Cartas ao Director: “O ataque às corridas de touros”

A ministra da cultura que, como se sabe, tem aversão às corridas de touros, decidiu classificá-las como não-cultura e aumentar-lhes o IVA de 6 para 23%, isto apesar das corridas terem a superintendência do IGAC, Inspeção Geral das Atividades Culturais. Foi um dos primeiros golpes para os empresários que passaram a entregar às finanças quase um quarto da receita dos bilhetes. Entretanto sucederam-se medidas contra as corridas como as restrições televisivas com redução das emissões ou com o seu horário depois das 22.00 horas. Como proteção contra a pandemia foram aplicadas restrições a cavaleiros e forcados, como as entradas e saídas destes da trincheira, apesar de todos terem sido previamente testados. Entretanto está na agenda a proibição aos jovens de assistirem às corridas, não para benefício destes mas para prejuízo da Festa e mais restrições televisivas que podem chegar ao seu cancelamento.

Os inimigos da tauromaquia encontram-se no Bloco de Esquerda e no Pan mas, no limite, o responsável da situação criada e das vítimas que está a causar é o governo, pelos acordos que tem feito com aqueles partidos. A pandemia causou a enorme crise económica em curso, mas o ataque às corridas, completamente inoportuno na situação de calamidade em que o país vive, veio sobrepor outra crise económica a todos os que trabalham nesta atividade, e esta segunda crise já não é de causa natural mas tem causa humana. Se não houver o recuo do governo para correção duma situação que ainda se pode vir a extremar, o recurso das vítimas à justiça contra o Estado é uma possibilidade.

Com efeito, nas praças de menor capacidade já não foi possível em 2020 realizar corridas de touros. Reduzindo o número de espetáculos, entraram em crise os ganaderos (criadores de touros de lide), que não podem enviar para lide os touros depois dos cinco anos de idade e que só têm a alternativa de os vender pela carne, os criadores de cavalos de toureio, os cavaleiros profissionais, os proprietários e empresários das praças, os veterinários, maiorais e transportadores, e muitas outras classes profissionais que fazem gerar a economia desta atividade. Para os cerca de 1000 jovens forcados que fazem parte dos 40 grupos inscritos na Associação Nacional de Grupo de Forcados, em aumento constante, não se coloca o problema da crise económica porque são amadores e apenas lhes são pagas as despesas de deslocação para as corridas. Mas o seu inconcebível desaparecimento por redução do número de espetáculos tornará o país culturalmente mais pobre. Deve ser dito que, nos muitos debates sobre corridas na televisão, não houve nenhum jornalista que tivesse a honestidade de esclarecer os telespetadores que o objetivo dos oito forcados na pega é simplesmente imobilizar o touro, após o que este é recolhido sem qualquer lesão! Pelo contrário: Deram uma imagem dos forcados como se agredissem o touro, o que não é verdade!

Não acabam aqui as consequências dos prejuízos causados pela agressão à tauromaquia: a sobrevivência da raça única que é o touro bravo está em causa, pelo menos em Portugal. O touro bravo não pode competir com as raças de bovinos de carne, cujos bezerros se vendem cerca dos 6 ou 8 meses de idade. Um touro é adulto aos 4 ou 5 anos de idade e o seu preço de venda conta com o preço da lide em praça e o preço da carne. Sem a receita da lide claro que a criação de touros não é económica e alguns ganaderos já estão a reduzir os seus efetivos. No limite pode acontecer que a raça pura, o touro bravo que existe desde a antiguidade, figurado há mais de 3.000 anos nas pinturas dos acrobáticos da antiga Creta, só subsista se os criadores forem subsidiados ou se alguns exemplares vierem a ser recolhidos no Jardim Zoológico!

No seu próprio interesse o governo não tem outra alternativa senão reverter as medidas impostas às corridas de touros, sem o que as vozes dos cidadãos prejudicados se farão ouvir. Por outro lado, os defensores internacionais da biodiversidade terão uma palavra a dizer sobre este desastre ecológico, desde que tenham conhecimento da singularidade que é o touro bravo e do problema criado pelo governo em Portugal.

António A. P. Vacas de Carvalho

At https://linhasdeelvas.pt/

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