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Opinião: “No PS, dois deputados pensam. E os outros?”

Pedro S C MWyiA7rvO “desaparecimento” de Pedro Passos Coelho da cena política está a fazer bastante mal à geringonça. Desde que o ainda líder do PSD anunciou a saída do partido, sucedem-se as trapalhadas no Governo, à razão de uma por dia.

Esgotado o discurso de “a culpa é do Passos Coelho”, e esgotado o programa de Governo das reversões, a geringonça começou a ser confrontada com as suas próprias contradições, debilidades e insuficiências. Pedro Passos Coelho era o principal elemento aglutinador desta solução governativa e, desde que anunciou a saída, a geringonça treme por todos os lados.

Começa a ser difícil acompanhar o ritmo de contradições e o dar o dito pelo não dito em São Bento. À segunda-feira, os professores vão ter progressões. À terça, afinal o tempo congelado já não vai contar. À quarta, o Infarmed vai para o Porto. À quinta, afinal é só uma intenção e é melhor fazer um estudo primeiro. À sexta é dia de o Governo comemorar dois anos e pagar a um conjunto de cidadãos para lhe fazer umas perguntas simpáticas. Ao sábado é a vez de Adalberto Campos Fernandes, a propósito deste tema, dizer que não acredita “que tal seja verdade”.

Domingo é dia de descanso. Depois é novamente segunda-feira, dia em que o PS vota contra a proposta do Bloco de Esquerda para aplicar uma taxa extraordinária de solidariedade às empresas de energias renováveis, quando na sexta-feira anterior tinha votado a favor.

A melhor explicação que ouvimos até agora veio de Carlos César, esta terça-feira à SIC: “Todos os partidos políticos mudaram de posições de voto dezenas de vezes”. A explicação do ‘fiz porque os outros também fazem’ é pobre, mas é a melhor que o PS apresentou até agora. As restantes são confrangedoras.

Esta manhã na TSF, o deputado Luís Testa, a quem coube o ingrato papel de dar a cara pelo volte-face dos socialistas, parecia que estava a ser torturado pelo jornalista Manuel Acácio quando este lhe perguntava sobre o porquê da mudança de posição do PS. Gaguejou, tremeu, transpirou, disse o seu e o seu contrário e, no final, ficámos na mesma: sem perceber o que aconteceu entre sexta-feira e segunda-feira.

Para quem não sabe de quem se trata, Luís Testa é o deputado que escreveu o relatório preliminar da Comissão de Inquérito ao caso dos SMS da Caixa e que ilibou Mário Centeno. Quem leu o relatório ficou genuinamente convencido de que o ministro das Finanças nem SMS sabia mandar.

Mas o sectarismo pega-se. O PS tem 86 deputados e, esta segunda-feira no Parlamento, apenas dois tiveram dúvidas e questionaram a mudança de posição do partido de um dia para o outro. Foram eles Ascenso Simões — “Não compreendo a mudança de sentido de voto do PS de sexta para hoje” e Paulo Trigo Pereira — que fez uma declaração de voto onde justifica o seu voto contra com a disciplina de voto imposta pelo partido.

Os outros 84 deputados votaram contra a proposta do Bloco na segunda-feira com a mesma certeza, convicção e ligeireza com que votaram a favor a mesma proposta na sexta-feira. Votaram porque alguém lhes mandou votar. Não estranharam, e entranharam o voto.

Se é difícil perceber o recuo do PS e o facto de um Governo, como diz Mariana Mortágua, não ter “honrado a palavra dada”, também é difícil perceber por que é que os socialistas iam votar favoravelmente esta taxa na sexta-feira.

O PS, pelo menos no tempo de Sócrates, sempre protegeu o setor da energia e das renováveis. O Ministério Público até desconfia que terá protegido demais. Passos ignorou o setor porque, em resgate, o país tinha mais com que se preocupar e porque o petróleo estava barato. O PS de António Costa assume no seu programa de Governo (pág. 185) que quer “retomar a aposta nas energias renováveis”, estabelecendo como 40% a meta para a quota das renováveis para 2030.

Dito isto, porquê agora uma taxa sobre o setor das renováveis? E qual é o impacto que terá na meta definida pelo Governo? E por que é que o valor dessa taxa — 250 milhões de euros — é maior do que a contribuição extraordinária que paga o setor de energia tradicional e o setor da banca? E por que é que o Estado ainda cobra uma taxa dita extraordinária quando supostamente a crise já acabou?

