Artigo de opinião: “Um gajo que, assim a modos que…”

Marcio 14192627_10206303446739292_603832029436918451_nAviso desde já que não funciono em termos de moda. Arrogo-me, no entanto, que entendo um nadita de arte. Como acho que fazer trapos bonitos, novos e vistosos, pode ser uma arte, interesso-me pela coisa. E vai daí, curioso, persistente e vaidoso como sou, não desisti enquanto não percebi de tecidos, padrões, tendências, história das principais casas de alta costura e outras cenas adstritas. E como não sei fazer uma música a olhar para uma blusa ou uma saia, (d)escrevo-as.

Tenho uma amiga que diz e repete que, se eu não fosse jornalista e maledicente, a única coisa que me via a fazer para ganhar a vida era a inventar vestidos de senhora. Acho redutor, porque também sei fazer amêijoas ao natural e encher um depósito de gasolina. Mas compreendo a ideia da moça.

O que é mais estranho em mim, digo eu que ninguém nos ouve, é que, sendo eu manifestamente heterossexual, nem foi por causa das giraças que comecei a olhar para as revistas. Não, eu interesso-me desde a mais tenra idade por roupa. Mesmo. Aqui há uns anos atrás até namorei uma costureira, que não me deixa mentir no que digo.

Apresentado que me acho, todos os anos por esta altura folheio umas cenas que encontro nas tabacarias, antes ou depois de comprar cigarros. Mas, como sou homem para todas as estações, faço o mesmo seis meses antes, quer os cigarros que fumo há quase 40 anos, quer as revistas que vejo vai para quase toda a vida. Hão-de reparar, se ainda não o fizeram em termos, que nos quiosques onde se vende tabaco quase sempre existem revistas, e que nas papelarias que têm revistas quase sempre se vendem cigarros.

No fundo, o que eu sonhava de ser quando fosse grande era jornalista da ‘Marie Claire’. Em tempo de guerra, ia entrevistar as moças curdas guerreiras, quer as bonitas quer as quase feias – não há mulheres feias com uma espingarda a defender os seus e a sua ideia de vida – e no resto do tempo analisava de Valentino a Galliano, de baixo para cima, da frente e de costas. Se ainda me sobrasse ano, podia sempre ir visitar umas fábricas de têxteis caros ou aceitar convites para testar ‘spas’ e carros de senhora.

Sim, porque eu para moda masculina não tenho pachorra. É uma perspectiva egoísta, sei lá! E até algo narcísica e efeminada, confesso. É que quem faz o meu estilo sou eu. Isto por um lado. E, por outro, não me estou a ver a comprar um estampado de flores para oferecer a um amigo, a pensar como lhe ficaria bem se ele fizesse daquilo uma camisa. Nem que ele se chamasse Varoufakis!

Por outro lado, e ao contrário de Jack Nicholson naquele filme ‘As Good As It Gets’, no qual ele faz de escritor doido de novelas meladas e bastamente lidas por senhoras, eu nem quero pensar que para criar um personagem de fêmea tenho de ‘think of a man’ e ‘take away all reason and accountability’. Não, ‘this is not my way’. Eu sou profundamente feminino e feminista e, por isso, para criar o lado mundano e vaidoso que pretendo para mim, tenho de acrescentar aos pêlos do peito uma certa dose de incerteza e ‘galinha da vizinha é melhor que a minha, mas eu chego lá, que aquela vaca não é mais gira que eu!’ Melhor é impossível, acho.

Complexo? Não mais do que um abafo de ‘Comme des Garçons’ que vi outro dia, que deve ter muita saída nos jantares de Estado da Arábia Saudita, mas que para ser burka ainda lhe falta tapar os tornozelos da moça, que é a única coisa, incluindo os olhos, que se vê à mostra quando se contempla aquele repolho disfarçado de candeeiro barroco apagado da Sé Catedral da Moita, perdoem-me os da outra banda, principalmente a do Samouco, que para mim é a que dá mesmo festa à brava!

E não se esqueçam. Seja para a ‘night’ ou para ir à mercearia, vocês são mulheres, certo? Então não vão de pijama nem de alpergatas. O mínimo que se exige é que façam de conta que são a Raquel Prates. É que mais vale uns chinelos de quarto que umas sandálias de quarta! Principalmente à sexta e ao sábado. À noite, em específico. Depois, quando chegarem a casa, calcem lá o chinelo e tirem o ‘Manolo’. Aí sim, já ninguém se importa, nem sequer o tolo que mora convosco na cama, e que se foi bem escolhido só vos quer é rasgar a roupa.

