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Artigo de opinião: “A incompetência e a desertificação do país”

Burning eucalyptus view portugal

Jorge PaivaHá várias dezenas de anos prevíamos e denunciávamos publicamente que estávamos a transformar as nossas montanhas numa pira de óptimo material combustível, a que até um “iluminado” ministro chamou o “petróleo verde” de Portugal. Realmente tem razão; arde tão bem ou melhor do que o petróleo.

Claro que fomos e continuamos a ser vilipendiados e até já houve tentativas de eliminação física por parte de “uma cleptocracia que nos envergonha a todos”, como diz Viriato Soromenho-Marques (Diário de Notícias, 26.07.2017:38). Aliás, neste artigo refere-se que em 2016 foram assassinadas 200 pessoas que lutam pela defesa da terra onde vivem, que é o Globo Terrestre, onde todos estamos “engaiolados”. Este ano ainda não acabou e já houve 98 homicídios deste tipo.

A Humanidade vive, actualmente, numa sociedade de economia de mercado, cuja preocupação predominante é produzir cada vez mais e com maior rapidez, de modo a conseguir-se o máximo lucro, no mais curto espaço de tempo. Por isso é que a plantação do eucalipto foi e é tão incentivada, pois o eucalipto é de crescimento muito rápido e um carvalho (que é nativo) não. O pior é que foi profusa e indiscriminadamente plantado. Sei de um aldeão idoso que, estando já grande sem capacidade física, deixou de cultivar a horta que tem junta à casa que habita e plantou nela eucaliptos. Claro que não há, actualmente, nenhuma instituição capaz de vigiar e controlar estes desmandos. Isso era feito pelos designados Serviços Florestais. Mas os cleptocratas não descansaram enquanto os governantes não acabaram com esses Serviços, onde estavam muitos técnicos que, além de não serem “eucalipteiros”, eram capazes de controlar a plantação indiscriminada e desordenada de eucaliptos. Além disso, esses Serviços tinham vigilantes permanentes na floresta que não só detectavam facilmente os pirómanos, como também controlavam e apagavam de imediato os incêndios, não os deixando propagar de modo incontrolável e devastador.

Há séculos que temos floresta de produção mono-específica (uma só espécie de árvore) com árvores nativas, como são os azinhais e os sobreirais. Sabemos como são altamente rendíveis e não inflamáveis esses montados de azinho e de sobro. Não é por acaso que o sobreiro é a nossa “Árvore Nacional” e não o eucalipto. Mas um sobreiro e uma azinheira, que são carvalhos (Quercus), crescem muito mais lentamente que o eucalipto e isso não interessa às multinacionais, pois estas só se interessam, como já se referiu, pelo máximo lucro, no mais curto espaço de tempo.

Ora, qualquer pessoa minimamente instruída, culta e racional (não “trumpista”) tem conhecimento do que está a acontecer devido ao actual “Aquecimento Global” e que Portugal está a ter verões mais quente e secos. Ora as únicas árvores que temos, capazes de suportarem estas novas condições são, precisamente, os sobreiros e as azinheiras.

É preciso pois repensar a floresta de produção e ordenar as plantações e o país. Mas isto levará muitos anos, pois são árvores de crescimento lento. Porém, isso já foi feito no Ribatejo e Alentejo. Aqueles montados de sobro e azinho demoraram dezenas de anos a formarem-se, mas hoje são rentáveis e sempre com o mesmo número de árvores, pois conforme vão morrendo, vão sendo substituídas por outras.

Claro que isso não interessa a determinadas multinacionais. Por isso já fizeram publicar um comunicado sobre aquilo a que eles chamam “Reforma florestal” em prol do eucalipto. Digo que fizeram publicar porque o dito comunicado foi publicado nos Jornais na rubrica “publicidade”.

Considero vergonhoso que esta cleptocracia não tenha pejo de fazer publicar um comunicado destes numa altura em que ainda o país lamenta a enorme mortandade provocada pelo devastador incêndio de Pedrógão. É igualmente vergonhoso e inqualificável o aproveitamento do número de mortos incinerados, que indivíduos sem o mínimo de escrúpulos utilizam, como argumento político.

