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Opinião: “A tourada da “Cultura” prossegue em S. Bento e no PS”

Jose Mateus 10462492_10202103566171075_273036253786044150_nAntónio Costa não tem sorte com os seus ministros da Cultura. Primeiro foi o João Soares que não teve tempo de mostrar o bom ministro que seria pois prometeu um par de estalos a uma cara onde sujaria as mãos. Depois, apareceu um inexistente, caído não se sabe de onde. E, agora, arranjou uma dama que gosta de arranjar “touradas” e de perder votos.

A “tourada” criada pela ministra da Cultura prossegue em S. Bento em grande estilo. Era óbvio que o radicalismo ‘culturalmente correcto’ da ministra ia criar o caos político dentro do PS. Costa diz-se “surpreendido”. Não tem razões para isso.

Se há alguém que bem conhece o PS é António Costa e, portanto, facilmente sabia no que iria dar a “loucura”, tipo esquerda identitária e tribalista, um somatório aleatório de minorias, da LGTB aos anti-touradas e outros anti-qualquer-coisa.

Pela primeira vez, o Primeiro-Ministro tem o Grupo Parlamentar do seu PS a assumir uma afronta contra ele e uma decisão política avalizada por ele… Bonita tourada… Bonito serviço, a um ano de eleições.

O jornal i registou o facto:

“O grupo parlamentar do PS decidiu hoje que vai apresentar uma proposta para que o IVA das touradas baixe para os 6% como está previsto para outros espetáculos culturais. “Estou surpreendido, lamento, se fosse deputado votaria contra”, disse Costa, “apanhado de surpresa”.

“As touradas abriram uma polémica entre António Costa e os deputados do PS. O primeiro-ministro admitiu que existe uma “divergência” com o grupo parlamentar.

“Carlos César garantiu que “há uma maioria expressiva de deputados no sentido de incluir a tauromaquia juntamente com as outras valências culturais que diminuirão a sua taxa para 6%, caso dos espetáculos de dança, de teatro e de música nos termos que são constantes na proposta do Governo”.

“Perante esta decisão dos deputados do PS, António Costa garantiu que foi apanhado de surpresa pela decisão dos deputados socialistas e considerou que esta não é uma matéria de consciência.

“É manifesto que há uma divergência entre o grupo parlamentar e o Governo”, afirmou Costa.”

Pois há divergência. Mas ainda bem. Os deputados do PS acabam de fazer duas coisas raras e muito significativas: 1. Mostram que existem, que o PS existe e que tem ligação ao eleitorado e ainda que o seu grupo parlamentar não se reduz a uma câmara de eco. 2. Com este assomo de personalidade, talvez os deputados do PS tenham salvo a maioria absoluta que Costa persegue e que a inteligente da sua ministra da Cultura insiste em aniquilar.

Nos EUA, a dama Clinton chamava “deploráveis” aos eleitores, enquanto por cá, a dama da Cultura lhes chama “bárbaros”. Em termos estritamente políticos, elas é que são deploráveis e bárbaras. E perdedoras, claro.

Esta tourada engendrada pela ministra da Cultura é uma deplorável barbaridade política. Se, apesar disso, Costa conseguir uma maioria absoluta será ao grupo parlamentar do PS que a deverá.

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Costa e PS Perdem Pontos

A ministra criou a “tourada” em final de Outubro, uma semana depois, os trabalhos de campo de uma sondagem revelam que o PS perdeu mais de um ponto percentual, ficou mais longe da maioria absoluta, e Costa baixou na sua popularidade…

Ontem, a ministra dizia-se não fragilizada nem angustiada… Talvez que a sua cultura, além da incompatibilidade com a tourada, tenha também um conflito com a estatística ou a sua fé não lhe permita acreditar em sondagens. Vá-se lá saber… O que se sabe, é que, na relação com o eleitorado e com a Democracia, esta “superioridade cultural” da ministra (a lembrar a “superioridade moral” de Cunhal…) é intolerável, incompatível e uma barbaridade política.

