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Artigo de opinião: “Ouvir Pacheco Pereira é sempre uma tourada”

rodrigo-alves-taxaRidículo, patético e sobretudo ignorante. Assim caracterizo o triste episódio anti touradas ontem à noite realizado por Pacheco Pereira no jornal da noite da TVI, querendo começar este artigo que será necessariamente muito mais longo que os que costumo escrever, fazendo um conjunto de considerações.

A primeira para com honestidade intelectual afirmar publicamente que sempre tive alguma simpatia pelo perfil de Pacheco Pereira. Sempre lhe atribuí aquela dose de irreverência e coragem que permite aos que a têm, falar dos assuntos de que outros fogem a sete pés. Nesse sentido choca-me que um homem manifestamente inteligente e na maioria das vezes educado e polido, se tenha ontem transformado, ainda que por momentos, num verdadeiro grunho. A postura que ontem apresentou Pacheco Pereira é digna de um bronco, coisa que ele não é nem nunca foi. Portanto a primeira consideração é de lamento. Pacheco Pereira tem todo o direito em não gostar de touradas. O direito que já não tem é querer impedir-me a mim de vê-las se gosto.

A segunda consideração inicial, que até se articula com a anterior, é para dizer que nesta questão da tauromaquia, o gostar ou não gostar é secundário para efeitos de observação sociológica. O gosto só se encontra na base da discussão porque naturalmente se há touradas é porque as pessoas a elas vão, e se vão é porque gostam. No entanto, no seu âmago, a questão não assenta no domínio do gosto, mas no espectro do respeito pelo outro.

Aqui chegados, a terceira consideração inicial assenta numa grande confusão principiológica que inquina por completo a discussão sobre a tauromaquia desde o seu início, urgindo por isso esclarecê-la. É que tal como Pacheco Pereira, começo a ficar com falta de paciência para certas coisas. E sobretudo quando isso me acontece sou mais azedo num só dedo que Pacheco Pereira nos dez que tem nas mãos.

Caríssimo, pode dar as voltas que quiser ao texto. Um animal não é, seja no que for, um ser igual ou sequer equivalente ao ser humano. Não há qualquer equivalência entre ambas as espécies. Um animal não tem deveres. Ao não ter deveres, não tem direitos. Não tendo direitos, a tauromaquia não viola qualquer princípio, valor ético ou moral, pela simples razão de que aos animais e para com eles, não se aplicam quaisquer exigências intelectuais que entre nós devem ser fio condutor de rectidão social.

Se eu cravar três bandarilhas numa qualquer pessoa, isso é tortura. Se eu colocar três bandarilhas num toiro, não é tortura absolutamente nenhuma pela simples razão de que não há uma equivalência criminal entre ambas as condutas. Aliás, como tem obrigação de saber, o toiro de lide, e não de morte como erradamente o caracterizou, nem sequer está dentro da categoria dos animais de estimação ou companhia, perante os quais eu admito termos uma postura diferente, pela simples razão de que com eles se criam laços de proximidade e afeição muito superiores ao animal aqui citado que não passa na verdade de uma besta.

A menos que que queira experimentar afagar os cornos a um toiro. Boa sorte com isso. Enquanto tenta eu vou continuando o meu artigo.

Ridículo – O primeiro adjectivo que escolhi para caracterizar o que ontem ouvi sobre as touradas, deve-se ao que senti ao ver um homem que entre outras facetas, por ter sido toda a vida um homem de Estado e por isso sempre ter dito defender a democracia, parecer agora esquecê-la por pura embirração ideológica.

A democracia assenta na pluralidade. Assenta também por isso no princípio de que não poderá apenas ser permitido aquilo que eu gosto, aquilo que comigo se identifica e aquilo que por mim é compreendido.  Pacheco Pereiro esqueceu-se desde logo, portanto, que um dos pilares da democracia é a igualdade, e que essa igualdade se manifesta antes de qualquer outra coisa no respeito pela diferença.

