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Edição do Voluntariado Inclusivo em Portugal

Voluntariado inclusivo

LANÇAMENTO DO MANUAL “VOLUNTARIADO INCLUSIVO –
Orientações para desenvolvimento de um programa de voluntariado mais inclusivo”

Dia 30 de Novembro de 2017, em Évora.

No âmbito das Comemorações do Dia Internacional das Pessoas com Deficiência e do Dia Internacional dos Voluntários, a Fundação Eugénio de Almeida apresenta a edição em português do livro “Voluntariado Inclusivo: orientações para o desenvolvimento de um programa de voluntariado mais inclusivo”, publicação resulta de um projeto de 2 anos desenvolvido por uma parceria de oito instituições dos seguintes países europeus: Croácia, Dinamarca, Hungria, Irlanda, Itália, Letónia, Roménia e Eslováquia.

Esta publicação que a Fundação Eugénio de Almeida agora publica em português, é composta por duas partes. A primeira parte cobre aspetos gerais do voluntariado inclusivo. A segunda parte inclui orientações para coordenadores de voluntariado sobre a forma de trabalhar com diversos grupos – pessoas com deficiência auditiva, deficiência visual, deficiência física, pessoas com problemas de saúde mental, idosos, migrantes, desempregados de longa duração, ex-reclusos e pessoas sem abrigo. 

Destinatários: Técnicos e dirigentes de organizações promotoras de voluntariado, voluntários e público em geral.

Amanhã às 15:00.

At Fórum Eugénio de Almeida – 7000-804 Évora

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Jovem de Castelo de Vide a votos no OPJ 2017

OPJ

Orçamento Participativo Jovem Portugal 2017 / https://opjovem.gov.pt/

“Amigos, apresentei uma proposta no Orçamento Participativo Jovem Portugal, na área da sustentabilidade ambiental, a qual foi aprovada e está agora em fase de votação até dia 22 de dezembro.
É um projeto ligado ao Distrito de Portalegre, e consiste numa ação distrital de limpeza nas nossas áreas florestais.
Para votarem, para além de terem de ter entre 14 e 30 anos, basta aceder ao site e registarem-se, ou através de SMS gratuito, enviar para o nº 4310 com o número do projeto, 134 (espaço) o vosso nº do CC com os 12 algarismos, incluindo os algarismos de controlo. Ex: 134 123456780ZY1

Obrigado pela atenção! 

Link: https://opjovem.gov.pt/cb/kvEMymyazluTVqcpKICnrBVvNpObeUyW/topic/zEkA954YYLutabsDmeKSqHqzMj8So6kR?type=project

João Carlos Diogo

Ex-Presidente da Direção da Associação Ekosiuvenis

At https://www.facebook.com/

Crónica: “O cancro é um filho da puta”

Patricia Costa 1O cancro é um filho da puta. Aqui já o posso dizer que ninguém censura.

O cancro é aquele filho da puta que te deixa sem saber se te mata ou não, mas com a espada na cabeça.

O cancro é aquele filho da puta que, provavelmente te amputará, parcial ou totalmente de partes de ti.

O cancro é aquele filho da puta que, quer te mate ou não, te transformará, inchará, deixará careca, fará vómitos, cair as unhas e umas quantas outras merdas.

O cancro é aquele filho da puta que te deixa marcas para sempre, faça contigo o que fizer.

Ir ao IPO de Lisboa é levar um soco na boca. Fui visitar o meu avô. Mas já fui visitar a minha avó, que continua cá, depois de 2 operações. Já visitei uma amiga, de 20 anos, que não continua cá; outro amigo de 30 que também não… Não fui visitar mas estiveram cá amigas, conhecidos, amigos e familiares de outros.

O cancro é aquele filho da puta que não faz diferença de quem tu és. Rico. Pobre. Novo ou Velho. Criança ou não…

Já trabalhei, inclusive, no IPO de Coimbra. Devia, tal como Auschwitz ter um aviso antes da visita: não coma. para não visitar.

Velhotes que já eram abandonados ainda mais. Mulheres gastas pela doença, em sofrimento. Crianças que não sabem nem percebem o que se está a passar e tentam encontrar algo colorido no meio das batas brancas.

