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Crónica: “O porte do animal”

raquel-varela_1349828739Os taxistas são mal educados, os professores eram preguiçosos, os médicos ricos e os estivadores brutos. A cada campanha negra nos media contra um sector profissional que se quer precarizar há uma claque que segue o rasto, brandindo de punho em riste contra os sectores «corporativos», que só «se protegem a eles». Isto referindo sectores profissionais que mal ou bem tiveram a coragem de lutar em vez de ir para a porta da Segurança Social estender a mão ao Estado benévolo ou emigrar para «abrir horizontes».

Tudo isto num país onde as maiores empresas funcionam como monopólios protegidos pelo Estado, são, essas sim, tecnicamente corporações, não sujeitas a qualquer tipo de concorrência, fixam preços, rendas, produção, têm isenções fiscais a montante e perdões fiscais a jusante. E vivem literalmente à conta da protecção Estatal, garantida por 40 anos de PS/CDS/PSD nos Governos: EDP, Galp, Banca, PT, ANA/Vinci; concessões de portos e autoestradas, etc. Nada como o vendedor ter um casaco Armani e cavalheirismo qb para convencer o comprador a comprar burro por cavalo e ainda elogiar o porte do animal.

Raquel Varela

At https://raquelcardeiravarela.wordpress.com/

Revista Mais Alentejo: em votação, Monte Filipe (H)

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Lamentavelmente, os responsáveis da Revista Mais Alentejo fazem questão de alimentar um Alentejo heterogéneo, que aponta frágil o reconhecimento público do que os melhores “alentejanos” fazem em diversos sectores.

Para além de Beja, cidade onde se encontra sediada a revista, o Alto Alentejo também tem património de relevante valor, assim como lagares, e adegas, e prazeres, etc. E o Tejo continua sem fazer parte da maior região do país. Talvez se aceite mesmo a visão bipartida da regionalização.

Feita a devida ressalva, deixamos a nossa escolha e recomendamos a votação em http://rjbatista.net/maisalentejo/index.html:

NOMEADOS PRÉMIOS MAIS ALENTEJO 2016

MAIS TRADIÇÃO: Romaria de S. Mateus de Elvas

MAIS PATRIMÓNIO: Associação Defesa Património de Mértola

MAIS EMPRESA: Bambuparque

MAIS LAGARES: Coop. Agrícola de Moura e Barrancos

MAIS PRAZERES: Chocolate de Beatriz

MAIS CHEFE: José Júlio Vintém

MAIS MANJARES: Taberna Tintos & Petiscos

MAIS DORMIDAS HOTEL: Monte Filipe Hotel & Spa

MAIS DORMIDAS RURAL: Torre de Palma

MAIS ADEGAS: Fundação Eugénio de Almeida

MAIS SENSAÇÃO: Quinta das Lavandas

MAIS POLÍTICA: João Oliveira

MAIS INICIATIVA: Centro de Ciência do Café

MAIS ARTE & FOTOGRAFIA: Jorge Pé-Curto

MAIS LITERATURA: José Luís Peixoto

MAIS DESPORTO: Lito Vidigal

MAIS MÚSICA: Tais Quais

MAIS TELEVISÃO CONTEÚDOS: Repórter TVI

MAIS CINEMA, TEATRO & TELEVISÃO: Isabel Abreu

MAIS JORNALISMO: Luís Pedro Nunes

MAIS INOVAÇÃO: Centro de Arte Quetzal

At http://www.revistamaisalentejo.com/index.htm > Eventos > Gala Prémios Mais Alentejo 2016

Artigo de opinião: “Coisas que não se dizem”

luis-gonc3a7alvesÉ verdade, Sr. Joaquim Vieira, não se pode dizer ou escrever aquilo que o senhor escreveu na sua página do Facebook. Fica-lhe mal. Quer publicidade? Venda-se de forma honesta, não precisa de insultar ninguém para lograr os seus intentos. Lamentável!

