Arquivo de etiquetas: Portugal

Opinião: “sobre futebol”

raquel-varela_1_corCaríssimos adeptos. Percebi pelos comentários ao meu post que não sabem nada de futebol. Eu – que não sei uma única regra do jogo – passo a explicar-vos o que é o futebol em Portugal. E porque há um Berardo no meio disto tudo. Ou um Cristiano Ronaldo que foge aos impostos.

O Benfica ou outro grande não são clubes. Não são grupos de pessoas que se juntam para jogar futebol. São, principalmente, hoje um negócio. Tanto que se chamam SAD, isto é, sociedades anónimas (anónimas!), capitalizadas através da Banca, que forma juros com esses capitais – dinheiro que não vem de lado algum a não ser, mais cedo do que tarde, das nossas pensões e salários porque juros não pagam juros, só o trabalho real produz valor para pagar isso. Toda a Banca faliu em 2008, entre a falência da Banca estava por isso também uma massa de capitais das SAD. Junta-se a isto a isenção de impostos que estes clubes têm.

A partir do momento em que os valores entram na Banca geram investimentos não só em juros mas em títulos. Pode ser em fundos de pensões ou nas acções da empresa onde os adeptos trabalham. Por exemplo, o adepto Manuel trabalha na EDP, quanto mais cortarem o salário desse adepto na EDP mais a acções da SAD vão valorizar. É o que se chama meter uma corda à volta do próprio pescoço.

O Futebol é um desporto primitivo. Joga-se com os pés, reproduz aliás, historicamente, um campo de batalha ancestral. É mais fácil por isso mexer com milhões, porque mexe com instintos primitivos, cuja reprodução está na nossa natureza. Ao contrário de outros jogos para os quais é preciso saber mais elaborado o futebol tem a seu favor esta dimensão, será sempre de massas e o Bridge não. Não passa a ser mau por isso. O que é mau é o papel que ele tem na nossa sociedade. Não é mau – é inaceitável, é irrespirável. E, pelo menos na minha página, vão ter que conviver com a liberdade de opinião, toda a liberdade.

Como desporto primitivo e de contas obscuras, e de ligações políticas ainda mais obscuras, tem sido palco de histórias de violência sistemáticas. Com ligações políticas todos os anos denunciadas pela Segurança do Estado nos jornais como associadas a grupos extremistas. Quer isto dizer que são todos assim? Não, claro que não, a maioria de adeptos são pacíficos, mas a violência associada tem que ser pensada na sociologia.

Portugal é um país à venda, a Banca boa foi vendida aos espanhóis; vendemos portugueses como imigrantes-força-de trabalho e os governos têm orgulho nisso; vendemos casas aos estrangeiros, e vamos viver para 50 km do trabalho e dizemos que isso é “sair da crise”; e vendemos jogadores de futebol porque os produzimos em massa, através de clubes minúsculos que há em todo o país.

Estes clubes pequenos produzem aos 4, 5, 6 anos pequenos profissionais, que vivem o desporto já para um padrão que deve seleccionar os melhores. Os pais tiram assim os miúdos da cama às 7 da manhã ao Domingo com 6 anos na esperança de que sejam ricos, visto que já não acreditam no ensino para esse efeito. Os países ricos, que produzem cientistas, jamais produzem jogadores de futebol assim. O que fazem é virem comprá-los aos países pobres: Portugal, Brasil. Nenhum alemão sonha que o filho seja jogador de futebol porque sabe que essa é uma carreira para a maioria miserável, mal paga, e que acaba aos 30 anos. Para um país rico é desastroso porque não é uma economia produtiva. Só os tontos como nós acham isto o máximo.

Este negócio foi – de forma irresponsável e populista – abraçado pelos políticos e pelo Estado, de tal forma que em nenhum país do mundo se liga uma televisão – incluindo no atrasado Brasil – e se tem 4 debates de futebol ao mesmo tempo. Os telejornais são assim: política parlamentar (como se não houvesse política fora do Parlamento), catástrofes naturais (como se não houvesse política internacional e só tufões) e futebol (como se não existisse outro desporto, lazer, cultura, livros, teatro). Assim somos de forma totalitária bombardeados com aquilo que devia ser um jogo, de clubes, divertido e passou a ser um sistema totalitário de “cultura” onde nada mais floresce.

