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Nisa também vai ter uma pista de gelo

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Crónica: “O cancro é um filho da puta”

Patricia Costa 1O cancro é um filho da puta. Aqui já o posso dizer que ninguém censura.

O cancro é aquele filho da puta que te deixa sem saber se te mata ou não, mas com a espada na cabeça.

O cancro é aquele filho da puta que, provavelmente te amputará, parcial ou totalmente de partes de ti.

O cancro é aquele filho da puta que, quer te mate ou não, te transformará, inchará, deixará careca, fará vómitos, cair as unhas e umas quantas outras merdas.

O cancro é aquele filho da puta que te deixa marcas para sempre, faça contigo o que fizer.

Ir ao IPO de Lisboa é levar um soco na boca. Fui visitar o meu avô. Mas já fui visitar a minha avó, que continua cá, depois de 2 operações. Já visitei uma amiga, de 20 anos, que não continua cá; outro amigo de 30 que também não… Não fui visitar mas estiveram cá amigas, conhecidos, amigos e familiares de outros.

O cancro é aquele filho da puta que não faz diferença de quem tu és. Rico. Pobre. Novo ou Velho. Criança ou não…

Já trabalhei, inclusive, no IPO de Coimbra. Devia, tal como Auschwitz ter um aviso antes da visita: não coma. para não visitar.

Velhotes que já eram abandonados ainda mais. Mulheres gastas pela doença, em sofrimento. Crianças que não sabem nem percebem o que se está a passar e tentam encontrar algo colorido no meio das batas brancas.

Sim, o cancro é aquele filho da puta que trata mal toda a gente. Mesmo a quem salva.

Escrevo isto para agradecer a todos os médicos, enfermeiros, auxiliares e qualquer pessoa que aqui trabalhe: OBRIGADA.

Não é para qualquer um. Especialmente se usas as batas com bonecos. Oh as batas com bonecos… aquelas batas que querem transformar o feio em menos feio, o horrível em menos horrível… as batas da oncologia pediátrica.

Quero agradecer a todos, em nome de todas as mães, mulheres, filhas, pessoas, a todos sem distinção.

Imagino que chorem. Imagino que exasperem entre o que é um trabalho, com horário e picar do ponto, e uma profissão que dilacera a alma.

Imagino que sofram. Mas talvez o vosso sorriso poupe algumas lágrimas ao mundo.

Já que o vosso trabalho poupa milhares.

Obrigada

Na esperança que, para filho da puta, filho da puta e meia.

Patrícia Costa

At http://cronicasdamaternidade.com

O dono do Tejo

Paulo Fernandes

Este cavalheiro na foto, Paulo Fernandes, consegue ser o dono de eucaliptais imensos (já sabemos a beleza que são os eucaliptos para Portugal), é o dono da Celtejo(Altri), que nos destrói todos os dias o rio Tejo em Vila Velha de Ródão e já agora é o dono do Correio da Manhã (Cofina).

Não tenho nenhuma admiração pelo Correio da Manhã mas gostava de ver quantas vezes vem no jornal o que se está a passar com a Celtejo.

Arlindo Consolado Marques o Correio da Manhã que anda sempre todo o lado já te entrevistou?

André Rodrigues Lopes

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Câmara de Nisa reage à mortandade do Tejo a 13/11

Nota de Imprensa n.º 29/2017, de 13/11/2017

O Municipio de Nisa exige medidas de Combate à Poluição do Rio Tejo

O Municipio de Nisa informa que enviou, no início do mês de Novembro, um ofício dirigido ao Ministro do Ambiente, Eng.º João Pedro Matos Fernandes, alertando para a necessidade de se proceder à construção de uma solução válida, duradoura e sustentável para elevar o Rio Tejo, a RIO VIVO e VIVIDO! E exigindo medidas efetivas de combate à Poluição do Rio Tejo.

Houve no entanto, por parte do Municipio, ações de recolha de peixes mortos, junto à Central Hidroelectrica da Velada (São Matias).

Como referimos nessa missiva dirigida ao Srº Ministro do Ambiente, reafirmamos que o concelho de Nisa segue políticas Municipais, bem definidas e esplanadas no Plano Diretor Municipal (PDM), estrategicamente assente num forte pendor de sustentabilidade ambiental, predominantemente na preservação e requalificação dos recursos hídricos e hidrominerais, e na valorização do território e das suas gentes.