Sim, o cancro é aquele filho da puta que trata mal toda a gente. Mesmo a quem salva.

Escrevo isto para agradecer a todos os médicos, enfermeiros, auxiliares e qualquer pessoa que aqui trabalhe: OBRIGADA.

Não é para qualquer um. Especialmente se usas as batas com bonecos. Oh as batas com bonecos… aquelas batas que querem transformar o feio em menos feio, o horrível em menos horrível… as batas da oncologia pediátrica.

Quero agradecer a todos, em nome de todas as mães, mulheres, filhas, pessoas, a todos sem distinção.

Imagino que chorem. Imagino que exasperem entre o que é um trabalho, com horário e picar do ponto, e uma profissão que dilacera a alma.

Imagino que sofram. Mas talvez o vosso sorriso poupe algumas lágrimas ao mundo.

Já que o vosso trabalho poupa milhares.

Obrigada

Na esperança que, para filho da puta, filho da puta e meia.

Patrícia Costa

At http://cronicasdamaternidade.com

O dono do Tejo

Paulo Fernandes

Este cavalheiro na foto, Paulo Fernandes, consegue ser o dono de eucaliptais imensos (já sabemos a beleza que são os eucaliptos para Portugal), é o dono da Celtejo(Altri), que nos destrói todos os dias o rio Tejo em Vila Velha de Ródão e já agora é o dono do Correio da Manhã (Cofina).

Não tenho nenhuma admiração pelo Correio da Manhã mas gostava de ver quantas vezes vem no jornal o que se está a passar com a Celtejo.

Arlindo Consolado Marques o Correio da Manhã que anda sempre todo o lado já te entrevistou?

André Rodrigues Lopes

At https://www.facebook.com/

Câmara de Nisa reage à mortandade do Tejo a 13/11

Nota de Imprensa n.º 29/2017, de 13/11/2017

O Municipio de Nisa exige medidas de Combate à Poluição do Rio Tejo

O Municipio de Nisa informa que enviou, no início do mês de Novembro, um ofício dirigido ao Ministro do Ambiente, Eng.º João Pedro Matos Fernandes, alertando para a necessidade de se proceder à construção de uma solução válida, duradoura e sustentável para elevar o Rio Tejo, a RIO VIVO e VIVIDO! E exigindo medidas efetivas de combate à Poluição do Rio Tejo.

Houve no entanto, por parte do Municipio, ações de recolha de peixes mortos, junto à Central Hidroelectrica da Velada (São Matias).

Como referimos nessa missiva dirigida ao Srº Ministro do Ambiente, reafirmamos que o concelho de Nisa segue políticas Municipais, bem definidas e esplanadas no Plano Diretor Municipal (PDM), estrategicamente assente num forte pendor de sustentabilidade ambiental, predominantemente na preservação e requalificação dos recursos hídricos e hidrominerais, e na valorização do território e das suas gentes.

“Face ao exposto e pela importância deste relevante recurso hídrico para o desenvolvimento sustentável do nosso concelho, o mesmo não se coaduna com os mais recentes focos de elevada carga de poluição – crime ambiental (previsto no código Penal artº 278 e 279), que está a afetar o Rio Tejo, principalmente a jusante de Vila Velha de Rodão, a qual tem provocado uma mortandade elevada de peixes (achigã, carpa, barbo, boga, lagostins entre outros), exterminando por completo todo o ecossistema do leito do rio, principalmente neste percurso, influenciando decisivamente toda uma comunidade e o seu modo de vida.”

O Municipio de Nisa, tudo tem feito no sentido de identificar, denunciar e encontrar as soluções necessárias para a resolução deste contínuo e persistente crime ambiental, provocado por agentes poluidores e prevaricadores, que a persistir desta forma e com esta intensidade, influenciarão decisivamente os projetos de toda a nossa estratégia municipal que assenta em dinâmicas de sustentabilidade, aliadas a uma forte valorização do território e das comunidades ribeirinhas, nomeadamente as freguesias de Santana, São Matias (Velada) e Amieira do Tejo.

