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Artigo de opinião: “Os caprichos do PAN”

alexandra.duarteA Câmara de Lisboa, num acesso de criatividade inaudita, deu instruções para que fosse tapado o símbolo da praça de touros. Sem justificação aparente, a não ser piscar o olho ao PAN.

Começo por escrever que não tenho uma opinião formada sobre as touradas, por mais que reflita sobre o tema e atente nos argumentos a favor e nos que são vincadamente contra. Definitivamente, tenho dificuldades em escolher em qual dos lados da barricada me sinto mais enquadrada. Não me revejo nas manifestações a favor das touradas nem tão-pouco nos movimentos antitouradas que tanto alarido fazem na comunicação social.

Se, por um lado, temos uma tradição que é característica em vários pontos geográficos do nosso país (Barrancos, Fronteira, Azambuja, Coruche, Montijo, Évora, Graciosa, Angra do Heroísmo..) e com muitos aficionados, sendo parte integrante e enriquecedora da nossa cultura, por outro lado temos um animal que, apesar de ser criado especificamente para a arte do toureio, o touro bravo, demonstra sofrimento quando se encontra nos seus momentos finais, em plena arena.

Por ano realizam-se entre 200 e 250 corridas de touros para cerca de meio milhão de aficionados. As festas bravas sucedem-se por esse país fora, dando cor e animação às várias localidades que as acolhem, contribuindo para a atividade económica destes locais e para a sua programação cultural.

Em Portugal, à semelhança do que acontece em França e em Espanha, vários concelhos declararam esta atividade como Património Imaterial e Cultural, apesar de alguns concelhos se terem manifestado veementemente contra as touradas, chegando mesmo a interditar a sua realização. Não foi este o caso de Lisboa, pelo menos até aos dias de hoje.

O que me leva a escrever este artigo de opinião é a atitude incongruente da Câmara Municipal de Lisboa que, num acesso de criatividade inaudita, deu instruções para que fosse tapado o símbolo da praça de touros que surge à frente da indicação para o Campo Pequeno, na sinalética da cidade.

Esta medida causa alguma estupefação, já que o seu enquadramento não é claro nem se percebe a sua origem, uma vez que não foi decidido em reunião de câmara nem houve um debate sobre esta iniciativa e posterior votação.

Numa cidade com tantas preocupações ainda em cima da mesa, despender energias e tempo com estas picuinhices faz-me pensar que o governo municipal está sem rumo ou a perder o norte. Mais, que está a tentar agradar aos 3% de eleitores que votaram no PAN, nas últimas eleições autárquicas, sem ter em conta a vontade dos restantes munícipes, para quem, na sua maioria, esta questão nunca surgiu na lista de prioridades.

Não há registo de Lisboa se ter tornado uma cidade que condena as touradas. Durante este mandato, que se iniciou em 2017, os lisboetas não manifestaram uma vontade inequívoca de eliminar qualquer vestígio da existência deste espetáculo na cidade.

A decisão deste executivo é, no mínimo, ridícula e sem sentido. Um dia vamos acordar e descobrir que os animais do Jardim Zoológico de Lisboa foram soltos durante a noite para regressarem às suas origens, tal e qual como no filme Madagáscar. Sem justificação aparente, a não ser de piscar o olho ao PAN e importar para a agenda socialista temas de partidos limítrofes e radicais.

Não é tarde para pedir ao executivo municipal que clarifique a sua posição no que se refere a touradas, a investimento para a manutenção do Jardim Zoológico, à sinalética que inclui um elefante ou qualquer outro animal, se podemos ficar sossegados quanto ao Oceanário e ambicionarmos levar lá os nossos netos, e a outras preocupações associadas ao bem-estar animal.

Em Lisboa, muito há a fazer pelo bem-estar animal, começando por grupos específicos como os cães, os gatos, os pombos, antes de dispersar para alvos mediáticos e que pouco ou nada influem na vida quotidiana dos lisboetas. A não ser que a cidade, à semelhança do que se vai passando no país, comece a ter a agenda do PAN e do BE, relegando para segundo plano intervenções estruturais e muito mais urgentes do que esta satisfação de caprichos dos partidos minoritários.