Para quem não sabe do que se trata, deixo aqui o que Joaquim Vieira escreveu sobre os Jogos Paralímpicos. Propositadamente, não coloco link da página, para não lhe dar a publicidade de que o homem parece precisar tão desesperadamente. Ora aqui vai:

«Sou só eu a achar que os Jogos Paralímpicos são um espetáculo grotesco, um número de circo para gáudio dos que não possuem deficiência, apenas para preencher a agenda do politicamente correto?
NOTA: Este post já me valeu diversas ameaças de morte, além da condenação a todas as penas do inferno, para não falar das pragas sobre os familiares mais próximos, que, coitados, não têm nenhuma responsabilidade no que penso e escrevo. Não discorro sobre o grau de intolerância que muita gente aqui revela, mas tenho de admitir que a forma sintética como escrevi o post deu origem a equívocos, e por isso, como já disse num comentário em baixo, não posso deixar de lamentar ter ferido a sensibilidade de muitos com esta opinião. Fui acusado de muita coisa que não sou (entre elas, a que considero mais grave, de fazer a defesa do eugenismo) e que está nos antípodas da minha visão do mundo e da minha filosofia de vida. Sou totalmente a favor da inclusão e dos direitos dos menos capacitados, e entendo mesmo que nesse terreno ainda existe muita coisa por fazer e reivindicar, designadamente quanto à vida quotidiana. Aceito também que tenham a ambição de enveredar por práticas desportivas, assim como de entrar em competição. A minha crítica dirige-se ao espetáculo montado com os Jogos Paralímpicos e não aos que neles participam, que cumprem um sonho de vida e procuram dessa forma a sua realização pessoal. Choca-me a atribuição do estatuto de Jogos Olímpicos (ou equiparados) a estas provas, como se houvesse dois universos que se equivalessem ao mesmo nível e não se cruzassem (daí eu ter falado em apartheid desportivo). Mas Jogos Olímpicos só há uns, e, como eu também já disse, destinam-se a premiar os melhores da raça humana, homens e mulheres, em cada modalidade. Os Jogos Paralímpicos, sinceramente, não sei a que se destinam. Lamento desiludir muita gente, mas há só um Usain Bolt e um Mark Phelps. Não existe o Usain Bolt nem o Mark Phelps dos Paralímpicos. Por muito que alguns nos queiram convencer do contrário.» – Publicação de 8/09 às 13h46 – Sim, infelizmente, tive que ir ver com os meus próprios olhos para poder falar com conhecimento. 

Concordo que há aproveitamento de quem quer ser «politicamente correcto». Compreendo que se possa estar contra esse aproveitamento. Defendo que devemos sempre, porque temos esse direito, falar sobre o que nos parece errado. Mas nunca, nunca, denegrindo outros, sobretudo pessoas que só pelo seu esforço nos merecem tanto respeito. Usain Bolt? Mark Phelps? Quem seriam eles se tivessem nascido com deficiência? Fala este senhor que os Jogos Olímpicos se destinam a premiar os melhores da raça humana. Exactamente, os melhores, não os mais bonitos ou perfeitos. Os melhores. Quem é melhor do que um atleta com deficiência que vai aos Paralímpicos?

Noémia Pinto

At https://aventar.eu/

Imprensa internacional enaltece alentejano

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Jornal espanhol “El País” descreve o músico como “um homem de uma voz extraordinária”. “Le Monde” também se rende ao cantor.

António Zambujo é, indiscutivelmente, uma das maiores vozes da música portuguesa contemporânea. Mas há muito que o cantor não conquista só plateias portuguesas, somando sucessos pelo Brasil ou pela Europa fora.

A poucos dias de voltar, ao lado de Miguel Araújo, aos Coliseus de Lisboa e do Porto, os quais já esgotaram 17 vezes só este ano, António Zambujo recebe os maiores elogios de uma das principais publicações da vizinha Espanha, o jornal “El País“.

“Homem de uma voz extraordinária, António Zambujo tornou-se no grande renovador da música portuguesa”, descreve o jornal.
O El País compara o músico a nomes como João Gilberto, Chet Baker ou Caetano Veloso, músico brasileiro que chegou a dizer que a voz de Zambujo “é de arrepiar e fazer chorar”.

Também o jornal francês “Le Monde” tece os mais rasgados elogios a António Zambujo, a propósito de um concerto de homenagem a Chico Buarque no 40.º Festival d’Ile-de-France. Apesar do “exercício arriscado” de criar um concerto de reinterpretações de canções do mestre brasileiro, o “Le Monde” salienta “o requinte, a elegante sensualidade e a grande classe” com que António Zambujo homenageou Chico.

