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Se França, Itália, Espanha e Portugal se unirem, “mudará a Europa”

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Antigo primeiro-ministro italiano comentou a divisão entre os países do norte e do sul da Europa, no âmbito da pandemia do novo coronavírus.

O antigo presidente da Comissão Europeia Romano Prodi disse, numa entrevista ao La Vanguardia, que a união dos países do sul, conforme se verificou no último mês face às críticas por parte dos Países Baixos em relação ao apoio aos países mais afetados pela pandemia, poderá mudar o rumo da União Europeia.

Quando questionado pela jornalista sobre se se assistia, novamente, a uma divisão entre o norte e o sul da Europa, o antigo primeiro-ministro italiano disse que sim, mas que “o cenário mudou”.

“França, Itália e Espanha fizeram o mesmo jogo nas últimas semanas de forma excecional. Se se mantêm assim, mudará a Europa, porque estes três países representam metade da população, e se lhe juntarmos outros como Portugal… Isto não pode não ter consequências, porque não é um país sozinho, não é a Grécia”, disse.

“Mas atenção, isto não significa ser-se anti-alemão, talvez um pouco mais anti-holandês, sim, mas anti-alemão não”, acrescentou.

No entender de Romano Prodi, Espanha e Itália, mesmo que se unam, “são débeis”, sendo por isso “importante que França se tenha juntado pela primeira vez”.

Prodi não poupou críticas à administração holandesa: “Eu aceito lições de quem tem virtudes, mas dos Países Baixos, que se converteram no maior paraíso fiscal europeu, não aceito lições, era o que mais faltava”.

O antigo governante, de 80 anos de idade, comentou ainda a postura de Itália face à pandemia. “Vi uma Itália que sofre, mas que se comportou como um país sério”, disse. Admitindo que gerir uma coligação “causa sempre problemas”, indicou, porém, que “um governo cai quando há alternativas”. “E, neste momento, não as vejo. Se não se agravar a situação económica, não vejo uma crise iminente”, disse.

At https://www.noticiasaominuto.com/

Artigo de opinião: “A nova ordem sanitária e o policiamento da vida colectiva”

Santana CastilhoVive-se, assim, numa cidadania apenas simbólica, tutelada pela polícia e pela Direcção-Geral da Saúde, que têm agora o monopólio do espaço público.

1. A declaração de calamidade não suspende, muito menos suprime, direitos laborais, sociais e políticos. Nem, nunca, estes direitos prejudicaram o combate à covid-19. Prejudicariam, isso sim, o curso da propagação da pandemia do medo, em que os principais responsáveis políticos se empenharam, arrastando, com pouca ponderação, 1,3 milhões de trabalhadores para o lay-off, 170 mil independentes para a penúria e 55 mil para a sopa dos pobres.

O ambiente em que vivemos desde 3 de Maio é manifestamente inconstitucional, porque pretende suspender direitos fundamentais por uma decisão unilateral do Governo. Com efeito, a situação de calamidade colhe o seu suporte legal numa lei ordinária da AR (Lei n.º 27/2006), que não permite limitar o exercício desses direitos senão de forma temporária determinada e apenas em zonas claramente definidas do território nacional (Art.º 21.º, n.º 1, b) da citada lei).

Mas uma grande parte dos portugueses, resignada, deprimida pela campanha da promoção do medo a que foi submetida, parece querer aceitar em silêncio a limitação administrativa dos seus direitos. Vive-se, assim, numa cidadania apenas simbólica, tutelada pela polícia e pela Direcção-Geral da Saúde, que têm agora o monopólio do espaço público. Sente-se, assim, a opressão de uma espécie de religião do confinamento, que nos empurra, em rebanho, para a neurose colectiva. A retórica fascizante que a serve permitiu a António Costa armar-se em intérprete de um certo interesse superior, “diga a Constituição o que diga”, e a um comandante da GNR recordar-nos o “dever de cada um ser o polícia de si próprio”.

