Precisam de mais escrutínio e de mais poder. Precisam de ter uma visão regional e não podem ser uma mera burocracia do Estado Central para um dado território administrativo, criado à boleia das regras comunitárias de distribuição de fundos. Somos, de facto, um país desequilibrado. E este desequilíbrio precisa de ser enfrentado de frente. Alguém tem coragem de assumir, de facto, políticas de coesão territorial? É por falta de coragem e vontade que existem casos tão díspares como Elvas e Badajoz. Duas cidades vizinhas, mas que contam com Governos centrais e lógicas regionais totalmente diferentes. Era isto que também gostava de ver debatido, de forma séria, numa campanha eleitoral em Portugal.

Diogo Agostinho

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Opinião: “Meter o Mundo a falar”

Eduardo 12088014_10153775235257268_781859617163773055_nGreta tem Síndrome de Asperger. Uma condição do espectro do autismo que afecta as capacidades de comunicação e relacionamento. Greta meteu o Mundo a falar de algo importante. Mas o que vejo é as pessoas a odiar a miúda com todas as forças, a dedicar-lhe insultos indiscritiveis só por falar de forma esquisita. É uma miúda porra! Sou antes de tudo um pai e um homem. Não posso aceitar.

Fala de uma forma diferente? Parece agressiva? Soa a falsa? Talvez. Talvez seja por ser asperga, talvez não. Mas não anda a tentar imitar as Kardashian, a pedir bilhetes para o Justin Bieber, ou chorar porque não tem o último I-Phone. Tem causas, se me permitem, mais elevadas. Se a motivação é nobre ou interesseira, não sei, não sou bruxo. Preferia que fosse nobre. Contudo o que ela diz está certo. A essência é louvável.

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Não me importava que Greta, com as suas causas, o seu autismo considerado histérico, a sua preocupação com o futuro, fosse minha filha. Era um orgulho. Mas peço a todos, mesmo que não gostem dela, não concordem, mesmo que não defendam uma solução idêntica para o problema, que não a insultem só porque é moda. Se não concordam, então defendam a vossa visão das coisas. Podem e devem fazê-lo. Até porque essa discussão é fundamental. Chamem-me optimista mas acho que podemos fazer qualquer coisa. Tem é de ser para ontem.
#nature

Eduardo Madeira

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Opinião: “A propósito do aquecimento global”

Antonio Galopim 47283315_1965290887110757_4041598512259923968_nNo momento presente, em que anda muita gente a “dizer coisas”, sobre o aquecimento do planeta o degelo dos glaciares e a subida do nível do mar, em que uns agridem, outros defendem a jovem sueca Greta Thunberg, a verdade, goste-se ou não, ela é o rosto de um movimento, estou em crer imparável, que já mobilizou os adolescentes (e não só) à escala mundial.
A começar, devo dizer que poio e acredito em toda esta dinâmica de juventude à escala mundial, desejando que ela envolva igualmente a luta bem mais necessária e urgente contra a destruição das florestas, a poluição do ar, das águas marinhas e fluviais, dos solos e a destruição galopante dos recursos naturais. Se quisermos reflectir, séria e profundamente, nesta mais do que real ameaça global, a sociedade dita de desenvolvimento vai ter, a partir de agora, de se mentalizar para, a curto prazo, mudar a forma de consumir, de agredir e de conspurcar a Natureza, em suma, a forma de viver.

Relativamente a este processo, que se me afigura demasiadamente politizado, é minha convicção que a actividade antrópica, com influência no clima, não se sobrepõe, em especial, às do Sol e do vulcanismo. Penso pois que, mesmo sem a poluição atmosférica, da nossa responsabilidade, nomeadamente a relativa às emissões de dióxido de carbono e outros gases com efeito de estufa (que existe e é um facto comprovado), o Planeta irá aquecer nos próximos milhares de anos e registar fenómenos atmosféricos como os que nos tem vindo a mostrar (chuvadas e cheias catastróficas, furacões, tornados e outros), associados a inevitável subida do nível do mar.

