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Artigo de opinião: “Joaquim Bastinhas”

pedro pintodsc_0109Nunca pensei que no dia que voltaria a escrever seria sobre ti, particularmente neste contexto. Meu Amigo Bastinhas, gostava tanto de poder voltar a escrever todas as linhas que te dediquei nos diversos órgãos de comunicação social onde estive; as vezes que te chamei “único”“toureiro do povo”“com Bastinhas veio a praça abaixo”“a alegria contagiante de Joaquim Bastinhas”“Bastinhas causou furor” e tantas, tantas coisas mais…

Hoje escrevo-te com as lágrimas a correrem-me pelo rosto, nem sei que escrever, falta-me alguma coisa; a amizade é uma coisa que não se vê, mas sente-se; faltou-me aquele telefonema na noite de Natal, que todos os anos dávamos; hoje falta-me aquele conselho amigo que sempre davas quando iniciava qualquer projecto e foram tantos, quando dizias “essa é boa, vou eu e o meu Marcos” ou quando “não te metas nisso que vais perder dinheiro” e eu teimoso, às vezes não seguia o teu conselho e batia com a cara e tu dizias-me “vês quem tinha razão?”. Tinhas tu, tinhas sempre, por isso pensei e meti na cabeça que eras eterno (para mim serás sempre)!

Podia ficar aqui a escrever todas as histórias que tivemos juntos (e foram tantas), todas as partidas que pregaste, todos os teus triunfos, todos aqueles Verões quentes que passei na tua Herdade e as corridas que tive o prazer e gosto de te acompanhar (na altura que se toureavam 60 numa época). Fizeste-me crescer como homem e como pessoa, nos últimos anos andámos mais afastados, mas ambos sabíamos que se fosse preciso, estávamos ali!

Estavas anunciado para Ponte de Lima, quando três ou quatro dias antes foste “colhido” por aquela maldita máquina; ligaste-me depois a agradecer ter-te substituído pelo Marcos, não tinhas de o fazer, era o substituto natural, mas isso eras tu, sempre uma palavra, sempre um gesto, por isso te tornaste único!

Amigo, de ti fico com as grandes recordações, o teu sorriso inigualável, aquele abraço que demos no hotel na Figueira da Foz, na noite que reapareceste e ambos nos emocionámos, eu naquele dia não podia faltar e não faltei!

Existem três fases na tauromaquia, a Antes de BastinhasDurante Bastinhas e Depois de Bastinhas e isto tem fácil explicação, na altura que não havia internets e outros afins, o norte do país só conhecia Bastinhas, pelo seu carácter e personalidade próprios, pela alegria e simpatia, pelos pares de bandarilhas; Bastinhas foi único e deixa um vazio imenso na nossa tauromaquia!

Marcos, esse vazio será ocupado por ti! Serás tu que tens de ter Força, muita Força, para continuares o que tão bem tens feito e honrar aquilo que o teu pai mais gostava, ver-te tourear! Lembro-me quando toureaste como amador na Amareleja (a primeira vez que ele não te pôde acompanhar, pois toureava em Tomar) e eu relatei-lhe toda a tua actuação (grande) pelo telemóvel, ele vibrou como se estivesse lá! E no final dizia-me “mas ele esteve mesmo assim, foi mesmo assim bom?”

Marcos, percebo que de repente penses que o mundo te caiu em cima, mas sei que vais crescer ainda mais com as dificuldades, vais crescer ainda mais como homem, vais ser um apoio super importante para a tua mãe (e vice-versa), tens uma grande mulher a teu lado (Dália) e nos teus filhos vais ganhar a restante Força para seguires em frente! Os teus amigos estarão ao teu lado e o teu irmão Ivan também! Da minha parte procurarei estar sempre!

Lena, por trás de um Grande Homem está sempre uma Grande Mulher; sabe bem o que sinto agora e sei bem o que está a sentir; perdeu um Grande Marido e eu um Grande Amigo! Tinha as suas coisas, mas quando era necessário ele sempre estava lá! Aqueles minutos que nos abraçámos a chorar no dia das cerimónias fúnebres pareceram uma eternidade. Sei que sente um vazio e uma dor imensa, mas ele lá no lugar que Deus o guardou, estará sempre a olhar por si! Muita Força minha Amiga!