E, apesar de os cientistas do mainstream terem concluído que a quase totalidade das contaminações ocorreu em espaços fechados (habitações, lares e instituições de saúde), prepara-se agora o reforço das contínuas operações da PSP, da GNR e da Polícia Marítima, chamando “fuzileiros e artilheiros” (ministro do Ambiente dixit) para controlarem os perigosos areais. As medidas em estudo, refere a imprensa, admitem cercas, torniquetes, sensores, drones, vigilância privada, marcas na areia para espetar as sombrinhas e cordas para delimitar a separação entre banhistas. Por este caminho, ainda vamos ver um ajuste directo para amestrar carapaus, que vigiarão o distanciamento dentro de água.

À salvação pelo grande confinamento e pela ditadura sanitária, opõe-se uma racionalidade ponderada para combater o vírus, coexistindo com ele por via da imunidade adquirida. Trata-se da dicotomia entre um risco de infecção, probabilisticamente baixo, e uma morte lenta, mas certa, por catástrofe económica, psíquica e social, sem precedentes.

2. A casa dos professores e a casa dos alunos cederam a sua natureza privada a uma certa lógica totalitária, que o fetichismo do ensino à distância impôs. O impropriamente chamado ensino à distância invadiu a vida privada e familiar dos docentes, misturando perigosamente vida profissional e vida pessoal. Sem resistência, inebriada por essa estranha união nacional contra a covid-19, uma parte significativa dos professores alistou-se em jornadas de trabalho sem limite e disponibilizou-se para trabalhar a todo o momento, respondendo a todas as solicitações. É prudente reflectir sobre o que está a acontecer e separar águas.

Tecnólogos e tecnocratas não entendem que a interacção pedagógica exige presença. Professores e alunos sabem e sentem isso

Uma coisa é uma metodologia sólida, coerente e tecnicamente complexa de ensino a distância (maioritariamente destinado a populações adultas e definitivamente vedado a algumas áreas temáticas), outra coisa é uma solução improvisada e precária (para entreter crianças e jovens afastados da escola). Não discernir sobre a diferença entre estes conceitos pode conduzir a entusiasmos para “normalizar”, no futuro, o que agora é meramente instrumental, pobre e casuístico.

Custa-me ver que se aceite tão facilmente trocar relações pessoais por relações digitais, admitindo que a profissionalidade docente possa prescindir do contacto social e da empatia humana. Como se um colectivo de pessoas pudesse ser substituído por um colectivo de computadores, sem perda de humanidade. Tecnólogos e tecnocratas não entendem que a interacção pedagógica exige presença. Professores e alunos sabem e sentem isso. Agora, mais que nunca, interiorizaram, certamente, que uma aula tem múltiplos papeis sociais, que nenhuma máquina substitui.

Santana Castilho

At https://www.publico.pt/

Artigo de opinião: “Eu vou à praia!”

Vanda GuerraDepois de estar impedida de sair do meu concelho nos fins de semana de Páscoa e 1º de Maio, e de assistir ao que todos assistimos, querem-me dizer que só posso ir à praia fazer surf? Está tudo maluco?

Quando todos ficámos em casa antes mesmo das entidades oficiais o indicarem, para depois assistirmos aos corredores da AR no 25 Abril, ao desfile de autocarros na Alameda no 1º de Maio, quando o PCP tem a sua Festa do Avante, 24 horas depois de terem sido proibidos os festivais de verão, vêm-me dizer que não vou poder ir à praia?

Pois então prendam-me porque eu vou à praia! Vou à praia com aquilo que de melhor me acompanha. Com bom senso. Vou à praia da mesma forma que vou ao supermercado — vou manter a distância de segurança. Poderei levar máscara consoante a praia para onde vá e durante o percurso até encontrar o local que me permita estar tranquila e distante dos demais. E acredito que todos os restantes façam o mesmo.

Nestes dias assisti (por televisão) à polícia a mandar sair da água banhistas porque só se pode fazer surf… Qual é o sentido disto? O surfista está mais protegido que o banhista? Não nos podemos deitar numa toalha mas podemos caminhar? Mantenho mais distância enquanto caminho do que estando parada? Ou confundo o vírus? Ah e tal, este corpo está ali parado é mesmo bom para me hospedar! Aquele que vai a andar, é melhor deixar ir… espero que este corpo em cuja ponta da língua me passeio passe mais perto pelo que está deitado… e ver se não me magoo quando saltar lá para baixo!