Alexandra Duarte

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Opinião: “Os caminhos de Nisa”

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Hoje foi dia de visitar o novo acesso à “velhinha” Anta dos Sarangonheiros, após não ter tido oportunidade de me deslocar a qualquer das duas inaugurações, sobre o mesmo, entretanto realizadas. Utilizando um troço da Circular Multidesportiva da Vila de Nisa, cuja recomendação para a sua criação remonta há dois mandatos atrás, via caminho do Santo António, até à recuperada, e bem, Estrada de Tolosa. Claro que se tivesse sido o meu artilheiro José Maria Tremoço a propô-la, já estaria certificada, adaptada, sinalizada, dinamizada. Para quem se recorda, propunha o nascimento de uma espécie de “dois corninhos”, um a caminho de Alpalhão, outro de Tolosa.

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Mais uma vez “às escuras” (tão bom), pensei que tivessem sido criadas condições para fazer crescer a ligação a Alpalhão por terra batida, aproveitando a beneficiação de património existente, fomentando a união entre populações do concelho, o lazer, o desporto, seja via caminhada, via corrida, via trail, via Btt, via todo-o-terreno. Mas não. Ainda não identificada no Google Maps, o caminho obriga à entrada, em lomba, através da Nacional 18, o que poderá trazer algum perigo aos visitantes. Alternativa à ligação interior entre caminhos, será sempre a criação de uma ciclovia a acompanhar meia dúzia de metros da N18 até chegar ao acesso. Nas grandes urbes pretendem-se retirar os carros do meio das pessoas; por aqui tem-se dificuldade em tirar as pessoas do meio dos carros.

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Em todo o caso uma excelente beneficiação (até pelo caminho de acesso se vê a diferença entre obras feitas pela Câmara, e as das Juntas de Freguesia). Muito falta fazer neste concelho em relação a alguns caminhos públicos, que recebem desinteresse em relação à sua conservação por quem responsável, mais os outros que se apropriam e/ou destroem aquilo que não é seu, e ninguém faz nada (fica o exemplo de hoje da ligação N18 à M1176, interrompida com um pedregulho gigante de uma pedreira).

A voltinha levou a trabalhos forçados, à visita a património milenar, e a tratar do físico como se quer. Esta (mais) uma opinião construtiva, contrariando a opinião de quem possa ter a mania da perseguição, e só dê ouvidos a quem lhe lambe o rabo.

Marco Oliveira

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Artigo de opinião: “Contra a fúria do fogo, actuou a justiça dos homens”

Duarte MarquesJá por diversas vezes aqui escrevi sobre a forma imoral, ilegal e discriminatória como o Governo de António Costa tem gerido o apoio aos concelhos vítimas dos incêndios de 2017. Por diversas vezes alertei, critiquei e denunciei esta situação ao ex-ministro Pedro Marques e ao seu sucessor na pasta do Planeamento, Nélson de Sousa. Ontem o Tribunal de Leiria deu razão ao primeiro dos processos apresentados na Justiça pela Câmara Municipal de Mação a propósito do acesso a verbas do Fundo de Solidariedade da União Europeia que atribuiu a Portugal 50,6 milhões de euros, mas que o Governo impediu de chegar ao concelho que mais ardeu em 2017 (como denunciei aqui).

Ainda na semana passada, o PSD chamou ao Parlamento o Ministro do Planeamento para responder às perguntas dos Deputados sobre a gestão dos 50,6 milhões do FSUE e aí voltei a denunciar esta situação.

Se o bom senso não fosse suficiente para tratar por igual o que é igual, já para não falar da nossa Constituição, o Parlamento aprovou uma Lei (13/2018) que obriga o Governo a estender a alguns concelhos os apoios dados a Pedrogão Grande, desde que preenchidos determinados requisitos. Pedro Marques e António Costa ignoraram o bom senso, a Constituição e também essa lei. Na verdade, ignoraram conscientemente as pessoas desses concelhos.

