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Comunicado da Saúde Pública

Corona AlentNa sequência da declaração, a 30 de janeiro de 2020, de Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional pela Organização Mundial da Saúde e da evolução da situação, a nível da Região Alentejo foram imediatamente acionados os mecanismos de Preparação e Resposta à Doença por novo Coronavírus (COVID-19), coordenados pela ARS Alentejo, em alinhamento com as orientações da DGS.

Têm sido divulgadas as recomendações nacionais para a população sobre as medidas de prevenção, nomeadamente o distanciamento social (evitar contacto próximo com outras pessoas), a adoção de medidas de higiene das mãos, de limpeza de objetos e superfícies e de etiqueta respiratória (não espirrar, tossir ou falar em direção a outros ou para as mãos), e o recurso preferencial ao contacto com a linha SNS 24 -808242424

A rede de saúde pública da Região, tem ativamente participado nas medidas de contenção, promovendo a avaliação de todos os casos suspeitos identificados, a vigilância de todos os casos que o justificaram e a investigação epidemiológica, em articulação com os recursos instalados SNS, LAM e Hospitais de referência, e os serviços de saúde da região.

Todos os casos suspeitos identificados na Região Alentejo, que precisaram de realizar testes, os mesmos foram realizados, tendo todos sido negativos para coronavírus, até ontem.

Ontem registamos os primeiros dois casos positivos. Casos de pessoas que contraíram a infeção fora da região, e mais casos viremos a registar, agradecendo desde já que não se entre em pânico e em medidas discriminatórias e de invasão de privacidade dos mesmos.

Estes casos positivos estão na linha do expectável pela situação epidemiológica em curso, e demonstram que o trabalho promovido pelos serviços de saúde foram efectivos, e que temos que continuar a promover a sua permanente adequação.

Importa manter as medidas que promovem a contenção da doença por parte de todos os cidadãos já referidas, a nível individual e colectivo.

Saliento a necessidade de colaboração e apoio à atividade dos profissionais de saúde e dos agentes de proteção civil, confiantes de que todos estão a fazer o seu melhor.

Consciente de que o Alentejo e todos os que aqui residem e trabalham, saberão estar unidos na luta contra este desafio global enorme, não posso deixar de apelar à participação ativa de todos para que:

Sigam as recomendações que forem sendo difundidas, de acordo com a evolução da situação;

Se informem nas páginas da DGS e da ARS Alentejo, ULSNA, ULSBA, ULSLA  e HESE:

Em caso de necessidade liguem para o SNS 24 808242424;

As medidas de isolamento social, não deixam de parte valores fundamentais como a solidariedade, a interajuda e o cuidar dos mais vulneráveis, tendo sempre presente as regras de distanciamento social, higiene das mãos e etiqueta respiratória.

Agradeço a participação de todos nesta luta, e um pedido para que não deixem que o Coronavírus estrague as nossas amizades.

Autoridade de Saúde Regional

Filomena Araújo

Artigo de opinião: “Porque o interior não é uma fatalidade – é uma oportunidade”

hugo-corQuem te viu e quem te vê. Em alguns anos, aquilo que era uma situação muito preocupante em Ponte de Sor, em 2009, à data do encerramento da Delphi, empresa do setor automóvel e a principal empregadora do concelho, transformou-se em 2020 numa realidade de otimismo e num horizonte de crescimento. O obstáculo, que não era pequeno, deu lugar à oportunidade, que é grande.

Nesta década, além do esforço de recuperação e apoio do investimento nos setores mais tradicionais do concelho – no agroalimentar, no agroflorestal, com destaque para a indústria da transformação da cortiça, que é agora o maior empregador da região -, em Ponte de Sor conseguiu-se pensar em novos voos, literalmente, e depois concretizá-los.

