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Cáritas “Ajuda Equador”

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A Cáritas Diocesana de Portalegre – Castelo Branco entra agora em contacto convosco para, juntos, demonstrarmos a nossa solidariedade para com a população do Equador. Apresentamos e convidamos a que divulguem a campanha de apoio à Cáritas do Equador na sua missão, após o sismo que no passado dia  16 de Abril abalou a zona costeira do norte do país.

Segundo o último relatório da Secretaria Nacional de Gestão de Risco do Equador, de 25 de abril, foram reportadas:

  • 655 Vítimas mortais, 48 desaparecidos e 17.638 feridos
  • 29.067 Pessoas acolhidas em abrigos
  • 1.125 Edifícios destruídos e 829 afetados
  • 281 Escolas afetadas

A estimativa total para a reconstrução ascende aos 3 mil milhões de dólares.

O Presidente da Cáritas Equador, Mons. Walter Heras, apelou à solidariedade das Cáritas de todo o mundo para apoiar os trabalhos de socorro que estão a decorrer. Neste momento, as prioridades na ajuda são o resgate de vítimas, a construção de abrigos para população deslocada, ajuda alimentar, artigos de higiene, água e saneamento, e a recuperação material, psicológica e espiritual da população nas províncias afetadas. A Cáritas Equador tem estado a atualizar informação sobre o estado dos trabalhos no seu site.

A Cáritas Portuguesa irá contribuir com 25.000,00€ para apoiar o Equador neste tempo tão desafiante e penoso, apoiando imediatamente a Cáritas Equador e ficará junto da população após estes primeiros dias, contribuindo para a reconstrução e reabilitação.

Para que todas paróquias e comunidade em geral possam também contribuir para amenizar a difícil situação vivida no país e para que o povo equatoriano possa iniciar a reconstrução das suas vidas, foi criada uma nova campanha.

Desejando que as nossas paróquias possam servir de exemplo de Misericórdia e Solidariedade para o mundo, agradecemos desde já toda a vossa colaboração e estamos disponíveis para os esclarecimentos que considerarem necessários.

Elicídio Bilé

At http://www.portalegre-castelobranco.pt/

Artigo de opinião: “Onde está a direita liberal em Portugal?”

Luis Aguiar-Conraria author_photo_650Um destes dias, uma amiga comentava no seu Facebook que a direita portuguesa não perde uma oportunidade para mostrar que não é liberal. Liberal no sentido de respeitar as liberdades individuais, entenda-se. Não lhe perguntei a que situação em concreto se referia porque os exemplos são tantos que quase dispensam especificação.

A Direita mostrou que não é liberal quando se discutiu o casamento homossexual, não sabendo respeitar a liberdade de cada um casar com quem quer. Tornou a mostrar que não é liberal quando em 2012/2013 se fez valer da sua maioria para impedir a adopção por casais do mesmo sexo, tendo, numa primeira fase, graças a alguns deputados do PSD, deixado passar a co-adopção. Lembre-se que no caso da co-adopção estávamos a falar de crianças que já viviam, de facto, em famílias com duas mães ou dois pais. Ou seja, tratava-se apenas de dar cobertura legal a uma realidade que existia. Seria impossível a um liberal rejeitar esta lei. No entanto, a Direita, não respeitando as crianças que viviam em famílias “fora da sua norma”, socorreu-se de um estratagema (proposta de um referendo sobre o assunto) para evitar que a co-adopção se institucionalizasse. Naturalmente, já nesta legislatura, a nova maioria de esquerda, com os votos contra da Direita, trataria de legalizar a adopção plena por casais do mesmo sexo. Há assuntos em que a Direita faz questão de sempre estar no lado errado da história.

