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O dono do Tejo

Paulo Fernandes

Este cavalheiro na foto, Paulo Fernandes, consegue ser o dono de eucaliptais imensos (já sabemos a beleza que são os eucaliptos para Portugal), é o dono da Celtejo(Altri), que nos destrói todos os dias o rio Tejo em Vila Velha de Ródão e já agora é o dono do Correio da Manhã (Cofina).

Não tenho nenhuma admiração pelo Correio da Manhã mas gostava de ver quantas vezes vem no jornal o que se está a passar com a Celtejo.

Arlindo Consolado Marques o Correio da Manhã que anda sempre todo o lado já te entrevistou?

André Rodrigues Lopes

At https://www.facebook.com/

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Opinião: “Imprensa de reverência”

Imprensa irr

Aurelio MalvaComo se pode ver neste quadro, das 181 peças jornalísticas que, nos últimos quatro dias, se referiram aos casos Panteão ou Tecnoforma, 171 (94,5%) mexeram e remexeram até à náusea no primeiro caso, enquanto apenas 10 (5,5%) tiveram a coragem de fazer luz sobre segundo.

É pois evidente que a esmagadora maioria da imprensa preferiu uma vez mais tentar entalar e responsabilizar o governo por uma situação de que não foi directamente responsável (ao mesmo tempo que tentava ilibar o governo anterior da responsabilidade de ter publicado um despacho que prevê o aluguer do Panteão Nacional para festas e jantares privados e estabelece até os respectivos preços) e, ao contrário, silenciar o envolvimento de Passos Coelho e Miguel Relvas num grave caso de fraude que implica a devolução de cerca de 6,7 milhões de euros à Comissão Europeia.

É esta a imprensa de “referência”! Na verdade, uma imprensa de reverência para com a Direita e os grandes interesses instalados. E que, por isso, não suporta o governo do PS apoiado pela Esquerda e tudo faz para minar a sua acção e credibilidade. Pois pode continuar a sua campanha de intoxicação e manipulação que de pouco ou nada lhe valerá! Porque a esmagadora maioria dos portugueses está de olhos bem abertos. E a Esquerda aprendeu com o erro de 2011.
Aurélio Malva

 

Câmara de Nisa reage à mortandade do Tejo a 13/11

Nota de Imprensa n.º 29/2017, de 13/11/2017

O Municipio de Nisa exige medidas de Combate à Poluição do Rio Tejo

O Municipio de Nisa informa que enviou, no início do mês de Novembro, um ofício dirigido ao Ministro do Ambiente, Eng.º João Pedro Matos Fernandes, alertando para a necessidade de se proceder à construção de uma solução válida, duradoura e sustentável para elevar o Rio Tejo, a RIO VIVO e VIVIDO! E exigindo medidas efetivas de combate à Poluição do Rio Tejo.

Houve no entanto, por parte do Municipio, ações de recolha de peixes mortos, junto à Central Hidroelectrica da Velada (São Matias).

Como referimos nessa missiva dirigida ao Srº Ministro do Ambiente, reafirmamos que o concelho de Nisa segue políticas Municipais, bem definidas e esplanadas no Plano Diretor Municipal (PDM), estrategicamente assente num forte pendor de sustentabilidade ambiental, predominantemente na preservação e requalificação dos recursos hídricos e hidrominerais, e na valorização do território e das suas gentes.

“Face ao exposto e pela importância deste relevante recurso hídrico para o desenvolvimento sustentável do nosso concelho, o mesmo não se coaduna com os mais recentes focos de elevada carga de poluição – crime ambiental (previsto no código Penal artº 278 e 279), que está a afetar o Rio Tejo, principalmente a jusante de Vila Velha de Rodão, a qual tem provocado uma mortandade elevada de peixes (achigã, carpa, barbo, boga, lagostins entre outros), exterminando por completo todo o ecossistema do leito do rio, principalmente neste percurso, influenciando decisivamente toda uma comunidade e o seu modo de vida.”

O Municipio de Nisa, tudo tem feito no sentido de identificar, denunciar e encontrar as soluções necessárias para a resolução deste contínuo e persistente crime ambiental, provocado por agentes poluidores e prevaricadores, que a persistir desta forma e com esta intensidade, influenciarão decisivamente os projetos de toda a nossa estratégia municipal que assenta em dinâmicas de sustentabilidade, aliadas a uma forte valorização do território e das comunidades ribeirinhas, nomeadamente as freguesias de Santana, São Matias (Velada) e Amieira do Tejo.

