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Artigo de opinião: “Demissão”

Luis GodinhoO velho pescador cubano – Santiago, de seu nome – está há vários meses sem conseguir pescar um único peixe, apesar de todos os dias sair para o mar. “Era um velho que pescava sozinho num esquife na corrente do Golfo e saíra havia já por oitenta e quatro dias sem apanhar um peixe”. Quando a sua sorte muda, um enorme espadarte morde o isco e arrasta o barco para alto mar, para longe, cada vez mais longe, da costa. Santiago conseguirá capturar o animal mas será subjugado pelo destino no decurso do longo regresso a casa.

“O Velho e o Mar” é uma ode poética à coragem humana, um dos mais comoventes romances de Ernest Hemingway. Valeu-lhe o prémio Pulitzer em 1953. No ano seguinte seria distinguido com o Nobel da Literatura. “O Velho e o Mar”. Li-o pela primeira vez ainda adolescente. Era, aliás, um dos livros de leitura obrigatória no secundário – não sei se continuará a sê-lo. “Por Quem os Sinos Dobram” – um relato impressionista da guerra civil espanhola – é outra das obras que me tem acompanhado ao longo da vida. “Se era assim, bem, era assim. Mas que lei me obriga a aceitar isto? E nunca pensei que pudesse sentir o que estou agora a sentir. Nem que isso me pudesse acontecer”. O livro é de 1940. E, três anos depois, ainda Hitler dominava boa parte da Europa, Sam Wood adaptava-o ao cinema, num belíssimo filme com Gary Cooper e Ingrid Bergman.

“O Velho e o Mar”, com o pescador Santiago, e “Por Quem os Sinos Dobram”, a trágica história do americano Robert Jordan por terras de Espanha, integrado nas brigadas internacionais que resistem ao avanço das tropas fascistas de Francisco Franco… até ao início da pandemia era este o meu conhecimento – muito limitado, reconheço – da obra de Ernest Hemingway. E eis que com a covid-19, o confinamento e as compras online, lá surge por inesperada obra do acaso a oportunidade de uma leitura de toda a obra – ficção, não ficção, contos e pequenas histórias – de um dos mais marcantes escritores do século XX, em novas edições da Livros do Brasil. “Às vezes, a verdadeira vitória não se pode mostrar, nem a verdadeira coragem é tão visível ou evidente quanto se pensa”. Hemingway.

Foi assim, como que por acaso, que descobri a genialidade de obras como “Ilhas na Corrente” (1970) ou “Na Outra Margem, Entre as Árvores” (1950), além, é claro, de “Fiesta – O Sol Nasce Sempre” (um romance de 1926 centrado nas festas de Pamplona) e de “Verão Perigoso” (1960), livro que resulta de uma encomenda da revista “Life” que lhe atribuiu a missão de narrar os acontecimentos extraordinários do verão de 1959, quando dois dos mais célebres toureiros de todos os tempos – António Ordóñez e Luís Miguel Dominguín – se defrontaram nas arenas de Espanha.

Claro que Graça Fonseca, a senhora que está como ministra da Cultura, não deverá apreciar a obra de Hemingway. Mas sendo ministra, e da Cultura, não é aceitável que continue a tentar impor os seus preconceitos. A tauromaquia é uma arte, tutelada enquanto tal pelo Ministério da Cultura. O Campo Pequeno abriu para deixarmos o pimba em paz. Também é tempo de Graça Fonseca deixar a tauromaquia, e já agora o mundo rural, e já agora a cultura, em paz.

Luís Godinho

At Diário do Alentejo

Artigo de opinião: “Reflexão sobre o toiro bravo”

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Esta reflexão que aqui vos deixo, não é mais do que um grito de alerta em defesa de um animal, o toiro bravo, que amo com todas as minhas forças e energia intelectual e, tristemente, vejo esquecido e atacado, resultado de uma ignorância que apedreja a história e a cultura portuguesa. Mas como incorrigível optimista que sou, sempre com a esperança que, aqueles que governam este país, o entendam, o percebam como um verdadeiro guardião da biodiversidade.

