Arquivo de etiquetas: Governo

Artigo de opinião: “Ferrovia: o regresso ao futuro”

Pedro Nuno Santos JCF_03521. Recuemos ao inicio do século XX. Os comboios constituíam, neste período, um meio de transporte revolucionário. As linhas de caminhos-de-ferro que rasgavam os países garantiam a ligação de forma rápida e confortável entre regiões distantes dentro de um mesmo território, espalhando o desenvolvimento económico e, em simultâneo, permitindo a construção simbólica de uma comunidade nacional. Vivia-se um período dourado do caminhos-de-ferro nos países mais desenvolvidos da Europa e da América.

Porém, nas décadas seguintes, algo de paradoxal aconteceu: os avanços tecnológicos tornaram os comboios mais rápidos, mais ecológicos, mais confortáveis e mais fiáveis; e, porém, ao longo desse mesmo período, a ferrovia foi perdendo a sua centralidade nos sistemas de mobilidade nacionais: primeiro, pela democratização do transporte automóvel, no curto e médio curso; depois, pela forte expansão da aviação comercial no médio e no longo curso.

2. Este processo de concorrência entre a ferrovia, a rodovia e a aviação foi transversal a vários países desenvolvidos, mas nem todos responderam a estas tendências da mesma forma. Muitos continuaram a fazer um investimento robusto na ferrovia, não apenas de manutenção da infraestrutura, mas na modernização e expansão da rede e na renovação de material circulante, porque só esta vontade política permitiria ao comboio concorrer, em circunstâncias semelhantes, com o carro e o avião. A Espanha, aqui ao lado, é um bom exemplo de um país que fez uma enorme aposta na expansão de uma rede de caminhos-de-ferro moderna e no desenvolvimento de material circulante tecnologicamente avançado.

Portugal, infelizmente, faz parte do grupo de países que preferiu fazer da rodovia a sua aposta principal. Por acção – que se traduziu na construção de uma das melhores redes rodoviárias da Europa – e omissão – que se traduziu, por exemplo, no adiamento do processo de eletrificação integral da rede e no envelhecimento do material circulante -, vários governos fizeram uma escolha por um meio de transporte automóvel, individual, responsável por elevados níveis de sinistralidade, movido a um combustível altamente poluente e que, ainda por cima, temos de importar, contribuindo fortemente para o nosso défice de balança de pagamentos.

3. Hoje, as consequências de um ciclo longo de desinvestimento na ferrovia, tanto na infraestrutura como no material circulante, estão à vista de todos. Foi, infelizmente, necessário chegar à atual situação – em que a oferta do serviço ferroviário tem dificuldade em responder, com qualidade e fiabilidade, à crescente procura – para se poder gerar o consenso político e institucional de que a ferrovia não é uma relíquia do universo novecentista Queirosiano, mas antes um meio de transporte com enorme futuro.

É a minha convicção que, no século XXI, a ferrovia pode fazer o mesmo pelo desenvolvimento do território, da economia e da nossa comunidade que fez no século XIX e no início do século XX. Isto porque se trata de um meio de transporte:

  • que, com o investimento certo de modernização na linha e no material circulante, pode “encolher” o país, aproximando territórios hoje demasiado distantes;
  • eficiente, ecológico, que aumenta a nossa qualidade de vida e reduz a dependência externa;
  • onde opera, por todo o território, uma empresa pública emblemática, a CP, cujos níveis de qualidade de serviço e de capacidade de resposta é nossa obrigação recuperar;
  • onde o país tem, historicamente, capacidades industriais que podemos desenvolver de novo;
  • coletivo, ou seja, cuja experiência, ao contrário do automóvel, é partilhada com os outros.

Todos estes elementos fazem do investimento na ferrovia um investimento no reforço nos laços que fazem de nós uma mesma comunidade.

4. Como o ciclo de desinvestimento foi longo, o ciclo de investimento também terá de o ser. Não apenas um investimento de requalificação e modernização da rede, mas um investimento de transformação, que permita melhorar significativamente a mobilidade entre as áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto; reforçar a coesão territorial, procurando levar a ferrovia a todas as capitais de distrito; e intensificar a integração da economia ibérica, através do reforço de ligações ferroviárias transfronteiriças, seja no plano do transporte de passageiros, seja no das mercadorias.

Investimento, também, na recuperação das capacidades tecnológicas que o nosso tecido empresarial já teve na fabricação de comboios. E investimento, ainda, na nossa capacidade de pensar de forma estruturada o país ferroviário, motivo pelo qual necessitamos de construir e executar um Plano Ferroviário Nacional, que seja capaz de orientar as opções políticas de investimento de longo prazo.

É neste trabalho de estudo, análise, discussão e definição das grandes prioridades de investimento coordenado em infraestrutura e em material circulante que uma entidade com a história, a expertise técnica colectiva e o voluntarismo da ADFERSIT terá certamente um papel fundamental a desempenhar.

Pedro Nuno Santos
Ministro das Infraestruturas e Habitação

At https://www.adfersit.pt/

Quer uma árvore? Vá ao ICNF e veja o que há

viveiros-icnf-660x330

O projecto Floresta Comum, liderado pelo ICNF — Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas tem 165.740 plantas autóctones para dar. As candidaturas às plantas estão abertas até 27 de Setembro.

Nesta fase, podem candidatar-se as autarquias, outras entidades públicas e os órgãos gestores de baldios. As plantas estão disponíveis para a próxima época de (re)arborização, de Novembro de 2019 a Fevereiro de 2020.

Actualmente estão licenciados como fornecedores de materiais florestais de reprodução para exercerem a actividade de produção de plantas para o projecto Floresta Comum, 4 viveiros do ICNF: Amarante, Malcata, Monte Mordo e Valverde.

Bolsa Nacional de Espécies Florestais Autóctones

A Bolsa Nacional de Espécies Florestais Autóctones é constituída por plantas produzidas nos viveiros do ICNF e de viveiros associados e que são anualmente disponibilizadas para o projecto Floresta Comum, desde que provenientes exclusivamente de sementes e plantas nacionais.

Esta Bolsa tem como objectivo disponibilizar plantas de espécies autóctones, de forma a satisfazer a procura no âmbito do projecto e simultaneamente valorizar as espécies nacionais e, directa ou indirectamente, a recuperação e conservação da biodiversidade.

Candidaturas

As candidaturas devem cumprir vários critérios e podem revestir a forma de projectos florestais ou de conservação da natureza e recuperação da biodiversidade e projectos educativos, incluindo projectos de parques florestais urbanos.

Todas as candidaturas cujo o proponente seja, uma autarquia ou outra entidade pública, ou órgãos gestores dos baldios deve direccionar a sua candidatura para a Bolsa Pública de Espécies Florestais Autóctones.

Todas as candidaturas cujo o proponente seja uma pessoa individual ou colectiva de direito privado, deve direccionar a sua candidatura para a Bolsa Privada de Espécies Florestais Autóctones.

As candidaturas a projectos educativos são apresentadas pelas autarquias e devem ser em parceria com a comunidade escolar.

Recuperação da biodiversidade

Por sua vez, as candidaturas a projectos florestais, de conservação da natureza e recuperação da biodiversidade podem ser apresentadas por autarquias, entidades publicas, órgãos gestores de baldios, pessoa individual ou colectiva de direito privado, para terrenos com potencial para (re)arborização.

As candidaturas são anualmente submetidas ao secretariado do projecto que as regista e comunica o respectivo número do registo ao proponente.

No caso de candidaturas das Comunidades Inter-municipais ou que envolvam vários municípios, deverá ser apresentada uma única candidatura.

As candidaturas devem ter em conta a proximidade do viveiro e devem referir especificamente quais os viveiros que foram considerados na escolha das espécies pretendidas.

Pode consultar o regulamento aqui, as disponibilidades de plantas de cada viveiro aqui e os documentos necessários para apresentar candidatura aqui.

At http://agriculturaemar.com/

Presidente da Câmara acusa GNR de caça à multa

GNR 1363505

O presidente da Câmara de Almeirim e da Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo, Pedro Ribeiro, acusou esta terça-feira a GNR de “Caça à multa” aos condutores que trabalham no setor agrícola.