Com efeito, aquilo que é atualmente o cluster aeronáutico de Ponte de Sor, com investimentos de dezenas de milhões de euros no seu conjunto e um evento anual de referência a nível mundial – o Ponte de Sor Portugal Air Summit -, e com uma força de emprego de várias centenas de pessoas, na sua maioria altamente qualificadas, deu não só um forte impulso anímico e económico a toda a comunidade pontessorense, como também permitiu colocar o concelho no topo da lista daqueles que em todo o território nacional mais reduziram a sua taxa de desemprego.

Em Ponte de Sor, aterra cada vez mais investimento

Não podemos dizer que a aviação foi uma oportunidade que caiu do céu, porque a verdade é que deu certamente muito trabalho, a quem tem responsabilidades públicas, conseguir fazer deste cluster da aeronáutica o que ele é hoje em Ponte de Sor. Mas é um facto que tem ajudado a evitar a turbulência e a dissipar as nuvens negras que se observam em muitos territórios do interior de Portugal. Em Ponte de Sor, o interior não é uma fatalidade – é uma oportunidade.

Com a aeronáutica vieram mais investimentos e mais recursos humanos, e também mais possibilidades de requalificação dos recursos humanos do próprio concelho. Com este cluster, não o esqueçamos, Ponte de Sor passou a ter ensino superior, com a Escola de Aviação no Aeródromo Municipal, o que leva à fixação e à atração de população e conhecimento, à criação de competências e a condições de emprego e de vida com uma visão apontada ao futuro.

Ao mesmo tempo, com o Portugal Air Summit, Ponte de Sor conquistou, no concurso Município do Ano 2019, o prémio “Projeto da Região no Alentejo”. (A quarta edição do Portugal Air Summit realiza-se de 7 a 10 de outubro.)

Em suma, a aeronáutica, de certa forma, deu asas à Ponte de Sor do século 21.

Um concelho com condições para ganhar no século 21

Acresce que os preços do metro quadrado dos terrenos e das casas são ainda extremamente competitivos por comparação com outras realidades nacionais. Além da oferta imobiliária, também as ofertas de saúde, de hotelaria e restauração, têm, crescentemente, procurado acompanhar o dinamismo da sociedade e da economia do concelho. O mesmo acontece com os serviços públicos, os equipamentos coletivos, a área social, que se vão preparando para a nova atualidade do concelho.

Havendo emprego, havendo soluções de ensino, havendo centralidade geográfica (estamos a pouco mais de 1h de Lisboa e a 1h de Espanha), e havendo condições de qualidade geral de vida, Ponte de Sor é, e será cada vez mais, uma cidade atraente para as famílias se instalarem e aqui construírem o seu futuro. E é bom lembrar que a albufeira de Montargil é todo um tesouro natural à parte, completo com praia fluvial e muitas outras valências.

É preciso também dizer que a comunidade tem sabido receber e integrar a população que veio de fora, de outras regiões do país e dos quatro cantos do mundo. Nisso, Ponte de Sor um exemplo do melhor da alma portuguesa, de um dos elementos que é sempre valorizado por quem visita Portugal – o sermos hospitaleiros, calorosos e interessados.

Ponte de Sor está hoje uma cidade mais cosmopolita, em que nas ruas, nos cafés, nos restaurantes se falam várias línguas, em que os naturais do concelho e os novos pontessorenses globais se relacionam com gosto e facilidade. Em 2020, é uma cidade longe dos problemas e dos conflitos de outras paragens – longe da xenofobia, das tensões por causa da origem de cada um. Ponte de Sor é, com orgulho, um modelo de integração social e económica, em que as oportunidades são para todos os que queiram aproveitá-las.

Cada vez mais, a ‘oportunidade a quem a trabalha’

Em tempos, dizia-se ‘a terra a quem a trabalha’. Em 2020, pode dizer-se de Ponte de Sor que é uma terra da ‘oportunidade a quem a trabalha’.

A palavra importante, aqui, é mesmo oportunidade. Oportunidade para quem vem de fora, é certo, mas igualmente oportunidade para quem está – para quem intervém, organiza, gere, ajuda, projeta – de usar o que já foi feito para criar novas oportunidades para a região. Porque este é um trabalho que nunca está concluído. E o que funciona em determinado momento pode não ser o que funciona num momento futuro.

