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Ponte de Sor tem mais emprego

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GRUPO REXIAA INVESTE EM PONTE DE SOR

Mais um dia importante para Ponte de Sor. O grupo francês Rexiaa, fabricante de componentes aeronáuticos em materiais compósitos, assinou ontem a escritura de aquisição da fábrica da extinta Dynaero.

Num investimento total superior a cinco milhões de euros, entre aquisição do imóvel e implementação de linhas de produção fabris, esta empresa tem como clientes grandes fabricantes de aeronaves como a Airbus ou a Dassault Aviation. O objetivo é iniciar a laboração já no segundo semestre de 2019, sendo que nos próximos três anos se propõe a criar entre 80 a 100 postos de trabalho em Ponte de Sor. Os responsáveis máximos da empresa estiveram ontem reunidos com o Presidente do Município, Hugo Hilário, que mais uma vez manifestou a disponibilidade da Autarquia, dentro das suas competências, para apoio na instalação da fábrica. Por sua vez, os responsáveis agradeceram todas as diligências efetuadas pelo Município desde o momento em que manifestaram interesse em investir em Ponte de Sor.

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Artigo de opinião: “Olhe que sim, dr. Costa, a tauromaquia é cultura civilizacional”

Luis Capucha 1303434Se o primeiro-ministro crê que a questão das touradas é de civilização, então temos motivos para nos preocuparmos seriamente. Porque ele alinha com as seitas fundamentalistas que promovem a ideia de que não existem diferenças entre homens e animais sencientes não humanos.

O primeiro-ministro António Costa resolveu sair a terreno para defender a sua ministra da Cultura, um quadro da sua entourage (vulgo, uma girl), no caso do ataque à tauromaquia com pretexto da taxa do IVA. Parece esperar o fim da polémica após a sua intervenção numa arrogante resposta a Manuel Alegre. Mas só lançou gasolina para a fogueira.

Já circulam na Net as fotos do António Costa presidente da Câmara de Lisboa, satisfeito da vida a exultar com uma corrida de toiros no Campo Pequeno e a abraçar efusivamente o Cabo do Grupo de Forcados Amadores da Cidade em plena arena.

O que o fez mudar tanto de ideias em tão pouco tempo? O “negócio” com o PAN, que hoje todos aplaudiríamos se fosse destinado a aumentar o Orçamento para os canis e os gatis, mas que infelizmente instrumentaliza o governo para uma “canelada” política na tauromaquia, o que sempre dá mais visibilidade, tão necessária quando se aproximam eleições. Puro oportunismo político, portanto. A taxa do IVA é apenas um pretexto.

Arrogante é um adjectivo suave para classificar a atitude de um primeiro-ministro que julga poder pronunciar-se sobre uma questão que envolve o regime democrático e os valores civilizacionais (nada menos do que isto, é ele mesmo que o assume) no “sossego de uma viagem até Berlim”. É tudo o que tem para dar ao debate sobre a civilização? É deprimente!

O oportunismo político assente num cálculo errado a respeito das simpatias dos portugueses é mascarado, no artigo publicado no PÚBLICO hoje, dia 11 de Novembro, com argumentos alinhavados à pressa por António Costa no avião para Berlim para parecerem uma opinião, padrão de gosto e sensibilidade pessoal, atributos legítimos para exibição pelo cidadão António Costa, mas que não devem em caso algum guiar acção e o discurso de um primeiro-ministro. Tais argumentos rodam em torno de dois erros: em primeiro lugar, a costumeira e banalíssima mistificação da questão animal; em segundo lugar, o não menos comum preconceito no modo de olhar a alteridade e a identidade cultural de milhões de portugueses que gostam de toiros, a incapacidade para tentar perceber a sua perspectiva, e a intolerância face a mundovisões diferentes da sua.

Sobre a questão animal, há um tópico indiscutível: houve uma alteração ao Código Civil que torna os animais sencientes distintos, à face da Lei, das outras coisas. Lei essa que não os equipara aos seres humanos. Não há controvérsia sobre esse novo estatuto e a sua evocação por A. Costa só pode ser lida como poeira para os olhos.