“Face ao exposto e pela importância deste relevante recurso hídrico para o desenvolvimento sustentável do nosso concelho, o mesmo não se coaduna com os mais recentes focos de elevada carga de poluição – crime ambiental (previsto no código Penal artº 278 e 279), que está a afetar o Rio Tejo, principalmente a jusante de Vila Velha de Rodão, a qual tem provocado uma mortandade elevada de peixes (achigã, carpa, barbo, boga, lagostins entre outros), exterminando por completo todo o ecossistema do leito do rio, principalmente neste percurso, influenciando decisivamente toda uma comunidade e o seu modo de vida.”

O Municipio de Nisa, tudo tem feito no sentido de identificar, denunciar e encontrar as soluções necessárias para a resolução deste contínuo e persistente crime ambiental, provocado por agentes poluidores e prevaricadores, que a persistir desta forma e com esta intensidade, influenciarão decisivamente os projetos de toda a nossa estratégia municipal que assenta em dinâmicas de sustentabilidade, aliadas a uma forte valorização do território e das comunidades ribeirinhas, nomeadamente as freguesias de Santana, São Matias (Velada) e Amieira do Tejo.

Exigimos e defendemos, junto das autoridades competentes, medidas realmente efetivas e duradouras de combate à grave poluição que afeta o Rio Tejo, porque a sustentabilidade do nosso território e das comunidades que nele habitam, só se coaduna com um rio vivido e com vida, em toda a sua plenitude.

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Artigo de opinião: “A Revolução de Outubro está morta?”

Pedro TadeuNo dia 7 de novembro de 1917, há cem anos, não havia verdadeiras democracias no mundo. Nos países onde se faziam eleições para o poder legislativo só uma pequena parte do povo tinha direito a voto: na maior parte dos casos só os proprietários, os empregados, os mais velhos ou alfabetizados é que podiam votar. Onde não havia ditaduras formais só uma pequena parte da população era chamada a decidir o futuro coletivo.

Na Inglaterra, tantas vezes descrita como a mais avançada das democracias europeias, os homens só tiveram acesso geral ao voto em 1918 e as mulheres, depois de 30 anos de manifestações reprimidas nas ruas, só o teriam em 1928.

Em França as mulheres só puderam votar em 1944, apesar de a Revolução Francesa, a da igualdade e da fraternidade, ter como símbolo uma mulher e de o voto dos homens para elegerem um parlamento ter começado em 1792 e dos homens não brancos em 1916.

Nos Estados Unidos os homens brancos podiam votar desde 1856, as mulheres desde 1920, os nativos desde 1924 mas, em resultado da dura luta dos afro-americanos contra a segregação, a universalidade do voto chegou à “terra dos homens livres” somente em 1965, já grande parte de nós era nascida.

Em Portugal o voto só foi verdadeiramente universal em 1974, graças à Revolução dos Cravos, pois boa parte da população estava proibida de ir às urnas, mesmo na República, antes do fascismo.

No dia 7 de novembro de 1917, há cem anos, os bolcheviques tomaram o poder na Rússia e herdaram o voto universal instituído pelo governo provisório da revolução de fevereiro. A Rússia não foi a primeira: na Nova Zelândia, na Finlândia, na Noruega e na Dinamarca isso já acontecia. Democracia no mundo em 1917? Não, não havia.

A Rússia bolchevique juntou à noção de direito de voto universal muitos outros de sua lavra: habitação, assistência médica e educação gratuitas, legalizou-se o divórcio, terminou a distinção entre filhos legítimos e ilegítimos, promoveram-se direitos das crianças e dos idosos, proibiu-se o trabalho infantil, as jornadas de trabalho foram limitadas a oito horas diárias, houve férias pagas, segurança social, estabeleceu-se salário igual para trabalho igual entre homens e mulheres. Quase ninguém no mundo tinha leis destas…

Os países de sistema capitalista encontraram um adversário que entusiasmava e mobilizava milhões de operários, empregados, intelectuais, professores, estudantes, homens e mulheres explorados, oprimidos, sem voz. Ao longo dos 70 anos seguintes, até à queda da União Soviética, muitos países capitalistas, pressionados pela competição com o campo socialista e pela luta dos deserdados da fortuna dos seus países, concederam inúmeros direitos políticos e sociais que hoje consideramos naturais.

