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Cláudia André critica “política de ziguezague” dos governos socialistas sobre a Central Nuclear de Almaraz

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Cláudia André, deputada do PSD eleita pelo distrito de Castelo Branco, questionou o ministro do Ambiente e da Ação Climática, na Comissão de Ambiente, Energia e Ordenamento do Território, sobre a Central Nuclear de Almaraz.

Destacando a proximidade da Central de Almaraz da região albicastrense, a social-democrata criticou o facto de o Governo de José Sócrates não ter conseguido “evitar a renovação da licença até 2020”, situação que se repete com “o Governo de António Costa, que não consegue evitar a renovação da licença até 2028”, como se lê em nota enviada à nossa redação. Para a deputada, “a acrescentar a todos estes fracassos da diplomacia do Governo português, está a instalação do armazém de resíduos nucleares em Almaraz, construído nestes últimos dois anos, e que não se conseguiu evitar”.

Cláudia André referiu-se aos “69 incidentes na última década, alguns dos quais contaminaram as águas do Tejo”. Assim, a deputada afirma que a “política de ziguezague do Governo sobre este tema revela a ausência de estratégia relativamente à abordagem com o Governo espanhol, bem como uma ausência de preocupação, não só, com as populações do distrito de Castelo Branco, Portalegre e Santarém como também com todo o território da bacia hidrográfica do tejo”.

Cláudia André considera mesmo que “existe uma declarada contradição entre a estratégia diplomática e uma estratégia energética nacional, nomeadamente em relação ao recuo ou à não prioridade nas interligações energéticas com Espanha”.

Lamentando que o Governo não tenha conseguido evitar o prolongamento da vida da central nem evitar a construção do aterro de resíduos radioativos, a deputada do PSD quis saber que vantagens o Governo português terá conseguido para Portugal, a fim de compensar os riscos iminentes.

At http://www.radiocastelobranco.pt/

Artigo de opinião: “Uma má pessoa não pode ser um excelente profissional”

Isabel OIPUGY19VBFO que me espanta é considerar-se absolutamente justificável que em nos querendo ver livres de alguém, que consideramos falho de qualidades, tratemos de lhe encontrar um outro cargo, um cargo público ainda por cima, para o calar ou tirar do caminho.

No domingo passado ouvi Marques Mendes afirmar que Mário Centeno era uma pessoa competente, mas com falhas de caráter e que já dera provas repetidas de falta de lealdade. Garantiu que o ministro das Finanças “tem uma relação difícil com a lealdade e às vezes com o caráter”, acusou-o de “deslealdade” para com o primeiro-ministro, sublinhou que possuía um “instinto vingativo”, que “o poder lhe tinha subido à cabeça”, e que era dotado de uma ambição desmedida. Mas, quando lhe foi perguntado se, posto tudo isto, daria um bom governador do Banco de Portugal, Marques Mendes tranquilizou o entrevistador: seguramente que sim, “porque o problema não é a competência”. Mau caráter, mas excelente profissional, portanto.

Na realidade, as personagens desta história pouco me interessam, o que me importou neste comentário, que não varia muito de tantos outros que ouvimos no dia a dia sobre as mais diversas pessoas, é a naturalidade com que se afirma que alguém — seja quem for — pode ser desleal e sem caráter, mas simultaneamente um profissional exímio. A pessoa certa para um lugar de responsabilidade. O que me espanta é considerar-se absolutamente justificável que em nos querendo ver livres de alguém, que consideramos falho de qualidades, tratemos de lhe encontrar um outro cargo, um cargo público ainda por cima, para o calar ou tirar do caminho.

Confesso que posto isto fiz um Google, associando as palavras “má pessoa” + “bom profissional” e respirei de alívio: pelos vistos a minha dúvida moral não era assim tão esdrúxula. Numa excelente entrevista ao La Vanguardia, o psicólogo Howard Gardner da Universidade de Harvard, o homem que ficou célebre pela sua tese de que não há apenas um tipo de inteligência mas uma multitude delas (inteligência lógico-matemática, linguística, musical, etc.), é perentório: as más pessoas não podem ser excelentes profissionais. Afirma que as pessoas com falhas éticas até podem adquirir “know-how” técnico, mas que a competência técnica, nunca poderá ser sinónimo de excelência.

