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Forcados e toureiros também vão a Elvas amanhã

 

maxresdefaultOs chefes de estado de Portugal e Espanha vão estar presentes, amanhã, dia 1 de Julho, na cerimónia de abertura das Fronteiras. Os presidentes da ANGF e o da ANT apelam a que todos os profissionais da tauromaquia estejam presentes no Castelo de Elvas, pelas 10h30, onde se vai realizar a cerimónia.
“Mesmo sendo em cima da hora era bom estarmos presentes para continuarmos a ser vistos e reivindicarmos aquilo a que os nossos governantes nos têm vindo a privar, medidas de retoma da actividade iguais aos restantes sectores culturais. Devermos estar as 10h00 junto à entrada do castelo de Elvas. É importante a presença de todos os que se puderem juntar. Deveremos ter especial atenção ao distanciamento social e ao uso de máscara”, revela o comunicado da ANGF.

Tauronews contactou o presidente da ANGF, Diogo Durão, que irá estar presente na cerimónia. “Embora seja um dia de trabalho normal e numa altura em que precisamos todos de trabalhar, espero que os que são profissionais do sector da tauromaquia estejam presentes”, começa por revelar Diogo Durão. E acrescenta: “Os Forcados, embora sejam amadores vão estar presentes”.

Quem também vai marcar presença são os toureiros, segundo Nuno Pardal, Presidente da Associação Nacional de Toureiros que avança à Tauronews: “Já convoquei todos os profissionais a estarem presentes pelas 10h15 ao pé do Castelo de Elvas. Eu vou estar presente e acredito que os toureiros também vão, afinal temos que continuar a lutar pela tauromaquia!”.

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Os Verdes amanhã em Elvas em contestação contra Almaraz

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☢️ ALMARAZ

ENCERRAR #ALMARAZ! – Amanhã em #Elvas – Voz de Os Verdes na Abertura das Fronteiras!

🌻 #OsVerdes marcarão presença, amanhã de manhã, durante o decorrer das cerimónias oficiais de reabertura das fronteiras, junto ao Caia, em Elvas, a exigirem o encerramento de Almaraz.

Leia aqui: http://www.osverdes.pt/pages/posts/encerrar-almaraz—amanha-em-elvas—voz-de-os-verdes-na-abertura-das-fronteiras-11095.php

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Artigo de opinião: “Reflexão sobre o toiro bravo”

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Esta reflexão que aqui vos deixo, não é mais do que um grito de alerta em defesa de um animal, o toiro bravo, que amo com todas as minhas forças e energia intelectual e, tristemente, vejo esquecido e atacado, resultado de uma ignorância que apedreja a história e a cultura portuguesa. Mas como incorrigível optimista que sou, sempre com a esperança que, aqueles que governam este país, o entendam, o percebam como um verdadeiro guardião da biodiversidade.

O momento que a tauromaquia vive é a todos os títulos dramático e para muitos profissionais insustentável. Devemos compreender de forma clara ao que é que nos enfrentamos, que tempos vivemos e o que está em jogo. A globalização, que na essência me parece ter muitos aspectos positivos, matou ou feriu gravemente a cultura de identidade de cada país ou cada região. É doentio, do ponto de vista do humanismo, impor como progresso uma proibição ao outro, um repúdio aos toiros, à caça, à pesca, à relação homem/animal. A globalização na cultura, é uma realização plena e completa de uma tendência que pretende uma única forma de sentir e perceber a vida. Planificar uma sociedade de religião ou não religião única, ou de moral única, ideologicamente homogéneas é uma atrocidade para a própria Cultura. Porque as culturas de cada lugar dão sentido às gentes, à história, à sociedade, às formas de relações humanas de cada lugar.

Mas, reconhecida que está a sensibilidade actual da sociedade para com os animais, há que compatibilizar e harmonizar o modo de pensar contemporâneo com a Tauromaquia. E aqui temos um argumento de peso, uma razão vital. Não me canso de dizer que o futuro do toureio estará a salvo quando a nossa realidade ecológica imprescindível seja conhecida, compreendida, aceitada e positivada pela sociedade portuguesa. As novas gerações internacionais sensibilizaram-se com um trabalho de sustentabilidade do planeta que a tauromaquia encerra e transporta dentro de si. Mas que se desconhece. Esta é a nossa arma secreta e por muito que nos surpreenda, ninguém a conhece. Hoje não nos reconhecem como ecologistas, mas sim como mal tratadores de animais.

