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Opinião: “Os socialistas, o futuro do trabalho e os desafios do sindicalismo”

Porfírio1. O nosso espaço político, do socialismo democrático, da social-democracia e do trabalhismo, nasceu ligado às classes trabalhadoras e à luta pela melhoria das suas condições de vida e contra a exploração da sua força de trabalho.
Em alguns casos, o partido era mesmo o partido dos sindicatos. Entretanto, historicamente, essa ligação umbilical, onde era orgânica, quebrou-se – como aconteceu no Reino Unido, onde esse deslaçamento orgânico foi visto como uma necessidade para o Labour fazer chegar a sua mensagem mais diretamente ao conjunto da população e, por conseguinte, chegar ao poder. Fora do nosso espaço político, essa relação entre sindicatos e partidos políticos foi tradicionalmente conflitual em alguns quadrantes. Por exemplo, sempre houve, mesmo em Portugal, um sindicalismo antipartidos e antipolítica (como o anarco-sindicalismo ou o sindicalismo revolucionário), que não deixa de espelhar uma mais geral conflitualidade (às vezes produtiva) entre socialistas democráticos e as correntes libertárias. O deslaçamento das relações entre partidos do socialismo democrático e sindicatos também foi afetado pela crise da ideia da luta de classes como mecanismo básico da dinâmica social, enfraquecendo a identificação de partidos da classe operária a favor de partidos autoidentificados como interclassistas – embora, há que reconhecer, isso possa ter levado alguns sectores a perder de vista a especificidade dos problemas próprios do mundo do trabalho subordinado.

2. Este contexto geral também é pertinente para Portugal, mas, no caso do nosso país, a questão sindical cruza-se de uma maneira específica com a questão política mais global. O PS é o espaço político privilegiado para uma reflexão sobre os novos desafios do mundo trabalho e do sindicalismo precisamente por termos no nosso património histórico a luta pela liberdade sindical como parte da liberdade inteira. A luta contra a unicidade sindical foi, após o 25 de Abril de 1974, o primeiro combate duro contra aqueles inimigos da democracia pluralista que se albergavam em partidos de esquerda e à sombra de uma ideia de revolução – e essa luta pela liberdade sindical foi liderada e levada à vitória pelo Partido Socialista. Quando travámos esse combate contra a unicidade sindical sabíamos que essa via de restrição da liberdade sindical fazia parte, no “socialismo real” a Leste, de um formato que esmagava todas as liberdades democráticas: aquilo a que chamavam liberdades burguesas ou “meramente formais”. E, consequentemente, os sindicalistas socialistas envolveram-se na prática do pluralismo sindical, com a criação da UGT. Isso não prejudicou o pluralismo dentro do partido, hoje plasmado na existência e na convivência de uma Tendência Sindical Socialista da UGT e de uma Corrente Sindical Socialista da CGTP, acolhendo socialistas com diferentes militâncias sindicais. E, comum aos sindicalistas socialistas de ambas as linhas, está o facto de que o PS não lhes dá orientações nem ter qualquer dirigismo em relação às suas opções sindicais.

3. De qualquer modo, é hoje inescapável que a história recente fez acumular tensões entre as estruturas partidárias e as estruturas sindicais: os anos da troika foram particularmente duros para os trabalhadores e o país ainda não retomou os indicadores sociais e económicos anteriores à crise de 2008, a Grande Recessão que só a direita portuguesa julga que se circunscreveu a Portugal. Essas marcas não foram ainda completamente recuperadas e pressionam a ação sindical e a ação governativa em tensão. Essa tensão é mais difícil de gerir quando o PS é o partido de governo e segue uma linha especialmente exigente no que tange à responsabilidade orçamental.

