CIMAA retira apoio ao Alpalhão Art & Walking Festival 2018 por exigência camarária?

art and walking

“O Festival de Arte e Caminhadas de Alpalhão 2018 – Alpalhão Art & Walking Festival 2018 realizou-se em Alpalhão e nos territórios vizinhos do Alto Alentejo de 16 a 25 de Novembro de 2018. O evento foi um sucesso em toda a linha, tendo-se cumprindo integralmente o programa que se apresentava abrangente, versátil e ambicioso. Todos os momentos programados ocorreram sem qualquer perturbação do que estava previsto, com exceção do imprescindível envolvimento da autarquia onde o evento decorria e da retirada inusitada da CIMAA – Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo, precisamente em cima do acontecimento.

Esta iniciativa começa por ser inédita pelo facto de ter na sua génese o esforço promotor de duas instiuições do setor privado – o Hotel Monte Filipe como Promotor e a SAL Sistemas de Ar Livre como Organizador. Foram estas instituições privadas que asseguraram todos os custos de organização e desenvolvimento do programa. (…)”

Artigo de opinião: “Amor não se mendiga, amizade não se cobra, carinho não se pede”

Marcel Camargo 13697067_1758072054470876_3429572515567885758_nTer que ficar cobrando palavras, gestos, comportamentos, ter que lembrar nossa existência a alguém é por demais humilhante. Ninguém merece.

Existem certas coisas que não precisariam ser faladas, tampouco cobradas, de tão óbvias. Porém, passamos a vida lembrando algumas pessoas daquilo que elas deveriam já ter como hábito e isso cansa, diminui, abalando a autoestima de qualquer um. Se tivermos que lembrar aos outros o óbvio todos os dias, a todo instante, enlouqueceremos.

Amizade não deveria ser cobrada. Ter que correr atrás o tempo todo da pessoa, enquanto ela nem se lembra de que a gente existe, exaure a paciência mínima de um ser humano. Quando temos que, só nós, ficar mandando mensagens, telefonando, convidando procurando, é hora de repensar aquilo tudo, porque, provavelmente, a amizade somente existe em nós. Do outro lado, amizade é que não tem.

Carinho não deveria ser pedido, mas sim espontâneo, verdadeiro, necessário em quem oferta, tanto quanto em quem recebe. Carinho não somente se trata de toque, porque a gente se sente amado principalmente pelas atitudes do outro, pela forma como ele nos faz sentir, mesmo de longe. Ter que ficar cobrando palavras, gestos, comportamentos, ter que lembrar nossa existência a alguém é por demais humilhante. Ninguém merece.

Amor que se mendiga é tudo, menos amor. É o contrário de amor, é o que contraria o amor em si. Sentimentos vêm de dentro e transpiram por todos os poros, materializando-se no encontro que transforma, no calor que motiva, na certeza que acalma, no abraço que reinicia. O amor precisa se expandir, precisa ser expresso, dito, ouvido, vivido, sem melindres, sem rodeios. Se houver carência de um ou de outro lado, não há reciprocidade e, então, amor nem tem.

Nossa sobrevivência em muito dependerá do discernimento entre o que é luta digna e o que nada mais é do que insistência servil. Lutar pelo que queremos não significa implorar por atenção, por amizade, por carinho, por amor. A dor da consciência sobre quem não está mais junto sempre será uma oportunidade de recomeço. A dor da solidão acompanhada, porém, jamais nos tornará dignos de sentimentos verdadeiros e recíprocos. É isso.

Marcel Camargo

At https://www.contioutra.com/

Opinião: “O que são fakenews?”

raquel-varela_1349828739Já ouviram algum amigo, um aluno, um deputado dizer «eu penso isto, é a minha opinião, logo tenho razão». Bom, isto é uma fakenews.

Vou contribuir com uma pequena explicação histórica e filosófica, que parece complicada, mas que é necessária. E, creio, fácil de compreender. De outra forma não compreendemos a pós-verdade ou as fakenews.

Sempre existiram mentiras. De indivíduos, colectivos e Estados. São tão antigas como a humanidade.Por isso todas as sociedades desenvolveram modelos de reprimir mentiras, da reprimenda a outras sanções mais graves.

Mas hoje nós temos um outro paradigma, mais perigoso. Em que não há mentira ou verdade, apenas opinião de cada um. Porquê? Somos essencialmente sociedades filhas das revoluções burguesas – como a revolução francesa – nas quais a burguesia lutou para acabar com a razão divina, ou seja, o irracionalismo, o poder do Rei e de Deus. E colocá-lo – ao poder – no Homem, em defesa da ciência, da educação, e por isso também do laicismo. Isso é o iluminismo, é um grande avanço do capitalismo face ao que existia anteriormente, o poder feudal e da Igreja. Mas o que temos hoje, na fase de decadência do capitalismo, é um retrocesso face ao iluminismo, é o pós modernismo. No capitalismo a defesa da razão seria sempre limitada porque o critério da verdade é o indivíduo e o mercado. O que deu origem inevitável – sublinho inevitável -ao relativismo pós-moderno. Não há capitalismo, hoje, nem vai haver, sem pós-modernismo.