“Se não são éticos, podem ser ricos, podem ser competentes, mas não são excelentes profissionais.”

Argumenta que “se o que os move é o desejo de satisfazer o seu ego, a sua ambição ou ganância, não há qualquer hipótese de serem bons profissionais. Se não se envolvem no que fazem, se não colocam objetivos ao seu trabalho que vão para lá das suas necessidades pessoais, se a sua profissão não é assumida como um serviço aos outros, não há hipótese. Ou seja, se não são éticos, podem ser ricos, podem ser competentes, mas não são excelentes profissionais”.

Pronto, estou mais descansada. O mundo pode não ser como desejávamos que fosse, mas é preciso que pelo menos na nossa bússola interna, o Norte continue no mesmo sítio. Infelizmente, Howard Gardner parece estar ainda mais desassossegado do que eu porque, avisa, muita gente, nomeadamente os que iniciam agora a sua vida profissional, acreditam que “a Ética é o luxo dos que já têm sucesso”. Qualquer coisa que se acha muito bem que exista e que até se promete vir um dia a aplicar, mas só quando chegarmos ao lugar que ambicionamos ocupar. Seja o de chefe da banda, de governador do Banco de Portugal ou de comentador político.

Isabel Stilwell

At https://www.jornaldenegocios.pt/

Artigo de opinião: “A nova ordem sanitária e o policiamento da vida colectiva”

Santana CastilhoVive-se, assim, numa cidadania apenas simbólica, tutelada pela polícia e pela Direcção-Geral da Saúde, que têm agora o monopólio do espaço público.

1. A declaração de calamidade não suspende, muito menos suprime, direitos laborais, sociais e políticos. Nem, nunca, estes direitos prejudicaram o combate à covid-19. Prejudicariam, isso sim, o curso da propagação da pandemia do medo, em que os principais responsáveis políticos se empenharam, arrastando, com pouca ponderação, 1,3 milhões de trabalhadores para o lay-off, 170 mil independentes para a penúria e 55 mil para a sopa dos pobres.

O ambiente em que vivemos desde 3 de Maio é manifestamente inconstitucional, porque pretende suspender direitos fundamentais por uma decisão unilateral do Governo. Com efeito, a situação de calamidade colhe o seu suporte legal numa lei ordinária da AR (Lei n.º 27/2006), que não permite limitar o exercício desses direitos senão de forma temporária determinada e apenas em zonas claramente definidas do território nacional (Art.º 21.º, n.º 1, b) da citada lei).

Mas uma grande parte dos portugueses, resignada, deprimida pela campanha da promoção do medo a que foi submetida, parece querer aceitar em silêncio a limitação administrativa dos seus direitos. Vive-se, assim, numa cidadania apenas simbólica, tutelada pela polícia e pela Direcção-Geral da Saúde, que têm agora o monopólio do espaço público. Sente-se, assim, a opressão de uma espécie de religião do confinamento, que nos empurra, em rebanho, para a neurose colectiva. A retórica fascizante que a serve permitiu a António Costa armar-se em intérprete de um certo interesse superior, “diga a Constituição o que diga”, e a um comandante da GNR recordar-nos o “dever de cada um ser o polícia de si próprio”.

E, apesar de os cientistas do mainstream terem concluído que a quase totalidade das contaminações ocorreu em espaços fechados (habitações, lares e instituições de saúde), prepara-se agora o reforço das contínuas operações da PSP, da GNR e da Polícia Marítima, chamando “fuzileiros e artilheiros” (ministro do Ambiente dixit) para controlarem os perigosos areais. As medidas em estudo, refere a imprensa, admitem cercas, torniquetes, sensores, drones, vigilância privada, marcas na areia para espetar as sombrinhas e cordas para delimitar a separação entre banhistas. Por este caminho, ainda vamos ver um ajuste directo para amestrar carapaus, que vigiarão o distanciamento dentro de água.

À salvação pelo grande confinamento e pela ditadura sanitária, opõe-se uma racionalidade ponderada para combater o vírus, coexistindo com ele por via da imunidade adquirida. Trata-se da dicotomia entre um risco de infecção, probabilisticamente baixo, e uma morte lenta, mas certa, por catástrofe económica, psíquica e social, sem precedentes.

