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3.º Passeio Todo-o-Terreno dos Bombeiros de Nisa

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Galiza vai bonificar a retirada de eucaliptos a 500€ por hectare

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La medida, válida durante cinco años, se aplicará en territorios de Red Natura

La conselleira de Medio Ambiente e Ordenación do TerritorioBeatriz Mato, anunció ayer la puesta en marcha de una iniciativa de compensación para estimular la sustitución de los eucaliptos por vegetación autóctona o para lograr sueliminación en aquellas zonas en las que por naturaleza no existía ningún tipo de plantación. Esta medida pretende, por un lado, recuperar el patrimonio natural de los bosques gallegos y preservar su naturaleza y, por otro, contribuir a paliar el cambio climático, al tratarse «de áreas de gran absroción de carbono», en palabras de la conselleira.

Actualmente, la presencia de eucaliptos dentro de la Red Natura gallega es de 6.758 hectáreas, lo que supone el 1,9 % del total de la superficie protegida de Galicia, según informó Mato.

 

3.000 posibles beneficiarios

Para promover su eliminación, la Xunta otorgará a los interesados 500 euros por hectáreadurante los primeros cinco años, que pueden ampliarse después durante un año más, en el que la cuantía pasaría a ser de 200 euros por hectárea. En concreto, se estima que unas 3.000 personas podrían beneficiarse de este plan para el que el ejecutivo dispone de un presupuesto de 2 millones de euros. «O máis alto que a Unión Europea permite», matizó la conselleira. Propietarios, arrendatarios y gestores de terrenos forestales de las zonas elegidas para esta actuación podrán optar a esta compensación económica.

«Cremos que as máis beneficiadas serán as comunidades de montes, pola súa extensión», expuso Mato. Aclaró que lo primero que deberán hacer los interesados en beneficiarse de esta medida será «mostrar o seu compromiso para substituír os eucaliptos por vexetación autóctona ou para a súa eliminación».

En concreto, la iniciativa se llevará a cabo en las zonas 1 y 2 de la Red Natura, que se corresponden con aquellos territorios catalogados con un nivel de recuperación muy alto, en el primer caso, y las señaladas con un nivel medio-alto, en el segundo. «Eliximos estas zonas, de montaña, porque son as que presentan maior grao de naturalidade e queremos evitar a dispersión do eucalipto nestas áreas nas que se estima que hai un total de 3.900 hectáreas que teñen plantación de eucaliptos». Se trataría de la mayor superficie de terrenos forestados con eucaliptales de la comunidad, incluyendo la zona de las Fragas do Eume y la Serra do Xistral, según indicaron la conselleira y Ana María Díaz López, directora Xeral de Patrimonio Natural.

Desde la Consellería de Medio Ambiente aclararon que «se subvencionarán unicamente as plantacións de dúas especies con carballo, rebolo, sobreira, carballo albariño, aciñeira e tamén o bidueiro». El motivo de elegir estas especies es que está constatado «que son as máis características desta zona», señaló la conselleira, que además hizo hincapié en las zonas «de turbeiras, onde non tería que haber por natureza eucaliptos, pero a realidade é que os hai». «Por iso queremos eliminalos na súa totalidade», aclaró. Dichas áreas «presentan unha grande importancia ecolóxica e xogan un papel fundamental na mitigación do cambio climático, ao ser consideradas como un dos maiores centros de absorción de carbono, por absorbelo e almacenalo».

Los territorios

En las áreas seleccionadas para llevar a cabo las actuaciones se encuentran «6.100 hectáreas de turbeiras e 15.000 de queirogais húmidos», según los datos facilitados ayer por la consellería que dirige Mato. Dentro de esos territorios, los más amplios corresponden a Serra do Xistral, en la provincia de Lugo; San SadurniñoA Capela y zona de Toques, en A Coruña; Pena TrevincaSerra do Xurés y Macizo Central en Ourense; y Serra do Cando, en Pontevedra, según palabras de la conselleira. Además, adelantó: «Dende a Xunta estamos traballando na ampliación da porcentaxe de Rede Natura nesas zonas, incluíndo as turbeiras como zona protexida».