José Mateus

At https://www.facebook.com/

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Artigo de opinião: “Mil vezes ser touro bravo”

Sergio Sousa Pinto 894508314ceba662c8de93231f987ccf_400x400As guerras culturais dizem-nos muito menos sobre a cultura do que sobre a guerra. Revelam, nas condições do tempo, a impossibilidade de diálogo, bem conhecida da História, em que uma das partes pretende submeter a outra em nome de uma qualquer superioridade que não admite transacção. As guerras culturais são cruzadas, como o é a causa da “civilização” contra a tourada portuguesa. Não se trata de cultura, uma vez que pouco se fala dela. Fala-se, sim, de resplandecentes posições de princípio, alinhadas com um estádio superior de civilização, que não extingue pura e simplesmente a posição contrária – a tourada e o mundo dos touros – por mero receio da reacção dos bárbaros, uma horda imprevisível. Não há, também, vestígios de tolerância, uma das mais admiráveis conquistas dos povos civilizados: os representantes da civilização superior não suprimem as manifestações culturais bárbaras pro mero pragmatismo, na melhor das hipóteses por condescendência ou prudência reformista; nunca por aceitarem conviver com uma prática de qual discordam, que é a própria definição de tolerância. A guerra cultural é uma guerra de agressão, uma vez que não há simetria entre as partes; uns reclamam o direito de continuarem uma prática ancestral, sem fazerem proselitismo dos valores e das emoções que lhe dão significado; outros, que podiam viver felizes à margem de um universo cultural que lhes causa repulsa, pretendem apropriar-se da lei para perseguir – por enquanto simbolicamente no IVA -, e eventualmente proibir, uma festa cuja sobrevivência ofende a sua particular noção de civilização.

Que a mentalidade descrita prevaleça no BE não é surpresa. Na mundividência do esquerdismo a História é uma acumulação de irracionalidade e opressão, da qual nada se aproveita, nem mesmo o Homem, que deve ser um Homem novo, higienizado da sua natureza e da sua cultura, e assim compatibilizado com a sociedade perfeita, terminal e total.

Que o PS aceite o sectarismo, as simplificações, a santimónia e, no fundo, a eterna aversão à liberdade que são secreções de ideologias mortas, é algo que não tem explicação.

A intolerância contemporânea apresenta-se banhada em beatitude, “o estado permanente de perfeita satisfação e plenitude somente alcançado pelo sábio”, explica o dicionário. Debater para quê? Compreender o quê? Gostavas que te enfiassem farpas no lombo? Para regozijo de uma multidão depravada? O caso está arrumado. O sábio urbano, cujo sentimentalismo varia na proporção inversa da sua cultura, falou.

Talvez a torada esteja condenada. Mais de dois mil anos de tradição de cavalos de combate, tradição equestre nascida do cavalo ibérico, único na agilidade e coragem, que espantou Xenofonte e Estrabão, que combateu os romanos e ao lado deles, nos grandes recontros da antiguidade; cavalaria sem formações rígidas, assente no duelo individual, como na arena. O touro bravo, raça híbrida de extrema agressividade, apareceu naturalmente, favorecido pelas transumâncias, nas planícies semiáridas da península; foi caçado à semelhança dos ursos, veados e javalis, antes de ser adotado pelo homem ibérico, e criado como o mais nobre dos adversários, digno de sobreviver para enfrentar o Homem até ao fim dos tempos, simulando e celebrando, com o cavalo de combate, a tradição milenar do guerreiro ibérico. Tudo isto vale zero, diz o sábio urbano educado pela internet, que tem um cão em cativeiro no sétimo andar, chamado Gaspar e que vai à rua urinar com um impermeável escocês, derreado pela displasia da anca. E talvez valha. Nunca saberemos a opinião do Gaspar, mas podemos adivinhar. Mil vezes ser touro bravo.

