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Artigo de opinião: “Ponte de Sor”

Ricardo RioPonte de Sor é sobretudo a imagem de um Portugal que sonha mais alto e faz acontecer.

Ponte de Sor é uma novel cidade do distrito de Portalegre, a 150 quilómetros de Lisboa, cujo nome se deve à ponte romana que atravessava o Rio Sor desde o ano 115 d. C..

Assim a caracterizou sumariamente o Professor José Hermano Saraiva num dos seus Horizontes da Memória, em que não deixou também de aludir ao facto de esta localidade ser dos maiores centros de produção de cortiça do País, situação que se mantém na actualidade.

Importa este enquadramento sumário porque, para muitos, Ponte de Sor apenas será associada às malfeitorias dos filhos de Embaixadores do Médio Oriente nos seus tempos livres.

Para outros, Ponte de Sor, é a guardiã da história do malfadado processo dos Kamovs da Everjects, onde se encontram parados em instalações seladas pela ANPC para apoio às investigações e diferendos judiciais em curso.

Para outros ainda, a localidade é indissociável dos feitos do Eléctrico Futebol Clube, a colectividade que vem marcando presença em anos recentes na Liga Profissional de Basquetebol e que este ano subiu também a sua equipa de futsal ao escalão máximo da modalidade.

Mas, o que quase todos desconhecerão é que este concelho com quase 17 000 habitantes tem vindo a cumprir uma trajectória consistente de conquista de espaço na interacção com a indústria aeronáutica, quer na captação de empresas multinacionais, quer no apoio a projectos nacionais de elevadíssimo potencial (como é o caso da Tekever), quer até na incubação de empresas inovadoras. Ao mesmo tempo, é hoje um espaço de referência na formação de pilotos, atraindo várias centenas de alunos internacionais todos os anos, em ligação às empresas de referência no sector.

Mas, neste espaço, Ponte de Sor é sobretudo a imagem de um Portugal que sonha mais alto e faz acontecer, longe das luzes da ribalta dos protagonistas de sempre.

Ricardo Rio

Presidente da Câmara Municipal de Braga

At http://www.cmjornal.pt/

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Artigo de opinião: “AMALENTEJO/ALENTEJO MELHOR”

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Podemos ou não Amar o Alentejo e querer um Alentejo Melhor?

Claro que sim. Mas…

Participei, como convidado, no Congresso organizado pelo Movimento Melhor Alentejo que trouxe a Portalegre muitas dezenas de alentejanos e não alentejanos, os deputados eleitos pelo distrito, autarcas, académicos, empresários, dois ministros da República, muita comunicação social: a regional, mais as televisões e o Presidente da República.

Para além do figurino que colocava a maioria como ouvintes do que os especialistas tinham para “contar” e dalguns esquecimentos que se fizeram notar e que adiante recordarei, reputo de interessantes quer os objetivos quer os painéis.

Encontrei entre os inúmeros presentes muitas das caras que haviam estado há apenas quarenta e nove dias numa iniciativa com objetivos e título iguais, realizada em Castelo de Vide por um outro movimento cidadão o AMALENTEJO.

Que terá mobilizado os alentejanos para num tão curto espaço de tempo reunirem em congresso, duas vezes no mesmo distrito?

E eram os mesmos? Pessoas e identidades?

Sim, ou quase!

Vejamos! Em Portalegre, como em Castelo de Vide estiveram os empresários e as suas organizações. Estiveram os técnicos e especialistas nas várias áreas fundamentais para um desenvolvimento sustentado, estiveram os autarcas, as instituições do ensino superior, o Turismo, os deputados eleitos pela região.

Em Castelo de Vide estiveram, também, e falaram os Partidos Políticos com assento parlamentar e O Sr. Presidente da Assembleia da Republica fez-se representar.

O Senhor Presidente da Republica e dois Ministros estiveram e Portalegre.

A comunicação social esteve em ambos os congressos mas as televisões só em Portalegre.

Então qual a diferença?

A diferença chama-se PS. Este partido, que em Castelo de Vide não só não esteve como pressionou para que não estivessem as instituições onde “é poder” e agora, optou por estar e trabalhou para que todas as instituições onde “mexe”, governo incluído, não faltassem.

