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Artigo de opinião: “Elvas vs Badajoz”

Diogo lvg3uetS_400x400.jpgCerca de 1890, mais coisa menos coisa, Badajoz tinha mais 3 mil habitantes do que Elvas. Hoje, em 2019, Elvas tem cerca de 18 mil habitantes e Badajoz tem 150 mil habitantes.

Duas realidades bem diferentes, lado a lado, separadas apenas pela fronteira entre os dois países. Duas apostas totalmente diferentes de políticas públicas e de visão de território. Duas cidades do interior. Aliás, Badajoz é hoje uma potência em crescimento. De investimentos realizados, lá até se sonha com uma futura Disneyland.

No fundo, temos do lado de lá da fronteira, uma terra que está mais longe de Madrid do que de Lisboa. Uma terra longe, bem longe do litoral. Mas é o espelho de opções políticas e económicas acertadas, por comparação com um interior de Portugal isolado e abandonado. Medi bem as palavras. Portugal tem um interior abandonado. Tirando os resistentes que por lá vivem, que por lá investem e que por lá ainda resistem, Portugal é hoje um país assimétrico e sem visão de território. Um país pequeno, que somos, contudo macrocéfalo e desnivelado para o litoral. Com esta dimensão e com um abandono total de uma visão integrada para o território, que lhe permita reduzir a perigosa assimetria, que desde os anos 60 do século passado se construiu. Se está a ler este artigo pergunto. Já foi a Portalegre? A Fronteira? À Covilhã? A Boticas? É extraordinário, apesar de tudo, o trabalho de muitos dos nossos autarcas. E até de empresários. Como é fantástico que, em Boticas, por exemplo, exista uma empresa de concepção de redes de pesca, que garante emprego e forte dinamismo económico. Bons, mas, infelizmente, raros exemplos.

Todavia vamos ser claros, para que não restem dúvidas, por melhor que seja o trabalho das Câmaras Municipais e de algumas empresas, isso não chega. Não há desenvolvimento sem verbas, sem estratégia, sem planeamento e sem visão de conjunto ao nível nacional. Conceitos caros e raros neste país que tudo faz em cima do joelho. Que vive sem reformas de fundo, sem horizontes e que, apesar de estarmos em plena campanha eleitoral, pouco se discute do que realmente importa ao interior, apesar das soluções avulsas como baixar IRC das empresas no interior ou Vistos Gold para estas zonas. São propostas bondosas? São. Claro que são. O leilão fiscal é sempre atractivo. Mas não chega. Não basta. É curto. Precisamos de mais, de um planeamento a longo prazo, com compromissos na sociedade portuguesa, por forma a que “territórios de baixa densidade” deixe de ser um eufemismo para descrever aquilo de que o país urbano, concentrado nas grandes cidades do litoral, se esqueceu e só se lembra a cada tragédia que acontece, como os fogos florestais, mas rapidamente perde de vista. Precisamos de quem pense o território de facto e não como mera esmola ou distribuição de fundos, a abordagem tem de ser integral e não uma mera lista desgarrada de medidas, senão como criar ou potenciar sinergias e gerir processos interdependentes, como são os que ligam território, economia e demografia. Podemos ser ainda mais claros? As CIM e CCDR são boas intenções, mas diminutas para a natureza do problema. Precisam de mais escrutínio e de mais poder. Precisam de ter uma visão regional e não podem ser uma mera burocracia do Estado Central para um dado território administrativo, criado à boleia das regras comunitárias de distribuição de fundos. Somos, de facto, um país desequilibrado. E este desequilíbrio precisa de ser enfrentado de frente. Alguém tem coragem de assumir, de facto, políticas de coesão territorial? É por falta de coragem e vontade que existem casos tão díspares como Elvas e Badajoz. Duas cidades vizinhas, mas que contam com Governos centrais e lógicas regionais totalmente diferentes. Era isto que também gostava de ver debatido, de forma séria, numa campanha eleitoral em Portugal.