Sim, os crimes contra a humanidade que se praticaram em nome do socialismo – tal como os dos capitalismo – são imperdoáveis. Mas isso não conta toda a história: uma boa parte das melhorias civilizacionais do planeta estão associadas ao desafio colocado pela primeira tentativa de construir uma sociedade sem explorados nem exploradores – e só assim as melhores democracias capitalistas caminharam para o que hoje são. Até no simples voto…

A denunciante mais talentosa da degradação do “comunismo real” é Svetlana Alexievich, a prémio Nobel da Literatura que escreveu O Fim do Homem Soviético. Mas até ela resolveu dizer isto a um jornal português: “O comunismo era uma ideia boa, bonita, no início. E acho que não está morto. O comunismo vai voltar, mais à frente no tempo…” A Revolução de Outubro faz hoje 100 anos mas, segundo Svetlana, a anti-soviética, o seu espírito não morreu… Espanto?

Pedro Tadeu

At https://www.dn.pt/

Farmácias solidárias

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#PARTILHE!!!
#DÊ_TROCO_A_QUEM_PRECISA!

Cada cêntimo doado ao programa abem é directamente aplicado a apoiar os beneficiários.

Nos próximos meses, na #FARMÁCIA_CAMPO_MAIOR, será convidado a deixar o troco para ajudar quem também precisa de levar os medicamentos para casa.

“Dê troco a quem precisa” é primeiro projecto-piloto de recolha de fundos para o #Programa_Abem, cujo objectivo é garantir aos portugueses em situação de carência económica o acesso aos medicamentos com dignidade e discrição, nas mesmas farmácias dos outros cidadãos.​

Todo o dinheiro doado será integralmente aplicado na comparticipação dos medicamentos dos beneficiários do programa.

A #farmácia é mera #fiel_depositária das doações recebidas.

At Facebook / Farmácia de Campo Maior

Crónica: “Uma história inspiradora”

Filipa

Sou a Filipa Guimarães. Aos 36 anos foi-me diagnosticado cancro de mama, algo que não estranhei atendendo ao meu código genético familiar de alto risco, onde grande parte dos meus familiares diretos tiveram cancro e infelizmente alguns deles não conseguiram vencer esta árdua batalha.

A 14 de Fevereiro de 2015 recebi esta notícia que jamais esquecerei. Sim, no dia dos namorados. No entanto não podia pensar em romantismos, sabia que o caminho era duro mas que ia vencer.

Na consulta com o médico-cirurgião, após contar o meu historial familiar, confrontei-o mesmo com esta questão – “Doutor, se eu fosse sua filha o que faria? Operava as duas ou só uma?”. O médico baixou a cabeça e respondeu – “Filipa, seriam as duas!”, tendo eu respondido “Então avance com o seu trabalho porque tenho muito que fazer!”. A minha mãe e o meu marido estavam ao meu lado e ambos olharam para mim ao perceber a minha aparente frieza…eu sabia que ali não podia ceder. Tinha de ser objectiva porque o importante era viver!

Nesta primeira consulta, o médico realizou logo os marcadores no peito e eu aproveitei a ocasião para brincar com ele tendo afirmado “Doutor, não quero nada de exageros. Tudo natural!”.

Tanto no dia da realização da biopsia como no decorrer das consultas antes da cirurgia bilateral, perguntava sempre como seria o meu Surf depois da cirurgia. Os médicos não podiam ser muito expansivos pois não sabiam como estava linfaticamente.

O Vasco (meu marido), que também faz surf há mais de 30 anos, engolia em seco cada vez que eu confrontava os médicos com a questão do surf e fazia um esforço para não chorar, pois ele tinha noção do que tudo aquilo implicava para mim.

Ao adormecer na cirurgia pensei nas ondas que tinha surfado nos Açores…deixei-me adormecer com as minhas memórias do meu amigo mar.

Quando recebi os resultados patológicos do que me tinha sido removido na cirurgia notei algum alívio no rosto do médico, como se tivesse realizado um salvamento em alto mar, pois não surgiram surpresas de maior e, linfaticamente, estava limpa!

Fiz 6 ciclos de quimioterapia e, após o 4º ciclo, o corpo começara a manifestar-se com mais dores. Foi nessa altura que recorri à ozonoterapia que me ajudou imenso nos efeitos secundários.

Terminei os tratamentos em finais de Julho de 2015 e, em Outubro desse mesmo ano, já estava a trabalhar e já ia treinar as minhas artes marciais…além de fazer fisioterapia todos os dias.