Igualmente ridículo foi ver Pacheco Pereira procurar negar que a tauromaquia não tem qualquer raiz de natureza cultural, tendo tanto quanto percebi alvitrado que nem sequer representava grande parte da cultura rural. Ou seja, além de não gostar de touradas, Pacheco Pereira parece querer ser agora o definidor do critério da cultura nacional. Lá saberá o que pretende, eu cá por mim aconselhava-o a ter mais juízo que as suas vastas barbas brancas deviam ser sinónimo de que já devia ter idade para tê-lo.

Eu sou Ribatejano, nasci em plena ruralidade com muito orgulho e com o mesmo orgulho me definirei sempre como rural. A cultura da minha terra bem como do meu distrito é eminentemente taurina, sempre vivi perto de toureiros, forcados, ganadeiros, praças de toiros, campinos, cavalos e toiros. Em criança, bati o record de número de corridas toureadas por ano quando em cima do meu cavalo de pau, o “México”, (em homenagem ao melhor cavalo do toureiro que nessa altura mais gostava de ver tourear) bandarilhava com destreza os vasos das flores da minha mãe. Fui uma criança feliz. E sou sobretudo um homem feliz.

Considero-me além disso um homem bem formado, e nada e em nada inferior ou superior a quem possa ter uma cultura diferente da minha mesmo que não a perceba. Considero-me sobretudo bem formado porque mesmo que não a perceba não a quero eliminar. Muito menos que os outros sejam iguais a mim.

 Então agora vem o Pacheco Pereira armado em pateta explicar-me a mim o que é a minha cultura? Ridículo

Mas não me fico por aqui.

Outra circunstância ridícula, é o argumento tantas vezes invocado de que várias tradições acabam. Que o coliseu romano também acabou. Primeiro há que clarificar que as tradições acabam, quando delas já não há quem goste, as represente ou execute. Em segundo lugar e muito rapidamente, há que clarificar que uma tourada é em tudo diferente dos gladiadores e do coliseu de Roma. É diferente porque no primeiro caso o homem vai de livre vontade enfrentar um animal. Já no coliseu de Roma era um homem que obrigava outro homem a ir lutar com um animal que o poderia matar. E mesmo assim, se não fosse lutar com ele, morreria na mesma.

É capaz de ser um bocadinho diferente.

Claro que tanto num caso como noutro nem o toiro nem o leão do coliseu lá iam parar por sua livre vontade. Mas isso é natural porque o gozo e fruição da vontade é uma demonstração do livre arbítrio, domínio de que só dispõe tal como o concebemos, o ser humano.

Igualmente ridículo, foi Pacheco Pereira na forma como logo no inicio do debate, perante uma questão que lhe foi dirigida sobre se era aceitável que o Estado proibisse alguém de ir a uma corrida de toiros antes de completar dezasseis anos, vir referir que não seria admissível, na medida em que o admissível era desde logo acabar com as touradas.

Portanto, ficámos todos a saber que o mesmo homem que durante anos se sentou no parlamento nacional e europeu, auferindo um ordenado que era pago por todos os portugueses, onde se incluem os toureiros e os aficionados, assumiu publica e claramente que se estava a marimbar sequer para a discussão do tema e para os seus defensores. Era acabar e quem goste que se cale. Meu caro amigo, pode esperar sentado. Não vai ter tarefa fácil. Eu próprio me encarregarei de lhe tornar essa tarefa bem difícil.

Enfim, o show continuou, e depois de todas estas ridicularias de conteúdo houve também um notório ridículo de forma, na medida em que Pacheco Pereira mais parecia um qualquer reacionário descompensado e não o homem ponderado que sempre achei que fosse. Mas aí, todos temos dias e noites infelizes. Talvez a conta do jantar de Pacheco Pereira tenha sido cara ou a ementa lhe estivesse a causar azia.