Enfim, não se percebe porque é que o PS votou a favor e não se percebe por que é que votou contra. E há 84 deputados no Parlamento para quem esta questão é completamente irrelevante.

Pedro Sousa Carvalho

At https://eco.pt

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Jovem de Castelo de Vide a votos no OPJ 2017

OPJ

Orçamento Participativo Jovem Portugal 2017 / https://opjovem.gov.pt/

“Amigos, apresentei uma proposta no Orçamento Participativo Jovem Portugal, na área da sustentabilidade ambiental, a qual foi aprovada e está agora em fase de votação até dia 22 de dezembro.
É um projeto ligado ao Distrito de Portalegre, e consiste numa ação distrital de limpeza nas nossas áreas florestais.
Para votarem, para além de terem de ter entre 14 e 30 anos, basta aceder ao site e registarem-se, ou através de SMS gratuito, enviar para o nº 4310 com o número do projeto, 134 (espaço) o vosso nº do CC com os 12 algarismos, incluindo os algarismos de controlo. Ex: 134 123456780ZY1

Obrigado pela atenção! 

Link: https://opjovem.gov.pt/cb/kvEMymyazluTVqcpKICnrBVvNpObeUyW/topic/zEkA954YYLutabsDmeKSqHqzMj8So6kR?type=project

João Carlos Diogo

Ex-Presidente da Direção da Associação Ekosiuvenis

At https://www.facebook.com/

Câmara de Gavião reage à poluição no Tejo

A poluição do rio Tejo está a gerar preocupações no concelho de Gavião, tendo o vice-presidente, António Severino, destacado ao mediotejo.net os prejuízos ambientais, sociais e económicos, e referido que o persistir desta situação é “insustentável”.

“Não é aceitável que em pleno século XXI, um país como Portugal, no continente europeu, deixe que uma situação como esta esteja a acontecer”, disse o vereador gavionense, que tem assento na Comissão de Acompanhamento sobre a poluição do Tejo no âmbito da Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo (CIMAA).

O agravamento dos episódios de poluição já originou vários pedidos de intervenção por parte dos presidentes das Câmaras de Gavião, Nisa, Abrantes e Mação e também do Movimento ProTejo, com sede em Vila Nova da Barquinha, tendo o autarca lembrado que este “já não é um assunto novo (…) mas o facto é que, lamentavelmente, continuamos no final de 2017 a ter episódios de poluição no Tejo”.

Nisa e Gavião são os únicos municípios por onde passa o rio, no Alto Alentejo, sendo a freguesia de Belver a única alentejana a norte do rio Tejo. O município de Gavião tem efetuado significativos investimentos na praia fluvial do Alamal, por diversas vezes galardoada com a Bandeira Azul, para acolher com as melhores condições os muitos turistas que ali afluem.

“É fundamental para a economia do concelho a nossa afirmação como destino turístico coeso. Por isso implementámos uma estratégia que visa explorar ao máximo todo o potencial do Rio Tejo. Temos realizado investimentos nos últimos anos que, face à trágica vaga crescente e poluição, se têm tornado infrutíferos”, pode ler-se em recente carta dirigida ao ministro do Ambiente.

“Os pedidos de explicação da população e dos vários agentes económicos ligados ao turismo, fortemente afetados, são recorrentes. E muitos ponderam abandonar o nosso concelho que se torna assim cada vez mais despovoado e isolado”, sublinha a mesma nota, que termina com um apelo ao ministro da tutela para intervenha no sentido de “travar as descargas poluentes para que o rio seja devolvido às pessoas”.

At http://www.mediotejo.net/

O dono do Tejo

Paulo Fernandes

Este cavalheiro na foto, Paulo Fernandes, consegue ser o dono de eucaliptais imensos (já sabemos a beleza que são os eucaliptos para Portugal), é o dono da Celtejo(Altri), que nos destrói todos os dias o rio Tejo em Vila Velha de Ródão e já agora é o dono do Correio da Manhã (Cofina).

Não tenho nenhuma admiração pelo Correio da Manhã mas gostava de ver quantas vezes vem no jornal o que se está a passar com a Celtejo.

Arlindo Consolado Marques o Correio da Manhã que anda sempre todo o lado já te entrevistou?

