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Opinião: “Ditadores de consciência”

NunoMeloHá um certo mundo urbano, maior em gente, que se esforça por tentar impor padrões a quem insiste encontrar sentido no campo, maior em território. O mundo rural não impõe nada. Vive livre. Mas depois de forçado a aceitar a supressão de serviços públicos essenciais, apesar dos impostos que também paga, vê igualmente questionado um modo de vida feito de hábitos ancestrais, tratados como bárbaros e à margem da civilização, por gente que tenta definir regras sobre o que não tem como compreender, porque simplesmente desconhece, enquanto dá palpites sobre o problema da desertificação do interior.

No campo usam-se cães na caça e animais no trabalho, que quem os tem estima, porque fazem parte do seu dia e ajudam ao seu sustento. No campo caça-se. Foi sempre assim. Mas o PAN e o BE querem proibir o uso de animais na caça e a prazo a própria caça, sem perceberem que haja quem se alimente do que captura. Nessa Esquerda, não falta quem se julgue num estado superior de humanidade e se dê ares de superioridade, porque come a carne de animais criados sem ver a luz, carregados de hormonas de crescimento e antibióticos, transportados disciplinadamente para matadouros e abatidos por terceiros, para que se lhes apazigue a consciência. Julgam os outros enquanto mantêm cães de porte, de guarda, pastoreio ou caça em apartamentos exíguos, na crença tonta de que mais felizes, do que livres em quintas, montes e herdades, a fazer rigorosamente aquilo para que foram concebidos. Basicamente, não têm noção. E sob pretexto de apregoada bondade, funcionam como ditadores de consciência.

A caça existe desde que o homem é homem. Cria riqueza e postos de trabalho. Ajuda ao ordenamento do território e assegura a biodiversidade. É por causa dela, pelo retorno económico e social que garante, que se lavra, semeia e criam pontos de água, onde a agricultura daria pouco mais do que prejuízo. Sem este esforço, na maior parte do território já não existiriam coelhos, nem perdizes, na base da cadeia alimentar de predadores tão raros como o lince ou a águia perdigueira. Mas no PAN e no BE acredita-se que as espécies se sustentam com lirismo. E nessa medida, fazem muito menos pela preservação dos animais em estado selvagem do que aqueles que atacam com preconceito e acusam de maus-tratos.

A propósito e para que conste, falar de campo e de um certo mundo urbano é tratar de mentalidades. Felizmente, também há muito campo na cidade.

Nuno Melo

At http://www.jn.pt/opiniao/

Opinião: “Milagre I”

Ester 12063310_10208008284833749_2693532619088314756_nGosto de corridas de toiros porque têm personalidade, arte, são belas e unem as pessoas. E é só isto que importa. O maior dos erros começa quando se separa a inteligência da liberdade no que diz respeito aos gostos de cada um, às paixões por alguma coisa. A independência continua muito interligada a preconceitos quando falamos de convicções.

Ainda gosto mais das pessoas que não têm problemas em assumir que também gostam de toiros, sem vergonha ou medo de reacções menos positivas, com a coragem de o dizer e defender, mostrando a sua afición, se assim lhes apetecer – será sempre este o princípio do futuro. Mesmo que aos outros, os que não concordam com as suas opiniões, lhe pareçam desagradáveis.

Isto a propósito da última Feria del Toro de Olivenza, que aconteceu no início deste mês, e onde foi apresentado um cartaz enorme com figuras importantes de várias áreas, desde o mundo artístico, intelectual, político, social, e no qual estas personalidades assumem, publicamente, o seu apoio à Festa.

E desde sempre, nas mais variadas áreas, gente houve que, como eu, como todos os que estão a ler esta crónica (espero), manifestaram o seu gosto pelos toiros publicamente.

Destaco, a propósito da sua paixão pelos toiros, Federico García Lorca: “El toreo es probablemente la riqueza poética y vital de España, increíblemente desaprovechada por los escritores y artistas, debido principalmente a una falsa educación pedagógica que nos han dado y que hemos sido los hombres de mi generación los primeros en rechazar. Creo que los toros es la fiesta más culta que hay en el mundo.”; E Hemingway: “El cielo sería para mí una plaza de toros con dos entradas vitalicias y un río de truchas al lado”.