O momento que a tauromaquia vive é a todos os títulos dramático e para muitos profissionais insustentável. Devemos compreender de forma clara ao que é que nos enfrentamos, que tempos vivemos e o que está em jogo. A globalização, que na essência me parece ter muitos aspectos positivos, matou ou feriu gravemente a cultura de identidade de cada país ou cada região. É doentio, do ponto de vista do humanismo, impor como progresso uma proibição ao outro, um repúdio aos toiros, à caça, à pesca, à relação homem/animal. A globalização na cultura, é uma realização plena e completa de uma tendência que pretende uma única forma de sentir e perceber a vida. Planificar uma sociedade de religião ou não religião única, ou de moral única, ideologicamente homogéneas é uma atrocidade para a própria Cultura. Porque as culturas de cada lugar dão sentido às gentes, à história, à sociedade, às formas de relações humanas de cada lugar.

Mas, reconhecida que está a sensibilidade actual da sociedade para com os animais, há que compatibilizar e harmonizar o modo de pensar contemporâneo com a Tauromaquia. E aqui temos um argumento de peso, uma razão vital. Não me canso de dizer que o futuro do toureio estará a salvo quando a nossa realidade ecológica imprescindível seja conhecida, compreendida, aceitada e positivada pela sociedade portuguesa. As novas gerações internacionais sensibilizaram-se com um trabalho de sustentabilidade do planeta que a tauromaquia encerra e transporta dentro de si. Mas que se desconhece. Esta é a nossa arma secreta e por muito que nos surpreenda, ninguém a conhece. Hoje não nos reconhecem como ecologistas, mas sim como mal tratadores de animais.

No caso do toiro bravo a aspiração ecologista de que todo o animal habite o espaço próprio que exige a sua natureza, cumpre-se sobradamente e podemos afirmar que o seu status é único no mundo, muito superior ao das reservas africanas de animais selvagens, uma vez que o ganadero de bravo complementa a sua alimentação em épocas de seca extrema e controla regularmente o seu estado sanitário em cumprimento das escrupulosas disposições europeias. A sua perigosidade converte-o em guardião dos bosques, neutralizando a incursão de caçadores e recolectores furtivos, pirómanos e turistas urbanos, dando, no entanto, hospitalidade e segurança a bandos de aves migratórias e outras espécies silvestres muitas delas em perigo de extinção. Portanto, temos uma defesa de uma biodiversidade sempre actual e desejada.

As ganadarias de bravo contribuem na luta contra a alteração climática porque os montados são sequestradores de CO2 e fontes produtoras de oxigénio. A criação do toiro bravo supõe ainda uma barreira contra os incêndios porque a constante vigilância dos animais e as características de acesso às explorações dificultam a deflagração e expansão dos mesmos. E também evitam o furtivismo e limitam o acesso ao maior predador: o homem.

Como afirma Carlos Ruíz Villasuso. pode acontecer que o toureio não se mantenha pela arte do toureio, mas sim pela arte da ecologia. Que ninguém pense que pela cultura, pelo culto chegaremos a um futuro melhor. O culto é o oculto. A cultura hoje significa tão pouco nesta sociedade que, se Manolete nos parece um personagem mítico saído de um quadro de El Greco, para a maioria social nova e manipulada que não sabe sequer quem foi El Greco, Manolete é só um tipo que matava animais. Ninguém já lê Lorca, seguem os passos de uma tal Greta. Vamos por aí, joguemos esse jogo social, porque aí ganhamos por goleada.

A arte de bem tourear, como a cultura, é para paladares sensíveis, mas minoritários, sim muito sensíveis. É uma arte culta. O toureio, no actual panorama social e político, não se irá manter pelo homem, mas sim pelo animal: o toiro. Parafraseando Ramón García Aragón, o toiro bravo é uma força da natureza e sinónimo de liberdade. Não é um animal de companhia nem um peluche. É uma criatura impetuosa, forte e indómita que vive e morre segundo seu instinto natural. É sinónimo de liberdade, de horizontes e espaços abertos; natureza em estado puro. Além do paraíso em que vive, goza de privilégios que nenhum outro animal tem. O homem do campo vigia-o e cuida-o durante toda a sua existência. Ninguém ama mais o toiro bravo do que aquele que o viu nascer e o cuida. Cada toiro tem nome próprio e uma história familiar ao longo de gerações, não se trata de 500 ou 600 kgs de carne para o matadouro. Não é quantidade, é qualidade.