E quanto a conteúdos e, sobretudo, resultados?

Quanto a conteúdos, um e outro foram extremamente ricos. Já quanto a resultados nem um nem outro atingiram as expetativas e particularmente as necessidades da região.

É certo que a satisfação ou insatisfação com que ficamos tem a ver com a expetativa criada e, nesse aspeto, porque eram altas as expetativas criadas em particular com algumas das reivindicações do Alto Alentejo, o Congresso de Portalegre foi pior.

Foi-o porque o esperado (re)anunciar do Pisão não se concretizou, porque os ministros que por aqui passaram (apesar de apressada, a vinda a Portalegre já foi um avanço) se limitaram a cumprir calendário e o primeiro não conhecia sequer, ou fingiu não conhecer que o que necessitamos e queremos para o Pisão é um empreendimento de fins múltiplos, fundamental, para o reforço de abastecimento público de água, para o desenvolvimento da agricultura, para a atividade turística, etc.. etc..

Por último e para aumentar a nossa desilusão o constatar que também o Presidente da República não tem acompanhado quer as nossas preocupações quer o nosso trabalho.

Saudar a vontade dos alentejanos mas dizer-nos que hoje já é tarde é ter andado distraído ou pensar que nos esquecemos que ele não aceitou `há menos de dois meses, estar connosco em Castelo de Vide.

Colocadas estas questões importa agora definir os próximos passos e decidir, antes de mais, se esse caminho deve ser feito duplicando esforços e iniciativas ou se há margem para responder positivamente ao desafio do Presidente e unificar esforços vontades e vozes.

Ou seja, é necessário saber se o Partido Socialista não vai fazer mais “birrinhas” e se é possível e desejável constituir Um AMA(MELHOR)ALENTEJO!

Diogo Júlio Serra

At https://www.jornalaltoalentejo.com/

Artigo de opinião: “Estranhíssimo”, disse Cavaco

Cavaco CSRS

Cavaco Silva classificou de “estranhíssima” a decisão de substituir Joana Marques Vidal. Já eu classifico de “estranhíssimo” o facto de não haver um único dos seus amigalhaços do BPN atrás das grades, apesar da épica cruzada da PGR cessante. Ele há coisas estranhíssimas, não há?

Mas, uma vez que estamos no campo do “estranhíssimo”, quem se lembra daquela vez em que o candidato Cavaco convidou uns quantos amigos da Sociedade Lusa de Negócios, dona do BPN, para a comissão de honra da sua segunda candidatura à presidência da República? Entre outros “notáveis“, estava lá Fernando Fantasia, o tal da célebre (e estranhíssima) permuta na aldeia do cavaquistão, esse grande amigo de Cavaco Silva que nos deve quase 250 milhões de euros. Por falar em dívidas, alguém me sabe dizer se Cavaco Silva já pagou o que nos deve do IMI que não pagou da sua residência na rua do BPN? É no mínimo estranhíssimo que um político tão experimentado, que ocupou os mais variados cargos, incluindo a pasta das Finanças, não conheça as suas obrigações fiscais.

Mais estranho do que os banqueiros escolhidos por Cavaco Silva para a sua comissão de honra, só mesmo o grande negócio que fez com o seu ex-secretário de Estado e amigo de longa data, Oliveira e Costa, a quem em 2001 comprou 105.378 acções da SLN, a 1€ cada, e que vendeu, dois anos depois, com um lucro a rondar os 150%. Ele a sua filha, que também obteve mais-valias generosas das mãos de Oliveira e Costa e Dias Loureiro. Será essa a mesma filha cujo marido comprou o Pavilhão Atlântico em preço de saldo?

Por falar em banqueiros de bancos criminosos, e em ex-presidentes sem noção que se chocam com coisas “estranhíssimas”, que dizer da nomeação de Dias Loureiro para o Conselho de Estado de Cavaco Silva e do facto de Cavaco o ter protegido, enquanto pôde, debaixo da sua asa presidencial? E daquela declaração estranhíssimanegada pelo próprio de forma bizarra e senil, através da qual Cavaco enlameou a presidência da República ao instar os portugueses a confiar no BES? E já que estamos no BES, qual foi mesmo o candidato presidencial cujo maior donativo de campanha teve origem na família Espírito Santo? Exactamente.