Nas duas vezes que resolvi dar uma volta de bicicleta, fui questionada pela polícia. Não obstante estar sozinha e ter feito questão de ir por ruas desertas, resolveram deixar clara a sua autoridade. Ameaçando que “estavam a falar comigo a bem mas que podiam passar a mandar”! Logo a mim que adoro ameaças. Abandonei a discussão quando entretanto outras pessoas se aproximavam e já éramos seis num espaço de dois m2. Resolvi que era melhor tratar de mim própria já que com as autoridades, aí sim, eu estava a ser exposta ao possível contágio. E isto foi antes do 1º Maio.

Depois destes dois episódios e de estar impedida de sair do meu concelho nos fins de semana de Páscoa e do 1º de Maio, e de assistir ao que todos assistimos, querem-me dizer que só posso ir à praia fazer surf? Está tudo maluco?

Se em vez de inventarem proibições, distribuíssem máscaras de forma gratuita, incutissem bom senso na comunidade e aprendizagem quanto ao uso correcto das protecções necessárias era o melhor que faziam.

Bom senso que deve começar nas entidades oficiais que ora dizem uma coisa, ora dizem outra. Ora não se deve usar, ora se é multado por não usar. Na AR usam mas para falar tiram. Pousam as mãos em tudo, põem máscara, tiram máscara. Cada um de nós já mostrou ter mais bom senso que os polícias e governantes.

Eu percebo que as informações podem e devem evoluir ao ritmo a que o conhecimento também evolui mas não é com proibições impossíveis de implementar – pelo menos de forma transversal ao país e às populações — que lá vamos.

Vão fechar que praias? As urbanas, a que todos podem ter acesso? Passam a ter direito a praia apenas os que têm casas com praias (quase) privadas? Neste país, com areais a perder de vista e acessíveis a poucos? Até a praia passa a ser exclusivo de alguns?

E nas praias urbanas, em que o acesso é possível a partir de qualquer ponto – vamos pensar na costa do Estoril ou da Costa da Caparica – vão estender um cordão humano policial ao longo da costa? Ou acham que as pessoas, fartas de ser gozadas pelo PCP, com o vergonhoso compadrio do PS que tem medo de ser confrontado com dificuldades em governar, não vão saltar fitinhas? Está mais que visto que a preocupação do governo não é a saúde publica. Foram, são e serão os resultados eleitorais. E a garantia de se manter no poder por muitos e bons anos. Se fosse a saúde e os idosos, o SNS não estava no estado em que está, não havia filas de espera de anos para consultas e cirurgias, não havia alas pediátricas anos em espera para serem construídas, não havia falta de cuidados paliativos, não havia falta de lares com condições dignas para quem deles precisa, etc. etc. etc.

Não é opinião geral médica de que é mais saudável estar ao ar livre do que confinado em casa? De que problemas respiratórios se tratam na rua e não em casa? De que a prática do exercício físico é saudável? De que o uso da máscara reduz o contágio? Então distribuam máscaras e deixem-nos em paz. Há uma série de gente – de todas as idades – a precisar de tratar outras doenças tão ou mais graves e estão enfiados em casa a definhar. À espera de morrer, não da doença, mas da cura!

E os idosos … aquele grupo que tem de ser protegido. Já dei a minha opinião sobre esta protecção em artigo anterior. Decorrido mais 1 mês, não tenho qualquer dúvida ou restrição. Com alguns cuidados, os “velhos” têm todo o direito a estar com os seus. A viver os últimos anos que têm pela frente, da forma que mais prazer lhes dá. A estar com os filhos e com os netos.  A passear e desfrutar do ar livre. A ir almoçar a um restaurante com uma vista bonita que lhes recorde o bom que é viver, quando já muitos dos seus amigos partiram.

Deixem-nos em paz. Os portugueses têm-se revelado (demasiado) calmos mas temos o nosso limite. Aguentamos a carga fiscal que enviesa o mérito do nosso trabalho. Aguentamos a corrupção que enviesa a nossa economia.  Aguentamos o Ferro Rodrigues que enviesa a nossa moral. Aguentamos o Novo Banco. Aguentamos as mentiras. Aguentamos os tachos. Mas a praia… a praia é o que nos aguenta a nós e não vamos deixar que nos tirem!

