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Artigo de opinião: “Se bem me lembro… (1)”

Duarte Caldeira Ferreira image_content_265013_20161020205526A democracia deveria ter chegado à Madeira com o 25 de Abril de 1974 através da revolução dos cravos. Viveram-se alguns tempos de esperança, até que através dum ato democrático surgiu a primeira Assembleia Regional da Madeira e por consequência o primeiro Governo Regional da Madeira presidido pelo eng.º Ornelas Camacho com a duração de cerca de um ano e meio. Aí logo sentimos na pele que a democracia não teria assim implantação tão fácil como pensávamos, pois faltavam os ovos. Estou a recordar-me do dia 18 de Abril de 1977, em que o Presidente do Governo Regional mandou a Polícia de Choque carregar em cima dos trabalhadores de Hotelaria, junto à entrada da Assembleia e eu, que vinha a sair, pois tinha tido uma reunião, também apanhei umas cacetadas sem saber ler nem escrever, como costuma dizer-se. Que me recorde foi este o primeiro sinal da “nova democracia”.

Um mês e uma semana depois, sensivelmente, depois de uma sessão mais dura Assembleia Regional, pois era deputado eleito pelo PS, meu partido de ideias e de coração, fui ameaçado pelo então líder parlamentar do PPD, de nome Alberto João Jardim. No fim de semana anterior tinha participado numa reunião da Comissão Nacional do PS em Portalegre e fiz uma intervenção denunciando as perseguições de que eram vitimas os membros da oposição na Madeira, através da colocação de bombas e de carros incendiados. No fim de semana seguinte, fui contemplado com o meu carro e o da minha mulher incendiados na mesma noite, entre as quatro e as cinco da manhã….Nessa mesma noite outro militante também viu o seu carro incendiado, o presidente da Juventude Socialista da Madeira de então. Muitos foram os elementos da oposição que viram as chamas e as bombas tomarem conta das suas viaturas, sem que a Polícia Judiciária fizesse qualquer investigação a sério. Houve mortes estranhas, como um enforcamento na cadeia, um membro do CDS que morreu com uma bomba na mão na Ilha do Porto Santo. Veio, clandestinamente um elemento da Judiciária de Lisboa fazer investigações na Madeira, com a ajuda de alguns democratas….Infelizmente foi descoberto esse agente e teve que sair à pressa pois estavam a tratar do seu desaparecimento…

Foi um período muito conturbado, pois quem era da oposição não se sentia em segurança, nem ele, nem a família, pois houve telefonemas a ameaçar que raptariam os seus membros. Alguns saíram da Madeira, outros mudaram-se para o PPD e outros abandonaram a política, mas houve os chamados resistentes que se aguentaram firmes e enfrentaram de peito aberto a ditadura que se vivia então, que foi designado pelo “deficit democrático”.

Entretanto o Governo Regional demitiu-se e a 16 de Março de 1978 Alberto João Cardoso Jardim assume a sua Presidência, depois de dizer que se fosse para o governo as bombas acabariam. Esta foi a maior verdade dita por aquele Governante Regional durante os seus quase quarenta anos de governante na Madeira…Curiosamente eu fui chamado à judiciária “a convite” do seu superior máximo na Madeira, porque no dia em que incendiaram o meu carro e o da minha mulher, disse à Comunicação Social que o responsável seria o Líder da bancada do PPD, devido ao ataque cerrado e violento que me fez no parlamento Regional e este participou de mim….Como soube qual era o tema, preparei-me para enfrentar “a justiça”. Quando lá cheguei o Inspetor pediu-me para aguardar um pouco porque o Dr. Alberto João Jardim estaria a chegar e queria prestar declarações antes de mim, porque teria uma proposta para me apresentar!!!! Estava com o meu advogado madeirense e ele aconselhou-me que aceitasse, pois poderíamos ficar com mais algumas “armas” no nosso lado. Chegou o chefe, com o seu ar importante, cumprimentou e entrou para o gabinete do inspetor. Passado algum tempo saiu e disse-me que tinha deixado uma proposta para mim….Entrei e ouvi a proposta: “ O Dr. Alberto João jardim, tinha feito uma participação contra mim por difamação (ou qualquer coisa assim no género), mas se eu dissesse à comunicação Social que tinha feito aquelas afirmações debaixo de um certo nervosismo e que lhe pedia desculpa” Obteve como resposta minha o seguinte: “Senhor inspetor lamento estar sujeito a este tipo de coisas e a minha resposta é não e declaro que são meus advogados o Dr. Alcino Barreto e o Dr. Francisco Salgado Zenha. Mais, qualquer assunto que queiram tratar comigo, agradecia que o fizessem através da Assembleia Regional, pois o Estatuto do Deputado assim o exige”….Estas declarações foram passadas à comunicação Social e passados dois dias o denunciante retirou a queixa e meteu o rabo entre as canelas….Porquê?