Numa publicação na sua página do Facebook, Pedro Ribeiro começa por dizer que raramente faz comentários deste tipo e afirma mesmo que esta “será a 2 ou 3 vez em cerca de 20 anos”, que fala do assunto, apesar de receber muitas denúncias sobre o tema.

“Tenho recebido informação variada, alguma dela que inclui fotos de multas passadas pela GNR, penso que militares pertencentes à Unidade Nacional de Trânsito. Multas a agricultores durante a campanha do tomate”, escreve Pedro Ribeiro.

O autarca diz ter informações que as multas “estão a colocar em causa o funcionamento de algumas fábricas por falta de matéria prima”, num ano fundamental para este setor. “Após vários anos de perda este pode inverter e com isso salvar muitos agricultores da falência”, comenta o autarca.

Pedro Ribeiro lembra ainda que a agricultura “emprega milhares de pessoas no Ribatejo e representa milhões e milhões em exportações”.

“Multas por matrículas sujas é no mínimo excesso de zelo. É com certeza legal mas tem um nome: Caça à multa. Isto não é prevenção, é apenas estatística. Tudo o que ponha em causa a segurança rodoviária deve ser alvo de penalização. Peso a mais, molho, tomate a cair. Agora matrículas sujas, «cercos» a fábricas, etc é imoral”, acusa Pedro Ribeiro.

O autarca diz ainda que “há ações que, apesar de legais, apenas reforçam o sentimento contra quem as pratica” e garante que está à vontade para falar porque enquanto autarca tem feito tudo o que pode para dotar as forças de segurança de melhores meios e para as defender muitas vezes de críticas injustas.

“Temos feito muito mais do que nos exigem as nossas competências. Por tudo isso tenho «moral» para esta critica. Que me entristece mas que tem de ser pública”, remata.

A Rede Regional está a tentar obter uma reação do Comando Territorial de Santarém da GNR, o que ainda não foi possível.

At https://rederegional.com/

Opinião: “O António Barrete”

Antonio Barrete 68697568_2482374785155813_4547285921581498368_n

Recentemente, António Barreto teve um artigo publicado no Público em que recupera uma das narrativas favoritas da direita: o suposto ataque à liberdade de expressão por parte da esquerda. Uma boa parte do texto parece ter sido escrita em estado de delírio, com Barreto a desenvolver uma sucessão de falácias primárias e erros factuais para tentar encostar a actual geometria política portuguesa a regimes fascistas. Basicamente, o mesmo que faz a maioria dos colunistas do Observador, mas, agora, exportando esta simplória propaganda para o Público.

A diatribe de António Barreto é tão disparatada que chega ao ponto de tentar vitimizar autores de crimes previstos na lei, tornando verdadeiros nazis – daqueles que têm cadastro pela participação em crimes violentos relacionados com ódio racial – em vítimas de uma suposta intolerância institucional, que Barreto alega vir da influência do PCP e do Bloco de Esquerda sobre o Governo.
Vale a pena parar uns segundos para interiorizar o facto de que António Barreto saiu em defesa de verdadeiros nazis, reclassificando-os como vítimas da opressão do Bloco de Esquerda.

Após criar este enorme espantalho, acompanhado de várias falsas equivalências, Barreto prossegue com a sua divagação, chegando à conclusão de que, com a actual solução governamental, a liberdade de expressão está ameaçada. Tal como grande parte da malta de direita, Barreto parece comungar daquela opinião de que só existe democracia quando a direita governa. Se o Governo em funções não lhes alegrar, esse executivo passa automaticamente a ser autoritário, fascista, etc. O facto de que estas pessoas não entendem sequer o quão intolerante esta postura é continua a ser o aspecto mais irónico desta narrativa. Talvez um dia entendam que a democracia não existe só quando eles e os amigos governam.
Enquanto esse dia não chega, deixamo-vos com algo que costuma causar reacções histamínicas em Observadores e Companhia: factos.

A máquina de propaganda da direita dá-se mal com factos, mas os factos estão-se nas tintas para a propaganda, por isso, a imagem desta publicação traz informação objectiva para um debate que tem sido preenchido com propaganda.
A imagem mostra os resultados do estudo do MediaLAB, do ISCTE-IUL, elaborado para o European Journalism Observatory, em 2019. O estudo propunha-se a analisar a representatividade dos partidos políticos nacionais na televisão portuguesa e a força das correntes políticas de esquerda e de direita no debate televisivo. Os dados obtidos no estudo destroem a idiotice defendida pelos propagandistas de direita.
Em canais como a SIC, a preponderância de comentadores de direita é absoluta, enquanto que a TVI se divide entre 50% de comentadores de direita e 50% de comentadores que não estão alinhados com uma corrente politica concreta. Ou seja, nas duas estações de televisão privadas em sinal aberto não há um único comentador político residente de esquerda. Recordemos que os dois espaços de opinião de referência semanais em horário nobre estão reservados para Marques Mendes e Paulo Portas – os grandes educadores das massas.

Vale a pena salientar que o Parlamento português tem quase 55% de deputados de esquerda, estando a direita em clara minoria. O único canal de televisão que se aproxima desta proporção representativa é a RTP3. Canais como a SIC Notícias ou o Canal Q dividem quase a meio a representatividade entre direita e esquerda, enquanto que todos os outros variam entre 0% e 45% de representantes da esquerda nos espaços de comentário residente. Ou seja, o universo de comentadores políticos na televisão é o completo oposto dos representantes políticos que os eleitores portugueses escolhem.
Se ficarem com a ideia de que a propaganda de direita está a ser-vos insistentemente impingida, não é por acaso. É mesmo isso que está a acontecer.

Enquanto isso, os Antónios Barretos desta vida, que são às centenas e têm desde há décadas lugar cativo em todas as plataformas da Comunicação Social portuguesa, continuarão a queixar-se de silenciamento, de censura e de mais uns quantos disparates de que se vão lembrando.
Apesar de terem o grupo Impresa, do co-fundador do PSD, como o grupo mais influente no panorama da Comunicação Social em Portugal, apesar de terem o grupo Cofina, do Correio da Manhã, como constantes promotores de populismo anti-governo no jornal de maior tiragem nacional, apesar de terem jornais financiados por milionários ligados ao PSD e ao CDS-PP, como o Observador, criados especificamente para enviesarem para a direita o debate público no país, e apesar de estarem distribuídos por todas as outras plataformas de informação portuguesas, desde as televisões à imprensa, os Antónios Barretos desta vida continuarão a queixar-se das ameaças à sua liberdade de expressão, não porque estão objectivamente ameaçados, mas porque gostariam de falar sem contraditório. O que estas pessoas querem não é liberdade de expressão, é hegemonia. O mais interessante é que, olhando para os factos objectivos, eles quase já têm essa hegemonia, mas querem mais.

E é com isto que fechamos o círculo e regressamos ao título deste texto. As “ameaças” de que fala António Barreto no seu texto do Público não existem. As falácias primárias que o autor alinhou são um barrete que ele tenta enfiar a quem o lê. É com esse nome que ele deveria ter assinado aquele disparatado pedaço de prosa, com o nome de António Barrete.

Uma Página Numa Rede Social

Fontes e referências:
https://pt.ejo.ch/top-stories/a-esquerda-no-parlamento-e-a-direita-na-televisao
https://www.publico.pt/2019/08/18/opiniao/opiniao/ameacas-1883613

Opinião: “Ser Emigrante Português”

Marta Sousa 68788375_2310396442341655_7817123985216241664_nDesde que sou emigrante conheci uma realidade que nunca me apercebi sequer que existia.. a baixa consideração e a quantidade de piadas que existem sobre os emigrantes.

Não vou analisar o porquê disso, porque honestamente não vale a pena. Vou assumir que é por falta de informação, por isso vou informar-vos.

Ser emigrante é largar uma vida que é tua desde que te lembras para abraçar o total desconhecido, é largar todos os teus amigos e familiares para abraçar pessoas com uma cultura totalmente diferente, é largar a língua que estudaste desde pequenino para abraçar uma língua que nem sabes conjugar os verbos, é largar a rotina que estás habituado para abraçar uma realidade que nem sabes se vai dar certo.

Um emigrante não larga Portugal porque quer. Um emigrante larga o seu país por necessidade, seja ela qual for. E se vocês soubessem o que se passa dentro de nós no dia que nos despedimos de Portugal. Por muito que sair seja o que queremos e seja uma decisão nossa, vocês não imaginam o nó na gargante e no estômago e o sentimento que sentimos no dia final da despedida.