4. Reconhecido este enquadramento, e orgulhosos de sermos o único partido político português onde se pode fazer este debate aberto, temos de colocar o que aprendemos com a história ao serviço de uma resposta que temos de construir aos enormes desafios que enfrentam hoje os trabalhadores organizados e os socialistas. Penso, designadamente, na economia globalizada das plataformas digitais e na ameaça que ela representa de desregulação selvagem das relações laborais, contornando a própria soberania nacional e desafiando o Estado de Direito, ameaçando direitos fundamentais.
E penso, também, na fragmentação do espaço público, que afeta quer a representação parlamentar quer a representação sindical, com novas organizações por vezes mascaradas de sindicatos, mas com agendas políticas imediatistas, por vezes agressivamente antidemocráticas e desligadas de perspetivas de solidariedade social mais amplas. Essa fragmentação, acompanhada de radicalização, mostra-se, por vezes, capaz de desgastar o sindicalismo de concertação e de procura de acordos, alimentando estratégias de confronto e de rutura que enfraquecem as instituições democráticas e as instituições sindicais. O sindicalismo que procura melhorar as condições de vida dos trabalhadores através da negociação, e de acordos, tem dificuldades acrescidas neste ambiente político e social.

5. Neste quadro, o que se constata, por cá, é uma crise simultânea dos dois modelos tradicionais de relação entre partidos e sindicatos. O modelo de relação entre o partido dos comunistas e os sindicalistas comunistas, típico do “centralismo democrático”, viu um pico de tensão com o secretário-geral da FENPROF a criticar em público o PCP sobre a “crise da carreira docente”. É o “modelo do controlo” a sofrer tensões quando sindicatos tradicionais da CGTP se sentem pressionados por pequenos sindicatos populistas e respondem tomando para si a radicalização prometida pelos emergentes anti-institucionais, procurando, ao roubar o estilo, roubar o sucesso que o estilo esperava garantir. Com a dificuldade que tem um partido das instituições, como é o PCP, em alinhar nessa radicalização – especialmente quando é parceiro parlamentar da governação, como se assumia na altura. Já o “modelo de autonomia”, que caracteriza a relação entre os sindicalistas socialistas e o seu partido, também sofre tensões quando as responsabilidades governativas estão no mesmo campo político e separam os agentes partidariamente camaradas. Um mero indício dessa tensão é a ausência, na XIV legislatura, de qualquer sindicalista na bancada parlamentar do PS (que não cabe aqui analisar, mas se constata e é uma situação historicamente rara).
Ora, a crise simultânea destes dois modos de relação entre partidos e sindicatos é, somando, uma crise das próprias instituições de regulação social no sentido amplo, porque enferrujam as relações entre diferentes modos de representação política e social que só podem manter uma dinâmica positiva, de ganhos mútuos, se souberem ser ao mesmo tempo capazes de competição e capazes de cooperação.

6. Tudo isto que fica dito só serve para constatar uma dificuldade (como podemos continuar a ser, também, um partido de trabalhadores, sem deixar de ser um partido de liberdade) e para incentivar a que usemos o nosso modelo de relação entre partido e sindicalistas (uma relação de camaradagem ideológica, governada pela autonomia das partes) para ganhar forças para enfrentar o ariete da desregulação laboral global, a maior ameaça presente ao nosso projeto comum de emancipação dos trabalhadores. De todos os trabalhadores, mesmo daqueles que alguns dos nossos adversários pintam de “amarelos”. E é este o ponto de partida que ofereço a este debate.

Porfírio Silva

At https://maquinaespeculativa.blogspot.com/

Queres dar seguimento ao discurso da Greta?

Greta

“Depois que a nossa filha de quinze anos foi às lágrimas pelo discurso de Greta Thunberg na ONU outro dia, ela ficou zangada com a nossa geração” que não fazia nada há trinta anos “.

Então, decidimos ajudá-la a impedir o que a garota na TV anunciava de “erradicação maciça e desaparecimento de ecossistemas inteiros”.

Agora estamos comprometidos em dar um futuro à nossa filha novamente, fazendo nossa parte para ajudar a esfriar o planeta em quatro graus.