No caso do toiro bravo a aspiração ecologista de que todo o animal habite o espaço próprio que exige a sua natureza, cumpre-se sobradamente e podemos afirmar que o seu status é único no mundo, muito superior ao das reservas africanas de animais selvagens, uma vez que o ganadero de bravo complementa a sua alimentação em épocas de seca extrema e controla regularmente o seu estado sanitário em cumprimento das escrupulosas disposições europeias. A sua perigosidade converte-o em guardião dos bosques, neutralizando a incursão de caçadores e recolectores furtivos, pirómanos e turistas urbanos, dando, no entanto, hospitalidade e segurança a bandos de aves migratórias e outras espécies silvestres muitas delas em perigo de extinção. Portanto, temos uma defesa de uma biodiversidade sempre actual e desejada.

As ganadarias de bravo contribuem na luta contra a alteração climática porque os montados são sequestradores de CO2 e fontes produtoras de oxigénio. A criação do toiro bravo supõe ainda uma barreira contra os incêndios porque a constante vigilância dos animais e as características de acesso às explorações dificultam a deflagração e expansão dos mesmos. E também evitam o furtivismo e limitam o acesso ao maior predador: o homem.

Como afirma Carlos Ruíz Villasuso. pode acontecer que o toureio não se mantenha pela arte do toureio, mas sim pela arte da ecologia. Que ninguém pense que pela cultura, pelo culto chegaremos a um futuro melhor. O culto é o oculto. A cultura hoje significa tão pouco nesta sociedade que, se Manolete nos parece um personagem mítico saído de um quadro de El Greco, para a maioria social nova e manipulada que não sabe sequer quem foi El Greco, Manolete é só um tipo que matava animais. Ninguém já lê Lorca, seguem os passos de uma tal Greta. Vamos por aí, joguemos esse jogo social, porque aí ganhamos por goleada.

A arte de bem tourear, como a cultura, é para paladares sensíveis, mas minoritários, sim muito sensíveis. É uma arte culta. O toureio, no actual panorama social e político, não se irá manter pelo homem, mas sim pelo animal: o toiro. Parafraseando Ramón García Aragón, o toiro bravo é uma força da natureza e sinónimo de liberdade. Não é um animal de companhia nem um peluche. É uma criatura impetuosa, forte e indómita que vive e morre segundo seu instinto natural. É sinónimo de liberdade, de horizontes e espaços abertos; natureza em estado puro. Além do paraíso em que vive, goza de privilégios que nenhum outro animal tem. O homem do campo vigia-o e cuida-o durante toda a sua existência. Ninguém ama mais o toiro bravo do que aquele que o viu nascer e o cuida. Cada toiro tem nome próprio e uma história familiar ao longo de gerações, não se trata de 500 ou 600 kgs de carne para o matadouro. Não é quantidade, é qualidade.

A ganadaria brava e o mundo rural em geral sofrem actualmente uma agressão brutal baseada numa falsidade e manipulação ao serviço de interesses espúrios e ditatoriais. Para eles, este animal e o paraíso natural onde vive nada importa em realidade. Utilizam-no somente para outros fins porque não o conhecem nem o amam. A ganadaria brava não pode acabar num túnel escuro de um matadouro, seria um final sórdido e humilhante, o sentido da sua vida é a lide que lhe dá uma dimensão heróica. O toiro bravo é arte e, portanto, também é cultura e é liberdade. A sua destruição é um massacre cultural e ecológico.

Devemos, portanto, anteciparmos-nos à possível jogada de bastidores políticos, cuja habilidade para mudar os direitos constitucionais a seu gosto, alguns políticos de uma escassa minoria parlamentar já demonstraram grande apetência. Por isto mesmo, os nossos direitos devem basear-se, mais para além de uma lei que existe, mas que incrivelmente não se aplica, não nos defende e que pode ser manipulável, deve basear-se dizia, numa realidade de um ecossistema, o ecossistema do toiro bravo, que tem uma relevância de primeira ordem a nível histórico, antropológico, cultural, social, turístico, económico, artístico e de meio ambiente em Portugal.

Repudio e renego a sociedade sem alma dos animalistas. Uma sociedade sem alma onde o bem não admite outro bem que não seja a sua ideia de bem. A ideia do bem-estar único é Hitler, Stalin, sim. Deles. De Bin Laden e Maduro. Sim. A ideia de que me hão de impor um modelo de sociedade único como única lei e moral e única verdade recorda-me o malfadado sectarismo histórico que perseguiu a inteligência do humanismo. Que perseguiu a liberdade de pensamento. O sectarismo intolerante dos partidos políticos portugueses que defendem o animalismo e ambicionam impor a sua lei, deve ser travado com toda a determinação pela maioria democrática e tolerante.

