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Os eleitores do interior

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O secretariado da secção concelhia do Partido Socialista (PS) vem em comunicado desmentir o Presidente do Partido Social Democrata (PSD) de Castelo Branco, Carlos Almeida, já anunciado candidato à Câmara Municipal, que em entrevista recente a uma rádio de Castelo Branco, afirmou que ” na competição do número de eleitores, Castelo Branco perdeu 2000 eleitores e que ocupa o “último lugar” nas capitais do Interior“.

Com base nos mapas publicados pela Secretária-geral da Administração Interna, o PS explica que Castelo Branco ocupa o 15.º lugar de entre as 20 capitais, no ranking do número de eleitores, à frente de Évora, Guarda, Bragança, Beja e Portalegre.

No Distrito de Castelo Branco, o município de Castelo Branco é o que tem maior  número de eleitores e o que menos perdeu em 4 anos.

Na perda de eleitores, capitais como o Porto, Portalegre e Santarém perderam mais que Castelo Branco.

Castelo Branco perdeu menos eleitores que municípios relevantes e próximos como: Torres Novas, Portalegre, Santarém, Abrantes, Covilhã e Fundão.

Nos 18 distritos e 2 regiões autónomas: 14 perdem eleitores (Aveiro, Madeira, Leiria, Coimbra, Santarém, Évora, Vila real, Viana do Castelo, Bragança, Viseu, Beja, Portalegre, Guarda e Castelo Branco); 6 ganham (Faro, Açores, Setúbal, Porto, Lisboa e Braga).

Das 20 capitais de distrito e regiões autónomas: 15 perdem eleitores (Leiria, Vila Real, Funchal, Coimbra, Évora, Bragança, Viseu, Viana do Castelo, Guarda, Beja, Lisboa, Castelo Branco, Porto, Portalegre, Santarém); 5 ganham (Braga, Ponta Delgada, Setúbal, Aveiro e Faro).

71 municípios (dos 308 municípios portugueses) cresceram em número de eleitores, sendo 68 de Distritos do Litoral ou das Ilhas. 52 municípios perderam até 2% do n.º de eleitores. 32 municípios perderam entre 2% e 3% do n.º de eleitores. Lisboa, Porto, Castelo Branco, Viana do Castelo, Guarda e Beja, são capitais de distrito que integram este grupo. 62 municípios perderam entre 3% e 5% do n.º de eleitores. 72 municípios  perderam entre 5% e 8% do n.º de eleitores. 19 municípios perderam entre 8% e 14% do n.º de eleitores.

Face aos dados apresentados, o PS acusa Carlos Almeida de “impreparação e má-fé“, lembrando que “a desertificação é um problema nacional, que o PSD agravou com as suas políticas. As autarquias têm pugnado para resistir e contrariar a inexorável tendência. Quase sem exceção, as autarquias do Interior têm mais dificuldades e algumas têm pequenas vitórias.”

O PS termina afirmando que “está absolutamente confiante. A dinâmica demográfica é uma constante. Em 1997, Castelo Branco tinha 50.987 eleitores inscritos. Em 2001, diminuiu para 48.590. Em 2013, o número de eleitores já era 51.325. A diminuição agora indiciada, é também o resultado da austeridade imposta pelo PSD, entre 2011 e 2015. Caso se confirme o decréscimo em 2017, sabemos que com a liderança de Luís Correia, recuperaremos o eleitorado, como fizemos no passado.”

At Diário Digital

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Portagens aumentam uma vez mais para o interior

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A1 terá o maior aumento de portagens em 2017 (para quem se desloca das áreas de Portalegre ou Castelo Branco para Lisboa, significa metade do caminho)

A autoestrada Lisboa-Porto vai ficar 35 cêntimos mais cara em 2017 para a classe 1, o que faz da A1 o percurso com o maior aumento das portagens, seguida pela A2 Lisboa-Algarve que sobe 25 cêntimos.

Em terceiro lugar, com um aumento de 15 cêntimos, aparece a A22, conhecida como Via do Infante, no Algarve, que passa a custar 8,7 euros.

Já a viagem Lisboa-Porto, na autoestrada A1, passará a custar 21,60 euros e a Lisboa-Algarve na A2 20,45 euros, com o novo tarifário das autoestradas que entra em vigor a 01 de janeiro, atualizado com base na variação de preços ao consumidor.