A partir de agora, ela irá para a escola de bicicleta, porque levá-la de carro custa combustível, e o combustível gera emissões para a atmosfera. Claro que será inverno em breve e ela desejará ir de ônibus, mas apenas enquanto for um ônibus a diesel.

De alguma forma, isso não parece ser propício para “ajudar o clima”.

Obviamente, ela agora está pedindo uma bicicleta elétrica, mas mostramos a ela a devastação causada nas áreas do planeta como resultado da mineração para a extração de lítio e outros minerais usados ​​na fabricação de baterias de bicicletas elétricas, então ela estar pedalando ou andando. O que não a prejudicará, nem ao planeta. Nós costumávamos andar de bicicleta e caminhar até a escola também.

Como a garota na TV exigiu “precisamos nos livrar de nossa dependência de combustíveis fósseis” e nossa filha concordou com ela, desconectamos a ventilação do quarto. A temperatura está caindo para doze graus à noite e cairá abaixo de zero no inverno. Prometemos comprar um suéter extra, chapéu, calças justas, luvas e um cobertor.
Pela mesma razão, decidimos que a partir de agora ela só toma um banho frio. Ela lavará suas roupas à mão, com uma tábua de madeira, porque a máquina de lavar é simplesmente uma consumidora de energia e, como o secador usa gás natural, ela pendura suas roupas no varal para secar.

Por falar em roupas, as que ela usa atualmente são todas sintéticas, então são feitas de petróleo. Portanto, na segunda-feira, levaremos todas as suas roupas de grife para a loja de segunda mão.

Encontramos uma loja ecológica em que as únicas roupas que vendem são de linho, lã e juta não tingidas e não branqueadas.

Não importa que lhe pareça bom ou que ela vá rir, vestindo roupas leves e sem cor e sem sutiã sem fio, mas esse é o preço que ela paga pelo benefício do Clima.

O algodão está fora de questão, uma vez que vem de terras distantes e são usados ​​pesticidas. Muito ruim para o meio ambiente.

Acabamos de ver no Instagram dela que ela está muito brava conosco. Esta não era a nossa intenção.

A partir de agora, às 19h desligaremos o Wi-Fi e o ligaremos novamente no dia seguinte após o jantar por duas horas. Dessa forma, economizaremos eletricidade, para que ela não seja incomodada pelo estresse eletromagnético e fique totalmente isolada do mundo exterior. Dessa forma, ela pode se concentrar apenas em sua lição de casa. Às onze horas da noite, puxaremos o disjuntor para desligar a energia do quarto dela, para que ela saiba que o escuro está realmente escuro. Isso economizará muito CO2.

Ela não participará mais dos esportes de inverno em pousadas e resorts de esqui, nem fará mais férias conosco, porque nossos destinos de férias são praticamente inacessíveis de bicicleta.

Como nossa filha concorda plenamente com a garota na TV que as emissões de CO2 e as pegadas de seus bisavós são responsáveis ​​por ‘matar nosso planeta’, o que tudo isso simplesmente significa é que ela também tem que viver como seus bisavós e eles nunca tiveram férias, carro ou bicicleta.
Ainda não falamos sobre a pegada de carbono dos alimentos.

A pegada zero de CO2 significa que não há carne, peixe e aves, mas também não há substitutos de carne à base de soja (afinal, que cresce nos campos dos agricultores, que usam máquinas para colher os feijões, caminhões para transportar para as plantas de processamento, onde mais energia é usada, depois transportada para as fábricas de embalagens / conservas e transportada novamente para as lojas) e também nenhum alimento importado, porque isso tem um efeito ecológico negativo. E absolutamente nenhum chocolate da África, nenhum café da América do Sul e nenhum chá da Ásia.

Apenas batatas caseiras, legumes e frutas cultivadas em solo frio local, porque as estufas funcionam com caldeiras, canalizadas em CO2 e luz artificial. Aparentemente, essas coisas também são ruins para o clima. Vamos ensiná-la a cultivar sua própria comida.