Para a próxima prometo que falo de moda. Eu morra já aqui gaja se não o faço!

Márcio Alves Candoso

At http://raquelprates.pt

Raquel perfil_raquel-pratesNota introdutória: O Márcio Candoso é um Jornalista e escritor, daqueles a sério. Acho que hoje mais do que nunca todos nós entendemos o que isso quer dizer. Protector da palavra, que usa com rigor e de uma forma acutilante, sempre esteve habituado sobretudo aos artigos económicos, políticos e sociais, mas o Márcio é apreciador da estética e não só das palavras. A sua forma de escrever, que reinventa e respeita alguns dos maiores nomes da literatura Portuguesa, tem a virtude de se adaptar a quase todos os assuntos que despertam a sua atenção.
Conheci o Márcio através do meu marido e logo me apercebi do respeito e até um sentimento de admiração mutua que os une, são daquelas pessoas que gostam de amealhar conhecimento e que só por isso têm algo a dizer sobre muitos assuntos e quando não estão à vontade com algo… Aí estão eles a fazer um trabalho de investigação que os permita construir e fundamentar a sua opinião. Quando li as primeiras coisas escritas pelo Márcio sobre moda, fiquei impressionada, na altura ainda não tinha os conhecimentos que hoje tenho sobre a sua escrita. Ele revela aquela capacidade rara de descrever uma série de coisas que todos nós sentimos, mas que tão poucos conseguem expor de uma forma clara, mordaz, e até satírica. Foi por isso que o desafiei a escrever sobre moda no Raquelprates.pt e felizmente ele fê-lo. É com prazer que aqui o publico, melhor ainda é lê-lo e partilhá-lo. Espero que também sintam a mais valia que estes artigos têm para nós, e não o escondo.
Estejam atentas e atentos, ainda é só o começo. 😉

Raquel Prates

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Estrangeiros procuram cada vez mais o interior

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O interior está a atrair cada vez mais estrangeiros. De tal forma que, em 2016, Castelo Branco, Bragança e Guarda foram os três distritos que, percentualmente, ganharam mais imigrantes residentes, apesar de o número ter crescido em praticamente todo o país. Fatores como a “qualidade de vida”, a segurança, o contacto com a natureza e a “facilidade” em chegar aos grandes centros ajudam a explicar o fenómeno.

Segundo o último Relatório de Imigração, Fronteiras e Asilo (RIFA), divulgado recentemente, havia, em dezembro de 2016, 387 731 estrangeiros a viver em Portugal. “Inverteu-se a tendência de decréscimo do número” de imigrantes, concluiu o SEF. Entre 2015 e 2016, o aumento foi de 2,3%. E as explicações para a subida assentam em dois fatores de atratividade, segundo o serviço. Por um lado, “a perceção de Portugal como país seguro” e, por outro, “as vantagens fiscais decorrentes do regime para o residente não habitual”.

Independentemente das razões, os três distritos em que a população estrangeira mais subiu em termos percentuais são do interior. Castelo Branco foi a região que ganhou mais imigrantes. A subida foi de 11,9%, para um total de 3642 residentes. Segue-se Bragança, distrito onde o aumento foi de 11,6% para 2685 imigrantes. Na Guarda, os estrangeiros subiram 9,5% e são já 1845.

Além de o número de estrangeiros ter subido sempre nos últimos anos, há nacionalidades novas. Em Castelo Branco, por exemplo, há cada vez mais ingleses. Em 2013, o Reino Unido era a sexta nacionalidade mais representada no distrito, no ano passado passou a ser a terceira. E há concelhos, como o Fundão, onde os ingleses são já a maior comunidade estrangeira.

Quanto à zona da Guarda, e especialmente os concelhos da serra da Estrela, como Gouveia e Seia, está a ser mais procurada por holandeses – que, em 2013 não faziam sequer parte da lista das 10 nacionalidades mais representativas do distrito. Agora são a nona.

Mais a norte, em Bragança, o Brasil continua a ser o país mais representado, mas verificou-se um aumento de nacionalidades pouco habituais, como é o caso do Cazaquistão. Há 118 cazaquistaneses no distrito, sendo que metade (56) vive em Mirandela.