Vale, pois, a pena reflectir sobre o que tem sido o sobe e desce da temperatura do planeta, à escala global, e o consequente sobe e desce do nível geral da superfície do mar nos derradeiros milhares de anos. Nos últimos dois milhões de anos da história da Terra foram registadas seis grandes glaciações intercaladas por períodos de aquecimento global, ditos interglaciários, no pico dos quais os níveis do mar subiram muito acima do nível actual. A mais recente destas seis glaciações, ocorrida entre há 80 000 e 10 000 anos, conhecida por Wurm, na Europa, e por Wisconsin, na América do Norte, não será certamente a última, e nós estamos a viver um período de aquecimento interglaciário, entre esta e a previsível próxima glaciação, daqui a uns bons milhares de anos. Assim sendo, com ou sem gases com efeito de estufa de origem antrópica, libertados para a atmosfera, a temperatura global vai elevar-se e, em consequência do inevitável degelo, o nível do mar vai subir e muito
.
Há cerca de 18 000 mil anos, no Paleolítico, já as mais antigas gravuras rupestres se disseminavam pelas paredes rochosas do Vale do Côa, atingia-se o máximo de rigor e de extensão da última glaciação do Quaternário, a atrás referida Würm. Restringindo-nos ao hemisfério Norte, a calote glaciária em torno do Pólo, espessa de dois a três milhares de metros, alastrava até latitudes que, na Europa, atingiam o norte da Alemanha, deixando toda a Escandinávia submersa numa imensa capa de gelo, capa que cobria igualmente grande parte da Sibéria, todo o Canadá e a Gronelândia. No Pólo Sul a respectiva calote extravasou, e muito, os limites do continente antárctico, alastrando sobre o oceano em redor e cobrindo a parte meridional da América do Sul.
No Atlântico Norte, a frente polar, ou seja, o encontro entre as águas polares, com icebergs à deriva, e as águas temperadas, situava-se à latitude da nossa costa norte, entre Aveiro e o Porto. O nível do mar estaria, ao tempo, uns 140 metros abaixo do actual, pondo a descoberto uma vasta superfície, hoje submersa, levemente inclinada para o largo e que corresponde à actual plataforma continental. Da linha de costa de então descia-se rapidamente para os grandes fundos oceânicos, com 4 a 5 mil metros de profundidade. A temperatura média das nossas águas rondaria, então, os 4ºC.
As Serras da Estrela e de Gerês, à semelhança de outras montanhas no país vizinho, tinham os cimos permanentemente cobertos de gelo, desenvolvendo processos de erosão próprios dessa situação climática, cujos efeitos ainda se podem observar em importantes testemunhos, com destaque para o vale glaciário do Zêzere.
relevos menos proeminentes, mais a sul e menos afastados do litoral como, por exemplo, as serras calcárias do Sicó, Aires, Candeeiros e Montejunto, encontram-se ainda, da mesma época, vestígios bem conservados e evidentes de acções periglaciárias. Desses vestígios sobressaem certas coberturas de cascalheiras soltas, brechóides, sem matriz argilosa, essencialmente formadas por fragmentos de calcário muito achatados e angulosos, em virtude da sua fracturação pelo frio, que deslizaram ao longo das vertentes geladas, destituídas de vegetação e de solo, e se acumularam na base desses declives. A conhecida pincha de Minde teve a sua origem nesta altura e através deste processo.