Ele há coisas estranhíssimas, disso ninguém tem dúvidas. E Cavaco Silva, o político que tentou convencer o país que não era político, é um profissional do estranho. Que o digam as cagarras! Estranhamente, todos os seus amigos e ex-colegas associados à criminalidade financeira (e não só) continuam cá fora, a dever milhões de euros aos portugueses que assumiram a factura do festim. E nem Joana Marques Vidal, a grande Joana Marques Vidal, conseguiu pôr cobro à situação, pelo que não há nada de estranho nas declarações ontem proferidas pelo indivíduo em questão. Estranho seria se os corsários de colarinho branco, muitos dos quais Cavaco conhece tão bem, estivessem atrás das grades, numa cela partilhada com escória da sua laia.

João Mendes

At https://aventar.eu/

Carga fiscal atingiu em 2017 um dos níveis mais elevados desde 1995

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Total de receitas de impostos e contribuições sociais ascendeu a 67 mil milhões de euros em 2017, contra 63,6 mil milhões em 2016

A carga fiscal aumentou em 2017 face ao ano anterior e atingiu 34,4% do Produto Interno Bruto (PIB), um dos valores mais altos desde pelo menos 1995, divulgou nesta sexta-feira o Instituto Nacional de Estatística (INE). Segundo dados atualizados do INE, a carga fiscal, que inclui receita de impostos e contribuições efetivas, subiu de 34,1% em 2016 para 34,4% em 2017, igualando assim o valor registado apenas em 2015, último ano do Governo liderado por Pedro Passos Coelho.

O total de receitas de impostos e contribuições sociais ascendeu a 67 mil milhões de euros em 2017, contra 63,6 mil milhões em 2016. Em maio, o INE tinha estimado uma carga fiscal de 34,7% em 2017 e de 34,3% em 2016, revendo agora em baixa estes valores no âmbito da segunda notificação a Bruxelas do Procedimento por Défices Excessivos. No mesmo documento, o instituto avança que o crescimento da economia referente aos anos de 2016 e 2017 foi de 1,9% e 2,8%, respetivamente, acima do previsto.

O conceito de carga fiscal define-se pelos impostos e contribuições sociais efetivas (excluindo-se as contribuições sociais imputadas) cobrados pelas administrações públicas nacionais e pelas instituições da União Europeia.

At https://expresso.sapo.pt/

Opinião: “Um blá blá por um Melhor Alentejo”

Antonino untitled_design_85Nesta semana, em Portalegre, ouvimos o Senhor Presidente da República, sempre presente e oportuno, e muitos outros especialistas falar de coisas e loisas nobres deste interior alentejano. Foi todo o dia e sem intervalos, já doía a cadeira. À falta de um dos três Ministros anunciados, ironizou-se, delicadamente, que tinha ido promover a agricultura a Angola. De facto, foi anunciar o apoio de 60 milhões de euros de fundos comunitários aos agricultores angolanos. Acreditamos que não seria por sentimentos de paternalismo ou de proteção nem pelo facto de os considerar pobres e desgovernados. Mas que a alta política tem lógicas, mecanismos e procedimentos que a nós, cá na província, é preciso fazer desenho para se explicar bem e fazer entender, lá isso é. Não é fácil de enxergar.

Na prática mais prática, este interior faz acrobacias para atrair verdadeiramente quem o possa estimular e ajudar a dar volta ao texto. Sabe que está esquecido, não sei se abandonado. Tem a consciência de que, cada vez com menos votos, por mais otimista que seja, dificilmente irá ver a luz ao fundo do túnel.

