Opinião: “As receitas unânimes do confinamento não resultam”

Quem me conhece sabe que nunca me demito de dizer o que penso.
Em março, insurgi-me contra o facto de o governo não recomendar o uso de máscaras em espaços fechados e continuar a promover conferências de imprensa diárias no Ministério da Saúde com 10 a 15 pessoas sem máscara, incluindo a própria ministra.
Depois, novamente contra-corrente, insurgi-me contra a leviandade com que defenderam o primeiro estado de emergência, esta figura legal-limite que permite suspender direitos, liberdades garantias em nome de um bem social maior, incluindo o poder de determinar o encerramento de escolas como imperativo absoluto. Hoje sabemos que as crianças até aos 12 anos dificilmente transmitem o vírus e temos a certeza que os danos de parar a educação serão irreversíveis, razão pela qual temos escolas abertas.
8 meses depois, já percebemos que fazer ciência e política em direto, e em simultâneo, mudou as nossas vidas para pior. E por isso hoje, como mulher livre, insurjo-me contra a falta de debate público.
Está por demais evidente que as receitas unânimes do confinamento, sempre que há um surto, não resultam.
Os novos casos não cessam. As mortes também não.
Ainda assim, perante aberturas de jornais catastróficas, insistimos nesta letargia incoerente de não procurar respostas alternativas, senão o fatalismo, com medo que nos chamem “negacionistas”.
O medo é a antítese da democracia.
As ditaduras foram impostas sempre à custa do medo. Medo de dizer. Medo de pensar.
Não tenhamos medo. Nem do vírus. Nem de pensar. Nem de dizer mas acima de tudo, não tenhamos medo de viver.
Sempre que a minha filha chora, eu digo-lhe: “cada minuto que choras, é um minuto que não ris.” Pois bem, nesta pandemia: “cada minuto que não vivemos, é um minuto que definhamos até desaparecermos.”
Estudei demasiados autores que dissertaram sobre a liberdade para me permitir viver com medo. E isto não faz de mim uma “negacionista”. Nem uma “iluminada”. Faz de mim a pessoa que sou. Uma pessoa que não tem medo de pensar. Muito menos de ser julgada pelo que digo.
E por isso digo e escrevo: para mim, é tempo de procurar respostas. Outras respostas.
É tempo de não de nos escondermos atrás do vírus.
É tempo de termos esperança e lutarmos pelo nosso futuro. Em sociedade.
Ser democrata e defensor da liberdade implica defender o emprego. É isso que estamos a fazer quando permitimos que mandem todos para casa ao fim de semana a partir das 13h?
Sem discussão? Sem argumentação?
O que vejo à minha volta não é sensato. Estamos a matar a economia. A estimular a mentira e a dissimulação entre aqueles que se não trabalharem morrem à fome.
E nesta altura, pergunto-me se algum de nós tem a coragem de criticar quem o faz em nome da sua própria sobrevivência e da família?
Não tenho verdades absolutas. Por isso sou jornalista. Existo para fazer perguntas como na idade dos porquês. Não me derrotam no dogmatismo, mas não me prendem ao cepticismo. A minha missão é descobrir e irei tentar fazê-lo.
Hoje, acordei a pensar que era importante que entre os jornalistas fôssemos mais. Mais a perguntar. Mais a construir.
Liguei a rádio Observador e ouvi o Paulo Ferreira a entrevistar o médico António Ferreira que subscreveu uma petição ao Parlamento contra o confinamento.
Tal como ele, eu uso sempre máscara. Respeito o distanciamento social. Uso alcool gel a toda a hora. E testo-me. Ainda na sexta-feira me testei porque entendo que esta é a unica maneira de poder voltar a casa e ver os meus pais. Sim, não vou viver sem ver os meus pais. Porque o meu tempo e o tempo deles é este e não poderei viver a adiar a vida.

Sandra Felgueiras

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