A partir de então verificou-se uma importante melhoria climática e consequente degelo. A temperatura sofreu uma elevação gradual e as grandes calotes geladas começaram a fundir e a retrair-se, debitando nos oceanos toda a imensa água até então aprisionada. Em consequência, o nível geral das águas iniciou a última grande subida e mais uma invasão das terras pelo mar, conhecida por transgressão flandriana. Praticamente, todos os rios portugueses, do Minho ao Guadiana, terminam em estuários, que não são mais do que vales fluviais escavados durante esta última glaciação e posteriormente invadidos pelo mar, no decurso desta transgressão.
Pelos estudos realizados na nossa plataforma continental sabemos que, há uns 12 000 anos atrás e na continuação do degelo global, o nível do mar coincidia com uma linha aí bem marcada, à profundidade de 40 metros. Uns mil anos mais tarde, a tendência geral de aquecimento generalizado foi perturbada por uma crise de arrefecimento à escala mundial.

Uma explicação para esta interrupção, relativamente brusca, no processo de aquecimento global que se vinha a verificar há alguns milhares de anos, pode encontrar-se na presunção de que, durante a glaciação, se formaram lagos enormíssimos no continente norte-americano, mantidos por grandes barreiras de gelo, que teriam recebido águas de cerca de oito mil anos de degelo nessa área da calote gelada. Admite-se que, tendo descongelado as barreiras que sustinham esses lagos, toda a água doce aprisionada desaguou no Atlântico Norte, desencadeando a brusca congelação da superfície do mar e a consequente mudança climática com reflexos à escala global. Saiba-se que água doce congela a uma temperatura mais elevada do que a água salgada do mar.

Na sequência, os glaciares não só interromperam o degelo, como reinvadiram as áreas entretanto postas a descoberto. Em resultado desta nova retenção das águas, o nível do mar desceu de um valor estimado em 20 metros e assim permaneceu durante cerca de mil anos. A frente polar, que recuara até latitudes mais setentrionais, avançou de novo e atingiu o paralelo da Galiza, pelo que as temperaturas das nossas águas voltaram a descer, rondando os 10ºC. No final deste episódio de inversão climática, a que se dá o nome de Dryas recente, há 10 000 anos, a transgressão retomou o seu curso. O clima tornou-se mais quente e mais chuvoso, entrando-se no que designamos por pós-glaciário. Há 6 a 7 mil anos, a temperatura média, na nossa latitude, atingia cerca de 3 ºC acima dos valores normais no presente. Foi o recomeço da subida generalizada do nível do mar, que se vinha a verificar desde o início do degelo, à razão de cerca de 2 cm por ano, em valor médio, embora a ritmo não constante e com algumas oscilações. Este episódio, conhecido por Óptimo Climático, coincidiu, em parte, com o Mesolítico português, estando bem exemplificado nos magníficos concheiros de Muge, no Ribatejo.

O nível marinho actual começou a ser atingido há cerca de 5000 anos, em pleno Megalítico ibérico, iniciando-se, então, o que é corrente referir como Período Climático Subatlântico, marcado por relativa humidade. A partir de então verificaram-se pequenas oscilações na temperatura, marcadas por moderadas e curtas crises de frio, com correspondentes recuos do mar, designados por Baixo Nível Romano, há 2000 anos, Baixo Nível Medievo, em plena Idade Média (séculos XIII e XIV) e Pequena Idade do Gelo, nos séculos XVI a XVIII, bem assinalada na Europa do Norte pelo congelamento de rios e lagos, situações relacionadas com a ocorrência de grandes cheias primaveris, resultantes do degelo nas montanhas, bem testemunhadas em pinturas da época. Posteriormente a esta crise de frio a temperatura do planeta subiu e vai, muito provavelmente continuar a subir, para os níveis actuais, mesmo sem a ajuda das emissões antropogénicas do agora tão falado dióxido de carbono e dos outros gases com efeito de estufa.

A tarefa não é fácil e, repetindo o que disse no início, se quisermos reflectir, séria e profundamente, nesta mais do que real ameaça global, a sociedade dita de desenvolvimento vai ter, a partir de agora, de se mentalizar para, a curto prazo, mudar a forma viver e de consumir, deixando de agredir e de conspurcar a Natureza.