Comendador Rui Nabeiro, o Senhor também perdeu um grande amigo, foi uma grande “cornada” que a vida lhe pregou (a todos nós), maior que todas as outras que lhe tentaram dar durante a sua longa e bonita vida, muito Força caro Amigo!

Ivan, tu és a Força, a mesma que tiveste quando quiseste ser forcado e uma vez em Milfontes foste seis ou sete vezes à cara de um toiro e o teu avô Sebastião dizia-me “Pedro Pinto não deixe lá ir mais o meu Ivan”, mas tu não desististe! Terás de ter Força para ajudar a tua mãe e o teu irmão! Sei que a tens!

Não consigo escrever mais, só choro (no final vou sorrir porque sei que ao pé de ti nunca ninguém andava triste, nem tu gostavas), porque perdi um Amigo, daqueles a sério, poderia estar aqui a contar mais mil e uma histórias, mas guardo-as para mim, com carinho e admiração, para mim serás sempre Eterno Bastinhas!

Pedro Pinto

At https://farpasblogue.blogspot.com/

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CIMAA retira apoio ao Alpalhão Art & Walking Festival 2018 por exigência camarária?

art and walking

“O Festival de Arte e Caminhadas de Alpalhão 2018 – Alpalhão Art & Walking Festival 2018 realizou-se em Alpalhão e nos territórios vizinhos do Alto Alentejo de 16 a 25 de Novembro de 2018. O evento foi um sucesso em toda a linha, tendo-se cumprindo integralmente o programa que se apresentava abrangente, versátil e ambicioso. Todos os momentos programados ocorreram sem qualquer perturbação do que estava previsto, com exceção do imprescindível envolvimento da autarquia onde o evento decorria e da retirada inusitada da CIMAA – Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo, precisamente em cima do acontecimento.

Esta iniciativa começa por ser inédita pelo facto de ter na sua génese o esforço promotor de duas instiuições do setor privado – o Hotel Monte Filipe como Promotor e a SAL Sistemas de Ar Livre como Organizador. Foram estas instituições privadas que asseguraram todos os custos de organização e desenvolvimento do programa. (…)”

Albergaria Penha do Tejo, em Nisa – passaram 20 anos

A Pen(h)a do Tejo – A triste entrada norte no Alentejo

A Albergaria Penha do Tejo, com vista panorâmica para a Barragem do Fratel, foi inaugurada, numa primeira fase, em 1997, como forma de dinamizar uma das gargantas do Rio Tejo. Apesar de, em tempos já ter tido uma “grande adesão” e de ter sido um complexo turístico, actualmente encontra-se perdida no tempo e é caracterizada por um ambiente degradado e ignorado pelos olhares dos que lá passam.

Onde o Alentejo dá lugar à Beira Baixa, centenas de viaturas percorrem os quilómetros do IP2 à procura de um destino. Do outro lado da via, as águas da Barragem do Fratel, uma das gargantas do Rio Tejo, assumem uma calmaria e serenidade que confrontam o movimento agitado da estrada. As colinas verdejantes e as aves que voam no ar lá ao longe pintam o quadro da paisagem. O sol e o céu azul chamam por descanso e sossego.

Situada entre o IP2 e a Barragem do Fratel está contemplada a Albergaria Penha do Tejo. Uma infra-estrutura que partiu da iniciativa da Comissão Coordenadora Regional (CCR), que foi criada, numa primeira fase em 1997, pela Câmara Municipal de Nisa, com José Manuel Basso no Executivo e inaugurada por Victor Cabrita Neto, secretário de Estado do Turismo, no XIII governo constitucional, em que António Guterres assumia o cargo de primeiro-ministro.
Naquele ano, o empreendimento teve um financiamento de cerca de 250 mil contos e foi apoiado pelo Segundo Quadro Comunitário de Apoio (FEDER), através da Acção Integrada do Norte Alentejano (AINA). 10 era o número total de funcionários que possuía.

Em entrevista ao DP, José Manuel Basso, antigo presidente da Câmara Municipal de Nisa, explicou que “inicialmente, o projecto, que se considerava interessante, foi aprovado para a dinamização da Barragem do Fratel”, acrescentando que este era “um negócio concorrencial”.
De acordo com o antigo presidente da Câmara Municipal de Nisa, depois da primeira infra-estrutura estar inaugurada, avançou-se imediatamente com uma segunda fase, terminada em 2001 e apetrechada com a área de alojamento e uma piscina, para dar resposta a “muitas procuras”. Contudo, a segunda fase da obra nunca entrou em funcionamento. O total do empreendimento contava com cerca de 50 quartos.
Ainda na segunda fase do projecto estava prevista a implementação de equipamentos relacionados com actividades desportivas e náuticas, elo de ligação entre a Albergaria e a Barragem da Penha do Tejo.

