Arquivo de etiquetas: Solidariedade

Câmara de Portalegre vai “ceder” casas a médicos

Hospital Site_H portalegre

A Câmara Municipal de Portalegre vai ceder dez habitações gratuitas a médicos especialistas que queiram vir trabalhar para a região norte alentejana.

A proposta foi apresentada pela Unidade Local de Saúde do Norte Alentejano à Câmara Municipal de Portalegre e deverá ser assinada já em setembro.

Em declarações a esta estação emissora, Adelaide Teixeira, presidente da Câmara Municipal local, referiu que o objetivo deste incentivo é atrair médicos, sendo que, estes “fazem falta ao nosso hospital e às nossas populações”.

A presidente da autarquia local esclareceu ainda que a câmara vai ceder gratuitamente a casa “mas se o médico sair antes do tempo acordado terá de pagar uma indemnização”.

Além dos incentivos já estipulados pelo governo para atrair médicos para as regiões do interior do país, esta é uma medida que vai permitir fixar clínicos nesta região por mais tempo.

At http://www.radioportalegre.pt/

Mais de 30 militantes do PS pedem “desfiliação”

PS aniversario-ps-44-anos-00818
Militantes escreveram terça-feira ao presidente do PS, Carlos César, a denunciar “atropelos e violações” dos estatutos do partido no processo de escolha dos candidatos à câmara municipal, mas não só.

A escolha do candidato do PS à Câmara de Pedrogão Grande, Valdemar Alves, que em 2013 foi eleito nas listas do PSD, está na origem da demissão em bloco de mais de três dezenas de dirigentes do partido a nível local e de militantes de base.

Numa carta enviada nesta terça-feira ao presidente do PS, Carlos César, e à secretária-geral adjunta, Ana Catarina Mendes, os militantes solicitam, “com efeitos imediatos”, a desfiliação do PS “numa posição insanável que traduz o forte descontentamento que se vive actualmente no seio desta estrutura”.

Os subscritores da carta recusam, “de forma veemente, continuar a desempenhar o papel de meros pagadores de quotas, cuja voz não é ouvida, tida ou achada na tomada de decisão, em especial no que se refere à designação dos candidatos do PS à Câmara de Pedrógão Grande”. Por outro lado, demarcam-se do processo, nomeadamente das “respectivas escolha” e afirmam que as opções feitas pelo partido naquele concelho “não correspondem à legítima vontade dos militantes desta concelhia, mas sim a terceiros, tornando-a, num lugar inerte, obsoleto, onde a democracia interna não existe e nem é valorizada”.

Assinada por Natércia Coelho, Antonino Baptista e Isaías Lopes, a carta revela que a candidatura de Valdemar Alves “apenas foi aprovada por onze membros da concelhia, tendo-se registado um voto contra”. Os militantes revelam que “apenas tiveram conhecimento do nome do candidato do PS à Câmara de Pedrógão Grande pela comunicação social”.

Assim, consideram de “extrema gravidade e absolutamente lamentável que os nomes dos candidatos à câmara, assembleia municipal e juntas de freguesia sejam já do conhecimento público, sem que os mesmos tenham sido aprovados em sede própria, ou seja, em reunião da comissão política concelhia, convocada expressamente para o efeito”.

Ao actuar desta forma, sublinham, o partido “violou o normativo legal estalecido nos estatutos do partido”. “Há um constante atropelo das regras básicas de democracia interna, corroendo, a cada dia que passa, qualquer perspectiva de futuro”, denunciam os autores da carta, dirigida a Carlos César e Ana Catarina Mendes. E acrescentam: “Não podemos continuar a assistir a um partido que funciona sem rei nem roque, sem estratégia, sem rumo, sem organização, onde há um vazio de ideias e ao sabor de vãs conjunturas onde tudo vale para chegar ao poder, onde prevalece o tacho e o penacho”.

Queixando-se de pertencerem a um partido que actua numa “posição e total desprezo para com os seus militantes”, os autores da carta revelam que entre as pessoas que pedem a “imediata desfiliação” do PS, destacam-se: Antonino Baptista, fundador do PS em Pedrogão Grande e presidente da comissão administrativa no concelho entre 1974 e 1976; Natércia Coelho, presidente da Mesa da concelhia; e Isaías Lopes, secretário da concelhia e candidato do PS à Junta de Freguesia da Graça em 2005, entre outros.

O PÚBLICO contactou a direcção nacional do PS para obter uma reacção, mas sem sucesso.