André Rodrigues Lopes

At https://www.facebook.com/

Central Termoeléctrica do Pego vai encerrar até 2030

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O Governo comprometeu-se hoje a encerrar as duas centrais produtoras de eletricidade a carvão, em Sines e no Pego, até 2030, anunciou o ministro do Ambiente, em Bona, na Alemanha.

“Em 2030, não existirá produção de eletricidade em Portugal, a partir do carvão”, afirmou hoje João Matos Fernandes, à RTP.

O governante está em Bona, na Alemanha, onde decorre a conferência das Nações Unidas para as alterações climáticas, até sexta-feira.

“As centrais termoelétricas vão certamente ser encerradas em Portugal assim que tenhamos a capacidade de poder produzir energia a partir de fontes alternativas” sem sobressalto, disse o ministro do Ambiente.

João Matos Fernandes referiu-se à importância do compromisso que Portugal vai hoje assumir juntamente com outros países que também “estão na linha da frente” nesta matéria, como Canadá, Reino Unido, França Holanda ou Nova Zelândia.

Vinte e cinco países, estados e organizações de vários pontos do mundo juntaram-se para assinar uma declaração com o compromisso de esforçarem-se para acabar com as centrais carvão, já que estas são das maiores responsáveis pelas emissões de gases com efeito de estufa que agravam as alterações climáticas.

Em 2016, o primeiro-ministro já se tinha comprometido a ter Portugal neutro em carbono em 2050 o que implica uma redução acentuada das emissões.

Além daqueles países apontados pelo ministro do Ambiente, estão na declaração, a que a Lusa teve acesso, parceiros como Angola, Itália, México, mas também cidades como a norte-americana Washington, apesar da decisão do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de retirar o país do Acordo de Paris.

Enquanto as centrais termoeléctricas a carvão são consideradas uma das maiores fontes de dióxido de carbono que está a aquecer a atmosfera da Terra, países como a Indonésia, Vietnam e Estados Unidos estão a planear expandir a sua utilização nos próximos anos.

A declaração refere que os governos dos países parceiros se comprometem a retirar progressivamente as centrais a carvão das suas regiões, empresas e outras organizações não governamentais avançam o compromisso de deixar de usar carvão e todos se comprometem a apoiar fontes de energia limpas através as suas políticas e investimentos e a limitar o financiamento de centrais tradicionais sem captura e armazenamento de carbono.

O documento recorda que, atualmente, as centrais a carvão produzem quase 40% da eletricidade total, fazendo com que sejam o principal contribuirdor para as emissões de carbono.

“Os efeitos da poluição resultante da queima de carvão na saúde, incluindo doenças respiratórias e mortes prematuras, resultam em custos massivos tanto em termos humanos, como económicos”, refere a declaração, acrescentando que dados recentes referem que mais de 800 mil pessoas morreram por ano em todo o mundo, devido à poluição relacionada com a queima de carvão.

At http://www.mediotejo.net/

Câmara de Nisa reage à mortandade do Tejo a 13/11

Nota de Imprensa n.º 29/2017, de 13/11/2017

O Municipio de Nisa exige medidas de Combate à Poluição do Rio Tejo

O Municipio de Nisa informa que enviou, no início do mês de Novembro, um ofício dirigido ao Ministro do Ambiente, Eng.º João Pedro Matos Fernandes, alertando para a necessidade de se proceder à construção de uma solução válida, duradoura e sustentável para elevar o Rio Tejo, a RIO VIVO e VIVIDO! E exigindo medidas efetivas de combate à Poluição do Rio Tejo.

Houve no entanto, por parte do Municipio, ações de recolha de peixes mortos, junto à Central Hidroelectrica da Velada (São Matias).

Como referimos nessa missiva dirigida ao Srº Ministro do Ambiente, reafirmamos que o concelho de Nisa segue políticas Municipais, bem definidas e esplanadas no Plano Diretor Municipal (PDM), estrategicamente assente num forte pendor de sustentabilidade ambiental, predominantemente na preservação e requalificação dos recursos hídricos e hidrominerais, e na valorização do território e das suas gentes.

