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Artigo de opinião: “Falta de memória”

Carlos Luna 88941905[a propósito dum texto de José Manuel García-Margallo (antigo ministro espanhol dos Negócios Estrangeiros /”Relaciones Exyeriores” dos tempos de José Maria Aznar) escreve para El País, 15 de novembro de 2018]

É já conhecida esta posição. A Espanha reivindica Gibraltar. Desde a sua cedência à Inglaterra, em 1704 (conquista) e 1713/14 (Tratado de Utreque), pode-se dizer que a Espanha, naturalmente, nunca se conformou com a presença britânica naquela território, tentando recuperá-lo várias vezes desde sempre, mesmo através de alianças militares contra-natura. O que não é de espantar, dada a humilhação sofrida, e a presença, contrária a qualquer lógica geográfica, dum enclave na sua costa.

Todavia, os acordos de cedência foram legalmente assinados. E nada mudou em 300 anos. E, no século XX, a saga continuou. Desde a criação das Nações Unidas, e, logo depois, do conceito de descolonização, e da necessidade de pôr fim a situação herdadas dum passado imperialista em todo o mundo, a tónica da política externa espanhola passou a ser a de considerar que, sendo Gibraltar uma colónia, havia que acabar com a sua existência, com o seu regresso à mãe-pátria. Isto enquanto a Grã-Bretanha dava autonomia legislativa ao território, deixando de ser propriamente uma colónia, e procedia a referendos, sempre com resultados esmagadores a favor de Londres.

A União Europeia facilitou um tanto o diálogo hispano-britânico, mas a saída da Grã-Bretanha da União (o “Brexit”) fez voltar o assunto à baila. E eis que, a 15 de novembro de 2018, o antigo ministro espanhol dos Negócios Estrangeiros (“Relaciones Exyeriores”), do tempo de José Maria Aznar, José Manuel García-Margallo, escreveu uma extensa crónica no El País, muito difundida de imediato, onde abordou, de novo, o problema dos direitos espanhóis a Gibraltar. Os argumentos baseiam-se num anticolonialismo apoiado nas regras da O.N.U. (“La situación colonial de Gibraltar quebranta la integridad territorial de España y es incompatible con la Resolución 1514 (XV) sobre descolonización. Si el Reino Unido renuncia a su soberanía, Gibraltar debe retornar a España.”), nas irregularidades cometidas no cumprimento Tratado de Utreque de 1713/14 (“Hay que empezar recordando que el título de soberanía británica deriva exclusivamente de la cesión de la ciudad y el castillo de Gibraltar, junto con el puerto, defensas y fortalezas que le pertenezcan (artículo X del Tratado de Utrecht). Ni el istmo ni las aguas fueron cedidos por España al Reino Unido.”), no Direito Internacional vigente e na recusa do direito dos gibraltenhos decidirem o seu futuro (“Sólo Naciones Unidas puede decidir cuándo ha concluido el proceso de descolonización de Gibraltar. Las Declaraciones de Lisboa (1980) y Bruselas (1984) intentan cumplir con el mandato de Naciones Unidas pero los británicos se han negado siempre a discutir la soberanía sin consentimiento de los gibraltareños. En plena luna de miel Aznar-Blair, se lanza la idea de una soberanía compartida como solución de compromiso. Por desgracia fue solo un espejismo y los británicos se volvieron a encerrar en su conocida posición de no negociar la soberanía de la Roca sin el consentimiento de los gibraltareños. Reitero, en contra de la doctrina de Naciones Unidas”).

Há uma crítica ao actual governo de Madrid, acusado de não estar a aproveitar bem a situação causada pelo “Brexit”. García-Margallo defende algum tipo de soberania partilhada para Gibraltar (“la única solución es la soberanía compartida del Reino Unido y de España. La propuesta de soberanía compartida, difundida en Naciones Unidas, en la Cumbre Iberoamericana y en todas las Instituciones y Cancillerías europeas, es una solución win-win (ganar-ganar) para todos. Pondría fin a una controversia de 300 años entre dos países que son amigos y aliados.”).

Diga-se que não faz apelos propriamente a conflitos com o Reino Unido (justiça lhe seja feita!), país que considera “amigo e aliado”. Todavia, faz um apelo a uma mobilização contra o imobilismo do Governo de Madrid (“Ante esta insensibilidad ¿qué podemos hacer cada uno de nosotros? Pues podemos hacer una cosa: pedir la palabra y ponernos a gritar para exigir que los actuales gobernantes se vean obligados a poner los intereses permanentes de España por encima de sus intereses particulares. A decir la verdad en la hora de la verdad.”).

O que continua a ser estranho, principalmente para os portugueses, é o seu (aparente?) desconhecimento da situação irregular, em termos internacionais, que se vive em Olivença, como aliás jornais franceses, britânicos e outros referem (o que nunca é referido pela Imprensa espanhola). Trata-se também duma posição oficial do Estado Português, que muitas vezes a Imprensa Portuguesa finge ignorar.

