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Artigo de opinião: “Um toureador toureado”

Debate Sócrates

Porque as prioridades da noite de ontem foram outras só esta manhã estive a ver a entrevista dada por José Sócrates ao sobrinho de Dias Loureiro. Atrás da orelha já tinha entretanto milhentas indignações de muitos amigos do Facebook sobre o comportamento crapuloso do entrevistador e a forma como o antigo primeiro-ministro soubera galhardamente dar a volta ao texto previamente previsto pela Direção de (des)Informação da RTP e do Ministério Público que, claramente, estivera na origem do guião para o confronto mediático.

Relativamente a Vítor Gonçalves nem sequer lhe dou o mérito de me justificar a consternação pela triste figura a que se expôs. Tratando-se de um dos responsáveis maiores pelo manifesto desequilíbrio com  que o canal em causa noticia a realidade presente, já lhe adivinhávamos o comprazimento com a missão a que se autoincumbira: fundamentado nas quatro mil páginas do processo pensaria ter a oportunidade de encostar definitivamente Sócrates às cordas. No final já se imaginaria na pose bufona dos matadores tauromáticos a dar voltas à arena, saudado pelos aficionados com os chapéus e a serpentinas a colorirem o espaço à sua frente  e muitos olés de permeio.

Que a faena não lhe saiu de feição notou-se na expressão carregada com que fechou o programa. Sobretudo com essa estocada final, que Sócrates lhe deu a respeito do tipo de jornalismo por si professado ao armar-se em coscuvilheiro e querer saber do que viveria agora o interlocutor. De toureador saía manifestamente toureado.

A respeito de José Sócrates só se pode dizer que esteve igual a si mesmo: relativamente às acusações agora conhecidas só teve uma linha de defesa óbvia, que foi a de indagar onde se comprova em factos, datas precisas e documentos explícitos, onde alguma delas ganha nexo. E, pelo contrário, encarregou-se de apresentar provas palpáveis e incontestáveis dos sucessivos desmentidos com que neutralizava cada uma daquelas.

O Ministério Público terá tido, assim, uma amostra do que o espera na barra dos tribunais e não terá espaço para desenlear as suas muitas contradições. Mas, quase por certo, não é isso que pretende: o objetivo nunca terá sido o de apurar a verdade, mas criar uma narrativa consistente capaz de desqualificar as políticas implementadas durante a vigência dos governos de José Sócrates para melhor facilitar o projeto depois assumido por Passos Coelho em nome dos que se serviram da troika para concretizar os seus fins. O momento escolhido para prender o antigo primeiro-ministro e outros igualmente reveladores da coincidência entre ciclos eleitorais e novas fugas de informação para os pasquins arregimentados a tal causa, sempre elucidaram na plenitude o que verdadeiramente estava na origem do processo.

Os que se acoitam no Ministério Público com tal propósito já sabem que, se não conseguiram levar até ao desejado desiderato o objetivo de pôr em causa a estratégia política das esquerdas, eliminaram politicamente aquele que julgaram ser o seu principal inimigo de estimação. Porque o processo judicial demorará anos até inocentar Sócrates, impedindo-o de voltar a assumir cargos políticos para que o seu talento tornava óbvia a candidatura.

O que as esquerdas não podem ignorar é a forte probabilidade de os mesmos que estiveram por trás de todo a Operação Marquês já andarem atentos a todas as minúcias da governação de António Costa buscando nela alguma malha caída por onde possam pegar. E já se constatou que este Ministério Público nem precisa de provas rigorosas para formular narrativas com que possa enlamear quem elege como inimigos fidalgais. Basta que pareçam o que não são para se julgarem capazes de avançarem para novas e sinistras narrativas.

At https://ventossemeados.blogspot.pt/

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Opinião: “A Praça de Touros de Badajoz e José Sócrates”

Socrates

ArnaldoContou-me o meu Pai (mais que uma vez), que na guerra civil Espanhola (entre os fascistas/falangistas/monárquicos/católicos e os Republicanos) havia, com frequência, sessões de fuzilamento abertas ao publico (se calhar para exemplo) na Praça de Touros de Badajoz. Claro que os fuzilados eram os militantes Republicanos e os fuziladores militares das falanges de Franco.

Dizia-me ele, o meu Pai, que iam aqui da minha terra (Benavente) conterrâneos de famílias muito conhecidas (e que por isso vou omitir os nomes) assistir a esse “circo” de triste memória para qualquer pessoa civilizada. Era um gozo de satisfação que ultrapassava a obscenidade. e que transparecia nos comentários e nas descrições das execuções sumarias.
Merda de gente!