Vanda Guerra

At https://observador.pt/

Artigo de opinião: “A pandemia do medo”

Margarida Abreu img_4495-2É assim que neste tempo de pseudociência global, das «fake-news» e da manipulação massiva da opinião pública pela comunicação social, se instalou a pandemia do medo, a maior pandemia de que há memória.

Estamos perante a maior pandemia existente desde os primórdios da humanidade: colocou os aviões em terra e fechou as pessoas em casa, parou o mundo!

Não, não estou a falar da pandemia de Covid-19, que, até agora, de forma confirmada, afetou pouco mais de 2,5 milhões de pessoas, dos 7 mil milhões que somos, e causou a morte de cerca de 170.000.

Estou a falar do medo, esse monstro tenebroso que foi alimentado até à exaustão pelo alarmismo e disseminação do terror, numa escala sem precedentes, pelas redes sociais e pela comunicação social, cuja estratégia não olha a meios para atingir os seus fins.

O exibicionismo, apanágio das redes sociais, a pseudociência indiscriminadamente veiculada, pelos inúmeros pseudo-especialistas de tudo, que existem nestas redes, contribuíram ativamente para a situação perniciosa em que todos nos encontramos hoje.

A mesma pseudociência que no campo da medicina, instiga as pessoas a não vacinarem as suas crianças, assistindo-se ao ressurgimento de surtos de doenças potencialmente fatais que há muito se encontravam controladas, a mesma pseudociência que aconselha a suspensão de medicamentos com eficácia testada e comprovada, para serem substituídos por sumos das mais variadas substâncias e dentes de alho. A mesma pseudociência que leva utentes a exigirem aos seus médicos exames estapafúrdios e sem nexo, medição de parâmetros em análises que nem existem ou irrelevantes e com custos elevadíssimos ( sim, para que é que servem 6 anos de curso de medicina e até mais 6 anos de especialidade se quaisquer 2 linhas que se leiam na internet nos tornam especialistas em tudo!)

Essa pseudociência, de que se vangloriam milhões de pessoas por esse mundo fora, que nunca abriram um livro ou dedicaram sequer uma hora de estudo àquilo que vêm veicular para as redes sociais, alimentou o maior monstro de que há conhecimento na história da humanidade: O MEDO.

Também a comunicação social, de forma criminosa e impune, manipulou a opinião pública, fornecendo sempre apenas uma parte da história, a que mais vendia, a que mais ganhava audiências, a mais terrível e aterradora. Metralhou a nossa casa com imagens de caixões atrás de caixões italianos, nunca explicando que tal acontecia em Itália porque todos os doentes com Covid19 eram referenciados para hospitais centrais, estando os regionais às moscas, e que não podiam ser transportados para os seus locais de origem, ficando as funerárias centrais com muito mais trabalho que o habitual, enquanto as regionais se encontravam desertas. Metralharam-nos com a gravidade da doença em 4 ou 5 países, nunca abordando as dezenas de países para quem a doença não tinha repercussões muito piores que a da gripe. Nem nunca, sequer, fizeram uma comparação séria entre os números de covid19 no nosso e noutros países e os números da gripe sazonal, quer em termos de número de indivíduos atingidos num pico de gripe, quer em número de mortos resultantes dos surtos de gripe. A mesma comunicação social que mostra as unidades de cuidados intensivos cheios de doentes no Porto, onde o surto está a ser mais grave, mas não mostra a quantidade de UCI que estão às moscas ou quase, noutras regiões do país.

Comunicação social essa, que em vez de entrevistar epidemiologistas, microbiologistas e infeciologistas, decidiu colocar nas luzes da ribalta matemáticos com modelos numéricos apocalípticos, que não têm sequer a noção de que as doenças infeciosas que se manifestam por surtos, apresentam um aumento rápido de casos, depois um planalto e por fim uma descida. Os casos não aumentam exponencialmente até ao infinito.

As frases foram sempre «já chegámos às X mortes e aos Y infetados» Nunca foram «ainda só temos estas mortes e estes infetados, quando num surto normal de gripe os números costumam ser tal e tal…».