2. A casa dos professores e a casa dos alunos cederam a sua natureza privada a uma certa lógica totalitária, que o fetichismo do ensino à distância impôs. O impropriamente chamado ensino à distância invadiu a vida privada e familiar dos docentes, misturando perigosamente vida profissional e vida pessoal. Sem resistência, inebriada por essa estranha união nacional contra a covid-19, uma parte significativa dos professores alistou-se em jornadas de trabalho sem limite e disponibilizou-se para trabalhar a todo o momento, respondendo a todas as solicitações. É prudente reflectir sobre o que está a acontecer e separar águas.

Tecnólogos e tecnocratas não entendem que a interacção pedagógica exige presença. Professores e alunos sabem e sentem isso

Uma coisa é uma metodologia sólida, coerente e tecnicamente complexa de ensino a distância (maioritariamente destinado a populações adultas e definitivamente vedado a algumas áreas temáticas), outra coisa é uma solução improvisada e precária (para entreter crianças e jovens afastados da escola). Não discernir sobre a diferença entre estes conceitos pode conduzir a entusiasmos para “normalizar”, no futuro, o que agora é meramente instrumental, pobre e casuístico.

Custa-me ver que se aceite tão facilmente trocar relações pessoais por relações digitais, admitindo que a profissionalidade docente possa prescindir do contacto social e da empatia humana. Como se um colectivo de pessoas pudesse ser substituído por um colectivo de computadores, sem perda de humanidade. Tecnólogos e tecnocratas não entendem que a interacção pedagógica exige presença. Professores e alunos sabem e sentem isso. Agora, mais que nunca, interiorizaram, certamente, que uma aula tem múltiplos papeis sociais, que nenhuma máquina substitui.

Santana Castilho

At https://www.publico.pt/

Artigo de opinião: “Eu vou à praia!”

Vanda GuerraDepois de estar impedida de sair do meu concelho nos fins de semana de Páscoa e 1º de Maio, e de assistir ao que todos assistimos, querem-me dizer que só posso ir à praia fazer surf? Está tudo maluco?

Quando todos ficámos em casa antes mesmo das entidades oficiais o indicarem, para depois assistirmos aos corredores da AR no 25 Abril, ao desfile de autocarros na Alameda no 1º de Maio, quando o PCP tem a sua Festa do Avante, 24 horas depois de terem sido proibidos os festivais de verão, vêm-me dizer que não vou poder ir à praia?

Pois então prendam-me porque eu vou à praia! Vou à praia com aquilo que de melhor me acompanha. Com bom senso. Vou à praia da mesma forma que vou ao supermercado — vou manter a distância de segurança. Poderei levar máscara consoante a praia para onde vá e durante o percurso até encontrar o local que me permita estar tranquila e distante dos demais. E acredito que todos os restantes façam o mesmo.

Nestes dias assisti (por televisão) à polícia a mandar sair da água banhistas porque só se pode fazer surf… Qual é o sentido disto? O surfista está mais protegido que o banhista? Não nos podemos deitar numa toalha mas podemos caminhar? Mantenho mais distância enquanto caminho do que estando parada? Ou confundo o vírus? Ah e tal, este corpo está ali parado é mesmo bom para me hospedar! Aquele que vai a andar, é melhor deixar ir… espero que este corpo em cuja ponta da língua me passeio passe mais perto pelo que está deitado… e ver se não me magoo quando saltar lá para baixo!

Nas duas vezes que resolvi dar uma volta de bicicleta, fui questionada pela polícia. Não obstante estar sozinha e ter feito questão de ir por ruas desertas, resolveram deixar clara a sua autoridade. Ameaçando que “estavam a falar comigo a bem mas que podiam passar a mandar”! Logo a mim que adoro ameaças. Abandonei a discussão quando entretanto outras pessoas se aproximavam e já éramos seis num espaço de dois m2. Resolvi que era melhor tratar de mim própria já que com as autoridades, aí sim, eu estava a ser exposta ao possível contágio. E isto foi antes do 1º Maio.

Depois destes dois episódios e de estar impedida de sair do meu concelho nos fins de semana de Páscoa e do 1º de Maio, e de assistir ao que todos assistimos, querem-me dizer que só posso ir à praia fazer surf? Está tudo maluco?