At https://www.publico.pt/

Presidente da Câmara convocou só parte da Comissão Municipal de Protecção Civil

Comissoes

Os dois representantes da Assembleia Municipal na Comissão Municipal de Protecção Civil, Marco Oliveira e Jorge Graça, não foram convocados para a reunião realizada no dia 26 de Julho, de que resultou a activação do Plano Municipal de Emergência de Protecção Civil de Nisa. Supõe-se que terá sido pelo facto de ambos os membros não possuírem um colete alaranjado florescente da protecção civil.

Conselho Municipal

Ressalva que Marco Oliveira foi o último Adjunto do último Governador Civil do Distrito de Portalegre, Jaime Estorninho, com ampla responsabilidade na área da protecção civil. Entre outras, membro integrante semanalmente nos briefings do CDOS (Centro Distrital de Operações de Socorro), nomeadamente no período crítico, com representantes das forças de segurança e instituições com responsabilidades na área da defesa da floresta; responsável pela organização e apresentação estatística da reunião mensal do Gabinete Coordenador de Segurança, também com a presença do CODIS (Comandante Operacional Distrital); membro integrante nas visitas às zonas de alto risco de incêndio do distrito de Portalegre; supervisor da elaboração do PDDFCI (Plano Distrital de Defesa da Floresta contra Incêndios) para o distrito de Portalegre, a que se somaram reuniões com os responsáveis pela defesa da floresta e protecção civil nos vários municípios do distrito, e outras com representantes dos restantes distritos do país; também por esses motivos próximo do CODIS, Belo Costa, e do 2.º CODIS na altura, Rui Conchinhas, nomeado este ano para exercer as funções de CODIS em Portalegre, assim como da maioria dos comandantes de bombeiros do distrito.

LV

Opinião: “Incêndios denunciam erros desafiam a solidariedade”

Antonino acanac_a.dias1A nossa Diocese de Portalegre-Castelo Branco, nestes últimos dias, tem sido tragicamente atingida pelos incêndios. E não é só de agora que este flagelo nos tem batido à porta. Com mais ou menos intensidade, aqui ou ali, tem acontecido todos os anos e, em alguns anos, de forma calamitosa. Não é difícil imaginar quanto desespero e dor isto provoca nas populações, quanto sofrimento, quanta pobreza a curto e a longo prazo. Somos um interior com a população a desaparecer, com uma população cada vez mais envelhecida e pobre, com uma população a sentir-se cada vez mais desprotegida e com a sensação de um certo abandono.

Neste momento, porém, a Igreja Diocesana, através dos seus Párocos, Organizações paroquiais e Comunidades cristãs, embora se sinta pequenina e impotente perante tal calamidade, manifesta a sua proximidade junto dos Senhores Presidentes das Câmaras Municipais de Castelo Branco, Sertã, Mação, Proença-a-Nova, Gavião e Nisa, bem como às Juntas de freguesia e, particular e afetuosamente, junto das queridas populações tão sofridas e de quem, neste momento, as ajuda no terreno. Manifesta ainda a vontade de, através da Direção da Cáritas Diocesana, ajudar a minimizar, de forma concertada com os Autarcas e os Párocos, tantos estragos e sofrimento.

No meio das calamidades e à mistura com a súplica orante, surge, por vezes, a interrogação sobre o lugar de Deus. Onde está e por que é que Deus permite tamanhas desgraças? Em vez de nos perguntarmos porque é que Deus permitiu tudo isto, melhor será perguntarmo-nos sobre o que é que podemos fazer com tudo isto que nos acontece. Dessa forma, a interrogação transforma-se em pedagogia da esperança e do compromisso comum. E da certeza da pequenez humana diante de tamanhos acontecimentos, surge a oração confiante ao nosso Deus, o Deus que não abandona, não amedronta, não é indiferente ao sofrimento humano.

Pessoalmente ou em Comunidade, apelo a toda a Diocese para que não deixemos de rezar ao nosso Deus que, em Jesus Cristo, Se revelou um Deus próximo de cada experiência humana, sobretudo a experiência da dor e do sofrimento. Dizendo-nos a Deus, na oração, encontraremos esperança, serenidade e força para darmos as mãos e, na caridade cristã, nos valermos uns aos outros.