Para continuar nesta trajetória, ser capaz de ter capacidade de adaptação e de atração dos recursos, dos conhecimentos, das redes que melhor vão servir Ponte de Sor amanhã é uma competência de valor incalculável. Porque se calcula em benefício global para uma comunidade e para uma região inteiras. Porque é aí que está a base estrutural para um elemento decisivo neste caminho – todo o marketing territorial estratégico da região. E porque é assim, nesta cidade banhada pelo rio Sor, que se constrói uma Ponte sólida para o futuro.

Hugo Oliveira Ribeiro

Diretor Geral do HBR Group

At https://www.linhasdeelvas.pt/

13 castelos do distrito de Portalegre no Programa Dinamizar Fortalezas

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Foi hoje apresentado o Plano de Ação do Programa Dinamizar Fortalezas, que pretende promover a valorização e a divulgação do vasto conjunto de fortificações existentes em Portugal, em particular na linha de fronteira com Espanha.

A cerimónia decorreu em Freixo de Espada à Cinta, sob a presidência da Secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, que, na ocasião, destacou a “importância do trabalho conjunto em projetos como este, que contribuem para o reforço da atratividade das regiões do interior”.

“Trabalhamos, numa lógica de união e de envolvimento de todos, para garantir ofertas estruturadas e integradas em todo o país. Estamos a reforçar os esforços para que cada parte de Portugal seja um destino turístico qualificado e inovador”, acrescentou.

O Plano de Ação hoje apresentado inclui iniciativas, que visam melhorar as acessibilidades, aumentar a sinalética, desenvolver conteúdos digitais e interativos e promover atividades de animação cultural.

Pretende-se, assim, captar mais visitantes e aumentar o tempo médio de estada do turista nos territórios do interior, valorizando e dinamizando o património que nos diferencia através da qualificação da visita a cada um destes imóveis.

O projeto abrange 62 fortificações e é coordenado pelo Turismo de Portugal, em parceria com os municípios onde se localizam as fortalezas, as ERT – Entidades Regionais de Turismo, as ARPT – Agências Regionais de Promoção Turística, a Direção Geral do Património Cultural, a Direção Geral dos Recursos da Defesa Nacional e a Direção Geral do Tesouro e das Finanças.

Hoje foi ainda detalhado o projeto piloto Roteiro Nordeste Transmontano, que engloba nove fortalezas, situadas em Vinhais, Bragança, Outeiro, Vimioso, Miranda do Douro, Algoso, Penas Roías, Mogadouro e Freixo de Espada a Cinta.

Também, por Trás-os-Montes, a Secretária de Estado do Turismo, inaugurou a “Porta de entrada do Parque Natural Regional do Vale do Tua”, promovida pela Câmara Municipal de Murça, e que é um espaço fundamental na receção, estruturação e organização das visitas ao Parque e aos concelhos que o integram.

Apresentado Plano de Ação do Programa Dinamizar Fortalezas

Distrito de Portalegre (13 Castelos):

– Castelo de Montalvão (Nisa)

– Castelo de Nisa

– Castelo de Alpalhão (Nisa)

– Castelo de Castelo de Vide

– Castelo de Marvão

– Castelo de Portalegre

– Castelo de Alegrete (Portalegre)

– Castelo de Arronches

– Castelo de Assumar (Monforte)

– Castelo de Monforte

– Castelo de Ouguela (Campo Maior)

– Castelo de Campo Maior

– Castelo de Elvas

At https://www.portugal.gov.pt/

Paulo Pedroso abandona o PS

Paulo PedrosoNo modelo de partido que está subjacente ao Partido Socialista e no modelo de sindicalismo que esteve subjacente à criação da UGT não estava prevista a mesma ligação umbilical entre partido e sindicatos que encontramos nos partidos trabalhistas, social-democratas escandinavos ou do centro da Europa, ou mesmo da Espanha dos primeiros anos da democracia.