Se em vez de inventarem proibições, distribuíssem máscaras de forma gratuita, incutissem bom senso na comunidade e aprendizagem quanto ao uso correcto das protecções necessárias era o melhor que faziam.

Bom senso que deve começar nas entidades oficiais que ora dizem uma coisa, ora dizem outra. Ora não se deve usar, ora se é multado por não usar. Na AR usam mas para falar tiram. Pousam as mãos em tudo, põem máscara, tiram máscara. Cada um de nós já mostrou ter mais bom senso que os polícias e governantes.

Eu percebo que as informações podem e devem evoluir ao ritmo a que o conhecimento também evolui mas não é com proibições impossíveis de implementar – pelo menos de forma transversal ao país e às populações — que lá vamos.

Vão fechar que praias? As urbanas, a que todos podem ter acesso? Passam a ter direito a praia apenas os que têm casas com praias (quase) privadas? Neste país, com areais a perder de vista e acessíveis a poucos? Até a praia passa a ser exclusivo de alguns?

E nas praias urbanas, em que o acesso é possível a partir de qualquer ponto – vamos pensar na costa do Estoril ou da Costa da Caparica – vão estender um cordão humano policial ao longo da costa? Ou acham que as pessoas, fartas de ser gozadas pelo PCP, com o vergonhoso compadrio do PS que tem medo de ser confrontado com dificuldades em governar, não vão saltar fitinhas? Está mais que visto que a preocupação do governo não é a saúde publica. Foram, são e serão os resultados eleitorais. E a garantia de se manter no poder por muitos e bons anos. Se fosse a saúde e os idosos, o SNS não estava no estado em que está, não havia filas de espera de anos para consultas e cirurgias, não havia alas pediátricas anos em espera para serem construídas, não havia falta de cuidados paliativos, não havia falta de lares com condições dignas para quem deles precisa, etc. etc. etc.

Não é opinião geral médica de que é mais saudável estar ao ar livre do que confinado em casa? De que problemas respiratórios se tratam na rua e não em casa? De que a prática do exercício físico é saudável? De que o uso da máscara reduz o contágio? Então distribuam máscaras e deixem-nos em paz. Há uma série de gente – de todas as idades – a precisar de tratar outras doenças tão ou mais graves e estão enfiados em casa a definhar. À espera de morrer, não da doença, mas da cura!

E os idosos … aquele grupo que tem de ser protegido. Já dei a minha opinião sobre esta protecção em artigo anterior. Decorrido mais 1 mês, não tenho qualquer dúvida ou restrição. Com alguns cuidados, os “velhos” têm todo o direito a estar com os seus. A viver os últimos anos que têm pela frente, da forma que mais prazer lhes dá. A estar com os filhos e com os netos.  A passear e desfrutar do ar livre. A ir almoçar a um restaurante com uma vista bonita que lhes recorde o bom que é viver, quando já muitos dos seus amigos partiram.

Deixem-nos em paz. Os portugueses têm-se revelado (demasiado) calmos mas temos o nosso limite. Aguentamos a carga fiscal que enviesa o mérito do nosso trabalho. Aguentamos a corrupção que enviesa a nossa economia.  Aguentamos o Ferro Rodrigues que enviesa a nossa moral. Aguentamos o Novo Banco. Aguentamos as mentiras. Aguentamos os tachos. Mas a praia… a praia é o que nos aguenta a nós e não vamos deixar que nos tirem!

Vanda Guerra

At https://observador.pt/

Artigo de opinião: “CGTP, a correia de transmissão de um sinal errado”

Vitor MatosBom dia!

Era óbvio que a realização do comício do 1º de Maio na Alameda ia ter efeitos secundários. A CGTP, velha “correia de transmissão” do PCP, passou a correia de retransmissão de uma polémica desnecessária onde a maior responsabilidade é do Governo (e do Presidente da República) por ter autorizado uma exceção que passou o sinal errado à população. Só não terá sido uma correia de retransmissão do vírus pela organização exemplar da Intersindical, elogiada aqui pelo ministro Eduardo Cabrita. Alvo de críticas previsíveis, a Intersindical que não é ingénua e sabia que ia estar sob fogo, emitiu ontem um comunicado que só se pode justificar por cegueira ideológica: “Há setores da nossa sociedade que procuram no surto epidémico a justificação para o regresso ao passado, para a reintrodução do totalitarismo, de mordaças e do unanimismo como única forma de pensar e estar.”