Duarte Caldeira Ferreira

At http://www.dnoticias.pt/

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Artigo de opinião: “Crónica do processo de benfiquização em curso”

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“O que garanto é que defenderei o Sporting. E isso significa, muitas vezes, estar calado” Varandas, Frederico – 13-10-2018

A política sempre tentou colar-se ao desporto e em particular ao futebol, mas a verdade é que era um fenómeno mais de autarcas de pequenas localidades, que tentavam tirar dividendos políticos nas suas terras. Isto foi assim até ao dia em que nas legislativas de 2002 um presidente de um clube – Manuel Vilarinho –  apelou ao voto num partido (PSD), enquanto presidente desse clube e não enquanto cidadão, com a liberdade de opinião que todos temos. Não tardou a vir o “pagamento” do apoio a esse partido, fosse para a construção do estádio, fosse aceitando ações da SAD, que não estava cotada, como dação em pagamento de dívidas fiscais que a atirariam para os escalões secundários.

Não demorou muito até que o presidente seguinte desse mesmo clube – Luís Filipe Vieira – fosse buscar João Gabriel para diretor de comunicação. João Gabriel que vinha também da política, onde foi assessor de Jorge Sampaio. A João Gabriel sucedeu Luís Bernardo, que vinha também da política, onde foi assessor de José Sócrates, e por lá se mantém.

Algumas táticas que estávamos habituados a ver só na política, como as campanhas negativas contra os adversários, o “deixar” as notícias saírem por um órgão de comunicação social escolhido e privilegiado (TVI, Abola) começaram a ser cada vez mais evidentes no desporto.

Mas também é verdade que, ao mesmo tempo que os diretores de comunicação foram ganhando protagonismo, foram retirando da “linha da frente” o presidente Luís Filipe Vieira, até pela falta de competências comunicacionais que esse presidente apresenta.

Curiosamente, ou talvez não, atualmente no Sporting está-se a dar uma benfiquização, pois para além de a comunicação estar a ser dirigida por uma renomada empresa de comunicação, a LPM, habituada a diversas campanhas políticas, também temos um presidente com fracas competências comunicacionais.

A chamada “pescadinha de rabo na boca” vai acontecer, ou seja, quanto mais protegem Frederico Varandas da exposição pública, menos treinado para enfrentar os jornalistas e os Sportinguistas estará, e como não treina, mais os seus assessores de comunicação se sentirão tentados a “protege-lo”.

No entanto, há situações em que Frederico Varandas tem mesmo de falar, faz parte do seu trabalho. Mas, veja-se o quão infelizes foram as suas declarações à saída de uma reunião da Liga. Declarações essas de alguém que fala em #Unir: “Há muitas pessoas que estão habituadas ao Sporting ser um circo, um produto televisivo de chacota, mas esse tempo acabou. Será também uma tristeza para alguns, mas o empréstimo obrigacionista é uma realidade e o refinanciamento será feito em novembro, como prometido.”

Quem são as “muitas pessoas”? Quem ficará numa “tristeza” pelo empréstimo obrigacionista ser feito? Eram para José Maria Ricciardi estas palavras? Eram para os Sportinguistas em geral?

Erro básico da comunicação, palavras vagas, sem destinatário, descontextualizadas do local e do assunto que o levou ali.

Frederico Varandas falou, mas nada disse, continuando calado em relação ao ataque feito pelo rival aos blogs Mister do Café e O Artista do Dia. O New York Times fala do assunto aqui, mas o presidente do Sporting cala-se? Expliquem-me de que forma é que Frederico Varandas estando calado, está a defender os bloggers leoninos, pergunto eu?

Assim, quando Frederico Varandas diz que “defenderei o Sporting. E isso significa, muitas vezes, estar calado”, mais não está a fazer do que esconder um seu ponto fraco, pois estando calado não defende o Sporting, nem os Sportinguistas, em nada.

