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Opinião: “Os piores gestores”

Rui Calafate 39524_159372397419164_632670_nHoje na capa do Público: “Temos dos piores gestores da Europa”, num especial sobre Executivos. Sem dúvida. As nossas elites são medíocres e os principais presidentes de empresas portuguesas são peritos em Excel mas são completamente incultos e desconhecedores da natureza humana. Sugeria que lessem Shakespeare – Rei Lear, Otelo, Macbeth, Ricardo III, pelo menos – para tentarem perceber a segunda e depois aprenderem a frequentar exposições, a irem à Cinemateca – onde nunca vi nenhum gestor e políticos só vi dois, honra lhes seja feita – a investirem na criação de uma biblioteca própria em vez de terem carros topo de gama e uma casinha na Comporta ou na Quinta do Lago. E sugiro que não tenham como modelos duas de Suas Medíocres Excelências como Mexia ou Zeinal Bava e tentem ver lá fora quem tira horas para obter mais conhecimento como Bill Gates por exemplo. Não sejam sumidades dos números, sejam magníficos por serem homens completos.
Bom dia

Rui Calafate

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Opinião: “Meter o Mundo a falar”

Eduardo 12088014_10153775235257268_781859617163773055_nGreta tem Síndrome de Asperger. Uma condição do espectro do autismo que afecta as capacidades de comunicação e relacionamento. Greta meteu o Mundo a falar de algo importante. Mas o que vejo é as pessoas a odiar a miúda com todas as forças, a dedicar-lhe insultos indiscritiveis só por falar de forma esquisita. É uma miúda porra! Sou antes de tudo um pai e um homem. Não posso aceitar.

Fala de uma forma diferente? Parece agressiva? Soa a falsa? Talvez. Talvez seja por ser asperga, talvez não. Mas não anda a tentar imitar as Kardashian, a pedir bilhetes para o Justin Bieber, ou chorar porque não tem o último I-Phone. Tem causas, se me permitem, mais elevadas. Se a motivação é nobre ou interesseira, não sei, não sou bruxo. Preferia que fosse nobre. Contudo o que ela diz está certo. A essência é louvável.

Greta 71008051_10157816367907268_203812703754518528_n

Não me importava que Greta, com as suas causas, o seu autismo considerado histérico, a sua preocupação com o futuro, fosse minha filha. Era um orgulho. Mas peço a todos, mesmo que não gostem dela, não concordem, mesmo que não defendam uma solução idêntica para o problema, que não a insultem só porque é moda. Se não concordam, então defendam a vossa visão das coisas. Podem e devem fazê-lo. Até porque essa discussão é fundamental. Chamem-me optimista mas acho que podemos fazer qualquer coisa. Tem é de ser para ontem.
#nature

Eduardo Madeira

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Opinião: “Sondagens e resultados”

joanaamaraldiasoficial_62090486_2053394904966968_953275700898553678_nSe há lição que fica das eleições regionais na Madeira é que as sondagens falham. Já se sabia mas volta a confirmar-se: falham muito.
A previsão de resultados da sondagem da Católica (RTP) divergiu em 21 pontos dos resultados eleitorais. Já a Eurosondagem (DN/TSF) falhou em 17,2 pontos. A melhor foi a da Intercampus (JM) e, ainda assim, com um desvio de 12,2 pontos.

Portanto, os sucessivos programas na comunicação social que vomitam horas e horas de perdigotos sobre sondagens a partir das quais fantasiam cenários prováveis e coligações possíveis, que se enrolam em politiquices em vez de debaterem Política, são mesmo ralé preguiçosa, burra e totalmente inútil. Panem et circenses.

Joana Amaral Dias

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Artigo de opinião: “Resposta a Catarina Martins”

Manuel Alegre 813619Ao afirmar que a disputa nestas eleições é entre a esquerda e o PS, Catarina Martins volta metaforicamente ao Verão de 1975, de que parece ter saudades mesmo sem o ter vivido.