No contexto que estamos a viver, só por desonestidade intelectual se pode agitar o fantasma do fascismo por críticas legítimas numa democracia: discordar ou dizer à CGTP que não podia realizar o comício durante o excecionalíssimo estado de emergência por causa de uma pandemia que já matou mais de mil pessoas em Portugal, que devastou a Espanha (com o contributo de uma manifestação) e está a devastar o mundo, é voltar ao fascismo? Vamos excluir da equação as críticas da direita, ficamos só com as da esquerda. A UGT, que não foi para as ruas – Carlos SIlva fez críticas duras à CGTP no Expresso – e celebrou o 1º de Maio pelas redes sociais, quer reintroduzir o “totalitarismo”? A corrente do Bloco de Esquerda na própria CGTP que foi contra o comício na Alameda, é um grupo de saudosistas a defender uma “mordaça” na luta pelos direitos dos trabalhadores? E Catarina Martins, que num gesto político significativo, fez uma comunicação nas redes sociais e não foi à Alameda, ao contrário de Jerónimo de Sousa, quer instituir o “unanimismo”? As palavras têm peso mas a memória também: quem lutou pela “unicidade sindical” e o “unanimismo” foi PCP e a CGTP nos tempos do PREC, para ter o monopólio do mundo laboral.

Luís Marques Mendes resumiu bem o problema no comentário de ontem à noite na SIC: a autorização para as celebrações “mina a autoridade política” – e o Governo não se pode queixar se as pessoas começarem a prevaricar. Mais do que isso, passa a ideia de que o Executivo tem medo da CGTP porque se aproximam tempos difíceis, e a paz social será importante durante a crise económica.

Na verdade, a a posição da Inter – liderada agora pela militante comunista Isabel Camarinha – é filha dos argumentos do PCP, que tem apontado mais para o “medo” e o “alarmismo” do que para a necessidade de medidas excecionais (como o estado de emergência ou de calamidade) para conter os riscos da pandemia na saúde pública. Jorge Cordeiro, um dos principais dirigentes comunistas, escreveu um artigo no “Avante!” a semana passada que mostra como o PCP continua a olhar para o mundo por um funil, à luz de uma fé dogmática que distorce o mundo sempre no mesmo sentido. Fica esta passagem: “Em nome do necessário distanciamento e das medidas de prudência de cada um consigo próprio e para com os outros, o que aí está à escala de massas é a profusão a partir de agigantamento do medo, para lá do racional, da criação de um clima geral de intimidação social dirigido para e suportado na exacerbação do individual” – tudo aproveitado pelo capital monopolista para anular a luta coletiva. Aqui não há vida para além da luta de classes (outra coisa são os abusos das empresas que devem ser punidos).

Como era de esperar, a decisão do Governo gerou ondas de choque, sobretudo com a ajuda da própria ministra da Saúde que, na ânsia de justificar a aprovação dos comícios da CGTP, deu a entender este sábado, numa entrevista a Rodrigo Guedes de Carvalho, na SIC, que o 13 de Maio também se podia celebrar em Fátima,desde que fossem “respeitadas as regras sanitárias”. As declarações inesperadas de Marta Temido geraram surpresa no Santuário, mas a governante havia de esclarecer ontem, com a polémica já instalada, o que tinha ficado em dúvida: “O que o Ministério da Saúde pretendeu explicitar é que há uma diferença entre peregrinos e celebrantes” e que as peregrinações continuavam proibidas.

A própria igreja, que não quis comentar a homilia de um padre que fez críticas à ‘geringonça’ – “manda no país” – em plena missa, por causa do 1º de Maio, manteve a decisão de não levar gente para Fátima por ser “um perigo para a saúde pública”, afirmou o cardeal D. António Marto. O “Público” avança hoje que o primeiro-ministro falou com o bispo sobre a realização de cerimonias só com a presença de eclesiásticos e alguns fiéis.

O responsável pela Proteção Civil de Santarém foi mais longe e recomendou “juizinho” com o 13 de Maio.