Em minha opinião, Frederico Varandas ao estar calado, apenas se está a defender a si próprio da opinião pública, e principalmente dos Sportinguistas, e de estes verem o óbvio. No caso de Frederico Varandas, estar calado não é estratégia, mas sim uma necessidade, tal como no rival já viram isso há muitos anos, e é por isso que o Sporting está num processo de benfiquização em curso.

Um abraço de Leão.

Nuno Sousa

Sócio 9.575-0 desde agosto de 1981

At https://www.bancodesuplentes.com/

Artigo de opinião: “O que leva os melhores funcionários deixarem de vestir a camisa da sua empresa?”

Trabalho

Perder um bom funcionário é terrível. Há a despesa da procura de um substituto, da sua formação e integração; há a incerteza – se o novo colaborador vai encontrar o seu espaço; e há as dificuldades enfrentadas pelo resto da equipa até a posição ser preenchida. Mas, o que os faz querer sair?

Estagnação – as pessoas querem sentir que estão avançando e crescendo na sua vida profissional. Se a sua empresa não proporciona nenhuma forma de avançar na carreira ou uma estrutura para progredir, saiba que seus funcionários provavelmente estão procurando outro lugar. E, nesse meio tempo, estarão desmotivados, infelizes e ressentidos – o que afeta o desempenho e a motivação de toda a equipe.

Se a sua empresa não proporciona nenhuma forma de avançar na carreira ou uma estrutura para progredir, saiba que seus funcionários provavelmente estão procurando outro lugar.

Quando o lucro se sobrepõe às pessoas – quando uma organização valoriza mais o dinheiro do que as pessoas, os melhores profissionais acabam por ir para outro lugar, deixando para trás os medíocres. E o resultado é uma cultura de baixo desempenho, baixa motivação.

Falta de reconhecimento – até as pessoas mais altruístas querem ser reconhecidas e recompensadas por um trabalho bem feito. Quando o líder deixa de reconhecer os funcionários não só os está desmotivando como perdendo a maneira mais eficaz de reforçar o excelente desempenho. Mesmo que não tenha o orçamento para aumentos ou bônus, há muitas formas gratuitas de reconhecer os seus colaboradores – e uma palavra de apreço é gratuita. As pessoas que não se sentem valorizadas deixam de se importar.

As pessoas que não se sentem valorizadas deixam de se importar.

Rogério Menossi

At https://www.linkedin.com/

Autarcas da região do Douro insistem na reactivação da ligação a Espanha

Douro comboiohistorico

 

Os autarcas do Douro insistem na reactivação da linha ferroviária do Douro até Espanha. Aproveitaram a presença do ministro da Economia, esta segunda-feira, na Régua, para reivindicarem um projecto sobre o qual, dizem, o Governo tem mantido o silêncio.

Nuno Gonçalves, vice-presidente da Comunidade Intermunicipal do Douro e presidente da Câmara de Torre de Moncorvo, vinca que a linha do Douro pode vir a contribuir para dinamizar a economia da região e do país e, por isso, é preciso voltar a ligá-la a Espanha: “não pudemos ter algo que está tão próximo de nós e que promove o desenvolvimento desta região, que dá lucro e que está quadragésimo lugar em termos de passageiros e mais, a linha do Douro será fundamental para o escoamento de produtos, como o mineiro de Torre de Moncorvo. No plano de investimentos não se encontra a reactivação desta linha e penso que o senhor ministro deveria olhar para este projecto como um pólo de desenvolvimento”.

O ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, não se alongou em comentários relativamente à reivindicação dos autarcas: “eu penso que os investimentos em infra-estruturas são importantes e devem ser considerados e estudados e é isso que o governo está a fazer”.

O ministro assume que é preciso continuar a melhorar a oferta da região e que isso se faz com infraestruturas, mas faz-se também com um trabalho em rede entre escolas, unidades hoteleiras, municípios, todos a trabalharem em conjunto: “promover melhor a região, como é o caso do Museu do Côa. É importante que este museu tenha melhores condições de visitação, assim como o alargamento dos horários. Porque é com este trabalho, e com os 59 projectos num investimento total de 60 milhões de euros em curso, mas claro que teremos que continuar a melhorar a oferta da região”.

O ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, insiste que é preciso melhorar a oferta turística da região, mas não garantiu nada sobre a ligação da linha ferroviária do Douro a Espanha.

Num estudo recente sobre as ligações ferroviárias transfronteiriças, a Comissão Europeia reconheceu que a linha do Douro é de grande potencial em termos turísticos e de coesão social.