É tanto assim que a população Portuguese adepta ganhou um saber sobre futebol único – falam horas de um passe, de um golo, de um treinador. Não conseguem balbuciar duas linhas sobre dívida pública, mundo do trabalho, sistema de Governo, forma de Estado e resumem tudo a uma simplificação perigosa, o famoso “é tudo uma roubalheira”, mas conseguem estar horas a falar sobre futebol porque são educados através dos media – e, volto a dizer, de uma política de Estado irresponsável, para isso.

O futebol-negócio tem também se tornado cada vez menos interessante porque é padronizado para ser mais eficiente, toda a indústria implica padronização, raramente se passa em campo algo que não tenha sido já visto milhares de vezes. A este respeito aconselho verem a história da Democracia Corintiana ou da famosa selecção Holandesa Laranja que lutaram contra isto. E fizeram do futebol um jogo de celebração da vida, amizade, da vida em sociedade.

Como tudo no capitalismo o futebol passou a separar consumidores de produtores. A maioria das pessoas não joga futebol – vê futebol no sofá. Como a maioria das pessoas não anda a passear no jardim, mas vê telenovelas onde outros passeiam no jardim. Passivos. Por isso o futebol não é para a maioria um desporto, porque a maioria dos envolvidos não faz desporto, vê desporto. Temos a mais alta taxa de diabéticos da Europa e o maior número de adeptos, como acham que aqui chegámos? A jogar futebol nos bairros e fazer disso uma actividade de prazer com os amigos? Não, a pagar capitais bancários e direitos de TV.

No meio disto tudo há algo que me espanta – como é possível eu ser sócio de um clube que pague um ordenado de milhões e eu aceite isso? Sim, como é possível que estes sócios todos aceitem estes salários obscenos pagos a estrelas?

Dito isto, confesso que até nos clubes grandes eu tenho que pensar nas cores, reflectir por um segundo, e saber qual é. Não sei nada de futebol. Sei imenso de economia política do futebol. Carregamos nesta economia o que de mais atrasado há. Era bom que jogassem e se divertissem muito – para isso seria necessário reinventar o futebol como um clube de jogadores e não como uma indústria de capitais bancários produtores de juros.

Se em vez de adeptos ferrenhos e fanáticos, quando não violentos, a olhar a TV tivéssemos redução do horário de trabalho para a malta ter tempo e vida decentes e ir jogar com os amigos, que nem se importam de perder, porque estão ali para conviver, eu seria uma grande adepta do futebol. Como espaço de lazer e amizade. Isso seria futebol. Isto que temos hoje é tão só um negócio.

Saúde, minha gente !

Raquel Varela

At https://www.facebook.com/

A ver os adeptos de vermelho em massa no Marquês pensei que seria uma manifestação pela expropriação de Berardo. Pensei em juntar-me. Afinal é por um mais um dos grupos de futebol falidos que salvámos com dinheiros públicos depois da crise de 2008, e cuja t-shirt faz publicidade aos Emirados, um lugar que não existe, mas onde milhares de Berardos vestidos de branco e óculos pretos têm um apartado fiscal. Como diz um familiar meu “não me estou a sentir bem, preciso de tomar um pastel de nata”. Lamento mas é triste esta alegria. É que jogar futebol e gostar é uma coisa. Outra é que este seja o maior movimento social do país e o que mais junta gente num entusiasmo colectivo. Lamento que o Governo, o Presidente e os media incentivem isto. É bestialmente deprimente.

Opinião: “Os deslizes da ‘imprudência’.”

Patriarcado

Bruno CarapinhaO Patriarcado afirmou que a publicação de uma explícita recomendação de voto no Basta, no Nós Cidadãos e no CDS foi uma ‘imprudência’. Mas quer a publicação da recomendação de voto, quer a expressão usada para a comentar oferecem-nos confissões muito interessantes.

A primeira confissão é a da continuada interferência da Igreja na vida democrática do país, usando a adesão de crentes à confissão religiosa como mecanismo de exercício de poder sobre as suas vidas e opiniões políticas.

A Igreja vai a jogo, está no combate político, não paira acima da vida política – e, portanto, não pode continuar imune ao escrutínio mais apertado que esse posicionamento obriga. É a essa luz que se torna necessário um debate maior sobre a laicidade do Estado, sobre a sua omnipresença institucional, sobre os privilégios que esta confissão continua a ter no país e sobre os inúmeros mecanismos de financiamento directo e indirecto que insidiosamente vai conseguindo impor com o apoio expresso de alguns partidos.

