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Opinião: “Discursos políticos”

Joaquim Costa 58379999_784290528610838_5721773925860376576_nEstou a pensar nos discursos dos políticos que vamos ouvindo e vendo todos os dias nos vários órgãos de comunicação. Sou um velho militante do PS, mas este meu desabafo não tem nada a ver com a força politica que sempre defendi desde o 25 de Abril, pois nunca vivi da politica, embora tenha desempenhado alguns cargos ligados a câmaras como todos aqueles que me conhecem sabem. É com alguma tristeza que causa o discurso de alguns políticos, isto é, mais bem dito, oportunistas, que revelam, pela sua expressão física, pelo tom de vós agressivo, que revelam a raiva que lhes vai na mente. Notasse muito bem quando a pessoa fala e expressa o que lhe vai na mente e que luta pelo bem comum, ou quando fala cheio de raiva, com ataques agressivos aos seus opositores, atacando com mentiras, com argumentos sem sentido, ofendendo aqueles que falam verdades de factos verdadeiros. Rui Rio parece que esta num circo, fala de coisas sem sentido, sempre com ar cínico e agressivo, talvez porque sabe que vai perder, o que mostra que não tem condições para o cargo de primeiro ministro, depois temos senhora do CDS, que causa pena e nojo, só agressões, conversa sem senti do que revela desconhecimento, basta ver o que fez quando ministra da agricultura, só plantou eucaliptos, depois temos os outros partidos com assento na AR às vezes um pouco azedo mas dentro do aceitável, depois temos os novos partidos que, pelo menos alguns não vale apenas comentar, todos sabemos o que procuram. Finalmente temos o Homem com provas dadas que se chama António Costa, pessoa que já mostrou as suas capacidades em varias missões que desempenhou, pessoa para quem a honra, a dignidade contam cuja intenção é trabalhar para melhorar a vida de todos os portugueses, cuja a acusação que lhe fazem é que sabe unir as pessoas, mas isto revela uma das suas capacidades, não é um defeito é uma virtude. Por tudo isto, se queremos um Portugal melhor temos de votar PS.

Joaquim Costa

Ex-presidente da Concelhia de Nisa do PS

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Opinião: “Os piores gestores”

Rui Calafate 39524_159372397419164_632670_nHoje na capa do Público: “Temos dos piores gestores da Europa”, num especial sobre Executivos. Sem dúvida. As nossas elites são medíocres e os principais presidentes de empresas portuguesas são peritos em Excel mas são completamente incultos e desconhecedores da natureza humana. Sugeria que lessem Shakespeare – Rei Lear, Otelo, Macbeth, Ricardo III, pelo menos – para tentarem perceber a segunda e depois aprenderem a frequentar exposições, a irem à Cinemateca – onde nunca vi nenhum gestor e políticos só vi dois, honra lhes seja feita – a investirem na criação de uma biblioteca própria em vez de terem carros topo de gama e uma casinha na Comporta ou na Quinta do Lago. E sugiro que não tenham como modelos duas de Suas Medíocres Excelências como Mexia ou Zeinal Bava e tentem ver lá fora quem tira horas para obter mais conhecimento como Bill Gates por exemplo. Não sejam sumidades dos números, sejam magníficos por serem homens completos.
Bom dia

Rui Calafate

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Artigo de opinião: “Elvas vs Badajoz”

Diogo lvg3uetS_400x400.jpgCerca de 1890, mais coisa menos coisa, Badajoz tinha mais 3 mil habitantes do que Elvas. Hoje, em 2019, Elvas tem cerca de 18 mil habitantes e Badajoz tem 150 mil habitantes.

Duas realidades bem diferentes, lado a lado, separadas apenas pela fronteira entre os dois países. Duas apostas totalmente diferentes de políticas públicas e de visão de território. Duas cidades do interior. Aliás, Badajoz é hoje uma potência em crescimento. De investimentos realizados, lá até se sonha com uma futura Disneyland.

No fundo, temos do lado de lá da fronteira, uma terra que está mais longe de Madrid do que de Lisboa. Uma terra longe, bem longe do litoral. Mas é o espelho de opções políticas e económicas acertadas, por comparação com um interior de Portugal isolado e abandonado. Medi bem as palavras. Portugal tem um interior abandonado. Tirando os resistentes que por lá vivem, que por lá investem e que por lá ainda resistem, Portugal é hoje um país assimétrico e sem visão de território. Um país pequeno, que somos, contudo macrocéfalo e desnivelado para o litoral. Com esta dimensão e com um abandono total de uma visão integrada para o território, que lhe permita reduzir a perigosa assimetria, que desde os anos 60 do século passado se construiu. Se está a ler este artigo pergunto. Já foi a Portalegre? A Fronteira? À Covilhã? A Boticas? É extraordinário, apesar de tudo, o trabalho de muitos dos nossos autarcas. E até de empresários. Como é fantástico que, em Boticas, por exemplo, exista uma empresa de concepção de redes de pesca, que garante emprego e forte dinamismo económico. Bons, mas, infelizmente, raros exemplos.

