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Opinião: “Incêndios denunciam erros desafiam a solidariedade”

Antonino acanac_a.dias1A nossa Diocese de Portalegre-Castelo Branco, nestes últimos dias, tem sido tragicamente atingida pelos incêndios. E não é só de agora que este flagelo nos tem batido à porta. Com mais ou menos intensidade, aqui ou ali, tem acontecido todos os anos e, em alguns anos, de forma calamitosa. Não é difícil imaginar quanto desespero e dor isto provoca nas populações, quanto sofrimento, quanta pobreza a curto e a longo prazo. Somos um interior com a população a desaparecer, com uma população cada vez mais envelhecida e pobre, com uma população a sentir-se cada vez mais desprotegida e com a sensação de um certo abandono.

Neste momento, porém, a Igreja Diocesana, através dos seus Párocos, Organizações paroquiais e Comunidades cristãs, embora se sinta pequenina e impotente perante tal calamidade, manifesta a sua proximidade junto dos Senhores Presidentes das Câmaras Municipais de Castelo Branco, Sertã, Mação, Proença-a-Nova, Gavião e Nisa, bem como às Juntas de freguesia e, particular e afetuosamente, junto das queridas populações tão sofridas e de quem, neste momento, as ajuda no terreno. Manifesta ainda a vontade de, através da Direção da Cáritas Diocesana, ajudar a minimizar, de forma concertada com os Autarcas e os Párocos, tantos estragos e sofrimento.

No meio das calamidades e à mistura com a súplica orante, surge, por vezes, a interrogação sobre o lugar de Deus. Onde está e por que é que Deus permite tamanhas desgraças? Em vez de nos perguntarmos porque é que Deus permitiu tudo isto, melhor será perguntarmo-nos sobre o que é que podemos fazer com tudo isto que nos acontece. Dessa forma, a interrogação transforma-se em pedagogia da esperança e do compromisso comum. E da certeza da pequenez humana diante de tamanhos acontecimentos, surge a oração confiante ao nosso Deus, o Deus que não abandona, não amedronta, não é indiferente ao sofrimento humano.

Pessoalmente ou em Comunidade, apelo a toda a Diocese para que não deixemos de rezar ao nosso Deus que, em Jesus Cristo, Se revelou um Deus próximo de cada experiência humana, sobretudo a experiência da dor e do sofrimento. Dizendo-nos a Deus, na oração, encontraremos esperança, serenidade e força para darmos as mãos e, na caridade cristã, nos valermos uns aos outros.

Mas se confiamos em Deus, também contamos decididamente com os homens. Todos aguardamos ansiosamente aquele momento em que, todos quantos superintendem no ordenamento do território, se deixem de filosofias baratas, resolvam decididamente congregar sinergias, e, de mãos dadas com as Autoridades locais, de forma concreta e concertada, façam o seu trabalho em favor desta causa e casa comum, também para melhor rentabilização do que temos, maior prevenção dos incêndios e sossego das populações.

Bispo Antonino Eugénio Fernandes Dias

Artigo de opinião: “Incêndios florestais: a dura realidade”

Miguel FreitasA época crítica ainda agora começou. São precisas respostas operacionais urgentes, pois vivemos sobre um barril de pólvora.
Neste momento de enorme perda em Pedrógão Grande, o país confronta-se consigo próprio na sua fragilidade institucional e de intervenção territorial, e exige inquéritos, avaliação, balanços, mas também análise prospetiva consequente. Muito se tem debatido sobre os grandes incêndios florestais, mas sempre que voltamos ao tema sentimo-nos súbditos da Rainha de Copas do País das Maravilhas — running to stand still — a correr para ficar no mesmo lugar.

O relatório sobre a problemática dos incêndios florestais da Assembleia da República, aprovado por unanimidade em 2014, demonstrou que, com boas propostas e capacidade negocial, é possível criar consensos, tendo avançado com propostas de reforma do Sistema Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios e de proteção civil. Retomo aqui as questões essenciais.

Coordenação: o sistema tem défice de coordenação, pois cada um dos três pilares trabalha para o seu lado, sem uma estratégia operacional comum, sem uma efetiva articulação de esforços no planeamento e na execução das ações. É preciso concentrar numa unidade de missão a coordenação operacional, permitindo uma visão global e local articulada em termos de mobilização de meios de prevenção e de combate. O histórico de ocorrências deve estar na base de decisões de planeamento e de gestão, de curto e médio prazo.