Exigimos e defendemos, junto das autoridades competentes, medidas realmente efetivas e duradouras de combate à grave poluição que afeta o Rio Tejo, porque a sustentabilidade do nosso território e das comunidades que nele habitam, só se coaduna com um rio vivido e com vida, em toda a sua plenitude.

At http://www.cm-nisa.pt/

Artigo de opinião: “A Revolução de Outubro está morta?”

Pedro TadeuNo dia 7 de novembro de 1917, há cem anos, não havia verdadeiras democracias no mundo. Nos países onde se faziam eleições para o poder legislativo só uma pequena parte do povo tinha direito a voto: na maior parte dos casos só os proprietários, os empregados, os mais velhos ou alfabetizados é que podiam votar. Onde não havia ditaduras formais só uma pequena parte da população era chamada a decidir o futuro coletivo.

Na Inglaterra, tantas vezes descrita como a mais avançada das democracias europeias, os homens só tiveram acesso geral ao voto em 1918 e as mulheres, depois de 30 anos de manifestações reprimidas nas ruas, só o teriam em 1928.

Em França as mulheres só puderam votar em 1944, apesar de a Revolução Francesa, a da igualdade e da fraternidade, ter como símbolo uma mulher e de o voto dos homens para elegerem um parlamento ter começado em 1792 e dos homens não brancos em 1916.

Nos Estados Unidos os homens brancos podiam votar desde 1856, as mulheres desde 1920, os nativos desde 1924 mas, em resultado da dura luta dos afro-americanos contra a segregação, a universalidade do voto chegou à “terra dos homens livres” somente em 1965, já grande parte de nós era nascida.

Em Portugal o voto só foi verdadeiramente universal em 1974, graças à Revolução dos Cravos, pois boa parte da população estava proibida de ir às urnas, mesmo na República, antes do fascismo.

No dia 7 de novembro de 1917, há cem anos, os bolcheviques tomaram o poder na Rússia e herdaram o voto universal instituído pelo governo provisório da revolução de fevereiro. A Rússia não foi a primeira: na Nova Zelândia, na Finlândia, na Noruega e na Dinamarca isso já acontecia. Democracia no mundo em 1917? Não, não havia.

A Rússia bolchevique juntou à noção de direito de voto universal muitos outros de sua lavra: habitação, assistência médica e educação gratuitas, legalizou-se o divórcio, terminou a distinção entre filhos legítimos e ilegítimos, promoveram-se direitos das crianças e dos idosos, proibiu-se o trabalho infantil, as jornadas de trabalho foram limitadas a oito horas diárias, houve férias pagas, segurança social, estabeleceu-se salário igual para trabalho igual entre homens e mulheres. Quase ninguém no mundo tinha leis destas…

Os países de sistema capitalista encontraram um adversário que entusiasmava e mobilizava milhões de operários, empregados, intelectuais, professores, estudantes, homens e mulheres explorados, oprimidos, sem voz. Ao longo dos 70 anos seguintes, até à queda da União Soviética, muitos países capitalistas, pressionados pela competição com o campo socialista e pela luta dos deserdados da fortuna dos seus países, concederam inúmeros direitos políticos e sociais que hoje consideramos naturais.

Sim, os crimes contra a humanidade que se praticaram em nome do socialismo – tal como os dos capitalismo – são imperdoáveis. Mas isso não conta toda a história: uma boa parte das melhorias civilizacionais do planeta estão associadas ao desafio colocado pela primeira tentativa de construir uma sociedade sem explorados nem exploradores – e só assim as melhores democracias capitalistas caminharam para o que hoje são. Até no simples voto…

A denunciante mais talentosa da degradação do “comunismo real” é Svetlana Alexievich, a prémio Nobel da Literatura que escreveu O Fim do Homem Soviético. Mas até ela resolveu dizer isto a um jornal português: “O comunismo era uma ideia boa, bonita, no início. E acho que não está morto. O comunismo vai voltar, mais à frente no tempo…” A Revolução de Outubro faz hoje 100 anos mas, segundo Svetlana, a anti-soviética, o seu espírito não morreu… Espanto?