Em discursos e debates, porém, não há rincão deste país que lhe passe a perna. É sempre muito aplaudido e elogiado pela diversidade dos seus recursos, potencialidades e beleza por todos quantos querem mostrar saber e fazer figura por estas bandas! Mas pobres de nós os alentejanos por nascimento ou adoção!… Sei que não foi por mal, mas foi uma frase que me fez saltitar as vísceras e pular na cadeira. Alguém citou, com certeza sem querer dar ares de sabido nem nos querer dizer que somos os grandes preguiçosos de Portugal, alguém citou o que John Kennedy havia dito aos americanos: “Não perguntes o que a tua pátria pode fazer por ti. Pergunta o que tu podes fazer por ela”. Embora entenda o positivo de tal afirmação, naquele contexto em que até alguns aproveitaram para fazer propaganda política, foi, no meu pensar, mais um caneco de água fria a esmagar silenciosamente o entusiasmo inicial dos presentes, gente empreendedora, empenhada e sacrificada sem necessidade de grandes lições neste campo, mas com necessidade de se sentir reconhecida, estimulada e apoiada. Estavam também ali os autarcas concelhios e de freguesia do distrito, gente empenhadíssima e persistente no cuidar da qualidade de vida das suas gentes. Não se tratava de saber o que cada um pode fazer pelos outros e pelo país. Ali tratava-se de saber o que é que o governo que tudo centraliza, tem centralizado e não tem pressa em descentralizar, o que é que o governo pode e tem planeado fazer por esta gente, para que não desapareça, para que possa viver com esperança e dignidade, para que possa associar-se com gosto e determinação às tarefas que o futuro aponta e exige. Era um auditório de elite e de calos nas mãos há muito comprometida no desenvolvimento da região apesar de tantos cardos e espinhos, dificuldades e burocracias.

Felicito todos os intervenientes pelo seu testemunho e pelo rasgar de horizontes, embora, como é natural, me revisse mais numas do que noutras comunicações. Fosse qual fosse o ponto de vista abordado, fosse qual fosse o entusiasmo com que era exposto e apontado o caminho a seguir, houvesse ou não discordância mais ou menos determinada, todos tinham um objetivo comum: um melhor Alentejo. Foi de aplaudir!

Não seria tanto para isso, mas é verdade que nada de concreto e substancial saiu dali, quer como resposta ao que os alentejanos, desde há muito e por muitas vezes reiterado, têm como necessidade premente para um maior desenvolvimento da região, quer como incentivo à resistência destes alentejanos que se sentem escoados de massa crítica, da traquinice e sonho juvenil e de braços para o trabalho. A maior parte da gente que rodeia os que enchiam o auditório está já no render da guarda. Trabalhou muito, sofreu muito, não se divertiu muito, não se aposentou cedo, vive sem reservas e de economias apertadas, está cansada e a precisar de descanso, apoio e paz. Além disso, como toda a gente sabe e os jovens não ignoram, ninguém tem vocação para mártir. O martírio pode acontecer se tiver de acontecer. Não se provoca, não se procura, não se aguarda pacientemente. Por isso, embora com pena, se não há perspetivas de futuro, os jovens vão em busca de novos poisos e possibilidades. Quem o não faria, o não faz ou virá a fazer?..

Parabéns ao “Movimento de Cidadania Melhor Alentejo” pela reiterada e primorosa organização e pela elevada qualidade da iniciativa. Renovaram a nossa confiança no adágio: água mole em pedra dura tanto dá até que fura! Não há no país, com certeza, muitos movimentos destes a provocar o debate com nível e a fazer crescer a cidadania de que tanto precisamos. Na verdade, é preciso dizer e gritar bem alto que estamos vivos, somos gente, estamos aqui. Sobretudo quando a comunicação social de influência e a gente da esfera do poder estejam muito ocupadas com outros afazeres ou tenham outros centros de interesse.

Embora entendamos que, por vezes, não há qualquer outra alternativa, as solicitações são muitas, achamos que não é muito curial que os responsáveis convidados e a constar no programa venham apressadamente falar de cima para baixo e logo se ausentem dos debates que lhe dizem respeito em virtude das áreas a que presidem. A sua presença, mesmo que sem soluções para as coisas tratadas, o que é normal, é sempre manifestação de comunhão junto do povo e de interesse na busca comum do melhor para o país. E lá pelos intervalos sempre haverá espaço para umas selfies a fazer memória da efeméride.