A segunda confissão é a normalização da extrema-direita em Portugal. O Patriarcado deu o sinal de que mais facilmente se oporia ao PS e ao PSD do que ao Basta. Se isso não é a validação católica das mensagens xenófobas e autoritárias, não sei o que poderia ser.

O histórico da Igreja Católica não a ajuda. Ao longo de milénios, ela fez mensagens de apoio aos mais fracos mas conviveu sempre foi com os mais fortes; jurou proteger os marginais, mas perseguiu e apoiou a exclusão de minorias étnicas, religiosas, políticas, sexuais, etc. E, claro está, no último século, esteve quase sempre do lado dos fascismos e dos autoritários.

Perante a emergência de uma nova vaga autoritária global, a Igreja tem responsabilidades, quer na recusa da validação do extremismo antidemocrático, quer no efectivo combate à sua propagação. Ao permitir esta colagem, o seu contributo vai exactamente em sentido contrário. E confessa uma visão pequena do impacto e dos perigos de uma sociedade envenenada pela xenofobia, pelo obscurantismo e pelo ostracismo promovidos por movimentos como o Basta para o centro da mensagem católica.

A terceira confissão é a mais subtil e, por isso, mais perigosa. O Patriarcado não diz que errou. Não se demarca do apoio implícito às mensagens autoritárias e xenófobas, à reintrodução da pena de morte, à crítica à alegada inversão da escravatura com que o Basta sujou as ruas das nossas cidades.

Poderia dar-se o caso da página estar a ser gerida por um qualquer radical católico. Mas a Igreja não disse nada disso. Não emendou a mão. Perante a forte reacção nas redes sociais, apagou o post. Mas já deveria saber que, uma vez na internet, para sempre na internet.

O Patriarcado afirma que foi uma ‘imprudência’. Não era para publicar. Não era para se saber. Não quer o escrutínio. A Igreja quer continuar a fazer o que faz longe dos olhares dos outros, cujas vidas também afecta, mesmo que não sejam crentes. Perante as perguntas dos jornalistas sobre o apoio explícito a estes partidos, não o nega, escusa-se a comentar.

Publicar nas redes sociais expôs a Igreja, as máscaras caíram. Mas convenhamos que nada disto é novo. O recurso ao passa-palavra, às homilias, às orientações directas foram sempre os métodos habituais de uma intervenção que não cessa. Assim foi nas campanhas eleitorais, no referendo da IVG, na mobilização do seu aparelho social e institucional contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo ou em defesa dos contratos de associação de escolas privadas suportadas com dinheiros públicos – e em tantos outros processos.

Mas se o Patriarcado pensa que a coisa fica por aqui, deveria antes saber que a resposta dada é imprudência maior que a publicação. Não se demarcar, não fazer desta posição da tal federação uma posição minoritária, não a tirar do centro da sua mensagem, obriga a muitas perguntas – e a respostas mais profundas. Os outros também têm memória.

Bruno Carapinha

At https://www.facebook.com/

Opinião: “Berardo e o Estado”

raquel-varela_1_corAinda sobre Berardo e o Estado cumpre-me contar três histórias que conheço de quem paga estas contas. Além, claro, dos contribuintes como nós que pagamos serviços públicos que não funcionam.

A L. foi dar aulas para o Oriente, filha de pais humildes, ficaram desempregados para cortar custos depois de 2008, cortes que foram para pagar a Banca. De lá manda dinheiro para os pais. Ficámos com menos um quadro no país.

O M. da Madeira, estivador, perdeu a casa porque para lutar contra os salários baixos sindicalizou-se no SEAL- Sindicato dos Estivadores, e como retaliação foram-lhe retiradas horas extraordinárias.

E a Lídia O. que deu a cara publicamente contra a falência da Moviflor, também perdeu a casa, o emprego. Não perdeu a dignidade e ajudou a fundar uma Associação, A Casa, de defesa dos direitos dos trabalhadores.