Sitúan el foco de la lucha contra los incendios en el abandono del rural

La mitad del territorio gallego se corresponde con terrenos agrarios abandonados o con suelo forestal que carece de la gestión adecuada. El dato lo aportó ayer Roberto García, secretario xeral de Unións Agrarias, a la comisión parlamentaria de estudio sobre los incendios forestalespara remarcar que, si de verdad se quiere acabar con la lacra de los incendios, hay que empezar por tomar medidas que contribuyan a combatir el abandono del rural.

García abrió la sesión de comparecencias de ayer, por la que también pasaron José Carlos Rocha (UGT) y Alejandro Rodríguez (Comisiones Obreras), que coincidieron en demandar que se avance hacia un «servizo público» de la lucha contra los incendios, como un solo cuerpo con mando único y con efectivos muy profesionalizados.

El responsable de Unións Agrarias hizo más hincapié en mostrar una radiografía del mundo rural para abordar algunos de los problemas que generan «vulnerabilidade» ante los incendios. Explicó que desde la entrada en la Unión Europea se redujo el 90 % de la población agraria -«unha desagrarización tardía, pero abrupta», dijo-, que generó amplias bolsas de abandono.

Así que Roberto García entiende que hay que gestionar de forma ordenada todo ese espacio como condición indispensable para prevenir los incendios.

At https://www.lavozdegalicia.es

Artigo de opinião: “As ideias brilhantes do Ministro Cabrita”

Filipe Luis mw-320Em 2006, acompanhei, para a VISÃO, o mundial de futebol, na Alemanha. Estava baseado na pequena cidade de Bielefeld, próximo de Gutersloh, onde se instalava a Seleção Nacional. Uma bela manhã – e as manhãs das histórias são sempre belas… – deviam ser umas 6h30, tive de apressar o passo, para não perder o comboio que havia de transportar-me a Hamburgo – onde fui em turismo, devo confessar. Ao atravessar uma ruela estreita, sem vivalma nem automóveis a circular, fui paralizado por uma sirene de um carro de polícia, parado numa esquina. Tinha atravessado com o peão vermelho. Não vem para o caso, mas, já agora, completo a história: aproveitando-me de uma certa condescendência das autoridades, devido às instruções que tinham para receber bem os fãs do mundial, e também valendo-me da boa lábia “tuga”, escapei sem multa e apanhei o comboio.

Ora, há pouco tempo, num belo dia – lá está… -, leio a notícia de que o Governo se prepara para limitar a velocidade, nas localidades, aos 30 kms por hora. Alegadamente, “há demasiados atropelamentos”. Se calhar há. Portanto, é preciso começar a disciplinar os peões, diria eu, e a fiscalizar o cumprimento do limite de 50 kms. Mas não: não temos dados sobre as razões dos atropelamentos, mas o ministro da Administração Interna deve ter: os condutores andam depressa e, se calhar, por cima dos passeios.

Ainda mal refeito desta, oiço outra: se calhar, vai haver helicópteros e drones a vigiar os automobilistas. Quando ouvi isto pela primeira vez, apanhei (muito apropriadamente, sublinhe-se… ) a notícia no ar. Assim: “… e o Governo pondera o patrulhamento aéreo”. E eu para os meus botões: “Cá está… Uma coisa que ando a dizer e a escrever há tantos anos, finalmente pode vir a acontecer. Os meios aéreos destacados para os incêndios vão ser utilizados na vigilância. Acaba por se poupar dinheiro, vidas e bens… Eu podia ser MAI!” Só depois é que percebi que se tratava de um big brother rodoviário. Vá lá, que a vigilância aérea dos incêndios está, de facto, soube-se posteriormente, a ser ponderada, talvez porque o ministro Eduardo Cabrita não tenha só más ideias. Mas com drones, helicópteros e aviões em missões cruzadas pelos ares do País, uns para os incêndios, os outros para os “aceleras”, o tráfego aéreo vai ser mais intenso do que o IC19 em hora de ponta. Daqui a um ano, o Governo vai ter de considerar a vigilância terrestre dos prevaricadores aéreos, para reduzir a sinistralidade aeronáutica…