O pão ainda é possível, mas a manteiga, o leite, o queijo e o iogurte, o queijo cottage e o creme são provenientes de vacas e emitem CO2. Não será mais usada margarina nem óleo na frigideira, porque essa gordura é o óleo de palma das plantações de Bornéu, onde as florestas tropicais cresceram primeiro.

Sem sorvete no verão. Sem refrigerantes e sem energia, pois as bolhas são CO2. Ela queria perder alguns quilos, bem, isso também a ajudará a alcançar esse objetivo.

Também proibiremos todo plástico, porque é proveniente de fábricas de produtos químicos. Tudo o que é feito de aço e alumínio também deve ser removido. Você já viu a quantidade de energia que um alto-forno consome ou uma fundição de alumínio? Uber ruim para o clima!

Substituiremos sua bobina 9600, colchão de espuma com memória, com um saco de juta cheio de palha, com um travesseiro de pêlo de cavalo.

E, finalmente, ela não estará mais usando maquiagem, sabonete, xampu, creme, loção, condicionador, pasta de dente e medicamentos. Seus absorventes serão substituídos por absorventes feitos de linho, que ela pode lavar à mão, com sua tábua de madeira, assim como suas ancestrais antes que as mudanças climáticas a deixassem com raiva de nós por destruir seu futuro.

Dessa forma, ajudá-la-emos a fazer sua parte para evitar a extinção em massa, o aumento do nível da água e o desaparecimento de ecossistemas inteiros.

Se ela realmente acredita que quer acompanhar a conversa da garota na TV, aceitará com prazer e abraçará com alegria seu novo modo de vida “.

(Autor desconhecido)

Crónica: “Esta “doença” dos motores”

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São os momentos negros que nos fazem ponderar sobre o que fazemos e para onde vamos. São as tragédias que nos fazem reflectir sobre as nossas escolhas.

“Com o sucesso, não aprendemos absolutamente nada. Com fracassos e contratempos, é possível tirar conclusões”, disse Niki Lauda, que nos deixou no ano passado, depois de uma vida recheada de sucessos, mas também de momentos difíceis. São momentos como o de ontem, com a notícia da morte de Paulo Gonçalves, que nos fazem parar para pensar.

O desporto motorizado é um dos mundos mais competitivos e difíceis, onde para ter sucesso não chega apenas ter talento. Para se chegar ao topo é preciso uma mistura de ingredientes especial, que não se encontra facilmente. O esforço, a entrega e os sacrifícios que se fazem, têm de ser “servidos em quantidades generosas” e nem sempre dão os frutos desejados… ou merecidos. Muitos foram os que tentaram e não conseguiram. Poucos foram os que conseguiram de facto deixar uma marca indelével.

Mas para quê? A troco de quê, tantos dão sangue suor e lágrimas, às voltas num circuito, ou a percorrer troços, a velocidades que fariam o comum dos mortais ficar congelado? Alguns pensarão que é apenas a busca da adrenalina, outros apenas a procura do reconhecimento ou do sucesso. É muito mais que isso. É uma luta pessoal em busca de ser cada vez melhor.

Ao ver a notícia da morte de Paulo Gonçalves foi-me impossível ficar indiferente, tal como a grande maioria dos portugueses. Admito que a minha “praia” é a velocidade e tudo o que implique um pouco mais de pó, não me atrai tanto, mas reconheço a valia, talento e coragem dos homens e mulheres que tentam chegar ao fim do mais duro rali do mundo. E sempre admirei a postura de Paulo Gonçalves… que sorte tivemos em tê-lo como representante das cores lusas. Um homem que nunca virou a cara à luta, que mostrou uma resiliência e determinação ao alcance de poucos, em especial no Dakar, uma prova que foi sempre algo ingrata para ele e que merecia ter vencido.

