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Município de Ponte Sor faz campanha de prevenção à Páscoa

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No Concelho de Ponte de Sor temos as mais belas planícies, espelho de água a perder de vista, tecnologia de ponta mas…temos também os nossos, os seus e de muitos…avós…uma maioria de população envelhecida!

Ajude-nos a protegê-los, não venha nesta Páscoa!

Prometemos recebê-lo, como tão bem sabemos fazer, na próxima!

Nunca, como nesta Páscoa deverá prevalecer o bem da família!

Por si e pela sua, estejam juntos, mas separados!

Nesta Páscoa fique em casa!

Não viaje para ter a certeza que a família se junta toda na próxima!

At http://www.cm-pontedesor.pt/

Artigo de opinião: “A justiça criminosa”

ClaraPor uma vez gostava que em Portugal alguma coisa tivesse um fim, ponto final, assunto arrumado. Não se fala mais nisso. Vivemos no país mais inconclusivo do mundo, em permanente agitação sobre tudo e sem concluir nada.

Desde os Templários e as obras de Santa Engrácia que se sabe que nada acaba em Portugal, nada é levado às últimas consequências, nada é definitivo e tudo é improvisado, temporário, desenrascado. Da morte de Francisco Sá Carneiro e do eterno mistério que a rodeia, foi crime, não foi crime, ao desaparecimento de Madeleine McCann ou ao caso Casa Pia, sabemos de antemão que nunca saberemos o fim destas histórias, nem o que verdadeiramente se passou nem quem são os criminosos ou quantos crimes houve. Tudo a que temos direito são informações caídas a conta-gotas, pedaços do enigma, peças do quebra-cabeças. E habituámo-nos a prescindir de apurar a verdade porque intimamente achamos que não saber o final da história é uma coisa normal em Portugal e que este é um país onde as coisas importantes são “abafadas”, como se vivêssemos ainda em ditadura. E os novos códigos Penal e de Processo Penal em nada vão mudar este estado de coisas. Apesar dos jornais e das televisões, dos blogues, dos computadores e da Internet, apesar de termos acesso em tempo real ao maior número de notícias de sempre, continuamos sem saber nada, e esperando nunca vir a saber com toda a naturalidade. Do caso Portucale à Operação Furacão, da compra dos submarinos às escutas ao primeiro-ministro, do caso da Universidade Independente ao caso da Universidade Moderna, do Futebol Clube do Porto ao Sport Lisboa e Benfica, da corrupção dos árbitros à corrupção dos autarcas, de Fátima Felgueiras a Isaltino Morais, da Bragaparques ao grande empresário Bibi, das queixas tardias de Catalina Pestana às de João Cravinho, há por aí alguém que acredite que algum destes secretos arquivos e seus possíveis e alegados, muito alegados crimes, acabem por ser investigados, julgados e devidamente punidos? Vale e Azevedo pagou por todos. Portugal tem um défice de responsabilidade civil, criminal e moral muito maior do que o seu défice financeiro, e nenhum português se preocupa com isso apesar de pagar os custos da morosidade, do secretismo, do encobrimento, do compadrio e da corrupção. Os portugueses, na sua infinita e pacata desordem existencial, acham tudo “normal” e encolhem os ombros. Quem se lembra dos doentes infectados por acidente e negligência com o vírus da sida? Quem se lembra do miúdo electrocutado no semáforo e do outro afogado num parque aquático? Quem se lembra das crianças assassinadas na Madeira e do mistério dos crimes imputados ao padre Frederico? Quem se lembra que um dos raros condenados em Portugal, o mesmo padre Frederico, acabou a passear no Calçadão de Copacabana? Quem se lembra do autarca alentejano queimado no seu carro e cuja cabeça foi roubada do Instituto de Medicina Legal?