A UGT, hegemonizada por socialistas, sempre assentou num entendimento entre sindicalistas do PS e do PSD, que vem do tempo da luta contra a unicidade sindical e teve outras correntes minoritárias (a democrata-cristã e mesmo quadros comunistas na direção de alguns dos seus mais importantes sindicatos em alguns momentos).

Dito isto,a declaração de Carlos Silva ao pôr entre os seus motivos para sair da liderança da UGT a falta de apoio do PS merece reflexão de quem se situe politicamente à esquerda.

Eu hoje sou um socialista democrático, preocupado com o futuro do sindicalismo e desvinculado da militância partidária e partilho com Carlos Silva o desencanto com o modo como esse partido trata, não a UGT, mas o sindicalismo em geral.

Nas últimas eleições, o programa eleitoral do PS em matéria de diálogo social era quase igual ao de qualquer partido democrata-cristão europeu, manifestando igual preocupação com o associativismo empresarial e o sindical e pugnando por um papel de árbitro descomprometido na concertação social, equidistante de empregadores e trabalhadores, que é contra o seu património genético e mesmo a sua declaração de princípios. É certo que logo a seguir às eleições o governo avançou com propostas de revalorização salarial na concertação que contrariam essa visão. Mas, se for a sério, é a manifestação de um voluntarismo governamental que prescinde dos sindicatos, uma fórmula que não costuma dar resultados duradouros, porque demasiado dependente dos ciclos políticos.

A escolha das listas de deputados, que relegou os sindicalistas socialistas para fora do Parlamento foi o corolário lógico de um desvio pro-business que é visível na posição do governo face à legislação laboral e no desequilíbrio dado na atenção a empresas e a trabalhadores.

Não sei se a falta de apoio de uma direção do PS, no quadro da autonomia do sindicalismo em relação aos partidos e da UGT em particular face ao PS, devia ser motivo suficiente para um Secretário-Geral da UGT ponderar sair. Mas concordo que o desinteresse do PS pelo sindicalismo que se agravou desde que António Costa é Secretário-Geral e Primeiro-Ministro é motivo para quem não quer a desinstitucionalização das relações laborais pensar que via socialista é esta que a direção do PS de António Costa adotou, mas que ainda está muito a tempo de corrigir, no partido e no governo, embora já não na representatividade parlamentar. Resta saber se o PS acha que tem aqui um problema e não há sinal nenhum de que ache.

Vinte e seis presidentes de câmara do PS contra subida do IVA nos bilhetes das touradas. Nisa não consta

Cultura

Municípios com atividades taurinas apelam ao Ministério da Cultura para que reverta subida da taxa na discussão na especialidade do Orçamento do Estado para 2020. E exigem “direito à cultura em igualdade de circunstâncias, independentemente dos gostos pessoais de cada um”.

A Seção de Municípios com Atividade Taurina da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), que junta 41 autarquias de vários distritos, incluindo 26 presididas por socialistas, lançou um apelo ao Ministério da Cultura para manter o IVA reduzido de seis por cento nos espetáculos tauromáquicos, ao contrário do que está disposto na proposta do Orçamento do Estado para 2020 que foi aprovada na generalidade. “Uma opção que se traduz numa medida discriminatória e que deve ser corrigida em sede de especialidade”, consideram esses autarcas.

“Para os municípios com atividade tauromáquica, a alteração da taxa de IVA representa uma medida meramente discricionária, cujo impacto fiscal será negativo, nas atividades económicas a montante de todo o espetáculo tauromáquico, sobretudo nas atividades ligadas ao mundo rural”, indica um comunicado em nome dos 41 municípios que foi emitido nesta segunda-feira pela Câmara de Coruche, cujo presidente, Francisco Silvestre Oliveira, eleito pelo PS, lidera a Seção de Municípios com Atividade Taurina da ANMP.