Todavia vamos ser claros, para que não restem dúvidas, por melhor que seja o trabalho das Câmaras Municipais e de algumas empresas, isso não chega. Não há desenvolvimento sem verbas, sem estratégia, sem planeamento e sem visão de conjunto ao nível nacional. Conceitos caros e raros neste país que tudo faz em cima do joelho. Que vive sem reformas de fundo, sem horizontes e que, apesar de estarmos em plena campanha eleitoral, pouco se discute do que realmente importa ao interior, apesar das soluções avulsas como baixar IRC das empresas no interior ou Vistos Gold para estas zonas. São propostas bondosas? São. Claro que são. O leilão fiscal é sempre atractivo. Mas não chega. Não basta. É curto. Precisamos de mais, de um planeamento a longo prazo, com compromissos na sociedade portuguesa, por forma a que “territórios de baixa densidade” deixe de ser um eufemismo para descrever aquilo de que o país urbano, concentrado nas grandes cidades do litoral, se esqueceu e só se lembra a cada tragédia que acontece, como os fogos florestais, mas rapidamente perde de vista. Precisamos de quem pense o território de facto e não como mera esmola ou distribuição de fundos, a abordagem tem de ser integral e não uma mera lista desgarrada de medidas, senão como criar ou potenciar sinergias e gerir processos interdependentes, como são os que ligam território, economia e demografia. Podemos ser ainda mais claros? As CIM e CCDR são boas intenções, mas diminutas para a natureza do problema. Precisam de mais escrutínio e de mais poder. Precisam de ter uma visão regional e não podem ser uma mera burocracia do Estado Central para um dado território administrativo, criado à boleia das regras comunitárias de distribuição de fundos. Somos, de facto, um país desequilibrado. E este desequilíbrio precisa de ser enfrentado de frente. Alguém tem coragem de assumir, de facto, políticas de coesão territorial? É por falta de coragem e vontade que existem casos tão díspares como Elvas e Badajoz. Duas cidades vizinhas, mas que contam com Governos centrais e lógicas regionais totalmente diferentes. Era isto que também gostava de ver debatido, de forma séria, numa campanha eleitoral em Portugal.

Diogo Agostinho

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Opinião: “Sondagens e resultados”

joanaamaraldiasoficial_62090486_2053394904966968_953275700898553678_nSe há lição que fica das eleições regionais na Madeira é que as sondagens falham. Já se sabia mas volta a confirmar-se: falham muito.
A previsão de resultados da sondagem da Católica (RTP) divergiu em 21 pontos dos resultados eleitorais. Já a Eurosondagem (DN/TSF) falhou em 17,2 pontos. A melhor foi a da Intercampus (JM) e, ainda assim, com um desvio de 12,2 pontos.

Portanto, os sucessivos programas na comunicação social que vomitam horas e horas de perdigotos sobre sondagens a partir das quais fantasiam cenários prováveis e coligações possíveis, que se enrolam em politiquices em vez de debaterem Política, são mesmo ralé preguiçosa, burra e totalmente inútil. Panem et circenses.

Joana Amaral Dias

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Artigo de opinião: “Resposta a Catarina Martins”

Manuel Alegre 813619Ao afirmar que a disputa nestas eleições é entre a esquerda e o PS, Catarina Martins volta metaforicamente ao Verão de 1975, de que parece ter saudades mesmo sem o ter vivido.

Cara Catarina Martins: ao afirmar que a disputa é entre a esquerda e o PS, está de novo a dizer que o PS é um obstáculo (sem explicar a quê) e que é preciso um “partido verdadeiramente socialista”, pelos vistos o próprio Bloco. Voltou metaforicamente ao Verão de 1975 de que parece ter saudades mesmo sem o ter vivido.

Há quatro anos, PS e PCP fizeram um esforço para ultrapassar os traumas do passado. O Bloco veio atrás. Derrubou-se o tabu do arco da governação, compreendeu-se que a divisão das esquerdas era a força da direita, iniciou-se um processo de convergência que repôs a centralidade do Parlamento e a formação de um Governo do PS com o apoio do PCP, BE e PEV. O único Governo de esquerda numa Europa onde a esquerda estava a desaparecer e o populismo se encontrava dentro ou perto do poder. Repuseram-se direitos e rendimentos, a economia cresceu, o desemprego diminuiu, conseguiu-se o défice mais baixo da democracia.