Queria tanto ter sido eu a escrever estas palavras…

Assim de repente, lembro-me de mais umas quantas figuras internacionais: Alejandro Sanz, Dalí, Picasso, Iker Casillas, Pedro Almodovar, Carmen Sevilla, Feliciano López, Fonsi Nieto, Juan Carlos I, Infanta Elena, Mario Vargas Llosa, Madonna, Rosario Flores, Gabriel Garcia Márquez, Antonio Banderas, José Marcé, Duquesa de Alba, e muitos, muitos mais. E quem não viu os famosos Capotazos do Sergio Ramos em pleno estádio cada vez que o Real Madrid ganha?

A importância de “dar a cara” e ter como apoiantes figuras públicas é o exemplo vivo do que significa “não ter medo” em assumir uma convicção, uma paixão.

Não querendo ser lírica, idealista ou de alguma forma sindicalista, acredito nas pessoas, e mais, no que conseguem fazer quando se juntam. E bem sei que existem interesses, divisões, conflitos, mas, se pensarmos bem, concluímos facilmente que são problemas transversais a qualquer área de negócio, seja ela cultural, desportiva ou artística!

Outro lado interessante da festa, e nada desprezível, é a economia gerada pelo universo taurino, começando na criação do toiro bravo, passando pelos cavalos e tudo o que gira em seu redor, até chegar aos artistas. Para que cada espectáculo taurino aconteça existem inúmeros postos de trabalho assegurados, desde as bilheteiras, ao comércio directo, etc., ou seja, estamos a falar de um sem número de transacções que muito contam como geradoras de receitas.

E fico muito feliz ao ver que a Tauromaquia está a modernizar-se na forma de abordagem e divulgação da Festa. Tome-se como exemplo o vídeo de divulgação da Feria de Sevilla, cujo protagonista é Morante de La Puebla. Por cá também já se fazem coisas giras, como foi o Bullfest ou a apresentação dos cartéis e da nova temporada do Campo Pequeno. Formas diferentes e inovadoras de promover a Festa, plataformas recém-criadas cujo mérito e ousadia são inquestionáveis.

Quando queremos identificar a nossa cultura com uma simbologia que não nos divida, como sejam as diferenças na ideologia religiosa, política ou até mesmo desportiva, a Tauromaquia parece-me ser um dos únicos conceitos sociológicos que une Portugueses, Espanhóis, Franceses, Mexicanos, Colombianos etc. E é possível contornar ameaças e tempos menos favoráveis, veja-se o exemplo de Bogotá, que conseguiu que os toiros ali regressassem este ano, após um interregno de uns anos.

Nos toiros não importam fidalguias, direitas ou esquerdas, idades, pois a paixão é comum e estamos unidos por ela. E como taurinos que somos, temos de gritar sempre e de pulmões cheios: “Oleeeeeeeeeee!”

Quando os taurinos se unem, milagres acontecem.

Ester Tereno

At http://www.solesombra.net/

TV “impede” corrida de touros em Alpalhão

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Apesar de algumas informações que davam conta do chumbo da Praça de Touros de Alpalhão numa vistoria, a Junta de Freguesia de Alpalhão informou-nos esta quarta-feira, que tal não corresponde há verdade, negando que seja essa a causa da não realização da corrida de domingo de Páscoa, conforme obrigava o caderno de encargos de adjudicação da praça.

Segundo a Junta de Freguesia, proprietária do taurodromo, “apesar de ter o pedido de vistoria efetuado junto do IGAC desde 17 de fevereiro 2017 a mesma ainda não foi inspecionada, pelo que a informação que corre não corresponde à verdade”.

A Junta acrescenta ainda que “no final da semana passada  o IGAC informou-nos que já tinha transmitido indicações ao delegado Municipal do IGAC para convocar os elementos necessários para a realização da inspeção periódica.”

Já sobre a não realização da corrida de Domingo de Páscoa, espetáculo que constava no caderno de encargos, a Junta informa que foi “o responsável pela empresa Sociedade Agropecuária das Campinas e Campos, Unip Lda [José Luis Gomes] que comunicou por escrito a esta Freguesia que não iria realizar o referido evento por neste mesmo dia estar a TVI  com o programa “Somos Portugal” que por ser um programa muito “popular faz uma grande e direta concorrência a um espetáculo tauromáquico”.

At http://toureio.pt/

A Tauromaquia é “Património Cultural e Imaterial de Interesse Municipal” no concelho de Nisa.