De 12 a 16 de Setembro o músico volta ao Coliseu do Porto e de 27 de Setembro a 2 de Outubro ao Coliseu de Lisboa. Mas em breve surgirão mais novidades de António Zambujo.

At http://newsletter.sonsemtransito.com/http://cultura.elpais.com/http://www.lemonde.fr/musiques/

Crónica: “Programas da Manhã! Uma bomba de excremento cerebral!”

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Hugo Hilário, Presidente da Câmara Municipal de Ponte de Sor

Querem ver uma coisa bué gira? Eu, que odeio política e políticos de um modo geral, a defender um político em relação aos cães da SIC. E para verem o quão empenhado estou nisto, estou a escrever sobre o tema, apenas 2 ou 3 horas após o acontecimento e alguns minutos após ter tido conhecimento do mesmo.

Pois é. O Senhor Presidente da Câmara Municipal de Ponte de Sor foi ao programa Queridas Manhãs, na SIC, apresentado pela, já tão bem afamada, Júlia Pinheiro e pelo João Paulo Rodrigues. Nesta “entrevista” pudemos também contar com a excelente participação do Dr. Hernâni Carvalho. Acho que nem vale a pena dizer o motivo de tal “entrevista”. Ok, é melhor prevenir possíveis leitores que vivam debaixo de uma pedra ou com capacidade dedutiva reduzida: Foi por causa do caso dos dois meninos iraquianos terem espancado o menino de Ponte de Sor.

Do pouco que conhecia, eu até tinha uma boa impressão do senhor Hernâni, mas depois de hoje, o único frequentador assíduo daquele programa de quem continuo com boa impressão é o João Paulo Rodrigues e foi porque ele não abriu a boca durante a entrevista toda.

Ora vamos estudar bem esta entrevista. Para começar, uma das primeiras questões que a senhora Júlia coloca é: “O Sr. Presidente da Câmara fez muita questão de estar connosco aqui para nos ajudar a entender o que é que se passa na sua cidade, onde acontecem estas coisas, às três/quatro da manhã. Quer-nos explicar?” Isto tudo, dito com uma cara de cabra do liceu que só visto é que é credível. E para quem é mais bom-de-coração e gosta de não ver más intenções nas pessoas, ela mais à frente reforça a ideia mesmo como quem diz “Eu estou mesmo a ser cabra, não foi só impressão”. E faz isso da seguinte forma: “Eu esperava que nos viesse dizer como é que estas coisas acontecem na sua cidade.” Ora bem, ela não está a falar com o Batman. Senhora Júlia, a função de um presidente da câmara não é andar à noite pelas ruas a defender os fracos enquanto grita aos vilões: “Em nome do município, declaro-te inimigo da sociedade!”.

Mas há mais. Claro que há mais, estamos a falar de um programa da manhã. Nem podia ser de outra forma. Durante o pouco tempo de antena que o Presidente de Ponte de Sor consegue falar sem grandes interrupções, a Júlia pergunta-lhe o que é que tem sido feito para prevenir o tipo de situações em questão, ao que o Presidente responde com a nova força de segurança em ação na nossa cidade: GNR’s de bicicleta. E como é que a Júlia reage a isto? “Neste caso com os iraquianos ia ser complicado, eles andavam de carro…”. Portanto… Eu não sei se a senhora acha que está a apresentar um programa de comédia tipo roast (em que o objetivo é unicamente enxovalhar o convidado) ou se tem um atraso mental que devia ser estudado por veterinários de alta patente.

Eventualmente, durante a conversa, o Hernâni começa a meter-se suavemente, mas em pouco tempo transforma essa suavidade em “ATÉ TE CHUPO O TUTANO DOS OSSOS!”. E quem ouve isto, inocentemente tal como eu, pensa que o Sr. Hernâni deu uma real sova de moral e informação económica ao nosso presidente mas, após assistirem ao “debate” em questão, percebem que o Hernâni é só um perito na arte do bom “não deixar falar” (arte essa que, como todos sabem, a Júlia Pinheiro é a campeã).

Mas, no meio de toda aquela selva de comentários, o que mais me deu vontade de trocar de lugar com o Presidente e enfiar um par de lambadas a cada um dos dois (Júlia e Hernâni) enquanto soava o “Eye of the tiger” de fundo, foi o seguinte:

*Pouco depois do minuto 10:50 (Link que não consegui encaixar em mais parte nenhuma do texto e então fica aqui…)*

Presidente: (algures pelo meio de demasiada gente a falar por cima uns dos outros): só fui vice-presidente.

