Opinião: “Che Guevara partiu há 50 anos”

Che

Francisco 18403331_10211207110427087_4666027307151136838_n50 ANOS

“Eu tinha 20 anos e não deixarei ninguém dizer que essa era a melhor idade da vida”. A citação de Paul Nizan, retirada do “Aden Arabia”, é vulgar, mas é pena não ser completada pelo que vem a seguir: “Tudo ameaça de ruina um jovem: o amor, as ideias, a perda da sua família, a entrada no grupo das pessoas crescidas. É duro aprender o seu lugar no mundo.”

Não sei se eram exatamente esses os sentimentos que me atravessavam nesse mês de outubro de 1967, quando me preparava para completar essa idade mítica. Conhecendo-me, não creio.

Lembro-me muito bem de ter recebido, verifico agora que com essa idade, a notícia da morte de Che Guevara, faz hoje precisamente meio século. Recordo a imagem do seu corpo indecentemente exposto na Bolívia, como relíquia de vitória da ditadura militar sobre a guerrilha.

Guevara estava já na fase em que os “dois, três, muitos Vietnam” andavam muito longe de hipóteses de concretização. Antes, andara próximo da guerrilha independentista angolana, no “ano em que estivemos em parte nenhuma”, como ele classificaria esse tempo no Congo. Cuba e a sua revolução, essas estavam já muito longe.

Tal como Fidel, Guevara nunca fez parte da minha mitologia de esquerdista. Talvez porque a revolução cubana teve lugar antes da minha idade adulta, o seu socialismo “latino” disse-me sempre muito pouco. Mas Guevara, caramba!, era “do meu lado”. Por isso, li o seu diário (edição espanhola, comprada à sucapa na Tanco, em Orense), e também o que Régis Debray escreveu sobre ele, apreciei sempre a sua bela foto feita por Alberto Korda e tenho ainda por casa esta antologia dos “Cadernos” da“Dom Quixote”, que a polícia logo recolheu pelas livrarias.

Ernesto “Che” Guevara morreu há 50 anos. Tinha 40 anos, o dobro da minha idade de então. Não seria “a melhor idade da vida”, mas era uma bela idade para apreciar as revoluções e acreditar que elas ainda eram possíveis. É que, mesmo não o sendo, as revoluções fazem para sempre parte do património dos que nelas acreditaram. E os bons sonhos não têm preço!

Francisco Seixas da Costa

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Envelhecimento desce em “algum” Alentejo

Indice mapa

Oito municípios da região Alentejo apresentam um decréscimo do índice de envelhecimento da população, segundo o 5º Retrato Territorial de Portugal, apresentado esta semana pelo Instituto Nacional de estatística (INE).

Segundo a publicação bienal, entre 2011 e 2016, o índice aumentou em 283 dos 308 municípios do país, com exceção de oito municípios localizados no Alentejo, dois cada no Interior Norte, Algarve, e Região Autónoma dos Açores, e também o município de Lisboa.

Relativamente à região Alentejo, no distrito de Portalegre, Gavião, Alter-do-Chão e Monforte, foram os municípios em que o índice de envelhecimento desceu, sendo os restantes localizados no distrito de Beja – Barrancos, Vidigueira, Cuba, Alvito e Ferreira do Alentejo.

Apesar destes dados, existe um contraste de densidade populacional entre as áreas predominantemente urbanas do litoral e rurais, sendo inferior na última em cerca de 19 vezes, mantendo-se a tendência de envelhecimento populacional nas regiões rurais, nomeadamente em sub-regiões Beira Baixa e Terras de Trás-os-Montes.

Entre o período em estudo, a região Alentejo apresentou um índice de envelhecimento superior à média nacional, com 195 idosos por cada 100 jovens (média nacional – 150,9 por 100), sendo que em 2016 a faixa interior do Alto Alentejo e das regiões Norte e Centro apresentavam os municípios mais envelhecidos.

At http://www.radiocampanario.com/

Câmara de Campo Maior “derruba” casas ilegais

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Uma acção de demolição de barracas e anexos decorreu na manhã de quarta-feira, 11 de Outubro, no Bairro de São Sebastião, em Campo Maior.

Segundo o “Linhas” apurou no local, os trabalhos permitiram ‘deitar abaixo’ oito barracas e anexos que haviam sido edificados ilegalmente no bairro, o qual, recorde-se, foi construído de raiz para responder às necessidades da comunidade cigana que habitava nas muralhas da vila.