Estabilidade: a instabilidade permanente nas autoridades de proteção civil e florestal provocam desorientação, desmotivação e desvitalização dos serviços. A descontinuidade nas medidas de política também não ajuda. Por exemplo, a interrupção do programa especial de incentivos no âmbito da Ação Integrada de Base Territorial do Pinhal Interior, em 2006, teve consequências trágicas na redução de investimento florestal no território que agora ardeu. É preciso mais estabilidade orgânica e continuidade nos programas de apoio à floresta.

Planeamento: existe desajustamento entre planos e a ação concreta no terreno. A rede primária de proteção apenas está concretizada em 35% (a precisar de manutenção). Das 500 equipas florestais previstas, estarão no terreno cerca de 300. Muito do Plano Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios está por concretizar. Ou se duplica a verba da prevenção até 2025, ou se reformula a sua aplicação no território em função do risco, com planeamento de base intermunicipal.

A época crítica de incêndios florestais ainda agora começou. São precisas respostas operacionais urgentes, pois vivemos sobre um barril de pólvora. Mas as mudanças são mais profundas e precisam de determinação, envolvimento e tempo.

Miguel Freitas

Mais uma praia fluvial dinamiza o Alentejo

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Conforme a Rádio Campanário avançou, o concelho de Mourão irá em breve ter ao dispor da população uma praia fluvial, esta que será inaugurada já na próxima segunda-feira (17 de julho), pelas 10h30m.

Esta praia que estará apetrechada com um conjunto de equipamentos adequados para receber as populações.

Na última semana esteve no local uma equipa de mergulhadores dos Bombeiros Voluntários de Mourão que verificaram a área e a construção do passadiço que faz a ligação entre o Parque de Merendas e o areal.

At http://www.radiocampanario.com/

Crato vai ter (mais) um novo festival

Crato Festival

Vai nascer um novo festival de verão no Alentejo, perto do Crato, no Alto Alentejo. Falamos do “Waking Life” e que mistura Cinema, Artes Performativas, Ecologia, Natureza e  música eletrónica.

No “Waking Life” – 17 a 20 de agosto – estarão perto de 70 projetos de música eletrónica ao vivo e com sessões DJ – com muitos nomes conhecidos do tecno, da eletrónica e do house e de músicas eletrónicas mais exploratórias ou ambientais.

Stimming, Sebastian Mullaert, Jennifer Cardini e Steve O’ Sullivan, talém de Fennesz Soundwalk Collective, são alguns dos nomes que vão marcar presença nesta festa que traz ainda ao Aleksi Peräla, Ateq, Ben UFO, Dorisburg, Patrick Russell, Sammy Dee, Robag Wruhme, Nthng, De Wakta e Konstantin.

At https://wakinglife.pt/http://www.tribunaalentejo.pt/

Opinião: “Eis o meu relato”

FB_IMG_1499250398863Há trabalhos que nos impõem cautela redobrada e exigem que até os jornalistas dêem explicações. Este foi o caso. Um dos casos mais difíceis da minha vida.

Antes de ser jornalista, sou cidadã portuguesa, e em matéria de incêndios posso, desde 2003, ano em que arderam 400 mil hectares em Portugal, tragédia que cobri em direto diariamente, falar com propriedade.

Quando morrem 64 pessoas, o Estado não pode enfiar a cabeça na areia à espera que a tempestade passe!

Eis o meu relato: ( muito para além das falhas, muito para além da comprovada falta de meios que todos os populares denunciaram desde o primeiro minuto)