Exigimos e defendemos, junto das autoridades competentes, medidas realmente efetivas e duradouras de combate à grave poluição que afeta o Rio Tejo, porque a sustentabilidade do nosso território e das comunidades que nele habitam, só se coaduna com um rio vivido e com vida, em toda a sua plenitude.

At http://www.cm-nisa.pt/

Editorial: “Muitos Contras e nenhum Pró”

Joao AlvesO programa “Prós e Contras – O Alerta que Vem do Alentejo” que a RTP transmitiu segunda-feira, dia 30 de Outubro directamente de Reguengos de Monsaraz, foi uma completa aberração.

A região não precisa de programas onde venham à tona só os aspectos negativos e onde sejam impedidos de falar aqueles que gostariam de aportar o que a região, toda ela, tem de bom.

O tema central foram as dificuldades que a região atravessa, fazendo-se passar a imagem que esta vasta área geográfica vive de mão estendida à caridade, ao subsídio, ao miserabilismo de ideias e de acções.

Empresários, autarcas e outras entidades ficaram perplexos com a forma com a produção do programa os impediu de falar, em especial aqueles que vivem, investem e trabalham no distrito de Portalegre, o grande ignorado naquele somatório de negatividade e onde alguns senhores, sempre os mesmos, aproveitaram o tempo de antena público para se auto-promoverem a si e aos seus empreendimentos e actividades.

Ceia da Silva, presidente Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, nem sequer participou, recusando-se a sentar-se na quarta fila, relegada que foi a importância do sector na região, na perspectiva da jornalista Fátima Campos Ferreira.

Também Roberto Grilo, presidente da CCDR, a quem nunca foi concedida a palavra, se confessou desiludido, considerando que havia uma oportunidade de mostrar o que realmente é o Alentejo de hoje em dia e que não tem nada a ver com a imagem que ali passou, sublinhando que a região tem daquilo que há de melhor no país.

Apesar de constituir um terço do território nacional, no Alentejo produz-se a carne que se come, o azeite, transforma-se o café que os portugueses mais gostam e consomem, se recebem e expedem as mercadorias de todos os cantos do mundo, se fabricam aviões e avionetas, onde os campos não ardem por estarem ordenados, onde o turismo mais tem crescido, onde existem as cidades e as vilas mais apreciadas e bem conservadas do país e um sem número de outros atributos que bem poderia aqui enumerar. Mas não. O programa foi para nos deitar abaixo e para dizer ao resto do país que o distrito de Portalegre não faz parte da geografia nacional.

É o que temos: mais gente Contra do que Pró!!!

João Alves e Almeida

At https://www.linhasdeelvas.pt/

Sobre o afastamento de Portalegre do debate sobre o Alentejo na RTP

Ceia da SilvaAssisti aos “Prós e Contras”.

Faço já uma declaração de interesses, tenho muito orgulho em ser alentejano.
Num mundo cada vez mais global as regiões vivem em concorrência permanente.
O que temos que demonstrar é que somos diferentes, distintivos e melhores do que os outros.
E nunca mostrar as nossas fragilidades.
Elas existem é óbvio, mas temos que lutar em conjunto e remando todos, mas todos para o mesmo lado para as ultrapassar e essa é a questão que faz a diferença.
Não consigo entender como a RTP e uma grande Senhora do jornalismo, Fátima Campos Ferreira, puderam realizar um programa com tantas lacunas-ausências de setores importantes e total ausência do norte alentejano e do litoral alentejano.
Três palavras para o Ministro da Agricultura, Luis Capoulas Santos – muito bem, mesmo que não seja o mais conveniente, temos que defender as Regiões, para o nosso empresário do Gin-relevante e para Jorge Rebelo de Almeida ao anunciar mais uma vez a construção doutro hotel no Alentejo, desta vez na Coudelaria de Alter do Chão.
Como diz o povo, “ai de mim se não for eu!”.
Viva o Alentejo!