O que é importante aqui -, além de dar voz aos exemplos de dignidade humana por oposição ao lixo moral que representa o sector financeiro -, é que não foi Berardo que desenhou o sistema legal que permitiu isto – foi o Estado. E o Estado não somos todos nós. Não nos escondamos no senso comum, que repete que o poder económico domina os Estados. Não é verdade. O poder político tem sempre a última palavra. E deu-a a Berardo. Que conservou a sua casa, a sua Associação, a sua colecção, a sua quinta, impune. Em 11 anos desde a crise nunca ninguém entrou com uma bateria de polícias e inspectores na sua casa. Mas o mesmo Estado levou uma semana a entrar na Ordem dos Enfermeiros e vasculhar as contas – abrindo um precedente gravíssimo para todos os sindicatos e ordens, com o claro propósito de amedrontar quem ousa lutar por si e pelos serviços públicos.

Raquel Varela

At https://www.facebook.com/

Opinião: “Aumento da idade da reforma”

Sobre a proposta de aumento da idade da reforma para os 69 anos pela Fundação Francisco Manuel dos Santos (Grupo Jerónimo Martins), deixo aqui o meu comentário curto:

Não existe ciência neutra, existe ciência séria. O estudo pode estar bem ou mal realizado, mas não passa a estar mal feito porque é financiado por um grupo de supermercados.

Discordo totalmente do estudo não por as contas serem enviesadas (não conheço, nem tenho razões para achar que o foram, pelo contrário) mas porque os pressupostos metodológicos do estudo, que são públicos e conhecidos, são diametralmente opostos aos meus e de vários colegas com quem trabalho na área da sustentabilidade da segurança social:

1) o estudo parte pressuposto de que não podemos aumentar os salários. Isto é, com salários de 600 euros e esta demografia a segurança social é insustentável. Eu, o Eugénio Rosa, o Pedro Nogueira Ramos e muitos outros que fizemos estudos sobre a segurança social partimos de outros pressupostos – não há um problema demográfico, nem económico. Quem reformou-se com 2 mil euros está a ser pago por quem ganha 600 euros – é isto que torna a segurança social insustentável. Isto não é um problema demográfico, nem económico, é um problema de relações laborais. Grave.

2) A esperança média de vida aumentou até aqui porque havia condições favoráveis sociais e económicas. Essas estão em decadência, é muito provável que daqui a uma década de maus salários, ma alimentação e ma saúde a EMV vá cair. Estamos ainda a celebra a revolução dos cravos e os seus efeitos, só daqui a 2 décadas vamos ver os efeitos na esperança média de vida do neoliberalismo.

3) Mesmo não contabilizando este facto a esperança média de vida é muito diferente entre quem trabalha – quem trabalha por turnos por exemplo tem menos esperança média de vida, os homens têm menos do que as mulheres, etc, pelo que fazer médias para calcular a reforma é errado. Nem todos vivemos o mesmo.

4) A esperança média de vida com saúde em Portugal é 13 anos abaixo da EMV. Ou seja os portugueses quando se reformam, e mesmo antes, estão já doentes. Aliás o que este estudo vem dizer – e essa é a conclusão – é que nenhum português vai trabalhara até aos 69 anos, mas vão entrar de baixa médica e reforma antecipada – a metade do valor – muito antes dos 69 deixando de ser um «custo» para a empresa.

5) A produtividade por trabalhador é hoje 5 vezes superior ao que era quando foram criados os sistemas de segurança social há 40 anos. Ou seja, pode haver menos 5 pessoas a trabalhar (mais 5 pessoas a ir para a reforma) por cada um que trabalha quando comparado com há 40 anos. Deve-se portanto usar essa produtividade para – no mínimo – reduzir os lucros das empresas, reduzir o horário de trabalho, diminuir a idade da reforma para os 60 ou menos.

A minha conclusão é a seguinte. A Fundação FMS (financiada pelos supermercados Pingo Doce) é um espelho da burguesia ou elites, como prefiram, deste país. Perante a escassez de força de trabalho que vai previsivelmente aumentar os salários propõem que a Segurança Social assuma os custos das empresas (ou que importemos migrantes baratos para aumentar a concorrência no mercado de trabalho – estas são as duas áreas de estudos da FMMS – aumentar a idade da reforma e aumentar o número de migrantes porque o Pingo Doce não terá força de trabalho a prazo de outra forma, mantendo os lucros). Ninguém vai trabalhar até aos 69 mas aos 55, 58, mortos vivos vão deixar de receber salário no Pingo Doce e passar a receber uma meia pensão da Segurança Social…É a eterna dependência do Estado que os grupos económicos portugueses mantêm historicamente. É, numa palavra, a incapacidade cabal de os de cima governarem, terem um projecto de país e bem estar, para o conjunto da população. É o salve-se a família Jerónimo Martins e os seus accionistas, mesmo que destruindo a Segurança Social e , por isso mesmo, a vida civilizada. Si, em sociedades urbanas, sem apoios de grandes famílias rurais, a vida civilizada é insustentável sem um forte Estado Social.