Bebi um copo de água para recuperar o fôlego mas zás: afinal, o que o ministro Cabrita acha que pode mesmo acabar com as mortes na estrada é a inibição do sinal de telemóvel nas autoestradas. E eu a pensar que as mortes em acidentes de carro se davam, sobretudo, nas estradas secundárias!… Afinal, deve haver dados, inacessíveis ao cidadão comum, com números arrepiantes sobre mortes nas autoestradas devido ao uso do telemóvel e, também, segundo o Governo, do kit mãos livres agora disponível nas viaturas mais modernas. Mas temos de ver o lado positivo: Portugal vai liderar a tecnologia nas telecomunicações, ao conseguir inibir o sinal do telemóvel do condutor, mantendo o sinal do aparelho do pendura ou dos passageiros nos bancos de trás. Ou esses também não podem receber chamadas? Se calhar, não. Bem, talvez o Governo esteja a pensar colocar cabinas telefónicas de emergência de 100 em 100 metros nas autoestradas, para prevenir as dificuldades em pedir assistência em viagem. E, em caso de acidente, os helicópteros que andam no ar aproveitam para evacuar os sinistrados. Poupa-se um dinheirão no INEM!

Parece que, em 2017, houve mais 64 mortos na estrada do que em 2016. Ora, nós não temos os dados que o Governo devia ter, antes de dizer asneiras. Por isso, as asneiras que possamos dizer têm mais desculpa. Então, é assim: a perceção de quem anda na estrada é a de que, talvez devido à boa situação económica, o número de viaturas a circular é muitíssimo superior ao dos anos anteriores. Só 64 mortes a mais?! Cada vida humana que se perde é uma tragédia, eu sei. É uma frase feita, mas verdadeira. Mas isso não impede que, estatisticamente, possamos supor ter havido muito menos mortes por cada, digamos, 100 mil carros a circular. Esta afirmação é especulativa. E então? O MAI não toma as decisões baseado em conjeturas especulativas?…

O ministro Eduardo Cabrita parece governar por impulso. Ou então, tem uma tabela onde consulta os 340 mil mandamentos do politicamente correto. Começou a perceber-se isso quando mandou retirar os livros “pró menino e prá menina” da Porto Editora. Continuou a “disparar antes de perguntar”, quando mandou fechar o Urban Beach. E, agora, ataca de novo, em voo picado sobre incautos automobilistas com pontos a mais nas respetivas cartas de condução. O homem não para. Alguém que o agarre, senão ainda atravessa com o peão vermelho!

Filipe Luís

At http://visao.sapo.pt/opiniao

Ex-comandante de Bombeiros fala de saneamento político

Pedro Rabaça 12274379_1069643756414008_1611338441431977744_n“Caros amigos.