Assisto estupefacto às ameaças de perseguição e regulação administrativa que sofre a festa dos toiros e todos aqueles que não encaixam na moral única desta nova raça de inquisidores que possuem a sua própria cruz gamada. Temos sempre que colocar o humanismo à frente do animalismo; ainda há pouco, escutando o cardeal Tolentino de Mendonça, uma das mentes mais brilhantes de Portugal, no discurso do 10 de Junho, ele afirmava “… a comunidade desvitaliza-se quando perde a dimensão humana, quando deixa de colocar as pessoas no centro…”

O facto de ser aficionado à festa dos toiros, nunca ofuscou a minha curiosidade sobre as questões éticas ligadas à relação homem/animal na tauromaquia e de considerá-las extremamente importantes. Seria de todo imprudente, que aqueles que conhecem a corrida não se preocupassem do estatuto ético do animal e deixassem o terreno desta reflexão, àqueles que a não conhecem. Em realidade, para se emitir uma opinião fundamentada sobre qualquer questão, neste caso um espectáculo, é necessário entendermos esse mesmo espectáculo. Os que à priori se negam ao seu entendimento, evocando um excesso de sensibilidade, podem presumir do que quiserem menos de entendimento. Poderão presumir se quiserem, de uma sensibilidade instintiva, primária, rudimentar, no fundo reflexa como a de um animal qualquer e reflectem mais depressa um déficit de sensibilidade do que, como afirmam, um excesso de sensibilidade.

Nas cidades já não existe a palavra ganadero e a de agricultor é uma relíquia! E tudo porque a paixão foi desterrada das nossas vidas. O homem cada vez mais, é um aspirante a ser um ninguém. Só com paixão se pode vencer o medo a fracassar. A paixão não é rentável, mas é algo extraordinário! Séneca, o mais estoico dos filósofos, disse que um homem sem paixão está tão perto da estupidez que só lhe falta abrir a boca para nela cair. Esta forma de nos mentirem para nos proteger. Este modo de domesticar a vida e a morte. Essa forma de ocultar a paixão não vá acontecer, que seja boa e peçamos bis. A mesma forma de nos subtraírem a dor. Porque dói.

Esta é uma sociedade onde não têm lugar os poetas, a literatura, a pintura, o génio, o carácter, o talento, o medo e o valor. Um homem de literatura como Miguel Delibes disse que “a Cultura nasce nas vilas e aldeias e destrói-se nas cidades”. Décadas antes um genial Garcia Lorca tinha afirmado que “as vilas e aldeias são livros. As cidades, jornais mentirosos”. Manter a Festa dos Toiros é, entre outras coisas, uma forma de conter a fuga das gentes das aldeias tão abandonadas de vida e de fé em si mesmos. Numa aldeia, o povo possui uma cultura nobre, humana e incorrupta. Numa época onde o correcto é a fronteira dos êxitos só posso “mandar às urtigas” o correcto. O atávico deve manter-se sempre para que o ser humano não seja uma invenção da sua intenção de endeusar-se, de ser protector de um mundo que nós mesmos estamos destruindo impondo-o ao ser humano tecnologicamente abúlico, ditando normas do que deve ou não existir para ser um ser humano; e nisso cai a obsessão de acabar com o toiro bravo.

O homem empenha-se em repudiar tudo o que o perturba. Estamos a insistir em prescindir de tudo aquilo que resulta embaraçoso para uma moral inflexível e única, rígida e granítica. Uma sociedade que se desembaraça daquilo que a agita, converte-se num rebanho de borregos. Nunca vi uma sociedade que tolera tudo o que lhe mandam fazer e tão intolerante com aquilo que os que mandam dizem para não tolerar. Nunca vi uma comunicação social tão vendida e alinhada à nova ordem mundial. Viver sob o tecto sombrio do aceitado é não aceitar que somos capazes de ter inteligência e criatividade. Liberdade. Todas as artes, liturgias ou criações são imperfeitas porque a perfeição só existe na mentira. A perfeição é a mais abominável das imposturas, é o fim do ser humano. Um toiro bravo e um toureiro, uma arena com o seu público, são o mundo imperfeito, selvagem por ser sensível, puro por ser verdadeiro, porque na arena tudo é verdade, morre-se de verdade, não se representa. Não é o animal toiro que desajusta a sociedade, é o animal homem que a deixa perplexa: a morte que pode acontecer numa arena. Tão irracional?! Que os assusta. Pois é precisamente isso que engrandece a Festa dos toiros, é precisamente isso que esta sociedade doente não entende.