“O programa de trabalhos foi apresentado à União Europeia e se o empreendimento tivesse sido continuado nesta fase já estariam implementados os desportos náuticos e o rio já estaria completamente dinamizado”, afirmou o médico.

A beleza circundante choca com o cenário de degradação da Albergaria Penha do Tejo. Uma infra-estrutura deixada ao abandono.

Degradação da estalagem

O ambiente de sossego e de conforto da hospedaria deu lugar à degradação e a um cenário deplorável e sombrio.

Cá dentro, as suites, distribuídas em fila indiana, sem portas, deixaram de ter a sua privacidade, só restando, em cada uma delas, um armário, uma banheira e um lavatório. No corredor onde se encontram as suites, o chão é ornamentado por vidros estilhaçados. Das paredes brancas interiores do edifício, saem fios de electricidade danificados. O Hall de entrada que dá acesso ao mini bar é caracterizado por lixeira e por actos de vandalismo. Junto ao restaurante panorâmico e ao bar, transformado em retalhos, restam pinturas de paisagens que guardam lembranças e recordações. A sala de reuniões e de festas resumiu-se ao nada.

Lá fora a serenidade da Barragem do Fratel contrasta com o abandono e a renúncia de piscina, rodeada por mato que teima em trepar cada vez mais os céus alentejanos, esquecendo o relvado fresco de outrora. Ainda lá fora, um parque de diversões, colocado ao abandono, guarda momentos de divertimento que, noutro tempo, faziam as delícias dos mais novos.

O campo gimnodesportivo, destinado a actividades ao ar livre, ainda se encontra intacto à espera que façam uso das funções para que foi construído.

O vandalismo a que a estalagem começou a estar habituada destruiu uma das realidades que poderia vir a ser um marco para o desenvolvimento turístico da região.

“Fiquei preocupado e horrorizado como cidadão.” Foi desta forma que José Manuel Basso se sentiu quando confrontado com o estado de abandono e de degradação da Albergaria. Segundo disse, este era “um projecto da Região de Turismo, do município e das gentes do Alentejo e da Beira”, lamentando que “quando um processo é parado obviamente que deixa de ter sentido”.

Aquando se encontrava ainda no Executivo, José Manuel Basso e a Câmara de Nisa abriram um concurso público para a concessão da exploração do projecto. “Enquanto fui presidente da autarquia, a porta da Albergaria abria todos os dias e eu próprio a frequentava com alguma assiduidade, acompanhando as propostas que haviam para o futuro daquele empreendimento”.

Para o antigo presidente, a actual Câmara “tratou o empreendimento como um enteado enjeitado. Quem está no cargo deve ter a responsabilidade de zelar pelo seu património”. José Manuel Basso referiu ainda que “há uma concepção que foi desprezada por aquilo que foi abandonado que, sob o ponto de vista político e civil, é condenável”.

Esperança

Ao que o DP conseguiu apurar, um grupo de pessoas defensoras da Albergaria está a ultimar uma acção judicial contra a Câmara que se encontra actualmente no Executivo de Nisa, por delação de património.

O DP tentou contactar a presidente da Câmara Municipal de Nisa, Maria Gabriela Tsukamoto, mas até ao momento não foi possível.

José Manuel Basso tem esperança no renascer de um empreendimento que foi morrendo aos poucos. “Sinto-me triste. Precisa-se de um investimento público e de vontade”. Contudo, o antigo presidente da autarquia de Nisa tem esperança “que surjam mecanismos por parte dos cidadãos, pois nessa via de intervenção será uma questão de tempo para que hajam formas de gestão para que a infra-estrutura volte a funcionar eficazmente”, concluiu.

A Albergaria Penha do Tejo é actualmente local de passeio para animais e caracterizada por um ambiente esquecido, perdido no tempo e ignorado pelos olhares dos que lá passam, à espera que alguém lhe dê um novo rumo.