A atualização abrange 22% das portagens e será de cinco cêntimos na generalidade das taxas de Classe 1, sendo de dez cêntimos num número reduzido de situações e em 78% dos casos não haverá qualquer acréscimo de preço, segundo anunciou o Ministério do Planeamento e das Infraestruturas.

As portagens das pontes 25 de Abril e Vasco da Gama, em Lisboa, terão um aumento que varia entre os 5 (classe 1, em ambas as pontes) e os 15 cêntimos (classe 4, na Vasco da Gama).

Assim, no próximo ano, os utentes com veículos de classe 1 vão passar a pagar 1,75 euros para atravessar a ponte 25 de Abril e 2,75 euros na ponte Vasco da Gama.

Também a Brisa Concessão Rodoviária (BCR) destaca que “para a maioria dos principais percursos, o impacto das atualizações é mínimo, e que nas entradas dos grandes centros urbanos (Lisboa e Porto) não há aumentos”, como é o caso da A5 Lisboa-Cascais e da A9 (Crel).

O índice de preços ao consumidor de outubro, excluindo habitação, que serve de referência à atualização anual das portagens, foi de 0,84%, sendo essa a proposta que as concessionárias de autoestradas terão feito ao Governo.

O método de atualização das portagens inclui um mecanismo de arredondamento das taxas para o múltiplo de cinco cêntimos mais próximo. Ou seja, se os aumentos forem inferiores a 2,5 cêntimos, a portagem manter-se-á inalterada. No entanto, se o aumento for superior a 2,5 cêntimos, há um arredondamento automático para cinco cêntimos.

Em 2016, a atualização nas taxas de portagem das autoestradas nacionais tinha abrangido apenas 10% dos troços das vias onde há cobrança aos utilizadores e numa atualização de apenas cinco cêntimos.

At http://sicnoticias.sapo.pt/

Presidente da Assembleia Municipal de Moncorvo vota contra o orçamento

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O presidente da Assembleia Municipal de Torre de Moncorvo votou contra o orçamento da autarquia para 2017.

José Mário Leite, do PSD, o mesmo partido do executivo, não concorda com a proposta orçamental para o próximo ano porque está contra o grande aumento nas comparticipações que o município faz para a Associação de Municípios do Douro Superior.

O representante do órgão autárquico refere que não ficou satisfeito com as explicações apresentadas para justificar o aumento das transferências. . “O que me disseram é que se devia à necessidade de pagar dívidas. Isto é uma situação estranha, que eu não entendo, porque a dívida do município de Moncorvo à associação de municípios teria sido saldada do início de 2014, para o qual foi contraído um empréstimo e cujo serviço da dívida rondará os 70 a 80 mil euros ano”, critica o presidente da Assembleia Municipal, para quem esta comparticipação é “exagerada”.

Contactado pela Brigantia, o presidente da câmara municipal, Nuno Gonçalves, recusou-se a comentar “votações feitas por membros da Assembleia Municipal, ainda mais quando a votação se ficou a dever exclusivamente a uma parte do orçamento que tem a ver com a associação de municípios” e remete qualquer esclarecimento para o secretário executivo da Associação de Municípios do Douro Superior.

Nuno Trigo reconhece que o valor de transferências previstas do município para a associação tem vindo a aumentar. E explica que “a verba reflecte o pagamento da gestão dos resíduos sólidos urbanos e também contempla os compromissos relativos a um empréstimo da Câmara de Moncorvo para saldar dívidas com a associação de municípios”.

Nuno Trigo adianta ainda que os valores do orçamento de Moncorvo, no que respeita à AMDS, “contemplam ainda verbas relativas às candidaturas conjuntas por parte da associação em nome dos cinco municípios, ao Portugal 2020”.

At http://brigantia.pt/

Um ‘Mundo Novo’ vive no Politécnico de Bragança

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É lá que, em percentagem, estuda e faz vida, a maior comunidade de estudantes estrangeiros em Portugal.

Do Paquistão à Hungria, da Suécia aos Camarões, da Serra leoa à Costa Rica… Chegam de todo o mundo para estudar em Bragança. Já são 64 as nacionalidades que inscreveram o nome no Politécnico. David Velez chegou este ano da Colômbia. “Acho que nem no Equador, nem o Perú, nem nenhum país da América do Sul podes sair à rua com a tranquilidade que há aqui”.