O seu currículo invejável, com inúmeros títulos conquistados, diz pouco sobre o homem, que nunca desistiu e sempre tentou até ao fim, apesar das dificuldades. Na minha mente fica a imagem recordada por João Carlos Costa nas suas redes sociais, de uma queda de Paulo Gonçalves em 2016. Uma queda violenta, que deixaria por terra qualquer um. Mas Gonçalves nem um segundo ficou no chão. Levantou-se logo, pegou na moto e seguiu. E talvez seja isto que nos deva ficar na memória. Um herói, que percorreu os troços mais difíceis, sempre com uma determinação inabalável, e que a cada queda respondeu com uma dose ainda maior de determinação.

Talvez seja isto o desporto motorizado… uma caricatura a alta velocidade da vida, em que os maiores nomes serão provavelmente os maiores exemplos de como andar neste mundo. Talvez seja esta superação constante dos artistas que nos faz gostar “disto” e dá sentido a este desporto. Burce McLaren disse uma vez “fazer algo bem vale tanto a pena, que morrer a tentar fazê-lo melhor não pode ser considerado loucura”.

Certamente que aos familiares e amigos esta consolação servirá de pouco num momento de tanta dor, mas no futuro, a certeza de que Paulo Gonçalves foi o verdadeiro exemplo do que é o espírito do Dakar e que o seu nome será recortado para sempre, será motivo de orgulho e que esta busca incessante pela vitória será inspiração para muitos. E isto não pode ser considerado loucura. Paulo Gonçalves e muitos outros artistas dos motores, serão recordados durante muito anos… a “imortalidade” é o prémio pelas suas conquistas e mais que isso, pela sua postura. A nós, resta-nos dentro das nossas possibilidade, pelo menos tentar seguir estes exemplos e recordar os seus feitos. E se assim for, talvez tudo isto, esta “doença” dos motores, faça mais sentido.

Fábio Mendes

At https://www.autosport.pt/

Greenrail ou o conceito de transformar as linhas férreas em produtoras de energia limpa

Temos vindo a conhecer muitas novidades no que toca à produção de energia limpa. Principalmente estruturas dedicadas ao segmento automóvel, como estradas produtoras de energia, estações de abastecimento também elas produtoras e várias tecnologias nos próprios veículos. Portanto, tudo serve para acolher aquilo que o Sol e outras fontes limpas nos oferecem. Assim, ter as linhas de comboio a produzir também é uma excelente ideia.

Apareceu pela mão da empresa Greenrail uma solução que utiliza tecnologia inovadora para tornar as travessas das linhas mais eficientes, reduzir o desperdício e gerar energia limpa.

Seguramente ainda se lembra do que falámos no passado ano, que fechamos há poucas horas. Estradas produtoras de energia, carros que deixam os motores térmicos, barcos que agora são elétricos e até aviões que não queimam combustível fóssil.

Há um combinar de tecnologias. Se por um lado a ideia é deixar de poluir com a combustão dos derivados do petróleo, por outro percebe-se a necessidade de ampliar a rede de produção destas energias limpas.

Linhas de comboio que também produzem energia solar

Já imaginou quantos milhares de quilómetros existem em Portugal de linha férrea? E no mundo? É um ideia interessante usar este espaço da linha para recolher energia. Assim, uma empresa teve a iniciativa de criar uma solução que dá uma utilidade acrescida às travessas que fazem parte da linha dos comboios.

Embora a inovação, o design e a tecnologia tenham transformado a maioria das indústrias tradicionais, algumas coisas têm permanecido as mesmas durante séculos. Na indústria ferroviária, as travessas de madeira ou de betão permaneceram praticamente inalteradas desde que foram introduzidas no início do século 20. Não está na hora de evoluir esta estrutura?

Como surgiu a ideia de travessas produtores de energia?

Em 2005, Giovanni De Lisi, um trabalhador italiano de manutenção e instalação ferroviária, teve uma ideia que poderá mudar o padrão de toda a indústria, introduzir a economia circular e fazer a transição da indústria para a neutralidade de carbono.

Greenrail, uma empresa recém-criada com sede em Milão, produz travessas de betão com uma mistura de plástico reciclado e borracha de pneus ELT (End of Life Tires). Através do seu processo de economia circular, cada quilómetro de linha ferroviária feita pela Greenrail permite a reciclagem de 35 toneladas de plástico e pneus usados.