Diogo Agostinho

At https://expresso.pt/

Opinião: “A galinha dos ovos de ouro das clientelas políticas”

Germany, 1914

Como “hoje em dia já não há “Plano B” e como “qualquer outra solução comprometeria muito fortemente a dinâmica de crescimento do turismo e a dinâmica económica deste sector“, vamos avançar com o “Plano A”, mesmo que comprometa a dinâmica ambiental e hipoteque inapelavelmente a qualidade de vida de toda uma região, que o que interessa é a visão pequenina do lucro rápido e do curto prazo que garanta a galinha dos ovos de ouro das clientelas políticas do pato-bravismo e da especulação à roda das alterações cirúrgicas aos PDM, que haver um aeroporto para moscas a meio do caminho entre Lisboa e Faro, ao qual só falta uma ligação por auto-estrada e por caminho-de-ferro, e que era quase como que aterrar em Lutton ou Gatwick, isso sim o tal do desenvolvimento sustentável e da aposta no interior com que se enche a boca nas campanhas eleitorais, não interessa nada. O quê, Beja não é interior? É litoral alentejano ou litoral fronteiriço, dependendo do ponto de vista do utilizador?

José Simões

At https://derterrorist.blogs.sapo.pt/

[Imagem de autor desconhecido]

Artigo de opinião: “É hora de desobedecer”

Matilde Alvim.jpgEm jogo estão os recursos naturais, o equilíbrio de forças, a sobrevivência e a justiça. Então, como nos podemos resignar e conformarmo-nos com um sistema que abre caminho, a toda a velocidade, em direcção ao ecocídio e à catástrofe climática?

Desobedecer, sim.

Perante o cenário de um futuro caótico e depois de décadas de tentativas praticamente falhadas, só nos resta a desobediência. De forma pacífica, sempre, mas não menos perspicaz.

Parece quase óbvio. Se estivéssemos, num futuro distante, a olhar para trás na História e a ver esta fresta de tempo que estamos a viver, interrogar-nos-íamos sobre o porquê de não termos feito nada. É quase instintivo: em jogo estão os recursos naturais, o equilíbrio de forças, a sobrevivência e a justiça. Então, como nos podemos resignar e conformarmo-nos com um sistema que abre caminho, a toda a velocidade, em direcção ao ecocídio e à catástrofe climática?

A desobediência civil é o acto consciente de um ou mais cidadãos desobedecerem à lei, num acto de protesto político que demonstra desacordo e inconformidade com a ordem estabelecida, existindo várias formas de o concretizar pacificamente. Já Thoreau, no século XIX, usou a desobediência civil como um meio para contestar a guerra americana contra o México, recusando-se a pagar impostos (que financiavam essa mesma guerra). No fundo, a premissa passa por questionar se a lei equivale mesmo à moral, e qual a legitimidade que os cidadãos comuns têm em desobedecer às estruturas superiores quando estas entram em conflito com a sua ética. Como diria Thoreau, o cidadão não pode nunca resignar a sua consciência à legislação, abandonando-a e deixando-a a cargo do poder político. Para além do mais, é até responsável quando apoia os agressores e a injustiça, mesmo sendo este apoio a simples resignação e obediência à lei.

A verdade é que cerca de 100 empresas são responsáveis por cerca de 71% da emissão de gases com efeitos de estufa (GEE) e, enquanto as emissões anuais sobem para recordes históricos, as minas de carvão e as petrolíferas continuam tranquilamente a sua exploração, isentas e impunes de qualquer responsabilização e até, em alguns casos, apoiadas por estados. Talvez a parte mais absurda é que esta situação é, sem dúvida, a ordem dada como normal e até aceitável.

O movimento ecologista surgiu nos anos 70. As emissões globais de GEE aumentaram 75% desde esses anos até 2004, segundo dados do estudo da Netherlands Environmental Assessment Agency.

E agora? Agora, depois de décadas a tentar chamar a atenção para o problema usando o protesto legal, é hora de recorrermos à insubordinação pacífica contra o sistema que permitiu não só que a crise climática se criasse, como a alimentou conscientemente. Serão legítimos os bloqueios a minas de carvão, os acampamentos em prospecções de gás e as obstruções de vias públicas? Sim, sem dúvida. Com certeza não será legítima a destruição do planeta de todos em prol dos interesses de alguns. Aceitar esta situação é compactuar com ela e ser, em parte, responsável e cúmplice da sua continuação e da loucura da crise climática.

A verdade é que a maioria dos cidadãos comuns condena a destruição ávida dos ecossistemas, a exploração frenética dos recursos e o contorno sistemático às normas e leis ambientais em nome dos interesses corporativos, é só verificar a enorme onda de solidariedade após os incêndios na Amazónia. Mas mesmo que estas atrocidades ambientais, inseridas num sistema que as banaliza, vão contra a vontade e a ética dos cidadãos, muito poucos têm a coragem de se insubordinar.