Cara Catarina Martins: ao afirmar que a disputa é entre a esquerda e o PS, está de novo a dizer que o PS é um obstáculo (sem explicar a quê) e que é preciso um “partido verdadeiramente socialista”, pelos vistos o próprio Bloco. Voltou metaforicamente ao Verão de 1975 de que parece ter saudades mesmo sem o ter vivido.

Há quatro anos, PS e PCP fizeram um esforço para ultrapassar os traumas do passado. O Bloco veio atrás. Derrubou-se o tabu do arco da governação, compreendeu-se que a divisão das esquerdas era a força da direita, iniciou-se um processo de convergência que repôs a centralidade do Parlamento e a formação de um Governo do PS com o apoio do PCP, BE e PEV. O único Governo de esquerda numa Europa onde a esquerda estava a desaparecer e o populismo se encontrava dentro ou perto do poder. Repuseram-se direitos e rendimentos, a economia cresceu, o desemprego diminuiu, conseguiu-se o défice mais baixo da democracia.

A Europa, que tinha ficado assustada, começou a interessar-se pela excepção portuguesa. Afinal a “geringonça” funcionava. Fazia diferente sem pôr em causa as contas públicas e os compromissos europeus. Funcionava em Portugal e assim mostrava que também na Europa podia haver outros caminhos e outras soluções. Até a palavra começou a ser traduzida. É certo que se podia ter ido mais longe. Cada partido preservou a sua identidade e a sua autonomia. Os resultados foram fruto da negociação e do diálogo. Trabalho de todos. Do PCP, do Bloco, do PV. E do PS. Não dos outros contra o PS. Mas de todos com o PS e do PS com todos.

E eis que, de novo, cara Catarina Martins, se faz uma separação entre o PS e a esquerda. Divide-se o que tanto custou a convergir. Como se o PS fosse o inimigo principal. Como se o PS não fosse também a esquerda. Como se, para fazer não se sabe o quê nem como, fosse preciso vencer este PS e criar outro “partido verdadeiramente socialista”.

Já vimos este filme. Dir-se-ia que tem a nostalgia de uma das tentativas pseudo-revolucionárias que naquele Verão de anarco-populismo (como dizia Salgado Zenha) foram vencidas pelo PS e pelo espírito democrático dos militares fieis ao 25 de Abril. A Catarina só tinha um ano ou dois, não sabe como foi, ouviu contar, pelos vistos, mal.

De que disputa fala agora? Entre o quê e o quê? Entre que esquerda e que esquerdas? Socialismo revolucionário versus social-democracia?

Voltamos aos anos 30? A esquerda sempre foi plural. Os partidos da “geringonça” têm ideologias e identidades diferentes. Mas não há solução governativa de esquerda sem o PS, muito menos contra o PS.

Se é esta a disputa, ainda que desde o princípio adepto da “geringonça”, acho que os socialistas têm de uma vez mais assegurar a autonomia estratégica do seu partido.

Não há Governo de esquerda sem o PS. E sem um PS forte. Não há convergência de esquerda nem “geringonça” sem o PS ou contra o PS. Por isso, como dizia Alexandre O’Neil, mesmo quando ele não merece, é preciso votar PS.

Manuel Alegre

At https://www.publico.pt/

Autarca de Mação sem informação oficial da obra e da inauguração da Barca da Amieira

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A Câmara Municipal de Nisa vai inaugurar domingo à tarde a nova “Barca D’Amieira”. Trata-se de um formato moderno do Século XXI que, anuncia a autarquia de Nisa, tende a reabilitar um ícone histórico para as gentes de Amieira do Tejo, simbolizando a ligação desta povoação à outra margem, reabilitando assim uma tradição há muito perdida que tinha como objetivo a passagem de pessoas, bens e animais de uma margem do Tejo à outra, onde ainda hoje e na margem de São José das Matas (concelho de Mação), existe a estação de Envendos/Barca da Amieira, da linha da Beira Baixa.

Este projeto, anuncia a Câmara de Nisa, vai mais longe do que apenas fazer a travessia do rio. Pretende avançar com a preservação, conservação e valorização do património histórico e cultural do Tejo Internacional.