Economia Circular é um conceito estratégico que assenta na redução, reutilização, recuperação e reciclagem de materiais e energia. Substituindo o conceito de fim-de-vida da economia linear, por novos fluxos circulares de reutilização, restauração e renovação, num processo integrado, a economia circular é vista como um elemento chave para promover a dissociação entre o crescimento económico e o aumento no consumo de recursos, relação até aqui vista como inexorável.

As travessas inovadoras reduzem os custos de manutenção em cerca de 50% porque “o plástico reciclado e a capa de borracha ajudam a reduzir o desgaste do lastro da via, absorvendo vibrações, diminuindo o movimento lateral das linhas e aumentando a capacidade de carga em 40%”, explicou o fundador e CEO da Greenrail De Lisi em entrevista à EJinsight.

Mais que reciclar é possível produzir energia limpa

Embora estas características de reciclagem fossem suficientes para as tornar muito interessantes, outra ideia equipou de sobremaneira estas estruturas e podem ser uma revolução. O empresário italiano decidiu transformar esta peça passiva numa infraestrutura de produção de energia.

A Greenrail Solar integra painéis solares que convertem a infraestrutura ferroviária numa central fotovoltaica. Conforme foi descrito, esta “inovação”, utiliza um sistema piezoelétrico para gerar eletricidade durante a passagem de um comboio. Uma terceira versão, Greenrail Linkbox, envia dados para diagnósticos em tempo real, melhorando a segurança e a manutenção preditiva dos caminhos de ferro.

Cada quilómetro de travessas solares Greenrail pode produzir 35 MWh por quilómetro, energia suficiente para suprir as necessidades anuais de eletricidade de 10 residências. Considerando que só na Europa existem aproximadamente 380 milhões de travessas de betão, o potencial pode ser enorme.

Projetos piloto estão já a produzir energia

Embora a empresa tenha começado a expandir-se em mercados de alto potencial como os EUA, Índia, Austrália, Brasil, Rússia, Uganda e Cazaquistão, em setembro de 2018 abriu o seu primeiro troço piloto de travessas inteligentes na linha Reggio Emilia – Sassuolo, Itália.

Desde então tem afinado e melhorado a tecnologia. Nesse sentido, poderemos num futuro próximo ver as linhas de comboio com outro aspeto, de passivas a ativas na produção de energia.

At https://pplware.sapo.pt/

Franco-maçonaria ceuta une várias Lojas espanholas e portuguesas

Ceuta

Organizada pelo Triângulo Hércules de Ceuta, a celebração maçónica congregou mais de meia centena de franco-maçons de várias nacionalidades.

El Triángulo Hércules, única estructura masónica liberal, mixta y adogmática en Ceuta, ha organizado una Tenida Solsticial en nuestra ciudad.

Este Triángulo, dependiente de la Logia Pitágoras de Málaga del Gran Oriente de Francia, está implantado en nuestra ciudad desde el mes de septiembre del pasado año 2018 y cuenta ya con una quincena de miembros.

Solsticio

Esta especial y tradicional reunión de francmasones, que se lleva a cabo dos veces al año (invierno y verano), tiene por objetivo, como su nombre indica, celebrar las fechas en las que se observa la máxima diferencia de duración entre el día y la noche.

Según Luis Gámez Lomeña, Venerable Maestro de la ya citada Logia Pitágoras de Málaga, el solsticio de invierno es una fiesta importante para la Masonería. Es el instante – asegura el francmasón malagueño – que representa un gran símbolo natural de la muerte y el renacimiento. Es nuestro memento mori por antonomasia, donde toda la naturaleza venera, enlutada, la Luz que es la fuente de toda vida, pero no podemos olvidar – añade – que en esa muerte yace la semilla del espíritu que florecerá en la primavera y culminará en el esplendor del solsticio de verano. Ya lo dijo el célebre escritor y ensayista Albert Camus, “en medio del invierno descubrí que había dentro de mí un verano invencible”.