Eu, no meu caso em particular, há quase 2 anos emigrei porque estudei anos a fio para ser licenciada na minha área de paixão – educadora de infância – e acreditem a faculdade em Portugal é das mais exigentes que existem! E no final, o mercado estava sobrelotado de pessoas que se querem reformar e não podem. E nós, os novos, o que fazemos? Acabamos por conseguir encontrar trabalhos que no máximo nos pagam uns 700€, que nem sempre são os que queríamos, mas mesmo assim o que é que um jovem faz com esse dinheiro??? Iniciar uma vida, sair da casa dos pais, explorar o mundo, investir em nós, tudo custa muito mais de 700€, ainda por cima se quisermos ser boas pessoas e ajudar a nossa familia que tanto trabalhou para nos dar tudo aquilo que temos e que já bem que merecem descanso!

Mas já conheci muitas realidades dos “porquês” dos emigrantes, e acreditem, alguns cortam-nos o coração.

Já conheci várias nacionalidades de emigrantes, e sabem qual é a que nunca esquece o seu país? Os PORTUGUESES! Em qualquer casa que entrem de um português emigrante encontram: a bela Sagres ou Superbock, a tipica Cerelac para as crianças, o famoso bacalhau de molho, os canais portugueses sintonizados para ver o telejornal, e sempre que há uma jantarada o prato é tipico português! Somos portugueses e não escondemos de ninguém, dizemo-lo com ORGULHO!

E sabem uma coisa? O povo português é o único que mesmo que os filhos nasçam no estrangeiro, fazem sempre tudo para que eles saibam que são portugueses! Qualquer criança filha de português, a primeira língua que aprende é o português e todos vos dizem que as férias são em Portugal com um sorriso gigante na cara. E se lhes perguntarem onde gostavam de ir, todas aquelas crianças vos respondem “PORTUGAL”, sabem porquê? Porque os pais emigrantes portugueses, não esquecem as suas origens e passam-nos aos seus filhos.

Ser emigrante não é fácil. O início custa.
Ser emigrante é ter saudades daí quando estamos cá e ter saudades de cá quando estamos aí.
Ser emigrante é ser emigrante aqui e aí.
Ser emigrante é ter dois lugares distintos que consideramos casa.
Ser emigrante é a tentativa de uma vida melhor, que o nosso país infelizmente não nos pôde dar.

Ser emigrante é ser português, por isso não critiquem quem teve a coragem de sair do seu país e se quiserem venham também. Sim, porque acreditem, emigrante é ter empatia, por isso no dia que quiserem vir, o emigrante português estará cá para vos receber de braços abertos e ajudar, porque sabe o quanto custa ser emigrante.

Todos somos portugueses, seja aqui ou aí, por isso não distingam o emigrante e o português.

Marta Sousa

At https://www.facebook.com/

Artigo de opinião: “O fígado de Pardal Henriques”

Raquel 10464109_10202306149190196_3394916574196011546_nJá conheço o tamanho do fígado de Pardal Henriques, as suas entranhas com detalhe forense, a consistência dos rins. Jamais votaria nele, mas o que assistimos contra ele envergonha-nos a todos. O papel do jornalismo nesta greve um dia será alvo de uma longa tese, explicando como o jornalismo abdicou de ser um contrapoder, e por isso abdicou de ser democrático. E se tornou dependente do Estado, a “voz” do Estado – já ouvimos mais vezes Marcelo e Costa sobre a greve dos que os próprios camionistas ou a Antram – a rigor só são ultrapassados pelo povo comum que nada tem a dizer nas filas da gasolina a não ser que querem pôr gasolina… Foram já recolhidos cerca de 1500 testemunhos destes, “eu estou aqui à espera para meter gasóleo”. É ridículo. E isto quando a larga maioria dos comentadores dos media não conhece as origens da greve, confundem valores, e desconhecem os CCT em negociação, é confrangedor ler a ignorância sobre a greve e as relações laborais que têm sido publicadas em artigos. Confunde-se inclusive valor real com valor nominal do salário e apela-se a ilegalidades dignas de um país sul americano na década de 50.

Não voto em Pardal Henriques, se for candidato, porque não acredito em salvação individual da pátria. É pela mesma razão que, pese embora os sorrisos e abraços, nunca apoiaria Marcelo. Aliás, vendo o papelão do BE e do PCP neste Governo de “racha sindicalistas” creio que resta aos trabalhadores portugueses uma solução a la Reino Unido – os sindicatos se juntarem e fazerem uma lista eleitoral, com um programa definido democraticamente pelas suas bases, fora dos partidos existentes. A Geringonça tornou-se um Governo semi-autoritário contra os trabalhadores, com um carácter onde os traços bonapartistas do regime se acentuam. Só por cegueira clubistica não se vê isto. Mas voltemos a Pardal Henriques e ao assassinato de caráter de quem tem sido alvo.

Primeiro foi o carro, como a coisa era demasiado patética, mudou-se o disco. Foram então perscrutar a vida dele desde que nasceu, e descobriam que levou uma empresa à falência. Como?! Nós não vivemos no país em que os Governos e a Banca levaram 10 milhões de portugueses à falência?! Mas há ainda mais. Agora anuncia-se, com escândalo, que será candidato. Quase morri a rir. O BE e o PCP tiveram vários deputados porta vozes de lutas laborais. E este é o Portugal onde metade dos deputados do PS e do PSD são advogados de grandes empresas e lutam todos os dias para manter na Assembleia da República esse estatuto misto. Ou promíscuo, como preferirem. Em que de dia falam do povo, e dos serviços públicos, e à noite servem os patrões do povo, e os serviços privados. Pior, colocam o Estado, pago por quem trabalha, ao serviço destes interesses e chamam-lhe “interesse nacional”. Suspendem a lei da greve confundindo emergência médica com remuneração dos accionistas, alargando os serviços mínimos ao lucro máximo do “regular funcionamento da economia”.

Eu não teria escolhido Pardal Henriques para porta voz. Acho que os motoristas deviam falar por si, com a gramática que conhecem, dizendo de coração o que pensam. Deviam sim sempre ter ajuda de advogados e outros especialistas, como têm todos os bons sindicatos. Acredito que haja inexperiência, num sindicato novo, e não tenho razão para ser contra ou a favor de um advogado, que não conheço. Se tivessem falado por si próprios, os motoristas tinham evitado alguns equívocos, creio.

Mas esse não é o debate central. O grande debate sobre o porta-voz desta greve não é um advogado que se tornou porta-voz de um sindicato. É um Governo que se tornou porta voz de uma Associação Empresarial Privada chamada Antram e das Petrolíferas. Empresas que vieram explicar que só têm lucro mantendo salários e horários miseráveis. A isto o Governo chamou o “interesse nacional”. Como se todos nós, e os motoristas, não fossemos também portugueses com outros interesses que não os da Antram e da Galp. E não pagássemos muito mais impostos do que a Antram ou a Galp para manter o Governo e o Estado a funcionar.

Sim, o acintoso porta-voz desta greve não se chama Pardal, chama-se Governo, e Marcelo Rebelo de Sousa. Que se ofereceram para fazer um papel de agência de comunicação da Antram. Os media ficaram passivos a ser porta-vozes das instituições do Estado, ao ponto de ontem terem cortado a palavra no telejornal quando os motoristas anunciavam a solidariedade de vários sindicatos, entre eles dos portos e aeroportos onde foram decretados os 100% de serviços mínimos. É sobre tudo isto que temos que reflectir com urgência. E sobre isto porque queremos uma comunicação social séria, contra poder, contraditória, informativa e, por isso, ao serviço da democracia.