Não existe ciência neutra – mas existe ciência séria que se faz a pensar metodologicamente no bem estar geral. É essa a ciência que produzimos. Porque o bem estar colectiva é fundamento primeiro da liberdade individual. E por isso da vida civilizada.

At https://www.facebook.com/

Candidaturas abertas à Porta 65 Jovem

porta65_epm-1024x683

Programa Porta 65 Jovem tem como objectivo regular os incentivos aos jovens arrendatários, estimulando:
• Estilos de vida mais autónomos por parte de jovens sozinhos, em família ou em coabitação jovem;

• A reabilitação de áreas urbanas degradadas;
• A dinamização do mercado de arrendamento.

Este programa apoia o arrendamento de habitações para residência, atribuindo uma percentagem do valor da renda como subvenção mensal.

O próximo período de candidaturas ao Programa Porta65 decorrerá entre as 10h do dia 16 de abril e as 18h do dia 21 de maio de 2019 (hora do continente).

Caso não tenha essa senha deverá solicitá-la no Portal das Finanças em http://www.portaldasfinancas.gov.pt/.

At https://www.portaldahabitacao.pt/pt/porta65j/

Comissões de utentes do Médio Tejo também não querem portagens na A23

A23 Médio Tejo _20190410_120934_5caef8683de0e

As comissões de utentes do Médio Tejo deslocaram-se esta quarta-feira, 10 de Abril, ao Ministério das Infraestruturas para deixar mais de 12 mil assinaturas de utentes do distrito de Santarém e, em particular, do Médio Tejo contra o pagamento de portagens nas duas autoestradas que atravessam o território. Os utentes querem levar o novo ministro a olhar para as autoestradas 23 (Torres Novas/Guarda) e 13 (Tomar/Coimbra) de uma outra forma. “Aquilo que devia ser uma via para circular vida é, afinal de contas, um entrave físico, social, económico e financeiro para as populações” sustentou Augusto Figueiredo, porta-voz das comissões.

Nesta reunião foram recebidos pela chefe de gabinete e pelo adjunto do novo ministro Pedro Nuno Santos, que não adiantaram muito mais do que aquilo que as comissões pretendem, que este problema seja olhado de forma diferente, tanto mais que este é um novo ministro. Como tal não deverá alegar desconhecimento desta situação que existe e afeta um número considerável de cidadãos. “Muito mais do que a forma como fomos recebidos é qual é a ação que o governo vai ter? Qual é a ação que a Assembleia da República vai ter? Vamos continuar a lutar e a sensibilizar e com certeza que as comissões vão continuar a encontrar formas de manter na agenda política a questão da abolição das portagens.”

Augusto Figueiredo adiantou que este não é um problema da saúde, ou exclusivamente da saúde, embora reconheça que é a esse nível que se sente mais esta questão. Se um cidadão tem de circular entre os três hospitais do Médio Tejo, Abrantes, Tomar e Torres Novas, tem vias com portagens entre eles. O argumento de que poderão utilizar as vias nacionais ou municipais começa a esgotar-se porque estas não estão preparadas para o aumento de tráfego e isso reflete-se no número de acidentes rodoviários que tem crescido no distrito assim como o número de vítimas mortais que é, segundo os últimos dados, uma por semana.

Em Outubro, as comissões de utentes voltaram à carga com este abaixo assinado que reuniu mais de 12 mil assinaturas e prometem voltar com outras formas de luta se os governantes não olharem de outra forma para os verdadeiros problemas das comunidades. E se em 2011 a conjuntura levou à aplicação das portagens, hoje a situação é completamente diferente e Augusto Figueiredo questionou mesmo “se o dinheiro investido nos bancos falidos não chegaria para melhorar bastante serviços públicos e acessibilidades”.