Segurança, muitas culturas e uma cidade acolhedora. É assim que muitos classificam o IPB e Bragança. Inês Jabeur é Tunisina. Está a começar o segundo ano em Bragança. Começa-o com o coração cheio… arranjou namorado! “Sim, é de Bragança. Damo-nos bem, a família é fantástica, ele é muito gentil. Não tenho problemas”.

Identidades e vidas que se cruzam num Instituto que vai, “mundo fora” em busca de estudantes. “Começamos por ter um ou dois alunos de um país e sabemos que, quase inevitavelmente, no ano seguinte temos um crescimento exponencial. Chamam-se uns aos outros. Sentem a segurança de que se os outros vieram é porque havia alguma identidade”, diz Anabela Martins, pró-reitora responsável pelo gabinete de imagem e do estudante.

Este ano deverão estar ali cerca de 1600 alunos estrangeiros. A região transforma-se num “campus” atrativo, conclui Sobrinho Teixeira, presidente do IPB. “Normalmente os estudantes costumam ver qual é a relação da qualidade de vida, do custo de vida e nós temos uma relação e nós temos uma relação ótima entre os dois parâmetros e uma região que é muito segura. Em toda a minha atividade de internacionalização nunca me perguntaram onde ficava Lisboa.”

At http://www.tsf.pt/http://sicnoticias.sapo.pt/programas/reportagemsic

IV Forum do Interior, este fim-de-semana, na ESECS

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O IV Fórum do Interior, sob o lema, “Valorização do Interior: a Cooperação para a Sustentabilidade Integrada”, decorrerá na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais, em Portalegre, nos dias 25 e 26 de novembro, sendo uma iniciativa promovida pela Animar, com o apoio local da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais – Instituto Politécnico de Portalegre, da CIMAA – Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo, da Associação A RAIA/LA RAYA e da Unidade de Missão e Valorização do Interior.

Despovoamento, envelhecimento da população, desemprego crescente, falta de oportunidades de trabalho, dificuldade de fixar a juventude, isolamento, altas taxas de pobreza, difícil acesso aos serviços básicos, estes são alguns dos traços comuns aos territórios de baixa densidade e que traduzem a sua degradação económica e social. Porém, todos os estudos e diagnósticos apontam também um conjunto diversificado de recursos para o desenvolvimento que estes mesmos territórios encerram. Neste sentido, o IV Fórum do Interior vai-se debruçar, mais uma vez e como é sua missão, sobre esta realidade e as formas de a contrariar.

Trata-se de uma iniciativa que junta pessoas ligadas a autarquias, academia, investigação, agentes e técnicos/as de desenvolvimento local, líderes associativos e atores locais que deram um importante contributo para a reflexão sobre os territórios da interioridade, promovendo o debate e interação de ideias que podem servir de base para a definição e reivindicação de novas medidas públicas e políticas que visem o combate ao despovoamento, ao abandono, à desagregação social e à depressão económica que caracterizam a maioria destes territórios do interior.

At https://www.evensi.pt/

Estudantes de medicina dão apoio a idosos

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A iniciativa “Aldeia Feliz”, promovida pelo Núcleo de Estudantes de Medicina da Universidade do Minho (NEMUM), já vai na terceira edição e já foi possível, com o apoio da Câmara dos Arcos, resolver problemas relacionados com o acesso à saúde e melhorar as condições na habitação.

“Na primeira edição, realizada aqui no concelho dos Arcos de Valdevez, assinalámos cerca de 12 casos de isolamento grave de idosos, com problemas de habitação ou mesmo de saúde que não estavam controlados e hoje viemos a saber que todos os casos foram já resolvidos e estão a ser seguidos. É bom saber do retorno da nossa atividade e do impacto que tem na sociedade”, contou à TSF João Dourado, presidente do NEMUM.

Este estudante do 4º ano de Medicina é um dos 26 futuros médicos que estão a participar na iniciativa que decorre até domingo em seis aldeias dos Arcos (Soajo, Cabana Maior, Cabreiro, Sistelo, Rio Frio e Senharei) e que pretende chegar a cerca de 200 idosos.