Mas o fetiche da Direita portuguesa não é apenas com homossexuais. Simplesmente, não consegue respeitar as liberdades individuais quando se trata de assuntos que afectam a sua moral social. Foi assim no ano passado quando quis obrigar as mulheres que recorrem a um aborto a ter consultas psicológicas obrigatórias. E, pasme-se, nessas consultas obrigatórias, as mulheres podiam ter de enfrentar um médico que fosse objector de consciência relativamente à interrupção de gravidez. Isto com a justificação de que o contrário seria “discriminar os objectores de consciência”!

Este ano, quando se discute a procriação medicamente assistida, mais uma vez a Igreja, perdão a Direita, quer impor a sua moral, impedindo que casais de lésbicas ou mulheres solteiras possam recorrer a ajuda médica para engravidar, impedir o recurso à maternidade de substituição, etc. É-lhes impossível respeitar o livre-arbítrio individual, quando em causa está a sua moral.

Foi Margaret Thatcher, a dama de ferro inglesa, que disse: “there’s no such thing as society; there are individual men and women and there are families”. Traduzo: “isso da sociedade é uma coisa que não existe; há homens e mulheres individuais e há famílias”. Mas, para a nossa Direita, é impossível imaginar uma sociedade em que o indivíduo não seja submetido às amarras da sua moral.

As pessoas de direita que alegam ser liberais, percebendo a óbvia contradição entre o que defendem na teoria e o que defendem na prática, costumam encontrar soluções ad-hoc para as suas posições anti-liberais. Por exemplo, o problema da procriação assistida não é o direito em si mesmo que a mulher tem, mas sim o facto de se transformar esse direito numa “obrigação do Estado”. Ou seja, a obrigação que o Estado tem em mobilizar cuidados de saúde que possam responder a este direito. Depois adicionam uns pozinhos de demagogia, falando em listas de espera ou de doentes de cancro que não são tratados a tempo, como se, no global, o nosso Sistema Nacional de Saúde não passasse com distinção em qualquer estudo comparativo internacional.

Confesso que, para minha surpresa, já vi o mesmo argumento ser dado a respeito da eutanásia, que agora tanto se discute. Não se nega o direito individual ao suicídio. Quem quiser suicidar-se que pegue numa pistola e estoire os miolos. Pedir ajuda ao Estado para uma morte mais suave é que não, nem pensar. É a Direita que temos, no papel, muito respeitadora da liberdade individual. Na prática, o indivíduo submete-se sempre à moral social.

Em tempos, escrevi aqui que a nossa Direita era peculiar e que, na verdade, mais do que reduzir o peso do Estado, o que pretendia era mesmo substituí-lo pela Igreja. Dei, na altura, o exemplo da Educação e, nestas últimas semanas, temos observado isso mesmo. O Governo veio anunciar o que devia ser óbvio: que onde houvesse uma escola pública não faria sentido o Estado continuar a subsidiar uma escola privada. É, aliás, o que está na lei; o facto de esta durante décadas não ter sido respeitada por sucessivos governos não é desculpa para continuar a não ser. Numa altura em que todas as poupanças que o Estado possa fazer são bem-vindas, a nossa Direita devia aplaudir.

Mas a Direita, que tanto vitupera os subsídio-dependentes, não aceita. Quer que o Estado respeite a escolhas individuais. Neste caso já não faz mal que seja o Estado a pagar. E, como é bom de adivinhar, o problema não está no facto de se cortar o financiamento do ensino privado. O problema está em se cortar o financiamento de escolas católicas. Repare-se nesta passagem de um artigo de João César das Neves publicado na semana passada no Diário de Notícias: “A medida parece genérica, contra as escolas privadas, o que permite o cinismo de o maior ataque dos últimos anos contra a presença da Igreja Católica na sociedade fingir neutralidade.” Na verdade, o problema é sempre o mesmo, todos os cortes de despesa são bem-vindos, excepto os que afectam a Santa Madre Igreja.