Sérgio Sousa Pinto

At https://expresso.sapo.pt/

Artigo de opinião: “Olhe que sim, dr. Costa, a tauromaquia é cultura civilizacional”

Luis Capucha 1303434Se o primeiro-ministro crê que a questão das touradas é de civilização, então temos motivos para nos preocuparmos seriamente. Porque ele alinha com as seitas fundamentalistas que promovem a ideia de que não existem diferenças entre homens e animais sencientes não humanos.

O primeiro-ministro António Costa resolveu sair a terreno para defender a sua ministra da Cultura, um quadro da sua entourage (vulgo, uma girl), no caso do ataque à tauromaquia com pretexto da taxa do IVA. Parece esperar o fim da polémica após a sua intervenção numa arrogante resposta a Manuel Alegre. Mas só lançou gasolina para a fogueira.

Já circulam na Net as fotos do António Costa presidente da Câmara de Lisboa, satisfeito da vida a exultar com uma corrida de toiros no Campo Pequeno e a abraçar efusivamente o Cabo do Grupo de Forcados Amadores da Cidade em plena arena.

O que o fez mudar tanto de ideias em tão pouco tempo? O “negócio” com o PAN, que hoje todos aplaudiríamos se fosse destinado a aumentar o Orçamento para os canis e os gatis, mas que infelizmente instrumentaliza o governo para uma “canelada” política na tauromaquia, o que sempre dá mais visibilidade, tão necessária quando se aproximam eleições. Puro oportunismo político, portanto. A taxa do IVA é apenas um pretexto.

Arrogante é um adjectivo suave para classificar a atitude de um primeiro-ministro que julga poder pronunciar-se sobre uma questão que envolve o regime democrático e os valores civilizacionais (nada menos do que isto, é ele mesmo que o assume) no “sossego de uma viagem até Berlim”. É tudo o que tem para dar ao debate sobre a civilização? É deprimente!

O oportunismo político assente num cálculo errado a respeito das simpatias dos portugueses é mascarado, no artigo publicado no PÚBLICO hoje, dia 11 de Novembro, com argumentos alinhavados à pressa por António Costa no avião para Berlim para parecerem uma opinião, padrão de gosto e sensibilidade pessoal, atributos legítimos para exibição pelo cidadão António Costa, mas que não devem em caso algum guiar acção e o discurso de um primeiro-ministro. Tais argumentos rodam em torno de dois erros: em primeiro lugar, a costumeira e banalíssima mistificação da questão animal; em segundo lugar, o não menos comum preconceito no modo de olhar a alteridade e a identidade cultural de milhões de portugueses que gostam de toiros, a incapacidade para tentar perceber a sua perspectiva, e a intolerância face a mundovisões diferentes da sua.

Sobre a questão animal, há um tópico indiscutível: houve uma alteração ao Código Civil que torna os animais sencientes distintos, à face da Lei, das outras coisas. Lei essa que não os equipara aos seres humanos. Não há controvérsia sobre esse novo estatuto e a sua evocação por A. Costa só pode ser lida como poeira para os olhos.

Mas a ideia viciosa de que podemos equiparar os animais não humanos às pessoas emerge por todo o lado no artigo. É pura mistificação e, na essência, um apelo populista às pessoas que confundem a luta contra as touradas com a luta pela defesa do bem-estar animal. A luta pelo bem-estar animal é uma responsabilidade das pessoas de bem. A luta contra as touradas é uma luta contra a liberdade e a democracia cultural. É essa mistificação que o leva a evocar a pornografia como exemplo da diversidade dos espectáculos culturais e, logo, do modo como o Estado os deve tratar. O tratamento penalizador das touradas seria, pois, do mesmo tipo do combate à pornografia. Se isto não é um insulto reles, o que é? Mas a coisa é pior. A razão da discriminação das touradas é o modo como são tratados os animais que nela intervêm. E no caso da pornografia? Está a comparar as pessoas que são exploradas nas indústrias do sexo, a animais?

Se o primeiro-ministro crê que a questão das touradas é de civilização, então temos motivos para nos preocuparmos seriamente. Porque ele alinha com as seitas fundamentalistas que promovem a ideia de que não existem diferenças entre homens e animais sencientes não humanos.