“Não tenha medo, somos muitos mas somos bons”, vai avisando Maria Adelaide Cunha, uma das habitantes da aldeia de Vilar de Cabreiro, que se disponibilizou a abrir caminho aos jovens estudantes no acesso às casas dos mais idosos. Manuel Afonso, 74 anos, recebe-os no alpendre de casa, desfiando conversa sobre a vida na lavoura. “Tenho perto de 20 animais, na serra e aqui, e semeio umas territas para dar de comer aos animais e tirar umas batatas, couve, cebola”, conta.

As visitas ao domicílio incluem rastreios cardiovasculares (medição da tensão arterial e da diabetes) bem como a avaliação das condições de habitabilidade e o grau de dependência.

João Dourado, estudante, vai preenchendo um formulário com notas sobre patologias já diagnosticadas, medicação habitual e hábitos alimentares. “Faço umas três refeições. Quando acordo tomo um bocado de leite, vou levar as vacas ao monte e quando venho, por volta das 10 horas, já almoço qualquer coisa. Às vezes, um bife, se houver, ou um pão com chocolate ou um bocado de queijo. Com uma malguinha de vinho a gente vai”, relata.

Manuel Afonso é solteiro e vive sozinho na aldeia de Vilar de Cabreiros. “Tenho uma sobrinha mas ela está na casa dela e eu na minha”. Não se sente sozinho? “Em casa sinto-me, mas lá fora não. Ando com os animais e o tempo não me rende. Mas encontro pessoas amiúde e distraio bem a minha vida”, conta-nos.

Foram poucos os que resistiram à emigração e ficaram. Adelaide Cunha dá uma ajuda no que pode, na lavoura ou nas boleias até à vila, que fica a 16 kms e 25 minutos de distância. “Se tiverem que ir apanhar a camioneta, é uma meia hora a pé (até à paragem) e para eles não é fácil. Só de boleia ou de táxi”, revela.

At http://www.tsf.pt/

Gasóleo na fronteira ao mesmo preço de Espanha

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O ministro Adjunto anunciou, esta quarta-feira, em Arganil, distrito de Coimbra, que a partir do dia 15 quatro zonas de fronteira vão ter gasóleo profissional ao mesmo preço que no território espanhol.

Segundo Eduardo Cabrita, que falava aos jornalistas no final da sessão solene do feriado municipal de Arganil, haverá uma redução de 13 cêntimos no gasóleo profissional nas zonas fronteiriças de Quintanilha (Bragança), Vilar Formoso (Almeida), Elvas e Vila Verde de Ficalho (Serpa).

“O que significa que o preço base para os transportadores de mercadorias será o mesmo que existe no mercado espanhol”, sublinhou Eduardo Cabrita, que anunciou ainda para o final do mês a apresentação do plano de ação de combate à interioridade.

At http://economico.sapo.pt/

A23 com redução de 15% no valor das portagens

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O ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, disse esta quarta-feira que a redução das portagens no Interior poderá implicar uma perda de cerca de 13,6 milhões de euros nas receitas do Estado, o que considerou um esforço para apoiar o Interior.

“Com as indicações que temos, com os estudos internacionais que temos, admitimos que na totalidade das autoestradas onde alterámos os preços possamos ter uma diminuição de receita de 13,6 milhões de euros”, afirmou.

Pedro Marques falava na Covilhã, distrito de Castelo Branco, onde presidiu à cerimónia de apresentação do Plano de Mobilidade para o Interior e durante a qual foi anunciado o regime de descontos em algumas autoestradas.

O Governo anunciou hoje a aplicação de 15% de desconto a todos os veículos que circulem, a partir de 01 de agosto, em algumas autoestradas, vias maioritariamente localizadas no interior do país e no Algarve.

O Governo aponta critérios de convergência económica e coesão territorial para justificar os descontos nas portagens nas autoestradas A23 Torres Novas – Guarda, A22 (Lagos – Vila Real de Santo António) e A24, entre Viseu e a fronteira de Vila Verde de Raia, no município de Chaves.

Os descontos estendem-se à autoestrada A4, denominada Transmontana, entre Amarante e Quintanilha (Bragança), mas deixa de fora o troço daquela via entre Matosinhos (Porto) e Amarante. Ainda na A4, no Túnel do Marão, recentemente inaugurado, o preço praticado já abrange os 15% de desconto, esclarece o Governo.

Abrangida é também a A25 entre Albergaria-a-Velha e Vilar Formoso, mas não no troço inicial, que liga Aveiro a Albergaria-a-Velha.