A ganadaria brava e o mundo rural em geral sofrem actualmente uma agressão brutal baseada numa falsidade e manipulação ao serviço de interesses espúrios e ditatoriais. Para eles, este animal e o paraíso natural onde vive nada importa em realidade. Utilizam-no somente para outros fins porque não o conhecem nem o amam. A ganadaria brava não pode acabar num túnel escuro de um matadouro, seria um final sórdido e humilhante, o sentido da sua vida é a lide que lhe dá uma dimensão heróica. O toiro bravo é arte e, portanto, também é cultura e é liberdade. A sua destruição é um massacre cultural e ecológico.

Devemos, portanto, anteciparmos-nos à possível jogada de bastidores políticos, cuja habilidade para mudar os direitos constitucionais a seu gosto, alguns políticos de uma escassa minoria parlamentar já demonstraram grande apetência. Por isto mesmo, os nossos direitos devem basear-se, mais para além de uma lei que existe, mas que incrivelmente não se aplica, não nos defende e que pode ser manipulável, deve basear-se dizia, numa realidade de um ecossistema, o ecossistema do toiro bravo, que tem uma relevância de primeira ordem a nível histórico, antropológico, cultural, social, turístico, económico, artístico e de meio ambiente em Portugal.

Repudio e renego a sociedade sem alma dos animalistas. Uma sociedade sem alma onde o bem não admite outro bem que não seja a sua ideia de bem. A ideia do bem-estar único é Hitler, Stalin, sim. Deles. De Bin Laden e Maduro. Sim. A ideia de que me hão de impor um modelo de sociedade único como única lei e moral e única verdade recorda-me o malfadado sectarismo histórico que perseguiu a inteligência do humanismo. Que perseguiu a liberdade de pensamento. O sectarismo intolerante dos partidos políticos portugueses que defendem o animalismo e ambicionam impor a sua lei, deve ser travado com toda a determinação pela maioria democrática e tolerante.

Assisto estupefacto às ameaças de perseguição e regulação administrativa que sofre a festa dos toiros e todos aqueles que não encaixam na moral única desta nova raça de inquisidores que possuem a sua própria cruz gamada. Temos sempre que colocar o humanismo à frente do animalismo; ainda há pouco, escutando o cardeal Tolentino de Mendonça, uma das mentes mais brilhantes de Portugal, no discurso do 10 de Junho, ele afirmava “… a comunidade desvitaliza-se quando perde a dimensão humana, quando deixa de colocar as pessoas no centro…”

O facto de ser aficionado à festa dos toiros, nunca ofuscou a minha curiosidade sobre as questões éticas ligadas à relação homem/animal na tauromaquia e de considerá-las extremamente importantes. Seria de todo imprudente, que aqueles que conhecem a corrida não se preocupassem do estatuto ético do animal e deixassem o terreno desta reflexão, àqueles que a não conhecem. Em realidade, para se emitir uma opinião fundamentada sobre qualquer questão, neste caso um espectáculo, é necessário entendermos esse mesmo espectáculo. Os que à priori se negam ao seu entendimento, evocando um excesso de sensibilidade, podem presumir do que quiserem menos de entendimento. Poderão presumir se quiserem, de uma sensibilidade instintiva, primária, rudimentar, no fundo reflexa como a de um animal qualquer e reflectem mais depressa um déficit de sensibilidade do que, como afirmam, um excesso de sensibilidade.

Nas cidades já não existe a palavra ganadero e a de agricultor é uma relíquia! E tudo porque a paixão foi desterrada das nossas vidas. O homem cada vez mais, é um aspirante a ser um ninguém. Só com paixão se pode vencer o medo a fracassar. A paixão não é rentável, mas é algo extraordinário! Séneca, o mais estoico dos filósofos, disse que um homem sem paixão está tão perto da estupidez que só lhe falta abrir a boca para nela cair. Esta forma de nos mentirem para nos proteger. Este modo de domesticar a vida e a morte. Essa forma de ocultar a paixão não vá acontecer, que seja boa e peçamos bis. A mesma forma de nos subtraírem a dor. Porque dói.