Só há duas maneiras de promover a igualdade entre homens e animais: ou promovendo os animais à condição humana, o que tem acontecido no plano simbólico (desde La Fontaine às indústrias Disney), ou fazendo descer os homens à condição animal. O problema com a primeira via é que há pessoas que confundem as metáforas com a realidade, caindo na situação perversa de humanizar os animais, isto é, violentar a sua natureza, que não conhecem nem compreendem. O problema com a segunda é que representaria o fim de qualquer civilização, situação que a história já conheceu. Não me canso de lembrar que as primeiras leis de protecção dos animais foram produzidas pelo governo nazi, o mesmo que é responsável por uma das (se não a) mais violenta e trágica descida da humanidade a um estado de selvajaria.

Além disso, o texto do senhor primeiro-ministro é demagógico. É falso afirmar, no contexto português e face às controvérsias em curso no nosso país, que uma opção civilizacional não implica desqualificar os oponentes. Que oponentes? Os aficionados são oponentes da nossa civilização? É chocante essa afirmação na boca de uma girl do Primeiro, mas soa a obscenidade na boca dele próprio. E sim, Manuel Alegre tem razão: todos os populismos começam com a criação de uma clivagem entre um “nós”, os bons, e um “eles”, os maus, os perversos, os menosprezáveis, os inimigos. Contra os quais a sociedade deve ser avisada pelo Estado, como o é sobre o consumo de sal ou açúcar. Ridículo! Já viu bem onde se está a meter, António Costa?

O segundo vetor consiste na forma ultrajante, grosseira e agressiva como classifica, explícita ou implicitamente, os aficionados à Festa de Toiros. Diz A. Costa que é preciso “… respeitar as pessoas que, como eu, rejeitam a tourada como manifestação de uma cultura violenta ou de desfrute do sofrimento animal”. É o que sempre fizeram os aficionados. Mas, não estará a confundir “cultura violenta” com cultura de controlo da violência? Não são as touradas institucionais de hoje o resultado do “processo civilizacional” da relação milenar entre homens e toiros? Tem algum sinal, a mínima evidência, que lhe permita sustentar a ideia de que as comunidades taurinas são mais violentas do que aquelas com que convive nas mesmas sociedades? Já alguma vez procurou ouvir e respeitar o que dizem os aficionados sobre o modo como vivem o ritual da Corrida de Toiros e o que sentem perante a arte praticada enfrentando esse animal excepcional que é o Toiro de Lide? O que o anima na sua saga antitaurina é, senhor primeiro-ministro, o puro preconceito.

António Costa rejeita a tourada e acha chocante a sua transmissão televisiva (embora não pense proibi-la, para já). Mas não ficaria preocupado se ela se confinasse aos municípios que decidissem mantê-la. Há uma dupla hipocrisia na ideia. Por um lado, acha que os toiros podem ter tratamento diferenciado consoante os municípios. Por outro lado, porque já sabe que os municípios com actividades taurinas, a maioria deles de gestão socialista ou comunista, conseguiram impedir a descentralização nesse domínio. Mas seja consequente. Proponha-lhes a “municipalização” da regulação dos espectáculos tauromáquicos, mas com total liberdade, isto é, após a anulação da lei que proíbe as corridas integrais (isto é, com toiros de morte), as que respeitam verdadeiramente o toiro e a verdade que a tauromaquia encerra. Tem coragem para isso, ou teme que a Festa ganhe no nosso país a pujança que tem em França?

Em conclusão, senhor primeiro-ministro, não resolveu o problema da sua girl, apenas se colocou a si próprio em equação. A questão que agora se colocam todos os aficionados, de direita, de centro e de esquerda, é se uma pessoa que pensa como o sr. servirá mesmo para primeiro-ministro dos portugueses? Não ficaria a aliança das esquerdas melhor servida com um primeiro-ministro que fizesse o que diz (ser avesso a grandes mutações civilizacionais) e se mostrasse menos dado a compromissos com partidos veganos que contestam todas as bases da nossa civilização?

