Arquivo de etiquetas: Igualdade

Artigo de opinião: “A Revolução de Outubro está morta?”

Pedro TadeuNo dia 7 de novembro de 1917, há cem anos, não havia verdadeiras democracias no mundo. Nos países onde se faziam eleições para o poder legislativo só uma pequena parte do povo tinha direito a voto: na maior parte dos casos só os proprietários, os empregados, os mais velhos ou alfabetizados é que podiam votar. Onde não havia ditaduras formais só uma pequena parte da população era chamada a decidir o futuro coletivo.

Na Inglaterra, tantas vezes descrita como a mais avançada das democracias europeias, os homens só tiveram acesso geral ao voto em 1918 e as mulheres, depois de 30 anos de manifestações reprimidas nas ruas, só o teriam em 1928.

Em França as mulheres só puderam votar em 1944, apesar de a Revolução Francesa, a da igualdade e da fraternidade, ter como símbolo uma mulher e de o voto dos homens para elegerem um parlamento ter começado em 1792 e dos homens não brancos em 1916.

Nos Estados Unidos os homens brancos podiam votar desde 1856, as mulheres desde 1920, os nativos desde 1924 mas, em resultado da dura luta dos afro-americanos contra a segregação, a universalidade do voto chegou à “terra dos homens livres” somente em 1965, já grande parte de nós era nascida.

Em Portugal o voto só foi verdadeiramente universal em 1974, graças à Revolução dos Cravos, pois boa parte da população estava proibida de ir às urnas, mesmo na República, antes do fascismo.

No dia 7 de novembro de 1917, há cem anos, os bolcheviques tomaram o poder na Rússia e herdaram o voto universal instituído pelo governo provisório da revolução de fevereiro. A Rússia não foi a primeira: na Nova Zelândia, na Finlândia, na Noruega e na Dinamarca isso já acontecia. Democracia no mundo em 1917? Não, não havia.

A Rússia bolchevique juntou à noção de direito de voto universal muitos outros de sua lavra: habitação, assistência médica e educação gratuitas, legalizou-se o divórcio, terminou a distinção entre filhos legítimos e ilegítimos, promoveram-se direitos das crianças e dos idosos, proibiu-se o trabalho infantil, as jornadas de trabalho foram limitadas a oito horas diárias, houve férias pagas, segurança social, estabeleceu-se salário igual para trabalho igual entre homens e mulheres. Quase ninguém no mundo tinha leis destas…

Os países de sistema capitalista encontraram um adversário que entusiasmava e mobilizava milhões de operários, empregados, intelectuais, professores, estudantes, homens e mulheres explorados, oprimidos, sem voz. Ao longo dos 70 anos seguintes, até à queda da União Soviética, muitos países capitalistas, pressionados pela competição com o campo socialista e pela luta dos deserdados da fortuna dos seus países, concederam inúmeros direitos políticos e sociais que hoje consideramos naturais.

Sim, os crimes contra a humanidade que se praticaram em nome do socialismo – tal como os dos capitalismo – são imperdoáveis. Mas isso não conta toda a história: uma boa parte das melhorias civilizacionais do planeta estão associadas ao desafio colocado pela primeira tentativa de construir uma sociedade sem explorados nem exploradores – e só assim as melhores democracias capitalistas caminharam para o que hoje são. Até no simples voto…

A denunciante mais talentosa da degradação do “comunismo real” é Svetlana Alexievich, a prémio Nobel da Literatura que escreveu O Fim do Homem Soviético. Mas até ela resolveu dizer isto a um jornal português: “O comunismo era uma ideia boa, bonita, no início. E acho que não está morto. O comunismo vai voltar, mais à frente no tempo…” A Revolução de Outubro faz hoje 100 anos mas, segundo Svetlana, a anti-soviética, o seu espírito não morreu… Espanto?

Pedro Tadeu

At https://www.dn.pt/

Sobre o afastamento de Portalegre do debate sobre o Alentejo na RTP

Ceia da SilvaAssisti aos “Prós e Contras”.

Faço já uma declaração de interesses, tenho muito orgulho em ser alentejano.
Num mundo cada vez mais global as regiões vivem em concorrência permanente.
O que temos que demonstrar é que somos diferentes, distintivos e melhores do que os outros.
E nunca mostrar as nossas fragilidades.
Elas existem é óbvio, mas temos que lutar em conjunto e remando todos, mas todos para o mesmo lado para as ultrapassar e essa é a questão que faz a diferença.
Não consigo entender como a RTP e uma grande Senhora do jornalismo, Fátima Campos Ferreira, puderam realizar um programa com tantas lacunas-ausências de setores importantes e total ausência do norte alentejano e do litoral alentejano.
Três palavras para o Ministro da Agricultura, Luis Capoulas Santos – muito bem, mesmo que não seja o mais conveniente, temos que defender as Regiões, para o nosso empresário do Gin-relevante e para Jorge Rebelo de Almeida ao anunciar mais uma vez a construção doutro hotel no Alentejo, desta vez na Coudelaria de Alter do Chão.
Como diz o povo, “ai de mim se não for eu!”.
Viva o Alentejo!