“Face ao exposto e pela importância deste relevante recurso hídrico para o desenvolvimento sustentável do nosso concelho, o mesmo não se coaduna com os mais recentes focos de elevada carga de poluição – crime ambiental (previsto no código Penal artº 278 e 279), que está a afetar o Rio Tejo, principalmente a jusante de Vila Velha de Rodão, a qual tem provocado uma mortandade elevada de peixes (achigã, carpa, barbo, boga, lagostins entre outros), exterminando por completo todo o ecossistema do leito do rio, principalmente neste percurso, influenciando decisivamente toda uma comunidade e o seu modo de vida.”

O Municipio de Nisa, tudo tem feito no sentido de identificar, denunciar e encontrar as soluções necessárias para a resolução deste contínuo e persistente crime ambiental, provocado por agentes poluidores e prevaricadores, que a persistir desta forma e com esta intensidade, influenciarão decisivamente os projetos de toda a nossa estratégia municipal que assenta em dinâmicas de sustentabilidade, aliadas a uma forte valorização do território e das comunidades ribeirinhas, nomeadamente as freguesias de Santana, São Matias (Velada) e Amieira do Tejo.

Exigimos e defendemos, junto das autoridades competentes, medidas realmente efetivas e duradouras de combate à grave poluição que afeta o Rio Tejo, porque a sustentabilidade do nosso território e das comunidades que nele habitam, só se coaduna com um rio vivido e com vida, em toda a sua plenitude.

At http://www.cm-nisa.pt/

Emprego: vigilantes da natureza

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Estão disponíveis 30 vagas para vigilante da natureza, tendo o concurso sido divulgado a 3 de novembro através do Aviso n.º 13241-A/2017 preparado e feito publicar em Diário da República pelos ministérios do Ambiente e Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural e pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, I. P.

As vagas referem-se a 30 postos de trabalho da carreira de Vigilante da Natureza, previsto no mapa de pessoal para 2017 do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, I. P.

O concurso está aberto por 10 dias úteis a contar da data da publicitação do aviso, ou seja, até 17 de novembro.

Depois da Unidade de Missão para a Valorização do Interior, surge agora a Unidade de Missão para a instalação do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais

Tiago Martins Oliveira foi o escolhido pelo Governo para chefiar a chamada Estrutura de Missão para a Instalação do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais.

Tiago Martins Oliveira é doutorado em Engenharia Florestal e especializado em Gestão de Risco no Âmbito das Florestas. Na nota curricular divulgada, o Governo indica que o futuro presidente da Estrutura de Missão tem grande experiência em combate a incêndios como sapador operacional, coordenador de combate aéreo e coordenador nacional de defesa da floresta contra incêndios.

O novo governante é filho do falecido historiador e presidente da Câmara de Oliveira do Hospital, César Oliveira, eleito pelo PS no mandato 1990-1994. César de Oliveira morreu em 15 de Junho de 1998, aos 57 anos.

César Oliveira era natural dos Fiais da Beira, no concelho oliveirense. O seu filho apesar de ter nascido no Porto, mantém a ligação aos Fiais, onde possuí uma casa de família e costuma vir com alguma frequência.

Aos 48 anos e natural do Porto, Tiago Martins Oliveira vai ter um estatuto equiparado a secretário de Estado e um gabinete de apoio técnico, “constituído por um máximo de cinco elementos, três dos quais com a função de assessoria técnica e de gestão, equiparados, para efeitos de designação e estatuto, a adjuntos de gabinete de membro do Governo”.

O presidente da estrutura de missão que vai repensar o combate aos fogos tomou posse esta terça-feira e tem pouco mais de um ano para envolver diversas entidades e especialistas na criação de um sistema integrado de prevenção e combate.

“Estou aqui pelo interesse nacional, aportando o meu conhecimento, humildemente, e uma das coisas que eu acho que vamos ter de fazer em breve é pedir ajuda internacional aos peritos para que eles nos ajudem a desenhar algumas soluções operacionais e outras mais estratégicas e para isto é melhor ir a Espanha, aos Estados Unidos ou à Austrália chamar pessoas para nos ajudarem”, disse Tiago Oliveira aos jornalistas, após a sua tomada de posse, realizada na residência oficial do primeiro-ministro, em Lisboa, quando questionado acerca da sua ligação ao sector da celulose.