Ana Pires

At “O Distrito de Portalegre”, 06/08/2009 e http://psnisa.blogspot.com/

Artigo de opinião: “Olhe que sim, dr. Costa, a tauromaquia é cultura civilizacional”

Luis Capucha 1303434Se o primeiro-ministro crê que a questão das touradas é de civilização, então temos motivos para nos preocuparmos seriamente. Porque ele alinha com as seitas fundamentalistas que promovem a ideia de que não existem diferenças entre homens e animais sencientes não humanos.

O primeiro-ministro António Costa resolveu sair a terreno para defender a sua ministra da Cultura, um quadro da sua entourage (vulgo, uma girl), no caso do ataque à tauromaquia com pretexto da taxa do IVA. Parece esperar o fim da polémica após a sua intervenção numa arrogante resposta a Manuel Alegre. Mas só lançou gasolina para a fogueira.

Já circulam na Net as fotos do António Costa presidente da Câmara de Lisboa, satisfeito da vida a exultar com uma corrida de toiros no Campo Pequeno e a abraçar efusivamente o Cabo do Grupo de Forcados Amadores da Cidade em plena arena.

O que o fez mudar tanto de ideias em tão pouco tempo? O “negócio” com o PAN, que hoje todos aplaudiríamos se fosse destinado a aumentar o Orçamento para os canis e os gatis, mas que infelizmente instrumentaliza o governo para uma “canelada” política na tauromaquia, o que sempre dá mais visibilidade, tão necessária quando se aproximam eleições. Puro oportunismo político, portanto. A taxa do IVA é apenas um pretexto.

Arrogante é um adjectivo suave para classificar a atitude de um primeiro-ministro que julga poder pronunciar-se sobre uma questão que envolve o regime democrático e os valores civilizacionais (nada menos do que isto, é ele mesmo que o assume) no “sossego de uma viagem até Berlim”. É tudo o que tem para dar ao debate sobre a civilização? É deprimente!

O oportunismo político assente num cálculo errado a respeito das simpatias dos portugueses é mascarado, no artigo publicado no PÚBLICO hoje, dia 11 de Novembro, com argumentos alinhavados à pressa por António Costa no avião para Berlim para parecerem uma opinião, padrão de gosto e sensibilidade pessoal, atributos legítimos para exibição pelo cidadão António Costa, mas que não devem em caso algum guiar acção e o discurso de um primeiro-ministro. Tais argumentos rodam em torno de dois erros: em primeiro lugar, a costumeira e banalíssima mistificação da questão animal; em segundo lugar, o não menos comum preconceito no modo de olhar a alteridade e a identidade cultural de milhões de portugueses que gostam de toiros, a incapacidade para tentar perceber a sua perspectiva, e a intolerância face a mundovisões diferentes da sua.

Sobre a questão animal, há um tópico indiscutível: houve uma alteração ao Código Civil que torna os animais sencientes distintos, à face da Lei, das outras coisas. Lei essa que não os equipara aos seres humanos. Não há controvérsia sobre esse novo estatuto e a sua evocação por A. Costa só pode ser lida como poeira para os olhos.

Mas a ideia viciosa de que podemos equiparar os animais não humanos às pessoas emerge por todo o lado no artigo. É pura mistificação e, na essência, um apelo populista às pessoas que confundem a luta contra as touradas com a luta pela defesa do bem-estar animal. A luta pelo bem-estar animal é uma responsabilidade das pessoas de bem. A luta contra as touradas é uma luta contra a liberdade e a democracia cultural. É essa mistificação que o leva a evocar a pornografia como exemplo da diversidade dos espectáculos culturais e, logo, do modo como o Estado os deve tratar. O tratamento penalizador das touradas seria, pois, do mesmo tipo do combate à pornografia. Se isto não é um insulto reles, o que é? Mas a coisa é pior. A razão da discriminação das touradas é o modo como são tratados os animais que nela intervêm. E no caso da pornografia? Está a comparar as pessoas que são exploradas nas indústrias do sexo, a animais?

Se o primeiro-ministro crê que a questão das touradas é de civilização, então temos motivos para nos preocuparmos seriamente. Porque ele alinha com as seitas fundamentalistas que promovem a ideia de que não existem diferenças entre homens e animais sencientes não humanos.

