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Opinião: “Discursos políticos”

Joaquim Costa 58379999_784290528610838_5721773925860376576_nEstou a pensar nos discursos dos políticos que vamos ouvindo e vendo todos os dias nos vários órgãos de comunicação. Sou um velho militante do PS, mas este meu desabafo não tem nada a ver com a força politica que sempre defendi desde o 25 de Abril, pois nunca vivi da politica, embora tenha desempenhado alguns cargos ligados a câmaras como todos aqueles que me conhecem sabem. É com alguma tristeza que causa o discurso de alguns políticos, isto é, mais bem dito, oportunistas, que revelam, pela sua expressão física, pelo tom de vós agressivo, que revelam a raiva que lhes vai na mente. Notasse muito bem quando a pessoa fala e expressa o que lhe vai na mente e que luta pelo bem comum, ou quando fala cheio de raiva, com ataques agressivos aos seus opositores, atacando com mentiras, com argumentos sem sentido, ofendendo aqueles que falam verdades de factos verdadeiros. Rui Rio parece que esta num circo, fala de coisas sem sentido, sempre com ar cínico e agressivo, talvez porque sabe que vai perder, o que mostra que não tem condições para o cargo de primeiro ministro, depois temos senhora do CDS, que causa pena e nojo, só agressões, conversa sem senti do que revela desconhecimento, basta ver o que fez quando ministra da agricultura, só plantou eucaliptos, depois temos os outros partidos com assento na AR às vezes um pouco azedo mas dentro do aceitável, depois temos os novos partidos que, pelo menos alguns não vale apenas comentar, todos sabemos o que procuram. Finalmente temos o Homem com provas dadas que se chama António Costa, pessoa que já mostrou as suas capacidades em varias missões que desempenhou, pessoa para quem a honra, a dignidade contam cuja intenção é trabalhar para melhorar a vida de todos os portugueses, cuja a acusação que lhe fazem é que sabe unir as pessoas, mas isto revela uma das suas capacidades, não é um defeito é uma virtude. Por tudo isto, se queremos um Portugal melhor temos de votar PS.

Joaquim Costa

Ex-presidente da Concelhia de Nisa do PS

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Opinião: “Como te atreves, José Manuel Fernandes?”

luis osorioJosé Manuel Fernandes, líder do projeto Observador, atacou esta manhã Greta Thunberg, a jovem sueca de 16 anos que tem liderado o combate mediático contra as alterações climáticas. Fê-lo de uma forma indignada. Estava até incomodado porque a miúda tinha sido irrealista, radical e, pasme-se, malcriada. Estar ali, entre os poderosos do mundo, ainda por cima como convidada das Nações Unidas, e insultar os líderes políticos não é coisa que pudesse ser admissível ou tolerável.

Vamos lá a ver. José Manuel Fernandes aos 15 anos era militante maoísta. Participava apaixonadamente num dos partidos revolucionários de extrema-esquerda, um “ml” qualquer. Defendia o regime albanês de Enver Hoxha e a revolução cultural de Mao Tsetung. E estava disponível, como os seus camaradas do MRPP e de todas as outras fações, para uma revolução que rebentasse de cima/abaixo os alicerces do Estado Novo e o conservadorismo do Partido Comunismo. Na adolescência, José Manuel Fernandes era um radical. Malcomportado. E certamente irrealista.

Tinha 16 anos. Já não se deve lembrar. Porque o seu discurso paternalista acerca da juventude é uma desgraça. E falar assim de uma miúda que tem contribuído para uma viragem da opinião pública sobre as alterações climáticas é irresponsável e narcísico. Um cinismo que fica bem entre intelectuais e uma certa elite, mas que não é admissível. E que choca com a sua própria realidade. Uma pessoa pode mudar. Pode e deve, acrescentaria – também eu militei na juventude no PSR. Mas não pode esquecer-se do que é ter 16 anos. Do que é sentir a injustiça e agir. Do que é querer mudar o mundo e assumir os riscos. Do que é ser radical por ser a única forma de se ser ouvido. Do que é ser malcriado por não se aceitar as convenções e a hipocrisia.

Não estou a dizer que concordo com as premissas. Afinal, eu não sou Greta. Mas adoraria que ela fosse irmã dos meus quatro filhos. Teria um orgulho enorme numa mulher que assume um combate decisivo e arrisca a vida numa batalha pelo futuro. o futuro de todos nós. O dos filhos e netos de José Manuel Fernandes também.