D. Antonino Dias

Bispo da Diocese de Portalegre-Castelo Branco 

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PS e PSD de Mação juntos contra o Governo

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ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE MAÇÃO UNE-SE COM MOÇÃO DE APOIO

Foi aprovada por unanimidade ontem, 19 de setembro 2018, na Assembleia Municipal de Mação, uma Moção com o teor que transcrevemos em baixo e em que os membros da AM Mação assumem que “tendo a Câmara Municipal de Mação, através do seu Presidente, anunciado publicamente a possibilidade de intentar uma ou mais ações judiciais, e sendo essa uma competência própria do mesmo, manifestamos o nosso apoio e incentivamo-lo nesse sentido, esgotadas que estão as possibilidades de um diálogo profícuo em prol da nossa Terra e das nossas Gentes”.

Vasco Estrela, Presidente da Câmara Municipal de Mação, que recebeu o apoio de todos os eleitos, considera que esta decisão, tomada em unanimidade na Assembleia Municipal de Mação mostra que “o que está em causa não é uma questão política, mas de justiça”.

MOÇÃO

Considerando a forte discriminação, por parte do Estado Português, relativamente às vítimas dos incêndios de 2017 ocorridos no Concelho de Mação e, em particular, a falta de apoios do Estado aos Pequenos Agricultores e Criadores de gado, às Empresas e Agentes Económicos e ao Município;
Considerando que os apoios concedidos a outros concelhos do país nas mesmas condições consubstanciam uma evidente discriminação para com o Concelho que mais ardeu em 2017, assumida e reconhecida publicamente pelos Membros do Governo;
Considerando que, quer as empresas, quer as populações do Concelho de Mação, estão a ser gravemente prejudicadas pela falta de apoios dados pelo Estado;
Considerando que, ao longo do último ano, vários Membros dos Órgãos Autárquicos, da nossa Comunidade e um pouco por todo o País, se vêm manifestando contra esta injustiça;
Considerando as várias tentativas e os vários apelos que foram feitos, em particular pela Câmara Municipal de Mação, para que o Governo repensasse a sua postura e as suas decisões;
Considerando que a Assembleia da República aprovou uma alteração legislativa precisamente para estender a Concelhos como Mação os apoios já dados às comunidades vítimas da “Tragédia de Pedrógão Grande e de 15 de outubro”, através da Lei 13/2018, de 9 de março. Esta lei tem, no seu espírito e na sua letra, o princípio de equidade de tratamento que até agora tem sido ignorado;
Considerando as últimas decisões do Governo que, ao não incluir o Concelho de Mação como elegível no apoio concedido pela União Europeia, através do seu Fundo de Solidariedade, penaliza o orçamento Municipal em mais de 1.000.000€;
Considerando que “foram utilizados” os prejuízos, incluindo os deste Concelho, para ter acesso ao Fundo de Solidariedade da União Europeia vai o mesmo agora ser distribuído – mais de 50.000.000€ – por alguns Municípios e por Entidades públicas;

Assim, a Assembleia Municipal de Mação aprovou a Moção no sentido de:
a) Apoiar incondicionalmente a postura que os eleitos nos Órgãos do Município de Mação e nas Juntas de Freguesia têm tido de denúncia e luta contra esta injustiça;
b) Apoiar e manifestar solidariedade relativamente às decisões que vierem a ser tomadas, dentro do estrito cumprimento da Lei, para tentar contrariar as decisões tomadas pelo Governo;
c) Apoiar, por de momento não haver qualquer alternativa, a decisão da Câmara Municipal de Mação ao assinar o Contrato relativo ao Fundo de Emergência Municipal (FEM), no qual é atribuído ao Município de Mação uma comparticipação de 60% para fazer face aos prejuízos relativos às infraestruturas municipais destruídas pelos incêndios, que ascenderam a cerca de 2.700.000€;
d) Tendo a Câmara Municipal de Mação , através do seu Presidente, anunciado publicamente a possibilidade de intentar uma ou mais ações judiciais, e sendo essa uma competência própria do mesmo, manifestamos o nosso apoio e incentivamo-lo nesse sentido, esgotadas que estão as possibilidades de um diálogo profícuo em prol da nossa Terra e das nossas Gentes;
e) O teor integral desta Moção deve ser dado a conhecer ao Senhor Presidente da República, ao Senhor Primeiro Ministro, ao Senhor Presidente da Assembleia da República, aos Senhores Presidentes dos Grupos Parlamentares na Assembleia da Republica, à Senhora Provedora de Justiça, à Comissão Europeia e aos Senhores Deputados europeus.