Além de Coruche, as outras autarquias socialistas que estão a reclamar ao Governo que não suba o IVA dos bilhetes das touradas para 23% são Almeirim, Cartaxo, Chamusca, Golegã, Salvaterra de Magos, Tomar e Vila Nova da Barquinha (do distrito de Santarém); Alandroal, Reguengos de Monsaraz e Viana do Alentejo (Évora); Barrancos, Beja e Moura (Beja), Alter do Chão, Elvas e Sousel (Portalegre); Alcochete e Montijo (Setúbal); Arruda dos Vinhos, Azambuja e Vila Franca de Xira (Lisboa); Angra do Heroísmo, Praia da Vitória e Santa Cruz da Graciosa (Açores); e Lagoa (Faro).

Entre as restantes 15 câmaras municipais, sete têm gestão comunista (Alcácer do Sal, Benavente, Cuba, Moita, Monforte, Setúbal e Sobral de Monte Agraço), três têm presidentes do PSD (Santarém, Pombal e Fronteira), outros três são geridas por independentes (Portalegre, Redondo e Calheta) e uma tem um presidente do CDS-PP (Velas).

A Seção de Municípios com Atividade Taurina da ANMP alega que “a liberdade de escolha de acesso a todo e qualquer espetáculo deve ter condições fiscais iguais, de forma a salvaguardar o princípio constitucional de igualdade e do direito à cultura para todos”. E garante que a preocupação “é refletida também pelas suas populações, que esperam que os seus autarcas sejam defensores da liberdade de escolha de acesso a atividades culturais e exijam dos seus representantes no Parlamento e no Governo que garantam o direito à cultura em igualdade de circunstâncias, independentemente dos gostos pessoais de cada um”.

At https://jornaleconomico.sapo.pt/

Artigo de opinião: “Será que não aprendemos nada?”

António Tereno - BarrancosTerminado 2019, com tudo o que teve de bom, ou de mau, não será tempo de reflectir, analisar situações menos boas para a tauromaquia, como o sistemático adiar de decisões firmes que deveriam ter sido tomadas em defesa desta Cultura que nos continua a apaixonar, e que muitas vezes tão descuidada por nós é?

Parece-me que muito do que neste espaço dissemos, e das propostas que apresentámos, caiu em saco roto! Não houve coragem para “pegar o toiro pelos cornos”, de dizer alto e bom som o que queríamos, que futuro desejaríamos para o mundo dos toiros, se calhar perdemo-nos pelo caminho. Mas será que assim vamos a algum lado?

Após o imbróglio da situação vivida na Direcção da RTP, com afirmações de determinados responsáveis a defender o corte nas transmissões de corridas de toiros de forma prepotente, como se voltássemos a uma ditadura encapotada. Ditadura de opinião com claro menosprezo das regras democráticas através da apropriação de um importante órgão de comunicação social como a televisão pública, neste caso manobrada por homens de mão do animalismo. Sempre com o beneplácito da ministra da “incultura antitaurina”, a mesma que eu através de Carta Aberta, datada de 1-11-2018, pedi que se demitisse por ter ofendido a Tauromaquia no seu todo – claro apadrinhada pelo Primeiro-Ministro que tendo-se aproveitado desta cultura e da sua projecção em determinada altura, agora que já está no poder a renega. E que vivam os princípios morais!

Agora é proposta uma nova direcção presidida pelo jornalista António José Teixeira, que esperamos respeite todos os que gostam de ver corridas na televisão pública.

Tristemente, voltamos ao Index (instituído em 1559, no Concilio de Trento) da Inquisição de triste memória, á censura nua e crua?

Agora toca-nos a “fava” do aumento do IVA das touradas para 23%, o inevitável e cínico retorno da proposta, agora subtilmente integrada no OE 2020 a ser discutido e aprovado na Assembleia da República, com o apoio dos que mais combatem tudo o que lhes cheira a taurino.

Num País em que o Governo privilegia a injecção continua de milhões de euros (entre 22 a 24 ME) nos Bancos, em detrimento das melhorias na saúde, nas forças de segurança, na educação, nos salários e pensões miseráveis que nos colocam na cauda da Europa, está tudo dito! Será que o aumento do IVA dos espectáculos tauromáquicos vai ser a tábua de salvação do famigerado OE, ou será apenas o pôr-se de cócoras ante o animalismo?