Um dia escrevi um pequeno postal aos meus filhos que depois publiquei em “Amor”, um livro de pensamentos. Lembrei-me dele ao ver Greta ontem a interpelar os políticos

“A juventude não é juventude se não vivermos como se fossemos morrer amanhã. Não é juventude se não encontrarmos o nosso próprio destino, se não afrontarmos os que acham ser donos do caminho. Não é juventude se não arriscarmos, se não abrirmos a janela e respirarmos fundo de tanto acreditar que é possível o que quisermos que seja possível. Não é juventude se não começarmos a tratar por tu o silêncio e a solidão e se não tivermos medo de falhar. Se não nos apaixonarmos, se não chorarmos de raiva, angústia, se não gritarmos. A vida é a vida. A juventude não é juventude se a tratarmos como se fosse uma série de 30 ou 50 minutos com intervalos. Na vida os episódios não duram esse tempo, a juventude não é juventude se cada minuto não for vivido com intensidade, dure o que durar. E sem intervalos publicitários. A juventude não é juventude se tivermos a televisão ligada. Entendem, meus filhos?”.

Luis Osório

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Artigo de opinião: “Resposta a Catarina Martins”

Manuel Alegre 813619Ao afirmar que a disputa nestas eleições é entre a esquerda e o PS, Catarina Martins volta metaforicamente ao Verão de 1975, de que parece ter saudades mesmo sem o ter vivido.

Cara Catarina Martins: ao afirmar que a disputa é entre a esquerda e o PS, está de novo a dizer que o PS é um obstáculo (sem explicar a quê) e que é preciso um “partido verdadeiramente socialista”, pelos vistos o próprio Bloco. Voltou metaforicamente ao Verão de 1975 de que parece ter saudades mesmo sem o ter vivido.

Há quatro anos, PS e PCP fizeram um esforço para ultrapassar os traumas do passado. O Bloco veio atrás. Derrubou-se o tabu do arco da governação, compreendeu-se que a divisão das esquerdas era a força da direita, iniciou-se um processo de convergência que repôs a centralidade do Parlamento e a formação de um Governo do PS com o apoio do PCP, BE e PEV. O único Governo de esquerda numa Europa onde a esquerda estava a desaparecer e o populismo se encontrava dentro ou perto do poder. Repuseram-se direitos e rendimentos, a economia cresceu, o desemprego diminuiu, conseguiu-se o défice mais baixo da democracia.

A Europa, que tinha ficado assustada, começou a interessar-se pela excepção portuguesa. Afinal a “geringonça” funcionava. Fazia diferente sem pôr em causa as contas públicas e os compromissos europeus. Funcionava em Portugal e assim mostrava que também na Europa podia haver outros caminhos e outras soluções. Até a palavra começou a ser traduzida. É certo que se podia ter ido mais longe. Cada partido preservou a sua identidade e a sua autonomia. Os resultados foram fruto da negociação e do diálogo. Trabalho de todos. Do PCP, do Bloco, do PV. E do PS. Não dos outros contra o PS. Mas de todos com o PS e do PS com todos.

E eis que, de novo, cara Catarina Martins, se faz uma separação entre o PS e a esquerda. Divide-se o que tanto custou a convergir. Como se o PS fosse o inimigo principal. Como se o PS não fosse também a esquerda. Como se, para fazer não se sabe o quê nem como, fosse preciso vencer este PS e criar outro “partido verdadeiramente socialista”.

Já vimos este filme. Dir-se-ia que tem a nostalgia de uma das tentativas pseudo-revolucionárias que naquele Verão de anarco-populismo (como dizia Salgado Zenha) foram vencidas pelo PS e pelo espírito democrático dos militares fieis ao 25 de Abril. A Catarina só tinha um ano ou dois, não sabe como foi, ouviu contar, pelos vistos, mal.

De que disputa fala agora? Entre o quê e o quê? Entre que esquerda e que esquerdas? Socialismo revolucionário versus social-democracia?

Voltamos aos anos 30? A esquerda sempre foi plural. Os partidos da “geringonça” têm ideologias e identidades diferentes. Mas não há solução governativa de esquerda sem o PS, muito menos contra o PS.

Se é esta a disputa, ainda que desde o princípio adepto da “geringonça”, acho que os socialistas têm de uma vez mais assegurar a autonomia estratégica do seu partido.

Não há Governo de esquerda sem o PS. E sem um PS forte. Não há convergência de esquerda nem “geringonça” sem o PS ou contra o PS. Por isso, como dizia Alexandre O’Neil, mesmo quando ele não merece, é preciso votar PS.

Manuel Alegre

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