Eventualmente, depois de muito lixo falado, acontece isto perto do minuto 22:00:

Hernâni: Então acha que eu falei da câmara de Ponte de Sor?

Presidente: Falou.

Hernâni: Tenho mais que fazer.

Presidente: Quer que eu lhe leia?

Hernâni: Quero.

Presidente: Então eu vou ler: “Ponte de Sor tem um ar completamente diferente do de Tires…”

Hernâni (interrompendo): E então? É proibido dizer isso?

Vamos lá Dr. Hernâni. Pediu ao homem para ler aquilo que o Dr. disse e, antes de ser acabada de ler a primeira frase, já está a interromper? Mas que manipulação barata da conversa é essa? E quando é que o Presidente disse que o senhor tinha dito alguma coisa proibida? O que ele disse não foi que o senhor tinha falado do município de Ponte de Sor? Bem, continuemos então para eu chegar ao ponto fulcral da questão que nem sequer é este.

Júlia: Deixe lá o Sr. Presidente acabar de falar com os seus munícipes. (acho eu que foi o que ela disse, visto que, para variar, está uma confusão de vozes que mais parece um debate futebolístico)

Presidente: Eu não vim aqui para falar com os meus munícipes. Vim aqui para esclarecer…

Hernâni: (Adivinhem o que aconteceu aqui! Acertaram! Ele interrompeu-o novamente) Ah pois não… Então vinha aqui dizer que tinha rebentado 35% do orçamento no aeródromo?

*muita conversa palha pelo meio que não me apetece transcrever por isso vão ver ao link que eu mandei e não me chateiem*

Presidente: O senhor sabe que a SIC em 2010 entregou um prémio como autarquia do ano à Câmara Municipal de Ponte de Sor? A nível social?

Hernâni: Sim, e então?

Presidente: “E então?” o senhor não sabe! A dizer que só gasto dinheiro no aeródromo… Como é que uma autarquia com uma dimensão tão restrita, naquilo que é a sua atividade e o seu orçamento, consegue ser a autarquia do ano em serviço social.

Hernâni: (ao mesmo tempo que o Presidente dizia o que transcrevi imediatamente acima) É verdade, em 2010. O senhor está cá em 2016. O que é que o senhor tem a ver com isso?

Presidente: O que é que eu tenho a ver com isso?! O Senhor não disse que eu era vice-presidente da câmara?

Hernâni: Então foi ou não foi?! *mesmo como quem diz: “já te apanhei”*

E aqui podemos ver a cara do Sr. Presidente com todo um choque que, traduzindo o que ele realmente sentiu naquele momento no seu íntimo, deve ter sido qualquer coisa como “Foda-se, mas este gajo tá bêbado ou também foi atropelado por iraquianos antes de vir para aqui?”

Presidente: “Fui ou não fui?!”

Hernâni: Isto apanha-se mais depressa um distraído do que um coxo (aqui tenho que gabar a agilidade de palavras do Hernâni para não chamar mentiroso ao Presidente descaradamente).

E assim terminam a entrevista, sem nada ter sido esclarecido como deve ser porque a ideia da apresentadora e do comentador nunca foi esclarecer as coisas, mas sim enxovalhar um político porque ele próprio se propôs a ir lá (pelo que eu percebi) e porque enxovalhar políticos dá audiências, porque fica sempre bem escarrar mais uma vez em alguém que já tem a fama de ser uma grande parte do excremento da sociedade. Atenção que não estou a defender os políticos de um modo geral, mas há que ter dois dedos de testa e ver quando é que uma pessoa tem motivos para ser criticada e quando é que não tem sequer qualquer tipo de relação com os problemas que acontecem.

At http://mauexemplo-09.blogspot.pt//Duffler

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TTransGeopark passou mais uma vez, não em Nisa

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A 8ª edição doTTransGeopark uma atividade anual, constituída por um passeio turístico, percorreu o território, organizado pela Casa do Forno, com o apoio do Geopark Naturtejo.

Pretende dar a conhecer as melhores paisagens do Geopark, off road, com uma grande preocupação ambiental, pelo que inclui um reduzido número de veículos participantes, promove a circulação a baixas rotações para potenciar a experiência e reduzir o impacte ambiental, contém visitas a produtores locais para prova e aquisição de produtos e interpreta da Geodiversidade e paisagem do Geopark.