Vejamos: Olivença e o seu termo foram ocupados em 1801. Em 1814, em Paris, concluiu-se pela nulidade do Tratado de Badajoz (de ocupação) de 1801, e aceitou-se que esta nulidade tivesse a ver com a violação de tratados em 1793, violação consubstanciada em tratado franco-espanhóis de 1795 e 1796. Em Viena de Áustria, em 1815, porque se falava de devolução de Olivença a Portugal, a Espanha negou-se a assinar os Tratados, fazendo-o, porém, em 1817. Depois, Madrid tentou jogar com ilegalidades na situação do moderno Uruguay, que acabou por não reocupar, não por culpa de Portugal, mas em virtude de acontecimentos internos espanhóis, o que significa que se mantêm válidos os acordos de 1815/17.

Durante duzentos anos, a Espanha tem mantido uma administração ilegal, à luz do Direito Internacional, em Olivença. Uma contínua descaracterização do território, com recurso a falsificações históricas constantes e perfeitamente intoleráveis, uma repressão notória (especialmente dura na época franquista, mas sempre presente, a vários níveis, desde 1805), uma política de ocultação da situação na própria Espanha, tentativas sucessivas de, por vias burocráticas, levar Portugal a aceitar a posse espanhola do território, a que Lisboa se tem firmemente oposto, tudo isto foi feito e, de certa maneira, se mantém.

Nada tenho contra que a Espanha lute pelo que considera justo, e que, neste caso, é a situação de humilhação causada por um enclave estrangeiro no seu território. Compreendo. Mas era bom que Madrid não deixasse para trás “telhados de vidro”, e não tentasse, de certa forma, fazer figura de ingénua e tentar fazer passar terceiros por incompetentes ou distraídos. Por aqui me fico, antes que me venham à memória Ceuta e Melilla, e um país chamado Marrocos…

Carlos Luna

At https://www.jornaltornado.pt/

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Nota para Comunicação Social

Montalvao Cedillo 2

S.O.S pelas populações raianas do Tejo internacional e do Sever

Reunião de Autarcas Ibéricos: acessibilidade é solução crucial no combate à desertificação dos seus territórios.

Autarcas de diferentes famílias partidárias dos concelhos de Nisa, Vila Velha de Ródão, Castelo Branco e Castelo de Vide, reuniram em Montalvão, no passado dia 11, a convite da Junta de Freguesia local.

Subjacente à reunião a preocupação de todos pelo assustador despovoamento e desertificação dos respetivos territórios, sendo Montalvão e algumas das pequenas localidades representadas, incluindo de Espanha, algumas das mais afetadas. A preocupação dominante consiste em retirar os territórios em questão da situação de periferia em que se encontram e do seu consequente isolamento, dotando-as de uma centralidade esperançosa e proporcionadora das indispensáveis condições infraestruturais, económicas e sociais, requeridas pela respetiva sobrevivência, quiça progresso, para o que as já referidas acessibilidades entre elas são fundamentais e reciprocamente vantajosas.

Em causa a criação de condições para atravessamento dos rios Sever, afluente do Tejo e deste mesmo, permitindo ligar, diretamente as localidades de Montalvão, no nordeste alentejano, de Perais, no sueste da Beira Baixa e de Cedilho, na Província espanhola de Cáceres e através delas as regiões mais vastas dos municípios suprarreferidos e para além destes. Aguarda-se que a cimeira ibérica, a realizar em Valladolid em 21 novembro, clarifique se é intenção dos dois governos em aprovarem e assegurarem o financiamento da designada ponte “Montalvão-Cedilho”, que vem sendo falada há dezenas de anos.

Montalvao Cedillo

Caso tal cimeira seja inconclusiva a tal respeito, ponderaram os autarcas reunidos equacionar as duas alternativas que se apresentam mais vantajosas, por permitirem ligar entre si as três regiões, o que aqueloutra não considera. São elas, a eventual circulação sobre o coroamento da barragem de Cedilho – cuja exploração está concessionada à IBERDROLA -, ou, alternativamente, a construção de ponte atravessando o Tejo a jusante da barragem, permitindo a ligação entre o Alentejo e a Beira Baixa, recuperando assim uma das históricas rotas da transumância. De salientar que a alternativa sobre o coroamento da barragem implica negociar com a respetiva concessionária, à luz das circunstâncias atuais, em que a acessibilidade entre as três grandes regiões adquire importância fundamental no combate ao despovoamento e desertificação das populações vizinhas, a que aquela empresa não será seguramente indiferente, tanto mais que já atualmente é possível a circulação estritamente rodoviária, em metade do coroamento, exclusivamente entre Montalvão e Cedilho, muito embora apenas aos fins-de-semana.

Os autarcas constituíram-se em Comissão de Dinamização dos procedimentos subsequentes à reunião, entre os quais apresentarem nas respetivas assembleias municipais o que de relevante foi tratado na reunião em apreço, que constituiu um marco histórico, ao registar a presença de autarcas de diferentes familias partidárias.

A Comissão de Dinamização

20 de novembro de 2018

Opinião: “A tourada da “Cultura” prossegue em S. Bento e no PS”

Jose Mateus 10462492_10202103566171075_273036253786044150_nAntónio Costa não tem sorte com os seus ministros da Cultura. Primeiro foi o João Soares que não teve tempo de mostrar o bom ministro que seria pois prometeu um par de estalos a uma cara onde sujaria as mãos. Depois, apareceu um inexistente, caído não se sabe de onde. E, agora, arranjou uma dama que gosta de arranjar “touradas” e de perder votos.

A “tourada” criada pela ministra da Cultura prossegue em S. Bento em grande estilo. Era óbvio que o radicalismo ‘culturalmente correcto’ da ministra ia criar o caos político dentro do PS. Costa diz-se “surpreendido”. Não tem razões para isso.