Alexandre Homem de Cristo, aqui no Observador, com a inteligência que o caracteriza, apresenta o melhor argumento possível para defender estes subsídios. Para tal recorre ao exemplo de uma escola pública às moscas, em Paços de Brandão, e ao do Colégio Liceal de Santa Maria de Lamas, uma escola de propriedade privada, na mesma zona de residência, que tem 74 turmas financiadas pelo Estado. Diz que se os pais preferem a segunda, então deve-se encerrar a primeira e financiar a segunda. O problema é que a primeira não pode encerrar. Como a escolaridade é obrigatória e o nosso Estado é laico, é obrigação do Estado garantir que existe uma escola laica. Um Estado laico não pode obrigar uma família a inscrever as suas crianças em escolas de inspiração católica. A implicação lógica é simples: onde há escola pública, não se deve financiar escolas privadas. A não ser, claro, que o Estado deixe de ser laico, como grande parte da Direita gostaria.

Luís Aguiar-Conraria

At http://observador.pt/

Elvas e Ponte de Sor vão a Campenato Nacional de Basquetebol no Algarve

Basquetebol img_770x433$2015_05_19_02_32_00_963974Decorre de hoje e até 3 de abril em Albufeira (no Algarve) o Campeonato Nacional Inter-seleções (distritais ou regionais). O Alentejo será representado por 4 equipas, de rapazes e raparigas dos 10 aos 16 anos de idade (escalões sub-14, inclui os sub-12 autorizados, e sub-16). Os 48 atletas escolhidos vêm de Évora, Reguengos de Monsaraz, Elvas, Ponte de Sôr, Estremoz e Vendas Novas.

Quarenta e oito jovens jogadores representantes da Associação de Basquetebol do Alentejo que terão oportunidade de jogar, competir e aprender a viver, mais e melhor, através da sua modalidade de eleição: o basquetebol.

At http://www.tribunaalentejo.pt/

Câmara de Almaraz quer investimento do Governo para manter o nuclear

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El Pleno del Ayuntamiento de Almaraz ha aprobado por unanimidad una moción del PP por la que se insta a la Junta de Extremadura a “reconsiderar su postura de rechazo” a la construcción del Almacén Temporal Individualizado (ATI) en la Central Nuclear de Almaraz (CNA). El acuerdo plenario también insta a las Cortes Generales a rechazar la propuesta no de ley presentada por el Grupo Parlamentario Socialista el 20 de enero de 2016 sobre el futuro de la energía nuclear. Según informa el Ayuntamiento de Almaraz en una nota, con esta iniciativa “se apoya la construcción del Almacén Temporal Individualizado con el objetivo de evitar el cierre anticipado de la Central Nuclear de Almaraz“.

En su exposición de motivos, el Grupo Popular hizo hincapié en la “importancia” de la Central Nuclear de Almaraz como una de las instalaciones nucleares “más avanzadas de España, capaz de producir anualmente 16.000 millones de KWh”. También en la importancia que tiene para el entorno una instalación de este tipo, “que ha contribuido desde su puesta en funcionamiento al desarrollo económico y social de la comarca, de los municipios y de los vecinos“.

El texto incide en que, pese a que la Central Nuclear de Almaraz ha mostrado su intención de alargar su vida útil más allá de los cuarenta años, las piscinas de combustible presentan un grado de ocupación superior al 80%, “y por ello es totalmente necesaria la construcción del ATI, que entraría en funcionamiento en 2018“.

At http://www.elperiodicoextremadura.com/

Unidade de Missão de Desenvolvimento do Interior, liderada por independente de Coimbra, nascida no Minho

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O ministro-adjunto, Eduardo Cabrita, anunciou hoje, no parlamento, que a estratégia da Unidade de Missão para a Valorização do Interior será anunciada no sábado, em Idanha-a-Nova, organismo que será coordenado pela atual deputada socialista Helena Freitas.

Segundo confirmou hoje à Lusa o ministro-adjunto, o novo organismo “vai ter como coordenadora a professora Helena Freitas”, deputada do PS eleita por Coimbra, e terá como coordenador adjunto João Paulo Catarino, que preside à Câmara de Proença-a-Nova.

