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Opinião: “Lavar roupa suja ou a higienização da política local”

Joao VintemÉ costume dizer-se: – “quem tem problemas com o calor não deve seguir a profissão de padeiro”. Fugindo um pouco ao que tinha pensado escrever hoje, não posso deixar passar a ideia que se está a gerar na Comunicação Social e nas redes sociais, que os candidatos às próximas eleições Autárquicas se estão a ofender uns aos outros e, a culpa é das redes sociais mais os que comeram da mesma tijela e portanto agora tem de estar simplesmente calados, sem direito de opinião.

Estive em todas as eleições municipais, desde 1979. Estou à vontade para poder opinar sobre a matéria; alguns ainda se deverão lembrar o que foram as campanhas logo a seguir ao 25 de Abril; nada comparável com os tempos actuais, em meios e em vocabulário; estamos muito melhor, quer a notícia, quer o boato correm mais rapidamente mas também o seu contrário, isto é, facilmente se faz um boato e rapidamente se desfaz.

Posto isto, parece ser moda nesta campanha eleitoral que, ao poder instalado não se pode nem se deve questionar. Aliás, já ensinei um responsável politico local de que, quem está no poder não ganha eleições, ou se mantem ou perde, quem ganha será quem não detêm o poder. E, é daqui que resulta o facto de, quem está no poder ser sempre o mais questionado porque é aquele que vai ser julgado pelo voto popular, pelo que fez, ou não fez no mandado.

Logo quem é poder, fica sujeito a maior intensidade das críticas porque as outras candidaturas fazem as suas comparações programáticas, evidenciam os erros e apontam soluções diferentes; outra coisa não faria sentido, pois não creio que uma campanha eleitoral sirva para as oposições fazerem o elogio de quem está no poder. Pode que alguém sonhe que poderia ser assim mas, não é!

Talvez queiram generalizar um caso ou outro, mas a excepção não faz a regra.
Falta talvez, alguma cultura democrática a um ou outro candidato que lidando mal com a crítica parte para a vitimização, para recolher o aplauso fácil, dos seus, mas em todo caso inconsistente, porque ao vitimar-se, pessoaliza a política e entra-se no vazio de ideias. Esta situação agrava-se quando se tem pouco para mostrar aos eleitores, quando esse escrutínio é sobre um vazio apoiado apenas na propaganda institucional do município.

Parece-me pois, ser um dever cívico de todos discutir e falar sem medos, sobre os candidatos e suas equipas, as suas propostas e avaliar quem está no poder e quer continuar. Por mim agradeço a quem tem partilhado os meus textos, ampliando o esclarecimento que se pretende; não me interessam os “gostos” porque sei que há pessoas que o não pode fazer mas, leêm. Só para ser ter uma ideia a média de leitura dos meus textos, ronda as 5000 e um deles está com 8500 neste momento. É obra!

At https://www.facebook.com/ / João Vintém

Mais de 30 militantes do PS pedem “desfiliação”

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Militantes escreveram terça-feira ao presidente do PS, Carlos César, a denunciar “atropelos e violações” dos estatutos do partido no processo de escolha dos candidatos à câmara municipal, mas não só.

A escolha do candidato do PS à Câmara de Pedrogão Grande, Valdemar Alves, que em 2013 foi eleito nas listas do PSD, está na origem da demissão em bloco de mais de três dezenas de dirigentes do partido a nível local e de militantes de base.

Numa carta enviada nesta terça-feira ao presidente do PS, Carlos César, e à secretária-geral adjunta, Ana Catarina Mendes, os militantes solicitam, “com efeitos imediatos”, a desfiliação do PS “numa posição insanável que traduz o forte descontentamento que se vive actualmente no seio desta estrutura”.

Os subscritores da carta recusam, “de forma veemente, continuar a desempenhar o papel de meros pagadores de quotas, cuja voz não é ouvida, tida ou achada na tomada de decisão, em especial no que se refere à designação dos candidatos do PS à Câmara de Pedrógão Grande”. Por outro lado, demarcam-se do processo, nomeadamente das “respectivas escolha” e afirmam que as opções feitas pelo partido naquele concelho “não correspondem à legítima vontade dos militantes desta concelhia, mas sim a terceiros, tornando-a, num lugar inerte, obsoleto, onde a democracia interna não existe e nem é valorizada”.