Raquel Varela

At https://m.facebook.com/

Opinião: “Desfiliação partidária do PS”

Sandro 51559111_10161280342970591_2182667942779420672_nAnuncio que após meses de reflexão me demiti de militante do Partido Socialista e, como é uma decisão complexa – essa de me demitir de um partido onde me filiei durante 20 anos – irei tentar resumi-la neste artigo (longo mas clarificador) do meu blog pessoal:

Desconsideração, a ideologia vazia do poucochinho e o futuro…

A Desconsideração

Despedi-me na minha nota que vos reencaminha para este artigo/postagem com “a todas e todos a minha mais profunda consideração“, pois bem foi com um misto de respeito e ironia que o fiz.
Respeito porque gostaria de referir que nada disto tem a ver com centenas de militantes com que me cruzei ao longo destes mais de vinte anos e com que de certeza me irei continuar a cruzar quer virtualmente quer fisicamente. Aos primeiros e mormente aqueles que conseguem apreciar um bom debate intelectual e uma boa troca de ideias e/ou ideológica continuarei certamente a fazê-lo independente de onde estiver e me filiar. Aos segundos porque os conheço pessoalmente e a muitos com quem me cruzo e irei continuar a cruzar por sermos e/ou termos amigos comuns, habitarmos no mesmo espaço geográfico ou porque os continuarei a ajudar independentemente do partido onde me irei filiar.
Aos Andrés, Antónios, Arnaldos, Brunos, Eduardos, Herminios, Filipes, Josés, Jorges, Joãos, Manuéis, Miguéis, Ruis, às Anas, Cristinas, Carlas, Elsas (com ou sem “z”), Fernandas, Idálias, Ivanildas, Marias (com ou sem “de” qualquer coisa), Susanas, Teresas, etc…
Será apenas um até já!!!
Mas gostaria de referir em particular quatro camaradas:
Luís Miguel Reis, Presidente da minha antiga concelhia do PS de Cascais, incansável militante que representa neste todos os militantes de boa índole que conheci dentro do PS, e a quem sempre desconsideraram como pessoa e político e irão desconsiderar no futuro, pois o PS não serve para beneficiar pessoas que têm bom caráter e boa índole, que são éticos e leais, mas para as trucidar e os desconsiderar e promover muitos militantes maus caráteres e de má índole que estão espalhados em amiúde em muitas listas de candidatos a deputados do PS!!!
– À minha Presidente de Junta de Freguesia de São Domingos de Rana, Fernanda Gonçalves, a quem a ética republicana de governo, tem-lhe granjeado inúmeras inimizades dentro de um Concelho como o de Cascais que é dos piores concelhos para se fazer política, e que, é o exemplo do que melhor são os autarcas por este país fora, tenham a cor política que tiverem;
– Ao Luís Calaím de Palister, Presidente da Secção do Ambiente e Território do PS/FAUL, por ser um militante desinteressado que discute ideias e se bate por elas e que representa os que muitos por esse PS e país fora o fazem;
– Por fim ao meu Presidente da minha secção de residência,  Luís Miguel Fonseca, e neste a todos os militantes do PS Cascais que ao longo de 20 anos eu acompanhei e me acompanharam e também por o considerar como um excelente ser humano, do melhor que conheci até hoje e um militante desinteressado, que discute ideias e se bate por elas e que representa os que muitos por esse PS e país fora o fazem e de forma pessoal.
Foram inúmeros camaradas destas Secções (residência/temática), autarcas e militantes em geral da Concelhia de Cascais que sempre foram excelentes comigo no trato e na consideração que me levaram muitas vezes a adiar esta saída.
A política também se faz com relações interpessoais e sociais – que alguns confundem com “afetos” – e algumas transformam-se em amizades, outras em respeito intelectual e pela sua praxis e por fim outras em relações pontuais e/ou passageiras que deixam ou não ficar rasto.
Mas também vos referi que havia ironia!!!
Ironia porque sendo um assunto secundário fundamenta as posteriores razões que apresentarei para a minha decisão de desfiliação, a ideológica e sobre o futuro, mas que não deixa de ter o papel de ser o gatilho que dispara a arma que dá o meu tiro de partida dessa marcha que me faz iniciar este percurso de um ponto para o outro, ou seja, do Partido Socialista para outro partido.
desconsideracao_a_ideologia_vazia_do_poucochinho_e_o_futuro__01
Ironia porque o contrário do Respeito é a falta deste, ao ponto de se perder a Consideração e se chegar à Desconsideração pura e simples.
No passado dia, 23 de julho, foram apresentadas e votadas em Comissão Política Nacional as listas de candidatos a deputados pelos vários círculos, listas essas de militantes e/ou independentes que, teria como militante e dirigente local do PS, apoiar e fazer campanha eleitoral por estes.
Em alguns círculos foram apresentados para serem sufragadas pelos cidadãos, militantes com ética mais que duvidosa, fosse no seu passado ou seja neste nosso presente, e que estão envolvidos em chapeladas e em episódios que só desonram quem como eu se rege pela ética republicana na política.
Alguns destes – de que excluo todos os cabeças de lista – estão envolvidos em episódios criminais contra o Partido Socialista (focando-me neste caso no círculo de Coimbra) e são cidadãos com uma ética não só reprovável e que eu como ex-militante e ex-camarada destes nunca poderia fazer e/ou sequer me cruzar com estes em ações de campanha.
E sim, avisei o partido internamente de forma leal e com isso fui coerente em primeiro o fazer, mas como e mesmo assim estes nomes avançaram e foram apresentados como candidatos, são agora denunciados por mim publicamente.
Esta foi a principal desconsideração neste campo, das listas de deputados a sufrágio, mas não foi a única, no círculo de Lisboa, onde fui militante da Concelhia de Cascais, membro do respetivo secretariado – órgão diretivo deste partido neste concelho – da sua Comissão Política Concelhia e no passado membro da Comissão Política da FAUL (tendo integrado vários órgãos nesta estrutura quer fosse no PS ou na JS) sem nunca pedir nada em troca, é com tristeza que olho para a lista candidata a este círculo e na qual não só teria que votar como fazer campanha por esta.
Mais uma vez o Concelho de Cascais não terá um deputado que represente este Concelho – o único passível de o fazer representa a estrutura da JS/FAUL e estará lá a representar esta estrutura – e esta desconsideração, é efetuada à custa dos mesmos de sempre ligados a lobbys bem conhecidos e sem nenhuma ligação quer às populações deste distrito – dois até veem de círculos eleitorais distintos – quer à maioria das estruturas do PS, no seu círculo eleitoral de Lisboa e aos seus militantes.
Esta desconsideração da sede nacional do PS indica que, futuramente este nosso Concelho, esta estrutura partidária e Concelhia do PS bem como e este conjunto de militantes, alguns que considero amigos e outros que são até meus familiares próximos, será de novo deixada de lado e que continuaram a lutar sozinhos contra tudo e todos no próximo combate autárquico.
E mais uma vez nos considerarem secundários em desfavor de muitos ex-camaradas que sempre e ao longo destes últimos anos demonstraram uma desconsideração razoável por todos os restantes camaradas enquanto representantes destes (fossem estes cidadãos e/ou militantes) na nossa Assembleia da República.
E isso é inadmissível para quem como eu combate há longos anos e tenazmente a corrupção, compadrio, as fraudes, a política de favores e o nepotismo que é protagonizada pela coligação PPD/PSD e CDS-PP neste Concelho. Assim se é para combater numa trincheira que seja numa que irá recolocar o debate na ideologia que sempre defendi e no futuro que sempre pretendi que os meus concidadãos deste concelho tenham!!!
E já agora esclareço – pois a política dos graçolas e mal intencionados abunda – que o meu nome nunca constou nem constaria a meu pedido de nenhuma lista a deputados desta Concelhia e que nunca foi esse o meu fito na política pois, quem me conhece sabe, que se houver alguma vez uma Assembleia Metropolitana e/ou Regional de Lisboa/Setúbal, com representantes eleitos, esse seria sempre o meu objetivo.