Em todos estes casos, e muitos outros, menos falados e tão sombrios e enrodilhados como estes, a verdade a que tivemos direito foi nenhuma. No caso McCann, cujos desenvolvimentos vão do escabroso ao incrível, alguém acredita que se venha a descobrir o corpo da criança ou a condenar alguém? As últimas notícias dizem que Gerry McCann não seria pai biológico da criança, contribuindo para a confusão desta investigação em que a Polícia espalha rumores e indícios que não substancia. E a miúda desaparecida em Figueira? O que lhe aconteceu? E todas as crianças desaparecida antes delas, quem as procurou? E o processo do Parque, onde tantos clientes buscavam prostitutos, alguns menores, onde tanta gente “importante” estava envolvida, o que aconteceu? Arranjou-se um bode expiatório, foi o que aconteceu. E as famosas fotografias de Teresa Costa Macedo? Aquelas em que ela reconheceu imensa gente “importante”, jogadores de futebol, milionários, políticos, onde estão? Foram destruídas? Quem as destruiu e porquê? E os crimes de evasão fiscal de Artur Albarran mais os negócios escuros do grupo Carlyle do senhor Carlucci em Portugal, onde é que isso pára? O mesmo grupo Carlyle onde labora o ex-ministro Martins da Cruz, apeado por causa de um pequeno crime sem importância, o da cunha para a sua filha. E aquele médico do Hospital de Santa Maria suspeito de ter assassinado doentes por negligência? Exerce medicina? E os que sobram e todos os dias vão praticando os seus crimes de colarinho branco sabendo que a justiça portuguesa não é apenas cega, é surda, muda, coxa e marreca.

Passado o prazo da intriga e do sensacionalismo, todos estes casos são arquivados nas gavetas das nossas consciências e condenados ao esquecimento. Ninguém quer saber a verdade. Ou, pelo menos, tentar saber a verdade. Nunca saberemos a verdade sobre o caso Casa Pia, nem saberemos quem eram as redes e os “senhores importantes” que abusaram, abusavam, abusam e abusarão de crianças em Portugal, sejam rapazes ou raparigas, visto que os abusos sobre meninas ficaram sempre na sombra. Existe em Portugal uma camada subterrânea de segredos e injustiças, de protecções e lavagens, de corporações e famílias, de eminências e reputações, de dinheiros e negociações que impede a escavação da verdade. Este é o maior fracasso da democracia portuguesa e contra isto o PS e o PSD que fizeram? Assinaram um iníquo pacto de justiça.

Clara Ferreira Alves

22/10/2007

At https://expresso.pt/

Dia Mundial da Poesia a 21 (poema de Hélder Telo)

Helder TeloNã venham pó Alentejo

 

Tô escrevendo aqui no monti

Um poema pós de fora

Viver aqui na presta

Vã-se mas é daqui embora.

 

As notis aqui sã frias

Nã aguentas nem que te mates

3 mantas Nã te chegam

Até arreganha a pele dos tomates.

 

Os dias aqui sã tã quentes

As vezes até falta o ari

50 graus n’ amarleja

Nem na rua podemos andari.

 

Na temos aventoinhas

Com o calor nã se pode.

Os velhos usam samarra

E as velhas têm bigode

 

Querem vir pá cá morari

Nem sabem a bicheza que há aqui

Gato bravo e Saca-rabos

Raposas e javali.

 

As 5 da manhã tamos-se álevantar

Pa monde ir ver do gado

Nem imaginam o que é Andar

com um pé todo cagado.

 

Na temos carro de praça

Nem sequer internet

Uns andam aqui a pé

Os outros na biciclete.

 

Nã temos praia perto,

e só se bebe aqui bagaço

Os sapos aqui sã tã grandes

Espetam com cada cagaço…

 

As casas nã têm luz

E lume é no chão

O gerador só faz barulho

Pá gente ver a tlevisão

 

Já dizia a outra porca

É nos montis ca gente móra.

Como já viram, isto na presta

Vã-se mas é daqui embora.

 

Se antes era deserto

Agora continua a ser

Nem os queremos aqui tã perto

Nem os queremos aqui a viver.

 

Podem vir visitar

Mas venham noutra altura

Deixem se aí ficar

Enquanto está merda dura.

 

De Um Alentejano que quer ajudar.

 

Autor: Helder Telo

At https://www.facebook.com/

Artigo de opinião: “Empatía Viral”

FB_IMG_1584440417024Y así un día se llenó el mundo con la nefasta promesa de un apocalipsis viral y de pronto las fronteras que se defendieron con guerras se quebraron con gotitas de saliva, hubo equidad en el contagio que se repartía igual para ricos y pobres, las potencias que se sentían infalibles vieron cómo se puede caer ante un beso, ante un abrazo.