António Galopim de Carvalho

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Opinião: “Sondagens e resultados”

joanaamaraldiasoficial_62090486_2053394904966968_953275700898553678_nSe há lição que fica das eleições regionais na Madeira é que as sondagens falham. Já se sabia mas volta a confirmar-se: falham muito.
A previsão de resultados da sondagem da Católica (RTP) divergiu em 21 pontos dos resultados eleitorais. Já a Eurosondagem (DN/TSF) falhou em 17,2 pontos. A melhor foi a da Intercampus (JM) e, ainda assim, com um desvio de 12,2 pontos.

Portanto, os sucessivos programas na comunicação social que vomitam horas e horas de perdigotos sobre sondagens a partir das quais fantasiam cenários prováveis e coligações possíveis, que se enrolam em politiquices em vez de debaterem Política, são mesmo ralé preguiçosa, burra e totalmente inútil. Panem et circenses.

Joana Amaral Dias

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Opinião: “Como te atreves, José Manuel Fernandes?”

luis osorioJosé Manuel Fernandes, líder do projeto Observador, atacou esta manhã Greta Thunberg, a jovem sueca de 16 anos que tem liderado o combate mediático contra as alterações climáticas. Fê-lo de uma forma indignada. Estava até incomodado porque a miúda tinha sido irrealista, radical e, pasme-se, malcriada. Estar ali, entre os poderosos do mundo, ainda por cima como convidada das Nações Unidas, e insultar os líderes políticos não é coisa que pudesse ser admissível ou tolerável.

Vamos lá a ver. José Manuel Fernandes aos 15 anos era militante maoísta. Participava apaixonadamente num dos partidos revolucionários de extrema-esquerda, um “ml” qualquer. Defendia o regime albanês de Enver Hoxha e a revolução cultural de Mao Tsetung. E estava disponível, como os seus camaradas do MRPP e de todas as outras fações, para uma revolução que rebentasse de cima/abaixo os alicerces do Estado Novo e o conservadorismo do Partido Comunismo. Na adolescência, José Manuel Fernandes era um radical. Malcomportado. E certamente irrealista.

Tinha 16 anos. Já não se deve lembrar. Porque o seu discurso paternalista acerca da juventude é uma desgraça. E falar assim de uma miúda que tem contribuído para uma viragem da opinião pública sobre as alterações climáticas é irresponsável e narcísico. Um cinismo que fica bem entre intelectuais e uma certa elite, mas que não é admissível. E que choca com a sua própria realidade. Uma pessoa pode mudar. Pode e deve, acrescentaria – também eu militei na juventude no PSR. Mas não pode esquecer-se do que é ter 16 anos. Do que é sentir a injustiça e agir. Do que é querer mudar o mundo e assumir os riscos. Do que é ser radical por ser a única forma de se ser ouvido. Do que é ser malcriado por não se aceitar as convenções e a hipocrisia.

Não estou a dizer que concordo com as premissas. Afinal, eu não sou Greta. Mas adoraria que ela fosse irmã dos meus quatro filhos. Teria um orgulho enorme numa mulher que assume um combate decisivo e arrisca a vida numa batalha pelo futuro. o futuro de todos nós. O dos filhos e netos de José Manuel Fernandes também.

Um dia escrevi um pequeno postal aos meus filhos que depois publiquei em “Amor”, um livro de pensamentos. Lembrei-me dele ao ver Greta ontem a interpelar os políticos

“A juventude não é juventude se não vivermos como se fossemos morrer amanhã. Não é juventude se não encontrarmos o nosso próprio destino, se não afrontarmos os que acham ser donos do caminho. Não é juventude se não arriscarmos, se não abrirmos a janela e respirarmos fundo de tanto acreditar que é possível o que quisermos que seja possível. Não é juventude se não começarmos a tratar por tu o silêncio e a solidão e se não tivermos medo de falhar. Se não nos apaixonarmos, se não chorarmos de raiva, angústia, se não gritarmos. A vida é a vida. A juventude não é juventude se a tratarmos como se fosse uma série de 30 ou 50 minutos com intervalos. Na vida os episódios não duram esse tempo, a juventude não é juventude se cada minuto não for vivido com intensidade, dure o que durar. E sem intervalos publicitários. A juventude não é juventude se tivermos a televisão ligada. Entendem, meus filhos?”.