Na cerimónia de hoje, o governante salientou que esta medida implica um “esforço significativo”, mas simultaneamente “comportável” e que se impunha para “apoiar o desenvolvimento do Interior, a fixação de emprego, a fixação de empresas e para apoiar a mobilidade das populações”.

Questionado sobre o facto de nas regiões abrangidas se considerar que a redução fica aquém das expectativas e das necessidades, o ministro referiu que compreende que as pessoas ambicionassem mais, mas salientou que, de outra forma e caso o tráfego não aumente como se espera, as perdas para o Estado poderiam ser muito elevadas.

“Eu se pudesse obviamente também anunciaria já uma redução maior, mas isso não é o meu papel como governante, o meu papel é tomar decisões responsáveis e sustentáveis”, apontou, salientando ainda que o Governo está a cumprir o compromisso assumido com o desenvolvimento do Interior.

Um compromisso que “faz justiça ao Interior”, segundo salientou o presidente da Câmara da Covilhã, Vítor Pereira, que espera que as medidas a favor deste território sejam alargadas.

“Tal redução é fundamental para aliviar os custos de contexto das nossas empresas e as magras bolsas dos nossos concidadãos. Desejávamos mais, mas compreendemos que este esforço de redução é já significativo. Este foi o primeiro esforço. Estou certo que outros esforços se lhe seguirão”, disse.

Quanto às reivindicações relativamente às portagens na Ponte 25 de Abril, o ministro explicou que “não é um dossiê que neste momento possa estar em cima da mesa, pelo seu impacto orçamental”.

At http://www.jn.pt/

Reportagem ‘NM’: “Tua: a barragem que vai engolir um vale”

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O grande paredão da barragem está construído, os carris do comboio foram arrancados, até ao fim do ano o vale fica submerso. É isto o progresso. É? O governo acaba de rever o Programa Nacional de Barragens, haverá demolições porque os cursos de água também precisam de correr livres. O Tua, no entanto, já não se salva do afogamento. Da contestação já conhecemos a história. Esta é a reportagem da despedida.

(…) Treze quilómetros para sul, onde o rio se encontra com o Douro, um enorme paredão cinzento ergue-se entre duas arribas apertadas. A barragem de Foz Tua está praticamente concluída, a EDP diz que está a dias de começar a encher a albufeira e, nos próximos meses, a água vai inundar 420 hectares de vale – até à cota 170. Não se afogarão aldeias inteiras, mas 19 quilómetros de ferrovia estão a ser eliminados. Os carris e a brita já foram retirados e cinco estações do antigo percurso foram implodidas. Os túneis foram betonados, neste momento estão a roubar-se sobreiros, oliveiras e laranjeiras à terra que há de ser submersa. «A EDP disse-nos que por cada árvore retirada hão de plantar cinco», diz José Marques, presidente da União de Freguesias de Castanheiro do Norte e Ribalonga, que acolhe o território encharcado no concelho de Carrazeda de Ansiães, um dos mais afetados. «Aqui não há baldios. O Alto Douro está parcelado e totalmente aproveitado, não vai haver espaço para plantar nada. O que se perder, perdido está.»

No terreno está marcada a cota onde chegará a água, abaixo das casas mais descidas do vale, mas acima do que um dia foi a estação. A morte do comboio foi decretada oficialmente a 22 de agosto de 2008, depois de uma série de descarrilamentos terem roubado a vida a quatro pessoas. No ano seguinte, o documentário Páre, Escute, Olhe, de Jorge Pelicano, fazia do abandono da linha do Tua a metáfora do esquecimento do interior do país. A ferrovia, construída em 1887, deixara de chegar a Bragança em 1992 e, nas duas décadas seguintes, foi adiando a promessa de funeral. Agora não há nada a fazer. Restam meia dúzia de quilómetros entre Mirandela e o Cachão, é o metro de Mirandela. Neste momento, fazem-se obras até à Brunheda. «Para nós nada, só esperar a morte», diz Jorge do Amieiro.