Esta é uma sociedade onde não têm lugar os poetas, a literatura, a pintura, o génio, o carácter, o talento, o medo e o valor. Um homem de literatura como Miguel Delibes disse que “a Cultura nasce nas vilas e aldeias e destrói-se nas cidades”. Décadas antes um genial Garcia Lorca tinha afirmado que “as vilas e aldeias são livros. As cidades, jornais mentirosos”. Manter a Festa dos Toiros é, entre outras coisas, uma forma de conter a fuga das gentes das aldeias tão abandonadas de vida e de fé em si mesmos. Numa aldeia, o povo possui uma cultura nobre, humana e incorrupta. Numa época onde o correcto é a fronteira dos êxitos só posso “mandar às urtigas” o correcto. O atávico deve manter-se sempre para que o ser humano não seja uma invenção da sua intenção de endeusar-se, de ser protector de um mundo que nós mesmos estamos destruindo impondo-o ao ser humano tecnologicamente abúlico, ditando normas do que deve ou não existir para ser um ser humano; e nisso cai a obsessão de acabar com o toiro bravo.

O homem empenha-se em repudiar tudo o que o perturba. Estamos a insistir em prescindir de tudo aquilo que resulta embaraçoso para uma moral inflexível e única, rígida e granítica. Uma sociedade que se desembaraça daquilo que a agita, converte-se num rebanho de borregos. Nunca vi uma sociedade que tolera tudo o que lhe mandam fazer e tão intolerante com aquilo que os que mandam dizem para não tolerar. Nunca vi uma comunicação social tão vendida e alinhada à nova ordem mundial. Viver sob o tecto sombrio do aceitado é não aceitar que somos capazes de ter inteligência e criatividade. Liberdade. Todas as artes, liturgias ou criações são imperfeitas porque a perfeição só existe na mentira. A perfeição é a mais abominável das imposturas, é o fim do ser humano. Um toiro bravo e um toureiro, uma arena com o seu público, são o mundo imperfeito, selvagem por ser sensível, puro por ser verdadeiro, porque na arena tudo é verdade, morre-se de verdade, não se representa. Não é o animal toiro que desajusta a sociedade, é o animal homem que a deixa perplexa: a morte que pode acontecer numa arena. Tão irracional?! Que os assusta. Pois é precisamente isso que engrandece a Festa dos toiros, é precisamente isso que esta sociedade doente não entende.

O toureio é pura actividade apaixonada sem explicação razoável ou cartesiana ou lógica ou matemática. O toureio não oculta o que esta sociedade oculta porque não domina, porque lhe dá medo: a vida e a morte. A paixão pode matar, mas seguramente faz viver. E isso, a esta sociedade, dá-lhe pânico.

Meus amigos, escondermos-nos não tem afinidade nem com o toureio, nem com os aficionados, nem com os jornalistas. Pepe Alameda escreveu que o toureio não é uma graciosa fuga, mas sim entrega apaixonada. E é bom que as pessoas tomem consciência que isto do toureio não mancha nem suja e é muito digno e mais culto e sensível que muitas das artes bem subsidiadas pelo estado. E não esqueçam que os inimigos do toureio jamais viveram ou viverão nem do seu talento, nem da sua valentia, mas sim do nosso medo atávico e histórico.

Poderão proibir-nos as flores, mas não deterão a primavera!

Galeana, Junho de 2020

Joaquim Grave

(fotografia de Francisco Romeiras, na herdade da Adema – Palha)

At https://sol.sapo.pt/

Artigo de opinião: “Votar no Marcelo? Não, obrigado”

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Tendo nascido em 2002, as eleições presidenciais de janeiro de 2021 serão as primeiras eleições em que poderei votar. O sufrágio universal e a democracia são conquistas indispensáveis para a concretização de uma sociedade justa, e cabe à minha geração lutar por essa mesma sociedade e dar uso aos direitos que tanto suor custaram.

Como penso por mim mesmo e nunca segui modas e tendências momentâneas, não votarei Marcelo Rebelo Sousa. E não votarei por motivos morais, ideológicos e sociais.