O projeto “Barca D’Amieira”, da Câmara Municipal de Nisa, é uma obra cofinanciada, em 75%, pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, Programa INTERREG V-A Espanha-Portugal, ao abrigo do Programa de Cooperação Transfronteiriça Espanha-Portugal (POCTEP).

Até aqui tudo normal. Só que, mesmo sendo um projeto de Nisa tem uma ligação e uma componente construída no território do concelho de Mação, mais propriamente, perto da estação da CP, na localidade de S. José das Matas, freguesia de Envendos.

E a surpresa veio do presidente da Câmara Municipal de Mação, Vasco Estrela, quando questionado, na Assembleia Municipal de Mação desta quarta-feira, dia 18 de setembro, sobre o conhecimento que teve ou tem sobre esta obra e esta travessia. Não tem conhecimento oficial.

Vasco Estrela contou a história sem adjetivar e deixando as interpretações de lado para não criar nenhum conflito institucional.

A ideia de uma nova travessia na Barca da Amieira começou com a presidente da Câmara de Nisa a chamar o presidente da Câmara de Mação para uma reunião em que lhe apresentou a ideia de candidatura a fundos comunitários, Vasco Estrela explicou que mostrou disponibilidade para suportar uma parte do financiamento nacional, já que a obra iria incidir entre Amieira do Tejo (Nisa) e S. José das Matas (Mação). A autarca alentejana terá dito que Nisa avançaria com o processo todo, ao abrigo de uma candidatura a financiamento europeu.

Depois as conversas pararam até o autarca de Mação ter visto, nas redes sociais, a sua homóloga a visitar as obras deste projeto. Já este ano, e sem mais contactos formais, segundo Vasco Estrela, recebeu um telefonema de Nisa a propósito da inauguração da nova travessia e com um email a pedir a emissão de uma declaração a propósito deste investimento.

Vasco Estrela informou a sua Assembleia Municipal que não teve até à data (19:00 do dia 18 de setembro) qualquer convite formal do Município de Nisa, pelo que, mesmo sendo uma festa pública, tal como está anunciada, não poderia “convidar formalmente os deputados municipais”.

Acresce um outro pormenor em torno desta obra. Foi construída uma sapata de cimento na margem de S. José das Matas (Mação), num terreno de um privado sem qualquer pedido de autorização ou até licenciamento.

O presidente da Câmara de Mação, mediante o processo, informou o munícipe sobre este projeto, sobre o que pode ou não fazer por causa da obra feita sem autorização, mas reafirmou que não tem interesse em criar um conflito institucional entre os dois municípios.

O certo é que a inauguração da “Barca D’Amieira Século XXI” irá decorrer no próximo domingo, dia 22 de setembro, pelas 16:30, junto à margem do Rio Tejo, em Amieira do Tejo, e contará com diversos momentos, incluindo um concerto aquático pela Sociedade Musical Nisense e travessias livres entre as duas margens, ou seja, entre Amieira do Tejo (Nisa) e S. José das Matas (Mação).

At https://www.jornaldeabrantes.pt/ (20/09/2019)

Opinião: “Racismo e estupidez”

Ana AmorimDeixem-me ver se entendo: quando me mascarei de índia e pintei a cara, em criança, estava a ser racista? Quando uma amiga, há uns anos, pintou a cara de branco cal para se disfarçar de gueixa, estava a ser racista?
E o primeiro-ministro do Canadá onde anda com a cabeça, para assumir tal coisa como racismo e retratar-se, arrependido, como se tivesse cometido um crime? Mas não há por aí quem lhes explique que racista é quem acha que pintar a cara da sua cor é desrespeito? Racista é quem se expõe ao ridículo de uma acusação tão patética.