No Verão de 2015 ia até à Praia Grande nos finais de tarde dar um mergulho. Que bem que me sabia aquela água fria…sentia-me viva novamente!

Estive um ano sem surfar e pensava ”que saudades” pois faço bodyboard desde os meus 14 anos. Fiz competição e ainda hoje, apesar da minha figura delgada, gosto de me atirar a ondas grandes. Sinto o surf como parte de mim e vida sem surf não é vida!

No Verão de 2016 comecei a entrar novamente com a minha prancha, sentia algumas dores e fazia surfadas no máximo de uma hora pois as costas ainda estavam muito sensíveis. Cada vez que sentia dores pensava “antes surfar com dores do que não surfar!”.

Em Novembro de 2016 ainda apanhei outro susto. Tive de ser submetida a uma nova cirurgia para a remoção de um teratoma maduro entre o intestino e o ovário…os médicos comigo andam sempre em cima do acontecimento e ainda bem que assim é!

No decorrer do Inverno de 2017, além da prática de kempo comecei a nadar 1.500 metros todos os dias pois queria voltar a recuperar a minha plenitude física!

Fui induzida à menopausa com 36 anos devido ao facto do meu cancro ser hormonodependente, e isto para uma jovem mulher que nem mãe tinha conseguido ser imaginem…tinha de fazer desporto porque não me podia deixar vencer por esta nova condição física!

Neste Verão de 2017 já consegui surfar sem dores. Estava feliz a contar os progressos à minha médica oncologista quando ela perguntou “Filipa, já está a levar o Zolodex (injecção para induzir a menopausa) e a tomar o tamoxifeno há quanto tempo?” e eu respondi “Fez agora dois anos, doutora”. Ela observou-me e perguntou “Quer ser mãe?”. Os meus olhos brilharam e o coração por dentro palpitou. Pareciam magia, aquelas palavras…

Congelei 5 óvulos antes dos tratamentos mas pensava que só poderia ser mãe daqui a 3 anos e, subitamente, tudo está prestes a mudar!

Vou fazer parte de um ensaio clínico conjunto que conta com a colaboração de diversos peritos internacionais e com a Fundação Champalimaud.

O nome deste ensaio clínico não podia ser mais acertado: chama-se POSITIV! Tão apropriado depois de tudo o que passei!

Além do ensaio clínico ainda faço parte de um projeto de investigação na vertente genética com a equipa dos laboratórios Germano de Sousa, através dos doutores José Pereira Leal e Joana Vaz.

Gosto de ajudar na evolução da ciência, por isso os médicos sabem que podem sempre contar com a minha colaboração. Através do meu caso estamos a construir novas pontes para que no futuro outras mulheres possam beneficiar destas descobertas!

Agora vamos ver como tudo corre, mas espero um dia poder enviar-vos uma fotografia dos meus bebés a surfar comigo! Até lá só posso afirmar que o nosso cérebro comanda tudo e quando acreditas és CAPAZ! J

GET FUN BECAUSE LIFE IS TOO SHORT J GO FOR IT! J….

Um beijinho salgado recheado de brisa do mar!

Filipa Guimarães

At https://capazes.pt/

Câmara de Portalegre vai “ceder” casas a médicos

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A Câmara Municipal de Portalegre vai ceder dez habitações gratuitas a médicos especialistas que queiram vir trabalhar para a região norte alentejana.

A proposta foi apresentada pela Unidade Local de Saúde do Norte Alentejano à Câmara Municipal de Portalegre e deverá ser assinada já em setembro.

Em declarações a esta estação emissora, Adelaide Teixeira, presidente da Câmara Municipal local, referiu que o objetivo deste incentivo é atrair médicos, sendo que, estes “fazem falta ao nosso hospital e às nossas populações”.

A presidente da autarquia local esclareceu ainda que a câmara vai ceder gratuitamente a casa “mas se o médico sair antes do tempo acordado terá de pagar uma indemnização”.

Além dos incentivos já estipulados pelo governo para atrair médicos para as regiões do interior do país, esta é uma medida que vai permitir fixar clínicos nesta região por mais tempo.

At http://www.radioportalegre.pt/

Teleassistência chega aos mais isolados em Nisa

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A Presidente da Câmara Municipal de Nisa Drª Idalina Trindade assinou ontem, dia 13 de Julho, o contrato de aquisição do Serviço de teleassistência domiciliária no concelho de Nisa, com a empresa Portugal Telecom.