O toureio é pura actividade apaixonada sem explicação razoável ou cartesiana ou lógica ou matemática. O toureio não oculta o que esta sociedade oculta porque não domina, porque lhe dá medo: a vida e a morte. A paixão pode matar, mas seguramente faz viver. E isso, a esta sociedade, dá-lhe pânico.

Meus amigos, escondermos-nos não tem afinidade nem com o toureio, nem com os aficionados, nem com os jornalistas. Pepe Alameda escreveu que o toureio não é uma graciosa fuga, mas sim entrega apaixonada. E é bom que as pessoas tomem consciência que isto do toureio não mancha nem suja e é muito digno e mais culto e sensível que muitas das artes bem subsidiadas pelo estado. E não esqueçam que os inimigos do toureio jamais viveram ou viverão nem do seu talento, nem da sua valentia, mas sim do nosso medo atávico e histórico.

Poderão proibir-nos as flores, mas não deterão a primavera!

Galeana, Junho de 2020

Joaquim Grave

(fotografia de Francisco Romeiras, na herdade da Adema – Palha)

At https://sol.sapo.pt/

Artigo de opinião: “De Vilamoura ao Ameixial, uma viagem pelo imaginário serrano!”

Antonio Covas 834924Alimento a esperança de que os mais jovens, mais do que turistas ocasionais, sejam também viajantes, mas, sobretudo, agentes inovadores em projetos de interesse comunitário.

Eu costumo dizer que os territórios não são pobres, estão pobres, num determinado período histórico da sua existência. Além disso, na sociedade do conhecimento, os nossos principais problemas são problemas ou défices de conhecimento.

Acresce que, na sociedade do século XXI, estamos bem-dotados de conhecimento, cultura e criatividade que podem ajudar a mitigar, adaptar e transformar um território, por mais remoto e agreste que ele seja.

É, assim, também, no interior do concelho de Loulé. Em escassas dezenas de quilómetros passamos do universo cosmopolita de Vilamoura, cheio de glamour e pastiche, para o universo remoto e invisível do velho mundo, pleno de histórias e memórias que o tempo apagou.

Esta viagem pelo interior do concelho de Loulé é uma metáfora ao imaginário da serra do Caldeirão e serve apenas para ilustrar a minha ideia de que há uma complementaridade virtuosa entre o litoral e o interior, desde que, obviamente, nos mobilizemos politicamente para resolver o problema.

O sistema operativo do Caldeirão

O Algarve foi quase sempre, como sabemos, lido e praticado na horizontal, seja na linha de costa, na EN 125, na A22 ou na EN 124. Vamos, desta vez, procurar lê-lo na vertical. Façamos, então, uma viagem imaginária e imaginemos que:

1) O concelho de Loulé assume politicamente que a justiça ambiental e a justiça social estão gravemente postas em causa na economia rural do barrocal-serra e, em particular, na serra do Caldeirão; o município assume este desafio como um imperativo categórico, não apenas no campo da mudança climática e da ecologia fundamental, mas, também, nos campos da economia rural e da solidariedade social;

2) A freguesia do Ameixial é eleita como a sede de um ecossistema operativo inovador para a Serra do Caldeirão; trata-se de um projeto de investigação-ação envolvendo, numa primeira fase, o município de Loulé e, numa segunda fase, os municípios do Caldeirão e os principais atores regionais que, para o efeito, subscreverão uma candidatura comum no quadro do programa de recuperação que se desenha neste momento e tendo como pano de fundo um projeto regional sobre a economia da dieta mediterrânica;

3) Do sistema operativo do Caldeirão faz parte um centro operacional de silvicultura preventiva; trata-se não apenas de um centro de limpeza de matos e matas para prevenir os fogos florestais, mas, também, de uma unidade de apoio à elaboração do cadastro florestal e à produção de biomassa;

4) Do sistema operativo do Caldeirão faz parte um centro de ecologia funcional para a biodiversidade e os serviços de ecossistema; trata-se de reabilitar linhas de água e vegetação ripícola, endemismos locais, proteção da fauna e flora serranas, restauração dos ecossistemas e dos serviços de ecossistema (em especial, a compostagem para a produção de solo);

5) Do sistema operativo do Caldeirão faz parte um espaço de coworking empresarial alimentado por um programa de estágios profissionais; trata-se de uma pequena incubadora para iniciativas empresariais que visem o desenvolvimento económico e social do barrocal serra, em especial, nas áreas agro-silvo-pastoris;

6) Do sistema operativo do Caldeirão faz parte um complexo pedagógico, recreativo e terapêutico; trata-se de um complexo com campo de férias e trabalho, residências científicas e artísticas e locais para apoio ao viajante e peregrino das caminhadas e dos percursos de natureza;