Como a maioria já se terá apercebido, deixei de ser Comandante dos Bombeiros de Castelo de Vide, cargo que exerci, durante 11 anos. Entrei oficialmente nos bombeiros em Março de 1979, onde exerci todos os lugares da carreira operacional, bem como de comando. Empenhei-me sempre, no rigor, no conhecimento e no estudo e evolução, de todas as matérias ligadas ao socorro e à emergência. Todo este conhecimento foi aplicado no decorrer do tempo, nas acções para as quais fui envolvido, procurando sempre, que o conhecimento fosse um bom aliado na acção. Na maioria das vezes, acompanhado por todos os que faziam parte da organização, conseguimos resolver, aquilo que nos era colocado, atingindo sempre bons ou muito bons resultados.
Claro que um responsável operacional de um qualquer Corpo de Bombeiros, só será e terá resultados, se os seus homens, os camaradas que o acompanham assim o entenderem. Por aqui senti na grande maioria das vezes isso, o que me deixa orgulhoso e enaltece. Em Março passado, tivemos uma resposta operacional, que não correu tão bem, quanto desejaríamos e, eu em particular, como responsável operacional. Desse resultado, achei por bem, porque era a minha obrigação, colocar o lugar à disposição, por um problema que era de todos, repito todos, mas que em ultima análise seria sempre meu.
Passado este tempo todo e, porque me foi solicitado, assegurei as funções, num verão extremo, com toda a dificuldade que existiu, mas ainda assim, que correu bem em termos operacionais para o nosso corpo de bombeiros.
Fui informado então, pelo Presidente da Associação, que aceitavam o meu pedido de demissão, alegando que o CB, necessita de nova postura, para se poder dar novo rumo aos bombeiros. Aceito esta situação, o que não posso é deixar de ficar incrédulo, pois toda a substituição, terá sido iniciada já antes de tudo isto ter acontecido, das mentiras e falsidades existentes e, sobretudo na falta de carácter de algumas pessoas que se diziam “amigas”, mas que de amigo pouco ou nada tinham. Quero referir com isto, que a maioria, grande maioria dos elementos que fazem parte da organização, isto não se aplica.
É claro, que o tempo traz sempre a verdade ao de cima! Quero querer também, que as carências e as necessidades a nível operacional, irão deixar de existir, que irá começar a haver disponibilidade financeira para investimentos tão necessários, mas não de agora.
Espero que todas as batalhas porque tanto lutei e me empenhei, não venham a cair em saco roto. Mas basta ir-se a alguns locais de convívio ao fim da tarde num qualquer dia de semana, para nos aperceber-mos, que provavelmente os princípios se irão perder.
Este saneamento politico que agora acontece, fruto do ódio e da falta de aceitação de princípios tão básicos como os da democracia, teve a aceitação e o conhecimento de todos os que são e desempenham papeis de responsabilidade. Bastará fazer uma pequena retrospectiva, para saber que o que digo corresponde à verdade. Basta verificar os acontecimentos que aconteceram num passado não muito longínquo.
Até ao final do ano, reflectirei sobre o presente e o futuro.
Mas de uma coisa não abdico, que será o de agradecer a todos aqueles da família dos bombeiros e do voluntariado, que comigo estiveram, colaboraram e ajudaram, aqueles em que a amizade irá continuar a prevalecer e, a todos os que disseram sempre as coisas com frontalidade. Os outros, serão sempre os outros.”

At https://www.facebook.com / Pedro Rabaça

Jovem de Castelo de Vide a votos no OPJ 2017

OPJ

Orçamento Participativo Jovem Portugal 2017 / https://opjovem.gov.pt/

“Amigos, apresentei uma proposta no Orçamento Participativo Jovem Portugal, na área da sustentabilidade ambiental, a qual foi aprovada e está agora em fase de votação até dia 22 de dezembro.
É um projeto ligado ao Distrito de Portalegre, e consiste numa ação distrital de limpeza nas nossas áreas florestais.
Para votarem, para além de terem de ter entre 14 e 30 anos, basta aceder ao site e registarem-se, ou através de SMS gratuito, enviar para o nº 4310 com o número do projeto, 134 (espaço) o vosso nº do CC com os 12 algarismos, incluindo os algarismos de controlo. Ex: 134 123456780ZY1

Obrigado pela atenção! 

Link: https://opjovem.gov.pt/cb/kvEMymyazluTVqcpKICnrBVvNpObeUyW/topic/zEkA954YYLutabsDmeKSqHqzMj8So6kR?type=project

João Carlos Diogo

Ex-Presidente da Direção da Associação Ekosiuvenis

At https://www.facebook.com/

Câmara de Nisa quer dois membros da Assembleia na Comissão de Protecção Civil, mas não os convoca

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Nota de 31 de Julho de 2017:

PRESIDENTE DA CÂMARA CONVOCOU SÓ PARTE DA COMISSÃO MUNICIPAL DE PROTECÇÃO CIVIL

Os dois representantes da Assembleia Municipal na Comissão Municipal de Protecção Civil, Marco Oliveira e Jorge Graça, não foram convocados para a reunião realizada no dia 26 de Julho, de que resultou a activação do Plano Municipal de Emergência de Protecção Civil de Nisa. Supõe-se que terá sido pelo facto de ambos os membros não possuírem um colete alaranjado florescente da protecção civil.