Passo agora ao patético:

Ora bem, na vida é perfeitamente aceitável, diria mesmo que desejável, que todos nós tenhamos discordâncias. Agora argumentar as nossas discordâncias, assentando-as em falácias, argumentos desleais, imprecisões ou jogos de sombras é que é uma verdadeira patetice. Pacheco Pereira foi para ali falar de touradas sem que tivesse um único argumento sólido que sustentasse a sua posição. Já antes mencionei alguns, mas vou agora mencionar outros.

A primeira patetice foi dizer que a forma como tratamos os animas diz muito da maneira como tratamos as pessoas. O que eu gostava de perguntar a Pacheco Pereira, é se considera que uma qualquer pessoa por ser aficionada é por equivalência um ofensor nato dos seus semelhantes.

Eu sou muitíssimo aficionado. Considera-me, por sê-lo, menos integro que qualquer outra pessoa que não seja?

 É que sabe Pacheco Pereira, distintamente de si, entendo que a forma como muitos destes pseudo modernos seres humanos se preocupam com os animas, o que é, é uma demonstração bem clara da maneira como hoje se encaram as pessoas. São de segundo plano. O animal deve ser protegido. O ser humano logo se vê. Veja bem que até temos partidos com assento parlamentar que defendendo que eutanasiar um animal é um crime hediondo, dizem depois que fazê-lo num ser humano é um acto de bondade.

Diz muito da nossa sociedade. Esperava mais de si.

Outra patetice foi o meu caro amigo vir afirmar que a tourada é um espetáculo público. A tourada não é um espetáculo público Pacheco Pereira. É um espetáculo de público, o que é bem distinto. É organizado por empresas privadas, abrangidas pela legislação que a elas se aplica e, portanto, é feita no exercício de uma actividade com normas e preceitos legais, a que só vai quem quer, pagando o seu bilhete de livre e espontânea vontade para lá se dirigir. Pura deslealdade argumentativa.

Já que falo de lei, outra grande patetice por si explanada durante toda a sua intervenção foi por e simplesmente omitir a força da nossa ordem constitucional na qual em vários artigos se preceitua claramente a legalidade da tauromaquia. A menos que o meu caro amigo não respeite a constituição ou defenda que se faça outra. No primeiro caso é preocupante, se se aplicar o segundo, é legítimo.

Mas a haver uma alteração, esta não pode ser feita sem ouvir o povo. Até que aconteça, continuar-se-á a cumprir a actual. Portanto, a tauromaquia é uma manifestação cultural perfeitamente legal em todos os seus parâmetros, não podendo daí ser proibida ou limitada por decreto. Mas como eu sou boa pessoa, e sobretudo porque sei que o meu caro amigo não é jurista, aconselhava-lhe, nem que fosse por mera curiosidade, a leitura de alguns artigos da constituição.

Pode começar ali pelo princípio da igualdade para aprender o que é, depois passar para os direitos liberdades e garantias para ter uma breve noção de como tudo isto se articula e terminar dando uma passagem ali pela zona dos direitos sociais económicos e culturais. Se no fim da leitura ficar com dúvidas eu dou-lhe umas aulas de Direito Constitucional. E posso dar-lhe também uma de Introdução ao Direito para perceber juridicamente o que é o costume.

Veja bem que estou a dizer que lhe dou umas aulas. Não lhas cobro. Afinal um aficionado pode ser uma pessoa de bem.

Outra patetice:

A dada altura Sousa Tavares disse e bem que se o toiro de lide não fosse toureado por e simplesmente deixava de existir. Ora o Pacheco Pereira, pateticamente, transmitiu que pouco lhe importava o destino dos toiros se a sua existência assentasse no fim tourada. Portanto o caro amigo está tão, mas tão preocupado com um animal, que prefere que ele não exista, a existir para um fim com o qual não concorde.

Grande lógica. Como lhe chamaria um antigo professor meu, é a lógica da batata. Ou seja, desculpem-me todos o termo, uma lógica de merda.