O porta-voz adiantou que aos representantes do ministro Pedro Nuno Santos foram transmitidas quatro grandes preocupações dos utentes do distrito de Santarém: As acessibilidades sem portagens na A23 e A13; a saúde nos cuidados primários e nos quatro hospitais do distrito; a circulação rodoviária em geral e o aumento de vítimas mortais; e também o ambiente e a qualidade de vida.

Augusto Figueiredo reconheceu que já foram tomadas medidas que pretenderam mitigar este grande problema como a diminuição das tarifas das portagens ou a diminuição do preço do gasóleo para os pesados, mas não chega. É preciso que as medidas cheguem ao cidadão para que estes não fujam das duas vias rápidas e “inundem” as vias municipais das vilas e aldeias ribatejanas.

Estes movimentos de utentes têm eleições anuais e por isso estão sempre em movimento, nas lutas que as pessoas querem e ficou já meio anunciado que novas lutas de avizinham quanto à água do Tejo, à saúde, a uma melhor qualidade do serviço postal: “É isto que os utentes nos dizem. Tomem lá a nossa confiança.”

A Antena Livre teve conhecimento da forma como foi agendada esta audiência. A recolha de assinaturas aconteceu quando ainda estava no Ministério do Planeamento e Infraestruturas o ministro Pedro Marques. As mesmas foram enviadas via postal para o ministro. Mas como não foram levantadas pelo governante na estação dos correios, foram devolvidas à comissão de utentes. Como depois o socialista Pedro Marques saiu para a candidatura a Bruxelas e entrou Pedro Nuno Santos, a comissão de utentes entendeu agendar uma reunião presencial e entregar, em mão, as mais de 12.200 assinaturas recolhidas no Médio Tejo a exigir a abolição das portagens. Não chegaram a falar com o novo ministro das infraestruturas, mas deixaram “o pacote” à chefe de gabinete e ao adjunto.

Jerónimo Belo Jorge

At https://www.antenalivre.pt/

Opinião: “PS – Razões de uma desfiliação”

Raul Martins AveiroNuma assumida mas dolorosa decisão pessoal, decidi desfiliar-me do meu partido de sempre, no qual militei empenhadamente e desempenhei as mais variadas funções, tendo para tal remetido o respectivo pedido ao Presidente da Concelhia a que pertenci. Nessa carta enumero as razões fundamentais de tal afastamento, que abaixo transcrevo, reconhecendo sentir que já não tenho ânimo nem vitalidade para, antes que a barca venha, conseguir ajudar a alterar o rumo que, desafortunadamente, o PS vem a prosseguir. Deixo essa tarefa a outros mais novos que ainda acreditam na possibilidade de fazer retornar o PS à pureza dos seus princípios políticos, económicos e éticos, originais.

1- Estratégia económica e social do partido.

O PS, no passado recente, definiu como sua uma estratégia de crescimento económico fortemente apoiada no consumo público e privado, relegando para segundo plano o investimento e as exportações.

Esta opção, muito saudada por alguns “jovens turcos” joga, no meu entender, um importante papel no nosso futuro colectivo comum, principalmente porque os resultados positivos de curto prazo desta política não escondem os caminhos já antes percorridos e prenunciam um regresso de uma qualquer troika, nomeadamente quando se verificar a normalização da política monetária que o Banco Central Europeu vem a adoptar.

O problema apresenta ainda, a meu ver, uma maior gravidade quando se verifica que o aumento da despesa pública corrente tem sido feito à custa do aumento de uma carga fiscal que atingiu um patamar brutal e o consumo privado se tem baseado na diminuição do nível das poupanças e, pior do que isso, no crédito, que está a gerar uma bolha que, mais dia menos dia, vai rebentar.

Sob a falaciosa ideia que não é necessário poupar porque o mesmo Estado que hoje permite a degradação dos serviços públicos por falta de verbas ou cativações, de todos vai cuidar no ocaso das suas vidas, desincentivando a poupança ao mesmo tempo que elimina os parcos estímulos ao aforro que ainda existiam, o que diminui a capacidade da nossa resistência colectiva a futuras e anunciadas crises, bem como o stock de capital que deveria ser destinado ao financiamento da inovação e dos sectores produtores de bens transaccionáveis da nossa economia, base da criação de emprego e crescimento económico estável.