Hoje lembrei-me dessa violência ao ver as carinhas obscenamente felizes dos jornaleiros, tipo ricardo costa, ao falarem da, finalmente chegada, acusação a Socrates.
Se calhar justifica-se essa felicidade de gente que vive e respira montada no mal alheio e conhecedora da pouca vergonha que domina a PGR e o MP.
Mas uma coisa é uma acusação (muito facil) e outra coisa é a prova.
Daqui por 20 anos eu, ou alguem por mim, cá estarei para ver se essas caras, sedentas de sangue, vão continuar a vomitar ódio ou não.
Eu, ou alguém por mim, continuarei ao lado de Socrates, até que me provem o contrario.
Tenho pena desta gente!

Arnaldo da Cunha Serrão

At https://www.facebook.com

Opinião: “Subversão da verdade”

Ricardo CastanheiraO Facebook com os seus dois biliões de utilizadores deixa muito atrás os países mais populosos do planeta: a China (1.387 biliões) ou a India (1.340 biliões). Mas mesmo a União Europeia (508 milhões) fica atrás do Whatsapp (1.2 biliões), do Youtube (1 bilião) ou do Instagram (700 milhões). Este é o ponto de partida.

Já vai longe no tempo a confiança no que líamos e víamos, fosse nas páginas de um jornal ou num ecrã de televisão. A produção e circulação de informação espontânea e não institucionalizada mudou a realidade: desde logo, dos órgãos de comunicação que vivem, por todo o lado, dias difíceis para sobreviver e no modo como se consome, numa internet sem filtros nem regras editoriais mínimas em que cada um escreve, comenta e divulga o que lhe dá na real gana para uma potencial audiência esmagadora e sem fronteira.

No rescaldo do passado fim de semana, multiplicaram-se nas redes sociais fotos e vídeos de cargas policiais e outros atos de violência contra os independentistas nas ruas de Barcelona. A indignação generalizou-se contra a “barbárie fascizante” de Madrid. Ora, passados uns dias sabemos que, afinal de contas, muitas dessas imagens eram falsas e não passavam de montagens com um propósito muito claro de vitimizar uns e mobilizar a opinião pública contra os outros.

Desta vez foi na Catalunha, mas o fenómeno das notícias e imagens falsas já tinha estado presente nas últimas eleições americanas – com os resultados que se sabe! – passou pelas francesas e mais recentemente entrou na contenda alemã. Ou seja, onde há poder em disputa há a instrumentalização e a subversão da verdade.

Já há relatórios internacionais que mostram consistentemente que existe da parte de alguns países uma estratégia de influência e domínio que passa pelo uso robotizado de “fake news” e perfis falsos para gerar instabilidade em determinados alvos. As guerras assumem, hoje, diferentes formas e espaços. O contexto digital é claramente um deles. Não perceber isto é não entender o mundo em que vivemos e esquecer estupidamente que as redes sociais são o habitat natural de milhões e milhões de seres humanos. É lá que se jogam – para o bem e para o mal – muitas das decisões políticas.

Os governos não se podem demitir e deixar à auto-regulação das plataformas digitais a procura de soluções. Afinal de contas, não cabe às empresas do “Vale Silício” garantir as liberdades individuais, a ordem social, a segurança coletiva e até em certa medida a soberania.

Este é o debate dos nossos tempos. E há tão poucos a querer fazê-lo…

Ricardo Castanheira

At https://www.facebook.com/

Opinião: “Catalunha”

FB_IMG_1507198302293Um par de “bofetadas” não resolve diferenças políticas. Mas também não sou dos que crê que o uso da brutalidade só está errada quando empregada pelos outros. Numa Europa que sempre se identificou com um sistema democrático e reformista, de eleição e instituições representativas, de respeito pela liberdade de expressão, de partidos políticos e sindicatos, uma sociedade aberta respeitadora da soberania individual, sem imposições culturais ou censuras. O que se espera dos seus intelectuais e dirigentes políticos é apenas um esforço de lucidez perante momentos de maior conturbação. Um intelectual ou um político que crê que a liberdade é necessária e possível para o seu país e sociedade não pode, por momentos que seja, achar que esta é supérflua ou que pode ser suspensa.

Este é o exemplo dos acontecimentos do passado dia 1 de Outubro na Catalunha, quando a sociedade manifesta o seu cepticismo sobre a capacidade do país preconizar no seu seio a convivência e a liberdade que fizeram dos países ocidentais o que são. Tenho no entanto a noção de que este é um problema complexo e de difícil resolução o que explica as suas incongruências e consequências.