Pois, TODOS os Partidos Políticos têm que estar envergonhados com o que acontece TODOS os verões em Portugal. Estes piroverões ocorrem porque Governos sucessivos deixaram transformar as nossas montanhas numa floresta incandescente, que designo por “ignisilva” e agora TODOS esses Partidos deviam reunir-se e acordarem com a metodologia para passarmos a ter uma floresta rentável, não incandescente e de manutenção caríssima como é a actual. Toda a gente sabe que a floresta que temos é extraordinariamente onerosa para o Estado, pois basta saber quanto custa anualmente o combate aos fogos florestais, não contabilizando o prejuízo do lenho ardido e da desertificação das montanhas, cujo solo é arrastado pelas chuvadas dos invernos seguintes, transformando-as em desertos com enormes pedregulhos a descoberto.

É lamentável que os deputados de TODOS os Partidos Políticos se entretenham a vociferarem uns contra os outros, em vez de tentarem resolver os grandes problemas deste país.

Jorge Paiva. Biólogo
jaropa@bot.uc.pt

At http://knowledgebase.mediterraneangardeningportugal.org/

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CDS/PP oferece maioria absoluta à CDU na Junta de Alpalhão

PCP Alpalhão

PCP CDS-PPO resultado das eleições autárquicas 2017 em Alpalhão, deu 4 mandatos à CDU (a mais votada), 4 mandatos ao PS e 1 mandato à coligação PPD/PSD-CDS/PP.

Com a Tomada de Posse no passado Sábado, dia 14, foi também momento para a votação para constituição do Executivo da Junta de Freguesia para este novo mandato, composto por 3 elementos. O resultado da votação ditou então 2 elementos da CDU e o único elemento da coligação PPD/PSD-CDS/PP (a cabeça de lista às eleições autárquicas 2017 foi Alcina Batista, em representação do CDS/PP).

Opinião: “Che Guevara partiu há 50 anos”

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Francisco 18403331_10211207110427087_4666027307151136838_n50 ANOS

“Eu tinha 20 anos e não deixarei ninguém dizer que essa era a melhor idade da vida”. A citação de Paul Nizan, retirada do “Aden Arabia”, é vulgar, mas é pena não ser completada pelo que vem a seguir: “Tudo ameaça de ruina um jovem: o amor, as ideias, a perda da sua família, a entrada no grupo das pessoas crescidas. É duro aprender o seu lugar no mundo.”

Não sei se eram exatamente esses os sentimentos que me atravessavam nesse mês de outubro de 1967, quando me preparava para completar essa idade mítica. Conhecendo-me, não creio.

Lembro-me muito bem de ter recebido, verifico agora que com essa idade, a notícia da morte de Che Guevara, faz hoje precisamente meio século. Recordo a imagem do seu corpo indecentemente exposto na Bolívia, como relíquia de vitória da ditadura militar sobre a guerrilha.

Guevara estava já na fase em que os “dois, três, muitos Vietnam” andavam muito longe de hipóteses de concretização. Antes, andara próximo da guerrilha independentista angolana, no “ano em que estivemos em parte nenhuma”, como ele classificaria esse tempo no Congo. Cuba e a sua revolução, essas estavam já muito longe.

Tal como Fidel, Guevara nunca fez parte da minha mitologia de esquerdista. Talvez porque a revolução cubana teve lugar antes da minha idade adulta, o seu socialismo “latino” disse-me sempre muito pouco. Mas Guevara, caramba!, era “do meu lado”. Por isso, li o seu diário (edição espanhola, comprada à sucapa na Tanco, em Orense), e também o que Régis Debray escreveu sobre ele, apreciei sempre a sua bela foto feita por Alberto Korda e tenho ainda por casa esta antologia dos “Cadernos” da“Dom Quixote”, que a polícia logo recolheu pelas livrarias.

Ernesto “Che” Guevara morreu há 50 anos. Tinha 40 anos, o dobro da minha idade de então. Não seria “a melhor idade da vida”, mas era uma bela idade para apreciar as revoluções e acreditar que elas ainda eram possíveis. É que, mesmo não o sendo, as revoluções fazem para sempre parte do património dos que nelas acreditaram. E os bons sonhos não têm preço!

