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Artigo de opinião: “Bateu certo”

Marco AntónioEntrámos num novo ciclo. O Partido Socialista e os dissidentes do PPD/PSD e do PP/CDS são os grandes vencedores destas eleições, estes últimos porque se conseguem eleger por instituições próprias. Sim, é preciso ter em atenção que os recentes partidos de direita (não de extrema) Iniciativa liberal, Chega e Aliança, juntos, tiveram mais votos que o PAN. Estes que cantam uma vitória com 4 deputados em 230, completamente absurda. Também com a ajuda dos do costume.

Resultante de uma estratégia correcta, ou não fosse António Costa o comandante, o PS teve a maioria que se esperava, com a vitória nas eleições, algo que não ocorreu há 4 anos. Uma vitória sólida que, ainda assim, afasta a possibilidade de (co)ligação ao PAN, para o bem comum dos mortais.

A maior vitória percentual volta a ser para o distrito de Portalegre, dando seguimento à aposta que tem vindo a ser feita pela Federação do PS na imagem dos Presidentes de Câmara, em detrimento dos Presidentes de Concelhia. Ricardo Pinheiro foi extraordinariamente bem escolhido para este combate, e a sua eleição é mais do que justa. Júlio Miranda Calha deixa de ter a bandeira de ser o Deputado mais antigo da nação presente na Assembleia da República, e perde-se também a presença já habitual de Heloísa Apolónia pelos Verdes, e ao lado do Partido Comunista.

Rui Rio tem razão no que diz nas suas reacções, disparando para o sítio certo. O partido ou se quer social democrata, ou os militantes terão que procurar um dos novos partidos liberais de direita, ou mudam finalmente o nome do partido. Santana Lopes estatelou-se ao comprido, aguardando-se por isso, e com expectativa, a tendência das políticas dos próximos anos.

Entretanto, todos sabemos que os velhacos do Bloco de Esquerda “dão o cú e 8 tostões” para terem protagonismo, enquanto Jerónimo de Sousa quer culpar a “Geringonça” pelos resultados obtidos, não compreendendo que ele, sim, é que já está a mais.

A arrogância e prepotência do PP/CDS, mais concretamente da sua presidente (e tanta gente boa que lá tem), resultou no que se viu, o que terá levado também à saída prévia de alguns dos seus grandes seguidores, veja-se o resultado de Pedro Pinto em Beja e do mesmo Chega no distrito de Portalegre, o partido da ruptura com o sistema, à frente do PAN. E que se saiba, o único partido assumidamente de extrema-direita em Portugal é o PNR, que teve menos de metade dos votos do PCTP/MRPP a nível nacional. E, já agora, para que é que serve o Partido Trabalhista?

Vamos esperar um bom mandato, comandado por um partido que pede dirigentes que conheçam a sua história (ou, senão, sejam corridos) e tenham humildade para reconhecer quem lhes deu, instituições e militantes, e dá força, e que seja dada a devida dignidade a quem trabalha. Chega de aumentos de salários mínimos, em prejuízo do aumento dos salários médios, também da classe média. O foco deverá ser nos trabalhadores. É o que se pede a um partido de esquerda.

Partem daqui os votos de um excelente mandato para o Luís Testa e o Ricardo Pinheiro, que garantidamente irão estar na defesa dos interesses do distrito, esse que quer rapidamente o Pisão e um acesso rodoviário e ferroviário digno à sua capital. Isso será o mínimo.

Marco Oliveira

At https://www.linhasdeelvas.pt/

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Artigo de opinião: “Elvas vs Badajoz”

Diogo lvg3uetS_400x400.jpgCerca de 1890, mais coisa menos coisa, Badajoz tinha mais 3 mil habitantes do que Elvas. Hoje, em 2019, Elvas tem cerca de 18 mil habitantes e Badajoz tem 150 mil habitantes.

Duas realidades bem diferentes, lado a lado, separadas apenas pela fronteira entre os dois países. Duas apostas totalmente diferentes de políticas públicas e de visão de território. Duas cidades do interior. Aliás, Badajoz é hoje uma potência em crescimento. De investimentos realizados, lá até se sonha com uma futura Disneyland.