Três anos depois dos incêndios e após uma proposta feita ao governo para alargar a candidatura ao FSUE e passar a incluir os prejuízos resultantes dos fogos de julho, agosto, setembro e outubro de 2017 como forma de evitar o chumbo da Comissão (algo que o Governo aceitou e levou avante), depois de dezenas de tentativas por parte do Município junto da CCDR Centro e do Governo para corrigir esta discriminação, de alertas feitos por quase todos os partidos na Assembleia da República, o Governo insistiu em manter a sua posição, omitindo factos e escondendo a verdade. Ontem, o Tribunal condenou o Governo e decidiu anular um dos Avisos destinado às autarquias.

Com esta decisão, faz-se justiça com o concelho de Mação e com outros que foram prejudicados ao ficarem de fora do acesso a este fundo apesar dos seus prejuízos terem sido contabilizados para a candidatura a Bruxelas, como é o caso de Ferreira do Zêzere, Fundão, Gavião, Nisa, Castelo Branco, Covilhã, Oleiros, Vila de Rei, entre tantos outros.

Importa aqui salientar que a execução do Fundo de Solidariedade está também ela bastante atrasada devido à demora do Governo em aprovar os projetos e candidaturas feitas pelos municípios que puderam aceder ao Aviso aberto pelo Governo. Recordo que todos estes montantes têm que estar executados até janeiro de 2020 e só há pouco mais de um mês é que o ministro Nélson de Sousa despachou esses processos. Este atraso invalida qualquer desculpa que o governo procure encontrar para justificar o atraso na execução do Fundo de Solidariedade.

A justiça por vezes demora, mas acaba por chegar. Depois da Inspeção Geral da Administração Interna ter responsabilizado a liderança da Autoridade Nacional de Proteção Civil pela má organização do combate aos fogos de 2017, e inclusive pelo desvio de meios aéreos para outro concelho onde não havia ameaça eminente, vem agora o Tribunal de Leiria repor justiça no tratamento discriminatório a que o concelho que me viu nascer estava a ser alvo.

Uma palavra final para Vasco Estrela, o Presidente da Câmara Municipal de Mação que nunca desistiu de lutar por justiça para os seus munícipes. Por vezes quase sozinho, apenas com a forças das suas convicções e com a responsabilidade para com os seus concidadãos, remou contra esta injustiça. O tempo e a justiça vieram ontem dar-lhe razão.

Não sei este foi o meu último combate no Parlamento, mas, se foi, valeu bem a pena!

Duarte Marques

At https://expresso.pt/

Vem aí a XXIII Feira Raiana em Idanha-a-Nova

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De 17 a 21 de julho, realiza-se em Idanha-a-Nova a XXIII Feira Raiana que, nesta edição, associa a habitual temática “Produtos da Terra” ao facto de este ter sido o primeiro município português a integrar a Rede Internacional de Bio-Regiões. Organizada alternadamente pelo Município de Idanha-a-Nova e pelo Ayuntamiento de Moraleja, a Feira Raiana possui um papel dinamizador para a economia local, enquanto mostra dos setores agrícola, animal, agroalimentar, florestal, turístico e cultural, representando um polo de cooperação transfronteiriça e de progressiva integração das realidades socioeconómicas das duas regiões, que se tocam nesta zona da fronteira de Portugal e Espanha – a Beira Baixa e a Extremadura.

A Feira Raiana constitui, por isso, uma excelente oportunidade para promover territórios inovadores, baseados numa economia sustentável, e os produtos de qualidade produzidos a partir de Idanha-a-Nova, do Geopark Naturtejo, da Beira Baixa, de Portugal, da Extremadura espanhola, dos países ibero-americanos e dos países onde existem Bio-Regiões.

Programa disponível em: feiraraiana.idanha.pt

Idanha 1

Idanha 2

Artigo de opinião: “O ambientalista simplório”

Luis RibeiroHá um certo tipo de ambientalista que quer sol na eira e chuva no nabal. Que não aceita menos do que um mundo perfeito. Um mundo com azeite barato, mas sem olivais intensivos; com carros elétricos, mas sem prospeção de lítio; com energias renováveis, mas sem barragens nem eólicas; com floresta, desde que seja a do Capuchinho Vermelho. Um mundo que não existe.