At https://www.facebook.com/ / António Ceia da Silva

 

Pedro PintoSobre o Prós e Contras da passada segunda feira, cabe-me tecer os seguintes comentários:

1- Os movimentos que tendem a aparecer, não revelam mais do que pessoas com sede de protagonismo; para mim não têm expressão, porque nem a votos vão.

2- Esqueceram o Distrito de Portalegre, que curiosamente é o mais afectado pela seca extrema.

3- A jornalista quis que dissessem que o Alqueva não serve para colmatar a seca; mas sim, serve e de que maneira.

4- Os Presidentes de Câmara foram fazer figura de corpo presente.

5- Um programa destes tinha de elevar o bom trabalho que se tem feito no Alentejo, na Agricultura e principalmente no Turismo!

6- Não sendo alentejano de naturalidade, tenho muito orgulho na região que escolhi para viver e para criar raízes e família!

7- A RTP devia pedir desculpa aos Portalegrenses de todo o distrito, porque pura e simplesmente não fez o trabalho de casa ou então este já vinha encomendado, resta saber por quem.

8- A eterna guerra Beja/Évora não leva a lado nenhum.

9- O ministro Capoulas esteve bem, porque foi muito atacado por algum ressabiamento.

10- Com o Turismo em alta no Alentejo, porque não se ouviu o Presidente do Turismo de Portugal ou o Presidente da ERT? Porque iriam levantar bem alto o nome e as potencialidades do Alentejo e parece que isso não interessava ao programa.

11- Acabaram a cantar o “ouvi um passarinho”, vá lá, por momentos pensei que iam acabar com a “Grândola Vila Morena”!

At https://www.facebook.com/ / Pedro Pinto

Prémios Mais Alentejo em votação até 30/Outubro: com Museu e Hotel de Nisa

Museu Barro

Para votar: http://rjbatista.net/maisalentejo/index.html

MAIS TRADIÇÃO – Museu do Bordado e do Barro de Nisa

MAIS INICIATIVA – Escola de Hotelaria e Turismo de Portalegre

MAIS DORMIDAS HOTEL – Monte Filipe Hotel & Spa

MAIS DESPORTO – Rui Patrício

Até à meia-noite de 30 de Outubro próximo decida os vencedores da XVI Gala Óscares do Alentejo:
Entre em www.revistamaisalentejo.com
Clique no link Eventos e vote
Não há limite para o número de vezes que pode votar
Vote, escolha, participe

Artigo de opinião: “Um toureador toureado”

Debate Sócrates

Porque as prioridades da noite de ontem foram outras só esta manhã estive a ver a entrevista dada por José Sócrates ao sobrinho de Dias Loureiro. Atrás da orelha já tinha entretanto milhentas indignações de muitos amigos do Facebook sobre o comportamento crapuloso do entrevistador e a forma como o antigo primeiro-ministro soubera galhardamente dar a volta ao texto previamente previsto pela Direção de (des)Informação da RTP e do Ministério Público que, claramente, estivera na origem do guião para o confronto mediático.

Relativamente a Vítor Gonçalves nem sequer lhe dou o mérito de me justificar a consternação pela triste figura a que se expôs. Tratando-se de um dos responsáveis maiores pelo manifesto desequilíbrio com  que o canal em causa noticia a realidade presente, já lhe adivinhávamos o comprazimento com a missão a que se autoincumbira: fundamentado nas quatro mil páginas do processo pensaria ter a oportunidade de encostar definitivamente Sócrates às cordas. No final já se imaginaria na pose bufona dos matadores tauromáticos a dar voltas à arena, saudado pelos aficionados com os chapéus e a serpentinas a colorirem o espaço à sua frente  e muitos olés de permeio.

Que a faena não lhe saiu de feição notou-se na expressão carregada com que fechou o programa. Sobretudo com essa estocada final, que Sócrates lhe deu a respeito do tipo de jornalismo por si professado ao armar-se em coscuvilheiro e querer saber do que viveria agora o interlocutor. De toureador saía manifestamente toureado.

A respeito de José Sócrates só se pode dizer que esteve igual a si mesmo: relativamente às acusações agora conhecidas só teve uma linha de defesa óbvia, que foi a de indagar onde se comprova em factos, datas precisas e documentos explícitos, onde alguma delas ganha nexo. E, pelo contrário, encarregou-se de apresentar provas palpáveis e incontestáveis dos sucessivos desmentidos com que neutralizava cada uma daquelas.