Mas a ideia viciosa de que podemos equiparar os animais não humanos às pessoas emerge por todo o lado no artigo. É pura mistificação e, na essência, um apelo populista às pessoas que confundem a luta contra as touradas com a luta pela defesa do bem-estar animal. A luta pelo bem-estar animal é uma responsabilidade das pessoas de bem. A luta contra as touradas é uma luta contra a liberdade e a democracia cultural. É essa mistificação que o leva a evocar a pornografia como exemplo da diversidade dos espectáculos culturais e, logo, do modo como o Estado os deve tratar. O tratamento penalizador das touradas seria, pois, do mesmo tipo do combate à pornografia. Se isto não é um insulto reles, o que é? Mas a coisa é pior. A razão da discriminação das touradas é o modo como são tratados os animais que nela intervêm. E no caso da pornografia? Está a comparar as pessoas que são exploradas nas indústrias do sexo, a animais?

Se o primeiro-ministro crê que a questão das touradas é de civilização, então temos motivos para nos preocuparmos seriamente. Porque ele alinha com as seitas fundamentalistas que promovem a ideia de que não existem diferenças entre homens e animais sencientes não humanos.

Só há duas maneiras de promover a igualdade entre homens e animais: ou promovendo os animais à condição humana, o que tem acontecido no plano simbólico (desde La Fontaine às indústrias Disney), ou fazendo descer os homens à condição animal. O problema com a primeira via é que há pessoas que confundem as metáforas com a realidade, caindo na situação perversa de humanizar os animais, isto é, violentar a sua natureza, que não conhecem nem compreendem. O problema com a segunda é que representaria o fim de qualquer civilização, situação que a história já conheceu. Não me canso de lembrar que as primeiras leis de protecção dos animais foram produzidas pelo governo nazi, o mesmo que é responsável por uma das (se não a) mais violenta e trágica descida da humanidade a um estado de selvajaria.

Além disso, o texto do senhor primeiro-ministro é demagógico. É falso afirmar, no contexto português e face às controvérsias em curso no nosso país, que uma opção civilizacional não implica desqualificar os oponentes. Que oponentes? Os aficionados são oponentes da nossa civilização? É chocante essa afirmação na boca de uma girl do Primeiro, mas soa a obscenidade na boca dele próprio. E sim, Manuel Alegre tem razão: todos os populismos começam com a criação de uma clivagem entre um “nós”, os bons, e um “eles”, os maus, os perversos, os menosprezáveis, os inimigos. Contra os quais a sociedade deve ser avisada pelo Estado, como o é sobre o consumo de sal ou açúcar. Ridículo! Já viu bem onde se está a meter, António Costa?

O segundo vetor consiste na forma ultrajante, grosseira e agressiva como classifica, explícita ou implicitamente, os aficionados à Festa de Toiros. Diz A. Costa que é preciso “… respeitar as pessoas que, como eu, rejeitam a tourada como manifestação de uma cultura violenta ou de desfrute do sofrimento animal”. É o que sempre fizeram os aficionados. Mas, não estará a confundir “cultura violenta” com cultura de controlo da violência? Não são as touradas institucionais de hoje o resultado do “processo civilizacional” da relação milenar entre homens e toiros? Tem algum sinal, a mínima evidência, que lhe permita sustentar a ideia de que as comunidades taurinas são mais violentas do que aquelas com que convive nas mesmas sociedades? Já alguma vez procurou ouvir e respeitar o que dizem os aficionados sobre o modo como vivem o ritual da Corrida de Toiros e o que sentem perante a arte praticada enfrentando esse animal excepcional que é o Toiro de Lide? O que o anima na sua saga antitaurina é, senhor primeiro-ministro, o puro preconceito.

António Costa rejeita a tourada e acha chocante a sua transmissão televisiva (embora não pense proibi-la, para já). Mas não ficaria preocupado se ela se confinasse aos municípios que decidissem mantê-la. Há uma dupla hipocrisia na ideia. Por um lado, acha que os toiros podem ter tratamento diferenciado consoante os municípios. Por outro lado, porque já sabe que os municípios com actividades taurinas, a maioria deles de gestão socialista ou comunista, conseguiram impedir a descentralização nesse domínio. Mas seja consequente. Proponha-lhes a “municipalização” da regulação dos espectáculos tauromáquicos, mas com total liberdade, isto é, após a anulação da lei que proíbe as corridas integrais (isto é, com toiros de morte), as que respeitam verdadeiramente o toiro e a verdade que a tauromaquia encerra. Tem coragem para isso, ou teme que a Festa ganhe no nosso país a pujança que tem em França?