Assinada por Natércia Coelho, Antonino Baptista e Isaías Lopes, a carta revela que a candidatura de Valdemar Alves “apenas foi aprovada por onze membros da concelhia, tendo-se registado um voto contra”. Os militantes revelam que “apenas tiveram conhecimento do nome do candidato do PS à Câmara de Pedrógão Grande pela comunicação social”.

Assim, consideram de “extrema gravidade e absolutamente lamentável que os nomes dos candidatos à câmara, assembleia municipal e juntas de freguesia sejam já do conhecimento público, sem que os mesmos tenham sido aprovados em sede própria, ou seja, em reunião da comissão política concelhia, convocada expressamente para o efeito”.

Ao actuar desta forma, sublinham, o partido “violou o normativo legal estalecido nos estatutos do partido”. “Há um constante atropelo das regras básicas de democracia interna, corroendo, a cada dia que passa, qualquer perspectiva de futuro”, denunciam os autores da carta, dirigida a Carlos César e Ana Catarina Mendes. E acrescentam: “Não podemos continuar a assistir a um partido que funciona sem rei nem roque, sem estratégia, sem rumo, sem organização, onde há um vazio de ideias e ao sabor de vãs conjunturas onde tudo vale para chegar ao poder, onde prevalece o tacho e o penacho”.

Queixando-se de pertencerem a um partido que actua numa “posição e total desprezo para com os seus militantes”, os autores da carta revelam que entre as pessoas que pedem a “imediata desfiliação” do PS, destacam-se: Antonino Baptista, fundador do PS em Pedrogão Grande e presidente da comissão administrativa no concelho entre 1974 e 1976; Natércia Coelho, presidente da Mesa da concelhia; e Isaías Lopes, secretário da concelhia e candidato do PS à Junta de Freguesia da Graça em 2005, entre outros.

O PÚBLICO contactou a direcção nacional do PS para obter uma reacção, mas sem sucesso.

At https://www.publico.pt/

Presidente da Câmara convocou só parte da Comissão Municipal de Protecção Civil

Comissoes

Os dois representantes da Assembleia Municipal na Comissão Municipal de Protecção Civil, Marco Oliveira e Jorge Graça, não foram convocados para a reunião realizada no dia 26 de Julho, de que resultou a activação do Plano Municipal de Emergência de Protecção Civil de Nisa. Supõe-se que terá sido pelo facto de ambos os membros não possuírem um colete alaranjado florescente da protecção civil.

Conselho Municipal

Ressalva que Marco Oliveira foi o último Adjunto do último Governador Civil do Distrito de Portalegre, Jaime Estorninho, com ampla responsabilidade na área da protecção civil. Entre outras, membro integrante semanalmente nos briefings do CDOS (Centro Distrital de Operações de Socorro), nomeadamente no período crítico, com representantes das forças de segurança e instituições com responsabilidades na área da defesa da floresta; responsável pela organização e apresentação estatística da reunião mensal do Gabinete Coordenador de Segurança, também com a presença do CODIS (Comandante Operacional Distrital); membro integrante nas visitas às zonas de alto risco de incêndio do distrito de Portalegre; supervisor da elaboração do PDDFCI (Plano Distrital de Defesa da Floresta contra Incêndios) para o distrito de Portalegre, a que se somaram reuniões com os responsáveis pela defesa da floresta e protecção civil nos vários municípios do distrito, e outras com representantes dos restantes distritos do país; também por esses motivos próximo do CODIS, Belo Costa, e do 2.º CODIS na altura, Rui Conchinhas, nomeado este ano para exercer as funções de CODIS em Portalegre, assim como da maioria dos comandantes de bombeiros do distrito.

LV

Opinião: “Trivialidades”

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Jorge MangeronaSaíram as listas de colocação de professores. O trivial dirão alguns…Mas, lendo com atenção, podemos constatar que a trivialidade já não mora aqui, aqui é a tragédia ou a comédia conforme a leitura e a reacção de alguns.