Luis Osório

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Artigo de opinião: “Resposta a Catarina Martins”

Manuel Alegre 813619Ao afirmar que a disputa nestas eleições é entre a esquerda e o PS, Catarina Martins volta metaforicamente ao Verão de 1975, de que parece ter saudades mesmo sem o ter vivido.

Cara Catarina Martins: ao afirmar que a disputa é entre a esquerda e o PS, está de novo a dizer que o PS é um obstáculo (sem explicar a quê) e que é preciso um “partido verdadeiramente socialista”, pelos vistos o próprio Bloco. Voltou metaforicamente ao Verão de 1975 de que parece ter saudades mesmo sem o ter vivido.

Há quatro anos, PS e PCP fizeram um esforço para ultrapassar os traumas do passado. O Bloco veio atrás. Derrubou-se o tabu do arco da governação, compreendeu-se que a divisão das esquerdas era a força da direita, iniciou-se um processo de convergência que repôs a centralidade do Parlamento e a formação de um Governo do PS com o apoio do PCP, BE e PEV. O único Governo de esquerda numa Europa onde a esquerda estava a desaparecer e o populismo se encontrava dentro ou perto do poder. Repuseram-se direitos e rendimentos, a economia cresceu, o desemprego diminuiu, conseguiu-se o défice mais baixo da democracia.

A Europa, que tinha ficado assustada, começou a interessar-se pela excepção portuguesa. Afinal a “geringonça” funcionava. Fazia diferente sem pôr em causa as contas públicas e os compromissos europeus. Funcionava em Portugal e assim mostrava que também na Europa podia haver outros caminhos e outras soluções. Até a palavra começou a ser traduzida. É certo que se podia ter ido mais longe. Cada partido preservou a sua identidade e a sua autonomia. Os resultados foram fruto da negociação e do diálogo. Trabalho de todos. Do PCP, do Bloco, do PV. E do PS. Não dos outros contra o PS. Mas de todos com o PS e do PS com todos.

E eis que, de novo, cara Catarina Martins, se faz uma separação entre o PS e a esquerda. Divide-se o que tanto custou a convergir. Como se o PS fosse o inimigo principal. Como se o PS não fosse também a esquerda. Como se, para fazer não se sabe o quê nem como, fosse preciso vencer este PS e criar outro “partido verdadeiramente socialista”.

Já vimos este filme. Dir-se-ia que tem a nostalgia de uma das tentativas pseudo-revolucionárias que naquele Verão de anarco-populismo (como dizia Salgado Zenha) foram vencidas pelo PS e pelo espírito democrático dos militares fieis ao 25 de Abril. A Catarina só tinha um ano ou dois, não sabe como foi, ouviu contar, pelos vistos, mal.

De que disputa fala agora? Entre o quê e o quê? Entre que esquerda e que esquerdas? Socialismo revolucionário versus social-democracia?

Voltamos aos anos 30? A esquerda sempre foi plural. Os partidos da “geringonça” têm ideologias e identidades diferentes. Mas não há solução governativa de esquerda sem o PS, muito menos contra o PS.

Se é esta a disputa, ainda que desde o princípio adepto da “geringonça”, acho que os socialistas têm de uma vez mais assegurar a autonomia estratégica do seu partido.

Não há Governo de esquerda sem o PS. E sem um PS forte. Não há convergência de esquerda nem “geringonça” sem o PS ou contra o PS. Por isso, como dizia Alexandre O’Neil, mesmo quando ele não merece, é preciso votar PS.