Mação, 19 de setembro de 2018

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Defensores do interior novamente contra as portagens na A23

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A Plataforma Para a Reposição das Scuts na A23 e A25 anunciou hoje a realização de novas ações de luta contra as portagens, nomeadamente uma marcha lenta, um seminário e uma manifestação à porta da residência oficial do primeiro-ministro.

Em conferência de imprensa realizada hoje na Covilhã, distrito de Castelo Branco, os representantes desta Plataforma frisaram que a luta tem de continuar, já que os descontos anunciados para 2019 são “insuficientes” e que as portagens continuam a ser um “atrofio para o Interior”.

“Temos de ser mais teimosos porque aquilo que temos conseguido tem sido pouco”, afirmou José Gameiro, da Associação Empresarial da Beira Baixa, uma das entidades que integra esta Plataforma.

Entre as novas ações previstas, está uma manifestação junto à porta da residência oficial do primeiro-ministro, em Lisboa, que deverá ocorrer no dia 13 de outubro.

Este protesto já tinha sido anteriormente anunciado, mas acabou por ser adiado com o objetivo de manter aberta uma via negocial com o Governo, o que, até agora, não sortiu o resultado esperado.

“É uma iniciativa que não se faz de ânimo leve, que tem custos (…), mas, se não tivermos mais avanços, vamos mesmo realizá-la”, afirmou Luís Garra, da União de Sindicatos de Castelo Branco.

Lembrando que se está em fase de discussão do Orçamento do Estado, Luís Garra também defendeu que este é o momento de “aumentar a pressão”.

Assim, já no próximo dia 20 de setembro realiza-se uma marcha lenta/buzinão, com dois pontos de partidas (na Covilhã e em Castelo Branco, respetivamente às 17:00 e às 17:30) e com ponto de encontro em Castelo Novo, concelho do Fundão.

Segundo o previsto, os participantes percorrerão alguns troços da A23, com passagens pela Estrada Nacional 18 para evitar o pagamento de portagens.

Para dia 27 de setembro, às 20:30, no auditório do Instituto Politécnico de Castelo Branco, será levado a cabo um seminário subordinado ao tema das portagens e das parcerias público-privadas rodoviárias.

O debate é aberto à participação de todos e tem já confirmada a presença de Eduardo Anselmo Castro, vice-reitor da Universidade de Aveiro, que realizou um estudo sobre os “impactos da cobrança de portagens na mobilidade rodoviária.

Outro dos oradores é Paulo de Morais, docente universitário e político português, que preside à Frente Cívica, associação que pretende apresentar no parlamento um projeto-lei que visa extinguir os contratos de parcerias público-privadas do domínio rodoviário, medida que, de acordo com a Frente Cívica, permitiria poupar 11 mil milhões de euros.

Os representantes da Plataforma sublinharam a importância deste debate, que juntará mais argumentos à luta contra as portagens, onde já constam questões como os elevados custos de contexto e a falta de alternativas.

Além disso, reiteram ainda o desafio público para que autarcas, deputados e partidos políticos se juntem a este movimento e lembraram que a reposição das Scut (vias sem custos para o utilizador) é uma questão de justiça, já que estas autoestradas foram construídas para não ter portagens.

“É hora de nos devolverem aquilo que nos foi roubado”, disse, Zulmiro Almeida, da Comissão de Utentes da A25.