Se há alguém que bem conhece o PS é António Costa e, portanto, facilmente sabia no que iria dar a “loucura”, tipo esquerda identitária e tribalista, um somatório aleatório de minorias, da LGTB aos anti-touradas e outros anti-qualquer-coisa.

Pela primeira vez, o Primeiro-Ministro tem o Grupo Parlamentar do seu PS a assumir uma afronta contra ele e uma decisão política avalizada por ele… Bonita tourada… Bonito serviço, a um ano de eleições.

O jornal i registou o facto:

“O grupo parlamentar do PS decidiu hoje que vai apresentar uma proposta para que o IVA das touradas baixe para os 6% como está previsto para outros espetáculos culturais. “Estou surpreendido, lamento, se fosse deputado votaria contra”, disse Costa, “apanhado de surpresa”.

“As touradas abriram uma polémica entre António Costa e os deputados do PS. O primeiro-ministro admitiu que existe uma “divergência” com o grupo parlamentar.

“Carlos César garantiu que “há uma maioria expressiva de deputados no sentido de incluir a tauromaquia juntamente com as outras valências culturais que diminuirão a sua taxa para 6%, caso dos espetáculos de dança, de teatro e de música nos termos que são constantes na proposta do Governo”.

“Perante esta decisão dos deputados do PS, António Costa garantiu que foi apanhado de surpresa pela decisão dos deputados socialistas e considerou que esta não é uma matéria de consciência.

“É manifesto que há uma divergência entre o grupo parlamentar e o Governo”, afirmou Costa.”

Pois há divergência. Mas ainda bem. Os deputados do PS acabam de fazer duas coisas raras e muito significativas: 1. Mostram que existem, que o PS existe e que tem ligação ao eleitorado e ainda que o seu grupo parlamentar não se reduz a uma câmara de eco. 2. Com este assomo de personalidade, talvez os deputados do PS tenham salvo a maioria absoluta que Costa persegue e que a inteligente da sua ministra da Cultura insiste em aniquilar.

Nos EUA, a dama Clinton chamava “deploráveis” aos eleitores, enquanto por cá, a dama da Cultura lhes chama “bárbaros”. Em termos estritamente políticos, elas é que são deploráveis e bárbaras. E perdedoras, claro.

Esta tourada engendrada pela ministra da Cultura é uma deplorável barbaridade política. Se, apesar disso, Costa conseguir uma maioria absoluta será ao grupo parlamentar do PS que a deverá.

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Costa e PS Perdem Pontos

A ministra criou a “tourada” em final de Outubro, uma semana depois, os trabalhos de campo de uma sondagem revelam que o PS perdeu mais de um ponto percentual, ficou mais longe da maioria absoluta, e Costa baixou na sua popularidade…

Ontem, a ministra dizia-se não fragilizada nem angustiada… Talvez que a sua cultura, além da incompatibilidade com a tourada, tenha também um conflito com a estatística ou a sua fé não lhe permita acreditar em sondagens. Vá-se lá saber… O que se sabe, é que, na relação com o eleitorado e com a Democracia, esta “superioridade cultural” da ministra (a lembrar a “superioridade moral” de Cunhal…) é intolerável, incompatível e uma barbaridade política.

José Mateus

At https://www.facebook.com/

Artigo de opinião: “Mil vezes ser touro bravo”

Sergio Sousa Pinto 894508314ceba662c8de93231f987ccf_400x400As guerras culturais dizem-nos muito menos sobre a cultura do que sobre a guerra. Revelam, nas condições do tempo, a impossibilidade de diálogo, bem conhecida da História, em que uma das partes pretende submeter a outra em nome de uma qualquer superioridade que não admite transacção. As guerras culturais são cruzadas, como o é a causa da “civilização” contra a tourada portuguesa. Não se trata de cultura, uma vez que pouco se fala dela. Fala-se, sim, de resplandecentes posições de princípio, alinhadas com um estádio superior de civilização, que não extingue pura e simplesmente a posição contrária – a tourada e o mundo dos touros – por mero receio da reacção dos bárbaros, uma horda imprevisível. Não há, também, vestígios de tolerância, uma das mais admiráveis conquistas dos povos civilizados: os representantes da civilização superior não suprimem as manifestações culturais bárbaras pro mero pragmatismo, na melhor das hipóteses por condescendência ou prudência reformista; nunca por aceitarem conviver com uma prática de qual discordam, que é a própria definição de tolerância. A guerra cultural é uma guerra de agressão, uma vez que não há simetria entre as partes; uns reclamam o direito de continuarem uma prática ancestral, sem fazerem proselitismo dos valores e das emoções que lhe dão significado; outros, que podiam viver felizes à margem de um universo cultural que lhes causa repulsa, pretendem apropriar-se da lei para perseguir – por enquanto simbolicamente no IVA -, e eventualmente proibir, uma festa cuja sobrevivência ofende a sua particular noção de civilização.

Que a mentalidade descrita prevaleça no BE não é surpresa. Na mundividência do esquerdismo a História é uma acumulação de irracionalidade e opressão, da qual nada se aproveita, nem mesmo o Homem, que deve ser um Homem novo, higienizado da sua natureza e da sua cultura, e assim compatibilizado com a sociedade perfeita, terminal e total.