Mas neste momento importa reflectir sobre a incapacidade de entender e lidar com certos fenómenos e equacionar e adaptar uma resposta eficaz ao momento. A violência é a linguagem da falta de comunicação entre os membros de uma sociedade, em que o diálogo desapareceu há muito ou nunca existiu. Na Catalunha este episódio tomou proporções alarmantes para o futuro da Espanha e da própria Europa. Entre as várias causas que podemos evocar, algumas são permanentes, resultantes da inoperância, não de uma mas de várias gerações, que optaram por soluções menos difíceis e de resultados inferiores.

Nãobasta para consolidar o sistema que exista liberdade de expressão, parlamentares e autarcas eleitos, independência de poderes e renovação periódica do poder executivo. A democracia dos “votos” não pode vacilar perante o peso da opinião pública. Esta exige de todos uma constante adaptação, ceder a algo para alcançar o consenso que assegura a convivência na diversidade. Alcançar isso é ser livre, é viver em liberdade, avançar, progredir, prosperar, tendo em conta o interesse de todos. Com a rectificação e emendas que evitem ou amortizem a violência, numa constante concertação dos opostos em nome da paz social.

Nuno Serra Pereira

At Facebook

Opinião: “O que é ser Alentejana”

Ana Sofia CardosoQuando era criança o Alentejo era uma região desprezada. Quando era adolescente os alentejanos eram gozados. Quando era jovem o Alentejo era esquecido. Quando entrei para a faculdade o Alentejo só existia para os Alentejanos. Quando era criança, adolescente e jovem adulta SEMPRE manifestei e partilhei a minha paixão pelo Alentejo. Nunca escondi ser alentejana. Nunca me envergonhei ser natural da região desprezada por tantos. E porquê? Porque sempre estive apaixonada. Porque sempre estive ciente do que o Alentejo pode fazer à Alma de alguém. Porque ser alentejana é um orgulho. Porque honrar as nossas raízes faz-nos felizes. OBRIGADA Alentejo por fazeres parte de mim e por me deixares ser tua ❤ Ser Embaixarora do Alentejo é não saber gerir tanta Felicidade ❤ #alentejo #alentejolovers #turismodoalentejo #anasofiacardoso Turismo do Alentejo

Ana Sofia Cardoso (TVI)

At https://www.facebook.com/

Os próximos embaixadores do Alentejo/Ribatejo são: a cantora Áurea, a fadista Raquel Tavares, os actores Ruy de Carvalho, Eunice Muñoz e Sara Matos e a jornalista Ana Sofia Cardoso. Em comum, têm o facto de terem nascido nesta região ou serem apaixonados pela mesma, considerando-a um dos destinos mais atractivos e genuínos para passar férias, visitar, gozar alguns dias de descanso ou até mesmo viver momentos marcantes das suas vidas. Com a nomeação destas figuras conhecidas do grande público enquanto embaixadores do Alentejo/Ribatejo, a ERT pretende promover a região enquanto destino turístico de excelência.

At https://www.linhasdeelvas.pt/

Opinião: “Lavar roupa suja ou a higienização da política local”

Joao VintemÉ costume dizer-se: – “quem tem problemas com o calor não deve seguir a profissão de padeiro”. Fugindo um pouco ao que tinha pensado escrever hoje, não posso deixar passar a ideia que se está a gerar na Comunicação Social e nas redes sociais, que os candidatos às próximas eleições Autárquicas se estão a ofender uns aos outros e, a culpa é das redes sociais mais os que comeram da mesma tijela e portanto agora tem de estar simplesmente calados, sem direito de opinião.

Estive em todas as eleições municipais, desde 1979. Estou à vontade para poder opinar sobre a matéria; alguns ainda se deverão lembrar o que foram as campanhas logo a seguir ao 25 de Abril; nada comparável com os tempos actuais, em meios e em vocabulário; estamos muito melhor, quer a notícia, quer o boato correm mais rapidamente mas também o seu contrário, isto é, facilmente se faz um boato e rapidamente se desfaz.

Posto isto, parece ser moda nesta campanha eleitoral que, ao poder instalado não se pode nem se deve questionar. Aliás, já ensinei um responsável politico local de que, quem está no poder não ganha eleições, ou se mantem ou perde, quem ganha será quem não detêm o poder. E, é daqui que resulta o facto de, quem está no poder ser sempre o mais questionado porque é aquele que vai ser julgado pelo voto popular, pelo que fez, ou não fez no mandado.

Logo quem é poder, fica sujeito a maior intensidade das críticas porque as outras candidaturas fazem as suas comparações programáticas, evidenciam os erros e apontam soluções diferentes; outra coisa não faria sentido, pois não creio que uma campanha eleitoral sirva para as oposições fazerem o elogio de quem está no poder. Pode que alguém sonhe que poderia ser assim mas, não é!