Um reconhecido exemplo de integração da vertente lúdica do todo-o-terreno com as componentes educativas, de interpretação e de sensibilização ambiental do Geopark Naturtejo, reflectindo a diversificação da oferta turística que o Geopark tem trazido a este território classificado pela UNESCO.

O ponto de partida foi S. Vicente da Beira, porta de entrada para a imponente serra da Gardunha, um dos “degraus de gigante”, que deu mote à edição deste ano.

A MEIMOACOOP recebeu o TTrans Geopark para uma prova de mel, queijo e compotas e a praia fluvial da Benquerença foi o cenário idílico para o picnic que teve o apoio da Junta da Freguesia.

A pequena caravana cruzou a Serra de Opa, passando depois pela Senhora da Póvoa, Aldeia do Bispo e Medelim, com chegada ao GeoRefúgio Casa do Forno, em Salvaterra do Extremo, em ambiente familiar para um animado jantar convívio, no sábado, com gastronomia regional caseira.

No domingo, o troço de Salvaterra a Segura, as majestosas cores de Primavera, do rosmaninho não deixaram ninguém indiferente, conduzindo a uma visita à Aromas do Valado, onde conheceram as principais plantas aromáticas e medicinais do Geopark, o processo de destilação dos óleos essências e conheceram os seus produtos, Geoprodutos do Geopark Naturtejo.

O percurso seguiu pela lezíria de Idanha, passando pela região da Zebreira e chegando a Idanha-a-Nova com uma subida da escarpa do Ponsul pela emblemática calçada para um almoço no restaurante Helana, onde os participantes provaram os sabores raianos com um requintado toque moderno.

Parte dos participantes desta atividade, oriundos de vários pontos do país, já estão fidelizados e participaram noutras edições, com outros itinerários e diferentes experiências.

A caravana percorreu demoradamente a região, com diversas paragens para fotografias, contemplação e explicações.

Mais uma vez o TTrans Geopark contou com o apoio da prestigiada revista especializada AutoHoje.

At http://beiranews.pt/

Artigo de opinião: ‘Patriotismo e autoestima’

Vitor Ramalho ng1623548Portugal, nação de mais de oito séculos, tem forte memória identitária. A memória é garante do futuro, neste mundo que sobrevaloriza os mercados e ergue o dinheiro como fim.

A concepção hedonista que hoje tudo trespassa, abalou princípios e valores.

Está em curso uma nova (des)ordem mundial.

Tateamo-la à procura de respostas, nos partidos e no Estado, que a ideologia prevalecente tudo fez para se desertificarem de projectos. Os fundamentalismos crescem em terreno fértil e geram receio e mesmo terror.

Neste quadro, a UE surge como um oásis. Os refugiados que a procuram provam-no. Só que os oásis podem ser ilusórios e também a UE o será se continuar a caminhar como vem fazendo. É que a realidade é o que é e não o que se deseja. Ela ensina-nos que a estrada que se persiste trilhar não assegura a igualdade dos países. Há uns mais iguais e há um, a Alemanha, que é o mais igual de todos, impondo com eurocratas o mando e instrumentalizando-o com o garrote das finanças.

O equilíbrio entre a soberania dos países e a delegação delas na UE, está-se a romper. A autonomia colectiva disfarça-se de forma crescente, sob uma nuvem de orientações técnicas.

Nisto há convergência de posições com parte das nossas elites, que ontem silenciaram desmandos em setores estratégicos e hoje denunciam com a mesma voz a gravidade das consequências do desarme feito ao Estado. Só se lembram de Santa Bárbara quando troveja. Só que a conceção do Banco Central Europeu, que impôs a venda do Banif ao Santander, não é inocente, tal como não foi a exigência da cessação da exposição do BPI em Angola. Há uma estratégia clara que toma a Ibéria como se fosse uma região sem dois países. Isso não é bom nem para Portugal nem para a Espanha. A objecção da recapitalização da CGD com dinheiro público é inaceitável.

Há outros que são convidados a pronunciarem-se sobre o que se passa. Transvertidos de analistas, servem-se nos media, perorando sobre os objectivos de Portugal. Asseguram que as responsabilidades políticas que tiveram ao mais alto nível, são coerentes com as novas qualidades de empresários, profissionais liberais facilitadores de negócios, ou administradores de empresas, cujas privatizações fomentaram.