No fundo, temos do lado de lá da fronteira, uma terra que está mais longe de Madrid do que de Lisboa. Uma terra longe, bem longe do litoral. Mas é o espelho de opções políticas e económicas acertadas, por comparação com um interior de Portugal isolado e abandonado. Medi bem as palavras. Portugal tem um interior abandonado. Tirando os resistentes que por lá vivem, que por lá investem e que por lá ainda resistem, Portugal é hoje um país assimétrico e sem visão de território. Um país pequeno, que somos, contudo macrocéfalo e desnivelado para o litoral. Com esta dimensão e com um abandono total de uma visão integrada para o território, que lhe permita reduzir a perigosa assimetria, que desde os anos 60 do século passado se construiu. Se está a ler este artigo pergunto. Já foi a Portalegre? A Fronteira? À Covilhã? A Boticas? É extraordinário, apesar de tudo, o trabalho de muitos dos nossos autarcas. E até de empresários. Como é fantástico que, em Boticas, por exemplo, exista uma empresa de concepção de redes de pesca, que garante emprego e forte dinamismo económico. Bons, mas, infelizmente, raros exemplos.

Todavia vamos ser claros, para que não restem dúvidas, por melhor que seja o trabalho das Câmaras Municipais e de algumas empresas, isso não chega. Não há desenvolvimento sem verbas, sem estratégia, sem planeamento e sem visão de conjunto ao nível nacional. Conceitos caros e raros neste país que tudo faz em cima do joelho. Que vive sem reformas de fundo, sem horizontes e que, apesar de estarmos em plena campanha eleitoral, pouco se discute do que realmente importa ao interior, apesar das soluções avulsas como baixar IRC das empresas no interior ou Vistos Gold para estas zonas. São propostas bondosas? São. Claro que são. O leilão fiscal é sempre atractivo. Mas não chega. Não basta. É curto. Precisamos de mais, de um planeamento a longo prazo, com compromissos na sociedade portuguesa, por forma a que “territórios de baixa densidade” deixe de ser um eufemismo para descrever aquilo de que o país urbano, concentrado nas grandes cidades do litoral, se esqueceu e só se lembra a cada tragédia que acontece, como os fogos florestais, mas rapidamente perde de vista. Precisamos de quem pense o território de facto e não como mera esmola ou distribuição de fundos, a abordagem tem de ser integral e não uma mera lista desgarrada de medidas, senão como criar ou potenciar sinergias e gerir processos interdependentes, como são os que ligam território, economia e demografia. Podemos ser ainda mais claros? As CIM e CCDR são boas intenções, mas diminutas para a natureza do problema. Precisam de mais escrutínio e de mais poder. Precisam de ter uma visão regional e não podem ser uma mera burocracia do Estado Central para um dado território administrativo, criado à boleia das regras comunitárias de distribuição de fundos. Somos, de facto, um país desequilibrado. E este desequilíbrio precisa de ser enfrentado de frente. Alguém tem coragem de assumir, de facto, políticas de coesão territorial? É por falta de coragem e vontade que existem casos tão díspares como Elvas e Badajoz. Duas cidades vizinhas, mas que contam com Governos centrais e lógicas regionais totalmente diferentes. Era isto que também gostava de ver debatido, de forma séria, numa campanha eleitoral em Portugal.

Diogo Agostinho

At https://expresso.pt/

Artigo de opinião: “Portuguese deserve a clearer vision for country’s future”

Pedro Caetano 52410543_10214223330319764_1321648856743542784_nThe possibility of a 0 per cent budget deficit in Portugal shines so “bright” that it looks like “hope” for Europe, such is the FT’s judgment on the “sound policies” of the present government in Lisbon (FT View, August 26). You should not be fooled twice. The FT once praised former prime minister José Sócrates in 2007, with his then minister of internal administration António Costa, for the low deficit, assuming “reforms” would be made. The reforms were eventually implemented after the 2011 bailout by the European troika.

Portuguese suffering was rewarded: economic indicators turned positive in 2015, vices seemed gone and reforms sustainable. Then came Mr Costa who, despite losing elections to the government which oversaw reforms, became prime minister by purging pro-reformists in his Socialist party. He brought to cabinet former colleagues of Mr Sócrates, who is facing charges of corruption but denies any wrongdoing, plus their spouses and children. Such clan politics undermined reforms, reverting to a business-as-usual environment, with troika reforms requiring qualifications and scrutiny in government appointments undermined. The unskilled posed as “industrial managers”. Incompetence shows; in 2017 the area burnt by forest fires was higher than that of the rest of Europe combined, and 114 people died.