O que me indignou neste ponto especificamente foi sempre e apenas uma questão de princípio, que demonstra a alienação que esses deputados mais uma vez terão por quem os elege e os apoiará!!!
Aliás essa alienação entre os eleitos e os militantes que os apoiam é algo que se tem vindo a agravar nos últimos anos e para vos dar um exemplo eloquente, na ultima discussão das propostas para o programa de governo do PS na FAUL, apenas 1 dos 18 eleitos pelo PS e a exercer mandato na Assembleia da República, compareceu para discutir com militantes!!! Este facto, o de serem mal agradecidos tem sido a tónica dominante interna da última legislatura destes “chamados representantes” sendo que raramente se vêm em atividades do partido, ou seja, a sua eleição implica o desprezo recorrente e constante por quem os elege internamente e os apoiaria externamente!!!
Essa prática política é contrária em democracias com países com o mesmo número de eleitores que o nosso e/ou até maiores como França, Holanda ou Bélgica, onde já fui a eventos e em que os eleitos convivem em amiúde com os eleitores sejam estes militantes ou não desses partidos!!!
E quantos pensarão vós que estão nas listas de novo por Lisboa? Pois bem apenas 6 dos 18 – Helena Roseta, Wanda Guimarães, João Soares, Miranda Calha, Joaquim Raposo e Vitalino Canas – é que não estarão de novo!!! Será então este o prémio que a maioria – os restantes 12 – recebe após se estar a marimbar recorrentemente e durante quatro anos para a base militante que a apoiou na sua eleição?
Esta desconsideração que se irá perpetuar no futuro, pela lista apresentada e candidata pelo Circulo de Lisboa em que os deputados julgam os militantes como seres secundários e ridículos (designação que ouvi acerca de nós por um dos candidatos em lugar elegível num evento recente em que se despediu desta maneira após estar lá menos de 5 minutos), e se o fazem com os seus, nem se fala qual é o seu comportamento com a população em geral de que se distanciam ao nível da sobranceria mais ridícula, absurda e petulante de pequenos reis que julgam que são superiores a nós como militantes e cidadãos!!!
A sobranceria alarga-se ao aspeto pessoal, alguns nem têm a dignidade de me cumprimentar quando me cruzo com estes na AR quando lá fui várias vezes quer em visitas com convidados – por causa da minha atividade profissional – quer quando fui ajudar o partido, o mesmo se passando quer em eventos quer em sedes por essa Federação da Área Urbana de Lisboa do PS afora!!! Ao contrário de muitos destes nunca precisei do Partido para sobreviver – e irei não continuar a precisar – e isto faz-me superior a estes e não como muitos destes julgam, inferior a estes, pois são os meus impostos que lhes pagam os ordenados e não o contrário!!! O mesmo acontecendo com muitos nomeados governamentais, sejam estes ministros, secretários de estado e/ou membros dos gabinetes governamentais!!!
Sou militante há mais de 20 anos e estou farto desta desconsideração que infelizmente não afeta apenas os militantes internamente mas que se alargou aos cidadãos em geral!!!
Estamos a eleger “representantes do povo”, mas os do PS, portaram-se e portam-se como donos dos votos deste!!!
Esta desconsideração de acharem que somos todos menores, militantes do PS e cidadãos em geral, em relação aos eleitos e nomeados alarga-se à discussão do seu programa eleitoral e das ideias contidas neste em geral!!!Falemos na prática interna e não na ideologia, de que falarei mais à frente, assim e numa primeira fase, um conjunto de iluminados que se acondiciona no pomposo Gabinete de Estudos do PS nomeados e/ou eleitos por ninguém, decide, sem consultar os restantes militantes inscritos neste Gabinete – em que eu e umas boas dezenas de camaradas conhecidos e amigos meus também estamos inscritos – efetuar um conjunto de debates à volta de determinadas temáticas que provavelmente outro conjunto de iluminados também delineou!!!
Mas suponhamos que até aqui tudo estava bem e que apesar destas práticas estranhas e não democráticas internamente os temas foram bem escolhidos e que seriam essas as temáticas a abordar.
Passa-se então aos debates e a quem os conduz e/ou a quem estes escolhem para o fazer. Já aqui referi que pertenci a uma secção temática ligada aos temas do Ambiente e Território – a única ativa nestes assuntos em todo o PS – mas não vos referi que nesta se acantonavam militantes que iam desde os gabinetes ministeriais ligados a essas temáticas, membros de concelhos de administração de empresas públicas ligadas a esses setores bem como alguns quadros médios destas, especialistas ligados a essas temáticas – onde eu me incluiria – e por fim dirigentes associativos de associações ligadas a esses assuntos. Pois bem quantos destes foram chamados a contribuir para a temática, Combate às Alterações Climáticas, ou para o tal debate realizado?
Nenhum!!!
Pior que isto é se não reconhecessem qualidade a algum destes militantes e até reconhecem, porque uma irá ser candidata às listas pelo círculo de Lisboa – em lugar não elegível é certo – mas pelos vistos nem isso serviu para algum daqueles iluminados que vos falei ter um pingo de respeito e vergonha na cara por quem como eu e outros há décadas que andamos a falar sobre estes assuntos esteja o PS na oposição ou no governo!!!
Pior após esses debates, em que alguns dos nossos a título particular se deslocaram – pois nenhum convite interno foi enviado – é editado uma espécie de rascunho que se anuncia como estando a discussão que, espante-se tem entre o pouco e o nada, das várias propostas efetuadas e feitas – por escrito – nesse debate!!!
Deste modo e esse é o cúmulo da desconsideração chega-se à conclusão óbvia de que tudo estava escrito à priori e que todos os que foram lá nada mais foram do que fazer figuras de corpo presente e de verbos de encher para bater palmas a figuras que se limitaram a seguir um guião pré-preenchido e a apresentar um espetáculo deprimente de ideias pré-concebidas e vazias de conteúdo anteriormente escritas por esse conjunto de iluminados!!!
Mas vamos lá imaginar que até essas ideias eram pontos de partida e que após esse espetáculo deprimente haveria a energia redentora do apelo à participação democrática de militantes e cidadãos em geral conforme foi anunciada publicamente!!! E que eu até estaria disposto a perder algum tempo e a queimar algumas pestanas após o meu trabalho a colaborar com isso!!!
Após ler esse débil ponto de partida e após ter enviado várias páginas de alterações fundamentadas não só na minha experiência mas também em estudos – não em achismos pessoais – o que se lê, nessas 141 páginas é para além de poucochinho, uma mão cheia de nada, com vazios constantes e muito poucas metas traduzidas em resultados efetivos.
A desconsideração foi tal que em dezenas de alterações propostas enviadas foi considerada uma parte de uma frase, que estava aliás errada como se prova em inúmeros estudos internacionais, as restantes propostas de alteração foram ignoradas!!!
O mesmo aconteceu com propostas efetuadas por mim e por outros camaradas, no tal encontro do PS/FAUL em que só o deputado Jorge Lacão marcou presença em 18 eleitos pelo Círculo de Lisboa, propostas essas minhas e de outros camaradas fundamentadas e muito interessantes que quase todos enviaram por escrito e da qual obtivemos Feedback do seu envio para esse conjunto de iluminados.
E por fim a farsa ficou completa numa Convenção em que se anunciava muito pomposamente que #TodosDecidem, lamento mas não sei sinceramente quem são esses todos e o que é que estes decidiram!!! Não foram de certeza os militantes do PS, mas sim lobbys ligados a esse conjunto de iluminados que nenhum respeito teve ou terá por nenhum camarada, cozinhando à porta fechada algo vazio que nos/vos ultrapassa como militantes do PS!!!
O vazio das propostas assim o demonstra, bem como a inexistência de metas objetivas!!!
Esse foi o cúmulo da desconsideração!!!
Pois um partido que não precisa de mim para propor ideias, como precisou no passado não muito longínquo num processo bem mais aberto e participativo, não precisará de mim, para mais nada!!!