Manuel Alegre

At https://www.publico.pt/

Autarca de Mação sem informação oficial da obra e da inauguração da Barca da Amieira

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A Câmara Municipal de Nisa vai inaugurar domingo à tarde a nova “Barca D’Amieira”. Trata-se de um formato moderno do Século XXI que, anuncia a autarquia de Nisa, tende a reabilitar um ícone histórico para as gentes de Amieira do Tejo, simbolizando a ligação desta povoação à outra margem, reabilitando assim uma tradição há muito perdida que tinha como objetivo a passagem de pessoas, bens e animais de uma margem do Tejo à outra, onde ainda hoje e na margem de São José das Matas (concelho de Mação), existe a estação de Envendos/Barca da Amieira, da linha da Beira Baixa.

Este projeto, anuncia a Câmara de Nisa, vai mais longe do que apenas fazer a travessia do rio. Pretende avançar com a preservação, conservação e valorização do património histórico e cultural do Tejo Internacional.

O projeto “Barca D’Amieira”, da Câmara Municipal de Nisa, é uma obra cofinanciada, em 75%, pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, Programa INTERREG V-A Espanha-Portugal, ao abrigo do Programa de Cooperação Transfronteiriça Espanha-Portugal (POCTEP).

Até aqui tudo normal. Só que, mesmo sendo um projeto de Nisa tem uma ligação e uma componente construída no território do concelho de Mação, mais propriamente, perto da estação da CP, na localidade de S. José das Matas, freguesia de Envendos.

E a surpresa veio do presidente da Câmara Municipal de Mação, Vasco Estrela, quando questionado, na Assembleia Municipal de Mação desta quarta-feira, dia 18 de setembro, sobre o conhecimento que teve ou tem sobre esta obra e esta travessia. Não tem conhecimento oficial.

Vasco Estrela contou a história sem adjetivar e deixando as interpretações de lado para não criar nenhum conflito institucional.

A ideia de uma nova travessia na Barca da Amieira começou com a presidente da Câmara de Nisa a chamar o presidente da Câmara de Mação para uma reunião em que lhe apresentou a ideia de candidatura a fundos comunitários, Vasco Estrela explicou que mostrou disponibilidade para suportar uma parte do financiamento nacional, já que a obra iria incidir entre Amieira do Tejo (Nisa) e S. José das Matas (Mação). A autarca alentejana terá dito que Nisa avançaria com o processo todo, ao abrigo de uma candidatura a financiamento europeu.

Depois as conversas pararam até o autarca de Mação ter visto, nas redes sociais, a sua homóloga a visitar as obras deste projeto. Já este ano, e sem mais contactos formais, segundo Vasco Estrela, recebeu um telefonema de Nisa a propósito da inauguração da nova travessia e com um email a pedir a emissão de uma declaração a propósito deste investimento.

Vasco Estrela informou a sua Assembleia Municipal que não teve até à data (19:00 do dia 18 de setembro) qualquer convite formal do Município de Nisa, pelo que, mesmo sendo uma festa pública, tal como está anunciada, não poderia “convidar formalmente os deputados municipais”.

Acresce um outro pormenor em torno desta obra. Foi construída uma sapata de cimento na margem de S. José das Matas (Mação), num terreno de um privado sem qualquer pedido de autorização ou até licenciamento.

O presidente da Câmara de Mação, mediante o processo, informou o munícipe sobre este projeto, sobre o que pode ou não fazer por causa da obra feita sem autorização, mas reafirmou que não tem interesse em criar um conflito institucional entre os dois municípios.

O certo é que a inauguração da “Barca D’Amieira Século XXI” irá decorrer no próximo domingo, dia 22 de setembro, pelas 16:30, junto à margem do Rio Tejo, em Amieira do Tejo, e contará com diversos momentos, incluindo um concerto aquático pela Sociedade Musical Nisense e travessias livres entre as duas margens, ou seja, entre Amieira do Tejo (Nisa) e S. José das Matas (Mação).

At https://www.jornaldeabrantes.pt/ (20/09/2019)