Creio que sempre que falamos do nosso Presidente devemos nos recordar que figura política ele foi no passado (e continua a ser). Falamos de um político que avançou com uma plataforma, denominada de “Assim Não”, contra a despenalização da interrupção voluntária da gravidez (IVG). Segundo a interpretação de Marcelo Rebelo de Sousa, a mulher podia fazer um aborto, mas apenas às escondidas, nas condições em que pudesse pagar e arriscando-se a ser presa ou a morrer por complicações de saúde. Na prática, podia abortar num sítio sem o mínimo de condições higiênicas, mas nunca num local seguro e com as melhores condições de segurança e de dignidade. Ainda bem que a população não deu ouvidos a Marcelo e votou a favor do sim. Os ganhos da IVG são claros: zero mulheres mortas após a legalização da IVG e uma descida significativa no número de abortos em Portugal.

Mas as opções que Marcelo toma durante a presidência também nos devem preocupar. Como atravessaria este país a atual pandemia que vivemos, caso houvesse mais Parcerias Público Privadas na saúde, como o nosso presidente defendeu? O que seria deste país, nesta e noutras crises de saúde, sem a atual Lei de Bases da Saúde, que Marcelo Rebelo de Sousa se manifestou profundamente contra? Questiono-me igualmente se Marcelo, após o desastre levado a cabo por Bolsonaro nesta pandemia, continua a ter a mesma opinião que teve o ano passado, dizendo após uma reunião com o Presidente do Brasil que se tratava de “um encontro de irmãos”.

A minha geração, felizmente, tem uma visão do mundo mais progressista e ampla que a dos nossos pais. Visão essa que aceita o direito à diversidade sexual e de identidade de género. É pena que Marcelo Rebelo de Sousa aparente não o aceitar. Tanto aparenta que até vetou uma lei que permitia o “alargamento da possibilidade de mudança de identidade de género, tornando-a independente de qualquer avaliação clínica e passa a incluir os menores acima dos 16 anos no regime que se estabelece para os cidadãos maiores”. Mas, afinal, quem melhor que nós próprios para decidir quem somos e como nos queremos apresentar ao mundo?

No fundo, Marcelo Rebelo de Sousa é uma espécie de lobo em pele de cordeiro, que abraça meio mundo e dá muitos beijinhos, mas que estruturalmente é um homem alinhado com a política de centrão (tanto que já foi líder do PSD!) e que protege sempre os interesses do status-quo. Marcelo não representa nem a mim, nem às gerações que anseiam por prosseguir o caminho para um país mais livre e mais justo. Pode e será difícil tirar este populista astuto do poder, mas todos os votos contarão, um a um.

É tempo de mudança.

Eduardo Couto

At https://correiodafeira.pt/

Portugal mantém encerrada a Raia por mais dez dias por “vingança” em resposta às unilateralidades do Governo espanhol

Espanha abrirá as suas fronteiras com os países do espaço Schengen no próximo dia 21 de Junho, excepção com Portugal, que ocorrerá a 1 de Julho. Como forma de compensação haverá uma celebração deste reencontro ibérico na fronteira Badajoz/Caia, na ponte José Saramago e onde estarão os dois chefes de estados e os dois chefes de executivo. Este reencontro histórico acontecerá na data em que se cumprem os dez anos do falecimento do autor da “Jangada de Pedra”.

Estes dez dias adicionais do encerramento de fronteiras, entre 21 de Junho e 1 de Julho, é o preço que pagamos por falta de coordenação Ibérica que é vista pelas inúmeras unilateralidades do governo espanhol. Ainda que a decisão final seja consensual, prevaleceu a posição portuguesa. A diplomacia espanhola assumiu, em declarações ao diário português Público, que “meteu a pata na poça”. Este já vem detrás e muitas foram as vezes que erraram. No El Trapézio temos estado a avisar e a criticar tais acontecimentos e inclusive publicámos um editorial em vídeo onde denunciamos esta situação.

Na realidade, esta história deveria ter sido diferente. A abertura da Raia deveria ser realizada ao mesmo tempo que no resto da Europa. O ideal deveria ter sido com uma semana de antecedência em relação ao resto da Europa. Isto marcaria a singularidade Ibérica positiva e não negativa, como tem sido imposta com as más práticas. Esta justa vingança da diplomacia portuguesa é natural e responde na linguagem diplomática há já muito tradicional relação luso-espanhola. Não existe justificação epidemiológica para atrasar a abertura das fronteiras para lá do dia 21 de Janeiro, quando o ministro português da administração interna ligou esta abertura ao fim do estado de alarme espanhol.