A ideologia vazia do poucochinho

Ou o poucochinho programático e ideológico como poderia ser este também o nome deste sub-título, tal como existiria outro possível mas esse seria demasiado longo que seria: distinção entre ação e prática e como é que se deve ser coerente entre a nossa preocupação pelo futuro e o nosso estilo de vida. Mas esse título irá encadear-se com o sub-capitulo seguinte sobre o Futuro e por isso já lá iremos.
Às desconsiderações referidas no anterior artigo, juntou-se uma razão bem mais profunda que se prendia e prende, com tanto o programa de governo apresentado como pela razão ideológica que se operou em mim de descrença de que o Partido Socialista se enquadrava naquilo que sempre defendi ideologicamente ser ao longo dos anos que seria a via ideológica de governo que algum partido deveria seguir, ou seja, a via Social Democrata Verde (tendo como parâmetro a social democracia nórdica).
Comecemos pela razão da minha pertença ao Partido Socialista ao longo das últimas décadas.
O PS é dentro daquilo que em ciência política se chama um partido de massas de amplo espectro ideológico, alguns cientistas políticos, dão-lhe o nome de partidos assembleia, ou seja, partidos que somam dentro de si uma forte diversidade ideológica ao ponto de até terem no seio seio utilitaristas, ou seja, cidadãos sem nenhuma ideologia, aqueles que popularmente se podem chamar de tachistas, vira-casacas e/ou capachos lesmas sem nenhuma espinha dorsal!!! E existem muitos creiam-me, inclusive deputados, que se julgam a última bolacha do pacote mas que não passam de utilitaristas pedantes sem nenhuma consistência ideológica.
A diversidade ideológica do PS, por ser um partido de massas e de assembleia, vai desde marxistas, socialistas utópicos, socialistas democráticos e anarquistas personalistas sociais passa por socialistas católicos progressistas, republicanos de esquerda, sociais-democratas (estritos), sociais-democratas (defensores dos modelos sociais-democratas) nórdicos e acaba em socialistas monárquicos, socialistas liberais, defensores da terceira via e até conservadores católicos romanos (defensores da teoria social desta Igreja).
Neste partido de assembleia cabe assim um largo espectro ideológico que nuns momentos é mais sustentado por uns sectores ideológicos e noutros por outros, tendo sempre dentro de si uma ideologia central e maioritária!!!
O problema do PS nos últimos anos é que perdeu esse carácter de partido assembleia e de partido de massas para se transformar num partido de quadros e num partido personalista!!! Essa tensão sempre existiu, diga-se de passagem, assim muitos líderes do PS tentaram ou tentam personalizar o partido à sua imagem e é em momentos de turbulência que o PS volta a ser um partido de massas e um partido de assembleia transformando-se normalmente num partido de quadros quando governa!!!
O problema é quando não são os seus quadros que o direcionam, o que é aliás normal num partido de massas quando governa, mas apenas alguns dos desses quadros, assim esses alguns excluem os restantes e manobram nas propostas e as ideias o partido em causa para os seus interesses!!!
desconsideracao_a_ideologia_vazia_do_poucochinho_e_o_futuro__02
Este partido não deixará de ser um partido de massas nem deixará de ser um partido de assembleia pois a massa militante assim o assegurará, mas em termos de prática de governação e de prática política, deixará de ser de certeza democrático!!!
E dirão mas já não foi assim no passado, claro que foi, mas ou o partido estava na oposição e nos livramos do líder personalista em causa ou a liderança não tinha assim tanta força e tentava ser inclusiva ouvindo tudo e todos e/ou era em alguns momentos mais próxima de todos quadros e noutra da massa militante incluindo até em momentos de transição da oposição para o governo de muitos simpatizantes!!!
Pois bem, não é o que se passa agora no PS? 
Não, pois na direção ideológica e programática composta por alguns quadros intermédios que já aqui referi são uma minoria dos efetivos até dentro dos quadros e que estão a direcionar o Partido Socialista para lobbys escusos e subterrâneos difíceis de descortinar até para pessoas como eu que sempre foram atentas a esses fenómenos.
Já agora dentro do PS se houve no partido assembleia e nas suas múltiplas ideologias uma, que sempre foi dominante, essa foi quase sempre a social-democracia, pois não é por existir um Partido Social Democrata que é nesse partido que os existam, aliás nem a juventude desse partido se safa, o PSD, aliás PPD/PSD, há muito que se transformou num partido personalista e de quadros com três ideologias bem definidas: a) liberalismo económico (com mais ou menos pendor social dependendo dos líderes); b) conservadorismo de valores (mais ou menos liberais dependendo dos eleitos); c) populismo democrata de direita (com vagos momentos de populismo demagogo puro).
Mas infelizmente e recentemente, com António Costa, o PS deixou de ser social-democrata e passou a ser um partido personalista rodeado por um conjunto de quadros que o personalizaram.
Será que seria diferente com António José Seguro?
Líder que eu combati ferozmente por ser personalista e por ter ostracizado a ideologia dominante do seu seio – a social-democracia – e de ter entregue o PS a quadros socialistas monárquicos, socialistas liberais, defensores da terceira via e até conservadores católicos romanos (defensores da teoria social desta Igreja)!!! Claro que não, seria pior!!! Porque a prática de governo, nestes últimos anos por uma, denominada Geringonça (com apoio parlamentar assimétrico à esquerda) seria substituída por uma de Bloco Central (união PS com PPD/PSD+CDS-PP) fazendo com que o PS internamente perdesse milhares de militantes, dirigentes e autarcas e se criasse por um lado um partido dos verdadeiros sociais-democratas e por outro indo uma razoável parte da sua militância mais há esquerda para o Bloco de Esquerda. O PS transformaria-se assim no Partido Socialista Francês e numa espécie de centro liberal populista que seria maioritário numa eventual governação futura com o PPD/PSD+CDS-PP abrindo deste modo a porta à extrema-direita.
Deste modo, António Costa, preservou e bem este grande partido inteiro e irá levá-lo a sobreviver mais uns anos no futuro, anulando qualquer veleidade à existência de uma extrema-direita em Portugal!!! Mas e talvez porque é um utilitarista e, este PS se transformou num partido personalista, esqueceu-se de olhar para quem o rodeava e quem escamoteou os restantes quadros que, se agora calam e comem, porque o poder é assim e gera esses silêncios seja por interesse ou por medo no futuro, se revoltarão quando tiverem oportunidade ou então já não estarão presentes como eu e outros que estamos de saída!!!
E qual foi o corolário dessa captura, ideológica e programática por esse conjunto minoritário de quadros?
O programa de governo, que foi uma desilusão completa, neste repetem-se palavras como apoiar, concluir, aprofundar, ampliar, alargar, clarificar, desenvolver, avaliar, incorporar que revelam que não se pretende fazer mais do que já se fez, é a aposta no pouconhinho programático ideológico e realizá-lo é pelos os vistos a maior ambição do PS no futuro!!!
Outras palavras como adotar, instituir e/ou criar são pela leitura posterior dos parágrafos apresentados totalmente vazias de conteúdo pois nenhuma meta se estabelece e nenhum objetivo é sequer contabilizado!!!
Na área do programa de governo e no referente ao Combate às alterações climáticas em que me irei focar face à emergência do assunto em causa, o que se vê é uma cedência em toda a linha aos interesses e lobbys que visam não só a exploração de Petróleo de forma descontrolada na nossa costa como o arrombo sem restrições de nenhuma ordem à exploração dos filões de lítio existentes em Portugal. Já referi várias vezes internamente e publicamente que essa era uma das linhas vermelhas que me faria sair do Partido Socialista, a possibilidade de exploração de Petróleo nas nossas costas, pois bem essa linha vermelha foi ultrapassada ao não se referir uma linha acerca do assunto no programa eleitoral. E como a regra sempre foi o que não é referido é permitido, sendo essa a regra de políticos habilidosos ligados a lobbysnomeadamente nas listas dos círculos do PS de Lisboa e Setúbal existem alguns – quer dizer que aquilo que alguns não conseguiram aprovar em Congresso, querem fazer os portugueses referendar de forma encapotada e ao arrepio de milhares de militantes e autarcas do PS por este país fora.
Mas vejamos que por absurdo eu não teria razão e que apenas me iria cingir ao que estaria escrito acerca deste assunto, no ultimo parágrafo, do ponto contido na página 60 do Programa Eleitoral do PS, na parte referente ao Conservar a natureza e recuperar a biodiversidade é referido que se irá, e cito, assegurar a conservação da biodiversidade e da geodiversidade nas atividades de
prospeção, pesquisa e exploração de recursos minerais, ou seja, abre-se a porta à exploração de recursos minerais – sem referir quais por isso deduz-se que poderão ser todos – apenas se pondo um vago que se irá assegurar a conservação da biodiversidade e da geodiversidade!!!Mas estes vazios repetem-se amplamente por toda esta proposta de programa e no caso especifico do Combate às alterações climáticas gostava que me referissem uma medida sequer que seja quantificável?
Aliás não é a agarrar-se ao passado, que no caso do PS é muito positivo, que se consegue conquistar o futuro, pode-se ter conquistado muita coisa mas se não houver futuro do nosso planeta, para que é que serve essas conquistas passadas?
E o problema é que o PS deixou de acreditar que pode mudar o futuro mesmo que pontualmente!!!
O que se lê em relação ao Combate às alterações climáticas, é um programa vazio e é algo a que a Direita e a Extrema-direita do nosso espectro político nos habituou amplamente. No PPD/PSD, por exemplo, esse vazio sempre serviu para enganar os incautos eleitores que, após serem amplamente enganados e verem que nada fazem cada vez mais olham com o desprezo para o que têm. Já o CDS-PP um partido cada vez mais profundamente salazarento e que, se baseia nos setores ultra montanos do nosso espetro político, o vazio aplaudido amplamente pelos os jornalistas e órgãos de comunicação social da nossa praça e que ganha tanta projeção e credibilidade como os jornalistas e estes órgãos de comunicação social que os apoiam e veneram, ou seja, nula ao ponto de uns e outros desaparecem felizmente quase do nosso olhar ou por não eleição ou por falência!!!
Mas no PS, o vazio em relação a um assunto tão importante como o Combate às alterações climáticas, leva-me a pensar que nada será efetuado para além do que está programado, ou seja, o PS não se irá comprometer mais do que já negociou com os lobbys financeiros e industriais do nosso país!!!
E quem é que negociou em meu nome e em nome dos restantes militantes do PS com estes?
Pois, os tais quadros que excluindo os restantes sejam estes quadros e/ou militantes se estão a marimbar para o futuro do nosso planeta e da nossa sociedade!!!
O PS deixou de ser deste modo o partido assembleia e de quadros passando a ser o partido personalista e alguns quadros é pena é que a grande massa de militantes ainda disto não se tenha apercebido!!!
É triste pensar que será nisso em que os cidadãos em geral irão depositar maioritariamente o seu voto, num  programa sem compromissos, vago e, muito pior do que isso, sem nenhuma opção quantificada e isto tudo num assunto tão importante para o nosso futuro comum!!!
O que o PS me pedia a mim enquanto militante, era que acreditasse neste partido que nada promete e que com nada se compromete, era que tivesse , mas lamento sou crente em D’us mas profundamente racionalista e não fui bafejado com essa fé transcendente alargada!!!
Sou alguém de ação e não consigo ver o que o PS fará se – espero que não – ganhar com a maioria absoluta!!!
Ideologicamente falando continuarei a ser um social-democrata defensor da social-democracia nórdica e verde, mas como é óbvio nos últimos anos evolui ideologicamente e já não considero que deve haver distinção entre a ação e prática e que devo e tenho que ser coerente entre a nossa preocupação pelo futuro e o nosso estilo de vida!!!
Existe deste modo um problema meu ideológico e de descrença generalizada no Partido Socialista bem como na sua prática interna, no seu programa eleitoral, na sua liderança, nos quadros que rodeiam essa liderança e a até na sua ideologia e/ou na crença que a sua assembleia de ideologias poderiam resolver os problemas futuros da minha comunidade, do país e da humanidade!!!
Pois nem os cidadãos que o lideram e o representam são coerentes, como até desrespeitam e desconsideram camaradas internamente bem como o seu programa de governo e a ideologia foi vendida a entidades estranhas em assuntos tão fundamentais como aqueles que, nos irão permitir existir ou não a mim e a todos, num futuro próximo!!!