E é assim, que neste tempo de pseudociência global, das «fake-news» e da manipulação massiva da opinião pública pela comunicação social, se instalou a pandemia do medo, a maior pandemia de que há memória.

Pandemia que atingiu 7 mil milhões de seres humanos, está a destruir, a uma velocidade alucinante, milhões de postos de trabalho, está a causar graves perturbações na saúde mental de milhões de pessoas, colocou de forma obrigatória, em habitação concomitante, agressores e vítimas, durante horas, dias, semanas, aumentando de forma dramática a violência sobre mulheres e crianças e está a alterar profundamente o normal funcionamento dos sistemas de saúde mundiais, levando a um aumento da mortalidade por muitas outras causas não Covid19.

Tudo porque alguns, ou se calhar muitos, querem ter audiências, querem ter visualizações e não olham a meios para atingirem os seus fins.

Quanto mais apocalíptica a notícia maior a audiência, quanto mais vezes repetida, maior a audiência.

Saiu-lhes o tiro pela culatra porque agora veem os seus postos de trabalho em risco, uma recessão económica provavelmente sem precedentes e da qual também vão fazer parte, o seu tempo de férias e lazer completamente ameaçado, os seus filhos em casa e uma disrupção completa da sociedade e da sua forma habitual de funcionar.

Agora pagamos todos a fatura do monstro que criámos e alimentámos, uma fatura elevadíssima, com um atingimento mais vasto do que o de uma Guerra Mundial, com a vida em suspenso, à espera…

A questão que se coloca é a seguinte: tendo as redes sociais entrado nas nossas vidas para ficar, sendo a comunicação social muitas vezes criminosa na forma como seleciona e fornece a informação, ficando muitas vezes impune e tendo como única e última intenção as audiências, quantas outras pandemias de medo se vão criar daqui para a frente, quantas mais vezes vamos assistir áquilo a que estamos a assistir agora?

Margarida Abreu

At https://observador.pt/

Conferência Digital “Crise Climática: A Outra Ameaça Global”

Dia da Terra

Assista em direto no facebook na Quarta-Feira dia 22 de Abril de 2020 pelas 21 horas, com Cesária Gomes, Filipe Duarte Santos, Francisco Veiga Simão, Luis Loures, Mariana Abrantes, Nelzair Vianna, Ricardo Campos e Ricardo Pinheiro.

At https://www.facebook.com/events/1524433474403349/

Leitores: Municípios e Pandemia

Jose Manuel BassoMédico a antigo presidente da Câmara de Nisa comenta a ação regional no combate ao Covid-19 “que é, genuinamente, a marca do poder local”.

A propósito da vasta informação que o Reconquista tem trazido a público, com destaque grande destaque (a meu ver, bem), sobre as intervenções dos vários municípios do distrito no combate à Covid-19, gostaria de tecer algumas considerações.

1. A primeira, naturalmente, para enaltecer as opções tomadas, com um papel de primeira linha na ação distrital, o que não é de estranhar numa região (a Beira Baixa) com evolução altamente positiva, antes do mais pelo desenvolvimento galvanizado, em muito, pelas câmaras municipais. Muitas vezes ultrapassando mesmo as suas competências, sendo esta a única maneira de responder à urgência com que esta batalha deve ser encarada quando o estado central entra em campo (quando entra) tarde e, muitas vezes, mal.

2. Desde a realização de milhares de testes e entrega de máscaras e outros EPIs, com particular relevo para o apoio às instituições que se ocupam de idosos (o elo mais fraco nesta «guerra») e aos serviços de saúde hospitalares, da entrega de bens alimentares a quem deles necessita até à atribuição de subsídios a bombeiros, passando pela criação de linhas telefónicas para apoio psicológico a quem vive momentos dramáticos indutores, há uma riqueza na diversidade das decisões que é, genuinamente, a marca do poder local.