O Ministério Público terá tido, assim, uma amostra do que o espera na barra dos tribunais e não terá espaço para desenlear as suas muitas contradições. Mas, quase por certo, não é isso que pretende: o objetivo nunca terá sido o de apurar a verdade, mas criar uma narrativa consistente capaz de desqualificar as políticas implementadas durante a vigência dos governos de José Sócrates para melhor facilitar o projeto depois assumido por Passos Coelho em nome dos que se serviram da troika para concretizar os seus fins. O momento escolhido para prender o antigo primeiro-ministro e outros igualmente reveladores da coincidência entre ciclos eleitorais e novas fugas de informação para os pasquins arregimentados a tal causa, sempre elucidaram na plenitude o que verdadeiramente estava na origem do processo.

Os que se acoitam no Ministério Público com tal propósito já sabem que, se não conseguiram levar até ao desejado desiderato o objetivo de pôr em causa a estratégia política das esquerdas, eliminaram politicamente aquele que julgaram ser o seu principal inimigo de estimação. Porque o processo judicial demorará anos até inocentar Sócrates, impedindo-o de voltar a assumir cargos políticos para que o seu talento tornava óbvia a candidatura.

O que as esquerdas não podem ignorar é a forte probabilidade de os mesmos que estiveram por trás de todo a Operação Marquês já andarem atentos a todas as minúcias da governação de António Costa buscando nela alguma malha caída por onde possam pegar. E já se constatou que este Ministério Público nem precisa de provas rigorosas para formular narrativas com que possa enlamear quem elege como inimigos fidalgais. Basta que pareçam o que não são para se julgarem capazes de avançarem para novas e sinistras narrativas.

At https://ventossemeados.blogspot.pt/

Opinião: “A Praça de Touros de Badajoz e José Sócrates”

Socrates

ArnaldoContou-me o meu Pai (mais que uma vez), que na guerra civil Espanhola (entre os fascistas/falangistas/monárquicos/católicos e os Republicanos) havia, com frequência, sessões de fuzilamento abertas ao publico (se calhar para exemplo) na Praça de Touros de Badajoz. Claro que os fuzilados eram os militantes Republicanos e os fuziladores militares das falanges de Franco.

Dizia-me ele, o meu Pai, que iam aqui da minha terra (Benavente) conterrâneos de famílias muito conhecidas (e que por isso vou omitir os nomes) assistir a esse “circo” de triste memória para qualquer pessoa civilizada. Era um gozo de satisfação que ultrapassava a obscenidade. e que transparecia nos comentários e nas descrições das execuções sumarias.
Merda de gente!

Hoje lembrei-me dessa violência ao ver as carinhas obscenamente felizes dos jornaleiros, tipo ricardo costa, ao falarem da, finalmente chegada, acusação a Socrates.
Se calhar justifica-se essa felicidade de gente que vive e respira montada no mal alheio e conhecedora da pouca vergonha que domina a PGR e o MP.
Mas uma coisa é uma acusação (muito facil) e outra coisa é a prova.
Daqui por 20 anos eu, ou alguem por mim, cá estarei para ver se essas caras, sedentas de sangue, vão continuar a vomitar ódio ou não.
Eu, ou alguém por mim, continuarei ao lado de Socrates, até que me provem o contrario.
Tenho pena desta gente!

Arnaldo da Cunha Serrão

At https://www.facebook.com

Opinião: “Subversão da verdade”

Ricardo CastanheiraO Facebook com os seus dois biliões de utilizadores deixa muito atrás os países mais populosos do planeta: a China (1.387 biliões) ou a India (1.340 biliões). Mas mesmo a União Europeia (508 milhões) fica atrás do Whatsapp (1.2 biliões), do Youtube (1 bilião) ou do Instagram (700 milhões). Este é o ponto de partida.

Já vai longe no tempo a confiança no que líamos e víamos, fosse nas páginas de um jornal ou num ecrã de televisão. A produção e circulação de informação espontânea e não institucionalizada mudou a realidade: desde logo, dos órgãos de comunicação que vivem, por todo o lado, dias difíceis para sobreviver e no modo como se consome, numa internet sem filtros nem regras editoriais mínimas em que cada um escreve, comenta e divulga o que lhe dá na real gana para uma potencial audiência esmagadora e sem fronteira.