Que o PS aceite o sectarismo, as simplificações, a santimónia e, no fundo, a eterna aversão à liberdade que são secreções de ideologias mortas, é algo que não tem explicação.

A intolerância contemporânea apresenta-se banhada em beatitude, “o estado permanente de perfeita satisfação e plenitude somente alcançado pelo sábio”, explica o dicionário. Debater para quê? Compreender o quê? Gostavas que te enfiassem farpas no lombo? Para regozijo de uma multidão depravada? O caso está arrumado. O sábio urbano, cujo sentimentalismo varia na proporção inversa da sua cultura, falou.

Talvez a torada esteja condenada. Mais de dois mil anos de tradição de cavalos de combate, tradição equestre nascida do cavalo ibérico, único na agilidade e coragem, que espantou Xenofonte e Estrabão, que combateu os romanos e ao lado deles, nos grandes recontros da antiguidade; cavalaria sem formações rígidas, assente no duelo individual, como na arena. O touro bravo, raça híbrida de extrema agressividade, apareceu naturalmente, favorecido pelas transumâncias, nas planícies semiáridas da península; foi caçado à semelhança dos ursos, veados e javalis, antes de ser adotado pelo homem ibérico, e criado como o mais nobre dos adversários, digno de sobreviver para enfrentar o Homem até ao fim dos tempos, simulando e celebrando, com o cavalo de combate, a tradição milenar do guerreiro ibérico. Tudo isto vale zero, diz o sábio urbano educado pela internet, que tem um cão em cativeiro no sétimo andar, chamado Gaspar e que vai à rua urinar com um impermeável escocês, derreado pela displasia da anca. E talvez valha. Nunca saberemos a opinião do Gaspar, mas podemos adivinhar. Mil vezes ser touro bravo.

Sérgio Sousa Pinto

At https://expresso.sapo.pt/

Artigo de opinião: “Olhe que sim, dr. Costa, a tauromaquia é cultura civilizacional”

Luis Capucha 1303434Se o primeiro-ministro crê que a questão das touradas é de civilização, então temos motivos para nos preocuparmos seriamente. Porque ele alinha com as seitas fundamentalistas que promovem a ideia de que não existem diferenças entre homens e animais sencientes não humanos.

O primeiro-ministro António Costa resolveu sair a terreno para defender a sua ministra da Cultura, um quadro da sua entourage (vulgo, uma girl), no caso do ataque à tauromaquia com pretexto da taxa do IVA. Parece esperar o fim da polémica após a sua intervenção numa arrogante resposta a Manuel Alegre. Mas só lançou gasolina para a fogueira.

Já circulam na Net as fotos do António Costa presidente da Câmara de Lisboa, satisfeito da vida a exultar com uma corrida de toiros no Campo Pequeno e a abraçar efusivamente o Cabo do Grupo de Forcados Amadores da Cidade em plena arena.

O que o fez mudar tanto de ideias em tão pouco tempo? O “negócio” com o PAN, que hoje todos aplaudiríamos se fosse destinado a aumentar o Orçamento para os canis e os gatis, mas que infelizmente instrumentaliza o governo para uma “canelada” política na tauromaquia, o que sempre dá mais visibilidade, tão necessária quando se aproximam eleições. Puro oportunismo político, portanto. A taxa do IVA é apenas um pretexto.

Arrogante é um adjectivo suave para classificar a atitude de um primeiro-ministro que julga poder pronunciar-se sobre uma questão que envolve o regime democrático e os valores civilizacionais (nada menos do que isto, é ele mesmo que o assume) no “sossego de uma viagem até Berlim”. É tudo o que tem para dar ao debate sobre a civilização? É deprimente!

O oportunismo político assente num cálculo errado a respeito das simpatias dos portugueses é mascarado, no artigo publicado no PÚBLICO hoje, dia 11 de Novembro, com argumentos alinhavados à pressa por António Costa no avião para Berlim para parecerem uma opinião, padrão de gosto e sensibilidade pessoal, atributos legítimos para exibição pelo cidadão António Costa, mas que não devem em caso algum guiar acção e o discurso de um primeiro-ministro. Tais argumentos rodam em torno de dois erros: em primeiro lugar, a costumeira e banalíssima mistificação da questão animal; em segundo lugar, o não menos comum preconceito no modo de olhar a alteridade e a identidade cultural de milhões de portugueses que gostam de toiros, a incapacidade para tentar perceber a sua perspectiva, e a intolerância face a mundovisões diferentes da sua.

Sobre a questão animal, há um tópico indiscutível: houve uma alteração ao Código Civil que torna os animais sencientes distintos, à face da Lei, das outras coisas. Lei essa que não os equipara aos seres humanos. Não há controvérsia sobre esse novo estatuto e a sua evocação por A. Costa só pode ser lida como poeira para os olhos.

Mas a ideia viciosa de que podemos equiparar os animais não humanos às pessoas emerge por todo o lado no artigo. É pura mistificação e, na essência, um apelo populista às pessoas que confundem a luta contra as touradas com a luta pela defesa do bem-estar animal. A luta pelo bem-estar animal é uma responsabilidade das pessoas de bem. A luta contra as touradas é uma luta contra a liberdade e a democracia cultural. É essa mistificação que o leva a evocar a pornografia como exemplo da diversidade dos espectáculos culturais e, logo, do modo como o Estado os deve tratar. O tratamento penalizador das touradas seria, pois, do mesmo tipo do combate à pornografia. Se isto não é um insulto reles, o que é? Mas a coisa é pior. A razão da discriminação das touradas é o modo como são tratados os animais que nela intervêm. E no caso da pornografia? Está a comparar as pessoas que são exploradas nas indústrias do sexo, a animais?