No dia em que começa o lento desconfinamento no país, pode ver aqui o ponto da situação do surto em Portugal em gráficos e mapas: 25.282 infetados e 1043 mortos, a variação mais baixa desde o início do surto. E pode informar-se ainda sobre a situação no resto do mundo.

Vítor Matos

At https://expresso.pt/

Conferência Digital “Crise Climática: A Outra Ameaça Global”

Dia da Terra

Assista em direto no facebook na Quarta-Feira dia 22 de Abril de 2020 pelas 21 horas, com Cesária Gomes, Filipe Duarte Santos, Francisco Veiga Simão, Luis Loures, Mariana Abrantes, Nelzair Vianna, Ricardo Campos e Ricardo Pinheiro.

At https://www.facebook.com/events/1524433474403349/

Leitores: Municípios e Pandemia

Jose Manuel BassoMédico a antigo presidente da Câmara de Nisa comenta a ação regional no combate ao Covid-19 “que é, genuinamente, a marca do poder local”.

A propósito da vasta informação que o Reconquista tem trazido a público, com destaque grande destaque (a meu ver, bem), sobre as intervenções dos vários municípios do distrito no combate à Covid-19, gostaria de tecer algumas considerações.

1. A primeira, naturalmente, para enaltecer as opções tomadas, com um papel de primeira linha na ação distrital, o que não é de estranhar numa região (a Beira Baixa) com evolução altamente positiva, antes do mais pelo desenvolvimento galvanizado, em muito, pelas câmaras municipais. Muitas vezes ultrapassando mesmo as suas competências, sendo esta a única maneira de responder à urgência com que esta batalha deve ser encarada quando o estado central entra em campo (quando entra) tarde e, muitas vezes, mal.

2. Desde a realização de milhares de testes e entrega de máscaras e outros EPIs, com particular relevo para o apoio às instituições que se ocupam de idosos (o elo mais fraco nesta «guerra») e aos serviços de saúde hospitalares, da entrega de bens alimentares a quem deles necessita até à atribuição de subsídios a bombeiros, passando pela criação de linhas telefónicas para apoio psicológico a quem vive momentos dramáticos indutores, há uma riqueza na diversidade das decisões que é, genuinamente, a marca do poder local.

3. Destacamos, por serem normalmente os parentes pobres da nossa estrutura autárquica, as referências que o jornal faz a juntas de freguesia que, em atelier improvisado, dinamizam a feitura de botas, toucas e máscaras ou asseguram a limpeza e desinfeção dos espaços públicos, chegando mesmo a ser autênticos agentes sanitários ao acolher forasteiros com o cuidado que a situação impõe mas ao mesmo tempo, em anfitriedade digna de louvor, disponibilizando-se para apoiar naquilo de que necessitam. A valorizar especialmente quando, não muito longe de nós, numa atitude inqualificável, a população de uma aldeia obrigou uma enfermeira a ir viver para outra terra. Ela que, com grande estoicismo, no hospital tira da morte muitos cidadãos. Que poderiam ser os seus vizinhos autores desta vergonha, com o receio de que ela lhes «pegasse» o que, para eles, é a «peste» dos nossos dias. Isto quando, a nível mundial, a humanidade precisa, no mínimo, de mais seis milhões destes profissionais de saúde…

4. Não queremos maçar os leitores com um escrito excessivamente longo no momento em que retomamos esta forma de ação cívica, utilizando a experiência de muitos anos (anos demais) como eleito municipal e a sensibilidade que resulta da intervenção comunitária enquanto médico. Mas, se o jornal vir nisso interesse, no próximo número continuaremos, para fazer sugestões com vista a aprofundamento da intervenção dos municípios ainda nesta fase de restrições e, especialmente, na fase de «desconfinamento». Onde as questões que se vão pôr exigem ainda mais dedicação, competência e criatividade dos eleitos locais. Com um maior entrosamento entre todos os municípios e freguesias, com permanente ligação às populações e total transparência das deliberações e decisões que tomam, sem sectarismos ou sede de protagonismos doentios e uma articulação com as forças vivas e órgãos desconcentrados do estado.

José Manuel Basso

Médico e antigo presidente da Câmara Municipal de Nisa

At https://www.reconquista.pt/

Comunicado da Saúde Pública

Corona AlentNa sequência da declaração, a 30 de janeiro de 2020, de Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional pela Organização Mundial da Saúde e da evolução da situação, a nível da Região Alentejo foram imediatamente acionados os mecanismos de Preparação e Resposta à Doença por novo Coronavírus (COVID-19), coordenados pela ARS Alentejo, em alinhamento com as orientações da DGS.