At https://www.linhasdeelvas.pt/

Projecto “Oficina da Música” retoma em Elvas

Começou hoje a continuação do projecto anterior, Oficina da Música, pela Associação Sílaba Dinâmica, presidida pelo meu caro amigo Luis Romão. Um projeto que visa integrar crianças da comunidade cigana na sociedade e que tem o apoio do Alto Comissariado para as Migrações do Governo Português.

Nada me deixa mais orgulhoso que abraçar de novo este projeto e ter mais uma vez a confiança do Presidente da Associação Sílaba Dinâmica de Elvas. Um projeto que requer muito trabalho, mas a verdade é que sem trabalho a obra não nasce, e já demos provas disso mesmo, que a obra nasceu e continua bem viva para mostrar à sociedade que não pode haver descriminação racial.

Obrigado Luís, obrigado por confiares mais uma vez em mim e no meu trabalho.

Deixo-vos aqui um pequeno vídeo que mostra o arranque deste projeto enquanto aguardávamos pelas crianças.

Um vídeo com o já conhecido, José Lito Maia. “Vamos embora para Barbacena”.

Todos diferentes, todos iguais!

Um abraço amigo,

Mário Gonçalves

Opinião: “Apropriação de lugares”

GastãoNas “práticas antigas nas escolhas dos lugares” [Vitrúvio; pp.44], a apropriação dos lugares devia ser precedida pela compreensão destes e das suas características próprias. Era imprescindível, por exemplo, a análise dos fígados de animais e, “se à primeira vista surgiam lívidos e adulterados, imolavam outros para tirar dúvidas”; aferida a sua ligação à boa qualidade da água e ao pasto e o bom estado destes recursos naturais e a salubridade dos terrenos, poderiam então erigir as fortificações e as cidades no seu interior. Outros fatores são igualmente importantes e condicionam a devida implantação das ruas e edificações em função da insolação e da direção dos ventos…essenciais para a apropriação dos lugares a melhor salubridade para a instalação da vida humana… 

Lembrei-me deste texto enquanto visitava no sábado o Mercado de Estremoz, como a experiência do lugar, as pessoas, o tempo… são muito mais que a sua planificação. Bem acompanhado aliás, e entre cor, movimentos e cheiros deixo-me ir. Provei a convite numa mesa de enchidos assegurando a especialista que o paio-esse ficou em casa “despertando-me os sentidos”…

Gastão Rodrigues

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Opinião: “Subversão da verdade”

Ricardo CastanheiraO Facebook com os seus dois biliões de utilizadores deixa muito atrás os países mais populosos do planeta: a China (1.387 biliões) ou a India (1.340 biliões). Mas mesmo a União Europeia (508 milhões) fica atrás do Whatsapp (1.2 biliões), do Youtube (1 bilião) ou do Instagram (700 milhões). Este é o ponto de partida.

Já vai longe no tempo a confiança no que líamos e víamos, fosse nas páginas de um jornal ou num ecrã de televisão. A produção e circulação de informação espontânea e não institucionalizada mudou a realidade: desde logo, dos órgãos de comunicação que vivem, por todo o lado, dias difíceis para sobreviver e no modo como se consome, numa internet sem filtros nem regras editoriais mínimas em que cada um escreve, comenta e divulga o que lhe dá na real gana para uma potencial audiência esmagadora e sem fronteira.

No rescaldo do passado fim de semana, multiplicaram-se nas redes sociais fotos e vídeos de cargas policiais e outros atos de violência contra os independentistas nas ruas de Barcelona. A indignação generalizou-se contra a “barbárie fascizante” de Madrid. Ora, passados uns dias sabemos que, afinal de contas, muitas dessas imagens eram falsas e não passavam de montagens com um propósito muito claro de vitimizar uns e mobilizar a opinião pública contra os outros.

Desta vez foi na Catalunha, mas o fenómeno das notícias e imagens falsas já tinha estado presente nas últimas eleições americanas – com os resultados que se sabe! – passou pelas francesas e mais recentemente entrou na contenda alemã. Ou seja, onde há poder em disputa há a instrumentalização e a subversão da verdade.