Valham-nos as desassombradas afirmações do advogado e fiscalista Tiago Caiado Guerreiro, nas recentes Jornadas Parlamentares do PSD sobre a dita medida que consta da proposta do Orçamento de Estado: “As corridas de toiros são algo com mais de dois mil anos e que está representado na nossa História. Como é que se pode acabar ou através desta medida perseguir as touradas? Podemos não gostar delas mas não se destrói assim a cultura. Não há direito.”

Mostra-nos também o maquiavelismo com que o Governo encara a nossa realidade taurina, e como “manda ás malvas”, esta forma de expressão cultural, sem qualquer pudor, e apesar de estar consagrada na nossa Carta Magna, a Constituição Portuguesa. Uma vez mais ficámos a dormir!

Deveríamos ter visto todos no Canal TOROS, o excelente e pedagógico debate moderado pelo jornalista Rúben Amón e que contou com a participação do matador de toiros Luís Francisco Esplá, o Presidente da Federação de Peñas Taurinas da Catalunha Paco March, e o escritor e filósofo francês François Zumbiehl. Com tais intervenientes o debate foi esclarecedor, teve a qualidade que hoje falta nos nossos debates/colóquios, definiu a realidade taurina como se vive em Espanha, França, Portugal e América Latina e o importante papel dos municípios franceses na preservação da tauromaquia citando como exemplos a diversidade politica dos Maires de Arles (comunista) e Béziers (extrema direita), ambos defendem a mesma Festa e reivindicam a afirmação de identidade cultural do sul de França. Formas de ver e sentir a tauromaquia, a população destas zonas tem um sentimento de pertença, a Festa é algo seu e participa activamente.

Mais, alguém disse que a tauromaquia é cultura popular e deveria viver alheia ás ideologias políticas. Todos participam, todos sentem e vivem a corrida, porque ela faz parte da vida da cidade!

Aqui ao lado, em Espanha, a capital e referência do toureio apeado, com a formação do novo governo do socialista Pedro Sánchez, e com o líder do Unidas Podemos Pablo Iglesias com Vice-Presidente, devemos preocupar-nos seriamente pelo que se avizinha, tendo em conta que este político é um animalista confesso e opositor a tudo o que seja tradição popular!

Os ventos que correm não são bons, em todo o mundo taurino sucedem-se os ataques organizados e violentos contra a nossa forma de estar e viver esta arte ligada aos toiros. Quero ser optimista, mas estaremos devidamente organizados para responder aos mesmos? Tenho sérias dúvidas, e apenas responder não basta.

É preciso tomar a iniciativa, ou será que ainda não aprendemos nada?

António Sereno

At https://toureio.pt/

Opinião: “O salário médio, cerca de 950/1000 euros, é o mínimo para se sobreviver”

“O Governo e os sindicatos na sua maioria estão agora a debater o salário mínimo, mas eu considero urgente abrir uma discussão pública em Portugal sobre o salário médio, porque na realidade o salário médio, cerca de 950/1000 euros, é o mínimo para se sobreviver; e o mínimo – 635 euros – é de facto o salário miserável. É urgente passarmos da discussão da “mais pobreza ou menos pobreza” para falarmos de qualidade de vida, do direito a viver dignamente do trabalho, sem chegar ao fim do mês com mês e sem dinheiro. Sem poder ter vida própria, acesso à cultura, ir ao cinema ou ao teatro, ir de férias – a maioria dos portugueses, na indústria, nos serviços, e mesmo nas profissões qualificadas, hoje trabalha para pagar contas essenciais – é aliás aqui que reside a baixa produtividade do país, nos salários baixíssimos. Que são também a causa da sangria da emigração que não é voluntária, mas economicamente forçada. Salários abaixo do limiar da sobrevivência – 653 euros; ou no limiar dela, 1000 euros”.

Raquel Varela

At https://www.facebook.com/