At https://www.centrotv.pt/

Ideias claras sobre o fogo em Portugal

Domingos

Logo a seguir à tragédia de Pedrógão Grande, o primeiro-ministro pediu ao professor Domingos Xavier Viegas, do Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais da Universidade de Coimbra, um estudo sobre o comportamento do fogo. A equipa de 14 pessoas foi mais longe e mostrou o que falhou na segurança das pessoas. Em conversa com o PÚBLICO na véspera do Conselho de Ministros que vai decidir que reformas vão ser feitas, o perito em incêndios alerta para soluções “oportunistas” e que parecem “salvadoras”, mas não o são. Entra em choque com algumas das recomendações da Comissão Técnica Independente e deixa algumas sugestões para serem seguidas pelas pessoas.

Pode explicar às pessoas o porquê de este fogo ter sido excepcional?
Neste incêndio houve coisas que foram fora do comum, pelo menos para nós que estudamos o comportamento extremo do fogo. Por exemplo a interferência, a interacção entre uma trovoada e um grande incêndio. Este incêndio teve uma particularidade dramática, relativamente grave, que foi a aproximação da trovoada. O que fez? Fez incidir sobre o incêndio correntes descendentes, o tal downburst.

Esse fenómeno não era previsível?
Eram previsíveis as condições meteorológicas, não o efeito. Que havia trovoada, sabia-se, que se estava a deslocar também. Penso que não há ainda dentro da estrutura a percepção da gravidade de uma situação destas. Pesquisámos literatura e não encontrámos muitos trabalhos. São muito poucos os casos.

O que aconteceu este fim-de-semana é de uma natureza diferente?
Penso que sim. Se o episódio de Pedrógão já nos tinha causado um grande choque, este agora é de uma dimensão que ainda não recuperei dele. Vamos analisá-lo. Aquilo que se me afigura é que havia uma situação de vento muito forte.

Por causa do furacão Ophelia?
Admito que sim. Vento quente, seco e forte. Em Pedrógão, quando o incêndio começou não havia praticamente vento, manifestou-se com a entrada da trovoada e o vento que o próprio incêndio gerou. Fazendo o paralelo com o 15 de Outubro, esse vento forte fez com que focos de incêndio se propagavam rapidamente e com projecções que se espalhavam por territórios imensos. Fiquei impressionado ao ver as imagens das áreas ardidas que são um pesadelo.

Tivemos duas catástrofes de natureza diferente, há a possibilidade de se repetirem com outras características? 
Diria que sim. Há um elemento que é comum a Pedrógão e a 15 de Outubro que é a seca. Os combustíveis estão extremamente secos. Monitorizamos a humidade dos combustíveis e na quinta ou sexta-feira na Lousã a humidade era de 4%, que é um valor baixíssimo. Correspondem a condições catastróficas.

Sabia antes do fogo de domingo? Teve interação com as autoridades?
Infelizmente, ultimamente não temos estado a fazer isso. Durante vários anos tínhamos o costume de enviar.

Deixou de enviar porque não havia um interlocutor do lado de lá?
Por ventura. Nós enviávamos, não me recordo de termos um grande feedback. Partilho que há essa falta de diálogo.

EDP desafia-o a provar que o incêndio começou por causa de um cabo de alta tensão?
O nosso papel é reportar o que vimos, os dados que temos. E segundo os dados que temos, com fundamentação técnica, estamos convencidos que é esta a causa do incêndio. Ao ponto de provar, não sei a que instância se refere, se é em tribunal, não nos compete a nós, penso eu tirar ilações ou conclusões de responsabilização civil. Mas temos esta conclusão e estamos preparados para defendê-la.

Acabou por alargar o seu relatório, achávamos que seria apenas sobre o comportamento do fogo?
O comportamento do fogo é por assim dizer a nossa especialidade, mas trabalhamos também as áreas da segurança pessoal e a prevenção, protecção das comunidades. Há aspectos do comportamento do fogo que ainda estamos a investigar.

Quais?
Uma coisa que não é muito conhecida, mas que é um fenómeno que temos vindo a identificar ao longo dos anos que é o encontro de frentes de incêndio. E aqui neste incêndio houve dois, o de Escalos Fundeiros e o de Regadas, que se desenvolveram independentemente, e a certa altura encontraram-se. Quando dois fogos se encontram, geram entre correntes de convecção muitos violentas e muito fortes, dão origem a tornados de fogo e de vento. Localizámos onde se deu esse encontro e onde se desenvolveram esses tornados.