Pedro Tadeu

At https://www.dn.pt/

Vão ser precisas pessoas para o interior?

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Quaisquer que sejam as medidas que o Governo venha a implementar na área da gestão florestal, elas vão precisar de gente para as pôr em prática nos territórios. E é gente que falta ao interior do país. Esta foi uma das principais ideias que atravessaram as intervenções dos académicos que se encontraram nesta sexta-feira na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra para debater o Portugal após dos grandes incêndios deste ano.

Os académicos, de áreas da Sociologia à Economia, passando pela Biologia e pelo Ordenamento do Território, traçaram um quadro de abandono do parte do país e de grandes assimetrias, das quais os incêndios são uma das consequências mais visíveis.

Um dos retratos desanimadores foi introduzido por Helena Freitas, que esteve à frente da Unidade de Missão para a Valorização do Interior, mas que saiu do cargo em Julho por falta de “apoio político”. “Em mais de 50 concelhos do país, mais de metade da população vai ter mais de 65 anos” num futuro próximo, referiu. Nestes territórios há “pessoas tristes, sem expectativa, sem confiança”, e é neste quadro de baixa expectativa que se quer manter os jovens e atrair investimento.

Sem outra alternativa rentável, as populações viraram-se para o cultivo do pinhal, primeiro, e do eucaliptal, depois, “porque respondiam às necessidades económicas”. Perante a necessidade de “criar valor”, faltou uma alternativa à monocultura, que dá resposta a uma actividade industrial, “mas não às pessoas”. O Estado “não se encarregou” de alavancar a criação de alternativas e a academia, que teria o conhecimento para transformar o sector agro-florestal, não ajudou, aponta Helena Freitas.

A ex-deputada socialista fala ainda de uma “centralização chocante” serviços em Lisboa. “Nas últimas décadas, o próprio Estado resolveu sair dos territórios”. Esse esvaziamento foi acompanhado pelas pessoas. A bióloga defende que tem que ser a sociedade a “impor uma narrativa ao Estado” para inverter a situação, porque não será este a tomar a iniciativa.

A fixação de população nos designados territórios de baixa densidade é um passo para resolver o problema do ordenamento do território, mas tem de ser acompanhada por outras políticas. O investigador Pedro Bingre do Amaral, explica que o simples facto de um terço do território nacional ser ocupado por mato é um problema. “É nestas áreas que deflagra a maioria dos fogos”. São as espécies arbustivas que proliferam no mato, o que acaba por fornecer combustível aos incêndios. Face a esta realidade, temos duas soluções, defende Pedro Bingre: ou se ocupa os terrenos com pastagens, montados ou soutos, ou a floresta terá que ser densa, para que haja sombra suficiente que impeça a prevalência de arbustos. Este tipo de medidas implicaria fazer alterações ao direito sucessório e “reinventar o conceito de propriedade”.

Para José Reis, o economista que já foi presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Centro, com os incêndios houve a “demonstração profundíssima de que os territórios não metropolitanos estão deslaçados”. “Temos um modelo unipolar, centrado numa única forma de concentração metropolitana. E centra-se obviamente em Lisboa”, defende. Esta “forma de fragilização dos territórios” intensificou-se nos últimos anos e foi “uma das nossas urgências mais silenciadas”.

No encontro esteve também António Louro, vice-presidente da Câmara de Mação. O concelho que era apontado como exemplo de boas práticas na questão da prevenção e ordenamento do território voltou a arder em 2017. Já tinha sido assim em 1995, 1998 e 2003, lembrou o autarca, para quem as políticas de combate à desertificação nos últimos 40 anos “não conseguiram atenuar a gravidade do problema”.

Sobre a dificuldade em aplicar políticas de ordenamento, Louro ilustra com um dado: em Mação há 40 mil hectares com 80 mil proprietários. Muitos deles são herdeiros e não vivem no concelho. As aldeias serviam como “instrumento de gestão do território e os agricultores como braço armado. Esse sistema colapsou”. Para o responsável, a criação das entidades de gestão florestal “é um primeiro passo”, mas não na forma como o Governo as propõe.

At Publico