Luís Capucha

Sociólogo, docente no ISCTE-IUL e Investigador no CIES-IUL; presidente da Associação de Tertúlias Tauromáquicas de Portugal

At https://www.publico.pt/

Artigo de opinião: “Lume de chão…”

Bravo Nico 21271327_1509529919139547_8652725646851141330_nHá muito tempo que não acontecia, mas este ano, o frio chegou, mais ou menos quando era habitual chegar. Veio acompanhado de alguma chuva e embalado naquele vento norte que nos arrefece o corpo e nos mete dentro das casas mais cedo, ao final da tarde/princípio da noite.

Com o Outono instalado, a natureza prepara-se para uma longa travessia, até ao próximo ciclo de renovação, na próxima Primavera. No nosso quintal, deixámos de ver as formigas, os mosquitos e as vespas – que tanto trabalho nos deram, nos últimos meses –, as moscas ainda tentam manter a sua vida normal, mas andam moles a baterem nas coisas, e as osgas que regressaram às suas casas, bem escondidas, para, nelas, dormirem um longo sono. As plantas também se retraem e espreitam alguns raios de sol, naqueles dias soalheiros em que o frio tirou uma folga. A família felina que habita connosco, na nossa casa, também pouco sai e passa quase todo o tempo à procura de uma boa cama, onde se possa anafar, bem quente e tranquila. De preferência, à beira de uma braseira ou no sofá, perto da salamandra.

É à noite que o frio aperta e o lume reconforta: lume de chão, lareira ou salamandra são opções possíveis que nos levam ao encontro da lenha de azinho ou sobro, de preferência. Recolhida e partida, nos meses mais secos da Primavera ou do Verão, a lenha é arrumada em sítio seco e utilizada, de forma criteriosa. Os madeiros mais grossos, os paus médios e as feixas de lenha mais fina, para iniciar as combustões. Uma vez aceso o lume, as casas aquecem-se, por dentro, e deixam escapar o característico cheiro do Inverno: o cheiro das chaminés em funcionamento.

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Nestes dias, lembramo-nos de muitas coisas que vivemos, sentados à lareira: as torradas feitas com fatias de pão que se colocavam em garfos, viradas e reviradas para as brasas que se ajeitavam e que, acabadas de fazer, se comiam, umas atrás das outras; o café da brasa, que se fazia na velha escloteira e se bebia nas antigas canecas de porcelana; as comidas que se apuravam nas tijelas de fogo, que se alinhavam, no perímetro das brasas e de onde saiam os grãos com bacalhau ou a sopa da panela; a linguiça que se sacrificava no espeto e se assava, lentamente, enquanto se conversava e se preparava a grande falca de pão que a receberia, para nela ficar a gordura que pingava; a conversa que nunca mais acabava, com as palmas das mãos viradas para as labaredas que se iam esfumando, de um lume de que só já restavam as brasas, características da boa lenha do montado.

No dia seguinte, de manhã, restava a cinza: fria, como o frio da noite alentejana. Mas tudo recomeçava, ao final da tarde/princípio da noite…

Bravo Nico

At https://www.diariodosul.com.pt/

Opinião: “Carta aberta a António Costa”

Manuel Alegre 813619É chegada a hora de enfrentar cultural e civicamente o fanatismo do politicamente correcto.

Antes mesmo de ele existir, já eu apoiava este Governo que tem vindo a espantar o diabo tantas vezes anunciado. Portugal, apesar das dificuldades, é hoje uma boa excepção, numa Europa e num Mundo marcados por um processo de desconsolidação da Democracia e pela emergência de várias formas de populismo. Os partidos tradicionais estão em decadência, alguns em vias de desaparecimento. E a revolta popular contra o sistema já não está do lado da esquerda, passou para a direita, estimulada e manipulada pela hegemonia do poder financeiro global.

