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Opinião: “O fantasma de Salazar e o Reitor da Universidade de Coimbra”

Raquel 10464109_10202306149190196_3394916574196011546_nO Reitor da Universidade de Coimbra não decidiu excluir a carne de vaca. Decidiu que quem tem menos dinheiro vai deixar de comer carne de vaca. As cantinas são os locais onde os filhos das classes pobres e médias empobrecidas comem. Quem tem dinheiro vai continuar a comer carne, do lombo. Os filhos de quem pode, como os meus, irão comer carne do lombo, de qualidade, bio. No norte da Europa já se serve carne bio em algumas universidades por onde ando. Em Portugal acaba-se com a carne. A periferia não é verde, é inexistente. Na verdade a medida do reitor é análoga à generalização dos parquímetros, uma privatização do espaço público. Quem tem dinheiro continua a ter acesso à cidade por carro. Estas medidas não são ecológicas, são classistas. Ecologia era transportes públicos das zonas pobres para o centro. Ecologia era subsidiar na Escola Agrária da Universidade produção de agricultura biológica e fornecer nas cantinas para que pelo menos algumas vezes pudessem comer proteína de qualidade. Ecologia era um Reitor defender a agricultura sustentável ser cada vez mais subsidiada. Assim o reitor o que fez foi reduzir a despesa da Universidade de Coimbra que agora vai oferecer frango de aviário, um mutante que nem frango devia chamar-se. Também vai ficar bem nas contas gerais da Universidade servir na cantina (paga com os nossos impostos) soja geneticamente modificada – é a transição energética.

A “transição” está a relevar-se uma forma de privar ainda mais os mais pobres de tudo, irão pagar mais impostos verdes, estão privados da cidade “verde”, num subúrbio cinzento, vestem fibras horrorosas enquanto fabricam algodão natural de design inovador em fábricas super poluentes, e agora podem esperar esta moderna versão Jonet de “não de pode comer bifes todos os dias”. Tudo para o bem deles, como se sabe se os ricos não cuidassem dos pobres eles jamais saberiam o que fazer. Agora por exemplo, imagine-se!, querem comer bifes que fazem tão mal à saude e ao planeta…

Vou poupar-vos ao óbvio. A poluição é grave mas o mundo não está a acabar. É preciso medidas sérias, e não hipocrisia disfarçada de ciência. Comer carne em idades jovens, quando se estuda, é essencial ao cérebro. Nos colégios onde se formam elites dirigentes do mundo posso garantir-vos que a carne é biológica e do lombo. Comer muita carne faz mal, não comer nenhuma faz muito mal. Outro dado: um dos maiores estudos de saúde do mundo provou que a segurança no emprego e a autonomia podem aumentar 18 anos a esperança média de vida e o medo fazer cair a mesma 18 anos, pela produção de cortisol. Nada faz tão mal à espécie humana hoje como o medo da sobrevivência, condição em que vão estar a grande maioria dos jovens estudantes da Universidade de Coimbra quando entrarem no mercado de trabalho. Coisa que não preocupa o reitor. O fim do planeta para o Reitor é uma garantia, é o dilúvio bíblico que exige medidas radicais. Já o facto de que os que estudam na Universidade virem a ter empregos em que não chegam ao fim do mês, bom isso já não é bem uma certeza, nem diz respeito a um Reitor, que cuida do Planeta.

Que o PAN, que representa o ultra liberalismo verde, seja a favor comprende-se. O silêncio dos outros partidos, com algo tão fundamental quanto o que se serve de alimentação numa instituição pública, por nós financiada, é inexplicável.

Para compreender o mundo, e a atitude de um Reitor, é preciso saber teoria do valor. E o valor da teoria. Marx explicava que a tendência do capitalismo era para tornar vegetarianas as classes trabalhadoras, desde logo diminuindo a parcela de proteína a que têm acesso na reprodução da força de trabalho, vulgo salário. Os chineses perceberam bem isso – ali, nas fábricas, come-se arroz. E mais nada. Ainda vou assistir à glorificação do Estado Novo em plena Universidade de Coimbra, o fantasma do Salazar a rondar as salas escuras, de ilusão esverdeada – carne faz mal, melhor só no Natal.

Raquel Varela

At https://raquelcardeiravarela.wordpress.com/

Ponte para Espanha não, mas para a Beira sim

Barca cartaz_barca

A nova “Barca D’Amieira”, num formato moderno do Século XXI, tende a reabilitar um ícone histórico para as gentes de Amieira do Tejo, simbolizando a ligação desta povoação à outra margem, reabilitando assim uma tradição há muito perdida que tinha como objetivo a passagem de pessoas, bens e animais de uma margem do Tejo à outra, onde ainda hoje e na margem de São José das Matas, existe (ativa) a estação de Barca da Amieira, linha da Beira Baixa. Mais do que fazer a própria travessia do rio, este projeto, do Município de Nisa, prende-se à preservação, conservação e valorização do património histórico e cultural do Tejo Internacional.