Uma viagem no metro de Mirandela custa 1,70 euros e hoje a carruagem traz uma única passageira, Cristina Ferreira, 53 anos. Vai ver o neto à cidade, bendito comboio que lhe sai mais barato que a carreira. Entra no Cachão, onde até 1992 um complexo agro-industrial produzia mel, castanha e fumeiro para o país inteiro e assegurava emprego a mais de mil almas. «Hoje nem temos um supermercado. O metro serve-nos para isso e para os gaiatos irem às aulas, que nas aldeias já não há escolas.» A mulher saúda a extensão da linha em curso, depois inquieta-se. «Então e quem se vê sem comboio, fica esquecido nos montes?»

Sim e não. O ministério do Ambiente diz que a EDP está obrigada a cumprir a Declaração de Impacto Ambiental, que prevê o contrato com um operador turístico, mas que sirva também as populações locais. A NOTÍCIAS MAGAZINE sabe que esse contrato, depois da falha do concurso público por falta de candidaturas, foi atribuído ao empresário portuense Mário Ferreira, dono da Douro Azul. É a seu cargo que agora decorrem as obras de restauro da ferrovia nos 33 quilómetros que separam a Brunheda de Mirandela. A Agência de Desenvolvimento do Vale do Tua (ADVT), uma parceria da EDP com os cinco municípios que vão perder terreno para a barragem – Alijó, Carrazeda de Ansiães, Mirandela, Murça e Vila Flor –, diz que o vale do Tua poderá ser agora atravessado de barco, uma parte, e comboio, outra. Sobretudo pelos forasteiros.

«Aqui não chegam os autocarros, o táxi vem buscar-nos a pedido, mas temos de ligar para o telemóvel do número fixo, o que é uma despesa muito grande para quem tem reforma de 300 euros.»

(…) Entre 2001 e 2014, segundo a Pordata, Trás os Montes passou de 450 mil para 400 mil habitantes. O índice de envelhecimento na região do Tua, que há 15 anos era de 171 idosos por cada 100 jovens, subiu nos últimos dados (2014) para 266 idosos por cada 100 jovens. João Joanaz de Melo ainda tem esperança que a barragem seja demolida. O professor de engenharia do ambiente na Universidade Nova de Lisboa, ativista do grupo ambientalista Geota e líder da Plataforma Salvar o Tua, diz que esta construção não faz sentido. «Foz Tua destrói um património social único. Há um conjunto de atividades económicas que desaparecem e extingue-se a derradeira possibilidade de ferroviária no Nordeste do país, que aumentada poderia chegar a Puebla de Sanábria e permitir a ligação do Douro à alta velocidade espanhola» O pior, diz, é que a barragem nunca se pagará a si própria. «A abertura do mercado ibérico de energia e a baixa da procura criou um novo cenário entre preço de bombagem e turbinagem que torna impossível a rentabilidade desta hidroelétrica. É um elefante branco que vai encarecer a vida das famílias portuguesas e não trará qualquer benefício.»

No final de abril, o ministério do Ambiente anunciou uma revisão do Plano Nacional de Barragens. Além da demolição de oito açudes, o governo cancelou a construção de duas grandes estruturas – Girabolhos e Alvito – e suspendeu a barragem de Fridão. O comunicado à imprensa referia que este era um passo importante na renaturalização dos rios e o relatório refere que o país precisa de um regime de caudais ecológicos sustentáveis.

(…) Para os autarcas do vale do Tua, no entanto, o empreendimento é vista como oportunidade. A ADVT anda a dar cursos de empreendedorismo, vêm aí novas oportunidades de emprego, o turismo vai crescer. A EDP também vai investir no restauro do património de igrejas e monumentos nas redondezas.

(…) A Herdade do Esporão está em campanha contra a construção da barragem. Aliaram-se à Plataforma Salvar o Tua e filmaram quatro documentários, aos quais deram o nome Os Últimos Dias do Tua. São, também eles, assinados por Jorge Pelicano. Os efeitos estão a sentir-se na UNESCO, para onde foram enviadas mais de 22 mil cartas a pedir a interrupção das obras. O Vale do Tua faz parte do Alto Douro Vinhateiro, classificado como património da Humanidade. «Se a barragem encher, nada será como antes», diz Pedro Santos, do projeto Rios Livres da Geota. «Aqueles solos tornar-se-ão irrecuperáveis, os níveis de humidade alterar-se-ão, o modo de vida será posto em causa. Os peixes deixarão de ter rio para subir, as lontras deixarão de poder caçar e as praias deixarão de ter areia.»

Ricardo J. Rodrigues

At http://www.noticiasmagazine.pt/