A Europa, que tinha ficado assustada, começou a interessar-se pela excepção portuguesa. Afinal a “geringonça” funcionava. Fazia diferente sem pôr em causa as contas públicas e os compromissos europeus. Funcionava em Portugal e assim mostrava que também na Europa podia haver outros caminhos e outras soluções. Até a palavra começou a ser traduzida. É certo que se podia ter ido mais longe. Cada partido preservou a sua identidade e a sua autonomia. Os resultados foram fruto da negociação e do diálogo. Trabalho de todos. Do PCP, do Bloco, do PV. E do PS. Não dos outros contra o PS. Mas de todos com o PS e do PS com todos.

E eis que, de novo, cara Catarina Martins, se faz uma separação entre o PS e a esquerda. Divide-se o que tanto custou a convergir. Como se o PS fosse o inimigo principal. Como se o PS não fosse também a esquerda. Como se, para fazer não se sabe o quê nem como, fosse preciso vencer este PS e criar outro “partido verdadeiramente socialista”.

Já vimos este filme. Dir-se-ia que tem a nostalgia de uma das tentativas pseudo-revolucionárias que naquele Verão de anarco-populismo (como dizia Salgado Zenha) foram vencidas pelo PS e pelo espírito democrático dos militares fieis ao 25 de Abril. A Catarina só tinha um ano ou dois, não sabe como foi, ouviu contar, pelos vistos, mal.

De que disputa fala agora? Entre o quê e o quê? Entre que esquerda e que esquerdas? Socialismo revolucionário versus social-democracia?

Voltamos aos anos 30? A esquerda sempre foi plural. Os partidos da “geringonça” têm ideologias e identidades diferentes. Mas não há solução governativa de esquerda sem o PS, muito menos contra o PS.

Se é esta a disputa, ainda que desde o princípio adepto da “geringonça”, acho que os socialistas têm de uma vez mais assegurar a autonomia estratégica do seu partido.

Não há Governo de esquerda sem o PS. E sem um PS forte. Não há convergência de esquerda nem “geringonça” sem o PS ou contra o PS. Por isso, como dizia Alexandre O’Neil, mesmo quando ele não merece, é preciso votar PS.

Manuel Alegre

At https://www.publico.pt/

Artigo de opinião: “Portuguese deserve a clearer vision for country’s future”

Pedro Caetano 52410543_10214223330319764_1321648856743542784_nThe possibility of a 0 per cent budget deficit in Portugal shines so “bright” that it looks like “hope” for Europe, such is the FT’s judgment on the “sound policies” of the present government in Lisbon (FT View, August 26). You should not be fooled twice. The FT once praised former prime minister José Sócrates in 2007, with his then minister of internal administration António Costa, for the low deficit, assuming “reforms” would be made. The reforms were eventually implemented after the 2011 bailout by the European troika.

Portuguese suffering was rewarded: economic indicators turned positive in 2015, vices seemed gone and reforms sustainable. Then came Mr Costa who, despite losing elections to the government which oversaw reforms, became prime minister by purging pro-reformists in his Socialist party. He brought to cabinet former colleagues of Mr Sócrates, who is facing charges of corruption but denies any wrongdoing, plus their spouses and children. Such clan politics undermined reforms, reverting to a business-as-usual environment, with troika reforms requiring qualifications and scrutiny in government appointments undermined. The unskilled posed as “industrial managers”. Incompetence shows; in 2017 the area burnt by forest fires was higher than that of the rest of Europe combined, and 114 people died.

Pedro Caetano 14068187_10207252572295170_8133406391720309019_n

The public debt — €252bn in May 2019, still the EU’s third worst despite tiny improvements if measured in percentage of GDP — and fiscal burden are at all-time highs, with taxes rising (from €39bn in 2015 to €44bn in 2018) faster than meagre salaries. Slovakians, Estonians and Lithuanians have higher purchasing power than the Portuguese since 2018, according to Eurostat, while Portugal is dropping, approaching the EU’s lowest. Projected growth in 2019 gross domestic product is 1.7 per cent. In 2018 growth was half that of some Balkans and Baltic nations. Portugal is Eurostat’s second least appealing country to immigrants, worse than Poland or Romania. High emigration masks unemployment.