O projeto “Barca D’Amieira”, da Câmara Municipal de Nisa, é uma operação cofinanciada, em 75%, pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, Programa INTERREG V-A Espanha-Portugal, ao abrigo do Programa de Cooperação Transfronteiriça Espanha-Portugal (POCTEP).

At http://www.cm-nisa.pt/

Artigo de opinião: “Esperamos que acabem connosco?”

Tereno - BarrancosCansado pero contento”, frase que os barranquenhos proferem para expressar o seu sentimento após mais uma “Fêra” de Agosto. Foram dias e noites de muita vivência e confraternização, de reencontros de parentes, amigos e visitantes, tendo como denominador comum o toiro. A Praça/arena, na Praça da Liberdade com os seus tradicionais tabuados(1), os encerros e os espectáculos que se sucederam durante esses dias deafirmação da nossa cultura e da nossa identidade cultural de povo de fronteira, e porque não a nossa taurinidade, atestam bem o porquê do ser Barranquenho. As touradas podem ser boas ou más, os toureiros/matadores podem ou não fazer boas faenas, tudo isso importa, mas o que realmente fica é que a tradição cultural, de um povo único como é o barranquenho, se cumpriu um ano mais. E consagrada na Lei, permanece intocável.

É urgente que a classificação da Tauromaquia como Património Cultural Imaterial de Portugal seja uma realidade, pois dá-nos o reconhecimento como expressão relevante da cultura tradicional deste País e blinda-nos face às ameaças daqueles que tudo tentam para nos aniquilar. Veja-se o caso da Lei de 2013 em Espanha, que obriga os poderes públicos a proteger a Tauromaquia. Sintomático não é?

O excelente trabalho de recolha e pesquisa coordenado pelo Dr. Luís Capucha merece todos os nossos encómios e a nossa ajuda e apoio para conseguirmos a desejada classificação, que já tarda.A importância deste passo é enorme senão vejamos: os próprios tribunais espanhóis têm decidido quase sempre a favor da causa taurina. Claro que também a pressão da Fundación Toro de Lidia, dos seus órgãos directivos e do seu gabinete jurídico, tem sido continua e os resultados vão aparecendo.Os próprios tribunais têm decidido, que não podem as Comunidades Autónomas e os Ayuntamientos (Municípios) proibir espectáculos tauromáquicos, e que estas entidades públicas não podemdeclarar-se anti- taurinas. O que teria acontecido em Viana do Castelo, Póvoa de Varzim e outros, se tivéssemos estas leis e estes tribunais? A última vitória e após uma sentença judicial, é a corrida anunciada e autorizada para cidade de Villena (Comunidade Valenciana), que antes tinha sido proibida.

Acabámos de saber da importante decisão do Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto a dar razão á acção interposta pela Protoiro, pelo Clube Taurino Povoense e pela empresa Aplaudir contra o Município da Póvoa de Varzim. Quando se luta com a razão do nosso lado e com a firmeza que se requer nestas situações difíceis a vitória é possível, mas não devemos baixar os braços pois eles não vão desistir facilmente, pelo que a realização da corrida que está programada será um sinal de vitória!

Volto a repetir aquilo que já afirmei no meu anterior artigo, as eleições legislativas estão aí á porta e vão decidir muito do futuro da Tauromaquia no nosso País. É imperioso que todos os taurinos nos unamos, pondo de lado as nossas divergências, é urgente que de uma vez por todas nos deixemos de hesitações do tipo “deixa estar, isso não é comigo”, e nos ergamos mostrando a nossa força. Continuo a acreditar que é possível a realização de uma grande concentração em defesa da Tauromaquia no seu todo, e no Campo Pequeno como então referi.

É preciso mostrar àqueles partidos que não gostam de nós apenas porque defendemos uma arte que faz parte da cultura portuguesa mais genuína, que não vacilamos e que não somos como eles! Que mais não são que cordeirinhos seguindo modas e doutrinas importadas eivadas de fundamentalismo, adoptando estrangeirismos e erguendo bandeiras ditas de proteção animal e ambientalistas que servem ás mil maravilhas para conseguir os seus fins.

Vamos mostrar que estamos vivos, que não temos medo porque somos uma grande força e que se quisermos nada nem ninguém nos vai derrotar.

Temos que velar pelo futuro da Festa, estar sempre atentos e prontos para dar o nosso apoio ás organizações que nos representam actualmente.Penso que seria da maior importância a criação de um órgão consultivo de apoio a essas instituições tauromáquicas, a ser formada por pessoas de reconhecido mérito da nossa sociedade, de todos os quadrantes da vida portuguesa, conhecidos pela sua afición á Festa de Toiros, e que dariam o seu contributo de forma inteiramente graciosa. A Tauromaquia só teria a ganhar!