Só há duas maneiras de promover a igualdade entre homens e animais: ou promovendo os animais à condição humana, o que tem acontecido no plano simbólico (desde La Fontaine às indústrias Disney), ou fazendo descer os homens à condição animal. O problema com a primeira via é que há pessoas que confundem as metáforas com a realidade, caindo na situação perversa de humanizar os animais, isto é, violentar a sua natureza, que não conhecem nem compreendem. O problema com a segunda é que representaria o fim de qualquer civilização, situação que a história já conheceu. Não me canso de lembrar que as primeiras leis de protecção dos animais foram produzidas pelo governo nazi, o mesmo que é responsável por uma das (se não a) mais violenta e trágica descida da humanidade a um estado de selvajaria.

Além disso, o texto do senhor primeiro-ministro é demagógico. É falso afirmar, no contexto português e face às controvérsias em curso no nosso país, que uma opção civilizacional não implica desqualificar os oponentes. Que oponentes? Os aficionados são oponentes da nossa civilização? É chocante essa afirmação na boca de uma girl do Primeiro, mas soa a obscenidade na boca dele próprio. E sim, Manuel Alegre tem razão: todos os populismos começam com a criação de uma clivagem entre um “nós”, os bons, e um “eles”, os maus, os perversos, os menosprezáveis, os inimigos. Contra os quais a sociedade deve ser avisada pelo Estado, como o é sobre o consumo de sal ou açúcar. Ridículo! Já viu bem onde se está a meter, António Costa?

O segundo vetor consiste na forma ultrajante, grosseira e agressiva como classifica, explícita ou implicitamente, os aficionados à Festa de Toiros. Diz A. Costa que é preciso “… respeitar as pessoas que, como eu, rejeitam a tourada como manifestação de uma cultura violenta ou de desfrute do sofrimento animal”. É o que sempre fizeram os aficionados. Mas, não estará a confundir “cultura violenta” com cultura de controlo da violência? Não são as touradas institucionais de hoje o resultado do “processo civilizacional” da relação milenar entre homens e toiros? Tem algum sinal, a mínima evidência, que lhe permita sustentar a ideia de que as comunidades taurinas são mais violentas do que aquelas com que convive nas mesmas sociedades? Já alguma vez procurou ouvir e respeitar o que dizem os aficionados sobre o modo como vivem o ritual da Corrida de Toiros e o que sentem perante a arte praticada enfrentando esse animal excepcional que é o Toiro de Lide? O que o anima na sua saga antitaurina é, senhor primeiro-ministro, o puro preconceito.

António Costa rejeita a tourada e acha chocante a sua transmissão televisiva (embora não pense proibi-la, para já). Mas não ficaria preocupado se ela se confinasse aos municípios que decidissem mantê-la. Há uma dupla hipocrisia na ideia. Por um lado, acha que os toiros podem ter tratamento diferenciado consoante os municípios. Por outro lado, porque já sabe que os municípios com actividades taurinas, a maioria deles de gestão socialista ou comunista, conseguiram impedir a descentralização nesse domínio. Mas seja consequente. Proponha-lhes a “municipalização” da regulação dos espectáculos tauromáquicos, mas com total liberdade, isto é, após a anulação da lei que proíbe as corridas integrais (isto é, com toiros de morte), as que respeitam verdadeiramente o toiro e a verdade que a tauromaquia encerra. Tem coragem para isso, ou teme que a Festa ganhe no nosso país a pujança que tem em França?

Em conclusão, senhor primeiro-ministro, não resolveu o problema da sua girl, apenas se colocou a si próprio em equação. A questão que agora se colocam todos os aficionados, de direita, de centro e de esquerda, é se uma pessoa que pensa como o sr. servirá mesmo para primeiro-ministro dos portugueses? Não ficaria a aliança das esquerdas melhor servida com um primeiro-ministro que fizesse o que diz (ser avesso a grandes mutações civilizacionais) e se mostrasse menos dado a compromissos com partidos veganos que contestam todas as bases da nossa civilização?

Luís Capucha

Sociólogo, docente no ISCTE-IUL e Investigador no CIES-IUL; presidente da Associação de Tertúlias Tauromáquicas de Portugal

At https://www.publico.pt/

Opinião: “Carta aberta a António Costa”

Manuel Alegre 813619É chegada a hora de enfrentar cultural e civicamente o fanatismo do politicamente correcto.

Antes mesmo de ele existir, já eu apoiava este Governo que tem vindo a espantar o diabo tantas vezes anunciado. Portugal, apesar das dificuldades, é hoje uma boa excepção, numa Europa e num Mundo marcados por um processo de desconsolidação da Democracia e pela emergência de várias formas de populismo. Os partidos tradicionais estão em decadência, alguns em vias de desaparecimento. E a revolta popular contra o sistema já não está do lado da esquerda, passou para a direita, estimulada e manipulada pela hegemonia do poder financeiro global.