Portugal precisa dos turistas espanhóis mas fez bem em não esquecer o desprezo da omissão do governo espanhol. Essa experiência negativa deve obrigar o Executivo espanhol a mudar o seu desenho institucional no sentido de organizar uma equipe ou um representante sénior que tenha como responsabilidade as relações com Portugal (incluindo a Raia) e impedir que a agenda mediática espanhola e a sua dinâmica acabem por esmagar as relações ibéricas. Temos que deixar claro que não basta ter uma embaixada.

As fronteiras terrestres entre Portugal e Espanha vão manter-se encerradas até ao dia 30 de junho. Mas, de avião, já pode viajar de Portugal – mais concretamente de Lisboa – para alguns países de todo o mundo – o que não quer dizer que nos outros as fronteiras aéreas estejam encerradas. Segundo o Sol apurou, se pretender viajar para fora de Portugal, há voos disponíveis para Paris (França), Londres (Inglaterra), Amesterdão (Holanda), Frankfurt (Alemanha), Dublin (Irlanda), Zurique (Suíça), bem como para algumas cidades do Luxemburgo, Áustria, Roménia e Hungria. Para o continente africano, é possível voar até Luanda, em Angola.

Nenhum país encerra fronteiras por causa dos seus próprios casos positivos (e menos ainda por um leve crescimento como o que aconteceu na Grande Lisboa), como foi afirmado em alguns meios de comunicação espanhóis para justificar a medida de Portugal.

At https://eltrapezio.eu/

Delegação de ciganos portugueses volta a Auschwitiz

75 anos depois, uma delegação de ciganos portugueses voltam aos campos de concentração de Auschwitiz e Birkneau na Polónia, onde no dia 2 de Dezembro de 1944 cerca de 3 mil roma/ciganos foram exterminados pelo regime nazi/ Samaduripen. Aqui estão os seus relatos da experiência. Visita no âmbito do evento Dikh He Na Bister da organização TERNIPE. Apoio do Conselho da Europa. 

Artigo de opinião: “A pandemia do medo”

Margarida Abreu img_4495-2É assim que neste tempo de pseudociência global, das «fake-news» e da manipulação massiva da opinião pública pela comunicação social, se instalou a pandemia do medo, a maior pandemia de que há memória.

Estamos perante a maior pandemia existente desde os primórdios da humanidade: colocou os aviões em terra e fechou as pessoas em casa, parou o mundo!

Não, não estou a falar da pandemia de Covid-19, que, até agora, de forma confirmada, afetou pouco mais de 2,5 milhões de pessoas, dos 7 mil milhões que somos, e causou a morte de cerca de 170.000.

Estou a falar do medo, esse monstro tenebroso que foi alimentado até à exaustão pelo alarmismo e disseminação do terror, numa escala sem precedentes, pelas redes sociais e pela comunicação social, cuja estratégia não olha a meios para atingir os seus fins.

O exibicionismo, apanágio das redes sociais, a pseudociência indiscriminadamente veiculada, pelos inúmeros pseudo-especialistas de tudo, que existem nestas redes, contribuíram ativamente para a situação perniciosa em que todos nos encontramos hoje.

A mesma pseudociência que no campo da medicina, instiga as pessoas a não vacinarem as suas crianças, assistindo-se ao ressurgimento de surtos de doenças potencialmente fatais que há muito se encontravam controladas, a mesma pseudociência que aconselha a suspensão de medicamentos com eficácia testada e comprovada, para serem substituídos por sumos das mais variadas substâncias e dentes de alho. A mesma pseudociência que leva utentes a exigirem aos seus médicos exames estapafúrdios e sem nexo, medição de parâmetros em análises que nem existem ou irrelevantes e com custos elevadíssimos ( sim, para que é que servem 6 anos de curso de medicina e até mais 6 anos de especialidade se quaisquer 2 linhas que se leiam na internet nos tornam especialistas em tudo!)

Essa pseudociência, de que se vangloriam milhões de pessoas por esse mundo fora, que nunca abriram um livro ou dedicaram sequer uma hora de estudo àquilo que vêm veicular para as redes sociais, alimentou o maior monstro de que há conhecimento na história da humanidade: O MEDO.