Y nos dimos cuenta de lo que era y no importante, y entonces una enfermera se volvió más indispensable que un futbolista, y un hospital se hizo más urgente que un misil. Se apagaron luces en estadios, se detuvieron los conciertos los rodajes de las películas, las misas y los encuentros masivos y entonces en el mundo hubo tiempo para la reflexión a solas, y para esperar en casa que lleguen todos y para reunirse frente a fogatas, mesas, mecedoras, hamacas y contar cuentos que estuvieron a punto de ser olvidados.

Tres gotitas de mocos en el aire, nos ha puesto a cuidar ancianos, a valorar la ciencia por encima de la economía, nos ha dicho que no solo los indigentes traen pestes, que nuestra pirámide de valores estaba invertida, que la vida siempre fue primero y que las otras cosas eran accesorios.

No hay un lugar seguro, en la mente de todos nos caben todos y empezamos a desearle el bien al vecino, necesitamos que se mantenga seguro, necesitamos que no se enferme, que viva mucho, que sea feliz y junto a una paranoia hervida en desinfectante nos damos cuenta que, si yo tengo agua y el de más allá no, mi vida está en riesgo.

Volvimos a la ser aldea, la solidaridad se tiñe de miedo y a riesgo de perdernos en el aislamiento, existe una sola alternativa: ser mejores juntos.

Si todo sale bien, todo cambiara para siempre. Las miradas serán nuestro saludo y reservaremos el beso solo para quien ya tenga nuestro corazón, cuando todos los mapas se tiñan de rojo con la presencia del que corona, las fronteras no serán necesarias y el tránsito de quienes vienen a dar esperanzas será bien recibido bajo cualquier idioma y debajo de cualquier color de piel, dejará de importar si no entendía tu forma de vida, si tu fe no era la mía, bastará que te anime a extender tu mano cuando nadie más lo quiera hacer.

Puede ser, solo lo es una posibilidad, que este virus nos haga más humanos y de un diluvio atroz surja un pacto nuevo, con una rama de olivo desde donde empezará de cero.

Edna Rueda Abrahams

At http://www.xn--elisleo-9za.com/

Artigo de opinião: “Porque o interior não é uma fatalidade – é uma oportunidade”

hugo-corQuem te viu e quem te vê. Em alguns anos, aquilo que era uma situação muito preocupante em Ponte de Sor, em 2009, à data do encerramento da Delphi, empresa do setor automóvel e a principal empregadora do concelho, transformou-se em 2020 numa realidade de otimismo e num horizonte de crescimento. O obstáculo, que não era pequeno, deu lugar à oportunidade, que é grande.

Nesta década, além do esforço de recuperação e apoio do investimento nos setores mais tradicionais do concelho – no agroalimentar, no agroflorestal, com destaque para a indústria da transformação da cortiça, que é agora o maior empregador da região -, em Ponte de Sor conseguiu-se pensar em novos voos, literalmente, e depois concretizá-los.

Com efeito, aquilo que é atualmente o cluster aeronáutico de Ponte de Sor, com investimentos de dezenas de milhões de euros no seu conjunto e um evento anual de referência a nível mundial – o Ponte de Sor Portugal Air Summit -, e com uma força de emprego de várias centenas de pessoas, na sua maioria altamente qualificadas, deu não só um forte impulso anímico e económico a toda a comunidade pontessorense, como também permitiu colocar o concelho no topo da lista daqueles que em todo o território nacional mais reduziram a sua taxa de desemprego.

Em Ponte de Sor, aterra cada vez mais investimento

Não podemos dizer que a aviação foi uma oportunidade que caiu do céu, porque a verdade é que deu certamente muito trabalho, a quem tem responsabilidades públicas, conseguir fazer deste cluster da aeronáutica o que ele é hoje em Ponte de Sor. Mas é um facto que tem ajudado a evitar a turbulência e a dissipar as nuvens negras que se observam em muitos territórios do interior de Portugal. Em Ponte de Sor, o interior não é uma fatalidade – é uma oportunidade.

Com a aeronáutica vieram mais investimentos e mais recursos humanos, e também mais possibilidades de requalificação dos recursos humanos do próprio concelho. Com este cluster, não o esqueçamos, Ponte de Sor passou a ter ensino superior, com a Escola de Aviação no Aeródromo Municipal, o que leva à fixação e à atração de população e conhecimento, à criação de competências e a condições de emprego e de vida com uma visão apontada ao futuro.

Ao mesmo tempo, com o Portugal Air Summit, Ponte de Sor conquistou, no concurso Município do Ano 2019, o prémio “Projeto da Região no Alentejo”. (A quarta edição do Portugal Air Summit realiza-se de 7 a 10 de outubro.)