Numa entrevista a um jornal, dizia a senhora presidente da Câmara que o concelho tinha 25000 habitantes, por acaso na mesma semana tinha publicado um trabalho no jornal Alto Alentejo, com dados da Pordata e da Associação Nacional de Municípios, que nos colocava nos 23000 e poucos (em 2015), menos do que tínhamos em 1930. Entretanto a Pordata já actualizou os dados para 2016 e lá estão: 23049. Não se percebe como funciona a política de atracção e fixação de população…ou melhor, para sermos mais directos, a cidade não só não atrai jovens como famílias estruturadas e estabelecidas começam a procurar outros pousos, daí a minha referência às listas de colocação: é que não há concurso em que duas ou três famílias não acabem por abandonar a cidade onde nasceram.

Não é raro ouvir “eles que vão que não fazem falta”. A julgar pelos dados existentes fazem mesmo falta e não vale a pena a tirada demagógica de ” o meu filho até quer vir para cá ” porque sabemos que não vêm até pelo exemplo dos nossos.

Se há imagem nostálgica e o cúmulo da solidão é encontrarmos um cemitério abandonado numa terra de que todos fugiram, até porque como alguém escreveu “os cemitérios também morrem” (foto de E. Moitas).

Queremos uma CIDADE VIVA.

É urgente a Mudança, é “urgente o Amor “… a Portalegre.

Jorge Mangerona

At Facebook

Opinião: “Eis o meu relato”

FB_IMG_1499250398863Há trabalhos que nos impõem cautela redobrada e exigem que até os jornalistas dêem explicações. Este foi o caso. Um dos casos mais difíceis da minha vida.

Antes de ser jornalista, sou cidadã portuguesa, e em matéria de incêndios posso, desde 2003, ano em que arderam 400 mil hectares em Portugal, tragédia que cobri em direto diariamente, falar com propriedade.

Quando morrem 64 pessoas, o Estado não pode enfiar a cabeça na areia à espera que a tempestade passe!

Eis o meu relato: ( muito para além das falhas, muito para além da comprovada falta de meios que todos os populares denunciaram desde o primeiro minuto)

Quando cheguei ao posto de comando de Avelar, segunda, dia 19 de Junho, com o repórter de imagem Rui Silva, deparei-me de imediato com uma inacreditável feira de vaidades.
Um corrupio de ministros e Presidente da República e uma desorientação estampada na cara dos operacionais.
Achei peculiar.
Eu estava mergulhada em angústia.
Dividida entre ajudar ou reportar.
Ao primeiro impacto com as primeiras vítimas daquela monstruosidade de chamas, desabei em lágrimas. Percebi que nunca mais seria a mesma. Sim, porque gente que é gente, sente, dói-se, ajuda, fica ao lado. Não foge. Não se aproveita. Percebe que tem uma missão que ultrapassa a profissão.
Logo no primeiro dia, desabafei com o Rui Silva que estávamos a fazer muito mais do que jornalismo. Ouvir aquelas pessoas, abraçá-las, valeu muito mais do que qualquer palavra ou qualquer reportagem que faça na vida.
Percebi de imediato que o erro foi não terem evacuado as aldeias de imediato. Às 3 da tarde. Como fizeram em Gois, ao mínimo sinal de perigo, logo no dia seguinte.
Ninguém teria fugido para aquele corredor da morte, se tivesse havido bombeiros para os socorrer. As vítimas ficaram encurraladas entre a morte certa e a morte incerta. Morreram na mesma. Sozinhas. Desamparadas. A isto chama-se negligência!
E depois das mortes? O silêncio sobre as causas seguido de uma feira de vaidades.
Quando as populações ainda precisavam que as autoridades as acudissem, as autoridades andavam a mostrar as chamas e a tragédia às altas entidades.
Ouvi o desabafo de GNR’s a quem o chefe de Estado exigiu entrar em zonas perigosas, pondo em risco várias pessoas que o acompanhavam, apenas porque queria ver.

Que país é este que não se comove?
Que na hora de salvar civis, tem 5 bombeiros e um helicóptero?
E quando a desgraça vem ainda pensa mais no espetáculo mediático do que na verdadeira missão de salvar civis?
Não precisamos de mais comissões independentes.
A verdade está à vista.
Está contada na caixa negra da proteção civil que o Sexta às 9 revelou em primeira mão ao país logo ontem.
As vítimas merecem um gigantesco pedido de desculpa!
Não há nada que lhes possa trazer os familiares de volta. Mas a espera é outro crime.
Um Estado que se digne usar este nome tem o dever moral de as ressarcir já!
Sem mais demora.
Sem nenhum hesitação!
Não foi um evento meteorológico imprevisível ( porque como se comprova estava tudo previsto 48h antes) nem qualquer falha no Siresp que provocou a tragédia.