O Futuro

Após falar de desconsiderações internas várias, do programa eleitoral vazio e poucochinho e da captura programática ideológica do PS por alguns quadros ligados a lobbys, poderia taticamente me manter no PS e aguardar que no futuro houvesse alguma esperança de que as coisas se alterassem mas o problema é que não tenho essa esperança e pior penso que muitos destes problemas se irão agravar.
Primeiro e ao contrário de outros ex-camaradas meus, tal como já referi, não tenho a fé que muitos têm (e alguns até são ateus, por isso é estranha essa ) nos chamados jovens turcos pois, não é o facto de serem fortes ideologicamente que os fará ser bons políticos, mas sim as suas ações e estas pelo que se pode ver estão entre o fraco e o medíocre não só internamente como no governo!!!
E muitos destes nessa ideologia nem são da maioritária dentro do partido assembleia que é o PS, a social-democracia, mas agarram-se a amanhãs que cantam marxistas que podem ser bons pontos de partida retóricos ideológicos mas que não passam disso mesmo!!! Mas também está aliás amplamente publicitado e provado que um marxista e/ou extremista ideológico de esquerda se transforma com a prática governativa num liberal e é isso que eu temo que aconteça!!! E por fim muitos desses jovens turcos e a tal esperança futura do PS são os mesmos que deixaram o PS ser capturado por esses quadros ligados a lobbys que são estranhos, pelo que a prática não bate com aquilo que anunciam!!!
Segundo saio com a convicção de que o PS já não representa o futuro e que as futuras gerações já não acreditam que este o seja!!! Tenho pena – pois durante muitos anos fui militante desinteressado – da JS e receio que esta esteja – aparte de alguns camaradas que reconheço com alguma capacidade – enquistada de um espírito conformista!!!
Fui militante durante alguns anos da JS, e nesta os debates ideológicos e programáticos eram intensos, o que hoje se assiste é a consensos pelo mínimo diapasão comum sendo que pelo menos na última década não houve candidatos da oposição a líder nacional!!! Ao ponto de quem é líder nacional desta estrutura hoje em dia é alguém que reputo de não só sofrível de trato pessoal como de uma nulidade ideológica sem precedentes!!!
E é isto que poderá ser o PS no futuro? Esta nulidade ideológica e programática e que repete até à exaustão as desconsiderações que já aqui referi?
Falta à JS a capacidade reformar o PS em assuntos tão sérios como a emergência climática ou a à descarbonização do país e que o programa eleitoral e a ideologia tenham uma correspondência prática face à realidade em que vivemos!!!
O futuro neste campo anuncia-se negro e muito longe de alguém que como eu acha que temos poucas décadas para agir!!!
desconsideracao_a_ideologia_vazia_do_poucochinho_e_o_futuro__03
E olhando para o fundo túnel, que será o nosso futuro, será mesmo que temos tempo para isso?
E esse é o terceiro ponto, o PS o que é que defende para o futuro próximo?
O PS também irá permitir que a destruição do Alentejo e que a sua desertificação se intensifique graças à exploração intensiva e sem regras dos seus campos. O facto de o cabeça de lista por Évora ser, alguém ligado a esses lobbys agro-industriais e, como Ministro da Agricultura ter intensificado essa destruição, bem como o alargamento da agricultura intensiva que leva à morte de milhões de aves e ao gasto de água sem regras mantendo a exploração agro-pecuária intensiva. E deste cabeça de lista conviver e apoiar os lobbys taurinos que recebem mais de 100 milhões de euros de apoios diretos e indiretos nossos para que, um bando de nababos marialvas extremistas de direita se, galvanize com o sofrimento de animais, demonstra que esse é o futuro que o PS escolheu!!!
O PS também continuará a ser cúmplice com os lobbys florestais que ou por continuação da exploração silvícola e florestal sem regras ou planos ou porque se beneficiam com o combate às chamas não olham a meios para atingir os seus fins!!! A inação é gritante, mesmo após dezenas de tragédias, que se irão inevitavelmente agravar e o pior é que quando outros tentam propor planos e ações concretas são barrados no parlamento pelo PS, aliado ao PPD/PSD e ao CDS-PP, sendo que estes últimos partidos são os principais responsáveis do estado a que chegámos nesse campo!!!
E é este o futuro que o PS quer que eu acredite que mudará?
Por fim o que acontecerá com o atingir das metas e objetivos para combater as alterações climáticas pois todo aquele programa de governo é o contrário do que deve ser efetuado em todas as frentes!!!
O PS está enquistado de lobbys que irão continuar a destruir este planeta e que tentarão adiar coisas tão simples como, a descarbonização da nossa sociedade, a implementação rápida de um plano de produção de energia 100% elétrica baseada em fontes renováveis e a generalização do transporte público em todo o país!!!
Tudo porque interessa dar dinheiro aos lobbys que vivem da importação de gás e petróleo, da exploração de petróleo sem regras e a lobbys ligados à exploração de vários recursos naturais (como o lítio) sem ter em conta a preservação do ambiente, das paisagens, do turismo sustentável ou da proteção da avifauna que ainda nos resta!!!
Será esse o futuro que o PS representa?
Se é então não precisa de mim!!!
Saio no final de uma legislatura, após ter colaborado com quem me pediu sem receber um tostão, saio limpo de encargos e olho para o futuro.
Saio numa altura fácil para o PS, que apenas terá ou não maioria absoluta, devido a este e não por causa de terceiros.
Quem me conhece também sabe o que sempre defendi no PS e que continuarei a ser social-democrata verde, ecologista, europeísta federal e de centro-esquerda. 
Radical em princípios sem transigir em aspetos importantes como a minha liberdade e o respeito que os eleitos têm que ter pelos militantes que os apoiam e os elegem e os eleitores em geral, sem os paternalismos e a desconsideração que os antigos meus camaradas entraram comigo e com outros, esquecendo-se quem eram e de onde vêm, olhando-me com a superioridade e sobranceria que quem os conhece à muitos anos não lhes autoriza!!!
Continuarei ser ativista ecológico, radical na ação e na forma e agora estarei onde acredito que será a via coerente e com futuro!!!
Saio porque existe futuro noutro partido/projeto ideológico, na ação deste e com este e que se deve ser coerente entre a nossa preocupação pelo futuro e o nosso estilo de vida.
Não existem partidos prefeitos, mas o PS deixou de não só o ser mas no qual deixei de acreditar que seria ou poderia estar e ser o nosso futuro enquanto sociedade, país e enquanto planeta e casa comum que vivemos!!!
Sandro Figueiredo Pires