A existência desse segundo incêndio foi uma novidade. Acredita que se tivesse sido dada importância a esta ocorrência, teria acontecido o que aconteceu? Admito que as coisas poderiam ter sido diferentes. Se for reconhecida uma nova ocorrência, o comando, de acordo com os procedimentos, precisa de outro ataque inicial.

Mas esse alerta não existiu?
Foi detectada pelos bombeiros. Foi lá um bombeiro para reconhecimento e que disse que estava fora de controlo. Mas não tinham meios para colocar. Se tivesse sido reconhecido como uma nova ocorrência, poderiam ter vindo meios aéreos que estavam a actuar no incêndio ao lado, em Góis, e poderiam ter sido divergidos para lá.

Durante duas horas não houve ataque aéreo, entre as 16h e as 18h. Isso fez toda a diferença? Naturalmente. No incêndio de Escalos, houve dois meios aéreos no início e retiraram-se. Infelizmente esse tempo foi crucial. Nesse período de tempo o incêndio poderia ter sido controlado. Mas também devo reconhecer que estes dois meios não eram suficientes. Seriam necessários mais meios aéreos e terrestres.

Foi uma questão de incompetência do comando, de desconhecimento? Falamos bastante no relatório que temos de ter mais qualificação e uma maior uniformidade na preparação dos quadros de comando. Na fase inicial do incêndio, não houve a percepção da gravidade, embora ela tenha sido reconhecida nas primeiras abordagens. Mas o que não houve foi a capacidade de traduzir isso com veemência para o comando nacional no sentido de serem alocados meios. No incêndio do lado foram pedidos esses meios mais ou menos a essa hora.

E são dois comandos diferentes, um é de Leiria e outro de Coimbra…
E foram alocados dois Canadair para esse incêndio. Ironicamente, esses Canadair quando iam abastecer à barragem do Cabril passavam por cima do incêndio de Escalos. Confrontámos o comando nacional com essa realidade. Se havia ali um incêndio grave porque não agiam lá.

O que lhe respondeu?
Dizia que não podem andar a saltitar com meios de um lado para o outro. Por outro lado a doutrina é também que se há um incêndio que se está a atacar, tem de se resolver esse, porque senão temos dois grandes incêndios. (…) É preciso dizer que os bombeiros lutaram com uma valentia… tenho um grande respeito por estes homens. Naquela primeira zona entre escalos e o IC8, não houve fuga de pessoas nem vítimas mortais.

Morreram do outro lado…
Já não foi possível chegar com recursos. Não foi só a mudança de direcção do incêndio como também o encontro das duas frentes.

Era impossível salvar aquelas pessoas?
Era muito difícil. Falando com as pessoas, elas dizem-nos que não havia bombeiros, que não havia água, electricidade, ficou tudo escuro, o incêndio fazia um barulho tremendo, entrou toda a gente em pânico. Apesar disso, houve muitas pessoas que optaram por ficar em casa.

Foi isso que as salvou?
É verdade. Devia ter havido antes de mais um aviso prévio às pessoas dizendo que é mais seguro ficar em casa, do que fugir. A permanência da pessoa em casa é a sua melhor garantia de sobrevivência, porque uma casa não começa a arder de um momento para o outro.

Diz que tem muitas reservas sobre as opções de evacuações compulsivas. Mas não foi isso que salvou muitas pessoas nos fogos do Verão?
A evacuação resolve o problema da salvaguarda da segurança das pessoas, desde que seja feita com tempo, porque também houve evacuações feitas tardiamente que acabaram por pôr em perigo não só as forças que estão a fazê-lo com as pessoas. A nossa realidade é que as casas são de algum modo resistentes e se há pessoas que têm capacidade psicológica e física para ficar e resistir, essas pessoas devem permanecer, porque uma casa que é abandonada é uma casa que é destruída.

As reformas necessárias para evitar estas tragédias não foram feitas?
Não podemos só pensar nas entidades e nas instituições. Claro que têm um papel e são responsáveis e têm de olhar para o problema de maneira diferente. Temos de olhar para as pessoas. Se olharmos para a paisagem aqui à volta, as condições estão lá para acontecer exactamente a mesma coisa. E o que estamos a fazer? Aqueles armazéns que há nas casas cheios de lenha, com vegetação à volta. As pessoas viram isto arder em Pedrógão. O que fizeram de Junho até Outubro? Muito pouco.