A Plataforma de Entendimento para a Reposição das Scut na A23 e A25 integra sete entidades dos distritos de Castelo Branco e da Guarda, nomeadamente a Associação Empresarial da Beira Baixa, a União de Sindicatos de Castelo Branco, a Comissão de Utentes Contra as Portagens na A23, o Movimento de Empresários pela Subsistência pelo Interior, a Associação Empresarial da Região da Guarda, a Comissão de Utentes da A25 e a União de Sindicatos da Guarda.

At https://www.dn.pt/

Crónica: Portalegre – “Sindicatos esmiúçam números do desemprego”

Crónica Linhas

Os dados mais recentes do número de desempregados nos centros de emprego mostraram, no país e na região, uma diminuição do desemprego no segundo trimestre deste ano face ao mesmo período do ano passado.

O caso do concelho de Elvas foi amplamente divulgado em que, de acordo com o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), existiam menos 464 desempregados em Julho deste ano face a igual período do ano transacto.

Nas redes sociais a análise a estes números geraram diversos comentários e apreciações distintas quanto às razões para a diminuição do desemprego, um dado que agora quisemos esmiuçar junto dos sindicatos, nomeadamente através dos responsáveis distritais da União de Sindicatos do Norte Alentejano/Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses – Intersindical Nacional (USNA/CGTP-IN) e da União Geral de Trabalhadores (UGT).

Marco Oliveira

“O principal é as gentes do distrito terem trabalho”

O presidente da UGT no distrito de Portalegre, Marco Oliveira, revela que a existência de menos 1388 desempregados no distrito, comparado com o período homólogo, deve-se “à iniciativa privada e aos incentivos de algumas câmaras municipais, e não às medidas do Governo para o Interior.”

Marco António Oliveira traça o que cada uma das três cidades com mais habitantes no distrito de Portalegre está a fazer para diminuir o desemprego.

A descida do desemprego em Elvas é um ponto “positivo” para o responsável, argumentando que “isso não se deve a um acréscimo de medidas que o Governo possa estar a tomar para o interior do país. Continuamos a ouvir muito boas intenções, mas na prática não estamos a assistir a nada de visível”.

O concelho de Elvas poderá ser um caso paradigmático, em relação ao distrito de Portalegre, porque “existem formas de ocupar as pessoas e de as retirar dos locais onde estão afectas como desempregados. “Há gente que está neste momento a desempenhar determinadas funções na Câmara Municipal que, se calhar, não tem o rendimento que gostava de ter a nível financeiro, mas independentemente disso é uma forma de ocupar as pessoas e de lhes dar algum rendimento. A realidade é essa”, realça Marco Oliveira.

O presidente da UGT distrital revela ainda ter falado com alguns trabalhadores da Marktel, empresa espanhola que gera emprego em Elvas. “Sei que há determinado tipo de situações que não estão muito bem no que diz respeito à relação entre a empresa e os trabalhadores. O que é que eu quero dizer com isto? Estou a falar da precariedade, algo que diminui o desemprego, mas que levanta outros assuntos como o tipo de trabalho que temos no distrito, está tudo satisfeito, não existem maus-tratos (entre aspas) aos trabalhadores? Isso é que é preciso perceber”.

Para Marco António Oliveira o principal desígnio é as gentes do distrito “terem trabalho”. O responsável destaca o papel que Ponte de Sor tem tido ultimamente com a aeronáutica e que se traduz na geração de postos de trabalho, mas lamenta que Portalegre, enquanto sede de distrito, continue “a definhar” e, por isso, “não será dos melhores exemplos”.

Enquanto responsável distrital da UGT, para Marco Oliveira é importante a descida do desemprego, mas igualmente fulcral saber “como estão as pessoas, se vivem com qualidade, se a precariedade é demasiado elevada para aquilo que se pretende, portanto, nós temos que defender a região, porque se não formos nós ninguém a vai defender”.

Helena Neves

“Número de ocupados deturpa números do desemprego”

A coordenadora da União de Sindicatos do Norte Alentejano (USNA), Helena Neves, afirma que a CGTP-IN regista “como positivas” as notícias veiculadas acerca da diminuição do desemprego e aumento do emprego.