A natureza e a tecnologia seriam ótimos bodes expiatórios, mas está à vista que o que falhou foi a ausência total de decisões humanas à altura.

A missão da proteção civil é salvar pessoas e bens.
Tal como a minha é contar a verdade.

Não tenho mais lágrimas para partilhar com quem sofre hoje o que nunca imaginei ser possível.
Famílias inteiras destroçadas.
Crianças que perderam os pais.
Pais e avós que ficaram sem os filhos e os netos.
Para esses todos, segue o meu abraço. Emocionado. Não valendo de nada, é tudo o que lhes posso dar. Com a promessa de que estarei sempre aqui, para lhes dar voz e para que nunca sejam esquecidos!

Sandra Felgueiras

At Facebook

Artigo de opinião: “Recado ao Pedro”

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Eu vou-te avivar a memória, já que não te lembras daquilo que fizeste quando eras Primeiro Ministro.

A primeira medida que tomaste foi o aumento do IVA, recordas?
Dessa medida resultou a falência de milhares de PMEs e o desemprego de milhares de trabalhadores.
Milhares de pequenos empresários ficaram sem meio de vida, cheios de dívidas viram-se obrigados a entregar casas aos bancos e a pedir esmola.
Conheci vários que se mataram dentro das empresas em desespero porque como eram empresários nem direito tinham a um subsídio de desemprego.

O desemprego disparou para níveis nunca vistos neste país.
As IPSSs, a Cáritas e outras organizações de Solidariedade Social não tinham mãos a medir para atender pedidos de ajuda de famílias inteiras que sem apoios da Segurança Social estavam a passar fome e desesperadas sem conseguirem fazer face ás despesas básicas.

Milhares de famílias foram atiradas para a rua, despejadas das suas casas pela Banca, por senhorios e pelas Finanças através de penhoras por dívidas ao Estado, quando muitas dessas dívidas eram de valor inferior ao valor real das habitações.

Depois vieram os cortes nas pensões de reforma, no complemento solidário para idosos, nas pensões de viuvez, nos abonos de família e nas pensões não contributivas como por exemplo no RSI que cortaste a torto e a direito sem olhar a quem e sem apelo nem agravo.

Aumentaste o IMI, começaste a cobrar IUC sobre veículos independentemente de estarem ou não em circulação, chegando ao ponto de cobrares esse imposto a quem nem carro tinha ou sobre veículos já abatidos há anos.

Aumentaste impostos na gasolina, no gasóleo, no tabaco, nas bebidas alcoólicas, aumentaste as portagens e todos esses aumentos foram reflectir-se no aumento do custo de vida que como é óbvio foi mais sentido pelas classes sociais mais frágeis e carenciadas.

Criaste as taxas moderadoras e com essa medida muitos idosos deixaram de ir ao médico ou aos hospitais.

Fechaste Centros de Saúde, Maternidades e Hospitais e muitos idosos morreram por falta de assistência médica, mas também jovens e parturientes morreram por falta de cuidados médicos.

Doentes oncológicos viram as suas cirurgias adiadas e sem cuidados continuados.
Doentes crónicos ficaram sem médicos de família e sem comparticipação em medicamentos imprescindíveis ao tratamento das suas doenças.

Lembras-te dos doentes com Hepatite C a quem negaste um medicamento que podia salvar vidas e mesmo curar?
Deu até azo a manifestações populares na AR que a tua amiga Assunção Esteves reprimiu e mandou deter alguns doentes que se manifestavam indignados e com razão!
Não eram suicidas mas tu querias bem lá no fundo que fossem para poupares algum. Fazia-te jeito para ficares bem visto perante a Troika e a tua amiga Merkele.

Fechaste escolas e fizeste dos professores e das suas vidas gato sapato, obrigando-os a andar em Bolandas sem saberem o que fazer e onde ir!

Mudaste Freguesias, alteraste comarcas, encerraste Tribunais e deste com os juízes e advogados em doidos com a porcaria do sistema Citius todo baralhado.
Esqueceste essa cena?
Eu lembro-te.

Dessa confusão resultaram prejuízos para empresas, para cidadãos e para todo o país que nunca mais se vai recuperar!