O ambientalista simplório quer acabar com os combustíveis fósseis. Quer energia limpa, sem emissões de gases com efeito de estufa. Mas não quer barragens, porque as barragens destroem ecossistemas. Não quer eólicas, porque as “ventoinhas” estragam paisagens e perturbam os animais. Não quer energia nuclear, porque produz lixo radioativo.

O ambientalista simplório quer florestas, porque precisamos de árvores para absorver dióxido de carbono da atmosfera. Mas quer escolher as árvores. Não quer eucaliptos, não quer floresta de produção. Quer a floresta do Capuchinho Vermelho, porque sempre viveu na cidade e julga que as florestas são assim. Quer dizer a cada proprietário o que pode plantar e ainda obrigá-lo a tratar do terreno, num serviço gratuito, abnegado, para benefício da “sociedade”.

O ambientalista simplório grita “oiçam os cientistas”, quando os cientistas lhe dizem o que ele quer ouvir. “Oiçam os cientistas: estamos a destruir o planeta com as alterações climáticas.” Mas, quando os mesmos cientistas dizem que “os transgénicos não fazem mal nenhum e podem ser uma mais-valia para o ambiente e para a humanidade”, o ambientalista simplório berra: “Os cientistas estão a soldo das multinacionais.”

O ambientalista simplório quer agricultura biológica, porque não gosta de “químicos”. Mas esquece-se de que tudo são químicos, do oxigénio que respira ao sulfato de cobre usado, tal como centenas de outros produtos “naturais”, na agricultura biológica. Esquece-se de que a agricultura biológica precisa de mais espaço, valioso espaço, para produzir a mesma quantidade que a agricultura convencional, e que esse espaço terá de ser ganho à custa da desflorestação.

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O ambientalista simplório quer que toda a gente se torne vegetariana, ou vegan, e acabar com a produção animal. Mas ignora que sem produção animal todo o fertilizante usado para cultivar os seus vegetais terá de ser artificial, e “ai, Deus nos livre dos químicos”.

O ambientalista simplório quer acabar com os jardins zoológicos, porque, não, os animais não podem estar em cativeiro, fechados a vida toda num espaço limitado. Mas abre uma exceção para gatos e cães (e coelhos, vá), menos animais do que os outros. Esses podem viver quase desde que nascem até ao dia em que morrem trancados num apartamento de 50 metros quadrados, que é para o bem deles.

O ambientalista simplório é contra o desperdício alimentar. Mas não quer conservantes na comida nem delícias do mar nem nada que seja feito com restos de comida.

O ambientalista simplório só cozinha com azeite, essa oitava maravilha para a saúde. Mas vocifera contra os olivais intensivos no Alentejo. Produzir azeite em grande quantidade é a única forma de lhe baixar o preço e torná-lo acessível a todos? Os pobres que comam bolos.

O ambientalista simplório chora a morte de cada rinoceronte e tigre. Mas defende com unhas e dentes a medicina tradicional chinesa que está por trás da perseguição a rinocerontes e tigres, para fazer pós milagrosos com os seus cornos e ossos – porque as medicinas alternativas são naturais e, lá está, o que é natural é bom (desde que não seja sal, cogumelos venenosos, arsénio, amianto, mercúrio, antraz, urtigas, malária, raios ultravioletas, etc, etc, etc).

O ambientalista simplório faz campanhas para que se coma “fruta feia”, julgando que os agricultores mandam para o lixo tomates e maçãs que não interessam aos supermercados. Mas ignora que esses tomates e essas maçãs disformes se transformam em ketchup, sumos e outros produtos, que obviamente não são feitos com vegetais e fruta topo de gama.

O ambientalista simplório quer comer peixe. Mas não pode ser capturado no mar, porque a pesca não é sustentável, e não pode ser de aquacultura, porque tem antibióticos, e garantidamente não pode ser geneticamente modificado, porque viu um desconhecido no YouTube que dizia não sabe o quê, já não se lembra bem.

O ambientalista simplório quer que haja mais carros elétricos nas estradas. Mas é contra a prospeção de lítio, essa insustentável fonte de poluição do ar, dos solos, das águas, e escreve-o nas redes sociais, teclando furiosamente no seu telemóvel com bateria de lítio.

Luís Ribeiro

At http://visao.sapo.pt/