Devíamos estar atentos. Mas às vezes a euforia conduz à distracção. Eu, por exemplo, vivo uma situação paradoxal. Apoio esta solução governativa, o PS está no poder e, no entanto, por vezes sinto a minha liberdade pessoal ameaçada. Não por causa do que se passa no Mundo. Mas porque o diabo esconde-se nos detalhes. Está no fundamentalismo do politicamente correcto, na tentação de interferir nos gostos e comportamentos das pessoas, no protagonismo de alguns deputados e governantes que ninguém mandatou para reordenarem ou desordenarem a nossa civilização.

deputado do PAN foi legitimamente eleito. Com pouco votos, mas foi. Tem o direito de defender as suas opiniões. Mas não pode virar o país do avesso, com a cumplicidade dos fundamentalistas de outros partidos (com a honrosa excepção do PCP) e o calculismo dos que pensam que, em certas circunstâncias, o voto dele pode ser útil para a maioria. Uma espécie de um novo deputado “limiano”, salvo o devido respeito. O facto é que um deputado, um só, traz milhares de portugueses inquietos. Isto não é normal nem saudável numa Democracia pluralista. De modo que é chegada a hora de enfrentar cultural e civicamente o fanatismo do politicamente correcto. É uma questão de liberdade. Liberdade para não gostar de touradas. Mas liberdade para gostar. Liberdade para não gostar da caça. Mas liberdade para gostar. Algo que não se pode decidir por decreto nem por decisões impostas por maiorias tácticas e conjunturais, Não é democrático. Para mim, que sou um velho resistente, cheira a totalitarismo. E não aceito.

Por isso, meu caro António Costa, peço-lhe que intervenha a favor de valores essenciais do PS: o pluralismo, a tolerância, o respeito pela opinião do outro. Peço-lhe que interceda pela descida de 6% do IVA para todos os espectáculos, sem discriminar a tauromaquia, já que os prejudicados serão os mais pobres, os trabalhadores que tornam possível este espectáculo. Peço-lhe que se oponha à proposta do PAN para alterar a Lei 92/95, que vem comprometer várias actividades do mundo da caça, como provas de Santo Huberto, largadas cinegéticas e cetraria – Património Mundial da Humanidade. A alteração da referida Lei provocará danos irreversíveis em muitas associações e clubes de caçadores, clubes de tiro desportivo, campos de treino e caça. Estão em causa centenas de postos de trabalho e elevadas perdas económicas para o País, sobretudo para aquelas regiões onde a empregabilidade e a actividade económica estão quase exclusivamente ligadas à caça. Sim, meu caro António Costa, trata-se de uma tradição cultural e social que é parte integrante da nossa civilização. É, também, um problema que diz respeito ao emprego e à vida de milhares de pessoas. E é, sobretudo, uma questão de liberdade, que sempre foi a essência e a alma do Partido Socialista.

Manuel Alegre

Militante histórico do PS; escritor

At https://www.publico.pt/

Mil e duzentas pessoas estão a trabalhar na recarga de combustível de Almaraz

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Los trabajos en la unidad I de la central nuclear durarán 35 días, en los que se aprovechará para hacer tareas de mantenimiento

La Unidad I de la Central Nuclear de Almaraz fue desconectada de la red eléctrica a las 23.55 horas del pasado domingo para iniciar la recarga de combustible número 26.

El programa de trabajo tiene una duración de 35 días en los que se realizarán tareas de mantenimiento general, recarga de combustible y se continuará con el desarrollo de actividades conforme a requisitos asociados a la autorización de explotación.

Para esta recarga se cuenta con los servicios de más de 70 empresas especializadas que emplearán a más de 1.200 trabajadores adicionales a la plantilla habitual de la central, la mayoría de Extremadura.

Estos profesionales, según informó la central de Almaraz en nota de prensa, han recibido la formación adecuada a las actividades a realizar en la planta enfocada a la prevención de riesgos laborales y a evitar el error humano en la ejecución de los trabajos programados.

Entre las actividades programadas para esta vigésimo sexta recarga destacan la inspección visual y por ultrasonidos de las toberas de la vasija y el mantenimiento de la turbina de agua de alimentación auxiliar y de la bomba de agua de alimentación principal, así como la revisión de la turbina de baja presión y la inspección de la excitatriz.