At https://www.facebook.com/ / António Ceia da Silva

 

Pedro PintoSobre o Prós e Contras da passada segunda feira, cabe-me tecer os seguintes comentários:

1- Os movimentos que tendem a aparecer, não revelam mais do que pessoas com sede de protagonismo; para mim não têm expressão, porque nem a votos vão.

2- Esqueceram o Distrito de Portalegre, que curiosamente é o mais afectado pela seca extrema.

3- A jornalista quis que dissessem que o Alqueva não serve para colmatar a seca; mas sim, serve e de que maneira.

4- Os Presidentes de Câmara foram fazer figura de corpo presente.

5- Um programa destes tinha de elevar o bom trabalho que se tem feito no Alentejo, na Agricultura e principalmente no Turismo!

6- Não sendo alentejano de naturalidade, tenho muito orgulho na região que escolhi para viver e para criar raízes e família!

7- A RTP devia pedir desculpa aos Portalegrenses de todo o distrito, porque pura e simplesmente não fez o trabalho de casa ou então este já vinha encomendado, resta saber por quem.

8- A eterna guerra Beja/Évora não leva a lado nenhum.

9- O ministro Capoulas esteve bem, porque foi muito atacado por algum ressabiamento.

10- Com o Turismo em alta no Alentejo, porque não se ouviu o Presidente do Turismo de Portugal ou o Presidente da ERT? Porque iriam levantar bem alto o nome e as potencialidades do Alentejo e parece que isso não interessava ao programa.

11- Acabaram a cantar o “ouvi um passarinho”, vá lá, por momentos pensei que iam acabar com a “Grândola Vila Morena”!

At https://www.facebook.com/ / Pedro Pinto

Câmara de Campo Maior “derruba” casas ilegais

Campo Maior 6215_demolicao-bairro-sao-sebastiao-campo-maior

Uma acção de demolição de barracas e anexos decorreu na manhã de quarta-feira, 11 de Outubro, no Bairro de São Sebastião, em Campo Maior.

Segundo o “Linhas” apurou no local, os trabalhos permitiram ‘deitar abaixo’ oito barracas e anexos que haviam sido edificados ilegalmente no bairro, o qual, recorde-se, foi construído de raiz para responder às necessidades da comunidade cigana que habitava nas muralhas da vila.

At https://www.linhasdeelvas.pt/

Projecto “Oficina da Música” retoma em Elvas

Começou hoje a continuação do projecto anterior, Oficina da Música, pela Associação Sílaba Dinâmica, presidida pelo meu caro amigo Luis Romão. Um projeto que visa integrar crianças da comunidade cigana na sociedade e que tem o apoio do Alto Comissariado para as Migrações do Governo Português.

Nada me deixa mais orgulhoso que abraçar de novo este projeto e ter mais uma vez a confiança do Presidente da Associação Sílaba Dinâmica de Elvas. Um projeto que requer muito trabalho, mas a verdade é que sem trabalho a obra não nasce, e já demos provas disso mesmo, que a obra nasceu e continua bem viva para mostrar à sociedade que não pode haver descriminação racial.

Obrigado Luís, obrigado por confiares mais uma vez em mim e no meu trabalho.

Deixo-vos aqui um pequeno vídeo que mostra o arranque deste projeto enquanto aguardávamos pelas crianças.

Um vídeo com o já conhecido, José Lito Maia. “Vamos embora para Barbacena”.

Todos diferentes, todos iguais!

Um abraço amigo,

Mário Gonçalves

Opinião: “Feriado”

FB_IMG_1508064487928Vinha só relembrar: aos que estão no sofá, na praia, a pedalar, a fazer mini férias, a ler, agarrados ao netflix, a dormir, no Continente, na esplanada, à mesa a escorropichar os copos de vinho tinto do almoço em família, a acordar, a deitar-se, a apanhar a borra do cão no jardim, a fazer a unhas, a beber uma jola no quintal, no Colombo, a surfar, a fazer limpezas, sexo, bolos, punhetas, e o cacete, que isto só é possível porque hoje é finalmente, formalmente, e outra vez normalmente, feriado.

Vanessa Figueira

At Facebook

Opinião: “Catalunha”

FB_IMG_1507198302293Um par de “bofetadas” não resolve diferenças políticas. Mas também não sou dos que crê que o uso da brutalidade só está errada quando empregada pelos outros. Numa Europa que sempre se identificou com um sistema democrático e reformista, de eleição e instituições representativas, de respeito pela liberdade de expressão, de partidos políticos e sindicatos, uma sociedade aberta respeitadora da soberania individual, sem imposições culturais ou censuras. O que se espera dos seus intelectuais e dirigentes políticos é apenas um esforço de lucidez perante momentos de maior conturbação. Um intelectual ou um político que crê que a liberdade é necessária e possível para o seu país e sociedade não pode, por momentos que seja, achar que esta é supérflua ou que pode ser suspensa.