Têm sido divulgadas as recomendações nacionais para a população sobre as medidas de prevenção, nomeadamente o distanciamento social (evitar contacto próximo com outras pessoas), a adoção de medidas de higiene das mãos, de limpeza de objetos e superfícies e de etiqueta respiratória (não espirrar, tossir ou falar em direção a outros ou para as mãos), e o recurso preferencial ao contacto com a linha SNS 24 -808242424

A rede de saúde pública da Região, tem ativamente participado nas medidas de contenção, promovendo a avaliação de todos os casos suspeitos identificados, a vigilância de todos os casos que o justificaram e a investigação epidemiológica, em articulação com os recursos instalados SNS, LAM e Hospitais de referência, e os serviços de saúde da região.

Todos os casos suspeitos identificados na Região Alentejo, que precisaram de realizar testes, os mesmos foram realizados, tendo todos sido negativos para coronavírus, até ontem.

Ontem registamos os primeiros dois casos positivos. Casos de pessoas que contraíram a infeção fora da região, e mais casos viremos a registar, agradecendo desde já que não se entre em pânico e em medidas discriminatórias e de invasão de privacidade dos mesmos.

Estes casos positivos estão na linha do expectável pela situação epidemiológica em curso, e demonstram que o trabalho promovido pelos serviços de saúde foram efectivos, e que temos que continuar a promover a sua permanente adequação.

Importa manter as medidas que promovem a contenção da doença por parte de todos os cidadãos já referidas, a nível individual e colectivo.

Saliento a necessidade de colaboração e apoio à atividade dos profissionais de saúde e dos agentes de proteção civil, confiantes de que todos estão a fazer o seu melhor.

Consciente de que o Alentejo e todos os que aqui residem e trabalham, saberão estar unidos na luta contra este desafio global enorme, não posso deixar de apelar à participação ativa de todos para que:

Sigam as recomendações que forem sendo difundidas, de acordo com a evolução da situação;

Se informem nas páginas da DGS e da ARS Alentejo, ULSNA, ULSBA, ULSLA  e HESE:

Em caso de necessidade liguem para o SNS 24 808242424;

As medidas de isolamento social, não deixam de parte valores fundamentais como a solidariedade, a interajuda e o cuidar dos mais vulneráveis, tendo sempre presente as regras de distanciamento social, higiene das mãos e etiqueta respiratória.

Agradeço a participação de todos nesta luta, e um pedido para que não deixem que o Coronavírus estrague as nossas amizades.

Autoridade de Saúde Regional

Filomena Araújo

Artigo de opinião: “Porque o interior não é uma fatalidade – é uma oportunidade”

hugo-corQuem te viu e quem te vê. Em alguns anos, aquilo que era uma situação muito preocupante em Ponte de Sor, em 2009, à data do encerramento da Delphi, empresa do setor automóvel e a principal empregadora do concelho, transformou-se em 2020 numa realidade de otimismo e num horizonte de crescimento. O obstáculo, que não era pequeno, deu lugar à oportunidade, que é grande.

Nesta década, além do esforço de recuperação e apoio do investimento nos setores mais tradicionais do concelho – no agroalimentar, no agroflorestal, com destaque para a indústria da transformação da cortiça, que é agora o maior empregador da região -, em Ponte de Sor conseguiu-se pensar em novos voos, literalmente, e depois concretizá-los.

Com efeito, aquilo que é atualmente o cluster aeronáutico de Ponte de Sor, com investimentos de dezenas de milhões de euros no seu conjunto e um evento anual de referência a nível mundial – o Ponte de Sor Portugal Air Summit -, e com uma força de emprego de várias centenas de pessoas, na sua maioria altamente qualificadas, deu não só um forte impulso anímico e económico a toda a comunidade pontessorense, como também permitiu colocar o concelho no topo da lista daqueles que em todo o território nacional mais reduziram a sua taxa de desemprego.