Francisco Seixas da Costa

At https://www.facebook.com

Câmara de Campo Maior “derruba” casas ilegais

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Uma acção de demolição de barracas e anexos decorreu na manhã de quarta-feira, 11 de Outubro, no Bairro de São Sebastião, em Campo Maior.

Segundo o “Linhas” apurou no local, os trabalhos permitiram ‘deitar abaixo’ oito barracas e anexos que haviam sido edificados ilegalmente no bairro, o qual, recorde-se, foi construído de raiz para responder às necessidades da comunidade cigana que habitava nas muralhas da vila.

At https://www.linhasdeelvas.pt/

Projecto “Oficina da Música” retoma em Elvas

Começou hoje a continuação do projecto anterior, Oficina da Música, pela Associação Sílaba Dinâmica, presidida pelo meu caro amigo Luis Romão. Um projeto que visa integrar crianças da comunidade cigana na sociedade e que tem o apoio do Alto Comissariado para as Migrações do Governo Português.

Nada me deixa mais orgulhoso que abraçar de novo este projeto e ter mais uma vez a confiança do Presidente da Associação Sílaba Dinâmica de Elvas. Um projeto que requer muito trabalho, mas a verdade é que sem trabalho a obra não nasce, e já demos provas disso mesmo, que a obra nasceu e continua bem viva para mostrar à sociedade que não pode haver descriminação racial.

Obrigado Luís, obrigado por confiares mais uma vez em mim e no meu trabalho.

Deixo-vos aqui um pequeno vídeo que mostra o arranque deste projeto enquanto aguardávamos pelas crianças.

Um vídeo com o já conhecido, José Lito Maia. “Vamos embora para Barbacena”.

Todos diferentes, todos iguais!

Um abraço amigo,

Mário Gonçalves

Opinião: “A gente”

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O melhor de uma qualquer localidade são as pessoas, a sua GENTE. Infelizmente, muitas vezes, para além da inexistência de estruturas, da incapacidade dos políticos ou da falta de civismo, há um atraso atávico que radica na falta de cultura ou na ignorância. A Escola deveria ter eliminado este atraso estrutural, que foi agravado pela alteração do papel das famílias, mas não o conseguiu. Aqui está um factor de subdesenvolvimento em que todos devíamos pensar, relevando as diferenças ideológicas em que alguns se entrincheiram e que leva, muitas vezes, à incapacidade do exercício do espírito crítico, quando não ao sectarismo e fanatismo.

Nota final e ainda a tempo:
Confirmando a importância do que somos, destaque para os títulos do suplemento do jornal Público, Fugas: “Um delicioso Branco da serra de S.Mamede”, a propósito do Terrenus Reserva Vinhas Velhas Branco 2015, classificado com 92 pontos numa escala de 0 a 100, para o Terrenus Vinha da Serra 2015, 90 pontos e para o Athayde de Grande Escolha Tinto 2013, Montargil, 88 pontos – este, em particular, dá-me o prazer de não só ser um grande vinho como de ter acompanhado a ideia e o(s) seu(s) mentores.
Com GENTE desta, com estes PRODUTOS, nunca estaremos condenados à irrelevância, mesmo quando não se compreende a importância desta fileira bem como de outras, cuja valia se sobrepõe à espuma dos dias, aos ciclos eleitorais ou à vacuidade de ideias e projectos.

Jorge Mangerona

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Opinião: “Catalunha”

FB_IMG_1507198302293Um par de “bofetadas” não resolve diferenças políticas. Mas também não sou dos que crê que o uso da brutalidade só está errada quando empregada pelos outros. Numa Europa que sempre se identificou com um sistema democrático e reformista, de eleição e instituições representativas, de respeito pela liberdade de expressão, de partidos políticos e sindicatos, uma sociedade aberta respeitadora da soberania individual, sem imposições culturais ou censuras. O que se espera dos seus intelectuais e dirigentes políticos é apenas um esforço de lucidez perante momentos de maior conturbação. Um intelectual ou um político que crê que a liberdade é necessária e possível para o seu país e sociedade não pode, por momentos que seja, achar que esta é supérflua ou que pode ser suspensa.