O governante, que falava no parlamento, após uma audição no âmbito da discussão na especialidade do Orçamento do Estado para 2016 (OE2016), explicou que o Governo decidiu assinalar os 100 dias no interior, em Idanha-a-Nova, “provando que quando há capacidade de iniciativa isso não é obstáculo ao desenvolvimento”.

“Em Idanha-a-Nova será anunciada, celebrando os 100 dias de governo, a estratégia de desenvolvimento do interior, de valorização do espaço rural, e em que será afirmada a entrada em pleno funcionamento da Unidade de Missão de Valorização do Interior”, afirmou, durante a audição parlamentar, Eduardo Cabrita.

O ministro-adjunto acrescentou que o novo organismo, de acordo com o que consta no programa governamental, “funcionará no núcleo central do governo”, junto do primeiro-ministro, António Costa, e na sua dependência enquanto governante com competências na valorização do interior.

A deputada socialista Helena Freitas, de 53 anos, foi vice-reitora da Universidade de Coimbra e deverá tomar posse na próxima semana, assim que seja concretizada a suspensão do seu mandato na Assembleia da República.

O até agora presidente da Câmara de Proença-a-Nova, João Paulo Catarino, 46 anos, possui formação em engenharia Agronómica e de Produção Florestal, e foi responsável pela Divisão do Núcleo Florestal do Pinhal Interior Sul.

“A estratégia de valorização do interior assenta numa visão não fatalista, não derrotista do que é o interior. Assenta, pelo contrário, no valorizar aquilo que são os bons exemplos que universidades e institutos politécnicos do interior, os exemplos de capacidade de fixação de quadros”, explicou aos deputados Eduardo Cabrita.

Na audição conjunta das comissões de Orçamento e de Poder Local sobre a proposta do OE2106, o ministro-adjunto sublinhou que o Governo olha para as zonas do interior do país como “uma área competitiva junto do mercado espanhol” e aposta na capacidade dos municípios para promoverem políticas de atração de investimento.

O Conselho de Ministros aprovou, em janeiro, a criação da Unidade de Missão para a Valorização do Interior, “que tem como objetivo criar, implementar e supervisionar um programa para a coesão territorial, promovendo medidas de desenvolvimento do interior”.

De acordo com o comunicado oficial, o organismo “pretende-se transversal, com o objetivo de promover a atração e fixação de pessoas nestas regiões, a cooperação transfronteiriça e o intercâmbio de conhecimento aplicado entre centros de Investigação e Desenvolvimento e as comunidades rurais”.

At http://beiranews.pt/

Cooperativa de Queijo da Beira Baixa em insolvência

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Os trabalhadores da Cooperativa de Produtores de Queijo da Beira Baixa vão avançar com um pedido de créditos, visto que a cooperativa vai recorrer a um processo especial de revitalização (PER), disse hoje o Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura, Alimentação, Bebidas e Tabaco (SINTAB).

A sindicalista explicou ainda que o pedido de créditos só pode ser feito após a empresa declarar a insolvência ou solicitar um processo especial de revitalização, o que veio a acontecer.

Em fevereiro, cerca de 20 trabalhadores da Cooperativa de Produtores de Queijo da Beira Baixa, em Idanha-a-Nova, decidiram avançar para a rescisão dos contratos com base em cinco meses de salários em atraso.

Esta decisão foi tomada após a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) ter determinado, no dia 15 de janeiro, a suspensão da atividade e a retirada do mercado de todos os produtos provenientes daquela cooperativa devido à presença da bactéria Listeria monocytogenes.

At http://beiranews.pt/

Central Nuclear de Almaraz volta a falhar

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No início de Fevereiro, a mais antiga central nuclear de Espanha, que se encontra no rio Tejo a cerca de uma centena de quilómetros da fronteira portuguesa, já tinha registado falhas.