Em suma, a aeronáutica, de certa forma, deu asas à Ponte de Sor do século 21.

Um concelho com condições para ganhar no século 21

Acresce que os preços do metro quadrado dos terrenos e das casas são ainda extremamente competitivos por comparação com outras realidades nacionais. Além da oferta imobiliária, também as ofertas de saúde, de hotelaria e restauração, têm, crescentemente, procurado acompanhar o dinamismo da sociedade e da economia do concelho. O mesmo acontece com os serviços públicos, os equipamentos coletivos, a área social, que se vão preparando para a nova atualidade do concelho.

Havendo emprego, havendo soluções de ensino, havendo centralidade geográfica (estamos a pouco mais de 1h de Lisboa e a 1h de Espanha), e havendo condições de qualidade geral de vida, Ponte de Sor é, e será cada vez mais, uma cidade atraente para as famílias se instalarem e aqui construírem o seu futuro. E é bom lembrar que a albufeira de Montargil é todo um tesouro natural à parte, completo com praia fluvial e muitas outras valências.

É preciso também dizer que a comunidade tem sabido receber e integrar a população que veio de fora, de outras regiões do país e dos quatro cantos do mundo. Nisso, Ponte de Sor um exemplo do melhor da alma portuguesa, de um dos elementos que é sempre valorizado por quem visita Portugal – o sermos hospitaleiros, calorosos e interessados.

Ponte de Sor está hoje uma cidade mais cosmopolita, em que nas ruas, nos cafés, nos restaurantes se falam várias línguas, em que os naturais do concelho e os novos pontessorenses globais se relacionam com gosto e facilidade. Em 2020, é uma cidade longe dos problemas e dos conflitos de outras paragens – longe da xenofobia, das tensões por causa da origem de cada um. Ponte de Sor é, com orgulho, um modelo de integração social e económica, em que as oportunidades são para todos os que queiram aproveitá-las.

Cada vez mais, a ‘oportunidade a quem a trabalha’

Em tempos, dizia-se ‘a terra a quem a trabalha’. Em 2020, pode dizer-se de Ponte de Sor que é uma terra da ‘oportunidade a quem a trabalha’.

A palavra importante, aqui, é mesmo oportunidade. Oportunidade para quem vem de fora, é certo, mas igualmente oportunidade para quem está – para quem intervém, organiza, gere, ajuda, projeta – de usar o que já foi feito para criar novas oportunidades para a região. Porque este é um trabalho que nunca está concluído. E o que funciona em determinado momento pode não ser o que funciona num momento futuro.

Para continuar nesta trajetória, ser capaz de ter capacidade de adaptação e de atração dos recursos, dos conhecimentos, das redes que melhor vão servir Ponte de Sor amanhã é uma competência de valor incalculável. Porque se calcula em benefício global para uma comunidade e para uma região inteiras. Porque é aí que está a base estrutural para um elemento decisivo neste caminho – todo o marketing territorial estratégico da região. E porque é assim, nesta cidade banhada pelo rio Sor, que se constrói uma Ponte sólida para o futuro.

Hugo Oliveira Ribeiro

Diretor Geral do HBR Group

At https://www.linhasdeelvas.pt/

Artigo de opinião: “Camisa de 7 varas”

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Zenha tem contratos para descontar, tem passes de jogadores para alienar, tem sócios e parceiros para potenciar. Tem direitos a exigir e obrigações a cumprir.

A entrevista de Francisco Zenha publicada no passado sábado no jornal Expresso foi entendida por mim como um pedido de ajuda e uma afirmação de incapacidade para olhar para o futuro e tentar recriá-lo, e uma demonstração de arrependimento pela falta de perceção inicial da realidade do Sporting e do que vinha a ser feito pelos seus antecessores. E por antecessores, não me reporto só a mim.