At https://aportaeajanela.wordpress.com/

Depois da Unidade de Missão para a Valorização do Interior, surge agora a Unidade de Missão para a instalação do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais

Tiago Martins Oliveira foi o escolhido pelo Governo para chefiar a chamada Estrutura de Missão para a Instalação do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais.

Tiago Martins Oliveira é doutorado em Engenharia Florestal e especializado em Gestão de Risco no Âmbito das Florestas. Na nota curricular divulgada, o Governo indica que o futuro presidente da Estrutura de Missão tem grande experiência em combate a incêndios como sapador operacional, coordenador de combate aéreo e coordenador nacional de defesa da floresta contra incêndios.

O novo governante é filho do falecido historiador e presidente da Câmara de Oliveira do Hospital, César Oliveira, eleito pelo PS no mandato 1990-1994. César de Oliveira morreu em 15 de Junho de 1998, aos 57 anos.

César Oliveira era natural dos Fiais da Beira, no concelho oliveirense. O seu filho apesar de ter nascido no Porto, mantém a ligação aos Fiais, onde possuí uma casa de família e costuma vir com alguma frequência.

Aos 48 anos e natural do Porto, Tiago Martins Oliveira vai ter um estatuto equiparado a secretário de Estado e um gabinete de apoio técnico, “constituído por um máximo de cinco elementos, três dos quais com a função de assessoria técnica e de gestão, equiparados, para efeitos de designação e estatuto, a adjuntos de gabinete de membro do Governo”.

O presidente da estrutura de missão que vai repensar o combate aos fogos tomou posse esta terça-feira e tem pouco mais de um ano para envolver diversas entidades e especialistas na criação de um sistema integrado de prevenção e combate.

“Estou aqui pelo interesse nacional, aportando o meu conhecimento, humildemente, e uma das coisas que eu acho que vamos ter de fazer em breve é pedir ajuda internacional aos peritos para que eles nos ajudem a desenhar algumas soluções operacionais e outras mais estratégicas e para isto é melhor ir a Espanha, aos Estados Unidos ou à Austrália chamar pessoas para nos ajudarem”, disse Tiago Oliveira aos jornalistas, após a sua tomada de posse, realizada na residência oficial do primeiro-ministro, em Lisboa, quando questionado acerca da sua ligação ao sector da celulose.

At https://www.centrotv.pt/

Ideias claras sobre o fogo em Portugal

Domingos

Logo a seguir à tragédia de Pedrógão Grande, o primeiro-ministro pediu ao professor Domingos Xavier Viegas, do Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais da Universidade de Coimbra, um estudo sobre o comportamento do fogo. A equipa de 14 pessoas foi mais longe e mostrou o que falhou na segurança das pessoas. Em conversa com o PÚBLICO na véspera do Conselho de Ministros que vai decidir que reformas vão ser feitas, o perito em incêndios alerta para soluções “oportunistas” e que parecem “salvadoras”, mas não o são. Entra em choque com algumas das recomendações da Comissão Técnica Independente e deixa algumas sugestões para serem seguidas pelas pessoas.

Pode explicar às pessoas o porquê de este fogo ter sido excepcional?
Neste incêndio houve coisas que foram fora do comum, pelo menos para nós que estudamos o comportamento extremo do fogo. Por exemplo a interferência, a interacção entre uma trovoada e um grande incêndio. Este incêndio teve uma particularidade dramática, relativamente grave, que foi a aproximação da trovoada. O que fez? Fez incidir sobre o incêndio correntes descendentes, o tal downburst.

Esse fenómeno não era previsível?
Eram previsíveis as condições meteorológicas, não o efeito. Que havia trovoada, sabia-se, que se estava a deslocar também. Penso que não há ainda dentro da estrutura a percepção da gravidade de uma situação destas. Pesquisámos literatura e não encontrámos muitos trabalhos. São muito poucos os casos.