Pais que perderam a guarda dos filhos conheci 19, 5 mataram-se.
Fora os que não conheço e olha que não conheço muita gente.

Mães que se viram sem as pensões de alimentos por culpa da baralhada com o Citius foram milhares.

Uma era professora e o filho era deficiente.
Atirou-se da varanda de um hotel.

Mas também houve mães que envenenaram os filhos e a seguir mataram-se porque não tinham nem emprego nem apoios e nem ajuda de psicólogos.

Sabes Pedro, moro em Almada.
Fui obrigada a vir morar para aqui.
Não, não foi culpa tua.
As coisas neste país já não estão bem há muitos anos.
Realmente apanhaste o país num grande caos económico, mas mesmo assim se fosses honesto e um bom gestor terias evitado cortar onde mais doeu!
Os cortes atingiram os mais fracos e para recuperar um país começa-se por por ordem nas finanças públicas cobrando impostos aos que não pagam.

Mas para o fazeres, para cobrares aos que sempre fugiram aos impostos terias de começar por ti, não é assim?
E depois os teus amigos e financiadores não iriam gostar nada de terem de alargar os cordões à bolsa.

Mas como te dizia, vim viver para Almada há uns anos e sabes, aqui temos uma Ponte onde todos os dias durante o teu governo assistimos a muitos suicídios.

E também temos o Metro que não é subterrâneo, é como um eléctrico sabes?
Pois volta e meia para não dizer uma a duas vezes por semana, lá se tinha de chamar o INEM por causa de um velhote ou velhota que “escorregava” e caía à linha!

E quantos eu vi a chorar de vergonha por serem apanhados no supermercado a guardar uma lata de salsichas ou de atum na mala ou num bolso do casaco!!

E outros a sairem da farmácia sem aviar a receita porque a reforma tinha encolhido e os filhos tinham-se mudado lá para casa e estavam desempregados e sem subsídios de desemprego!

Sabes Pedro, sabes qual é o teu mal?

Teres tido um pai fantástico e uma mãe que tudo te desculpou.
Os anos de cabulice, as más notas no liceu, as noitadas na vadiagem, a vida boémia, as drogas, a pouca ou nenhuma vontade de estudar ou trabalhar e a falta de respeito por toda a gente.

Tu não tens noção da quantidade de vidas que deste cabo ao longo da tua vida, não só nos quatro anos em que te tivemos de aturar como Primeiro Ministro, mas desde que te conheci quando vivias na Rua República da Bolívia.

Tenho pena de não ter adivinhado naqueles anos naquilo em que tu te irias transformar!
A sério Pedro.
Naquele dia em que chamei a PSP de Benfica e evitei que a malta do Bairro do Charquinho te desse um arraial de porrada, se eu tivesse adivinhado no que te irias transformar, eu tinha fechado os olhos e fingido que te tinhas atirado da varanda do quinto andar.

Teria evitado tanta coisa, até ouvir as alarvidades que continuas a atirar pela boca fora.

Tantos anos depois e continuas a ser o mesmo chulo que conheci na nossa adolescência e juventude.

Olha Pedro, queres um conselho?
Reforma-te da política e mete uma rolha na boca ou um dia destes apareces suicidado nalguma esquina da vida.

É que nem todos os que te conhecem bem são tão pacíficos e compreensivos como eu e como a malta que te aparou as pancas lá em Benfica, tu sabes bem na casa de quem.

Espero que a Laura recupere depressa da maldita doença.
Ela não merece tanto sofrimento!

E se um dia nos voltarmos a cruzar nalguma rua de Lisboa vira o rosto, para que eu não me sinta tentada a sujar as minhas mãos na tua cara.

É que eu tentei duas vezes o suicídio por tua causa quando me vi atirada para a rua sem qualquer apoio e a lutar contra o cancro e sem ajuda psiquiátrica.

Não acertei na dosagem.
Não tinha de ser.

Quem sabe o que a vida me reserva?
Talvez me reserve a felicidade de te ver a ti Pedro e aos teus amiguinhos (tu sabes a quem me refiro) atrás das grades e a pagares pelos milhares de vidas dos que se suicidaram ou tentaram em desespero por vossa causa!