Pedro Caetano 14068187_10207252572295170_8133406391720309019_n

The public debt — €252bn in May 2019, still the EU’s third worst despite tiny improvements if measured in percentage of GDP — and fiscal burden are at all-time highs, with taxes rising (from €39bn in 2015 to €44bn in 2018) faster than meagre salaries. Slovakians, Estonians and Lithuanians have higher purchasing power than the Portuguese since 2018, according to Eurostat, while Portugal is dropping, approaching the EU’s lowest. Projected growth in 2019 gross domestic product is 1.7 per cent. In 2018 growth was half that of some Balkans and Baltic nations. Portugal is Eurostat’s second least appealing country to immigrants, worse than Poland or Romania. High emigration masks unemployment.

Other than riding on the fading improvements, ECB debt, housing and tourism temporarily diverted from north Africa, the government has neither the vision nor reforms to avoid decline. Yet, some are tricked by the possibility of a 0 per cent deficit, fuelled by a net negative 1.2 per cent of GDP in public investment in 2016 (still the EU’s worst) according to the IMF, jeopardising long-term financing, the safety of infrastructure and public health. We, the industrious Portuguese people, demand accountability for illusionist politicians squandering our country.

Pedro Caetano

At https://www.ft.com/ (Financial Times)

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Opinião: “A galinha dos ovos de ouro das clientelas políticas”

Germany, 1914

Como “hoje em dia já não há “Plano B” e como “qualquer outra solução comprometeria muito fortemente a dinâmica de crescimento do turismo e a dinâmica económica deste sector“, vamos avançar com o “Plano A”, mesmo que comprometa a dinâmica ambiental e hipoteque inapelavelmente a qualidade de vida de toda uma região, que o que interessa é a visão pequenina do lucro rápido e do curto prazo que garanta a galinha dos ovos de ouro das clientelas políticas do pato-bravismo e da especulação à roda das alterações cirúrgicas aos PDM, que haver um aeroporto para moscas a meio do caminho entre Lisboa e Faro, ao qual só falta uma ligação por auto-estrada e por caminho-de-ferro, e que era quase como que aterrar em Lutton ou Gatwick, isso sim o tal do desenvolvimento sustentável e da aposta no interior com que se enche a boca nas campanhas eleitorais, não interessa nada. O quê, Beja não é interior? É litoral alentejano ou litoral fronteiriço, dependendo do ponto de vista do utilizador?

José Simões

At https://derterrorist.blogs.sapo.pt/

[Imagem de autor desconhecido]

Artigo de opinião: “Ferrovia: o regresso ao futuro”

Pedro Nuno Santos JCF_03521. Recuemos ao inicio do século XX. Os comboios constituíam, neste período, um meio de transporte revolucionário. As linhas de caminhos-de-ferro que rasgavam os países garantiam a ligação de forma rápida e confortável entre regiões distantes dentro de um mesmo território, espalhando o desenvolvimento económico e, em simultâneo, permitindo a construção simbólica de uma comunidade nacional. Vivia-se um período dourado do caminhos-de-ferro nos países mais desenvolvidos da Europa e da América.

Porém, nas décadas seguintes, algo de paradoxal aconteceu: os avanços tecnológicos tornaram os comboios mais rápidos, mais ecológicos, mais confortáveis e mais fiáveis; e, porém, ao longo desse mesmo período, a ferrovia foi perdendo a sua centralidade nos sistemas de mobilidade nacionais: primeiro, pela democratização do transporte automóvel, no curto e médio curso; depois, pela forte expansão da aviação comercial no médio e no longo curso.

2. Este processo de concorrência entre a ferrovia, a rodovia e a aviação foi transversal a vários países desenvolvidos, mas nem todos responderam a estas tendências da mesma forma. Muitos continuaram a fazer um investimento robusto na ferrovia, não apenas de manutenção da infraestrutura, mas na modernização e expansão da rede e na renovação de material circulante, porque só esta vontade política permitiria ao comboio concorrer, em circunstâncias semelhantes, com o carro e o avião. A Espanha, aqui ao lado, é um bom exemplo de um país que fez uma enorme aposta na expansão de uma rede de caminhos-de-ferro moderna e no desenvolvimento de material circulante tecnologicamente avançado.

Portugal, infelizmente, faz parte do grupo de países que preferiu fazer da rodovia a sua aposta principal. Por acção – que se traduziu na construção de uma das melhores redes rodoviárias da Europa – e omissão – que se traduziu, por exemplo, no adiamento do processo de eletrificação integral da rede e no envelhecimento do material circulante -, vários governos fizeram uma escolha por um meio de transporte automóvel, individual, responsável por elevados níveis de sinistralidade, movido a um combustível altamente poluente e que, ainda por cima, temos de importar, contribuindo fortemente para o nosso défice de balança de pagamentos.