Este é o exemplo dos acontecimentos do passado dia 1 de Outubro na Catalunha, quando a sociedade manifesta o seu cepticismo sobre a capacidade do país preconizar no seu seio a convivência e a liberdade que fizeram dos países ocidentais o que são. Tenho no entanto a noção de que este é um problema complexo e de difícil resolução o que explica as suas incongruências e consequências.

Mas neste momento importa reflectir sobre a incapacidade de entender e lidar com certos fenómenos e equacionar e adaptar uma resposta eficaz ao momento. A violência é a linguagem da falta de comunicação entre os membros de uma sociedade, em que o diálogo desapareceu há muito ou nunca existiu. Na Catalunha este episódio tomou proporções alarmantes para o futuro da Espanha e da própria Europa. Entre as várias causas que podemos evocar, algumas são permanentes, resultantes da inoperância, não de uma mas de várias gerações, que optaram por soluções menos difíceis e de resultados inferiores.

Nãobasta para consolidar o sistema que exista liberdade de expressão, parlamentares e autarcas eleitos, independência de poderes e renovação periódica do poder executivo. A democracia dos “votos” não pode vacilar perante o peso da opinião pública. Esta exige de todos uma constante adaptação, ceder a algo para alcançar o consenso que assegura a convivência na diversidade. Alcançar isso é ser livre, é viver em liberdade, avançar, progredir, prosperar, tendo em conta o interesse de todos. Com a rectificação e emendas que evitem ou amortizem a violência, numa constante concertação dos opostos em nome da paz social.

Nuno Serra Pereira

At Facebook

Opinião: “Segregação? Não, obrigado!”

MarcioA Joana Amaral Dias quer criar carruagens de Metro e de comboio só para mulheres.

Eu sei que a ideia é aparecer nas notícias. Está com falta de espaço mediático, e não é todos os dias que surge a oportunidade de aparecer grávida e despida com um homem a agarrá-la por trás, numa revista em que a directora exprime precisamente o desejo de ser ‘comida’ contra a parede…

Mas surge-me esta ideia sobre as ancestrais lutas pela liberdade e pela igualdade, e as diversas formas de as combater. Olha se aquela negra dos EUA tinha acatado a norma de ir nos lugares de trás do autocarro!?

Segregação? Não, obrigado!

Márcio Candoso

At https://www.facebook.com/

Foi promulgada a lei das quotas de género

Quotas
As empresas públicas e as empresas cotadas em Bolsa vão ser obrigadas a promover a igualdade de género, promovendo mais mulheres para os seus órgãos de chefia e fiscalização.

A nova lei destina-se às empresas públicas e às empresas cotadas em Bolsa, e pretende que a partir de 2018 estas fiquem obrigadas a cumprir uma quota miníma do género menos representado nos conselhos de administração e nos órgãos de fiscalização. Assim, pelo menos, 33,3% terão de ser ocupados por mulheres. Para as cotadas, esse minímo é de 20% e sobe para os 33,3% em 2020.

Atualmente, das 46 das empresas cotadas em Bolsa só uma é que é liderada por uma mulher, a Galp Energia, cuja presidente, Paula Amorim, herdou a posição do pai. E há outras 13 que não têm uma única mulher nos seus órgãos de chefia. Neste sector, a representação feminina ronda os 12%. (…)

O Presidente da República promulgou esta quarta-feira a lei da representação equilibrada de mulheres e homens nos órgãos de gestão. Vulgarmente conhecida como lei das quotas, a nova legislação vai obrigar as empresas públicas e cotadas em Bolsa a contratarem mais mulheres para órgãos de fiscalização e para os seus conselhos de administração.

A legislação, aprovada a 23 de junho, nasceu de uma proposta de lei do Governo que foi depois negociada na comissão parlamentar. Seis deputados do CDS, entre os quais a líder Assunção Cristas, e os votos de PS, BE, PAN e Verdes ajudaram à aprovação. Na hora de votar, a bancada centrista, que tinha liberdade de voto, dividiu-se, mas Cristas e mais cinco deputados do partido votaram a favor. Do lado direito do hemiciclo, a líder do CDS foi, aliás, a única a aplaudir de pé, como a maioria dos deputados do PS e do BE, a decisão tomada pela Assembleia da República.

O PCP optou pelo voto contra, à semelhança do que fez com a lei da paridade em 2006, dado que não acredita na “eficácia na alteração da governação” dos órgãos, deixando “igualmente intacta a mais profunda das causas de discriminações e desigualdades de que as mulheres são vítimas, a exploração da força de trabalho”.

At http://expresso.sapo.pt/