O que aconteceu este fim-de-semana é de uma natureza diferente?
Penso que sim. Se o episódio de Pedrógão já nos tinha causado um grande choque, este agora é de uma dimensão que ainda não recuperei dele. Vamos analisá-lo. Aquilo que se me afigura é que havia uma situação de vento muito forte.

Por causa do furacão Ophelia?
Admito que sim. Vento quente, seco e forte. Em Pedrógão, quando o incêndio começou não havia praticamente vento, manifestou-se com a entrada da trovoada e o vento que o próprio incêndio gerou. Fazendo o paralelo com o 15 de Outubro, esse vento forte fez com que focos de incêndio se propagavam rapidamente e com projecções que se espalhavam por territórios imensos. Fiquei impressionado ao ver as imagens das áreas ardidas que são um pesadelo.

Tivemos duas catástrofes de natureza diferente, há a possibilidade de se repetirem com outras características? 
Diria que sim. Há um elemento que é comum a Pedrógão e a 15 de Outubro que é a seca. Os combustíveis estão extremamente secos. Monitorizamos a humidade dos combustíveis e na quinta ou sexta-feira na Lousã a humidade era de 4%, que é um valor baixíssimo. Correspondem a condições catastróficas.

Sabia antes do fogo de domingo? Teve interação com as autoridades?
Infelizmente, ultimamente não temos estado a fazer isso. Durante vários anos tínhamos o costume de enviar.

Deixou de enviar porque não havia um interlocutor do lado de lá?
Por ventura. Nós enviávamos, não me recordo de termos um grande feedback. Partilho que há essa falta de diálogo.

EDP desafia-o a provar que o incêndio começou por causa de um cabo de alta tensão?
O nosso papel é reportar o que vimos, os dados que temos. E segundo os dados que temos, com fundamentação técnica, estamos convencidos que é esta a causa do incêndio. Ao ponto de provar, não sei a que instância se refere, se é em tribunal, não nos compete a nós, penso eu tirar ilações ou conclusões de responsabilização civil. Mas temos esta conclusão e estamos preparados para defendê-la.

Acabou por alargar o seu relatório, achávamos que seria apenas sobre o comportamento do fogo?
O comportamento do fogo é por assim dizer a nossa especialidade, mas trabalhamos também as áreas da segurança pessoal e a prevenção, protecção das comunidades. Há aspectos do comportamento do fogo que ainda estamos a investigar.

Quais?
Uma coisa que não é muito conhecida, mas que é um fenómeno que temos vindo a identificar ao longo dos anos que é o encontro de frentes de incêndio. E aqui neste incêndio houve dois, o de Escalos Fundeiros e o de Regadas, que se desenvolveram independentemente, e a certa altura encontraram-se. Quando dois fogos se encontram, geram entre correntes de convecção muitos violentas e muito fortes, dão origem a tornados de fogo e de vento. Localizámos onde se deu esse encontro e onde se desenvolveram esses tornados.

A existência desse segundo incêndio foi uma novidade. Acredita que se tivesse sido dada importância a esta ocorrência, teria acontecido o que aconteceu? Admito que as coisas poderiam ter sido diferentes. Se for reconhecida uma nova ocorrência, o comando, de acordo com os procedimentos, precisa de outro ataque inicial.

Mas esse alerta não existiu?
Foi detectada pelos bombeiros. Foi lá um bombeiro para reconhecimento e que disse que estava fora de controlo. Mas não tinham meios para colocar. Se tivesse sido reconhecido como uma nova ocorrência, poderiam ter vindo meios aéreos que estavam a actuar no incêndio ao lado, em Góis, e poderiam ter sido divergidos para lá.

Durante duas horas não houve ataque aéreo, entre as 16h e as 18h. Isso fez toda a diferença? Naturalmente. No incêndio de Escalos, houve dois meios aéreos no início e retiraram-se. Infelizmente esse tempo foi crucial. Nesse período de tempo o incêndio poderia ter sido controlado. Mas também devo reconhecer que estes dois meios não eram suficientes. Seriam necessários mais meios aéreos e terrestres.