Mas se confiamos em Deus, também contamos decididamente com os homens. Todos aguardamos ansiosamente aquele momento em que, todos quantos superintendem no ordenamento do território, se deixem de filosofias baratas, resolvam decididamente congregar sinergias, e, de mãos dadas com as Autoridades locais, de forma concreta e concertada, façam o seu trabalho em favor desta causa e casa comum, também para melhor rentabilização do que temos, maior prevenção dos incêndios e sossego das populações.

Bispo Antonino Eugénio Fernandes Dias

Teleassistência chega aos mais isolados em Nisa

PT_Altice

A Presidente da Câmara Municipal de Nisa Drª Idalina Trindade assinou ontem, dia 13 de Julho, o contrato de aquisição do Serviço de teleassistência domiciliária no concelho de Nisa, com a empresa Portugal Telecom.

Este novo serviço, estará brevemente ao dispor dos munícipes do concelho de Nisa, está integrado no Regulamento do Programa “Nisa Social” (publicado em Diário da República no dia 21 de Junho de 2017) dirigido a beneficiários do cartão do idoso e a pessoas que vivem sós ou em situação de isolamento total ou temporário e ou tenham algum grau de deficiência/incapacidade comprovada mediante relatório médico e cujo rendimento per-capita do agregado familiar seja igual ou inferior à retribuição mínima mensal garantida (RMMG).

A Teleassistência é um serviço de emergência, que integra uma central com atendimento permanente, um telefone especial colocado no domicílio do utente e um medalhão com botão de alarme incorporado, dirigido para a população idosa e em situação de dependência, e assenta num sistema de telecomunicações instalado gratuitamente pela Câmara Municipal de Nisa de forma a atenuar os momentos de solidão e proporcionar segurança e tranquilidade a si próprio e aos familiares, preservando a sua autonomia, auto-estima e melhorando a qualidade de vida.

At http://www.cm-nisa.pt/

Munícipes de Elvas têm ajuda a sintonizar as TV’s

Elvas ajuda sintonizacao tv

A Câmara Municipal  de Elvas, na sequência das recentes alterações feitas no serviço de TV por cabo no Centro Histórico da cidade, tem desde esta semana uma equipa na rua para ajudar os residentes.

Assim sendo, um colaborador do município tem vindo a percorrer as casas dos residentes para ajudar os que ainda não conseguiram sintonizar os canais portugueses e espanhóis.

Este colaborador da Autarquia encontra-se devidamente identificado e é acompanhado por um agente da Polícia de Segurança Pública de Elvas, para que não haja dúvidas quanto às suas funções.

Recorde-se que a empresa que é responsável pelo sinal de TDT no Centro Histórico alterou, na passada semana o serviço, que agora é feito mediante a redes de fibra.

At http://www.cm-elvas.pt/

Opinião: “O silêncio de Francisco”

Francisco

Foi há pouco mais de uma hora, no pletórico centro dos telejornais. Francisco desceu do papa-móvel e caminhou em festa pela avenida central em direcção à capelinha das delirantes e deliciosas Visões. As televisões, como é da sua obrigação e natureza, deliravam e deliciavam-se: toques de mão, lenços a acenar, olhos a que uma, duas lágrimas purificavam.

O já velho Papa – foram sempre velhos os Papas do meu tempo, com excepção do impopular Paulo VI – chegou cansado ao altar onde está a imagem de Maria. Tocou na base da imagem sacra, mão aberta, coração atento. E sentou-se. Recolheu-se. Uma voz altifalante pediu aos milhares e milhares de peregrinos, a essa multidão humana, diversa, que se recolhesse também. Como uma brisa sobreaquecida, o silêncio dilatou-se e cresceu, excepcional, pelo Santuário de Fátima.

Foi um silêncio humano, um desses silêncios de que nem Deus, nem a Natureza conhecem o segredo. Só nós, os humanos, em momento de temor ou tremor, de perplexa alegria, ou de incendiada fé, somos capazes de um silêncio deste espantado tamanho.

Nenhuma das nossas três televisões soube o que fazer com esse clamoroso silêncio, tão humano, tão divino. Era preciso calar o silêncio, aniquilar essas sublimes chamas silentes, mudos Espíritos Santos, que saíam da boca de milhares e milhares de pessoas. Os comentadores, padres ou leigos, desunhavam-se a falar. Atropelavam uma palavra com outra histérica palavra para que os telespectadores não ouvissem o silêncio.