7) Do sistema operativo do Caldeirão faz parte, igualmente, um centro de artes e ofícios tradicionais, que é, também, um centro de reutilização de recursos da economia circular e um posto de observação privilegiado das artes da paisagem e arquitetura de amenidades paisagísticas;

8) Do sistema operativo do Caldeirão faz parte, igualmente, um serviço ambulatório de apoio domiciliário em matéria de alimentação, saúde e segurança, pelos diversos lugares dispersos na serra;

9) Do sistema operativo do Caldeirão faz parte, também, um centro de acolhimento de animais abandonados, mas, também, de apoio à fauna em risco e que tem o seu habitat na serra do Caldeirão;

10) Do sistema operativo do Caldeirão faz parte, finalmente, um centro de animação turística; trata-se de rever os percursos de natureza do Caldeirão e os seus postos de observação privilegiados e organizar visitas guiadas, em especial, a rota que une os seus cumes mais altos acima dos 500m.

A economia serrana e a dieta mediterrânica

Tudo o que dissemos acerca do sistema operativo do Ameixial e do Caldeirão necessita de uma fonte de alimentação, ou seja, de uma economia de rede e visitação minimamente organizada.

Imaginemos, então, uma economia serrana composta pelas seguintes atividades: a produção de pequenos ruminantes, a cabra algarvia em primeiro lugar, o mel e a transumância das abelhas, o medronho e os frutos silvestres, o pomar tradicional de sequeiro, o figo da índia, os citrinos, as flores ornamentais e comestíveis, as ervas aromáticas e medicinais, os cogumelos, a caça e os produtos da caça, a cortiça e os produtos do montado, a lenha e o carvão, a limpeza dos matos e das matas, o turismo micológico, a oliveira e o azeite, a compostagem, a biomassa e a microgeração de energia, a provisão de serviços ecossistémicos, os festivais das caminhadas, a gastronomia tradicional, a nova dieta mediterrânica. Mas, também, os produtos transformados, o marketing digital e a produção de conteúdos publicitários e pedagógicos associada ao comércio direto e online de todos estes bens e serviços.

Imaginemos, então, que somos capazes de ligar todas estas atividades, que temos um ator-rede com talento suficiente para articular conhecimento, cultura e criatividade e, assim, gerar novas cadeias de valor, de tal modo que o Ameixial e o Caldeirão se tornem parte integrante dessas cadeias de valor e sinais distintivos tão relevantes como Vilamoura ou Vale do Lobo, os sítios da Fonte Benemola e Rocha da Pena, as minas de água e as levadas, as aldeias típicas do barrocal, as estelas e a escrita do sudoeste, os vales e os hortejos tradicionais, para citar apenas as principais.

Retomo aqui o que já escrevi em outra ocasião. Tomemos, por exemplo, as artes tradicionais do barrocal-serra e pensemos no que poderia ser realizado com algumas pequenas inovações tecnológicas e artísticas introduzidas nestas atividades de tal modo que, a partir delas, se pudesse estruturar um mosaico produtivo e uma economia inteligente de rede e visitação turística.

A partir daqui, poderíamos compor uma pequena economia de aglomeração e visitação e, com um sistema de incentivos adequado, atrair para o barrocal serra os neorurais em busca de uma oportunidade.

As artes tradicionais e a economia da dieta mediterrânica

1. As artes do pastoreio da cabra algarvia
2. As artes da queijaria tradicional algarvia;
3. As artes da tirada da cortiça;
4. As artes do varejo e apanha da azeitona;
5. As artes do varejo e apanha do PTS,
6. As artes da apicultura e da melaria,
7. As artes da pisa a pé das uvas;
8. As artes da destilação do medronho;
9. As artes da apanha do figo da índia;
10. As artes da apanha produtos micológicos
11. As artes associadas à poda e ao enxerto;
12. As artes da cosmética tradicional;
13. As artes associadas às ervas aromáticas;
14. As artes associadas às ervas medicinais;
15. As artes da cestaria e da olaria;
16. As artes associadas às flores comestíveis;
17. As artes associadas à pesca artesanal;
18. As artes associadas à caça e à cinegética;
19. As artes da confeitaria e doçaria locais,
20. As artes da culinária tradicional;

A economia da dieta mediterrânica tem de ser equacionada em redor de cadeias de valor, tangíveis e intangíveis, mais do que em torno de produtos específicos e reunir em doses equivalentes conhecimento, cultura e criatividade, quanto baste. Este é o momento do digital, da ecologia e do combate às alterações climáticas, por isso deve ser prestada uma atenção muito especial à biodiversidade, restauração de ecossistemas e a agroecologia.