Devíamos estar atentos. Mas às vezes a euforia conduz à distracção. Eu, por exemplo, vivo uma situação paradoxal. Apoio esta solução governativa, o PS está no poder e, no entanto, por vezes sinto a minha liberdade pessoal ameaçada. Não por causa do que se passa no Mundo. Mas porque o diabo esconde-se nos detalhes. Está no fundamentalismo do politicamente correcto, na tentação de interferir nos gostos e comportamentos das pessoas, no protagonismo de alguns deputados e governantes que ninguém mandatou para reordenarem ou desordenarem a nossa civilização.

deputado do PAN foi legitimamente eleito. Com pouco votos, mas foi. Tem o direito de defender as suas opiniões. Mas não pode virar o país do avesso, com a cumplicidade dos fundamentalistas de outros partidos (com a honrosa excepção do PCP) e o calculismo dos que pensam que, em certas circunstâncias, o voto dele pode ser útil para a maioria. Uma espécie de um novo deputado “limiano”, salvo o devido respeito. O facto é que um deputado, um só, traz milhares de portugueses inquietos. Isto não é normal nem saudável numa Democracia pluralista. De modo que é chegada a hora de enfrentar cultural e civicamente o fanatismo do politicamente correcto. É uma questão de liberdade. Liberdade para não gostar de touradas. Mas liberdade para gostar. Liberdade para não gostar da caça. Mas liberdade para gostar. Algo que não se pode decidir por decreto nem por decisões impostas por maiorias tácticas e conjunturais, Não é democrático. Para mim, que sou um velho resistente, cheira a totalitarismo. E não aceito.

Por isso, meu caro António Costa, peço-lhe que intervenha a favor de valores essenciais do PS: o pluralismo, a tolerância, o respeito pela opinião do outro. Peço-lhe que interceda pela descida de 6% do IVA para todos os espectáculos, sem discriminar a tauromaquia, já que os prejudicados serão os mais pobres, os trabalhadores que tornam possível este espectáculo. Peço-lhe que se oponha à proposta do PAN para alterar a Lei 92/95, que vem comprometer várias actividades do mundo da caça, como provas de Santo Huberto, largadas cinegéticas e cetraria – Património Mundial da Humanidade. A alteração da referida Lei provocará danos irreversíveis em muitas associações e clubes de caçadores, clubes de tiro desportivo, campos de treino e caça. Estão em causa centenas de postos de trabalho e elevadas perdas económicas para o País, sobretudo para aquelas regiões onde a empregabilidade e a actividade económica estão quase exclusivamente ligadas à caça. Sim, meu caro António Costa, trata-se de uma tradição cultural e social que é parte integrante da nossa civilização. É, também, um problema que diz respeito ao emprego e à vida de milhares de pessoas. E é, sobretudo, uma questão de liberdade, que sempre foi a essência e a alma do Partido Socialista.

Manuel Alegre

Militante histórico do PS; escritor

At https://www.publico.pt/

Opinião: “Carta aberta em defesa de Isabel Moreira”

Gaspar MacedoCara deputada. Ultimamente tem sido ridicularizada por, em pleno debate sobre o Orçamento de Estado, ter sido fotografada a pintar as suas unhas.
Muitos dizem que é “uma falta de respeito”, uma “anormalidade”, um “ultraje” e uma “tristeza” mas, para mim, é apenas o perfeito reflexo do trabalho atualmente feito na Assembleia da República.

Eu defendo que a deputada não é nenhuma anormalidade, num parlamento onde deputados e governantes (independente dos partidos) mentem nas moradas para receber subsídios de alimentação, deslocação e alojamento. Elza Pais, do Partido Socialista, recebeu 2100 euros por mês apenas em subsídios por declarar a sua residência em Mangualde embora vivesse em Lisboa.

Em abril de 2018 chegou a público os milhares de euros de que vários deputados beneficiaram ao receberem em duplicado o valor das viagens que faziam em “nome do interesse nacional”.
Carlos César, líder parlamentar do partido socialista e parte desse grupo, logo declarou não se sentir culpado por não ter feito “nada de errado”, sendo que o “atual modelo vigora há décadas e foi utilizado por altos cargos do Estado”. Eduardo Ferro Rodrigues, presidente da Assembleia da Republica, declarou a inocência dos parlamentares que nas suas palavras não tinham “cometido nenhuma ilegalidade”.