Mas parece que se tornou normal…
Anda meio mundo a sucumbir à estupidez, só pode. Se um grita “isto é racismo!”, milhares (milhões?) de vozes o seguem, gritando o mesmo. Mesmo que não seja. Mesmo que bastasse pensarem três segundos (sim, três segundos chegava) para perceberem que estão a cometer um erro crasso simplesmente por não pensarem.
Começo a suspeitar que o tremendo desenvolvimento das últimas décadas, em vez de nos proporcionar a evolução pessoal (por termos toda a informação do mundo no bolso de trás ou onde quer que pousemos o telemóvel), nos está a carcomer o cérebro, neurónio por neurónio, até já não sobrarem pessoas lúcidas, imparcialmente informadas, e capazes de processar conceitos e acontecimentos à luz da simples razão humana.
A parvoíce prolifera com assustadora rapidez.
A preguiça mental está a tomar conta de tantas mentes que mais parece uma praga bíblica à solta!
Ou começamos a ter muito cuidado para não perdermos de vez a capacidade de pensar por nós mesmos ou caminharemos a passo firme para o matadouro global daquilo que fazia de nós especiais: a mente, os sentimentos, o intelecto…

Vivemos tempos de perigosas, devastadoras e instantâneas influências sociais; vivemos tempos de tiques de puritanismo que ameaçam o próprio tecido de que a sociedade é feita… e andam a querer esterilizar de tal maneira a existência e os comportamentos humanos, que qualquer dia deixaremos de ter anticorpos para combater o que quer que seja!
Pedirmos às pessoas que pensem, antes de embarcar nos navios da viral estupidez, não é má educação; é uma necessidade urgente.
Pensem, por favor, porque quando todos deixarmos de o fazer, a humanidade terá caído.

Ana Amorim Dias

At https://www.facebook.com/

Artigo de opinião: “Portuguese deserve a clearer vision for country’s future”

Pedro Caetano 52410543_10214223330319764_1321648856743542784_nThe possibility of a 0 per cent budget deficit in Portugal shines so “bright” that it looks like “hope” for Europe, such is the FT’s judgment on the “sound policies” of the present government in Lisbon (FT View, August 26). You should not be fooled twice. The FT once praised former prime minister José Sócrates in 2007, with his then minister of internal administration António Costa, for the low deficit, assuming “reforms” would be made. The reforms were eventually implemented after the 2011 bailout by the European troika.

Portuguese suffering was rewarded: economic indicators turned positive in 2015, vices seemed gone and reforms sustainable. Then came Mr Costa who, despite losing elections to the government which oversaw reforms, became prime minister by purging pro-reformists in his Socialist party. He brought to cabinet former colleagues of Mr Sócrates, who is facing charges of corruption but denies any wrongdoing, plus their spouses and children. Such clan politics undermined reforms, reverting to a business-as-usual environment, with troika reforms requiring qualifications and scrutiny in government appointments undermined. The unskilled posed as “industrial managers”. Incompetence shows; in 2017 the area burnt by forest fires was higher than that of the rest of Europe combined, and 114 people died.

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The public debt — €252bn in May 2019, still the EU’s third worst despite tiny improvements if measured in percentage of GDP — and fiscal burden are at all-time highs, with taxes rising (from €39bn in 2015 to €44bn in 2018) faster than meagre salaries. Slovakians, Estonians and Lithuanians have higher purchasing power than the Portuguese since 2018, according to Eurostat, while Portugal is dropping, approaching the EU’s lowest. Projected growth in 2019 gross domestic product is 1.7 per cent. In 2018 growth was half that of some Balkans and Baltic nations. Portugal is Eurostat’s second least appealing country to immigrants, worse than Poland or Romania. High emigration masks unemployment.

Other than riding on the fading improvements, ECB debt, housing and tourism temporarily diverted from north Africa, the government has neither the vision nor reforms to avoid decline. Yet, some are tricked by the possibility of a 0 per cent deficit, fuelled by a net negative 1.2 per cent of GDP in public investment in 2016 (still the EU’s worst) according to the IMF, jeopardising long-term financing, the safety of infrastructure and public health. We, the industrious Portuguese people, demand accountability for illusionist politicians squandering our country.