Assino o nick com que me conhecias: Nini Nilo

Opinião: “A Inijovem fez 20 anos”

Inijovem

No passado dia 23 de Maio, a Inijovem fez 20 anos. Fez anos a associação que teve como berço o “Bacelo da Meji” (“extensão” da Pastelaria/Bar Maria da Luz), numa confraternização de jovens que foi secundarizada por uma feijoada com cabeça de porco confeccionada pelo João Caldeira, mas onde também estiveram outros grandes elementos, desde o Nuno Arménio ao Norberto Marzia, ou do José (“Bonita”) Esteves ao Pedro Vieira. Um momento único onde todos, independentes ou com as mais variadas tendências, tiveram direito a dar a sua opinião sobre a organização que se perspectivava. Episódio esse que, estranhamente, tem causado alguma urticária aos directores da Inijovem dos últimos anos, para que conste no historial da sua página na internet.

Fez anos a associação que celebrou um contrato de comodato, logo à nascença, com o antigo Clube Nisense, numa reunião formal com os últimos responsáveis desta “extinta” organização, para que a Inijovem tivesse ao dispor um espaço físico para desenvolver as suas actividades, que ainda hoje se mantém, e que já foi alvo de algumas obras de requalificação. Foi nesse mesmo espaço (Salão Nobre) que foi decidida a composição dos primeiros órgãos sociais.

Fez anos a associação que se apresentou às pessoas no dia da Nossa Senhora da Graça, colocando ao dispor um espaço de interacção com toda a juventude, já com uma mesa de apoio para receber as primeiras inscrições/propostas de associados. E que passado pouco tempo mostrava uma equipa “organizada” para participar na Feira de Gastronomia e Actividades Económicas do concelho, ainda no Rossio.

Fez anos a associação que também nessa altura organizou dois concertos fantásticos para a juventude, um também na Praça da República, outro na Praça de Touros de Nisa, com a “Xuxu e a Banda” e os “Ferro & Fogo”, respectivamente, como cabeças de cartas, o primeiro que mais parecia um drive in, de onde ninguém queria arredar pé, e o outro que prestou previamente uma enormíssima homenagem ao saudoso Jerónimo (Bar Jeronimus), com uma participada concentração motard.

Fez anos a associação que não recebeu a benesse de um dos seus primeiros directores para ser a responsável originária da organização do habitual e conceituado “Rally Paper” em Nisa, o que veio a contrapor com a Rota do Contrabando, que se tornou a actividade de excelência da organização.

Fez anos a associação que orgulhosamente passou a representar Nisa no Conselho Inter-regional da Delegação do Instituto Português da Juventude em Portalegre e, exclusivamente, todo o Alto Alentejo na Federação Nacional de Associações Juvenis.

Fez anos a associação que permitiu que a política entrasse num espaço que se queria isento, com o assobiar comprometedor de alguns políticos da praça, aos mesmo tempo que outros a desprezavam e “apontavam” os elementos que dos órgãos sociais faziam parte, “outros” esses (políticos) que hoje em dia a enaltecem, em período que poderá dar um certo jeito.

Fez anos a associação que também permitiu a entrada de algumas “jogatanas”, mas que rapidamente foram saneadas com a vontade de dar actividade regular a algumas das secções entretanto criadas.

É a mesma associação que nos dias de hoje também trata da organização de actividades desportivas, que seriam naturalmente destinadas a outras colectividades da vila ou do concelho, associações que, essas sim, são exclusivamente desportivas, mas que comodamente preferem dar só o ar pontual da sua graça à espera do perecimento. Que se saiba que o 2.º classificado da distrital de Portalegre de futebol sénior desta época, e que agora termina, é de uma aldeia, imagine-se, do concelho de Arronches. O que já foi Nisa …

Enfim, fez anos a associação que fez e tem feito sorrir jovens de várias gerações, mulheres e homens que quiseram participar, dos bem mais pequenos aos bem mais velhos, os seus pais e irmãos e restantes familiares e amigos, contrariando “alguns” opinion makers da vila que davam um período de vida à colectividade não superior a 2 meses, mas cujo sapo se tornou incomportável para ficarem do “lado de lá”.

Longa vida à Inijovem e a todos os associados que de forma activa a defendem, nomeadamente aos elementos dos seus órgãos sociais, que com o tempo conseguirão trazer aquela juventude pré-30, a quem também se destina o exercício, na prática, da correcta, legítima e verdadeira cidadania.

Marco Oliveira