Quando cheguei ao posto de comando de Avelar, segunda, dia 19 de Junho, com o repórter de imagem Rui Silva, deparei-me de imediato com uma inacreditável feira de vaidades.
Um corrupio de ministros e Presidente da República e uma desorientação estampada na cara dos operacionais.
Achei peculiar.
Eu estava mergulhada em angústia.
Dividida entre ajudar ou reportar.
Ao primeiro impacto com as primeiras vítimas daquela monstruosidade de chamas, desabei em lágrimas. Percebi que nunca mais seria a mesma. Sim, porque gente que é gente, sente, dói-se, ajuda, fica ao lado. Não foge. Não se aproveita. Percebe que tem uma missão que ultrapassa a profissão.
Logo no primeiro dia, desabafei com o Rui Silva que estávamos a fazer muito mais do que jornalismo. Ouvir aquelas pessoas, abraçá-las, valeu muito mais do que qualquer palavra ou qualquer reportagem que faça na vida.
Percebi de imediato que o erro foi não terem evacuado as aldeias de imediato. Às 3 da tarde. Como fizeram em Gois, ao mínimo sinal de perigo, logo no dia seguinte.
Ninguém teria fugido para aquele corredor da morte, se tivesse havido bombeiros para os socorrer. As vítimas ficaram encurraladas entre a morte certa e a morte incerta. Morreram na mesma. Sozinhas. Desamparadas. A isto chama-se negligência!
E depois das mortes? O silêncio sobre as causas seguido de uma feira de vaidades.
Quando as populações ainda precisavam que as autoridades as acudissem, as autoridades andavam a mostrar as chamas e a tragédia às altas entidades.
Ouvi o desabafo de GNR’s a quem o chefe de Estado exigiu entrar em zonas perigosas, pondo em risco várias pessoas que o acompanhavam, apenas porque queria ver.

Que país é este que não se comove?
Que na hora de salvar civis, tem 5 bombeiros e um helicóptero?
E quando a desgraça vem ainda pensa mais no espetáculo mediático do que na verdadeira missão de salvar civis?
Não precisamos de mais comissões independentes.
A verdade está à vista.
Está contada na caixa negra da proteção civil que o Sexta às 9 revelou em primeira mão ao país logo ontem.
As vítimas merecem um gigantesco pedido de desculpa!
Não há nada que lhes possa trazer os familiares de volta. Mas a espera é outro crime.
Um Estado que se digne usar este nome tem o dever moral de as ressarcir já!
Sem mais demora.
Sem nenhum hesitação!
Não foi um evento meteorológico imprevisível ( porque como se comprova estava tudo previsto 48h antes) nem qualquer falha no Siresp que provocou a tragédia.

A natureza e a tecnologia seriam ótimos bodes expiatórios, mas está à vista que o que falhou foi a ausência total de decisões humanas à altura.

A missão da proteção civil é salvar pessoas e bens.
Tal como a minha é contar a verdade.

Não tenho mais lágrimas para partilhar com quem sofre hoje o que nunca imaginei ser possível.
Famílias inteiras destroçadas.
Crianças que perderam os pais.
Pais e avós que ficaram sem os filhos e os netos.
Para esses todos, segue o meu abraço. Emocionado. Não valendo de nada, é tudo o que lhes posso dar. Com a promessa de que estarei sempre aqui, para lhes dar voz e para que nunca sejam esquecidos!

Sandra Felgueiras

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Incêndio de Pedrógão Grande passou o de Nisa

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O incêndio na zona de Pedrógão Grande consumiu 46.009 hectares de floresta, de acordo com os dados mais recentes do Sistema Europeu de Informação de Fogos Florestais — EFFIS, na sigla inglesa. Este total de área ardida resulta da soma dos 16.190 hectares atingidos em Alvares com os 29.819 em Aguda.

Naquele que, até agora, era considerado o maior incêndio — em 2003, na freguesia de São Matias, em Nisa, no distrito de Portalegre — tinham sido destruídos pelo fogo 41.079 hectares. Em Alvares e Aguda arderam mais 4930 hectares.

De acordo com os dados disponibilizados pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), 2003 continua a ser o pior ano de sempre de incêndios florestais no país — mas o período crítico de 2017 mal começou.

Do registo dos maiores incêndios em Portugal constam, para além do de Nisa, outros, no mesmo fatídico ano: em Fróia, no concelho de Proença-a-Nova, arderam 36.019 hectares; em Monchique, 27.617; e em Ulme, na Chamusca, quase 22 mil.

De então para cá, outros incêndios com mais de 20 mil hectares de área ardida registaram-se em Tavira, em 2012, e no ano passado, a 8 de Agosto, quando as chamas chegaram aos passadiços do Paiva, no concelho de Arouca. O incêndio começou nas freguesias de Janarde e Covelo de Paivó e destruiu 21.910 hectares.

Em Nisa, em 2003, a investigação concluiu que houve fogo posto. O que se passou na zona de Pedrógão Grande ainda está por averiguar. No entanto, a avaliar por muitas das declarações de diversas entidades e especialistas, nos últimos dias, a monitorização, a gestão e a fiscalização são falhas comuns.

At https://www.publico.pt