A televisão, hoje, às 21:00, em pleno telejornal, não soube o que fazer com o silêncio de um homem sentado frente à modesta escultura de uma figura de mulher, não soube o que fazer com o silêncio do que, por serem muitas mulheres e muitas homens juntos, chamamos povo. A televisão não soube o que fazer com o silêncio dessa estranha coisa – que eu há tanto anos esqueci – a que se chama oração.  E, não obstante – o mesmo eppure que a outro Papa ou a mandatários dele disse Galileu – esse silêncio, como um grito, abria buracos no matraquear aflito, preenchitivo, dos comentadores e uns eram leigos, outro eram padres. Falavam e era uma ininteligível Babel.  A voz de Deus, se houvesse ou viesse haver uma voz de Deus, calava-se no silêncio de um homem de branco, na ajoelhada voz de centenas de milhares de seres humanos vestidos de todas as cores.

Eu queria ter ouvido o inteiro silêncio, cheio de graça, do Santuário de Fátima.

Manuel S. Fonseca

At http://www.escreveretriste.com

Carta aberta de yazidi (refugiado) ao Presidente da República

Saman Ali chegou a 6 de março como refugiado. É yazidi, do Iraque. Viajou da Grécia até Lisboa com seis famílias do mesmo credo, 23 pessoas ligadas por sangue e ele sem laços nenhuns. O autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) matou-lhe a família inteira. Mãe, irmãs, irmãos, pai. Ainda no aeroporto de Lisboa jurou fidelidade a Portugal, “o meu segundo país para sempre”. Em Guimarães, onde foram integrados, manteve a promessa, mesmo quando os companheiros de viagem começaram a partir, logo nos primeiros dias. Para a Alemanha, Holanda e outros países europeus. Ficou só ele. O único yazidi que resta em Portugal.

Esta semana, no Dia do Trabalhador, o professor universitário de biologia decidiu redigir uma carta aberta ao Presidente da República. Escreveu-a em português, a língua que já começou a aprender. O seu título provisório de residência termina esta sexta-feira, e Saman está com muito medo de perder mais um país.

Carta Aberta ao Senhor Presidente da República Portuguesa

Excelentíssimo Senhor
Presidente da República Portuguesa Prof. Marcelo Rebelo de Sousa,

Me Ajuda Por Favor!

Eu Preciso de Você!

Caro Presidente,

Antes de mais, gostaria de agradecer todos os esforços levados a cabo por vós e pelas autoridades portuguesas no apoio ao nosso povo Yazidi; estamos muito agradecidos por tudo o que têm feito.

Eu sou um Yazidi, sou solteiro, chamo-me Saman Ali, e nasci em Sinjar, no Iraque. Também sou vítima do ISIS [Daesh], que matou muitos dos meus familiares, tais como os meus pais, irmãs e irmãos. Perdi-os a todos, sendo eu o único sobrevivente.

No Iraque, era professor universitário, mas fui obrigado a deixar o meu país por causa da minha religião, das minhas opiniões e das minhas atividades. A minha vida estava em grande perigo e eu estava a trabalhar como voluntário para uma organização não governamental chamada Holy Spirit, para ajudar o meu povo.

Nunca mais posso voltar ao Iraque pelo risco de ser perseguido e morto.

Cheguei a Portugal no dia 6 de Março de 2017 pelo programa europeu de realocação da Grécia, tendo feito a perigosa viagem do Iraque e esperado mais de um ano. A 10 de Novembro de 2016, tive o prazer de saber que a minha realocação tinha sido aceite pelas autoridades portuguesas.

Quero agradecer a todas as organizações portuguesas por todo o seu apoio e ajuda, especialmente ao SEF e os colaboradores da Câmara Municipal de Guimarães, onde todos foram muito simpáticos comigo.

Desde o primeiro dia em que cheguei, aceitei Portugal como o meu segundo país de origem e adoro o povo português, que agora sinto como membro da minha família, e quero ficar aqui o resto da minha vida.

Tenho um mestrado em biologia médica e quero muito começar a fazer o doutoramento, falo 6 línguas e já comecei a aprender português.

Desejo servir o povo de Portugal e é um prazer fazer parte da vossa sociedade, respeito a lei e interessam-me muito uma sociedade e um modo de vida pacíficos e civilizados.

Perdoe-me por dizer : Eu sou o primeiro refugiado yazidi que chegou aqui a Portugal e eu serei o último a ficar aqui porque todos eles já saíram. Vamos ter em Portugal só um refugiado yazidi que sou eu, porque nenhum outro quer ficar.