Foi uma questão de incompetência do comando, de desconhecimento? Falamos bastante no relatório que temos de ter mais qualificação e uma maior uniformidade na preparação dos quadros de comando. Na fase inicial do incêndio, não houve a percepção da gravidade, embora ela tenha sido reconhecida nas primeiras abordagens. Mas o que não houve foi a capacidade de traduzir isso com veemência para o comando nacional no sentido de serem alocados meios. No incêndio do lado foram pedidos esses meios mais ou menos a essa hora.

E são dois comandos diferentes, um é de Leiria e outro de Coimbra…
E foram alocados dois Canadair para esse incêndio. Ironicamente, esses Canadair quando iam abastecer à barragem do Cabril passavam por cima do incêndio de Escalos. Confrontámos o comando nacional com essa realidade. Se havia ali um incêndio grave porque não agiam lá.

O que lhe respondeu?
Dizia que não podem andar a saltitar com meios de um lado para o outro. Por outro lado a doutrina é também que se há um incêndio que se está a atacar, tem de se resolver esse, porque senão temos dois grandes incêndios. (…) É preciso dizer que os bombeiros lutaram com uma valentia… tenho um grande respeito por estes homens. Naquela primeira zona entre escalos e o IC8, não houve fuga de pessoas nem vítimas mortais.

Morreram do outro lado…
Já não foi possível chegar com recursos. Não foi só a mudança de direcção do incêndio como também o encontro das duas frentes.

Era impossível salvar aquelas pessoas?
Era muito difícil. Falando com as pessoas, elas dizem-nos que não havia bombeiros, que não havia água, electricidade, ficou tudo escuro, o incêndio fazia um barulho tremendo, entrou toda a gente em pânico. Apesar disso, houve muitas pessoas que optaram por ficar em casa.

Foi isso que as salvou?
É verdade. Devia ter havido antes de mais um aviso prévio às pessoas dizendo que é mais seguro ficar em casa, do que fugir. A permanência da pessoa em casa é a sua melhor garantia de sobrevivência, porque uma casa não começa a arder de um momento para o outro.

Diz que tem muitas reservas sobre as opções de evacuações compulsivas. Mas não foi isso que salvou muitas pessoas nos fogos do Verão?
A evacuação resolve o problema da salvaguarda da segurança das pessoas, desde que seja feita com tempo, porque também houve evacuações feitas tardiamente que acabaram por pôr em perigo não só as forças que estão a fazê-lo com as pessoas. A nossa realidade é que as casas são de algum modo resistentes e se há pessoas que têm capacidade psicológica e física para ficar e resistir, essas pessoas devem permanecer, porque uma casa que é abandonada é uma casa que é destruída.

As reformas necessárias para evitar estas tragédias não foram feitas?
Não podemos só pensar nas entidades e nas instituições. Claro que têm um papel e são responsáveis e têm de olhar para o problema de maneira diferente. Temos de olhar para as pessoas. Se olharmos para a paisagem aqui à volta, as condições estão lá para acontecer exactamente a mesma coisa. E o que estamos a fazer? Aqueles armazéns que há nas casas cheios de lenha, com vegetação à volta. As pessoas viram isto arder em Pedrógão. O que fizeram de Junho até Outubro? Muito pouco.

Houve queimadas…
Por exemplo. Temos de repensar, temos de reestruturar os espaços rurais de uma forma completamente diferente. Como pode haver uma zona industrial que está rodeada de pinheiros à volta, que não tem qualquer defesa?

O que é possível mudar? Que medidas têm de ser implementadas já?
O que tinha de ser feito era falar com as pessoas, dar-lhes indicações. Uma das coisas que publicamos aqui é um folheto de conselhos às pessoas, tem 10 anos ou mais. Disponibilizámos às autoridades e ninguém pega no assunto. As próprias autarquias que deviam fazer a sensibilização das pessoas não se preocupam.

O Conselho de Ministros vai decidir sobre que caminho tomar…
Tem de se ter muito cuidado e discernimento em distinguir o trigo do joio e não ir atrás de ideias oportunistas, de coisas que podem parecer salvadoras.