Deixo aqui alguns exemplos de cadeias de valor que precisam de ser trabalhadas com muita imaginação no terreno, mas, também, pelo marketing digital, seja através de visitas guiadas, jornadas científicas, festivais de caminhadas, programas pedagógicos para os mais jovens e programas terapêuticos para os mais idosos:

– Um dia na floresta da serra algarvia: a apanha dos frutos silvestres e a destilação do medronho conjugado com o turismo micológico e os percursos de natureza e a gastronomia serrana da dieta mediterrânica;

– Um dia nas aldeias da serra algarvia: a colheita das ervas aromáticas e medicinais, a sua preparação e destilação, conjugado com a visita ao apiário e visitas guiadas ao património vivo e museológico das aldeias; à noite a gastronomia mediterrânica e os serões de música e teatro na aldeia;

– Uma jornada científica e cultural no barrocal serra algarvio: visitas guiadas para a observação dos endemismos florísticos e faunísticos do barrocal e serra algarvios, conjugado com percursos de natureza, as paisagens literárias, a gastronomia mediterrânica e os serões culturais de aldeia; importa lembrar que a inventariação e o plano de salvaguarda da dieta mediterrânica obrigarão a criar uma linha de investigação nesta área em particular;

– Um dia na caça: a preparação e a participação numa caçada, a culinária dos produtos da caça, sessões sobre a natureza e a vida selvagem e o turismo cinegético;

– Um dia na rota da cortiça: a tirada da cortiça e a sua transformação industrial, as artes artísticas e decorativas associadas à cortiça, os produtos e a gastronomia do montado, a apanha de flores comestíveis, as sessões científicas, culturais e recreativas associadas à multifuncionalidade do montado;

– Um dia no pastoreio: pastorear um rebanho de cabras de raça autóctone, recolher o leite e produzir o queijo artesanal, provar a gastronomia da dieta mediterrânica, assistir às sessões culturais e recreativas associadas ao sistema agro-silvo-pastoril;

– Um dia no pomar tradicional de sequeiro do barrocal serra algarvio: a apanha do figo, da amêndoa e da alfarroba, a sua preparação e transformação, o artesanato da doçaria tradicional, workshops sobre a doçaria tradicional, a gastronomia da dieta mediterrânica, sessões sobre artesanato local;

– Um dia na vinha e na adega: o conhecimento das boas práticas de produção na vinha, a pisa da uva, o processo de vinificação, a reciclagem de resíduos, os produtos derivados, as provas de vinho e o enoturismo, a gastronomia da dieta mediterrânica associada, sessões culturais, técnicas e científicas ligadas à vinha e ao vinho;

– Um dia no olival e no lagar: o conhecimento das boas práticas de produção no olival, a apanha da azeitona, o processo de transformação no lagar, a reciclagem de resíduos, os produtos derivados, as provas de azeite e o olivoturismo, a gastronomia da dieta mediterrânica associada, sessões culturais, técnicas e científicas ligadas ao olival e ao azeite.

Estes programas curtos podem, ainda, estar associados com programas especiais para o turismo sénior e o turismo para grupos de mobilidade reduzida e ser articulados, por exemplo, com residências artísticas e produção criativa e cultural (semanas criativas e culturais) e, ainda, com programas de educação física de manutenção e tratamento adaptados a grupos especiais e programas recreativos de eventos e espetáculos noturnos de fados, de teatro, de música de câmara, de canto e poesia, de cinema e documentário, campeonatos de jogos de mesa, concursos vários, etc.

Notas Finais

Em tempo de pandemia deveríamos rever os nossos conceitos de economia do turismo e economia rural e olhar para a totalidade de um território de uma forma mais justa e equitativa.

Não se trata, obviamente, de turistificar a serra do Caldeirão, trata-se de ser magnânimo com o interior esquecido e abandonado e tirar partido do grande volume de turistas que visita a linha de praia e sol do concelho de Loulé.

Depois da pandemia temos de pensar menos em termos de “negócio turístico” puro e duro e mais em termos de cadeia de valor de uma região inteira. Voltar ao “velho normal”, frágil em termos de justiça ambiental e justiça social, não seria uma prova de inteligência.

Há cerca de dez anos, o município de Loulé patrocinou um projeto inovador em espaço rural com bastante sucesso na freguesia de Querença designado “Projeto Querença”. Em boa hora, a Fundação Manuel Viegas Guerreiro (FMVG) acolheu esse projeto sob a direção esclarecida do Eng. Luís Guerreiro, entretanto falecido.