Se houver alguma forma de acelerar o processo de asilo para que eu o possa obter mais rapidamente, queiram, por favor, informar-me, pois quero muito contribuir e continuar com os meus estudos, que me permitirão trabalhar, uma vez que com este estatuto de asilo, tal não me é permitido.

Muito grato pelo vosso tempo, queiram aceitar o meu respeito e consideração.

Deus vos abençoe e obrigado pelo vosso apoio.

Saman Ali

At Expresso.pt

Gavião, o único município que abdica do total de IRS

Gaviao Alamal

A Autoridade Tributária (AT) já deu a conhecer a participação dos Municípios no IRS dos residentes concelhios relativamente aos rendimentos do ano de 2017.

Por lei, os municípios têm direito, anualmente, a uma participação máxima de 5% do IRS cobrado aos seus moradores, no entanto há municípios que abdicam na totalidade.

Se a taxa de participação no IRS indicada à AT for inferior a 5%, a diferença reverte igualmente a favor da população. Mas atenção, a devolução municipal de IRS só tem lugar se a declaração de rendimentos for entregue dentro do prazo legal, explica o mesmo diploma.

No Alentejo é Gavião o município que mais beneficia os seus munícipes, abdicando da totalidade da participação. Por outro lado são 31 os municípios alentejanos que aplicam a taxa máxima de 5%.

At http://radiocampanario.com/ (conheça a participação de cada município alentejano no IRS)

Opinião: “Dia 1 de Maio”

raquel-varela_1349828739Quase todos os dias as pessoas abordam-me na rua. Cada uma delas é uma história de um país que aparece pouco, embora nas estatísticas ele seja maioritário. 80% dos portugueses é trabalhador. 1/3 dos que trabalham não recebem, mesmo não estando sobre-endividados, para pagar as contas. O dia de hoje é para recordá-las.

A Ana, trabalha numa grande empresa, mãe de duas filhas, só o pai de uma dá uma pensão, de 150 euros, trabalha por turnos, sem horas de facto, ganha 670 euros líquidos, paga 500 de casa. Recebeu ordem de despejo, foi à Santa Casa que lhe aconselhou alugar um quarto e lhe deu uma latas de atum. O João é taxista, vai a casa almoçar 2 horas e dormitar no meio das 14 horas que passa no táxi. Quanto ganha? “O suficiente para pagar as contas”. O Pedro está num call centre subcontratado de uma grande empresa – 570 euros, 8 horas por dia, “o turno começa às 6 da manhã, queríamos ter filhos, uma casa…mas não dá”. Entro no elevador, a senhora da limpeza, desdentada, entra às 4 e 30 da manhã, ganha «3 euros e 26 à hora» – repete para eu não ter dúvidas novamente o valor do salário – «na verdade serve-me para pagar à Caixa, porque para casa pouco levo».

Todos os exemplos são desta semana, não vos contei os da semana passada e da anterior, são todos reais. Mudei apenas os nomes e omiti as empresas.Não tenho responsabilidades políticas e mesmo assim é muito difícil um dia em que não seja abordada por alguém que me conta como o lugar de trabalho – qualificado ou manual – se tornou num espaço ultrajante, os salários são risíveis, o assédio moral generalizado, a irracionalidade da gestão a norma, a vigilância ofegante, não há pausas, todos chegam a casa mortos. Às Câmaras chegam todos os dias pedidos de ajuda para ter onde dormir, o que comer. Aos tribunais. Às Juntas de Freguesia. Às Igrejas. Vivemos na instabilidade social, na ansiedade, na desorganização – o país real é um caos. Todos os que referi aqui trabalham 8 horas por dia. E pagam impostos.

Metade do país é oficialmente pobre. 30% recebem assistência.

O 1 de Maio não deveria ser só um desfile de memória, mas uma corrida contra o tempo. A história pode ser estupidamente lenta, mas a vida corre, mesmo quando não se vive, porque – com a mesma tristeza que olhamos alguém no século XXI desdentado, que destrói a auto estima – devemos ter frieza para deixar de elogiar a pobreza, parar de elogiar este país de baixos salários, exportações e alta competição que coloca os nossos vizinhos, colegas, filhos e pais a viver sem dignidade. Onde quem trabalha tem como opção o assistencialismo, umas latas de atum e um quartinho. A vida suspensa, portanto. Há alternativas e todas custam. A ruptura com este modelo não vai ser indolor – mas é inevitável se não queremos continuar a sair à rua com vergonha, medo, melancolia. Não podemos aceitar um país onde quem trabalha nem consegue viver.

Raquel Varela