La Central de Almaraz tiene una producción de energía eléctrica bruta acumulada de más de 526.000 millones de kilovatios/hora (kWh). La producción bruta conjunta anual de las dos unidades de central nuclear de Almaraz hasta junio de 2018 ha sido de 8.150 millones de kWh y la producción neta conjunta ha sido de 7.860 millones de kWh.

Estos datos suponen entre el 25% y 30% de la energía generada por el conjunto de las centrales nucleares de España y el 6% del total de la energía consumida en España.

Según la instalación, el último informe de la Asociación Mundial de Operadores Nucleares (WANO), sitúa a la Unidad I como líder en el ranking de fiabilidad de las centrales europeas –sobre un total de 134 reactores– y a la Unidad II en el décimo lugar.

Añade la central nuclear de Almaraz que genera más de 800 empleos directos en su área de influencia, una cifra que se eleva a 2.900 teniendo en cuenta los empleos indirectos e inducidos.

«Con un riguroso sistema de control basado en evaluaciones externas y auditorias, la central de Almaraz es una instalación de referencia mundial en continuo proceso de mejora de su seguridad, actualización y modernización tecnológica», aseveró en la nota de prensa.

At https://www.hoy.es/

Autarcas do distrito (nem todos) foram a Lisboa lutar pelo Pisão

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A Barragem do Pisão já foi anunciada por três primeiros-ministros, Mário Soares, António Guterres e Durão Barroso, mas continua por construir.

Os autarcas do distrito de Portalegre afirmaram-se nesta terça-feira confiantes na construção da Barragem do Pisão, no Crato, num investimento de 100 milhões de euros, depois de uma reunião com os ministros do Ambiente e da Agricultura.

A concretização do projecto hidroagrícola, reivindicado há dezenas de anos por diversos sectores regionais, foi discutida, na segunda-feira, em Lisboa, numa reunião solicitada ao Governo pela Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo (CIMAA).

“Estamos confiantes que a barragem vai avançar. Só o perímetro de rega é de 9.500 hectares, que serviria uma série de concelhos”, disse nesta terça-feira à agência Lusa o presidente da CIMAA, Ricardo Pinheiro, referindo que o projecto constitui também como um “reforço” à Barragem de Póvoa e Meadas, em Castelo de Vide, que abastece oito dos 15 municípios do distrito.

“Estamos confiantes que a barragem vai avançar. Só o perímetro de rega é de 9.500 hectares, que serviria uma série de concelhos”, disse nesta terça-feira à agência Lusa o presidente da CIMAA, Ricardo Pinheiro, referindo que o projecto constitui também como um “reforço” à Barragem de Póvoa e Meadas, em Castelo de Vide, que abastece oito dos 15 municípios do distrito.

Além dos ministros do Ambiente e da Transição Energética, João Pedro Matos Fernandes, e da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, Luís Capoulas Santos, participaram na reunião os presidentes dos municípios do Crato, Campo Maior (também líder da CIMAA), Portalegre, Avis, Fronteira, Sousel, Alter do Chão e Castelo de Vide e os deputados eleitos por Portalegre, Luís Moreira Testa (PS) e Cristóvão Crespo (PSD).

Segundo o presidente da Câmara do Crato, Joaquim Diogo, o Ministério da Agricultura “assume o valor da rede de rega na totalidade”.

“Os autarcas assumiram o contributo, até ao limite, para a transferência das pessoas que vivem na aldeia do Pisão e parcelamento do terreno e o Ministério do Ambiente compromete-se em liderar todo este processo e o valor do investimento público quanto à água”, disse à Lusa o autarca do Crato, concelho para onde está projectada a barragem.

O projecto hidroagrícola de fins múltiplos, que prevê à submersão da pequena aldeia do Pisão, com 60 habitantes, foi recentemente alvo de um estudo da Associação de Produtores Agrícolas de Precisão e que foi apresentado ao Governo.

Segundo o estudo, a que a Lusa teve acesso, a obra deverá ter um custo total de 100 milhões de euros, cinco milhões dos quais para o projecto de execução e 10 milhões para o realojamento dos habitantes da aldeia de Pisão.

O estudo prevê ainda 35 milhões de euros para a construção da barragem e 50 milhões para a rede de rega.