Se o primeiro-ministro crê que a questão das touradas é de civilização, então temos motivos para nos preocuparmos seriamente. Porque ele alinha com as seitas fundamentalistas que promovem a ideia de que não existem diferenças entre homens e animais sencientes não humanos.

Só há duas maneiras de promover a igualdade entre homens e animais: ou promovendo os animais à condição humana, o que tem acontecido no plano simbólico (desde La Fontaine às indústrias Disney), ou fazendo descer os homens à condição animal. O problema com a primeira via é que há pessoas que confundem as metáforas com a realidade, caindo na situação perversa de humanizar os animais, isto é, violentar a sua natureza, que não conhecem nem compreendem. O problema com a segunda é que representaria o fim de qualquer civilização, situação que a história já conheceu. Não me canso de lembrar que as primeiras leis de protecção dos animais foram produzidas pelo governo nazi, o mesmo que é responsável por uma das (se não a) mais violenta e trágica descida da humanidade a um estado de selvajaria.

Além disso, o texto do senhor primeiro-ministro é demagógico. É falso afirmar, no contexto português e face às controvérsias em curso no nosso país, que uma opção civilizacional não implica desqualificar os oponentes. Que oponentes? Os aficionados são oponentes da nossa civilização? É chocante essa afirmação na boca de uma girl do Primeiro, mas soa a obscenidade na boca dele próprio. E sim, Manuel Alegre tem razão: todos os populismos começam com a criação de uma clivagem entre um “nós”, os bons, e um “eles”, os maus, os perversos, os menosprezáveis, os inimigos. Contra os quais a sociedade deve ser avisada pelo Estado, como o é sobre o consumo de sal ou açúcar. Ridículo! Já viu bem onde se está a meter, António Costa?

O segundo vetor consiste na forma ultrajante, grosseira e agressiva como classifica, explícita ou implicitamente, os aficionados à Festa de Toiros. Diz A. Costa que é preciso “… respeitar as pessoas que, como eu, rejeitam a tourada como manifestação de uma cultura violenta ou de desfrute do sofrimento animal”. É o que sempre fizeram os aficionados. Mas, não estará a confundir “cultura violenta” com cultura de controlo da violência? Não são as touradas institucionais de hoje o resultado do “processo civilizacional” da relação milenar entre homens e toiros? Tem algum sinal, a mínima evidência, que lhe permita sustentar a ideia de que as comunidades taurinas são mais violentas do que aquelas com que convive nas mesmas sociedades? Já alguma vez procurou ouvir e respeitar o que dizem os aficionados sobre o modo como vivem o ritual da Corrida de Toiros e o que sentem perante a arte praticada enfrentando esse animal excepcional que é o Toiro de Lide? O que o anima na sua saga antitaurina é, senhor primeiro-ministro, o puro preconceito.

António Costa rejeita a tourada e acha chocante a sua transmissão televisiva (embora não pense proibi-la, para já). Mas não ficaria preocupado se ela se confinasse aos municípios que decidissem mantê-la. Há uma dupla hipocrisia na ideia. Por um lado, acha que os toiros podem ter tratamento diferenciado consoante os municípios. Por outro lado, porque já sabe que os municípios com actividades taurinas, a maioria deles de gestão socialista ou comunista, conseguiram impedir a descentralização nesse domínio. Mas seja consequente. Proponha-lhes a “municipalização” da regulação dos espectáculos tauromáquicos, mas com total liberdade, isto é, após a anulação da lei que proíbe as corridas integrais (isto é, com toiros de morte), as que respeitam verdadeiramente o toiro e a verdade que a tauromaquia encerra. Tem coragem para isso, ou teme que a Festa ganhe no nosso país a pujança que tem em França?

Em conclusão, senhor primeiro-ministro, não resolveu o problema da sua girl, apenas se colocou a si próprio em equação. A questão que agora se colocam todos os aficionados, de direita, de centro e de esquerda, é se uma pessoa que pensa como o sr. servirá mesmo para primeiro-ministro dos portugueses? Não ficaria a aliança das esquerdas melhor servida com um primeiro-ministro que fizesse o que diz (ser avesso a grandes mutações civilizacionais) e se mostrasse menos dado a compromissos com partidos veganos que contestam todas as bases da nossa civilização?

Luís Capucha

Sociólogo, docente no ISCTE-IUL e Investigador no CIES-IUL; presidente da Associação de Tertúlias Tauromáquicas de Portugal

At https://www.publico.pt/

Opinião: “Carta aberta a António Costa”

Manuel Alegre 813619É chegada a hora de enfrentar cultural e civicamente o fanatismo do politicamente correcto.

Antes mesmo de ele existir, já eu apoiava este Governo que tem vindo a espantar o diabo tantas vezes anunciado. Portugal, apesar das dificuldades, é hoje uma boa excepção, numa Europa e num Mundo marcados por um processo de desconsolidação da Democracia e pela emergência de várias formas de populismo. Os partidos tradicionais estão em decadência, alguns em vias de desaparecimento. E a revolta popular contra o sistema já não está do lado da esquerda, passou para a direita, estimulada e manipulada pela hegemonia do poder financeiro global.