E parece tão óbvio, tão simples, quando olhamos para os livros de História e nos perguntamos o porquê de poucos terem tido a coragem de se revoltar contra a escravidão ou desobedecido ao nacional-socialismo. E vai parecer cristalino quando, por fim, encararmos o futuro que nos espera se não agirmos, olharmos para trás e perguntarmos a nós próprios: porque é que ninguém se insurgiu?

E é tão óbvio: ou é agora ou é nunca. É hora de reunir a nossa coragem.

Matilde Alvim

Estudante e activista pela justiça climática na Greve Climática Estudantil

At https://www.publico.pt/

Quer uma árvore? Vá ao ICNF e veja o que há

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O projecto Floresta Comum, liderado pelo ICNF — Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas tem 165.740 plantas autóctones para dar. As candidaturas às plantas estão abertas até 27 de Setembro.

Nesta fase, podem candidatar-se as autarquias, outras entidades públicas e os órgãos gestores de baldios. As plantas estão disponíveis para a próxima época de (re)arborização, de Novembro de 2019 a Fevereiro de 2020.

Actualmente estão licenciados como fornecedores de materiais florestais de reprodução para exercerem a actividade de produção de plantas para o projecto Floresta Comum, 4 viveiros do ICNF: Amarante, Malcata, Monte Mordo e Valverde.

Bolsa Nacional de Espécies Florestais Autóctones

A Bolsa Nacional de Espécies Florestais Autóctones é constituída por plantas produzidas nos viveiros do ICNF e de viveiros associados e que são anualmente disponibilizadas para o projecto Floresta Comum, desde que provenientes exclusivamente de sementes e plantas nacionais.

Esta Bolsa tem como objectivo disponibilizar plantas de espécies autóctones, de forma a satisfazer a procura no âmbito do projecto e simultaneamente valorizar as espécies nacionais e, directa ou indirectamente, a recuperação e conservação da biodiversidade.

Candidaturas

As candidaturas devem cumprir vários critérios e podem revestir a forma de projectos florestais ou de conservação da natureza e recuperação da biodiversidade e projectos educativos, incluindo projectos de parques florestais urbanos.

Todas as candidaturas cujo o proponente seja, uma autarquia ou outra entidade pública, ou órgãos gestores dos baldios deve direccionar a sua candidatura para a Bolsa Pública de Espécies Florestais Autóctones.

Todas as candidaturas cujo o proponente seja uma pessoa individual ou colectiva de direito privado, deve direccionar a sua candidatura para a Bolsa Privada de Espécies Florestais Autóctones.

As candidaturas a projectos educativos são apresentadas pelas autarquias e devem ser em parceria com a comunidade escolar.

Recuperação da biodiversidade

Por sua vez, as candidaturas a projectos florestais, de conservação da natureza e recuperação da biodiversidade podem ser apresentadas por autarquias, entidades publicas, órgãos gestores de baldios, pessoa individual ou colectiva de direito privado, para terrenos com potencial para (re)arborização.

As candidaturas são anualmente submetidas ao secretariado do projecto que as regista e comunica o respectivo número do registo ao proponente.

No caso de candidaturas das Comunidades Inter-municipais ou que envolvam vários municípios, deverá ser apresentada uma única candidatura.

As candidaturas devem ter em conta a proximidade do viveiro e devem referir especificamente quais os viveiros que foram considerados na escolha das espécies pretendidas.

Pode consultar o regulamento aqui, as disponibilidades de plantas de cada viveiro aqui e os documentos necessários para apresentar candidatura aqui.

At http://agriculturaemar.com/

Vem aí a “maior” Festa do país – “Avante”

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A Festa do «Avante!» é a maior e mais bonita iniciativa político-cultural feita algum dia no nosso País, uma obra colectiva alicerçada e edificada pelos valores da generosidade, do empenhamento militante, da solidariedade e convívio fraterno em que o trabalho e a arte brotam como fonte de realização humana.

Uma Festa que é um espaço privilegiado para a cultura e a criação artística. Aqui, com esforço mas com grande fraternidade, criamos condições para que artistas e criadores de todas as formas de expressão encontrem lugar e espaço para apresentar aos visitantes da Festa os resultados do seu trabalho e do seu modo de olhar o Mundo.

Data de Fundação: 1976

At https://www.facebook.com/