Assim, quais são para mim as sete varas com que Zenha se vestiu? Vamos então:

  1. Não se goza com um parceiro ou cliente. Um negócio é bom para os dois. Imagine-se que se tinha vendido o Bruno Fernandes por 40 milhões de euros no Verão, a tempo de recompor a equipa, coisa que Zenha diz que não se conseguiu fazer. Poderíamos estar em 1.º ou 2.º lugar no campeonato nacional de futebol, em vias de ganhar muito mais dinheiro do que os 20M com que agora diz que enganou os tolos. E veja-se o impacto mediático que a sua afirmação teve em Inglaterra. Mais uma vez, a arrogância gerou um efeito negativo.
  2. A banca existe para ganhar dinheiro. A banca detida por fundos de risco (hedge funds), os chamados Fundos “Abutre”, como é o caso do Novo Banco, ainda mais dinheiro quer ganhar. Se há um problema com algum banco só tem de fazer exercer a magistratura de influência por via dos milhares de sportinguistas que têm relações com esse banco.
  3. Zenha rescindiu o contrato com quem estava a assessorar a recompra da dívida a desconto. E nunca quis perceber que nessa recompra se iria incluir o reembolso do empréstimo obrigacionista, sem necessidade de uma nova emissão. Disse em AG da SAD que pediram informação sobre quem seriam os investidores (coisa que obviamente não lhe deram, e como ex-funcionário de um banco deveria saber que não se pode dar) e estes fundos colocam unidades de participação em diversos investidores (como fundos de pensões, entidades públicas, entidades financeiras, etc.).
  4. Assumiu que conseguiria o haircut da dívida diretamente com a banca, desconhecendo, por inexperiência, que esta afirma aos seus clientes que terá dificuldade em fazer esses reconhecimentos de perdas diretamente com os mesmos, a não ser que sejam feitas através de PER – Processo Especial de Revitalização ou de RERE – Regime Extrajudicial de Recuperação de Empresas, que, obviamente, podem prejudicar a imagem das sociedades.
  5. Fala da estrutura fraca do Sporting quando manteve (e bem!) grande parte da mesma. Por exemplo, das áreas que me estavam adstritas diretamente só a área da segurança teve a sua direção substituída. Esquece (até porque se calhar não sabe pois nunca geriu nenhuma empresa na vida) que tivemos de fazer um despedimento coletivo e agressivamente reduzir em 40 milhões os gastos de estrutura. E aí, contrariamente ao que o seu chefe disse, conseguimos reduzir os gastos e aumentar a competitividade, ficando logo no primeiro ano em lugar de acesso à Liga dos Campeões no Futebol profissional. A isso chama-se “gerir”.
  6. Devia ter claramente assumido que está a aprender e que tem uma estrutura competente que o está a ajudar e que acredita que, a prazo (o mais curto possível para bem do Sporting), estará apto para falar sobre projetos para o futuro (além de um tal software, que custará para cima de dois milhões de euros e que não ganhará certamente campeonatos).
  7. Tem o “mérito” de ter conseguido ocultar os custos dos financiamentos do Sporting (na última Assembleia Geral da Sporting SAD disse que não os divulgava para proteger os interesses dos parceiros) quando, infelizmente, passou a Sporting SAD de SAD que tinha historicamente os menores custos de financiamento entre os clubes rivais (e louvor seja feito a todos os CFOs que me antecederam pois essa característica já vinha de trás) para a que maiores custos apresenta. Isso iremos certamente ver no próximo Relatório & Contas auditado.

A atividade nos mais de cinco anos em que estive na Direção do Sporting Clube de Portugal pode ser dividida em três fases: a fase de reestruturação e de redução significativa de custos de estrutura; a fase de foco nas modalidades desportivas, incluindo o futebol, com uma perceção clara que sem sucesso desportivo, não poderia haver capacidade financeira; a terceira fase de solidificação e sustentação da estrutura do Grupo. Nesta fase foram lançadas as bases de uma melhoria significativa nas infraestruturas físicas e humanas que nos iriam ocupar até final do mandato, que foi coartado quando só tinha decorrido um quarto do mesmo. E é desta última fase que a atual Direção está a viver.

Assim, e em conclusão, Zenha repete os erros do seu Presidente, além dos tiques autocráticos que nada acrescentam e que me vou abster de comentar. Fala de uma herança que, no caso do Sporting Clube de Portugal, é a herança de uma das maiores instituições portuguesas, com uma das marcas mais valiosas do País. Tem contratos para descontar, tem passes de jogadores para alienar, tem sócios e parceiros para potenciar. Tem direitos a exigir e obrigações a cumprir. E uma dessas obrigações é cumprir com o lema do Sporting Clube de Portugal, de esforço, dedicação e devoção. E, sinceramente, pouco tenho visto destes três pilares fundamentais para a sustentabilidade do Clube e dos seus stakeholders.

Carlos Vieira

At https://leonino.pt/