A minha sugestão ao município de Loulé é que convide a FMVG, a Junta de Freguesia do Ameixial, a Cooperativa QRER sediada em Querença e vocacionada para este tipo de ações e em conjunto desenhem um projeto para os próximos anos, no âmbito do programa de recuperação europeu e do próximo quadro comunitário de apoio para 2021-2027. Seria, também, uma forma singela de prestarmos uma homenagem devida ao Eng. Luís Guerreiro.

Como disse no início, trata-se de uma viagem imaginária pela serra do Caldeirão. Todavia, eu alimento a esperança de que os mais jovens, mais do que turistas ocasionais, sejam também viajantes, mas, sobretudo, agentes inovadores em projetos de interesse comunitário. É nossa obrigação criar as condições mínimas necessárias para que tal aconteça.

Aos amantes da natureza e aos neorurais da agroecologia serrana, o Ameixial e a Serra do Caldeirão aguardam pela vossa visita.

António Covas

At https://www.sulinformacao.pt/

Artigo de opinião: “Raios, a Inquisição fica-nos tão bem!”

Tanta vez que já escrevi sobre esta realidade, na altura tão remota, do medo que tinha de ver isto a acontecer… E que fizemos? Pouca coisa…

Podia chamar-lhes “filhos de uma grande meretriz”, “ingratos do baralho”, e podia continuar, mas acho que por hoje já é mais que suficiente…

Temos estado só a observar e a tentar digerir tanto tema, tanto assunto, tanta má notícia. Recorrentemente somos obrigados a assistir às sistemáticas faltas de educação da ministra para com esta “nossa” arte, estamos já todos cansados disto.

Hilariante e humilhante para os próprios, foi a sondagem do PAN, pobres coitados, saiu-lhes o tiro…

Sempre existiram ideologias atrozes ou ridículas, mas a mais moralmente
hipócrita numa sociedade que se alimenta fundamentalmente de animais, é o animalismo, levados por interesses puramente comerciais, como o do Bio e do Eco etc… Estes ditos “conceitos” terminados em “os”, onde é que andam agora?

Pois, não quero nem um piu, já se viu que afinal o gado não tinha culpa nenhuma no assunto!

Como diz o admirável e sempre apaixonado Dr. Joaquim Grave na sua brilhante reflexão: “Não me canso de dizer que o futuro do toureio estará a salvo quando a nossa realidade ecológica imprescindível seja conhecida, compreendida, aceitada e positivada pela sociedade portuguesa. (…) Esta é a nossa arma secreta e por muito que nos surpreenda, ninguém a conhece. Hoje não nos reconhecem como ecologistas, mas sim como mal tratadores de animais.”

Agora aprendam, se conseguirem!

A tauromaquia é o exercício de liberdade de um ritual, com um sentido profundo, mas que enfrenta uma sociedade que quer ser asséptica, inodora e incolor, e que estamos a ser engolidos pela globalização por uma cultura que não quer falar da morte, quando a tauromaquia é vida e morte. Tudo se resume a uma leitura superficial e hipócrita…

A tauromaquia nem sequer é um tema, não é uma questão, é o não assunto da banalidade – como não é assunto a gordura, a altura, o penteado ou a classe social, que produz todo o tipo de exemplares. 

Assim tem vindo a ser tratada… Assistimos a um protesto dos nossos profissionais no Campo Pequeno e bem, mas desde a história do IVA e da sinalética nas ruas em Lisboa que já se adivinhava o pior. Foi só aproveitar a maré, e o maldito vírus fez o resto do trabalho sozinho!

Será que agora é que as personagens estão a sair debaixo das pedras? – para o bem e para o mal, anda tudo a sacudir a vida e até a sanidade. Venha vida nova, vamos acreditar!

Só que entretanto, atiram-nos umas migalhas para nos sossegar e aguardar, como sempre.. Andam a brincar com gente séria que se manifesta de forma digna, atirando tostões para calarem os insurgentes.

Geração mimada de vidrinhos, qualquer coisa, ficam ofendidos e partem-se e amuam e destroem tudo o que não gostam. Ah esperem, na Inquisição também era assim…

Bem-vindos à Idade Média, pessoal! Isto está a ficar um mimo!

Onde é que andam os “Je suis” agora? Qual é a diferença entre ser terrorista islâmico ou nacional se destroem estátuas e culturas na mesma e são só primatas? É a causa que os distingue? Ou não é politicamente correcto?