Em conclusão, senhor primeiro-ministro, não resolveu o problema da sua girl, apenas se colocou a si próprio em equação. A questão que agora se colocam todos os aficionados, de direita, de centro e de esquerda, é se uma pessoa que pensa como o sr. servirá mesmo para primeiro-ministro dos portugueses? Não ficaria a aliança das esquerdas melhor servida com um primeiro-ministro que fizesse o que diz (ser avesso a grandes mutações civilizacionais) e se mostrasse menos dado a compromissos com partidos veganos que contestam todas as bases da nossa civilização?

Luís Capucha

Sociólogo, docente no ISCTE-IUL e Investigador no CIES-IUL; presidente da Associação de Tertúlias Tauromáquicas de Portugal

At https://www.publico.pt/

Artigo de opinião: “Lume de chão…”

Bravo Nico 21271327_1509529919139547_8652725646851141330_nHá muito tempo que não acontecia, mas este ano, o frio chegou, mais ou menos quando era habitual chegar. Veio acompanhado de alguma chuva e embalado naquele vento norte que nos arrefece o corpo e nos mete dentro das casas mais cedo, ao final da tarde/princípio da noite.

Com o Outono instalado, a natureza prepara-se para uma longa travessia, até ao próximo ciclo de renovação, na próxima Primavera. No nosso quintal, deixámos de ver as formigas, os mosquitos e as vespas – que tanto trabalho nos deram, nos últimos meses –, as moscas ainda tentam manter a sua vida normal, mas andam moles a baterem nas coisas, e as osgas que regressaram às suas casas, bem escondidas, para, nelas, dormirem um longo sono. As plantas também se retraem e espreitam alguns raios de sol, naqueles dias soalheiros em que o frio tirou uma folga. A família felina que habita connosco, na nossa casa, também pouco sai e passa quase todo o tempo à procura de uma boa cama, onde se possa anafar, bem quente e tranquila. De preferência, à beira de uma braseira ou no sofá, perto da salamandra.

É à noite que o frio aperta e o lume reconforta: lume de chão, lareira ou salamandra são opções possíveis que nos levam ao encontro da lenha de azinho ou sobro, de preferência. Recolhida e partida, nos meses mais secos da Primavera ou do Verão, a lenha é arrumada em sítio seco e utilizada, de forma criteriosa. Os madeiros mais grossos, os paus médios e as feixas de lenha mais fina, para iniciar as combustões. Uma vez aceso o lume, as casas aquecem-se, por dentro, e deixam escapar o característico cheiro do Inverno: o cheiro das chaminés em funcionamento.

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Nestes dias, lembramo-nos de muitas coisas que vivemos, sentados à lareira: as torradas feitas com fatias de pão que se colocavam em garfos, viradas e reviradas para as brasas que se ajeitavam e que, acabadas de fazer, se comiam, umas atrás das outras; o café da brasa, que se fazia na velha escloteira e se bebia nas antigas canecas de porcelana; as comidas que se apuravam nas tijelas de fogo, que se alinhavam, no perímetro das brasas e de onde saiam os grãos com bacalhau ou a sopa da panela; a linguiça que se sacrificava no espeto e se assava, lentamente, enquanto se conversava e se preparava a grande falca de pão que a receberia, para nela ficar a gordura que pingava; a conversa que nunca mais acabava, com as palmas das mãos viradas para as labaredas que se iam esfumando, de um lume de que só já restavam as brasas, características da boa lenha do montado.

No dia seguinte, de manhã, restava a cinza: fria, como o frio da noite alentejana. Mas tudo recomeçava, ao final da tarde/princípio da noite…

Bravo Nico

At https://www.diariodosul.com.pt/

Opinião: “Carta aberta a António Costa”

Manuel Alegre 813619É chegada a hora de enfrentar cultural e civicamente o fanatismo do politicamente correcto.

Antes mesmo de ele existir, já eu apoiava este Governo que tem vindo a espantar o diabo tantas vezes anunciado. Portugal, apesar das dificuldades, é hoje uma boa excepção, numa Europa e num Mundo marcados por um processo de desconsolidação da Democracia e pela emergência de várias formas de populismo. Os partidos tradicionais estão em decadência, alguns em vias de desaparecimento. E a revolta popular contra o sistema já não está do lado da esquerda, passou para a direita, estimulada e manipulada pela hegemonia do poder financeiro global.