E já que falamos do futuro…convirá dizer que não haverá futuro sem novilhadas, a verdadeira escola de toureiros, e de fomento de valores como a amizade e a valentia entre os jovens. Este será o caminho certo para formar verdadeiros conhecedores da Tauromaquia por dentro, e aficionados que no futuro se vão empenhar na defesa da Festa.

Este é um caminho sem retorno, ou avançamos todos juntos mostrando a nossa força, ou pouco a pouco e sem nos darmos conta, vamos deixando que nos asfixiem com leis proibitivas anti- taurinas, que visam acabar com o que nos é mais caro – a arte e a cultura tauromáquicas.

Vamos deixar?

António Tereno

At https://toureio.pt/

(1)- Estrutura de madeiros ligados entre si, montados anualmente para as corridas de toiros da “Fêra” de Agosto.

Opinião: “A galinha dos ovos de ouro das clientelas políticas”

Germany, 1914

Como “hoje em dia já não há “Plano B” e como “qualquer outra solução comprometeria muito fortemente a dinâmica de crescimento do turismo e a dinâmica económica deste sector“, vamos avançar com o “Plano A”, mesmo que comprometa a dinâmica ambiental e hipoteque inapelavelmente a qualidade de vida de toda uma região, que o que interessa é a visão pequenina do lucro rápido e do curto prazo que garanta a galinha dos ovos de ouro das clientelas políticas do pato-bravismo e da especulação à roda das alterações cirúrgicas aos PDM, que haver um aeroporto para moscas a meio do caminho entre Lisboa e Faro, ao qual só falta uma ligação por auto-estrada e por caminho-de-ferro, e que era quase como que aterrar em Lutton ou Gatwick, isso sim o tal do desenvolvimento sustentável e da aposta no interior com que se enche a boca nas campanhas eleitorais, não interessa nada. O quê, Beja não é interior? É litoral alentejano ou litoral fronteiriço, dependendo do ponto de vista do utilizador?

José Simões

At https://derterrorist.blogs.sapo.pt/

[Imagem de autor desconhecido]

Artigo de opinião: “Ferrovia: o regresso ao futuro”

Pedro Nuno Santos JCF_03521. Recuemos ao inicio do século XX. Os comboios constituíam, neste período, um meio de transporte revolucionário. As linhas de caminhos-de-ferro que rasgavam os países garantiam a ligação de forma rápida e confortável entre regiões distantes dentro de um mesmo território, espalhando o desenvolvimento económico e, em simultâneo, permitindo a construção simbólica de uma comunidade nacional. Vivia-se um período dourado do caminhos-de-ferro nos países mais desenvolvidos da Europa e da América.

Porém, nas décadas seguintes, algo de paradoxal aconteceu: os avanços tecnológicos tornaram os comboios mais rápidos, mais ecológicos, mais confortáveis e mais fiáveis; e, porém, ao longo desse mesmo período, a ferrovia foi perdendo a sua centralidade nos sistemas de mobilidade nacionais: primeiro, pela democratização do transporte automóvel, no curto e médio curso; depois, pela forte expansão da aviação comercial no médio e no longo curso.

2. Este processo de concorrência entre a ferrovia, a rodovia e a aviação foi transversal a vários países desenvolvidos, mas nem todos responderam a estas tendências da mesma forma. Muitos continuaram a fazer um investimento robusto na ferrovia, não apenas de manutenção da infraestrutura, mas na modernização e expansão da rede e na renovação de material circulante, porque só esta vontade política permitiria ao comboio concorrer, em circunstâncias semelhantes, com o carro e o avião. A Espanha, aqui ao lado, é um bom exemplo de um país que fez uma enorme aposta na expansão de uma rede de caminhos-de-ferro moderna e no desenvolvimento de material circulante tecnologicamente avançado.

Portugal, infelizmente, faz parte do grupo de países que preferiu fazer da rodovia a sua aposta principal. Por acção – que se traduziu na construção de uma das melhores redes rodoviárias da Europa – e omissão – que se traduziu, por exemplo, no adiamento do processo de eletrificação integral da rede e no envelhecimento do material circulante -, vários governos fizeram uma escolha por um meio de transporte automóvel, individual, responsável por elevados níveis de sinistralidade, movido a um combustível altamente poluente e que, ainda por cima, temos de importar, contribuindo fortemente para o nosso défice de balança de pagamentos.