Em busca da qualidade de vida

A principal razão que leva os estrangeiros a procurarem as zonas mais desertificadas do país – de onde os portugueses têm fugido nos últimos anos – é, para o coordenador da Unidade de Missão para a Valorização do Interior, a qualidade de vida. “São pessoas em idade ativa e reformados que estão a valorizar, de forma mais rápida que os portugueses, essa vertente de estar na vida”, acredita João Paulo Catarino.

“Temos segurança, infraestruturas públicas de grande qualidade e estamos perto dos grandes centros, ao contrário do que por vezes achamos”, acrescenta o ex-presidente da Câmara de Proença-a-Nova, que defende que este fenómeno pode ajudar os portugueses a olharem para o interior “de forma mais descomplexada”. “Em Portugal, ainda achamos que o cosmopolita é melhor”, lamenta.

At Jornal de Notícias

Opinião: “A raiva contra a Geringonça”

FB_IMG_1503225623717Hoje o país está em alerta vermelho: mais um dia de altas temperaturas, mais um dia propicio a novos incêndios e a reacendimentos. Leio por aqui que a maior parte das pessoas está convencida que há mão criminosa, eu também estou e, acredito que estejam a ser usadas matérias combustíveis para os atear. Esta forma de terrorismo só pode estar a ser implementada por quem quer criar no espirito da população a ideia de que o Governo não garante a segurança das populações. A raiva contra a “geringonça” transformou-se num fundamentalismo com atentados perpetrados contra as pessoas e seus bens e contra o país. Os incendiários deviam ser condenados por homicídio na forma tentada, uma vez que põem em risco a vida de tantas pessoas. Ontem li um artigo de José Goulão (partilhei num outro post) onde ele questionava sobre os locais onde ocorrem os incêndios e constatava que os mesmos não ocorrem em locais dos detentores dos grandes interesses económicos. Não há coincidências, digo eu!

At Facebook / Maria do Rosário Gama

Opinião: “Mediocridade”

FB_IMG_1503130946395“Ficamos todos muito chocados quando, perante uma calamidade social, financeira, etc., em que muitos perdem a vida, ou a vêm alterada de forma brutal, verificamos a desorganização, a incompetência, a inexperiência, a incapacidade, a falta de senso, etc., daqueles que foram nomeados para gerir serviços públicos, organismos de decisão com capacidade e obrigação de planear a resposta desses serviços, mas também manter, prevenir e educar de forma a minimizar ocorrências, ou os respetivos impactos na eventualidade de uma ocorrência. Ficamos chocados e a pensar como foi possível tudo isto.

Pois, mas a culpa é só nossa. Andamos há muitas dezenas de anos a eleger os piores e a permitir que façam aquilo que melhor sabem fazer: Nomear os amigos, os colegas de partido, num ciclo de mediocridade e incompetência que só poderia correr mal. Elegemos mal e não responsabilizamos, o que só agrava o problema. Mas, para complicar ainda mais a situação, permitimos que o sistema eleitoral esteja aprisionado por essa mediocridade, não admitindo alternativas, nem forçando dinâmicas de mudança. A estabilidade do sistema partidário português é bem a prova disto tudo.

O resultado só poderia ser aquele que.observamos, chocados, mas nem assim colocamos na agenda, com prioridade, a firme vontade de reorganizar o país e a forma como é gerido.

Todo este comportamento revela hipocrisia e uma certa falta de amor próprio que me custa muito a compreender e a aceitar.”

At Facebook / Norberto Pires

Opinião: “Chega”

FB_IMG_1503049074615“Talvez…
Não me apeteça calar…
Distrair pessoas com ilusionismos, para não enxergarem a falta de obra…
Ver que os rostos do hoje, não têm a alegria das imagens de arquivo dos anos 70….
Que os ideais foram rasgados… Os oportunistas premiados, a solidariedade esquecida e… q certos vigaristas políticos são recompensados…
Pergunto-me… Que andamos a fazer à democracia?
Talvez me apeteça falar de certos elementos q integram certa lista…
Haja vergonha… Não vale tudo…
Chega das campanhas dos beijos e dos porta chaves… Chega de premiar os falsificadores, que pagaram as suas penas no Tribunal, com o dinheiro de uma certa Autarquia… Chega do povo não saber… CHEGA.”

At Facebook / Cristina Martins