Houve queimadas…
Por exemplo. Temos de repensar, temos de reestruturar os espaços rurais de uma forma completamente diferente. Como pode haver uma zona industrial que está rodeada de pinheiros à volta, que não tem qualquer defesa?

O que é possível mudar? Que medidas têm de ser implementadas já?
O que tinha de ser feito era falar com as pessoas, dar-lhes indicações. Uma das coisas que publicamos aqui é um folheto de conselhos às pessoas, tem 10 anos ou mais. Disponibilizámos às autoridades e ninguém pega no assunto. As próprias autarquias que deviam fazer a sensibilização das pessoas não se preocupam.

O Conselho de Ministros vai decidir sobre que caminho tomar…
Tem de se ter muito cuidado e discernimento em distinguir o trigo do joio e não ir atrás de ideias oportunistas, de coisas que podem parecer salvadoras.

Está a falar da ideia de dar mais dinheiro a bombeiros?
Isso é fácil e se calhar é preciso fazer-se, mas não pode ser exclusivamente isso. Qualquer reforma que seja feita não pode excluir as coisas boas que o sistema tem. Neste momento, a nossa protecção civil, apesar de todo o descalabro que houve, é um serviço válido, deu provas ao longo destes anos. Tem de ser melhor estruturado, melhor dotado, melhor qualificado, mas não é coisa para deitar fora.

Concorda com as recomendações da comissão técnica?
A comissão técnica propõe a criação de uma agência para gerir prevenção e combate, inclusive vai ao ponto de recomendar que seja gerida por técnicos florestais. Que haja essa junção e articulação das duas tarefas, parece-me bem. No nosso relatório falamos de um plano de gestão de incêndios florestais que olhe para isto no seu conjunto. Tem de haver alguma estrutura que esteja por cima.

Parece-lhe que aquelas recomendações vão longe demais?
Participei num processo em 2006 e houve uma recomendação de criar-se os bombeiros florestais. Confesso que critiquei muito essa medida e se é isso que está a propor agora, tenho sérias reservas.

Bombeiros na prevenção e depois no combate?
Proponho que aquilo que já existe seja melhorado. Temos bombeiros que têm experiência no combate a incêndios florestais e que sabem combater incêndios em casas. Temos sapadores florestais que trabalham todo o ano na floresta e podem fazer trabalho de prevenção. O Instituto de Conservação da Natureza e da Floresta (ICNF) devia cuidar mais dessa força, que existe, que é numerosa, mas que não está devidamente treinada e enquadrada. Claro que os bombeiros têm de trabalhar em conjunto com eles, mas não vamos estar aqui a misturar as coisas. Não vamos estar a pôr os bombeiros a fazer limpeza da floresta, quando já temos uma força que faz isso.

Há mais alguma proposta que lhe mereça atenção?
Há uma situação que é um absurdo que é a de ter num incêndio bombeiros que vão combater o fogo na floresta e bombeiros que vão defender as casas. Porquê? Na nossa floresta, há casas por todo o lado. Se um incêndio está a deflagrar e chegar ao pé das casas, vamos fazer o quê? Vamos esperar que cheguem os bombeiros para proteger aquela casa? É absurdo.

A comissão técnica propõe a separação entre a protecção das pessoas e o combate ao incêndio…
Se é essa a ideia, que já foi apresentada há uns anos, estou completamente em desacordo. Veja-se o caso do dia 15 de Outubro. Alguém podia estar no meio da floresta a atacar o fogo? Da mesma forma que os bombeiros se retiram para proteger as casas, porque têm mais prioridade, também é uma segurança para eles. Vou mais longe: aquilo que temos assistido nos últimos anos da parte do sector florestal, do ICNF é que tem-se alheado completamente deste problema. Tem-se afastado deste problema.

Os presidentes de câmara culpam o ICNF pelo facto de deixar plantar eucalipto por todo o lado. Também acha que o ICNF está a falhar?
Claramente. Mas os próprios presidentes de câmara não fazem o seu trabalho. Há câmaras que não têm plano de defesa da floresta que foi o que aconteceu em Pedrógão Grande e Castanheira de Pêra. Um plano pode ser papel, mas um plano feito com consciência significa que há alguém que sabe dizer onde existe o problema e qual deve ser a solução. E depois, há um problema até legal com o qual fomos confrontados agora. Quando confrontámos a ASCENDI com a falta de gestão das faixas ao longo das estradas, a resposta que eles têm é que diz na lei que essa limpeza é obrigatória nas zonas previstas pelo plano municipal, como esse plano não existia, ninguém os pode obrigar a fazer esse trabalho. Esta é a consequência que a omissão de autarcas pode ter neste processo. E são coisas dessas que se o ICNF tivesse mais pulso, [fariam com] que esses planos fossem de acordo com a lei. E porque não o são? Porque às vezes um autarca quer que seja de determinada maneira por causa de outros interesses.