Já a CIMAA prevê que a barragem possa ter uma capacidade para 114 milhões de metros cúbicos de água, podendo, além de “reforçar” a Barragem de Póvoa e Meadas, “garantir” o subsistema do Caia, que abastece os concelhos de Arronches, Elvas, Campo Maior e Monforte.

Os 9.500 hectares de regadio serviriam os campos agrícolas dos concelhos de Alter do Chão, Avis, Crato e Fronteira, podendo, neste sector, serem criados “500 postos de trabalho” directos, segundo os autarcas.

“Neste bolo todo [100 milhões de euros] faltam cerca de 25 milhões de euros, que têm de entrar através do Orçamento do Estado”, referiu o presidente da Câmara do Crato, realçando que, na reunião de segunda-feira, “o ministro do Ambiente chamou o processo a ele, em coordenação com a Secretaria de Estado da Energia”.

Joaquim Diogo considerou ainda que “o mais importante” da reunião foi o sentimento por parte dos autarcas de um “compromisso” dos ministros, situação que não se verificava anteriormente.

A Barragem do Pisão já foi anunciada por três primeiros-ministros, Mário Soares, António Guterres e Durão Barroso, mas continua por construir, sendo considerada por diferentes entidades da região como um projecto “estruturante” para o desenvolvimento do distrito de Portalegre.

At https://www.publico.pt/

Mais de 100 na luta pelo encerramento da Central Nuclear de Almaraz

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Mais de uma centena de ambientalistas portugueses e espanhóis exigiram hoje que o novo Governo espanhol encerre a central nuclear de Almaraz, no decorrer de uma manifestação em Mérida, sudoeste de Espanha.

manifestação, convocada pelo Foro Extremeño Antinuclear, com o apoio do Movimento Ibérico Antinuclear (MIA), reuniu cerca de uma centena de ativistas, segundo números da polícia, junto ao Teatro Romano de Mérida, que acolhia uma iniciativa inserida nas comemorações do “Dia da Extremadura”.

Pedro Soares, deputado do Bloco de Esquerda e presidente da Comissão de Ambiente na Assembleia da República marcou presença no protesto e disse à agência Lusa que o novo quadro político que está em funções em Espanha, liderado por Pedro Sánchez (PSOE — socialista), deve “avançar rapidamente” para o encerramento daquela central nuclear.

“A grande novidade é o novo quadro político existente em Espanha e uma atitude por parte do Governo espanhol diferente daquela que aconteceu com o Governo do PP (Partido Popular). E essa atitude consubstancia-se na expectativa de que as centrais nucleares em Espanha serão encerradas à medida que atinjam o final do seu período de vida útil, aqui, Almaraz, será por volta de 2020”, disse.

Reconhecendo que o processo de desmantelamento de uma central nuclear é “complexo”, o deputado do BE espera que, no futuro, o Governo espanhol tenha uma “maior capacidade” de trocar informação com o Governo português sobre este processo.

A central de Almaraz, que fica situada junto ao rio Tejo, na província de Cáceres, a cerca de 100 quilómetros da fronteira com Portugal deverá encerrar em junho de 2020, prazo em que caduca a sua licença de funcionamento.

A concentração antinuclear contou também com a presença do dirigente da associação ambientalista Quercus Nuno Sequeira que, em declarações à Lusa, alertou que a central nuclear de Almaraz “é um dos maiores perigos” com que se depara a Península Ibérica e a Europa”.

Nuno Sequeira também considera que o Governo liderado por Pedro Sánchez é “mais sensível” do que o anterior para as questões ambientais, esperando, nesse sentido, que o Governo português “volte à carga” para pressionar o encerramento daquela central nuclear.

“Almaraz não é apenas um problema de Espanha, é também um problema de Portugal, está a 100 quilómetros da fronteira e é refrigerada pelo rio Tejo”, alertou.

Paca Blanco, uma das figuras “mais emblemáticas” do MIA, disse por sua vez à Lusa que a central tem que encerrar porque “já atingiu 40 anos de atividade”, tendo chegado assim o seu fim.

A ambientalista lamentou ainda que, ao longo dos últimos anos, os responsáveis pela central nuclear “têm ocultado” informações sobre os riscos do seu funcionamento.

No decorrer da ação os ambientalistas portugueses e espanhóis também empunharam vários cartazes com mensagens como “Nuclear? Não, obrigado!”, “Cerrar Almaraz”, ou “Não ao projeto nuclear!”.

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