Porquê inevitável? Porque no capitalismo o critério é o indivíduo e isso é sempre relativo, é uma espécie de obscurantismo solipsista. É isto que levou a que tantos alunos nossos sem ler, sem estudar, sem compreender opinem sobre o que não sabem com convicção na frente de todos. E que muitos governantes ou politólogos etc. assumam posições sem sustentação e disso não se envergonhem. Porque o critério não é a verdade mas a opinião de cada um, a um individuo corresponde uma opinião, mesmo que ela não tenha qualquer verificação em factos reais.

Ora a verdade não está em nós, como indivíduos. Ela tem que ser sujeita ao exterior, a provas, factos, verificação empírica.
A razão que hoje domina o neoliberalismo e o capitalismo é esta, a razão instrumental, cujo critério é o individuo. Quando o que precisamos é de razão critica, em que o que pensamos tem como confirmação ou negação, ou crítica, metodologias externas a nós de verificação da verdade. Por isso se querem resolver um qualquer problema social a primeira coisa que precisam não é de um técnico mas de um filósofo, cientista social crítico. Vejo aliás com curiosidade ver o sociólogo Boaventura Sousa Santos, o pai do pós-modernismo de esquerda em Portugal, defender hoje abertamente, sofisticado como ele é, a razão instrumental e não a razão crítica. É que a esquerda em grande medida aderiu também a esta visão de que não há verdade, ela é instrumental.

Por isso, em suma, para os pós-modernos, por exemplo no meu campo, da história, que hoje têm muito peso nas Universidades – mesmo quando não sabem ou não assumem – o interesse não é pelos factos, acontecimentos, mas pelos discursos, símbolos, memórias. São no oficio diário contra o iluminismo, os Annales e o marxismo, porque, no fundo, no limite não há verdade – cada um pensa o que quer – e estuda o que quer. Mesmo aquilo que não tem grande interesse ou urgência social. Ou seja, o problema da pós-verdade está muito longe de ser restrito ao jornalismo, contaminando grande parte da produção intelectual social contemporânea. É ele também que dá aso a que pessoas impeçam outros de fazer humor ou arte porque se dizem ofendidas – já que o critério não é o da liberdade em arte, exterior a nós, mas da subjectividade de cada um. Se se diz ofendido pode impor ao outro a censura – mas chama-lhe politicamente correcto.

Evidentemente que quer nos media, nas artes quer na Universidade ainda há muitos bons exemplos que resistem a isto.

Dito isto e sem fugir ao assunto: sem condições de trabalho dos jornalistas a montante, com razão critica ou instrumental, tão poucos vamos resolver a questão das fakenews. Eles precisam de tempo para verificar fontes, dados, metodologias.

Raquel Varela

At Facebook

Dia Internacional dos Voluntários

dia intern vol 2018É a 5 de dezembro que em todo o mundo (pelo menos nos países que vivem em democracia) se celebra o Dia Internacional dos Voluntários (ou melhor, Dia Internacional dos Voluntários para o Desenvolvimento Económico e Social dos Povos), que se celebra desde 1985, fruto de resolução que as Nações Unidas tomaram no mesmo ano.

É comum as pessoas associarem o trabalho voluntário à ideia de que alguém em situação social ou económica tida como superior, se dispõe a ajudar pessoas ditas como inferiores, carentes e necessitadas de ajuda. É normal que haja gente que pensa assim. Até porque são inúmeras as situações em que a vertente paternalista, caridosa (no sentido incorreto do termo), assistencialista e subjugadora, está presente nesta atividade que afinal é de nobreza elevada. Também é comum os voluntários serem considerados agentes de perturbação do emprego, de impedimento do exercício de direitos que a outros pertencem ou usurpação de bens e serviços que se destinam a outros.

Mas o trabalho voluntário e cada ato voluntário, é algo bem mais profundo e sensível. Estender-se as mãos ao próximo, ao semelhante, é um ato que exige coragem e disposição para o compromisso, na doação de tempo e talento, generosamente, que pode e deve ser entendida como real solidariedade, aquela que não espera nada em troca. É um ato que exige que enfrentemos as nossas próprias fraquezas e limitações; e que demos passo em frente em relação ao outro, na promoção do seu bem-estar, da sua qualidade de vida e da sua felicidade.

É diante e conscientes das suas próprias fraquezas, que os cidadãos que se atrevem a ajudar, querem também eles se sentir melhores, curar as suas próprias feridas e superar as suas limitações, como quem, diante de uma grande onda, não recua, mas mergulha. A prática do voluntariado dá saúde e bem-estar. É bom para quem é ajudado e para quem ajuda.

Como diz a Lei 71/98, o “Voluntariado é o conjunto de ações de interesse social e comunitário realizadas de forma desinteressada por pessoas, no âmbito de projetos, programas e outras formas de intervenção ao serviço dos indivíduos, das famílias e da comunidade desenvolvidos sem fins lucrativos por entidades públicas ou privadas.”

Que a efeméride seja mais uma vez e realmente, um alerta e um apelo (diga-se mesmo, desesperado), a quem quer e não pode; e a quem pode e não quer, ser agente do modo mais sublime do exercício da cidadania: a prática do voluntariado.

Pela democracia e por uma cidadania ativa e responsável… Sejamos Voluntários!

Entroncamento, 1 de dezembro de 2018

Banco Local de Voluntariado do Entroncamento

João António Pereira, presidente da Direção / Coordenador do BLVE