Devíamos estar atentos. Mas às vezes a euforia conduz à distracção. Eu, por exemplo, vivo uma situação paradoxal. Apoio esta solução governativa, o PS está no poder e, no entanto, por vezes sinto a minha liberdade pessoal ameaçada. Não por causa do que se passa no Mundo. Mas porque o diabo esconde-se nos detalhes. Está no fundamentalismo do politicamente correcto, na tentação de interferir nos gostos e comportamentos das pessoas, no protagonismo de alguns deputados e governantes que ninguém mandatou para reordenarem ou desordenarem a nossa civilização.

deputado do PAN foi legitimamente eleito. Com pouco votos, mas foi. Tem o direito de defender as suas opiniões. Mas não pode virar o país do avesso, com a cumplicidade dos fundamentalistas de outros partidos (com a honrosa excepção do PCP) e o calculismo dos que pensam que, em certas circunstâncias, o voto dele pode ser útil para a maioria. Uma espécie de um novo deputado “limiano”, salvo o devido respeito. O facto é que um deputado, um só, traz milhares de portugueses inquietos. Isto não é normal nem saudável numa Democracia pluralista. De modo que é chegada a hora de enfrentar cultural e civicamente o fanatismo do politicamente correcto. É uma questão de liberdade. Liberdade para não gostar de touradas. Mas liberdade para gostar. Liberdade para não gostar da caça. Mas liberdade para gostar. Algo que não se pode decidir por decreto nem por decisões impostas por maiorias tácticas e conjunturais, Não é democrático. Para mim, que sou um velho resistente, cheira a totalitarismo. E não aceito.

Por isso, meu caro António Costa, peço-lhe que intervenha a favor de valores essenciais do PS: o pluralismo, a tolerância, o respeito pela opinião do outro. Peço-lhe que interceda pela descida de 6% do IVA para todos os espectáculos, sem discriminar a tauromaquia, já que os prejudicados serão os mais pobres, os trabalhadores que tornam possível este espectáculo. Peço-lhe que se oponha à proposta do PAN para alterar a Lei 92/95, que vem comprometer várias actividades do mundo da caça, como provas de Santo Huberto, largadas cinegéticas e cetraria – Património Mundial da Humanidade. A alteração da referida Lei provocará danos irreversíveis em muitas associações e clubes de caçadores, clubes de tiro desportivo, campos de treino e caça. Estão em causa centenas de postos de trabalho e elevadas perdas económicas para o País, sobretudo para aquelas regiões onde a empregabilidade e a actividade económica estão quase exclusivamente ligadas à caça. Sim, meu caro António Costa, trata-se de uma tradição cultural e social que é parte integrante da nossa civilização. É, também, um problema que diz respeito ao emprego e à vida de milhares de pessoas. E é, sobretudo, uma questão de liberdade, que sempre foi a essência e a alma do Partido Socialista.

Manuel Alegre

Militante histórico do PS; escritor

At https://www.publico.pt/

Em Zamora também se luta por ligação mais directa a Portugal

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La A-11 con Portugal “podría estar más cerca” según el PSOE

Según el PSOE de Zamora “el actual Gobierno a través del Ministerio de Transición Ecológica ha declarado favorable el estudio de impacto ambiental, paso imprescindible para cerrar el proceso informativo y continuar con la redacción de los proyectos de construcción para poder licitar y adjudicar la obra que se encontraba paralizada por el Ejecutivo anterior”.

El PSOE de Zamora ha mantenido una reunión con el Secretario General de Infraestructuras, Javier Izquierdo con el fin de conocer de primera mano la situación actual en la que se encuentra el proyecto de la Autovía A-11 que conectará Zamora con Portugal.

Según el PSOE de Zamora “el actual Gobierno a través del Ministerio de Transición Ecológica ha declarado favorable el estudio de impacto ambiental, paso imprescindible para cerrar el proceso informativo y continuar con la redacción de los proyectos de construcción para poder licitar y adjudicar la obra”.

La incorporación de la A-11 en el Plan extraordinario de Inversión en Carreteras establece una vía de financiación pero “tenía importantes carencias que no habían sido contempladas por el anterior Gobierno”, afirman los socialistas, y según afirman “estos vacíos, provenían fundamentalmente de que la nueva Ley de Contratos del Sector Público y los criterios europeos de déficit y deuda pública exigen que en las concesiones haya una transferencia de riesgo de la operación sustancial al concesionario que se hace a través de un indicador de demanda, criterio que no tuvo en cuenta el Gobierno del Partido Popular a la hora de elaborar el PIC”. Para el PSOE, esto hace “evidente que el PP nos quiere tomar el pelo a los zamoranos y zamoranas con sus últimas declaraciones”.