Para garantir, no curto prazo, alguns resultados políticos eleitorais, estamos a esbanjar a oportunidade de construir um futuro melhor para os nossos filhos. E escusam de nos vir dizer que as perspectivas das agências de rating sobre a dívida portuguesa sobem ao sabor do aumento dos combustíveis porque já todos sentimos na pele como tudo isso rapidamente se altera. Basta um espirro da economia mundial ou uma pequena alteração na política do BCE. E não é obviamente a estratégia económica que o PS está a percorrer que faz aclarar as nuvens negras que se vislumbram no horizonte.

2- Estratégia política do partido.

Ao arrepio da tradição e da história do PS esta direcção celebrou um acordo contra-natura, de sobrevivência política, com o PCP e particularmente com o BE, trilhando os caminhos de uma perigosa deriva esquerdista que, certamente, faz dar voltas no túmulo a muitos dos “pais fundadores” do partido. E se, embora não concordando com o seu ideário político, considere o PCP um partido sério que assume e respeita os acordos celebrados, já o mesmo não poderei dizer do BE, partido sem ideário político estável que vai alimentando o seu eleitorado com as chamadas medidas “fracturantes”, aliás muito em voga, e o apoio a acções politiqueiras e frentistas a pensar única e exclusivamente nos seus ganhos eleitorais futuros, esquecendo que para dividir o “bolo” da economia é necessário, antes do mais, criá-lo.

Embora tenha algumas reservas éticas não ponho em causa a legitimidade política e constitucional do acordo de governação celebrado. Constato, no entanto, que tem conduzido a um crescente “parasitismo político” por parte do BE, que apregoa aos sete ventos que todas as medidas, mesmo que desacertadas, que têm tido aplauso público a eles se devem e culpa o PS de todas as medidas menos populares que, obviamente, a governação de um País exige que sejam tomadas.

E de tal forma sentem que as suas propostas populistas e os manifestos do seu parasitismo interesseiro estão a ser bem recebidas pelo eleitorado (ao contrário do que infelizmente prevejo poder vir a acontecer ao PS), que já falam abertamente no “aprofundamento das relações com o Governo” após as próximas eleições e no seu desejo de participar no próximo Executivo. E como antevejo, que, se for necessário para a sua manutenção no poder, como penso ir acontecer, o PS vai aceitar partilhar o Governo do País com um partido que repudia a União Europeia, a NATO bem como os princípios políticos que sempre defendi, e como esse facto iria fazer evoluir desfavoravelmente o enjoo que já actualmente sinto, acho melhor, por respeito à alimentação que ingiro, não pertencer ao partido quando isso acontecer.

3- Promiscuidade Política

Há muito que todos sabemos que, salvo raras e honrosas excepções, o mérito não é, como deveria ser, a chave para o sucesso profissional e social que entre nós, comummente, assenta no nome de família, na cunha, no compadrio, nas tertúlias e jantares de amigos e familiares, na orientação sexual, etc., que, com uma regularidade repugnante, se sobrepõe a um curriculum profissional digno e adequado. E esse triste e promíscuo “fado” que é transversal a toda a sociedade, atinge o seu apogeu nos partidos políticos. Daí os lugares de “chega-me isto” junto de um qualquer político influente serem tão cobiçados como ponto de partida de um percurso de “capataz” político, que obriga amiúde os neófitos a jurar lealdades eternas e, por vezes, a percorrerem caminhos bem tortuosos que só esmiuçados permitem compreender determinadas posições e evoluções futuras. Tudo por uma “vidinha” em circuito fechado que não fora esse trajecto nunca conseguiriam alcançar. E tudo isto conduz à captura do Estado pelas elites urbanas e partidárias, cancro fatal que mina fatalmente a nossa sociedade e que urge extirpar.

O PS não é imune ao crescimento deste “fadário”, que aliás tem criado fortes raízes e prosperado, a que se vem juntando o emaranhado de relações familiares entre membros do Governo, facto que, por si só, pode fazer baixar fortemente as intenções de voto em próximas eleições. Não que nos outros partidos e Governos não exista, ou tenha existido entre todos aqueles cuja vida começa e acaba no partido, um elevado grau de endogamia baseada nas amizades íntimas, matrimónios ou consanguinidade. Não só porque, o nível a que chegou, pode gerar conflitos de interesses nas “guerras” pelos recursos, sempre limitados, do Orçamento do Estado definidos no Conselho de Ministros a que alguns pertencem (ou podem fazer lobby familiar), mas essencialmente porque o PS sempre se arrogou de ser o bastião da “Ética Republicana” à qual não basta o simples cumprimento da lei em vigor. “Ética Republicana” que, aliás, reconhece que a criação de uma oligarquia endogâmica é o patamar do aparecimento das tiranias.