“Acerca da realidade nacional as preocupações da CGTP-IN são conhecidas e relacionam-se com a qualidade do emprego que está a ser criado. A precariedade continua a aumentar e atinge já 900 mil trabalhadores. 42% dos jovens até aos 35 anos têm um vínculo de trabalho precário. Os números falam por si mas é importante ter em atenção as suas consequências. Milhares de pessoas trabalham na iminência do desemprego, sem rendimento fixo, sem possibilidade de acesso a crédito para compra de habitação ou carro, sem a possibilidade de planear o seu futuro e o da sua família. Outro problema de fundo são os salários. Em 2014, 23% dos trabalhadores ganhavam o salário mínimo nacional, no 1º trimestre deste ano são já 40% os trabalhadores que no final do mês levam para casa 500 e poucos Euros, um rendimento que, todos os que vivem do seu salário concordam, é insuficiente para fazer face ao custo de vida”, refere Helena Neves.

A coordenadora da USNA salienta ainda que “a somar aos milhares de trabalhadores que ganham o salário mínimo nacional juntam-se todos aqueles que, cumprindo funções de carácter permanente muitos deles, num horário completo, 5 dias por semana, ganham 200, 300 euros, através de um contrato de emprego e inserção, num estágio, ou qualquer outro programa ocupacional. São os que o IEFP designa por ocupados”.

A responsável centra-se nos números do desemprego em Elvas. “Para termos uma ideia de que forma o número de ocupados deturpa os números do desemprego basta olharmos para os números do desemprego divulgados para o concelho de Elvas. É que em Junho deste ano, o IEFP revelava um total de 1266 desempregados no concelho, mas um total de 1619 pessoas desempregadas mais ocupadas. Significa que, 353 pessoas saíram dos números do desemprego, mas na prática continuam desempregadas, num estágio ou a esgotar desemprego num qualquer local de trabalho da administração pública, seja município, junta de freguesia, escola ou centro de saúde, ocupando um posto de trabalho permanente que, a corresponder a um vinculo efectivo de trabalho, baixaria realmente os números do desemprego e não apenas no papel…”, realça.

Os dados nacionais revelam ainda, no entender de Helena Neves, “que mais de metade dos desempregados estão nessa situação há mais de dois anos, os chamados desempregados de longa duração, muitos já desistiram de procurar trabalho e já não constam dos números do desemprego. 2 em cada 3 desempregados, não tem acesso a subsídio de desemprego e esta é também uma consequência dos elevados níveis de precariedade que levam a que muitas pessoas não trabalhem o tempo suficiente para garantir o acesso a esta prestação”.

A CGTP-IN reafirma que é com “a organização e luta dos trabalhadores em cada local de trabalho que juntos conseguiremos que cada vinculo precário se converta num vinculo efectivo, que se contratem trabalhadores em número suficiente e com salários dignos, combatendo a exploração e o empobrecimento. Melhores salários conduzem a maior poder de compra, determinante para o crescimento da actividade económica e a criação de mais emprego”.

Pedro Sena

At https://www.linhasdeelvas.pt/

Opinião: “Pornografia na empresa”

Joana Amaral Dias qOtcckM8_400x400O CEO da Jerónimo Martins ganha em dois dias mais do que o trabalhador médio do Pingo Doce ganha num ano inteiro. António Mexia, presidente executivo da EDP, ganha cerca de 52 vezes mais do que a média salarial dos seus trabalhadores. Etc.

Um dos números que envergonha Portugal é a disparidade salarial. Somos o quarto país da União Europeia com a maior desigualdade nos vencimentos (a seguir à Polónia, Roménia e Chipre) e este fosso não tem parado de aumentar. Nos últimos 3 anos, nas maiores empresas cotadas na bolsa portuguesa, as remunerações estiveram paradas mas as dos gestores aumentaram 40%. Em média, os gestores das empresas do PSI-20 ganham 1 milhão de euros por ano, mais de 70 mil euros por mês.

Como se isto não fosse socialmente pornográfico que chegue, não há nada de eficiente em pagar salários excêntricos aos CEOs: a maioria dos estudos mostra que não há qualquer relação entre esses vencimentos e o desempenho das respectivas empresas.

Joana Amaral Dias

At https://www.facebook.com/