Por su parte, Antidio Fagúndez, Secretario General del PSOE Zamora, califica como “muy positivo” la declaración favorable de impacto ambiental, “el pasado día 30 de octubre, se ha dado una paso hacia delante en una infraestructura que consideramos vital en el desarrollo socio económico de la provincia, así como fundamental en la conexión con la vecina Portugal”. 

Los socialistas tachan de “mentirosos” al Partido Popular de Zamora y les piden que “dejen de intentar confundir a los ciudadanos de esta provincia cuando ha quedado de manifiesto que en siete años de Gobierno de Mariano Rajoy no han tenido la voluntad ni el compromiso de llevar a cabo esta infraestructura”.

At https://www.noticiascyl.com/

Opinião: “Carta aberta em defesa de Isabel Moreira”

Gaspar MacedoCara deputada. Ultimamente tem sido ridicularizada por, em pleno debate sobre o Orçamento de Estado, ter sido fotografada a pintar as suas unhas.
Muitos dizem que é “uma falta de respeito”, uma “anormalidade”, um “ultraje” e uma “tristeza” mas, para mim, é apenas o perfeito reflexo do trabalho atualmente feito na Assembleia da República.

Eu defendo que a deputada não é nenhuma anormalidade, num parlamento onde deputados e governantes (independente dos partidos) mentem nas moradas para receber subsídios de alimentação, deslocação e alojamento. Elza Pais, do Partido Socialista, recebeu 2100 euros por mês apenas em subsídios por declarar a sua residência em Mangualde embora vivesse em Lisboa.

Em abril de 2018 chegou a público os milhares de euros de que vários deputados beneficiaram ao receberem em duplicado o valor das viagens que faziam em “nome do interesse nacional”.
Carlos César, líder parlamentar do partido socialista e parte desse grupo, logo declarou não se sentir culpado por não ter feito “nada de errado”, sendo que o “atual modelo vigora há décadas e foi utilizado por altos cargos do Estado”. Eduardo Ferro Rodrigues, presidente da Assembleia da Republica, declarou a inocência dos parlamentares que nas suas palavras não tinham “cometido nenhuma ilegalidade”.

Falta de respeito é existirem deputados que faltam praticamente a metade das reuniões plenárias e mentem nas justificações de faltas. Alguns nem se preocupam em justificar.

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Triste é existirem parlamentares e governantes que utilizam dinheiro público ou influência institucional para alimentar um estilo de vida luxuoso .
Ficamos surpreendidos quando soubemos que em média, entre 2006 e 2013, os nossos governantes gastaram 295 euros por refeição. Ficamos admirados com a notícia de José Conde Rodrigues , ex-secretário de Estado da Justiça, que gastou 13.657 euros dos fundos públicos na compra de 729 livros para beneficio próprio.

Ficamos pasmados com o caso da ex-Ministra da Saúde Ana Jorge, ao ter usado um cartão de crédito em nome do Estado (para despesas urgentes de trabalho) em lojas de roupa, ourivesarias ou no El Corte Inglés.
Ficamos boquiabertos com o ex-ministro da economia, Manuel Pinho, que recebeu 1 milhão de euros na sua Offshore depois de beneficiar a EDP em vários contratos de parceria.

Em julho de 2017 o país ficou a conhecer o caso dos três secretários de Estado que beneficiaram de viagens pagas pela empresa Galp, antes de ser aprovado um benefício fiscal em dezenas de milhões de euros à mesma empresa. José Sócrates defendeu que as críticas se tratavam de “um excesso de patriotismo”, considerando que as suspeitas sobre os governantes eram “estapafúrdias” e António Costa não hesitou em reforçar a “relevante e dedicada colaboração dos três Secretários de Estado nas funções desempenhadas no XXI Governo Constitucional”.

Ultrajante é existirem deputados-advogados que recebem milhares de euros em ajustes diretos por trabalharem em empresas com contratos públicos. Maria Begonha, candidata da JS, recebeu em acumulado 110 mil euros em ajustes diretos.

Por isso, cara deputada, escrevo-lhe esta carta para a defender. Não passa de uma pequena gota de indecência num copo cheio de muita mais. Um copo cheio de promiscuidade e ajustes diretos. Uma Assembleia da República cheia de uma maioria de falsos inocentes que, hoje e tal como nos outros dias todos, não faz mais nada do que encerrar comissões de inquérito e bater anualmente palmas a Orçamentos de Estado que nunca são verdadeiramente aplicados.
A deputada não é o problema. É parte dele.

Tenho dito.

At https://www.facebook.com/ / Gaspar Macedo