3. Destacamos, por serem normalmente os parentes pobres da nossa estrutura autárquica, as referências que o jornal faz a juntas de freguesia que, em atelier improvisado, dinamizam a feitura de botas, toucas e máscaras ou asseguram a limpeza e desinfeção dos espaços públicos, chegando mesmo a ser autênticos agentes sanitários ao acolher forasteiros com o cuidado que a situação impõe mas ao mesmo tempo, em anfitriedade digna de louvor, disponibilizando-se para apoiar naquilo de que necessitam. A valorizar especialmente quando, não muito longe de nós, numa atitude inqualificável, a população de uma aldeia obrigou uma enfermeira a ir viver para outra terra. Ela que, com grande estoicismo, no hospital tira da morte muitos cidadãos. Que poderiam ser os seus vizinhos autores desta vergonha, com o receio de que ela lhes «pegasse» o que, para eles, é a «peste» dos nossos dias. Isto quando, a nível mundial, a humanidade precisa, no mínimo, de mais seis milhões destes profissionais de saúde…

4. Não queremos maçar os leitores com um escrito excessivamente longo no momento em que retomamos esta forma de ação cívica, utilizando a experiência de muitos anos (anos demais) como eleito municipal e a sensibilidade que resulta da intervenção comunitária enquanto médico. Mas, se o jornal vir nisso interesse, no próximo número continuaremos, para fazer sugestões com vista a aprofundamento da intervenção dos municípios ainda nesta fase de restrições e, especialmente, na fase de «desconfinamento». Onde as questões que se vão pôr exigem ainda mais dedicação, competência e criatividade dos eleitos locais. Com um maior entrosamento entre todos os municípios e freguesias, com permanente ligação às populações e total transparência das deliberações e decisões que tomam, sem sectarismos ou sede de protagonismos doentios e uma articulação com as forças vivas e órgãos desconcentrados do estado.

José Manuel Basso

Médico e antigo presidente da Câmara Municipal de Nisa

At https://www.reconquista.pt/

Município de Ponte Sor faz campanha de prevenção à Páscoa

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No Concelho de Ponte de Sor temos as mais belas planícies, espelho de água a perder de vista, tecnologia de ponta mas…temos também os nossos, os seus e de muitos…avós…uma maioria de população envelhecida!

Ajude-nos a protegê-los, não venha nesta Páscoa!

Prometemos recebê-lo, como tão bem sabemos fazer, na próxima!

Nunca, como nesta Páscoa deverá prevalecer o bem da família!

Por si e pela sua, estejam juntos, mas separados!

Nesta Páscoa fique em casa!

Não viaje para ter a certeza que a família se junta toda na próxima!

At http://www.cm-pontedesor.pt/

Dia Mundial da Poesia a 21 (poema de Hélder Telo)

Helder TeloNã venham pó Alentejo

 

Tô escrevendo aqui no monti

Um poema pós de fora

Viver aqui na presta

Vã-se mas é daqui embora.

 

As notis aqui sã frias

Nã aguentas nem que te mates

3 mantas Nã te chegam

Até arreganha a pele dos tomates.

 

Os dias aqui sã tã quentes

As vezes até falta o ari

50 graus n’ amarleja

Nem na rua podemos andari.

 

Na temos aventoinhas

Com o calor nã se pode.

Os velhos usam samarra

E as velhas têm bigode

 

Querem vir pá cá morari

Nem sabem a bicheza que há aqui

Gato bravo e Saca-rabos

Raposas e javali.

 

As 5 da manhã tamos-se álevantar

Pa monde ir ver do gado

Nem imaginam o que é Andar

com um pé todo cagado.

 

Na temos carro de praça

Nem sequer internet

Uns andam aqui a pé

Os outros na biciclete.

 

Nã temos praia perto,

e só se bebe aqui bagaço

Os sapos aqui sã tã grandes

Espetam com cada cagaço…

 

As casas nã têm luz

E lume é no chão

O gerador só faz barulho

Pá gente ver a tlevisão

 

Já dizia a outra porca

É nos montis ca gente móra.

Como já viram, isto na presta

Vã-se mas é daqui embora.

 

Se antes era deserto

Agora continua a ser

Nem os queremos aqui tã perto

Nem os queremos aqui a viver.

 

Podem vir visitar

Mas venham noutra altura

Deixem se aí ficar

Enquanto está merda dura.

 

De Um Alentejano que quer ajudar.

 

Autor: Helder Telo

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