Está a falar da ideia de dar mais dinheiro a bombeiros?
Isso é fácil e se calhar é preciso fazer-se, mas não pode ser exclusivamente isso. Qualquer reforma que seja feita não pode excluir as coisas boas que o sistema tem. Neste momento, a nossa protecção civil, apesar de todo o descalabro que houve, é um serviço válido, deu provas ao longo destes anos. Tem de ser melhor estruturado, melhor dotado, melhor qualificado, mas não é coisa para deitar fora.

Concorda com as recomendações da comissão técnica?
A comissão técnica propõe a criação de uma agência para gerir prevenção e combate, inclusive vai ao ponto de recomendar que seja gerida por técnicos florestais. Que haja essa junção e articulação das duas tarefas, parece-me bem. No nosso relatório falamos de um plano de gestão de incêndios florestais que olhe para isto no seu conjunto. Tem de haver alguma estrutura que esteja por cima.

Parece-lhe que aquelas recomendações vão longe demais?
Participei num processo em 2006 e houve uma recomendação de criar-se os bombeiros florestais. Confesso que critiquei muito essa medida e se é isso que está a propor agora, tenho sérias reservas.

Bombeiros na prevenção e depois no combate?
Proponho que aquilo que já existe seja melhorado. Temos bombeiros que têm experiência no combate a incêndios florestais e que sabem combater incêndios em casas. Temos sapadores florestais que trabalham todo o ano na floresta e podem fazer trabalho de prevenção. O Instituto de Conservação da Natureza e da Floresta (ICNF) devia cuidar mais dessa força, que existe, que é numerosa, mas que não está devidamente treinada e enquadrada. Claro que os bombeiros têm de trabalhar em conjunto com eles, mas não vamos estar aqui a misturar as coisas. Não vamos estar a pôr os bombeiros a fazer limpeza da floresta, quando já temos uma força que faz isso.

Há mais alguma proposta que lhe mereça atenção?
Há uma situação que é um absurdo que é a de ter num incêndio bombeiros que vão combater o fogo na floresta e bombeiros que vão defender as casas. Porquê? Na nossa floresta, há casas por todo o lado. Se um incêndio está a deflagrar e chegar ao pé das casas, vamos fazer o quê? Vamos esperar que cheguem os bombeiros para proteger aquela casa? É absurdo.

A comissão técnica propõe a separação entre a protecção das pessoas e o combate ao incêndio…
Se é essa a ideia, que já foi apresentada há uns anos, estou completamente em desacordo. Veja-se o caso do dia 15 de Outubro. Alguém podia estar no meio da floresta a atacar o fogo? Da mesma forma que os bombeiros se retiram para proteger as casas, porque têm mais prioridade, também é uma segurança para eles. Vou mais longe: aquilo que temos assistido nos últimos anos da parte do sector florestal, do ICNF é que tem-se alheado completamente deste problema. Tem-se afastado deste problema.

Os presidentes de câmara culpam o ICNF pelo facto de deixar plantar eucalipto por todo o lado. Também acha que o ICNF está a falhar?
Claramente. Mas os próprios presidentes de câmara não fazem o seu trabalho. Há câmaras que não têm plano de defesa da floresta que foi o que aconteceu em Pedrógão Grande e Castanheira de Pêra. Um plano pode ser papel, mas um plano feito com consciência significa que há alguém que sabe dizer onde existe o problema e qual deve ser a solução. E depois, há um problema até legal com o qual fomos confrontados agora. Quando confrontámos a ASCENDI com a falta de gestão das faixas ao longo das estradas, a resposta que eles têm é que diz na lei que essa limpeza é obrigatória nas zonas previstas pelo plano municipal, como esse plano não existia, ninguém os pode obrigar a fazer esse trabalho. Esta é a consequência que a omissão de autarcas pode ter neste processo. E são coisas dessas que se o ICNF tivesse mais pulso, [fariam com] que esses planos fossem de acordo com a lei. E porque não o são? Porque às vezes um autarca quer que seja de determinada maneira por causa de outros interesses.

At https://www.publico.pt/