Através de uma nota de imprensa divulgada durante a manhã deste domingo, a administração da central nuclear de Almaraz, localizada no rio Tejo e em território espanhol, anunciou que um dos equipamentos “sofreu uma paragem às 5h35”. Este incidente ocorreu “durante a operação de aumento de carga depois de ter sido efectuada a ligação (da unidade) à rede”, refere o comunicado.

A empresa garante que os sistemas de segurança do equipamento em causa “actuaram correctamente” e que as causas que originaram o incidente estão a ser analisadas.

A nota de imprensa destaca ainda que “houve uma paragem automática da turbina seguida de paragem do reactor” em consequência de uma “anomalia” que se registou “num interruptor de uma das barras de alimentação eléctrica, provocando um aumento de nível no gerador de vapor número dois”.

Dando conta do ponto da situação, a empresa salienta que “todos os sistemas de segurança” do equipamento em causa “actuaram correctamente”, encontrando-se a unidade afectada “estável”.

A Unidade I da central nuclear de Almaraz tinha sido ligada novamente à rede eléctrica pelas 13h09 horas de sábado, depois de concluídos os trabalhos de “recarga de combustível e manutenção geral do equipamento” que decorreram durante 48 dias.

No início de Fevereiro, inspectores do Conselho de Segurança Nuclear de Espanha tinham alertado para “falhas no sistema de arrefecimento de serviços essenciais da central nuclear” espanhola, referindo “não haver garantias suficientes de que as bombas de água do sistema de serviços essenciais da central operem com normalidade”.

Num esclarecimento divulgado pelo Governo português no dia 3 de Fevereiro, é referido que a Agência Portuguesa do Ambiente recebeu garantias que “a Central Nuclear de Almaraz se encontra em condições de segurança”. Também o ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, assegurou na altura que os equipamentos que registaram falhas oferecem “absolutas condições de segurança”.

Neste domingo teve lugar mais uma “anomalia”, desta vez “um aumento de nível de vapor” num dos geradores da central nuclear mais antiga de Espanha, a cerca de uma centena de quilómetros do território português.

At http://www.publico.pt/

Deputado do PSD acusa Celtejo e CentroOliva da poluição no rio Tejo

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Artigo de opinião: “Querem matar o rio Tejo, mas o povo não deixará”

Andam a querer matar o rio Tejo. Têm andado a tentar, há anos. São quase sempre os mesmos, alguns tornaram-se mais conscientes mas outros insistem no crime. Tem estado a vencer, vão à frente neste campeonato, mas felizmente há gente que não se resigna, que não baixa os braços e admito que estamos cada vez mais perto de inverter o equilíbrio de forças. Porquê? Porque a razão está do lado do rio, porque há gente que se preocupa e porque há pessoas que não têm medo. Sim, o medo tem impedido muita gente de actuar e de falar. Há funcionários, ex-funcionários, reformados e autarcas locais que nunca falaram por temer o seu emprego, do seu familiar ou de um amigo. Chegou a altura de unir forças para salvar o nosso rio. Não pode haver mais hesitações.

Depois de vários desenvolvimentos, apesar muitas fiscalizações, de uma resolução aprovada por unanimidade na Assembleia da República, de dezenas de audições e de análises, o problema da poluição do rio Tejo tem-se vindo a agravar.

Quando tocou a apontar o dedo, alguns acusaram as empresas instaladas em Vila Velha de Ródão, outros apontaram o dedo a Espanha, outros acusaram também o Estado de ser impotente. Aqui ninguém está inocente, uns por incúria, alguns por falta de meios, outros por incapacidade e alguns por crime puro e duro.