3. Hoje, as consequências de um ciclo longo de desinvestimento na ferrovia, tanto na infraestrutura como no material circulante, estão à vista de todos. Foi, infelizmente, necessário chegar à atual situação – em que a oferta do serviço ferroviário tem dificuldade em responder, com qualidade e fiabilidade, à crescente procura – para se poder gerar o consenso político e institucional de que a ferrovia não é uma relíquia do universo novecentista Queirosiano, mas antes um meio de transporte com enorme futuro.

É a minha convicção que, no século XXI, a ferrovia pode fazer o mesmo pelo desenvolvimento do território, da economia e da nossa comunidade que fez no século XIX e no início do século XX. Isto porque se trata de um meio de transporte:

  • que, com o investimento certo de modernização na linha e no material circulante, pode “encolher” o país, aproximando territórios hoje demasiado distantes;
  • eficiente, ecológico, que aumenta a nossa qualidade de vida e reduz a dependência externa;
  • onde opera, por todo o território, uma empresa pública emblemática, a CP, cujos níveis de qualidade de serviço e de capacidade de resposta é nossa obrigação recuperar;
  • onde o país tem, historicamente, capacidades industriais que podemos desenvolver de novo;
  • coletivo, ou seja, cuja experiência, ao contrário do automóvel, é partilhada com os outros.

Todos estes elementos fazem do investimento na ferrovia um investimento no reforço nos laços que fazem de nós uma mesma comunidade.

4. Como o ciclo de desinvestimento foi longo, o ciclo de investimento também terá de o ser. Não apenas um investimento de requalificação e modernização da rede, mas um investimento de transformação, que permita melhorar significativamente a mobilidade entre as áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto; reforçar a coesão territorial, procurando levar a ferrovia a todas as capitais de distrito; e intensificar a integração da economia ibérica, através do reforço de ligações ferroviárias transfronteiriças, seja no plano do transporte de passageiros, seja no das mercadorias.

Investimento, também, na recuperação das capacidades tecnológicas que o nosso tecido empresarial já teve na fabricação de comboios. E investimento, ainda, na nossa capacidade de pensar de forma estruturada o país ferroviário, motivo pelo qual necessitamos de construir e executar um Plano Ferroviário Nacional, que seja capaz de orientar as opções políticas de investimento de longo prazo.

É neste trabalho de estudo, análise, discussão e definição das grandes prioridades de investimento coordenado em infraestrutura e em material circulante que uma entidade com a história, a expertise técnica colectiva e o voluntarismo da ADFERSIT terá certamente um papel fundamental a desempenhar.

Pedro Nuno Santos
Ministro das Infraestruturas e Habitação

At https://www.adfersit.pt/

Quer uma árvore? Vá ao ICNF e veja o que há

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O projecto Floresta Comum, liderado pelo ICNF — Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas tem 165.740 plantas autóctones para dar. As candidaturas às plantas estão abertas até 27 de Setembro.

Nesta fase, podem candidatar-se as autarquias, outras entidades públicas e os órgãos gestores de baldios. As plantas estão disponíveis para a próxima época de (re)arborização, de Novembro de 2019 a Fevereiro de 2020.

Actualmente estão licenciados como fornecedores de materiais florestais de reprodução para exercerem a actividade de produção de plantas para o projecto Floresta Comum, 4 viveiros do ICNF: Amarante, Malcata, Monte Mordo e Valverde.

Bolsa Nacional de Espécies Florestais Autóctones

A Bolsa Nacional de Espécies Florestais Autóctones é constituída por plantas produzidas nos viveiros do ICNF e de viveiros associados e que são anualmente disponibilizadas para o projecto Floresta Comum, desde que provenientes exclusivamente de sementes e plantas nacionais.

Esta Bolsa tem como objectivo disponibilizar plantas de espécies autóctones, de forma a satisfazer a procura no âmbito do projecto e simultaneamente valorizar as espécies nacionais e, directa ou indirectamente, a recuperação e conservação da biodiversidade.

Candidaturas

As candidaturas devem cumprir vários critérios e podem revestir a forma de projectos florestais ou de conservação da natureza e recuperação da biodiversidade e projectos educativos, incluindo projectos de parques florestais urbanos.

Todas as candidaturas cujo o proponente seja, uma autarquia ou outra entidade pública, ou órgãos gestores dos baldios deve direccionar a sua candidatura para a Bolsa Pública de Espécies Florestais Autóctones.