Em Ponte de Sor, aterra cada vez mais investimento

Não podemos dizer que a aviação foi uma oportunidade que caiu do céu, porque a verdade é que deu certamente muito trabalho, a quem tem responsabilidades públicas, conseguir fazer deste cluster da aeronáutica o que ele é hoje em Ponte de Sor. Mas é um facto que tem ajudado a evitar a turbulência e a dissipar as nuvens negras que se observam em muitos territórios do interior de Portugal. Em Ponte de Sor, o interior não é uma fatalidade – é uma oportunidade.

Com a aeronáutica vieram mais investimentos e mais recursos humanos, e também mais possibilidades de requalificação dos recursos humanos do próprio concelho. Com este cluster, não o esqueçamos, Ponte de Sor passou a ter ensino superior, com a Escola de Aviação no Aeródromo Municipal, o que leva à fixação e à atração de população e conhecimento, à criação de competências e a condições de emprego e de vida com uma visão apontada ao futuro.

Ao mesmo tempo, com o Portugal Air Summit, Ponte de Sor conquistou, no concurso Município do Ano 2019, o prémio “Projeto da Região no Alentejo”. (A quarta edição do Portugal Air Summit realiza-se de 7 a 10 de outubro.)

Em suma, a aeronáutica, de certa forma, deu asas à Ponte de Sor do século 21.

Um concelho com condições para ganhar no século 21

Acresce que os preços do metro quadrado dos terrenos e das casas são ainda extremamente competitivos por comparação com outras realidades nacionais. Além da oferta imobiliária, também as ofertas de saúde, de hotelaria e restauração, têm, crescentemente, procurado acompanhar o dinamismo da sociedade e da economia do concelho. O mesmo acontece com os serviços públicos, os equipamentos coletivos, a área social, que se vão preparando para a nova atualidade do concelho.

Havendo emprego, havendo soluções de ensino, havendo centralidade geográfica (estamos a pouco mais de 1h de Lisboa e a 1h de Espanha), e havendo condições de qualidade geral de vida, Ponte de Sor é, e será cada vez mais, uma cidade atraente para as famílias se instalarem e aqui construírem o seu futuro. E é bom lembrar que a albufeira de Montargil é todo um tesouro natural à parte, completo com praia fluvial e muitas outras valências.

É preciso também dizer que a comunidade tem sabido receber e integrar a população que veio de fora, de outras regiões do país e dos quatro cantos do mundo. Nisso, Ponte de Sor um exemplo do melhor da alma portuguesa, de um dos elementos que é sempre valorizado por quem visita Portugal – o sermos hospitaleiros, calorosos e interessados.

Ponte de Sor está hoje uma cidade mais cosmopolita, em que nas ruas, nos cafés, nos restaurantes se falam várias línguas, em que os naturais do concelho e os novos pontessorenses globais se relacionam com gosto e facilidade. Em 2020, é uma cidade longe dos problemas e dos conflitos de outras paragens – longe da xenofobia, das tensões por causa da origem de cada um. Ponte de Sor é, com orgulho, um modelo de integração social e económica, em que as oportunidades são para todos os que queiram aproveitá-las.

Cada vez mais, a ‘oportunidade a quem a trabalha’

Em tempos, dizia-se ‘a terra a quem a trabalha’. Em 2020, pode dizer-se de Ponte de Sor que é uma terra da ‘oportunidade a quem a trabalha’.

A palavra importante, aqui, é mesmo oportunidade. Oportunidade para quem vem de fora, é certo, mas igualmente oportunidade para quem está – para quem intervém, organiza, gere, ajuda, projeta – de usar o que já foi feito para criar novas oportunidades para a região. Porque este é um trabalho que nunca está concluído. E o que funciona em determinado momento pode não ser o que funciona num momento futuro.

Para continuar nesta trajetória, ser capaz de ter capacidade de adaptação e de atração dos recursos, dos conhecimentos, das redes que melhor vão servir Ponte de Sor amanhã é uma competência de valor incalculável. Porque se calcula em benefício global para uma comunidade e para uma região inteiras. Porque é aí que está a base estrutural para um elemento decisivo neste caminho – todo o marketing territorial estratégico da região. E porque é assim, nesta cidade banhada pelo rio Sor, que se constrói uma Ponte sólida para o futuro.

Hugo Oliveira Ribeiro

Diretor Geral do HBR Group

At https://www.linhasdeelvas.pt/