At http://www.radioansiaes.pt/

Beirões também lutam por ligação directa a Espanha

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Agora é o momento de negociar finalmente com o governo português este troço de auto-Estrada.

O presidente estremenho aposta por fazer os 19 km desde moral até a fronteira.
https://www.hoy.es/extremadura/vara-confia-presentar-20180926125510-nt.html

É uma auto-Estrada aprovada em 2005 segundo este link:
https://www.elperiodicoextremadura.com/noticias/temadeldia/portugal-extremadura-aprueban-autovia-norte-monfortinho_176744.html

De acordo com essa notícia se iniciava em 2008 a construção em Portugal até a fronteira:
http://www.elperiodicoextremadura.com/noticias/extremadura/portugal-inicia-construccion-autovia-monfortinho-castelo-branco_349951.html
Se esta notícia tivesse se tornado realidade, esta rodovia estaria em funcionamento há alguns anos.

É uma auto-estrada que poderia dar muita vida ao setor turístico, comercial e industrial.
Não em vão teria influência para o norte da extremadura de uma população de mais de 2 milhões de habitantes da zona centro de Portugal.

E poderia atrair para a zona de influência de Lisboa a sua passagem para Madrid ou outros pontos de Espanha. Essa população de influência de Lisboa são mais de 3 milhões de pessoas.
Até poderia atrair pessoas da zona norte de Portugal que são mais de 3.600.000 mil habitantes.
É uma auto-estrada sobre a qual têm corrido rios de tinta ao longo dos anos. Assista notícias no Google.

At https://www.facebook.com/ / Asociación para el desarrollo del Turismo del Norte de Extremadura

Hortense Martins 1436566590_10608501-10201980821115966-1461794955951966769-oO IC 31 é um projecto que temos defendido, como estratégico para a região e mesmo para o centro do País. Deputados do PS e autarcas, além da sociedade civil tem estado unidos neste propósito e que é ambição de já alguns anos. Infelizmente o governo anterior demonizou as estradas, dizendo que tinha,os estradas a mais e estas deixaram de ter apoio comunitário.

Neste momento o governo português têm lutado para que a rodovia seja contemplado no próximo quadro comunitário e pretendemos que este projecto seja contemplado. Não foi nem é uma luta fácil, mas vamos continuar a defender esta ligação importante ao território espanhol e que liga a Madrid.

At https://www.facebook.com/ / Hortense Martins

Artigo de opinião: “Ponte de Sor”

Ricardo RioPonte de Sor é sobretudo a imagem de um Portugal que sonha mais alto e faz acontecer.

Ponte de Sor é uma novel cidade do distrito de Portalegre, a 150 quilómetros de Lisboa, cujo nome se deve à ponte romana que atravessava o Rio Sor desde o ano 115 d. C..

Assim a caracterizou sumariamente o Professor José Hermano Saraiva num dos seus Horizontes da Memória, em que não deixou também de aludir ao facto de esta localidade ser dos maiores centros de produção de cortiça do País, situação que se mantém na actualidade.

Importa este enquadramento sumário porque, para muitos, Ponte de Sor apenas será associada às malfeitorias dos filhos de Embaixadores do Médio Oriente nos seus tempos livres.

Para outros, Ponte de Sor, é a guardiã da história do malfadado processo dos Kamovs da Everjects, onde se encontram parados em instalações seladas pela ANPC para apoio às investigações e diferendos judiciais em curso.

Para outros ainda, a localidade é indissociável dos feitos do Eléctrico Futebol Clube, a colectividade que vem marcando presença em anos recentes na Liga Profissional de Basquetebol e que este ano subiu também a sua equipa de futsal ao escalão máximo da modalidade.

Mas, o que quase todos desconhecerão é que este concelho com quase 17 000 habitantes tem vindo a cumprir uma trajectória consistente de conquista de espaço na interacção com a indústria aeronáutica, quer na captação de empresas multinacionais, quer no apoio a projectos nacionais de elevadíssimo potencial (como é o caso da Tekever), quer até na incubação de empresas inovadoras. Ao mesmo tempo, é hoje um espaço de referência na formação de pilotos, atraindo várias centenas de alunos internacionais todos os anos, em ligação às empresas de referência no sector.

Mas, neste espaço, Ponte de Sor é sobretudo a imagem de um Portugal que sonha mais alto e faz acontecer, longe das luzes da ribalta dos protagonistas de sempre.

Ricardo Rio

Presidente da Câmara Municipal de Braga

At http://www.cmjornal.pt/