Todas as candidaturas cujo o proponente seja uma pessoa individual ou colectiva de direito privado, deve direccionar a sua candidatura para a Bolsa Privada de Espécies Florestais Autóctones.

As candidaturas a projectos educativos são apresentadas pelas autarquias e devem ser em parceria com a comunidade escolar.

Recuperação da biodiversidade

Por sua vez, as candidaturas a projectos florestais, de conservação da natureza e recuperação da biodiversidade podem ser apresentadas por autarquias, entidades publicas, órgãos gestores de baldios, pessoa individual ou colectiva de direito privado, para terrenos com potencial para (re)arborização.

As candidaturas são anualmente submetidas ao secretariado do projecto que as regista e comunica o respectivo número do registo ao proponente.

No caso de candidaturas das Comunidades Inter-municipais ou que envolvam vários municípios, deverá ser apresentada uma única candidatura.

As candidaturas devem ter em conta a proximidade do viveiro e devem referir especificamente quais os viveiros que foram considerados na escolha das espécies pretendidas.

Pode consultar o regulamento aqui, as disponibilidades de plantas de cada viveiro aqui e os documentos necessários para apresentar candidatura aqui.

At http://agriculturaemar.com/

Presidente da Câmara acusa GNR de caça à multa

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O presidente da Câmara de Almeirim e da Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo, Pedro Ribeiro, acusou esta terça-feira a GNR de “Caça à multa” aos condutores que trabalham no setor agrícola.

Numa publicação na sua página do Facebook, Pedro Ribeiro começa por dizer que raramente faz comentários deste tipo e afirma mesmo que esta “será a 2 ou 3 vez em cerca de 20 anos”, que fala do assunto, apesar de receber muitas denúncias sobre o tema.

“Tenho recebido informação variada, alguma dela que inclui fotos de multas passadas pela GNR, penso que militares pertencentes à Unidade Nacional de Trânsito. Multas a agricultores durante a campanha do tomate”, escreve Pedro Ribeiro.

O autarca diz ter informações que as multas “estão a colocar em causa o funcionamento de algumas fábricas por falta de matéria prima”, num ano fundamental para este setor. “Após vários anos de perda este pode inverter e com isso salvar muitos agricultores da falência”, comenta o autarca.

Pedro Ribeiro lembra ainda que a agricultura “emprega milhares de pessoas no Ribatejo e representa milhões e milhões em exportações”.

“Multas por matrículas sujas é no mínimo excesso de zelo. É com certeza legal mas tem um nome: Caça à multa. Isto não é prevenção, é apenas estatística. Tudo o que ponha em causa a segurança rodoviária deve ser alvo de penalização. Peso a mais, molho, tomate a cair. Agora matrículas sujas, «cercos» a fábricas, etc é imoral”, acusa Pedro Ribeiro.

O autarca diz ainda que “há ações que, apesar de legais, apenas reforçam o sentimento contra quem as pratica” e garante que está à vontade para falar porque enquanto autarca tem feito tudo o que pode para dotar as forças de segurança de melhores meios e para as defender muitas vezes de críticas injustas.

“Temos feito muito mais do que nos exigem as nossas competências. Por tudo isso tenho «moral» para esta critica. Que me entristece mas que tem de ser pública”, remata.

A Rede Regional está a tentar obter uma reação do Comando Territorial de Santarém da GNR, o que ainda não foi possível.

At https://rederegional.com/

Opinião: “O António Barrete”

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Recentemente, António Barreto teve um artigo publicado no Público em que recupera uma das narrativas favoritas da direita: o suposto ataque à liberdade de expressão por parte da esquerda. Uma boa parte do texto parece ter sido escrita em estado de delírio, com Barreto a desenvolver uma sucessão de falácias primárias e erros factuais para tentar encostar a actual geometria política portuguesa a regimes fascistas. Basicamente, o mesmo que faz a maioria dos colunistas do Observador, mas, agora, exportando esta simplória propaganda para o Público.

A diatribe de António Barreto é tão disparatada que chega ao ponto de tentar vitimizar autores de crimes previstos na lei, tornando verdadeiros nazis – daqueles que têm cadastro pela participação em crimes violentos relacionados com ódio racial – em vítimas de uma suposta intolerância institucional, que Barreto alega vir da influência do PCP e do Bloco de Esquerda sobre o Governo.
Vale a pena parar uns segundos para interiorizar o facto de que António Barreto saiu em defesa de verdadeiros nazis, reclassificando-os como vítimas da opressão do Bloco de Esquerda.