Falta de respeito é existirem deputados que faltam praticamente a metade das reuniões plenárias e mentem nas justificações de faltas. Alguns nem se preocupam em justificar.

Isabel Moreira 9dd0e262a52c4b83048128c75b4ec7ca

Triste é existirem parlamentares e governantes que utilizam dinheiro público ou influência institucional para alimentar um estilo de vida luxuoso .
Ficamos surpreendidos quando soubemos que em média, entre 2006 e 2013, os nossos governantes gastaram 295 euros por refeição. Ficamos admirados com a notícia de José Conde Rodrigues , ex-secretário de Estado da Justiça, que gastou 13.657 euros dos fundos públicos na compra de 729 livros para beneficio próprio.

Ficamos pasmados com o caso da ex-Ministra da Saúde Ana Jorge, ao ter usado um cartão de crédito em nome do Estado (para despesas urgentes de trabalho) em lojas de roupa, ourivesarias ou no El Corte Inglés.
Ficamos boquiabertos com o ex-ministro da economia, Manuel Pinho, que recebeu 1 milhão de euros na sua Offshore depois de beneficiar a EDP em vários contratos de parceria.

Em julho de 2017 o país ficou a conhecer o caso dos três secretários de Estado que beneficiaram de viagens pagas pela empresa Galp, antes de ser aprovado um benefício fiscal em dezenas de milhões de euros à mesma empresa. José Sócrates defendeu que as críticas se tratavam de “um excesso de patriotismo”, considerando que as suspeitas sobre os governantes eram “estapafúrdias” e António Costa não hesitou em reforçar a “relevante e dedicada colaboração dos três Secretários de Estado nas funções desempenhadas no XXI Governo Constitucional”.

Ultrajante é existirem deputados-advogados que recebem milhares de euros em ajustes diretos por trabalharem em empresas com contratos públicos. Maria Begonha, candidata da JS, recebeu em acumulado 110 mil euros em ajustes diretos.

Por isso, cara deputada, escrevo-lhe esta carta para a defender. Não passa de uma pequena gota de indecência num copo cheio de muita mais. Um copo cheio de promiscuidade e ajustes diretos. Uma Assembleia da República cheia de uma maioria de falsos inocentes que, hoje e tal como nos outros dias todos, não faz mais nada do que encerrar comissões de inquérito e bater anualmente palmas a Orçamentos de Estado que nunca são verdadeiramente aplicados.
A deputada não é o problema. É parte dele.

Tenho dito.

At https://www.facebook.com/ / Gaspar Macedo

Triângulo Portalegre, Castelo de Vide, Marvão vencem Orçamento Participativo 2018

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Entre os vencedores da II Edição do Orçamento Participativo 2018 a região do Alentejo foi contemplada com três projectos. No distrito de Portalegre o projecto “Marvão, Academia” vai ser implementado em três municípios: Castelo de Vide, Marvão e Portalegre. A iniciativa tem por objectivo convidar professores e músicos de grande distinção, de todo o mundo, e os ensaios e concertos teriam lugar nos castelos, igrejas e outros locais de interesse arquitectónico destes concelhos.

Adelaide Teixeira, Presidente do município de Portalegre, salientou que “esta iniciativa permite potenciar as instituições ligadas à música existentes no distrito.”

António Pita, Presidente da Câmara Municipal de Castelo de Vide, salientou “as dinâmicas culturais que se têm vindo a criar a partir desta iniciativa”.

O projecto “Marvão, Academia” conta com um orçamento de 250 mil euros.