Este é o exemplo dos acontecimentos do passado dia 1 de Outubro na Catalunha, quando a sociedade manifesta o seu cepticismo sobre a capacidade do país preconizar no seu seio a convivência e a liberdade que fizeram dos países ocidentais o que são. Tenho no entanto a noção de que este é um problema complexo e de difícil resolução o que explica as suas incongruências e consequências.

Mas neste momento importa reflectir sobre a incapacidade de entender e lidar com certos fenómenos e equacionar e adaptar uma resposta eficaz ao momento. A violência é a linguagem da falta de comunicação entre os membros de uma sociedade, em que o diálogo desapareceu há muito ou nunca existiu. Na Catalunha este episódio tomou proporções alarmantes para o futuro da Espanha e da própria Europa. Entre as várias causas que podemos evocar, algumas são permanentes, resultantes da inoperância, não de uma mas de várias gerações, que optaram por soluções menos difíceis e de resultados inferiores.

Nãobasta para consolidar o sistema que exista liberdade de expressão, parlamentares e autarcas eleitos, independência de poderes e renovação periódica do poder executivo. A democracia dos “votos” não pode vacilar perante o peso da opinião pública. Esta exige de todos uma constante adaptação, ceder a algo para alcançar o consenso que assegura a convivência na diversidade. Alcançar isso é ser livre, é viver em liberdade, avançar, progredir, prosperar, tendo em conta o interesse de todos. Com a rectificação e emendas que evitem ou amortizem a violência, numa constante concertação dos opostos em nome da paz social.

Nuno Serra Pereira

At Facebook

Opinião: “Tomar posições”

Ester 12063310_10208008284833749_2693532619088314756_nSei que sou abençoada por tudo nesta vida, e agradeço todos os dias! Pelos que me rodeiam, pelo calo que fui ganhando em mais de metade da minha vida a lidar com situações destas, sou mesmo afortunada.

Isto de tomar posições é tramado, sempre as tomei, seja pela família, seja por amizade pura (que nestas alturas há quem não entenda que se pode ter amizades com várias cores políticas), seja por convicções, fica-se sempre nos cornos do touro, e de repente nasce todo um mundo de anti corpos grátis! E isto que não ganho nada com a tomada das mesmas, a não ser estar bem comigo mesma, fazer o que acho que tem que ser feito. E ainda bem! De outra forma, não se conheceria tão bem as pessoas, com o bom e mau que isso acarreta. No dia-a-dia, festas e copos, somos todos o máximo, já em situações limite… Há quem diga que nestas alturas as pessoas ficam fora de si, eu cá acho que nestas alturas é que se conhece a verdadeira essência de cada um.

Pessoas há que não sabem separar as coisas, e quem não sabe, pouco vale.. Normalmente são pessoas sem carácter, e ter carácter dá trabalho, ter coluna vertebral é do caraças! Destes não gosto mesmo nada, os falsos simpáticos, os vira-casacas, os ordinários, os que passam por entre os pingos da chuva á espera de ver para onde vai o vento, os que têm necessidade de inventar mentir e denegrir para auto promoção, á falta de melhores argumentos. Vidas sem sal. Quem “veste” a minha pele, sabe bem do que falo.

Podia agora enunciar agora a teoria da evolução de Darwin, ou apenas a frase “Dios los cria, ellos se juntan”.. mas não me vou alongar mais.

Eu tenho a sorte De 4 em 4 anos experimentar um género de purga, uma higienização, um processo de desinfestação de tudo o que não interessa, ou seja, fico mais leve e mais saudável!

Por tudo isto, obrigada pela auto selecção, sozinhos, auto excluem-se dos meus círculos, e ainda bem, de outra forma nunca conheceria bem as pessoas, ou levaria mais tempo a chegar lá, e paciência não é o meu forte.

Não sou melhor que muitos, mas que destes reles, ah claro que sou! Isto de estar bem com a consciência, é do melhor que há (para quem a tem claro), ou então estou fora de moda 😂😉

Ester Tereno

(Barrancos)

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