Devíamos estar atentos. Mas às vezes a euforia conduz à distracção. Eu, por exemplo, vivo uma situação paradoxal. Apoio esta solução governativa, o PS está no poder e, no entanto, por vezes sinto a minha liberdade pessoal ameaçada. Não por causa do que se passa no Mundo. Mas porque o diabo esconde-se nos detalhes. Está no fundamentalismo do politicamente correcto, na tentação de interferir nos gostos e comportamentos das pessoas, no protagonismo de alguns deputados e governantes que ninguém mandatou para reordenarem ou desordenarem a nossa civilização.

deputado do PAN foi legitimamente eleito. Com pouco votos, mas foi. Tem o direito de defender as suas opiniões. Mas não pode virar o país do avesso, com a cumplicidade dos fundamentalistas de outros partidos (com a honrosa excepção do PCP) e o calculismo dos que pensam que, em certas circunstâncias, o voto dele pode ser útil para a maioria. Uma espécie de um novo deputado “limiano”, salvo o devido respeito. O facto é que um deputado, um só, traz milhares de portugueses inquietos. Isto não é normal nem saudável numa Democracia pluralista. De modo que é chegada a hora de enfrentar cultural e civicamente o fanatismo do politicamente correcto. É uma questão de liberdade. Liberdade para não gostar de touradas. Mas liberdade para gostar. Liberdade para não gostar da caça. Mas liberdade para gostar. Algo que não se pode decidir por decreto nem por decisões impostas por maiorias tácticas e conjunturais, Não é democrático. Para mim, que sou um velho resistente, cheira a totalitarismo. E não aceito.

Por isso, meu caro António Costa, peço-lhe que intervenha a favor de valores essenciais do PS: o pluralismo, a tolerância, o respeito pela opinião do outro. Peço-lhe que interceda pela descida de 6% do IVA para todos os espectáculos, sem discriminar a tauromaquia, já que os prejudicados serão os mais pobres, os trabalhadores que tornam possível este espectáculo. Peço-lhe que se oponha à proposta do PAN para alterar a Lei 92/95, que vem comprometer várias actividades do mundo da caça, como provas de Santo Huberto, largadas cinegéticas e cetraria – Património Mundial da Humanidade. A alteração da referida Lei provocará danos irreversíveis em muitas associações e clubes de caçadores, clubes de tiro desportivo, campos de treino e caça. Estão em causa centenas de postos de trabalho e elevadas perdas económicas para o País, sobretudo para aquelas regiões onde a empregabilidade e a actividade económica estão quase exclusivamente ligadas à caça. Sim, meu caro António Costa, trata-se de uma tradição cultural e social que é parte integrante da nossa civilização. É, também, um problema que diz respeito ao emprego e à vida de milhares de pessoas. E é, sobretudo, uma questão de liberdade, que sempre foi a essência e a alma do Partido Socialista.

Manuel Alegre

Militante histórico do PS; escritor

At https://www.publico.pt/

Mais 40 empregos para Vila Velha de Ródão

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Em 10 anos foram criados 500 postos de trabalho no concelho…

O primeiro-ministro, António Costa e o ministro-adjunto e da Economia, Pedro Siza Vieira, presidiram à inauguração da Roclayer, uma nova unidade industrial dedicada à produção de soluções protetoras para a conceção de embalagens e complexos revestidos.

A empresa produz compostos especiais, essencialmente à base de papel e outras matérias renováveis, que visam criar a proteção e barreira necessárias para garantir a qualidade dos produtos embalados.
Simão Rocha, proprietário desta nova unidade, voltou assim a Vila Velha de Ródão depois de ter sido o impulsionador da fábrica de papel tissue, também ali instalada. Cabe a esta nova unidade, entre outros aspetos, “produzir produtos que ainda não foram inventados, reduzir a utilização dos plásticos e utilizar mais papel como barreira de proteção de produtos”, descreveu o proprietário. Esta nova unidade industrial vai, para já, criar 40 postos de trabalho, num investimento que rondou os 25 milhões de euros, em terrenos cedidos pela autarquia.

Os investimentos feitos e empregos criados em dez anos foram o mote para Luís Pereira, presidente da Câmara Municipal de Vila Velha de Ródão, destacar o papel da autarquia que “percebeu a importância destes investimentos para o desenvolvimento do concelho e da região”. Com recurso, essencialmente a capitais próprios, “em dez anos conseguimos atrair 500 postos de trabalho para o concelho. Nos últimos quatro temos investimento privado de mais 200 milhões de euros, ou seja 50 mil euros de investimento privado/habitante”, sublinhou o autarca.

O aumento de 9% do investimento privado no país, em 2017, foi um dos aspetos realçados pelo primeiro-ministro, António Costa, adiantando que, com a reprogramação do Portugal 2020 há mais cinco mil milhões de euros “nos próximos anos para que possam continuar a investir”, numa ação que destacará o interior, já que “desses 5 mil milhões, 1700 milhões só podem ser utilizados por empresas que invistam no interior”, disse. António Costa confirmou assim que esta zona do país “é um enorme desafio que temos” e “um enorme potencial que o país tem e que está por aproveitar”.