At https://www.publico.pt/

Artigo de opinião: “Os azeiteiros excelentíssimos”

Antonio GuerreiroComo é que a gente das cidades, neste tempo em que o planeta se urbanizou, se tornou tão analfabeta nas questões da meteorologia que só percebe que o “bom tempo” prolongado é um inferno quando tudo arde e as chamas e o fumo chegam à porta da cidade? A natureza gosta de se esconder, tanto quanto a ignorância gosta de se mostrar.

Mudemos de assunto. Quem passa pela região de Ferreira do Alentejo, vindo de Lisboa em direcção a Beja, pousa os olhos numa mancha verde-escura, compacta, de oliveiras. São milhares e milhares de hectares, cobertos por oliveiras que têm a forma de arbustos e foram dispostas de modo a formarem linhas de sebes paralelas, completamente fechadas. Entre as sebes, em sentido longitudinal, há um espaço livre cuja medida exacta é a largura de um tractor. Assim, as máquinas podem avançar sem obstáculos e ocupando o mínimo espaço possível. No meio de um desses olivais, quase à beira da estrada, foi construído um lagar que parece um edifício de Silicon Valley. Este lagar da empresa que produz o azeite da marca Oliveira da Serra, desenhado pelo arquitecto Ricardo Back Gordon, é de uma exuberância arquitectónica e tecnológica que reduz à insignificância os empreendimentos da civilização mediterrânica do azeite e do vinho. No site do Lagar do Marmeleiro (assim se chama a herdade onde ele está implantado), podemos ler que ele “homenageia o Olival português e representa o expoente máximo da tecnologia ao serviço da qualidade do azeite e da sustentabilidade ambiental”. Trata-se, portanto, de um monumento, de um” memorial” como aqueles que celebram as vítimas da guerra ou os heróis mortos em combate. E, para além de evocar a epopeia do azeite, o monumento foi construído em nome da “sustentabilidade ambiental”. Este discurso da sustentabilidade ambiental, acrescentado como um apêndice, é a manifestação de um sintoma: o sintoma da má-consciência. Parece o assassino que, sem que ninguém lhe peça contas, vai ao posto da polícia gritar: “Não fui eu que matei a minha mulher”. Só um idiota urbano, daqueles que precisam de ser submetidos a 35 graus centígrados em meados de Outubro, depois de seis meses sem chover, para chegar à conclusão de que aquilo a que insistentemente chamaram “bom tempo” é uma catástrofe, é que não percebe que aquele mar verde de oliveiras a perder de vista, alimentadas para crescerem mais num ano do que os antigos olivais cresciam numa década, e ocupando o terreno com a mesma densidade que uma plantação de couves, consomem água e fertilizantes em porções criminosas. Em pouco tempo, a terra fica exaurida e o deserto cresce. Noutros lugares do Alentejo, os olivais com mil anos não precisam que lhes seja erguido um “memorial” porque são eles que transportam a memória do mundo. Aquele lagar imponente no meio da planície não homenageia o olival português: insulta-o. Apetece gritar, trazendo para este contexto duas palavras que deram expressão a um poderoso manifesto: ornamento e crime. Mas parece que as catástrofes lentas e serenas, como aquelas que advêm de olivais que parecem oásis no meio do deserto, não põem os bombeiros e as populações em estado de alerta.
Mudemos de assunto: as campanhas a favor de medidas que desacelerem o aquecimento da Antártida não estão a ser muito bem sucedidas. Entretanto, na Europa e muito especialmente no seu extremo ocidental, as reacções químicas do fogo e as reacções políticas misturaram-se e estão a provocar um perigo global. E de repente, confrontados com problemas tão arcaicos como os da água e do fogo, começamos a descobrir que talvez nunca tenhamos sido modernos.
António Guerreiro