Ceuta

El Venerable Maestro de la Logia Pitágoras ya citado ha asegurado que “la Ceuta masónica brilla de nuevo con luz propia, y es por ello que varias logias del sur de España, Portugal y Francia han decidido, en esta ocasión, llevar a cabo esta importante manifestación masónica en una ciudad con honda tradición francmasona y en la que siempre nos sentimos todos bienvenidos. Como es sabido, no es la primera vez que venimos a Ceuta, pero siempre que retornamos, encontramos un buen motivo para regresar de nuevo.”

Iniciación de una francmasona ceutí

Además de una celebración especial, esta Tenida solsticial ha sido el marco perfecto para la iniciación de una nueva francmasona ceutí.

Esta iniciación, que el Venerable Maestro de Pitágoras no ha dudado en definir como histórica, es la primera que se produce en nuestra ciudad desde el golpe de Estado de 1936, que acabó con la vida de muchísimos francmasones que solo pretendían alcanzar el ideal de la Fraternidad. Al mismo tiempo – ha declarado – hemos podido asistir igualmente al pase de “Aprendiz” a “Compañero” de otros tres ceutíes, un hecho también histórico ya que, desde la referida fecha, esto nunca se había producido en Ceuta.

Cabe resaltar que los francmasones del siglo XXI, sean de Ceuta, de Málaga o de París, siguen trabajando como en 1936, por un mundo en el que la Libertad sea la base, la Igualdad sea el medio y la Fraternidad, el fin.

Siempre nos han perseguido y vilipendiado por ser librepensadores, por creer que otro mundo más humano es posible y que la Fraternidad entre los pueblos debe prevalecer por encima de dogmas, nacionalidades, razas, religiones o el color del pasaporte… ese es nuestro ADN y por esa senda vamos a seguir, que no le quepa duda a nadie”.

Masonería andaluza

Además de la Logia Pitágoras también estuvieron presentes, en lo que respecta el sur de España, las Logias Heracles (Estepona) y Tartessos (Sevilla) con sus respectivos Venerables a la cabeza.

Teresa Bellido, máxima responsable de la estructura masónica sevillana, que hace poco pronunció una conferencia en Ceuta que tenía por título “Mujer y masonería”, ha afirmado sentirse en nuestra ciudad “como en su casa”.

“Vengo a la Ciudad Autónoma siempre con mucha ilusión y con deseos de seguir aportando nuestra humilde colaboración para la consolidación del Triángulo Hércules. Cuando se planteó la posibilidad de celebrar una Tenida solsticial en Ceuta, nadie lo dudó ni un momento: no solo es el lugar ideal porque Ceuta en sí está repleta de simbología masona, sino porque la hospitalidad de nuestros Hermanos caballas ya es sobradamente conocida. Esta es una más de las visitas que les hemos hecho y que les vamos a seguir haciendo”.

El Venerable Maestro de Heracles, igualmente presente en el evento, ha reiterado los argumentos esgrimidos por los otros responsables andaluces de la masonería liberal, mixta y adogmática del Gran Oriente de Francia en España.

“Los valores de Libertad, Igualdad y Fraternidad que incansablemente difunde el Triángulo Hércules son un referente sólido y consolidado dentro del panorama masónico español. Con ocasión de esta Tenida solsticial, nuestros Hermanos de Ceuta han vuelto a demostrar que la Fraternidad masónica es una definición en muchos de nuestros escritos que, como este fin de semana, se transforma en actos.

Logia Utopía, Portugal

Por su parte, el Venerable Maestro de la Logia Utopía de la localidad portuguesa de Almancil ha afirmado al finalizar el acto que “para nosotros, como portugueses, Ceuta tiene un lugar especial en nuestros corazones. Nuestras historias discurrieron de forma paralela, y en algunos casos incluso idéntica, y por ello venir a Ceuta es literalmente venir a nuestra casa. Es un honor para la Masonería portuguesa del Gran Oriente Lusitano poder participar en una Tenida de estas características en una ciudad como Ceuta, donde en cada rincón nos encontramos, a la par, trozos de Portugal y simbología masónica. La Logia Utopía de Almancil, como el resto de Logias del Gran Oriente Lusitano, está segura que en breve el Triángulo Hércules de Ceuta se transformará en Logia, y desde luego estaremos aquí una vez más para acompañarlos y ayudarlos.”