Pelo reino das patetices podia continuar, dizendo que é patético haver partidos que querem colocar como idade mínima para assistir a uma tourada os dezasseis anos porque antes disso a pessoa não tem o carácter suficientemente desenvolvido para saber o que quer e não quer, mas em detrimento, defendem que muito antes disso já se tem a capacidade suficiente para decidir sobre a mudança de sexo; que patético é dizer que o sangue de uma tourada choca, mas que já não choca o sangue que se vê nos filmes, em determinados jogos ou mesmo em alguns desportos.

Não o vou fazer e passo ao último adjectivo; o ignorante.

O ignorante é aquele que não tendo conhecimento suficiente sobre determinada matéria, dela ignora a sua essência. Ora quando se é ignorante sobre algum assunto, manda a cautela que nos calemos sob pena de fazermos figura de parvos. É que a primeira circunstância é uma inevitabilidade. A segunda já é uma escolha.

Porque é que digo que Pacheco Pereira é um ignorante? Eu explico.

 A primeira grande ignorância foi ouvi-lo dizer que a tauromaquia é uma cultura machista. Ora certamente Pacheco Pereira desconhece que numa qualquer bancada de praça de toiros se encontram centenas e centenas de mulheres das mais variadas idades. Só se Pacheco Pereira ignora que elas lá estejam, e isso sim já é uma demonstração, não do machismo da tauromaquia, mas do seu próprio machismo pessoal.

Não obstante, foi igualmente ignorante, porque ou não sabe ou propositadamente procurou omitir, que na actualidade há pelo menos, assim que me lembre de repente, seis cavaleiras tauromáquicas no activo. E já que gosta de colecionar papéis, faça uma busca sobre cartelaria taurina e verá que já aí pelas décadas de 50, 60 e 70, existiam mulheres cavaleiras e até toureiras a pé.

Se não encontrar eu mostro-lhe.

Claro que o mundo taurino de então era machista. Como foi durante séculos o mundo político, académico, social e todos os outros. Tudo teve a sua evolução e a mulher chega à tauromaquia como chegou a qualquer outra área de actividade da sociedade. Mais tarde que os homens.

Amigo Pacheco, mais tento na língua se faz favor que ninguém tem que ser obrigado a aturá-lo, sim?

Outra ignorância foi ouvi-lo dizer que a cultura tauromáquica, dentro desta sua visão machista, era uma cultura em que o homem se gostava de armar em valente perante o toiro, eventualmente digo eu, para mostrar aos seus pares e às senhoras que é muito viril e valente. Portanto ser valente é agora sinónimo de ser machista. Eu sempre vi a valentia como uma característica sem sexo. A valentia e a cobardia. Eventualmente enganei-me.

Desta forma não compreendo esta argumentação e muito menos de que maneira ajuda a mesma a debater seriamente o tema. Ou melhor, compreendo. Esta argumentação é própria de quem por mero capricho pessoal e ideológico que sobrepor a sua opinião à dos outros nem que para isso tenha de aplicar toda e qualquer artimanha dialética por ausência de qualquer nível de razão.

Como isto já vai longo, e antes mesmo de terminar com uma preocupação e um desafio, deixo aquela que vi como a última e mais grosseira demonstração de ignorância da sua parte. Oh caro amigo, em Portugal não há toiros de morte desde o reinado de D. Maria II, exceptuando o caso de Barrancos, numa decisão maioritariamente assente no tal costume como fonte de direito que já lhe aconselhei que estudasse. Toiros de morte é em Espanha.

Então o caro amigo vem discutir um tema quando nem sequer o saber caraterizar e delimitar correctamente?

 Não sei que lhe diga.

Olhe por aqui me fico. Mas tal como disse, faço-o manifestando uma preocupação e fazendo um desafio. A preocupação é porque acho que algum trauma deve o meu amigo ter tido ou com as touradas, ou com algum toiro, ou mesmo com algum agente da tauromaquia, com qualquer coisa. Só assim percebo a sua descompensação e completo desrespeito pelos muitos milhares de aficionados portugueses.  Veja lá, se o poder ajudar a ultrapassar isso, diga-me, por favor.