Nesta cerimónia participou igualmente o ministro-adjunto e da Economia Pedro Siza Vieira. No seu primeiro discurso enquanto titular desta pasta aproveitou para falar da importância que este governo tem dado à valorização do interior, majorando as candidaturas do setor privado que aqui investe. “Conseguimos que 1800 milhões de euros se localizassem no interior. E porque essa aposta tem sido correspondida pelo setor privado decidimos, na reprogramação do Portugal 2020, dedicar apenas ao interior sistemas de incentivos que permitirão apoiar mais 1700 milhões de euros até ao final deste quadro Europeu”, vincou.

At http://www.radiocondestavel.pt/

O Interior é “enorme oportunidade que está por explorar”

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O primeiro-ministro discursava no final de uma visita à Coficab, em Vale de Estrela, Guarda, onde assistiu ao lançamento de um projeto de investimento avaliado em 38,1 milhões.

O primeiro-ministro, António Costa, considerou hoje na Guarda que o Interior do país “não é um fardo” nem um problema, mas antes a “enorme oportunidade que está por explorar”.

“Quando no Interior tivermos tanto crescimento como aquele que temos no Litoral, o país terá duplicado a sua capacidade de crescer. E essa é a oportunidade que nós temos”, disse António Costa.

O primeiro-ministro discursava no final de uma visita à empresa Coficab, em Vale de Estrela, Guarda, onde assistiu ao lançamento de um projeto de investimento avaliado em 38,1 milhões de euros.

“E, por isso, eu digo que o Interior não é um fardo, o Interior não é um problema. O Interior, pelo contrário, é a enorme oportunidade que está por explorar. E é essa exploração que nós temos que fazer e que temos que agarrar e que temos agora a oportunidade de fazer”, rematou.

No seu discurso, referiu que olhando para o mapa nacional, a realidade diz “que o enorme potencial que o país tem por aproveitar, que não tem aproveitado ao longo de décadas, é precisamente” o Interior.

“E, portanto, se queremos crescer, é toda esta faixa que vem desde o barrocal algarvio até à fronteira de Trás-os-Montes com a Espanha, que nós temos de ser capazes de mobilizar, de valorizar, e ajudar a fazer o país crescer, assumiu.

No entanto, segundo o líder do Governo, “para fazer não basta falar, não basta ter um secretário de Estado para a Valorização do Interior”.

“É preciso termos políticas concretas e integradas que permitam essa valorização do Interior”, rematou.

António Costa lembrou ainda que o Governo que lidera procedeu à reabertura de mais de 20 tribunais que tinham sido encerrados, à criação de Lojas do Cidadão no Interior e já procedeu a “uma primeira intervenção nas portagens”.

Disse ainda que o grande investimento que está atualmente a ser feito na ferrovia é na Linha da Beira Alta e na Linha da Beira Baixa, também no Interior do país.

Segundo António Costa, apoiar as empresas, a internacionalização, a valorização do Interior e a inovação, significa “mais empresas” e “mais emprego”.

O primeiro-ministro presidiu hoje na Guarda à assinatura de um contrato de incentivos fiscais ao projeto de investimento da fábrica Coficab.

Com o desenvolvimento deste projeto, segundo o executivo – em que a empresa beneficiará de um crédito fiscal em sede de IRC de 20% e isenção em sede do Imposto do Selo até ao montante máximo de 5,7 milhões de euros – serão criados mais 129 postos de trabalho até 31 de dezembro de 2022, bem como se garante a manutenção dos atuais 492 empregos.
Na sessão, Hichem Elloumi, presidente do Grupo Coficab disse que “a Guarda é muito especial” para a empresa e assumiu que, com o investimento a realizar, “o futuro da indústria automóvel é escrito na Guarda”.

O ministro da Adjunto e da Economia, Pedro Siza Vieira observou que a unidade fabril “é líder mundial no setor em que trabalha”.

A comitiva do primeiro-ministro foi recebida com um protesto da FENPROF, com os manifestantes a gritarem palavras de ordem e a empunharem cartazes com mensagens como “O tempo de serviço não se negoceia – conta-se” e “Basta de desvalorização! Professores exigem respeito”.

At https://beira.pt/

Artigo de opinião: “Desde el Tajo Internacional”

Lara Galrito 23319172_10155761601977969_6628823234062451189_nAyer inauguramos la residencia de mayores en Carbajo, un municipio de la provincia de Cáceres, en la Sierra de San Pedro, gracias al esfuerzo y dedicación de su alcaldesa, Agustina. Este trabajo incansable en tantos y tantos pueblos en nuestra región es lo que los mantiene vivos, creciendo. Desde esta raya, desde este rincón, la metáfora de la construcción se hace más visible y real que nunca.

En Cedillo, en el punto más al oeste de Extremadura, al lado de mi pueblo Santiago de Alcántara, vivíamos y allí celebré mi primer Día de Extremadura; los más pequeños, que éramos nosotros de dos a tres años, bailamos y cantamos con el traje tradicional extremeño canciones en portugués, O vira, por ejemplo, y los más mayores, Another Brick in the Wall de Pink Floyd. Finalizamos con el himno de Extremadura, pero creedme que durante mucho tiempo, años, estuve pensando que Pink Floyd formaba parte del folclore extremeño. Internacionalista y multilingüe así fue. Ahora sé que ese día fue una verdadera declaración de intenciones y aquellos valores de entonces los llevo hoy grabados en la piel. En una comarca donde convivimos pueblos de la provincia de Cáceres y Badajoz, donde la frontera con Portugal para nosotros es solo agua, acabábamos de entrar en la Unión Europea y ya no queríamos más muros, más separaciones, más desigualdad, sabíamos que la unión hace la fuerza y teníamos claro que la educación debía ser la red que tejiese y enriqueciese la región.