3. Hoje, as consequências de um ciclo longo de desinvestimento na ferrovia, tanto na infraestrutura como no material circulante, estão à vista de todos. Foi, infelizmente, necessário chegar à atual situação – em que a oferta do serviço ferroviário tem dificuldade em responder, com qualidade e fiabilidade, à crescente procura – para se poder gerar o consenso político e institucional de que a ferrovia não é uma relíquia do universo novecentista Queirosiano, mas antes um meio de transporte com enorme futuro.

É a minha convicção que, no século XXI, a ferrovia pode fazer o mesmo pelo desenvolvimento do território, da economia e da nossa comunidade que fez no século XIX e no início do século XX. Isto porque se trata de um meio de transporte:

  • que, com o investimento certo de modernização na linha e no material circulante, pode “encolher” o país, aproximando territórios hoje demasiado distantes;
  • eficiente, ecológico, que aumenta a nossa qualidade de vida e reduz a dependência externa;
  • onde opera, por todo o território, uma empresa pública emblemática, a CP, cujos níveis de qualidade de serviço e de capacidade de resposta é nossa obrigação recuperar;
  • onde o país tem, historicamente, capacidades industriais que podemos desenvolver de novo;
  • coletivo, ou seja, cuja experiência, ao contrário do automóvel, é partilhada com os outros.

Todos estes elementos fazem do investimento na ferrovia um investimento no reforço nos laços que fazem de nós uma mesma comunidade.

4. Como o ciclo de desinvestimento foi longo, o ciclo de investimento também terá de o ser. Não apenas um investimento de requalificação e modernização da rede, mas um investimento de transformação, que permita melhorar significativamente a mobilidade entre as áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto; reforçar a coesão territorial, procurando levar a ferrovia a todas as capitais de distrito; e intensificar a integração da economia ibérica, através do reforço de ligações ferroviárias transfronteiriças, seja no plano do transporte de passageiros, seja no das mercadorias.

Investimento, também, na recuperação das capacidades tecnológicas que o nosso tecido empresarial já teve na fabricação de comboios. E investimento, ainda, na nossa capacidade de pensar de forma estruturada o país ferroviário, motivo pelo qual necessitamos de construir e executar um Plano Ferroviário Nacional, que seja capaz de orientar as opções políticas de investimento de longo prazo.

É neste trabalho de estudo, análise, discussão e definição das grandes prioridades de investimento coordenado em infraestrutura e em material circulante que uma entidade com a história, a expertise técnica colectiva e o voluntarismo da ADFERSIT terá certamente um papel fundamental a desempenhar.

Pedro Nuno Santos
Ministro das Infraestruturas e Habitação

At https://www.adfersit.pt/

Presidente da Câmara acusa GNR de caça à multa

GNR 1363505

O presidente da Câmara de Almeirim e da Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo, Pedro Ribeiro, acusou esta terça-feira a GNR de “Caça à multa” aos condutores que trabalham no setor agrícola.

Numa publicação na sua página do Facebook, Pedro Ribeiro começa por dizer que raramente faz comentários deste tipo e afirma mesmo que esta “será a 2 ou 3 vez em cerca de 20 anos”, que fala do assunto, apesar de receber muitas denúncias sobre o tema.

“Tenho recebido informação variada, alguma dela que inclui fotos de multas passadas pela GNR, penso que militares pertencentes à Unidade Nacional de Trânsito. Multas a agricultores durante a campanha do tomate”, escreve Pedro Ribeiro.

O autarca diz ter informações que as multas “estão a colocar em causa o funcionamento de algumas fábricas por falta de matéria prima”, num ano fundamental para este setor. “Após vários anos de perda este pode inverter e com isso salvar muitos agricultores da falência”, comenta o autarca.

Pedro Ribeiro lembra ainda que a agricultura “emprega milhares de pessoas no Ribatejo e representa milhões e milhões em exportações”.

“Multas por matrículas sujas é no mínimo excesso de zelo. É com certeza legal mas tem um nome: Caça à multa. Isto não é prevenção, é apenas estatística. Tudo o que ponha em causa a segurança rodoviária deve ser alvo de penalização. Peso a mais, molho, tomate a cair. Agora matrículas sujas, «cercos» a fábricas, etc é imoral”, acusa Pedro Ribeiro.

O autarca diz ainda que “há ações que, apesar de legais, apenas reforçam o sentimento contra quem as pratica” e garante que está à vontade para falar porque enquanto autarca tem feito tudo o que pode para dotar as forças de segurança de melhores meios e para as defender muitas vezes de críticas injustas.

“Temos feito muito mais do que nos exigem as nossas competências. Por tudo isso tenho «moral» para esta critica. Que me entristece mas que tem de ser pública”, remata.

A Rede Regional está a tentar obter uma reação do Comando Territorial de Santarém da GNR, o que ainda não foi possível.

At https://rederegional.com/