O desafio que lhe lanço, e porque manifestamente ainda que tenha tentado, Sousa Tavares não lhe soube dar as respostas mais correctas porque tal como disse, deve ter visto aí umas seis corridas na vida, desafio-o para numa qualquer televisão, rádio, restaurante, café, sala de reuniões ou qualquer outro local, vir debater comigo, ponto por ponto, a tauromaquia. Até porque certamente muitos acharão que pessoalmente não lhe diria tudo isto que hoje aqui escrevi, e eu gostava de lho dizer de viva voz.

 Estou à sua inteira disponibilidade, no local e formato que a si mais adequado lhe parecer.

Olhe, em linguagem taurina, obviamente apelando ao seu sentido de humor e metaforicamente falando, coloco-me de praça a praça e dou-lhe a primazia da investida.

Rodrigo Alves Taxa

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Greve na Navigator em Vila Velha de Ródão

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A empresa negou sempre fazer o reenquadramento profissional aplicando o normativo em vigor, publicado em boletim de trabalho e emprego ou, através da OS 8/2010, assim como, negou sempre qualquer pagamento de retroativos. Terminou desdizendo-se. Fez atualizações nos salários fora do quadro do plano de carreiras e com retroatividade apenas a 1 de janeiro de 2019 e já com processos em tribunal. Lamentável.

Ao SINDETELCO não fica outra alternativa que não seja o recurso à Greve.

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Artigo de opinião: “Web Summit: Gente agitadinha que me dá sono”

Luís Osório1.
Faltam poucas horas para se iniciar mais uma edição da Web Summit. Ao que parece todos os bilhetes (caros e baratos) foram vendidos. Muitas centenas de empreendedores de todo o mundo chegarão a Lisboa com ideias, cartões de visita e ambição. E muitas centenas de portugueses lá estarão também.

2.
Encontramos na Web Summit gente interessante, ideias novas e originais caminhos. Mas a Web Summit não celebra, ao contrário do que se pensa e diz, um mundo novo, o que celebra é o mais velho pecado humano: o da ambição. Fechar negócios, ser visto, entregar o cartão às pessoas certas.

3.
E ser aos olhos dos outros o que os outros esperam que se seja. Afirmativo, otimista, comunicador, global e vendedor (na maior parte dos casos de banha da cobra). Uma feira de gente adaptada a este tempo e que, na maior parte dos casos, se está a borrifar para o mundo. O que os atrai são os casos de sucesso, pessoas comuns transformadas em bilionários, o que os comove é a boa vida, o sucesso, as cotações de bolsa, os IPO’s.

Web Summit

4.
O que celebramos na Web Summit é também a tragédia de um tempo em que os problemas reais de milhões de pessoas são secundarizados face ao progresso do virtual e do advento de novos génios parecidos uns com os outros. Muito engraçados. Muito vivos. Muito egocêntricos. Muito cosmopolitas. Muito bem-postos, cheirosos e persuasivos. Muito high tech, muito crowdfunding, muito pitch, muito fablab, muito hub, muito kickstarter, muito tec labs, yield e zeal. E muito networking, o mais importante de tudo.

5.
Muito bom para Portugal ter a Web Summit. Mas não me peçam para glorificar um mundo que é feito do que parece. Gente muito agitadinha que me dá sono e vontade de não conhecer mais ninguém.

Luís Osório

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Opinião: “Discursos políticos”