Este novo serviço, estará brevemente ao dispor dos munícipes do concelho de Nisa, está integrado no Regulamento do Programa “Nisa Social” (publicado em Diário da República no dia 21 de Junho de 2017) dirigido a beneficiários do cartão do idoso e a pessoas que vivem sós ou em situação de isolamento total ou temporário e ou tenham algum grau de deficiência/incapacidade comprovada mediante relatório médico e cujo rendimento per-capita do agregado familiar seja igual ou inferior à retribuição mínima mensal garantida (RMMG).

A Teleassistência é um serviço de emergência, que integra uma central com atendimento permanente, um telefone especial colocado no domicílio do utente e um medalhão com botão de alarme incorporado, dirigido para a população idosa e em situação de dependência, e assenta num sistema de telecomunicações instalado gratuitamente pela Câmara Municipal de Nisa de forma a atenuar os momentos de solidão e proporcionar segurança e tranquilidade a si próprio e aos familiares, preservando a sua autonomia, auto-estima e melhorando a qualidade de vida.

At http://www.cm-nisa.pt/

Artigo de opinião: “Recado ao Pedro”

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Eu vou-te avivar a memória, já que não te lembras daquilo que fizeste quando eras Primeiro Ministro.

A primeira medida que tomaste foi o aumento do IVA, recordas?
Dessa medida resultou a falência de milhares de PMEs e o desemprego de milhares de trabalhadores.
Milhares de pequenos empresários ficaram sem meio de vida, cheios de dívidas viram-se obrigados a entregar casas aos bancos e a pedir esmola.
Conheci vários que se mataram dentro das empresas em desespero porque como eram empresários nem direito tinham a um subsídio de desemprego.

O desemprego disparou para níveis nunca vistos neste país.
As IPSSs, a Cáritas e outras organizações de Solidariedade Social não tinham mãos a medir para atender pedidos de ajuda de famílias inteiras que sem apoios da Segurança Social estavam a passar fome e desesperadas sem conseguirem fazer face ás despesas básicas.

Milhares de famílias foram atiradas para a rua, despejadas das suas casas pela Banca, por senhorios e pelas Finanças através de penhoras por dívidas ao Estado, quando muitas dessas dívidas eram de valor inferior ao valor real das habitações.

Depois vieram os cortes nas pensões de reforma, no complemento solidário para idosos, nas pensões de viuvez, nos abonos de família e nas pensões não contributivas como por exemplo no RSI que cortaste a torto e a direito sem olhar a quem e sem apelo nem agravo.

Aumentaste o IMI, começaste a cobrar IUC sobre veículos independentemente de estarem ou não em circulação, chegando ao ponto de cobrares esse imposto a quem nem carro tinha ou sobre veículos já abatidos há anos.

Aumentaste impostos na gasolina, no gasóleo, no tabaco, nas bebidas alcoólicas, aumentaste as portagens e todos esses aumentos foram reflectir-se no aumento do custo de vida que como é óbvio foi mais sentido pelas classes sociais mais frágeis e carenciadas.

Criaste as taxas moderadoras e com essa medida muitos idosos deixaram de ir ao médico ou aos hospitais.

Fechaste Centros de Saúde, Maternidades e Hospitais e muitos idosos morreram por falta de assistência médica, mas também jovens e parturientes morreram por falta de cuidados médicos.

Doentes oncológicos viram as suas cirurgias adiadas e sem cuidados continuados.
Doentes crónicos ficaram sem médicos de família e sem comparticipação em medicamentos imprescindíveis ao tratamento das suas doenças.

Lembras-te dos doentes com Hepatite C a quem negaste um medicamento que podia salvar vidas e mesmo curar?
Deu até azo a manifestações populares na AR que a tua amiga Assunção Esteves reprimiu e mandou deter alguns doentes que se manifestavam indignados e com razão!
Não eram suicidas mas tu querias bem lá no fundo que fossem para poupares algum. Fazia-te jeito para ficares bem visto perante a Troika e a tua amiga Merkele.

Fechaste escolas e fizeste dos professores e das suas vidas gato sapato, obrigando-os a andar em Bolandas sem saberem o que fazer e onde ir!

Mudaste Freguesias, alteraste comarcas, encerraste Tribunais e deste com os juízes e advogados em doidos com a porcaria do sistema Citius todo baralhado.
Esqueceste essa cena?
Eu lembro-te.