No rescaldo do passado fim de semana, multiplicaram-se nas redes sociais fotos e vídeos de cargas policiais e outros atos de violência contra os independentistas nas ruas de Barcelona. A indignação generalizou-se contra a “barbárie fascizante” de Madrid. Ora, passados uns dias sabemos que, afinal de contas, muitas dessas imagens eram falsas e não passavam de montagens com um propósito muito claro de vitimizar uns e mobilizar a opinião pública contra os outros.

Desta vez foi na Catalunha, mas o fenómeno das notícias e imagens falsas já tinha estado presente nas últimas eleições americanas – com os resultados que se sabe! – passou pelas francesas e mais recentemente entrou na contenda alemã. Ou seja, onde há poder em disputa há a instrumentalização e a subversão da verdade.

Já há relatórios internacionais que mostram consistentemente que existe da parte de alguns países uma estratégia de influência e domínio que passa pelo uso robotizado de “fake news” e perfis falsos para gerar instabilidade em determinados alvos. As guerras assumem, hoje, diferentes formas e espaços. O contexto digital é claramente um deles. Não perceber isto é não entender o mundo em que vivemos e esquecer estupidamente que as redes sociais são o habitat natural de milhões e milhões de seres humanos. É lá que se jogam – para o bem e para o mal – muitas das decisões políticas.

Os governos não se podem demitir e deixar à auto-regulação das plataformas digitais a procura de soluções. Afinal de contas, não cabe às empresas do “Vale Silício” garantir as liberdades individuais, a ordem social, a segurança coletiva e até em certa medida a soberania.

Este é o debate dos nossos tempos. E há tão poucos a querer fazê-lo…

Ricardo Castanheira

At https://www.facebook.com/

Opinião: “Catalunha”

FB_IMG_1507198302293Um par de “bofetadas” não resolve diferenças políticas. Mas também não sou dos que crê que o uso da brutalidade só está errada quando empregada pelos outros. Numa Europa que sempre se identificou com um sistema democrático e reformista, de eleição e instituições representativas, de respeito pela liberdade de expressão, de partidos políticos e sindicatos, uma sociedade aberta respeitadora da soberania individual, sem imposições culturais ou censuras. O que se espera dos seus intelectuais e dirigentes políticos é apenas um esforço de lucidez perante momentos de maior conturbação. Um intelectual ou um político que crê que a liberdade é necessária e possível para o seu país e sociedade não pode, por momentos que seja, achar que esta é supérflua ou que pode ser suspensa.

Este é o exemplo dos acontecimentos do passado dia 1 de Outubro na Catalunha, quando a sociedade manifesta o seu cepticismo sobre a capacidade do país preconizar no seu seio a convivência e a liberdade que fizeram dos países ocidentais o que são. Tenho no entanto a noção de que este é um problema complexo e de difícil resolução o que explica as suas incongruências e consequências.

Mas neste momento importa reflectir sobre a incapacidade de entender e lidar com certos fenómenos e equacionar e adaptar uma resposta eficaz ao momento. A violência é a linguagem da falta de comunicação entre os membros de uma sociedade, em que o diálogo desapareceu há muito ou nunca existiu. Na Catalunha este episódio tomou proporções alarmantes para o futuro da Espanha e da própria Europa. Entre as várias causas que podemos evocar, algumas são permanentes, resultantes da inoperância, não de uma mas de várias gerações, que optaram por soluções menos difíceis e de resultados inferiores.

Nãobasta para consolidar o sistema que exista liberdade de expressão, parlamentares e autarcas eleitos, independência de poderes e renovação periódica do poder executivo. A democracia dos “votos” não pode vacilar perante o peso da opinião pública. Esta exige de todos uma constante adaptação, ceder a algo para alcançar o consenso que assegura a convivência na diversidade. Alcançar isso é ser livre, é viver em liberdade, avançar, progredir, prosperar, tendo em conta o interesse de todos. Com a rectificação e emendas que evitem ou amortizem a violência, numa constante concertação dos opostos em nome da paz social.

Nuno Serra Pereira

At Facebook