Joaquim Costa 58379999_784290528610838_5721773925860376576_nEstou a pensar nos discursos dos políticos que vamos ouvindo e vendo todos os dias nos vários órgãos de comunicação. Sou um velho militante do PS, mas este meu desabafo não tem nada a ver com a força politica que sempre defendi desde o 25 de Abril, pois nunca vivi da politica, embora tenha desempenhado alguns cargos ligados a câmaras como todos aqueles que me conhecem sabem. É com alguma tristeza que causa o discurso de alguns políticos, isto é, mais bem dito, oportunistas, que revelam, pela sua expressão física, pelo tom de vós agressivo, que revelam a raiva que lhes vai na mente. Notasse muito bem quando a pessoa fala e expressa o que lhe vai na mente e que luta pelo bem comum, ou quando fala cheio de raiva, com ataques agressivos aos seus opositores, atacando com mentiras, com argumentos sem sentido, ofendendo aqueles que falam verdades de factos verdadeiros. Rui Rio parece que esta num circo, fala de coisas sem sentido, sempre com ar cínico e agressivo, talvez porque sabe que vai perder, o que mostra que não tem condições para o cargo de primeiro ministro, depois temos senhora do CDS, que causa pena e nojo, só agressões, conversa sem senti do que revela desconhecimento, basta ver o que fez quando ministra da agricultura, só plantou eucaliptos, depois temos os outros partidos com assento na AR às vezes um pouco azedo mas dentro do aceitável, depois temos os novos partidos que, pelo menos alguns não vale apenas comentar, todos sabemos o que procuram. Finalmente temos o Homem com provas dadas que se chama António Costa, pessoa que já mostrou as suas capacidades em varias missões que desempenhou, pessoa para quem a honra, a dignidade contam cuja intenção é trabalhar para melhorar a vida de todos os portugueses, cuja a acusação que lhe fazem é que sabe unir as pessoas, mas isto revela uma das suas capacidades, não é um defeito é uma virtude. Por tudo isto, se queremos um Portugal melhor temos de votar PS.

Joaquim Costa

Ex-presidente da Concelhia de Nisa do PS

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Artigo de opinião: “Elvas vs Badajoz”

Diogo lvg3uetS_400x400.jpgCerca de 1890, mais coisa menos coisa, Badajoz tinha mais 3 mil habitantes do que Elvas. Hoje, em 2019, Elvas tem cerca de 18 mil habitantes e Badajoz tem 150 mil habitantes.

Duas realidades bem diferentes, lado a lado, separadas apenas pela fronteira entre os dois países. Duas apostas totalmente diferentes de políticas públicas e de visão de território. Duas cidades do interior. Aliás, Badajoz é hoje uma potência em crescimento. De investimentos realizados, lá até se sonha com uma futura Disneyland.

No fundo, temos do lado de lá da fronteira, uma terra que está mais longe de Madrid do que de Lisboa. Uma terra longe, bem longe do litoral. Mas é o espelho de opções políticas e económicas acertadas, por comparação com um interior de Portugal isolado e abandonado. Medi bem as palavras. Portugal tem um interior abandonado. Tirando os resistentes que por lá vivem, que por lá investem e que por lá ainda resistem, Portugal é hoje um país assimétrico e sem visão de território. Um país pequeno, que somos, contudo macrocéfalo e desnivelado para o litoral. Com esta dimensão e com um abandono total de uma visão integrada para o território, que lhe permita reduzir a perigosa assimetria, que desde os anos 60 do século passado se construiu. Se está a ler este artigo pergunto. Já foi a Portalegre? A Fronteira? À Covilhã? A Boticas? É extraordinário, apesar de tudo, o trabalho de muitos dos nossos autarcas. E até de empresários. Como é fantástico que, em Boticas, por exemplo, exista uma empresa de concepção de redes de pesca, que garante emprego e forte dinamismo económico. Bons, mas, infelizmente, raros exemplos.