Já há relatórios internacionais que mostram consistentemente que existe da parte de alguns países uma estratégia de influência e domínio que passa pelo uso robotizado de “fake news” e perfis falsos para gerar instabilidade em determinados alvos. As guerras assumem, hoje, diferentes formas e espaços. O contexto digital é claramente um deles. Não perceber isto é não entender o mundo em que vivemos e esquecer estupidamente que as redes sociais são o habitat natural de milhões e milhões de seres humanos. É lá que se jogam – para o bem e para o mal – muitas das decisões políticas.

Os governos não se podem demitir e deixar à auto-regulação das plataformas digitais a procura de soluções. Afinal de contas, não cabe às empresas do “Vale Silício” garantir as liberdades individuais, a ordem social, a segurança coletiva e até em certa medida a soberania.

Este é o debate dos nossos tempos. E há tão poucos a querer fazê-lo…

Ricardo Castanheira

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Opinião: “A gente”

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O melhor de uma qualquer localidade são as pessoas, a sua GENTE. Infelizmente, muitas vezes, para além da inexistência de estruturas, da incapacidade dos políticos ou da falta de civismo, há um atraso atávico que radica na falta de cultura ou na ignorância. A Escola deveria ter eliminado este atraso estrutural, que foi agravado pela alteração do papel das famílias, mas não o conseguiu. Aqui está um factor de subdesenvolvimento em que todos devíamos pensar, relevando as diferenças ideológicas em que alguns se entrincheiram e que leva, muitas vezes, à incapacidade do exercício do espírito crítico, quando não ao sectarismo e fanatismo.

Nota final e ainda a tempo:
Confirmando a importância do que somos, destaque para os títulos do suplemento do jornal Público, Fugas: “Um delicioso Branco da serra de S.Mamede”, a propósito do Terrenus Reserva Vinhas Velhas Branco 2015, classificado com 92 pontos numa escala de 0 a 100, para o Terrenus Vinha da Serra 2015, 90 pontos e para o Athayde de Grande Escolha Tinto 2013, Montargil, 88 pontos – este, em particular, dá-me o prazer de não só ser um grande vinho como de ter acompanhado a ideia e o(s) seu(s) mentores.
Com GENTE desta, com estes PRODUTOS, nunca estaremos condenados à irrelevância, mesmo quando não se compreende a importância desta fileira bem como de outras, cuja valia se sobrepõe à espuma dos dias, aos ciclos eleitorais ou à vacuidade de ideias e projectos.

Jorge Mangerona

At Facebook

Opinião: “5 de Outubro”

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FB_IMG_1507458875472Em tempos escrevi isto: “Contrariando outro mito persistente, a 5 de Outubro de 1910, da varanda dos Paços do Concelho, em Lisboa, o médico, carbonário e novel Governador Civil, natural de Gavião, distrito de Portalegre, Eusébio Leão proclama a República.
Ainda hoje, aqui e acolá, se afirma que o proclamante teria sido José Relvas.
A verdade manda que, o que ocorreu, de seguida ao grito proferido pelo bombista, Eusébio Leão, que no seu consultório do Chiado fabricava artefactos de morte e pavor, se lhe seguisse Inocêncio Camacho, também “bom primo”, participante de uma das muitas “choças” carbonárias, anuncia a composição do Governo Provisório (Teófilo Braga, Presidente; António José de Almeida, ministro do Interior;Afonso Costa, ministro da Justiça; Basílio Teles, ministro das Finanças; António Luiz Gomes, ministro das Obras Públicas; Bernardino Machado, ministro dos Estrangeiros; coronel Correia Barreto, ministro da Guerra; Azevedo Gomes, ministro da Marinha.
Só depois desta leitura é que emerge José Relvas…e para pedir serenidade ao povo que então se “apinhava” na Praça do Município.”

A foto é de Joshua Benoliel.
Este postal é dedicado ao meu fraterno amigo Jaime Estorninho.

José Albergaria

At Facebook

Opinião: “Feriado”

FB_IMG_1508064487928Vinha só relembrar: aos que estão no sofá, na praia, a pedalar, a fazer mini férias, a ler, agarrados ao netflix, a dormir, no Continente, na esplanada, à mesa a escorropichar os copos de vinho tinto do almoço em família, a acordar, a deitar-se, a apanhar a borra do cão no jardim, a fazer a unhas, a beber uma jola no quintal, no Colombo, a surfar, a fazer limpezas, sexo, bolos, punhetas, e o cacete, que isto só é possível porque hoje é finalmente, formalmente, e outra vez normalmente, feriado.

Vanessa Figueira

At Facebook

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