At https://radioelvas.com/

Artigo de opinião: “Desde el Tajo Internacional”

Lara Galrito 23319172_10155761601977969_6628823234062451189_nAyer inauguramos la residencia de mayores en Carbajo, un municipio de la provincia de Cáceres, en la Sierra de San Pedro, gracias al esfuerzo y dedicación de su alcaldesa, Agustina. Este trabajo incansable en tantos y tantos pueblos en nuestra región es lo que los mantiene vivos, creciendo. Desde esta raya, desde este rincón, la metáfora de la construcción se hace más visible y real que nunca.

En Cedillo, en el punto más al oeste de Extremadura, al lado de mi pueblo Santiago de Alcántara, vivíamos y allí celebré mi primer Día de Extremadura; los más pequeños, que éramos nosotros de dos a tres años, bailamos y cantamos con el traje tradicional extremeño canciones en portugués, O vira, por ejemplo, y los más mayores, Another Brick in the Wall de Pink Floyd. Finalizamos con el himno de Extremadura, pero creedme que durante mucho tiempo, años, estuve pensando que Pink Floyd formaba parte del folclore extremeño. Internacionalista y multilingüe así fue. Ahora sé que ese día fue una verdadera declaración de intenciones y aquellos valores de entonces los llevo hoy grabados en la piel. En una comarca donde convivimos pueblos de la provincia de Cáceres y Badajoz, donde la frontera con Portugal para nosotros es solo agua, acabábamos de entrar en la Unión Europea y ya no queríamos más muros, más separaciones, más desigualdad, sabíamos que la unión hace la fuerza y teníamos claro que la educación debía ser la red que tejiese y enriqueciese la región.

En 2012, hace seis años, fui como ponente a Lleida a un congreso internacional, Perverse Identities. Identities in conflict, mi comunicación se titulaba Cuando el saber se llama red o dime con quien andas y te diré como whattsappeas. La universidad estaba rodeada de esteladas y de mensajes pidiendo independencia y pensé: ¡Qué atraso hablar ahora de fronteras! ¡Eso era el siglo XIX! A mí, como una milenial más, me preocupaba e investigaba sobre las identidades en el mundo en el que cohabitábamos, que no era otro que el se prolonga más allá de las pantallas.

Tengo el convencimiento de que nuestra verdadera patria es el tiempo en el que vivimos y supe, en ese instante, que vosotros nos habíais preparado para construir el futuro. Me sentí profundamente orgullosa de Extremadura.

Este año celebramos el 35 aniversario de la Asamblea de Extremadura, los 35 años de mayor estabilidad de nuestra región, la etapa donde se elaboraron los pilares fundamentales de la sociedad del bienestar: la educación, la sanidad, los servicios sociales, las infraestructuras, las comunicaciones y todo atendiendo por igual a las zonas rurales y urbanas. La clave era crear cohesión.

Hoy la realidad, y gracias al fruto del trabajo de los extremeños y extremeñas, es muy distinta y los retos también lo son. Según la Comisión Europea en 2020 quedarán desiertas más de 750.000 empleos en áreas científico-técnicas. La robotización o el cambio del modelo energético supondrán profundos cambios en lo que conocemos hasta hoy.

Conseguir la plena igualdad real entre hombre y mujeres, hacer de nuestro patrimonio natural un motor económico y situar a la educación como piedra angular y garantía de la igualdad de oportunidades, la generación de ideas y desarrollo para una seguir haciendo de nuestra tierra una sociedad moderna, dinámica e igualitaria, donde el bienestar social y la calidad de vida sean los parámetros para reconocer nuestra riqueza.

Hoy podemos decirle al mundo entero que estamos listos, como siempre lo hemos estado, para demostrar lo que somos y estamos dispuestos a hacer para seguir sumando, pero, sobre todo, para querer que nuestra región sea el destino de oportunidades, que todo ese talento generado por el esfuerzo de padres y madres, instituciones, y la sociedad extremeña, no tenga que marcharse o que aquellos que nos miran de lejos, se acerquen de una vez por todas.

Cuando en un pueblo se abre algo, cuando crece, crecemos todos.

Lara Garlito

At https://www.elperiodicoextremadura.com/