É a mesma treta das minorias, mas quem é quem para achar o outro precisa de ser protegido em tom paternalista? Porque é superior? Desculpem lá, mas daqui à censura total é um tirinho, e apagar a História toda, outro!

Cá para mim, não passam de pessoas que não gostam delas, estão
militantemente deprimidas, descarregam nos outros e inventam “causas”, as tais que abominamos.

Mas as nações não se fazem com os erros? Temos que ser protegidos da História também? Mas que diabo, onde foi que errámos como sociedade para se chegar ao ponto de existirem criaturas que não entendem que não podem alterar e muito menos reescrever a História?

E tudo o que magoa, tudo o que não se gosta, solução, apaga-se! Perfeito, cambada de vidrinhos assépticos, primatas, egoístas, hipócritas e o pior de tudo, ignorantes!

São os mesmos que aplaudiam os polícias no início da pandemia e agora os maltratam?

Deviam todos, mas todos, ir limpar as estátuas com álcool gel para ser mais difícil e ir para o campo, dar beijinhos a toiros bravos, e só saírem de lá quando conseguirem.

E sem qualquer tipo de pretensão sindicalista, ou nos juntamos à séria e defendemos a Festa, ou estamos a caminho do que já tivemos o infortúnio de vislumbrar.

Não sou ninguém para fazer o que quer que seja, mas sou mais uma! E mais uns e mais umas, fazem muitos!

Vamos deixar de lado o “não-quero-saber”, abandonar a carneirada, arregaçar as mangas e fazer alguma coisa? Ou vamos continuar a colocar arco-íris coloridos à janela e acreditar que vai ficar tudo bem?

Em Espanha foi o que se viu, multidões na rua, a reter do discurso para lá de lúcido e assertivo, “Somos el mundo del toro, somos brutos y sabios, del sol y la sombra, de derechas y de izquierdas. Somos de la calle, de la cuerda y de la plaza” 

“Nuevos poderosos, en nuevos tribunales de inquisición, pretenden de nuevo prohibirnos. Pero tampoco podrán, porque la cultura no se censura, la cultura no se puede limitar, la cultura no se puede reprimir”.

Nada disto é talento ou fatalidade. 

E se algumas vezes fico triste por ser portuguesa por conta deste lixo eleito que nem todos fizeram por merecer, não duvido que este é o princípio do seu fim.

Vai ter de ser, acredito no poder evolutivo de todas as coisas, eternamente ligadas pelo mesmo umbigo da terra, e não pseudo-coisinhos-prepotentes-e-nada-democráticos.

Encolher os ombros não melhora o mundo, este não muda sozinho, muito menos o faz avançar. Sejamos a pessoa que queremos à nossa volta. Sempre. 

Os Espanhóis defendem o que é “nosso” com unhas e dentes, e nós? Vamos ser os Ingratos deste Baralho?

Ester Tereno

Cláudia André critica “política de ziguezague” dos governos socialistas sobre a Central Nuclear de Almaraz

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Cláudia André, deputada do PSD eleita pelo distrito de Castelo Branco, questionou o ministro do Ambiente e da Ação Climática, na Comissão de Ambiente, Energia e Ordenamento do Território, sobre a Central Nuclear de Almaraz.

Destacando a proximidade da Central de Almaraz da região albicastrense, a social-democrata criticou o facto de o Governo de José Sócrates não ter conseguido “evitar a renovação da licença até 2020”, situação que se repete com “o Governo de António Costa, que não consegue evitar a renovação da licença até 2028”, como se lê em nota enviada à nossa redação. Para a deputada, “a acrescentar a todos estes fracassos da diplomacia do Governo português, está a instalação do armazém de resíduos nucleares em Almaraz, construído nestes últimos dois anos, e que não se conseguiu evitar”.

Cláudia André referiu-se aos “69 incidentes na última década, alguns dos quais contaminaram as águas do Tejo”. Assim, a deputada afirma que a “política de ziguezague do Governo sobre este tema revela a ausência de estratégia relativamente à abordagem com o Governo espanhol, bem como uma ausência de preocupação, não só, com as populações do distrito de Castelo Branco, Portalegre e Santarém como também com todo o território da bacia hidrográfica do tejo”.

Cláudia André considera mesmo que “existe uma declarada contradição entre a estratégia diplomática e uma estratégia energética nacional, nomeadamente em relação ao recuo ou à não prioridade nas interligações energéticas com Espanha”.

Lamentando que o Governo não tenha conseguido evitar o prolongamento da vida da central nem evitar a construção do aterro de resíduos radioativos, a deputada do PSD quis saber que vantagens o Governo português terá conseguido para Portugal, a fim de compensar os riscos iminentes.

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