Región 17 del GODF

Esta Tenida solsticial también ha contado con la especial participación de una francmasona que integra el equipo de coordinación de la Región 17 (sur de Francia y España) del Gran Oriente de Francia, en la que se encuentran enmarcadas las Logias españolas, y por ende el Triángulo Hércules de Ceuta.

Más eventos masónicos en Ceuta

Finalmente, el Venerable Maestro de la Logia Pitágoras de Málaga ha asegurado que “desde nuestra Logia, y por tanto desde el Triángulo Hércules, tenemos varios proyectos masónicos en marcha que queremos materializar en esta Ciudad Autónoma y que darán a conocer, aún más si cabe, cuál es la visión que tiene la francmasonería sobre diversos aspectos sociales, ofreciendo siempre alternativas basadas en el ideal de la Fraternidad”. Además – ha declarado- quiero subrayar que este fin de semana hemos asistido a un acto de trascendental importancia dentro de la vida masónica. Lo diré una vez más: venir a Ceuta ha sido una verdadera satisfacción y hemos podido comprobar, de nuevo, la solidez de la estructura masónica ceutí y esperamos que la labor de los trabajos de nuestros Hermanos y Hermanas de Ceuta dé sus frutos en breve con el “levantamiento de columnas” de la Logia Hércules, hecho histórico sin lugar a dudas”.

“Una cosa está clara -concluía Luis Gámez Lomeña, Venerable Maestro de la Logia Pitágoras- vamos a seguir trabajando, tanto en Málaga como en Ceuta”.

At https://elfarodeceuta.es/

Artigo de opinião: “Web Summit: Gente agitadinha que me dá sono”

Luís Osório1.
Faltam poucas horas para se iniciar mais uma edição da Web Summit. Ao que parece todos os bilhetes (caros e baratos) foram vendidos. Muitas centenas de empreendedores de todo o mundo chegarão a Lisboa com ideias, cartões de visita e ambição. E muitas centenas de portugueses lá estarão também.

2.
Encontramos na Web Summit gente interessante, ideias novas e originais caminhos. Mas a Web Summit não celebra, ao contrário do que se pensa e diz, um mundo novo, o que celebra é o mais velho pecado humano: o da ambição. Fechar negócios, ser visto, entregar o cartão às pessoas certas.

3.
E ser aos olhos dos outros o que os outros esperam que se seja. Afirmativo, otimista, comunicador, global e vendedor (na maior parte dos casos de banha da cobra). Uma feira de gente adaptada a este tempo e que, na maior parte dos casos, se está a borrifar para o mundo. O que os atrai são os casos de sucesso, pessoas comuns transformadas em bilionários, o que os comove é a boa vida, o sucesso, as cotações de bolsa, os IPO’s.

Web Summit

4.
O que celebramos na Web Summit é também a tragédia de um tempo em que os problemas reais de milhões de pessoas são secundarizados face ao progresso do virtual e do advento de novos génios parecidos uns com os outros. Muito engraçados. Muito vivos. Muito egocêntricos. Muito cosmopolitas. Muito bem-postos, cheirosos e persuasivos. Muito high tech, muito crowdfunding, muito pitch, muito fablab, muito hub, muito kickstarter, muito tec labs, yield e zeal. E muito networking, o mais importante de tudo.

5.
Muito bom para Portugal ter a Web Summit. Mas não me peçam para glorificar um mundo que é feito do que parece. Gente muito agitadinha que me dá sono e vontade de não conhecer mais ninguém.

Luís Osório

At https://www.facebook.com/