Other than riding on the fading improvements, ECB debt, housing and tourism temporarily diverted from north Africa, the government has neither the vision nor reforms to avoid decline. Yet, some are tricked by the possibility of a 0 per cent deficit, fuelled by a net negative 1.2 per cent of GDP in public investment in 2016 (still the EU’s worst) according to the IMF, jeopardising long-term financing, the safety of infrastructure and public health. We, the industrious Portuguese people, demand accountability for illusionist politicians squandering our country.

Pedro Caetano

At https://www.ft.com/ (Financial Times)

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Opinião: “O fantasma de Salazar e o Reitor da Universidade de Coimbra”

Raquel 10464109_10202306149190196_3394916574196011546_nO Reitor da Universidade de Coimbra não decidiu excluir a carne de vaca. Decidiu que quem tem menos dinheiro vai deixar de comer carne de vaca. As cantinas são os locais onde os filhos das classes pobres e médias empobrecidas comem. Quem tem dinheiro vai continuar a comer carne, do lombo. Os filhos de quem pode, como os meus, irão comer carne do lombo, de qualidade, bio. No norte da Europa já se serve carne bio em algumas universidades por onde ando. Em Portugal acaba-se com a carne. A periferia não é verde, é inexistente. Na verdade a medida do reitor é análoga à generalização dos parquímetros, uma privatização do espaço público. Quem tem dinheiro continua a ter acesso à cidade por carro. Estas medidas não são ecológicas, são classistas. Ecologia era transportes públicos das zonas pobres para o centro. Ecologia era subsidiar na Escola Agrária da Universidade produção de agricultura biológica e fornecer nas cantinas para que pelo menos algumas vezes pudessem comer proteína de qualidade. Ecologia era um Reitor defender a agricultura sustentável ser cada vez mais subsidiada. Assim o reitor o que fez foi reduzir a despesa da Universidade de Coimbra que agora vai oferecer frango de aviário, um mutante que nem frango devia chamar-se. Também vai ficar bem nas contas gerais da Universidade servir na cantina (paga com os nossos impostos) soja geneticamente modificada – é a transição energética.

A “transição” está a relevar-se uma forma de privar ainda mais os mais pobres de tudo, irão pagar mais impostos verdes, estão privados da cidade “verde”, num subúrbio cinzento, vestem fibras horrorosas enquanto fabricam algodão natural de design inovador em fábricas super poluentes, e agora podem esperar esta moderna versão Jonet de “não de pode comer bifes todos os dias”. Tudo para o bem deles, como se sabe se os ricos não cuidassem dos pobres eles jamais saberiam o que fazer. Agora por exemplo, imagine-se!, querem comer bifes que fazem tão mal à saude e ao planeta…

Vou poupar-vos ao óbvio. A poluição é grave mas o mundo não está a acabar. É preciso medidas sérias, e não hipocrisia disfarçada de ciência. Comer carne em idades jovens, quando se estuda, é essencial ao cérebro. Nos colégios onde se formam elites dirigentes do mundo posso garantir-vos que a carne é biológica e do lombo. Comer muita carne faz mal, não comer nenhuma faz muito mal. Outro dado: um dos maiores estudos de saúde do mundo provou que a segurança no emprego e a autonomia podem aumentar 18 anos a esperança média de vida e o medo fazer cair a mesma 18 anos, pela produção de cortisol. Nada faz tão mal à espécie humana hoje como o medo da sobrevivência, condição em que vão estar a grande maioria dos jovens estudantes da Universidade de Coimbra quando entrarem no mercado de trabalho. Coisa que não preocupa o reitor. O fim do planeta para o Reitor é uma garantia, é o dilúvio bíblico que exige medidas radicais. Já o facto de que os que estudam na Universidade virem a ter empregos em que não chegam ao fim do mês, bom isso já não é bem uma certeza, nem diz respeito a um Reitor, que cuida do Planeta.

Que o PAN, que representa o ultra liberalismo verde, seja a favor comprende-se. O silêncio dos outros partidos, com algo tão fundamental quanto o que se serve de alimentação numa instituição pública, por nós financiada, é inexplicável.

Para compreender o mundo, e a atitude de um Reitor, é preciso saber teoria do valor. E o valor da teoria. Marx explicava que a tendência do capitalismo era para tornar vegetarianas as classes trabalhadoras, desde logo diminuindo a parcela de proteína a que têm acesso na reprodução da força de trabalho, vulgo salário. Os chineses perceberam bem isso – ali, nas fábricas, come-se arroz. E mais nada. Ainda vou assistir à glorificação do Estado Novo em plena Universidade de Coimbra, o fantasma do Salazar a rondar as salas escuras, de ilusão esverdeada – carne faz mal, melhor só no Natal.

Raquel Varela

At https://raquelcardeiravarela.wordpress.com/