Dir-se-á que ser da moda é estar na moda. Ao flutuarem sobre interesses, não cuidam que a moda é transitória.

Não admira que o país tenha sido vendido a retalho.

É, por isso, de exigir às nossas elites um lampejo patriótico, mínimo que seja. Não tendo o capital lugar, o patriotismo, que não se confunde com o nacionalismo, é hoje um conceito da esquerda humanista. É pela via do seu estímulo que um novo caminho surgirá.

O actual Presidente da República parece tê-lo compreendido.

A superação da crise, no quadro europeu, faz-se com a dignidade da defesa da identidade que forjámos em encontros seculares de cultura, tendo presente também o peso do mundo lusófono e ibero-americano. Ser patriota é estimular o patriotismo, que está assim na ordem do dia. O próximo Congresso do PS deveria tê-lo em conta. Veremos.

Vitor Ramalho

At http://expresso.sapo.pt/

Artigo de opinião: “HR, o pequeno Le Pen medíocre”

raquel-varela_1349828739Henrique Raposo não é um Charlie ameaçado, é um pequeno Le Pen medíocre. Ricardo Araújo Pereira, cujas crónicas muito aprecio, escreveu sobre a liberdade de expressão de Henrique Raposo. Se o caso Henrique Raposo fosse de liberdade de expressão ameaçada estaria com ele. Deve poder-se publicar tudo, e em qualquer circunstância. Mas não é. Tiro ao lado do porta-aviões do nosso genial humorista – não se acerta sempre na vida. Quem viu com cuidado não as crónicas a reagir às redes sociais mas a reacção das redes sociais, sabe certamente do que falo. Qualquer paralelo com o nazismo/ditaduras, que foi feito por vários cronistas, deve ser não entre o comportamento da maioria das pessoas nas redes sociais e as ditaduras mas entre a defesa de um povo que gosta de ser analfabeto, não se importa de ser violado, é mau com o próximo, e por fim mata-se sem culpa cristã – o racismo de HR – e a defesa da democracia e da verdade, espelhada nas centenas de comentários cultos, civilizados, decentes e sérios que milhares de pessoas colocaram em rede, fazendo do livro uma triste caricatura. O lapso freudiano de HR, que destrata o seu passado pobre, e despreza a sua família, foi arrasado nas redes sociais, não com queima de livros, mas com dados e testemunhos, análises profundas, que não vieram nos jornais.

Foi uma demonstração que já não se pode, porque se tem acesso aos jornais, como é o caso de HR, escrever todas as mentiras, superficialidades e, no caso, declarações de um racismo social quase inédito entre nós, que passa por “sinceridade” e “provocação”. Na verdade, as redes sociais, na sua esmagadora maioria, mostraram um extraordinário exemplo de democracia e civilização a um autor que tentou, sem sucesso, explicar que há povos que merecem ser subjugados porque são inferiores. Racismo é isto, não é as parvoíces que alguma esquerda tanta vez adere do nome, da imagem, do símbolo, aspectos secundários. Nunca esteve em causa no dito livro a liberdade de expressão, porque essa nunca foi ameaçada de facto – houve milhares de pessoas com dados a ridicularizarem o livro e uma ou duas a destruí-lo- , mas o racismo social presente num livro que trata os alentejano pobres como brutos, incapazes de solidariedade, idiotas, felizes com a sua infelicidade, isso sim é racismo, do sério, que merece muita atenção. Foi por isso abraçado pela direita radical como um exemplo de liberdade! O patrão do Pingo Doce foi ao lançamento do livro de HR não para defender a liberdade de expressão mas a necessidade dos baixos salários dos atrasadinhos alentejanos, do Minho a Vila Real de Santo António. Afinal pobres são pobres porque são burros e gostam, ateus sem moral, animais competitivos sem solidariedade, logo o lugar ideal deles é no Pingo Doce a receber 500 euros – isto foi melhor compreendido por milhares de pessoas nas redes sociais do que nas crónicas dos jornais. Nem sempre é o caso, mas desta vez a maioria deu uma lição de democracia e saber contra as sementes de racismo que se colocam na terra, a coberto das crónicas “irreverentes” e “insultuosas”.

Raquel Varela