Talvez queiram generalizar um caso ou outro, mas a excepção não faz a regra.
Falta talvez, alguma cultura democrática a um ou outro candidato que lidando mal com a crítica parte para a vitimização, para recolher o aplauso fácil, dos seus, mas em todo caso inconsistente, porque ao vitimar-se, pessoaliza a política e entra-se no vazio de ideias. Esta situação agrava-se quando se tem pouco para mostrar aos eleitores, quando esse escrutínio é sobre um vazio apoiado apenas na propaganda institucional do município.

Parece-me pois, ser um dever cívico de todos discutir e falar sem medos, sobre os candidatos e suas equipas, as suas propostas e avaliar quem está no poder e quer continuar. Por mim agradeço a quem tem partilhado os meus textos, ampliando o esclarecimento que se pretende; não me interessam os “gostos” porque sei que há pessoas que o não pode fazer mas, leêm. Só para ser ter uma ideia a média de leitura dos meus textos, ronda as 5000 e um deles está com 8500 neste momento. É obra!

At https://www.facebook.com/ / João Vintém

Munícipes de Elvas têm ajuda a sintonizar as TV’s

Elvas ajuda sintonizacao tv

A Câmara Municipal  de Elvas, na sequência das recentes alterações feitas no serviço de TV por cabo no Centro Histórico da cidade, tem desde esta semana uma equipa na rua para ajudar os residentes.

Assim sendo, um colaborador do município tem vindo a percorrer as casas dos residentes para ajudar os que ainda não conseguiram sintonizar os canais portugueses e espanhóis.

Este colaborador da Autarquia encontra-se devidamente identificado e é acompanhado por um agente da Polícia de Segurança Pública de Elvas, para que não haja dúvidas quanto às suas funções.

Recorde-se que a empresa que é responsável pelo sinal de TDT no Centro Histórico alterou, na passada semana o serviço, que agora é feito mediante a redes de fibra.

At http://www.cm-elvas.pt/

Opinião: “O silêncio de Francisco”

Francisco

Foi há pouco mais de uma hora, no pletórico centro dos telejornais. Francisco desceu do papa-móvel e caminhou em festa pela avenida central em direcção à capelinha das delirantes e deliciosas Visões. As televisões, como é da sua obrigação e natureza, deliravam e deliciavam-se: toques de mão, lenços a acenar, olhos a que uma, duas lágrimas purificavam.

O já velho Papa – foram sempre velhos os Papas do meu tempo, com excepção do impopular Paulo VI – chegou cansado ao altar onde está a imagem de Maria. Tocou na base da imagem sacra, mão aberta, coração atento. E sentou-se. Recolheu-se. Uma voz altifalante pediu aos milhares e milhares de peregrinos, a essa multidão humana, diversa, que se recolhesse também. Como uma brisa sobreaquecida, o silêncio dilatou-se e cresceu, excepcional, pelo Santuário de Fátima.

Foi um silêncio humano, um desses silêncios de que nem Deus, nem a Natureza conhecem o segredo. Só nós, os humanos, em momento de temor ou tremor, de perplexa alegria, ou de incendiada fé, somos capazes de um silêncio deste espantado tamanho.

Nenhuma das nossas três televisões soube o que fazer com esse clamoroso silêncio, tão humano, tão divino. Era preciso calar o silêncio, aniquilar essas sublimes chamas silentes, mudos Espíritos Santos, que saíam da boca de milhares e milhares de pessoas. Os comentadores, padres ou leigos, desunhavam-se a falar. Atropelavam uma palavra com outra histérica palavra para que os telespectadores não ouvissem o silêncio.

A televisão, hoje, às 21:00, em pleno telejornal, não soube o que fazer com o silêncio de um homem sentado frente à modesta escultura de uma figura de mulher, não soube o que fazer com o silêncio do que, por serem muitas mulheres e muitas homens juntos, chamamos povo. A televisão não soube o que fazer com o silêncio dessa estranha coisa – que eu há tanto anos esqueci – a que se chama oração.  E, não obstante – o mesmo eppure que a outro Papa ou a mandatários dele disse Galileu – esse silêncio, como um grito, abria buracos no matraquear aflito, preenchitivo, dos comentadores e uns eram leigos, outro eram padres. Falavam e era uma ininteligível Babel.  A voz de Deus, se houvesse ou viesse haver uma voz de Deus, calava-se no silêncio de um homem de branco, na ajoelhada voz de centenas de milhares de seres humanos vestidos de todas as cores.

Eu queria ter ouvido o inteiro silêncio, cheio de graça, do Santuário de Fátima.

Manuel S. Fonseca

At http://www.escreveretriste.com