Todavia vamos ser claros, para que não restem dúvidas, por melhor que seja o trabalho das Câmaras Municipais e de algumas empresas, isso não chega. Não há desenvolvimento sem verbas, sem estratégia, sem planeamento e sem visão de conjunto ao nível nacional. Conceitos caros e raros neste país que tudo faz em cima do joelho. Que vive sem reformas de fundo, sem horizontes e que, apesar de estarmos em plena campanha eleitoral, pouco se discute do que realmente importa ao interior, apesar das soluções avulsas como baixar IRC das empresas no interior ou Vistos Gold para estas zonas. São propostas bondosas? São. Claro que são. O leilão fiscal é sempre atractivo. Mas não chega. Não basta. É curto. Precisamos de mais, de um planeamento a longo prazo, com compromissos na sociedade portuguesa, por forma a que “territórios de baixa densidade” deixe de ser um eufemismo para descrever aquilo de que o país urbano, concentrado nas grandes cidades do litoral, se esqueceu e só se lembra a cada tragédia que acontece, como os fogos florestais, mas rapidamente perde de vista. Precisamos de quem pense o território de facto e não como mera esmola ou distribuição de fundos, a abordagem tem de ser integral e não uma mera lista desgarrada de medidas, senão como criar ou potenciar sinergias e gerir processos interdependentes, como são os que ligam território, economia e demografia. Podemos ser ainda mais claros? As CIM e CCDR são boas intenções, mas diminutas para a natureza do problema. Precisam de mais escrutínio e de mais poder. Precisam de ter uma visão regional e não podem ser uma mera burocracia do Estado Central para um dado território administrativo, criado à boleia das regras comunitárias de distribuição de fundos. Somos, de facto, um país desequilibrado. E este desequilíbrio precisa de ser enfrentado de frente. Alguém tem coragem de assumir, de facto, políticas de coesão territorial? É por falta de coragem e vontade que existem casos tão díspares como Elvas e Badajoz. Duas cidades vizinhas, mas que contam com Governos centrais e lógicas regionais totalmente diferentes. Era isto que também gostava de ver debatido, de forma séria, numa campanha eleitoral em Portugal.

Diogo Agostinho

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Opinião: “Meter o Mundo a falar”

Eduardo 12088014_10153775235257268_781859617163773055_nGreta tem Síndrome de Asperger. Uma condição do espectro do autismo que afecta as capacidades de comunicação e relacionamento. Greta meteu o Mundo a falar de algo importante. Mas o que vejo é as pessoas a odiar a miúda com todas as forças, a dedicar-lhe insultos indiscritiveis só por falar de forma esquisita. É uma miúda porra! Sou antes de tudo um pai e um homem. Não posso aceitar.

Fala de uma forma diferente? Parece agressiva? Soa a falsa? Talvez. Talvez seja por ser asperga, talvez não. Mas não anda a tentar imitar as Kardashian, a pedir bilhetes para o Justin Bieber, ou chorar porque não tem o último I-Phone. Tem causas, se me permitem, mais elevadas. Se a motivação é nobre ou interesseira, não sei, não sou bruxo. Preferia que fosse nobre. Contudo o que ela diz está certo. A essência é louvável.

Greta 71008051_10157816367907268_203812703754518528_n

Não me importava que Greta, com as suas causas, o seu autismo considerado histérico, a sua preocupação com o futuro, fosse minha filha. Era um orgulho. Mas peço a todos, mesmo que não gostem dela, não concordem, mesmo que não defendam uma solução idêntica para o problema, que não a insultem só porque é moda. Se não concordam, então defendam a vossa visão das coisas. Podem e devem fazê-lo. Até porque essa discussão é fundamental. Chamem-me optimista mas acho que podemos fazer qualquer coisa. Tem é de ser para ontem.
#nature

Eduardo Madeira

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Opinião: “Sondagens e resultados”

joanaamaraldiasoficial_62090486_2053394904966968_953275700898553678_nSe há lição que fica das eleições regionais na Madeira é que as sondagens falham. Já se sabia mas volta a confirmar-se: falham muito.
A previsão de resultados da sondagem da Católica (RTP) divergiu em 21 pontos dos resultados eleitorais. Já a Eurosondagem (DN/TSF) falhou em 17,2 pontos. A melhor foi a da Intercampus (JM) e, ainda assim, com um desvio de 12,2 pontos.

Portanto, os sucessivos programas na comunicação social que vomitam horas e horas de perdigotos sobre sondagens a partir das quais fantasiam cenários prováveis e coligações possíveis, que se enrolam em politiquices em vez de debaterem Política, são mesmo ralé preguiçosa, burra e totalmente inútil. Panem et circenses.

Joana Amaral Dias

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