Dessa confusão resultaram prejuízos para empresas, para cidadãos e para todo o país que nunca mais se vai recuperar!

Pais que perderam a guarda dos filhos conheci 19, 5 mataram-se.
Fora os que não conheço e olha que não conheço muita gente.

Mães que se viram sem as pensões de alimentos por culpa da baralhada com o Citius foram milhares.

Uma era professora e o filho era deficiente.
Atirou-se da varanda de um hotel.

Mas também houve mães que envenenaram os filhos e a seguir mataram-se porque não tinham nem emprego nem apoios e nem ajuda de psicólogos.

Sabes Pedro, moro em Almada.
Fui obrigada a vir morar para aqui.
Não, não foi culpa tua.
As coisas neste país já não estão bem há muitos anos.
Realmente apanhaste o país num grande caos económico, mas mesmo assim se fosses honesto e um bom gestor terias evitado cortar onde mais doeu!
Os cortes atingiram os mais fracos e para recuperar um país começa-se por por ordem nas finanças públicas cobrando impostos aos que não pagam.

Mas para o fazeres, para cobrares aos que sempre fugiram aos impostos terias de começar por ti, não é assim?
E depois os teus amigos e financiadores não iriam gostar nada de terem de alargar os cordões à bolsa.

Mas como te dizia, vim viver para Almada há uns anos e sabes, aqui temos uma Ponte onde todos os dias durante o teu governo assistimos a muitos suicídios.

E também temos o Metro que não é subterrâneo, é como um eléctrico sabes?
Pois volta e meia para não dizer uma a duas vezes por semana, lá se tinha de chamar o INEM por causa de um velhote ou velhota que “escorregava” e caía à linha!

E quantos eu vi a chorar de vergonha por serem apanhados no supermercado a guardar uma lata de salsichas ou de atum na mala ou num bolso do casaco!!

E outros a sairem da farmácia sem aviar a receita porque a reforma tinha encolhido e os filhos tinham-se mudado lá para casa e estavam desempregados e sem subsídios de desemprego!

Sabes Pedro, sabes qual é o teu mal?

Teres tido um pai fantástico e uma mãe que tudo te desculpou.
Os anos de cabulice, as más notas no liceu, as noitadas na vadiagem, a vida boémia, as drogas, a pouca ou nenhuma vontade de estudar ou trabalhar e a falta de respeito por toda a gente.

Tu não tens noção da quantidade de vidas que deste cabo ao longo da tua vida, não só nos quatro anos em que te tivemos de aturar como Primeiro Ministro, mas desde que te conheci quando vivias na Rua República da Bolívia.

Tenho pena de não ter adivinhado naqueles anos naquilo em que tu te irias transformar!
A sério Pedro.
Naquele dia em que chamei a PSP de Benfica e evitei que a malta do Bairro do Charquinho te desse um arraial de porrada, se eu tivesse adivinhado no que te irias transformar, eu tinha fechado os olhos e fingido que te tinhas atirado da varanda do quinto andar.

Teria evitado tanta coisa, até ouvir as alarvidades que continuas a atirar pela boca fora.

Tantos anos depois e continuas a ser o mesmo chulo que conheci na nossa adolescência e juventude.

Olha Pedro, queres um conselho?
Reforma-te da política e mete uma rolha na boca ou um dia destes apareces suicidado nalguma esquina da vida.

É que nem todos os que te conhecem bem são tão pacíficos e compreensivos como eu e como a malta que te aparou as pancas lá em Benfica, tu sabes bem na casa de quem.

Espero que a Laura recupere depressa da maldita doença.
Ela não merece tanto sofrimento!

E se um dia nos voltarmos a cruzar nalguma rua de Lisboa vira o rosto, para que eu não me sinta tentada a sujar as minhas mãos na tua cara.

É que eu tentei duas vezes o suicídio por tua causa quando me vi atirada para a rua sem qualquer apoio e a lutar contra o cancro e sem ajuda psiquiátrica.

Não acertei na dosagem.
Não tinha de ser.

Quem sabe o que a vida me reserva?
Talvez me reserve a felicidade de te ver a ti Pedro e aos teus amiguinhos (tu sabes a quem me refiro) atrás das grades e a pagares pelos milhares de vidas dos que se suicidaram ou tentaram em desespero por vossa causa!

Assino o nick com que me conhecias: Nini Nilo