Pedro Caetano

At https://www.ft.com/ (Financial Times)

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Opinião: “O fantasma de Salazar e o Reitor da Universidade de Coimbra”

Raquel 10464109_10202306149190196_3394916574196011546_nO Reitor da Universidade de Coimbra não decidiu excluir a carne de vaca. Decidiu que quem tem menos dinheiro vai deixar de comer carne de vaca. As cantinas são os locais onde os filhos das classes pobres e médias empobrecidas comem. Quem tem dinheiro vai continuar a comer carne, do lombo. Os filhos de quem pode, como os meus, irão comer carne do lombo, de qualidade, bio. No norte da Europa já se serve carne bio em algumas universidades por onde ando. Em Portugal acaba-se com a carne. A periferia não é verde, é inexistente. Na verdade a medida do reitor é análoga à generalização dos parquímetros, uma privatização do espaço público. Quem tem dinheiro continua a ter acesso à cidade por carro. Estas medidas não são ecológicas, são classistas. Ecologia era transportes públicos das zonas pobres para o centro. Ecologia era subsidiar na Escola Agrária da Universidade produção de agricultura biológica e fornecer nas cantinas para que pelo menos algumas vezes pudessem comer proteína de qualidade. Ecologia era um Reitor defender a agricultura sustentável ser cada vez mais subsidiada. Assim o reitor o que fez foi reduzir a despesa da Universidade de Coimbra que agora vai oferecer frango de aviário, um mutante que nem frango devia chamar-se. Também vai ficar bem nas contas gerais da Universidade servir na cantina (paga com os nossos impostos) soja geneticamente modificada – é a transição energética.

A “transição” está a relevar-se uma forma de privar ainda mais os mais pobres de tudo, irão pagar mais impostos verdes, estão privados da cidade “verde”, num subúrbio cinzento, vestem fibras horrorosas enquanto fabricam algodão natural de design inovador em fábricas super poluentes, e agora podem esperar esta moderna versão Jonet de “não de pode comer bifes todos os dias”. Tudo para o bem deles, como se sabe se os ricos não cuidassem dos pobres eles jamais saberiam o que fazer. Agora por exemplo, imagine-se!, querem comer bifes que fazem tão mal à saude e ao planeta…

Vou poupar-vos ao óbvio. A poluição é grave mas o mundo não está a acabar. É preciso medidas sérias, e não hipocrisia disfarçada de ciência. Comer carne em idades jovens, quando se estuda, é essencial ao cérebro. Nos colégios onde se formam elites dirigentes do mundo posso garantir-vos que a carne é biológica e do lombo. Comer muita carne faz mal, não comer nenhuma faz muito mal. Outro dado: um dos maiores estudos de saúde do mundo provou que a segurança no emprego e a autonomia podem aumentar 18 anos a esperança média de vida e o medo fazer cair a mesma 18 anos, pela produção de cortisol. Nada faz tão mal à espécie humana hoje como o medo da sobrevivência, condição em que vão estar a grande maioria dos jovens estudantes da Universidade de Coimbra quando entrarem no mercado de trabalho. Coisa que não preocupa o reitor. O fim do planeta para o Reitor é uma garantia, é o dilúvio bíblico que exige medidas radicais. Já o facto de que os que estudam na Universidade virem a ter empregos em que não chegam ao fim do mês, bom isso já não é bem uma certeza, nem diz respeito a um Reitor, que cuida do Planeta.

Que o PAN, que representa o ultra liberalismo verde, seja a favor comprende-se. O silêncio dos outros partidos, com algo tão fundamental quanto o que se serve de alimentação numa instituição pública, por nós financiada, é inexplicável.

Para compreender o mundo, e a atitude de um Reitor, é preciso saber teoria do valor. E o valor da teoria. Marx explicava que a tendência do capitalismo era para tornar vegetarianas as classes trabalhadoras, desde logo diminuindo a parcela de proteína a que têm acesso na reprodução da força de trabalho, vulgo salário. Os chineses perceberam bem isso – ali, nas fábricas, come-se arroz. E mais nada. Ainda vou assistir à glorificação do Estado Novo em plena Universidade de Coimbra, o fantasma do Salazar a rondar as salas escuras, de ilusão esverdeada – carne faz mal, melhor só no Natal.

Raquel Varela

At https://raquelcardeiravarela.wordpress.com/