Após criar este enorme espantalho, acompanhado de várias falsas equivalências, Barreto prossegue com a sua divagação, chegando à conclusão de que, com a actual solução governamental, a liberdade de expressão está ameaçada. Tal como grande parte da malta de direita, Barreto parece comungar daquela opinião de que só existe democracia quando a direita governa. Se o Governo em funções não lhes alegrar, esse executivo passa automaticamente a ser autoritário, fascista, etc. O facto de que estas pessoas não entendem sequer o quão intolerante esta postura é continua a ser o aspecto mais irónico desta narrativa. Talvez um dia entendam que a democracia não existe só quando eles e os amigos governam.
Enquanto esse dia não chega, deixamo-vos com algo que costuma causar reacções histamínicas em Observadores e Companhia: factos.

A máquina de propaganda da direita dá-se mal com factos, mas os factos estão-se nas tintas para a propaganda, por isso, a imagem desta publicação traz informação objectiva para um debate que tem sido preenchido com propaganda.
A imagem mostra os resultados do estudo do MediaLAB, do ISCTE-IUL, elaborado para o European Journalism Observatory, em 2019. O estudo propunha-se a analisar a representatividade dos partidos políticos nacionais na televisão portuguesa e a força das correntes políticas de esquerda e de direita no debate televisivo. Os dados obtidos no estudo destroem a idiotice defendida pelos propagandistas de direita.
Em canais como a SIC, a preponderância de comentadores de direita é absoluta, enquanto que a TVI se divide entre 50% de comentadores de direita e 50% de comentadores que não estão alinhados com uma corrente politica concreta. Ou seja, nas duas estações de televisão privadas em sinal aberto não há um único comentador político residente de esquerda. Recordemos que os dois espaços de opinião de referência semanais em horário nobre estão reservados para Marques Mendes e Paulo Portas – os grandes educadores das massas.

Vale a pena salientar que o Parlamento português tem quase 55% de deputados de esquerda, estando a direita em clara minoria. O único canal de televisão que se aproxima desta proporção representativa é a RTP3. Canais como a SIC Notícias ou o Canal Q dividem quase a meio a representatividade entre direita e esquerda, enquanto que todos os outros variam entre 0% e 45% de representantes da esquerda nos espaços de comentário residente. Ou seja, o universo de comentadores políticos na televisão é o completo oposto dos representantes políticos que os eleitores portugueses escolhem.
Se ficarem com a ideia de que a propaganda de direita está a ser-vos insistentemente impingida, não é por acaso. É mesmo isso que está a acontecer.

Enquanto isso, os Antónios Barretos desta vida, que são às centenas e têm desde há décadas lugar cativo em todas as plataformas da Comunicação Social portuguesa, continuarão a queixar-se de silenciamento, de censura e de mais uns quantos disparates de que se vão lembrando.
Apesar de terem o grupo Impresa, do co-fundador do PSD, como o grupo mais influente no panorama da Comunicação Social em Portugal, apesar de terem o grupo Cofina, do Correio da Manhã, como constantes promotores de populismo anti-governo no jornal de maior tiragem nacional, apesar de terem jornais financiados por milionários ligados ao PSD e ao CDS-PP, como o Observador, criados especificamente para enviesarem para a direita o debate público no país, e apesar de estarem distribuídos por todas as outras plataformas de informação portuguesas, desde as televisões à imprensa, os Antónios Barretos desta vida continuarão a queixar-se das ameaças à sua liberdade de expressão, não porque estão objectivamente ameaçados, mas porque gostariam de falar sem contraditório. O que estas pessoas querem não é liberdade de expressão, é hegemonia. O mais interessante é que, olhando para os factos objectivos, eles quase já têm essa hegemonia, mas querem mais.

E é com isto que fechamos o círculo e regressamos ao título deste texto. As “ameaças” de que fala António Barreto no seu texto do Público não existem. As falácias primárias que o autor alinhou são um barrete que ele tenta enfiar a quem o lê. É com esse nome que ele deveria ter assinado aquele disparatado pedaço de prosa, com o nome de António Barrete.

Uma Página Numa Rede Social

Fontes e referências:
https://pt.ejo.ch/top-stories/a-esquerda-no-parlamento-e-a-direita-na-televisao
https://www.publico.pt/2019/08/18/opiniao/opiniao/ameacas-1883613