En 2012, hace seis años, fui como ponente a Lleida a un congreso internacional, Perverse Identities. Identities in conflict, mi comunicación se titulaba Cuando el saber se llama red o dime con quien andas y te diré como whattsappeas. La universidad estaba rodeada de esteladas y de mensajes pidiendo independencia y pensé: ¡Qué atraso hablar ahora de fronteras! ¡Eso era el siglo XIX! A mí, como una milenial más, me preocupaba e investigaba sobre las identidades en el mundo en el que cohabitábamos, que no era otro que el se prolonga más allá de las pantallas.

Tengo el convencimiento de que nuestra verdadera patria es el tiempo en el que vivimos y supe, en ese instante, que vosotros nos habíais preparado para construir el futuro. Me sentí profundamente orgullosa de Extremadura.

Este año celebramos el 35 aniversario de la Asamblea de Extremadura, los 35 años de mayor estabilidad de nuestra región, la etapa donde se elaboraron los pilares fundamentales de la sociedad del bienestar: la educación, la sanidad, los servicios sociales, las infraestructuras, las comunicaciones y todo atendiendo por igual a las zonas rurales y urbanas. La clave era crear cohesión.

Hoy la realidad, y gracias al fruto del trabajo de los extremeños y extremeñas, es muy distinta y los retos también lo son. Según la Comisión Europea en 2020 quedarán desiertas más de 750.000 empleos en áreas científico-técnicas. La robotización o el cambio del modelo energético supondrán profundos cambios en lo que conocemos hasta hoy.

Conseguir la plena igualdad real entre hombre y mujeres, hacer de nuestro patrimonio natural un motor económico y situar a la educación como piedra angular y garantía de la igualdad de oportunidades, la generación de ideas y desarrollo para una seguir haciendo de nuestra tierra una sociedad moderna, dinámica e igualitaria, donde el bienestar social y la calidad de vida sean los parámetros para reconocer nuestra riqueza.

Hoy podemos decirle al mundo entero que estamos listos, como siempre lo hemos estado, para demostrar lo que somos y estamos dispuestos a hacer para seguir sumando, pero, sobre todo, para querer que nuestra región sea el destino de oportunidades, que todo ese talento generado por el esfuerzo de padres y madres, instituciones, y la sociedad extremeña, no tenga que marcharse o que aquellos que nos miran de lejos, se acerquen de una vez por todas.

Cuando en un pueblo se abre algo, cuando crece, crecemos todos.

Lara Garlito

At https://www.elperiodicoextremadura.com/

Plataforma da A23 e A25 critica ausência de propostas no OE 2019 sobre portagens

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A plataforma queixa-se que a abolição e ou redução do preço das portagens não constam da proposta de Lei do Orçamento do Estado, aparecendo apenas no documento designado “Relatório do OE”.

A Plataforma Pela Reposição das Scut na A23 e A25 lamentou esta quinta-feira que o Orçamento do Estado para 2019 apresente “uma mão cheia de nada” face às portagens, uma “falta de respeito pelas populações do Interior”.

“A Plataforma Pela Reposição das SCUT na A23 e na A25 procedeu a uma primeira análise ao Orçamento do Estado para 2019 e constatou que no que concerne a portagens temos uma ‘mão cheia de nada'”, refere a Plataforma, em comunicado.

Adianta que, ao contrário de outras medidas para as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto e uma ou outra “medida desgarrada e insuficiente” para o Interior, a abolição e ou redução do preço das portagens não constam da proposta de Lei do Orçamento do Estado, aparecendo apenas no documento designado “Relatório do OE”.

“Ainda assim, limita-se a dizer que no decorrer de 2019 se verificará a redução para os veículos de transporte de mercadorias, não dizendo, nem quando, nem como se vai processar essa redução e deixando de fora dessa redução os trabalhadores e a população em geral”, lê-se no documento.

A Plataforma regista como “negativo e falta de respeito pelas populações e empresas do Interior” o facto de as portagens não constarem da versão do OE entregue na Assembleia da República.

Face à análise feita, a Plataforma decidiu desenvolver, com caráter de urgência, algumas medidas, onde se incluem pedidos de audiência ao ministro do Planeamento e Infraestruturas, ministro-Adjunto e da Economia e à Comissão Parlamentar de Economia, Inovação e Obras Públicas.

Vão ainda reafirmar o pedido de audiência ao Presidente da República e elaborar e publicar uma carta aberta ao primeiro-ministro, que vai ser subscrita por várias personalidades da vida pública do Interior.

“A Plataforma reafirma que sempre que o primeiro-ministro, o ministro do Planeamento e Infraestruturas ou o Presidente a República se desloquem aos distritos de Castelo Branco e da Guarda se fará representar com uma delegação, preparada para manifestar o seu desagrado, conforme as circunstâncias, estando ainda sempre em agenda a realização de ações públicas nestes distritos ou fora deles”, concluem.

At https://expresso.sapo.pt/