Alto Alentejo reabilita instalações desportivas

PRID 2019

Decorreu este sábado, 27 de julho a assinatura dos Contratos Programa do Programa de Reabilitação de Instalações Desportivas (PRID) 2019, com clube e associações da região Alentejo, no IPDJ de Évora (para o distrito de Portalegre: Portalegre, Ponte de Sor, Monforte, Castelo de Vide e Crato).

A sessão contou com a presença da Vice-Presidente do Instituto Português do Desporto e da Juventude, Sónia Paixão, do Diretor Regional do Alentejo, Miguel Rasquinho, de alguns autarcas e dirigentes desportivos.

A Rádio Campanário marcou presença e recolheu as declarações de Sónia Paixão, Vice-Presidente do IPDJ, que começa por destacar a “importância enorme” do PRID.

A Vice-Presidente destaca os “4.2 milhões de euros” investidos pelo IPDJ, que “permite que os clubes e as autarquias consigam dar o seu contributo”, acrescentando que em termos de investimento de todas as partes “devemos ter um total de 15 milhões de euros investidos”.

Sónia Paixão considera que “cada vez tendemos a ter mais e melhores condições para a prática desportiva, com mais praticantes, com uma vida mais saudável”.

A Vice-Presidente admite aos nossos microfones que “não conseguimos chegar a todas as candidaturas”, garantindo que “naturalmente que para o ano existirá nova edição e fica criada a expetativa que possamos ajudar mais clubes”.

Para Miguel Rasquinho, Diretor Regional do Alentejo “é um dia importante para o Alentejo, serão assinados 15 contratos PRID com clubes de Portalegre, de Évora e de Beja”.

O Diretor explica que “o PRID em três anos tem vindo a duplicar as verbas para o Alentejo, conseguimos apoiar já mais de 40 clubes em toda a região”, acrescentado que “o programa tem alavancado a economia dos clubes e permitido que as autarquias se tenham aliado a este programa”. (…)

At https://www.radiocampanario.com/

Opinião: “Autarquias, Quintas e Hortas”

Santana 10537103_346138475537062_4431220928287954909_nBasta passar os olhos pela comunicação social escrita e falada e pelos debates televisivos para constatar que apenas existem duas autarquias em Portugal: a Região Metropolitana de Lisboa e a Região Metropolitana Porto. O resto são pequenas quintas e hortas que apenas interessam aos respectivos donos.

Mesmo os líderes de Lisboa, quando passam pelas hortas por dever de ofício e de fugida, apenas falam de Lisboa. E não deixa de ser revoltante assistir à sabujice dos hortelãos perante os senhores de Lisboa, gratos pelas pequenas ajudas que recebem da capital para ajeitar a horta.

Se percorremos Portugal de norte a sul pelo interior do país, as aldeias e vilas estão num brinco: zonas ribeirinhas, polidesportivos, piscinas, estádios, rotundas, esgotos e passeios. Não falta nada, excepto as pessoas. A leste da A1 mais de 60% da população está reformada e a restante é, em regra, gente pouco qualificada e pouca ambiciosa que vive à conta das autarquias, do rendimento de inserção social ou da reforma dos pais, naquela típica economia de subsistência que caracterizam as hortas.

Tenho alguma estima por alguns políticos-hortelãos que cuidam da sua horta com todo o carinho e toda a dedicação. Só que depois vem o fogo e varre-lhes a horta do mapa.

E qual a solução que os senhores de Lisboa perspectivam para inverter esta situação e repovoar território? Seguir o exemplo dos países europeus e deslocalizar para o interior do território serviços centrais da Administração Pública e órgãos do Estado? Isso é que era bom! A solução é destinar o interior do país aos refugiados, ciganos e todos aqueles que vivem do rendimento de reinserção social. Ou seja, segundo os senhores de Lisboa, a solução é fazer do Alentejo e do Interior-Norte a Faixa de Gaza, enquanto na Cidade Lisboa-Porto fica a viver o povo escolhido por Deus.

Para mim, já chega! Como disse em 2012, não voltarei a votar, enquanto a Assembleia da República não for deslocalizada para uma aldeia, vila ou cidade a leste da A1. Neste momento, “votar” é validar um sistema político corrupto que reduziu Portugal à estreita faixa litoral Lisboa-Porto e que retirou qualquer relevância ao voto dos residentes no Interior-Norte e no Alentejo.

Só o boicote a todos os actos eleitorais por parte dos residentes no Alentejo e no Interior-Norte tem hoje capacidade para denunciar e alertar o mundo para a nossa situação e obrigar Lisboa a levar a cabo as reformas necessárias para equilibrar o território. Tenho a consciência da dificuldade de uma tomada de posição colectiva desta natureza por parte de um povo que se habituou a viver de cócoras e de mão estendida a Lisboa. Mas não há outra alternativa! Até porque não é com velhos de 60 ou 70 anos que se consegue formar um exército para declarar guerra a Lisboa.

Santana-Maia Leonardo

At https://amar-abrantes.blogs.sapo.pt/

Comemorações da Batalha de Ourique

Batalha de Ourique imgLoader

Batalha de Ourique desenrolou-se muito provavelmente nos campos de Ourique, no atual Baixo Alentejo(sul de Portugal), mais precisamente em Castro Verde, em 25 de Julho de 1139 — significativamente, de acordo com a tradição, no dia do provável aniversário D. Afonso Henriques e de São Tiago, que a lenda popular tinha tornado patrono da luta contra os mouros; um dos nomes populares do santo, era precisamente “Matamouros“.

Foi travada numa das incursões que os cristãos faziam em terra de mouros para apreenderem gado, escravos e outros despojos. Nela se defrontaram as tropas cristãs, comandadas por D. Afonso Henriques, e as muçulmanas, em número bastante maior.

Inesperadamente, um exército mouro saiu-lhes ao encontro e, apesar da inferioridade numérica, os cristãos venceram. A vitória cristã foi tamanha que D. Afonso Henriques resolveu autoproclamar-se Rei de Portugal(ou foi aclamado pelas suas tropas ainda no campo de batalha), tendo a sua chancelaria começado a usar a intitulação Rex Portugallensis (Rei dos Portucalenses ou Rei dos Portugueses) a partir 1140 — tornando-o rei de facto, sendo o título de jure (e a independência de Portugal) reconhecido pelo rei de Leão em 1143 mediante o Tratado de Zamora e, posteriormente o reconhecimento formal pela Santa Sé em Maio de 1179, através da bula Manifestis probatum, do Papa Alexandre III.

A primeira referência conhecida ao milagre ligado a esta batalha é do século XIV, depois da batalha. Ourique serve, a partir daí, de argumento político para justificar a independência do Reino de Portugal: a intervenção pessoal de Deus era a prova da existência de um Portugal independente por vontade divina e, portanto, eterna.

At https://pt.wikipedia.org/