Também a comunicação social, de forma criminosa e impune, manipulou a opinião pública, fornecendo sempre apenas uma parte da história, a que mais vendia, a que mais ganhava audiências, a mais terrível e aterradora. Metralhou a nossa casa com imagens de caixões atrás de caixões italianos, nunca explicando que tal acontecia em Itália porque todos os doentes com Covid19 eram referenciados para hospitais centrais, estando os regionais às moscas, e que não podiam ser transportados para os seus locais de origem, ficando as funerárias centrais com muito mais trabalho que o habitual, enquanto as regionais se encontravam desertas. Metralharam-nos com a gravidade da doença em 4 ou 5 países, nunca abordando as dezenas de países para quem a doença não tinha repercussões muito piores que a da gripe. Nem nunca, sequer, fizeram uma comparação séria entre os números de covid19 no nosso e noutros países e os números da gripe sazonal, quer em termos de número de indivíduos atingidos num pico de gripe, quer em número de mortos resultantes dos surtos de gripe. A mesma comunicação social que mostra as unidades de cuidados intensivos cheios de doentes no Porto, onde o surto está a ser mais grave, mas não mostra a quantidade de UCI que estão às moscas ou quase, noutras regiões do país.

Comunicação social essa, que em vez de entrevistar epidemiologistas, microbiologistas e infeciologistas, decidiu colocar nas luzes da ribalta matemáticos com modelos numéricos apocalípticos, que não têm sequer a noção de que as doenças infeciosas que se manifestam por surtos, apresentam um aumento rápido de casos, depois um planalto e por fim uma descida. Os casos não aumentam exponencialmente até ao infinito.

As frases foram sempre «já chegámos às X mortes e aos Y infetados» Nunca foram «ainda só temos estas mortes e estes infetados, quando num surto normal de gripe os números costumam ser tal e tal…».

E é assim, que neste tempo de pseudociência global, das «fake-news» e da manipulação massiva da opinião pública pela comunicação social, se instalou a pandemia do medo, a maior pandemia de que há memória.

Pandemia que atingiu 7 mil milhões de seres humanos, está a destruir, a uma velocidade alucinante, milhões de postos de trabalho, está a causar graves perturbações na saúde mental de milhões de pessoas, colocou de forma obrigatória, em habitação concomitante, agressores e vítimas, durante horas, dias, semanas, aumentando de forma dramática a violência sobre mulheres e crianças e está a alterar profundamente o normal funcionamento dos sistemas de saúde mundiais, levando a um aumento da mortalidade por muitas outras causas não Covid19.

Tudo porque alguns, ou se calhar muitos, querem ter audiências, querem ter visualizações e não olham a meios para atingirem os seus fins.

Quanto mais apocalíptica a notícia maior a audiência, quanto mais vezes repetida, maior a audiência.

Saiu-lhes o tiro pela culatra porque agora veem os seus postos de trabalho em risco, uma recessão económica provavelmente sem precedentes e da qual também vão fazer parte, o seu tempo de férias e lazer completamente ameaçado, os seus filhos em casa e uma disrupção completa da sociedade e da sua forma habitual de funcionar.

Agora pagamos todos a fatura do monstro que criámos e alimentámos, uma fatura elevadíssima, com um atingimento mais vasto do que o de uma Guerra Mundial, com a vida em suspenso, à espera…

A questão que se coloca é a seguinte: tendo as redes sociais entrado nas nossas vidas para ficar, sendo a comunicação social muitas vezes criminosa na forma como seleciona e fornece a informação, ficando muitas vezes impune e tendo como única e última intenção as audiências, quantas outras pandemias de medo se vão criar daqui para a frente, quantas mais vezes vamos assistir áquilo a que estamos a assistir agora?

Margarida Abreu

At https://observador.pt/

Conferência Digital “Crise Climática: A Outra Ameaça Global”

Dia da Terra

Assista em direto no facebook na Quarta-Feira dia 22 de Abril de 2020 pelas 21 horas, com Cesária Gomes, Filipe Duarte Santos, Francisco Veiga Simão, Luis Loures, Mariana Abrantes, Nelzair Vianna, Ricardo Campos e Ricardo Pinheiro.

At https://www.facebook.com/events/1524433474403349/