Há cerca de duas semanas, recebemos no Parlamento alguns autarcas de concelhos vizinhos do rio Tejo. Dois em particular, o edil de Castelo Branco e o de Vila Velha de Ródão, quase que juraram a pés juntos que a água já chegava “preta” de Espanha. Achei estranho, mas admiti essa possibilidade. Passados escassos dias encontrei dois pescadores que me juraram a pés juntos que a água, acima de Vila Velha, estava muito mais clara, não límpida, mas não tinha comparação. Seria mesmo assim? Tendo em conta estes testemunhos, muito contraditórios, decidi meter-me ao caminho, ver pelos meus próprios olhos e dar o benefício da dúvida a ambas as teorias.

A pesquisa não deixou dúvidas. Antes e depois de Vila Velha de Ródão há uma diferença abissal, é como comparar preto e branco. Basta encher uma garrafa de plástico transparente com água do rio para notar a diferença. A água acima da descarga de efluentes da Celtejo está quase transparente, daí para baixo está escura, com um cheiro hediondo. Nem todos os dias está de tal forma escura que parece óleo, mas muitas vezes está assim.

Com o vídeo feito neste último fim de semana não ficam dúvidas, não me faltam provas para ter segurança em dizer que a Celtejo tem uma enorme responsabilidade na poluição do rio, sim, do nosso rio Tejo. Acrescento a todas estas evidências, os preciosos testemunhos, sob anonimato, de funcionários e ex-funcionários desta empresa, tendo cada vez mais certezas que o problema da poluição do rio Tejo está em Vila Velha de Ródão. A autarquia local bem tenta fechar os olhos, afinal a economia local depende destas empresas. As empresas em causa tem uma postura lamentável, que nada tem a ver com outros concorrentes que, sendo do mesmo sector, não revelam este tipo de comportamento para com a natureza.

A Celtejo tem, aparentemente, uma ETAR sem capacidade suficiente para tratar os resíduos produzidos. Aumentou a produção, iniciou o processo de branqueamento da pasta de papel mas não aumentou a capacidade da ETAR. Não é difícil resolver o problema, até é simples e fácil tratar do assunto sem afectar os importantes postos de trabalho na região. Para tal, basta actualizar determinados equipamentos da unidade industrial, investir em novos tratamentos dos efluentes, construir uma ETAR à medida da produção e, até lá, produzir ao nível da capacidade da ETAR. Há até fundos europeus disponíveis e dirigidos a tal objectivo. Ou seja, não há desculpas para continuar este crime.

Mas o problema não termina por aqui. E já agora, conto mais um pouco da história.
Ligeiramente mais acima, há uma pequena ribeira, a ribeira do Açafal, junto à qual uma empresa chamada CentroOliva usa o bagaço da moagem da azeitona para produzir energia. Eu vi com os meus próprios olhos as descargas contínuas que fazem na ribeira sem tratamento aparente, numa ribeira que desagua no rio Tejo. Acima da descarga a água está límpida, depois da descarga desta empresa a água cheira a azeite reles, tem manchas enormes de gordura em toda a sua largura, um cenário terrível de poluição. Os proprietários são reincidentes, têm um longo cadastro ambiental, famosos sobretudo em concelhos como a Mealhada ou Sta. Maria da Feira, concelho onde um deles foi até candidato derrotado à liderança da autarquia local. O dito empresário chama-se Alcides Branco e é um investidor a evitar em qualquer concelho do país. Fica o alerta. Cria pouco emprego, polui muito e, pelo “cadastro ambiental”, não tem um pingo de vergonha na cara.

Qualquer uma destas empresas, além de estar a destruir o rio Tejo e, consequentemente a matar o meio ambiente, está a causar graves problemas de saúde às populações vizinhas, cujas verdadeiras consequências estão por determinar. No entanto, as consequências são visíveis também à escala económica perante os concorrentes, que investem no tratamento dos seus resíduos, na proteção do meio ambiente, ou seja, que têm custos de produção muito superiores.

Para que não restem dúvidas, aqui fica o vídeo feito este fim-de-semana por um dos heróis desta luta, o Arlindo Consolado Marques.

Duarte Marques

At http://expresso.sapo.pt/