Infelizmente alguns governantes, tem vindo a pôr sal nesta ferida, elogiando os seus familiares ou cônjuges nomeados ou escolhidos para o exercício de importantes cargos políticos e outros, alimentando a polémica e confundindo os eleitores, pois declaram tantas competências e qualidades aos nomeados que ficamos sem compreender porque é que estes não ocupam, por apregoado mérito, o lugar de quem os elogia.

Mais do que criar, para uso próprio, legislação de moralização política é fundamental erradicar esta perversa forma de actuação com uma grande dose de bom senso que, como aconteceu recentemente com a lei das incompatibilidades dos deputados que tiverem mais de 10% em sociedades de advogados (na AR existem 42 advogados), parece estar arredada dos actuais parlamentares do PS, que, não pretendo me continuem a representar.

– Finalmente, e para que não existam quaisquer dúvidas sobre a matéria, afirmei ao Dr. Manuel Oliveira de Sousa que a decisão que tomei nada tem a ver com a forma como tem dirigido a política concelhia local. Fui seu apoiante, recebi-o no partido quando era presidente da concelhia, e saio do partido a apoiá-lo. Não por sempre ter concordado com as posições que a concelhia tomou. Mas quando pontualmente tal não aconteceu, foi sempre o primeiro a quem pessoalmente transmiti as minhas discordâncias, particularmente, da posição de voto desfavorável da descida do IMI para 4% (embora reconheça que era possível ter ido mais longe) e da oposição à construção de um parque de estacionamento em cave no Rossio, e augurei-lhe os maiores êxitos pessoais e políticos esperando que a nossa amizade, bem como muitas outras que ao longo destes anos criei no partido, sobrevivam à minha saída.

Mas aproveitei para lhe aconselhar alguma precaução pois os poderes “ocultos” que governam (ou julgam governar) o partido em Aveiro não deixarão de lhe dar o bote quando acharem que poderá embaraçar a evolução das suas “vidinhas” ou uma eventual mudança nos destinos políticos locais (cuja dificuldade é óbvia e exige todo o esforço e dedicação para que muitos não estão disponíveis) o tornarem “descartável”.

E não deixarei de ser apoiante do socialismo democrático na linha da verdadeira social-democracia europeia, defensor de uma sociedade livre, assente na justiça e na equidade, aberta à diversidade, à iniciativa, à inovação e ao progresso e militante de uma construção europeia orientada por princípios da cooperação, solidariedade e respeito por uma relação equilibrada e sustentável entre o homem e a natureza.

Apenas não serei filiado deste PS.

Raul Martins

(Publicadas no Diário de Aveiro de 10 de Abril de 2019)

At https://www.facebook.com/

“Portugal Air Summit” regressa a Ponte de Sor

Ponte de Sor Air Summit 56614147_2266396390278402_7314511763888668672_n

O maior evento do setor aeronáutico nacional regressa a Ponte de Sor sob o tema “Powering Human Capital”, permitindo a possibilidade a todos os interessados de obter informação privilegiada sobre as carreiras disponíveis em Portugal, empregabilidade e formação pessoal, assim como as soft skills e qualificações que um profissional do setor deverá possuir, com especial enfoque na formação e nas saídas profissionais.

A maior Cimeira no setor aeronáutico regressa a Ponte de Sor, para a sua terceira edição, que vai decorrer entre 30 de maio e 2 de junho.

O Aeródromo Municipal de Ponte de Sor, chave do cluster aeronáutico, volta a receber algumas das entidades e personalidades mais relevantes da indústria, infraestruturas e serviços, para debaterem e analisarem o futuro dos setores da aviação tripulada e não tripulada, defesa e espaço.

À semelhança do ano anterior, o Portugal Air Summit apresenta novamente o ARC – Air Race Championship , uma corrida de aviões, única no mundo, onde vão participar alguns dos pilotos de elite mais conceituados a nível mundial.

Saiba tudo em : www.portugalairsummit.pt