Opinião: “Em Portalegre, Cidade… Cidade???!!!…

Santana Maia 26908122_964361603714743_8610297635254891908_nO centralismo exacerbado do Portugal de Salazar sempre foi uma das características mais sublinhadas e criticadas pelos democratas de Abril. No tempo do fascismo, Portugal era Lisboa e o resto era paisagem. Diziam eles.

No entanto, nesse tempo de servidão, se alguém entrasse num café em Portalegre e perguntasse a um portalegrense qual era o seu clube, a resposta era: Estrela ou Desportivo. Hoje se lá entrar e fizer a mesma pergunta, a resposta é: Benfica ou Sporting.

Até Marcelo Rebelo de Sousa, para vir celebrar o 10 de Junho a Portalegre, precisou de trazer atrelado de Lisboa um intelectual alfacinha nascido em Portalegre por não reconhecer, em qualquer residente do distrito, nível suficiente para ler um simples discurso. Lá vão os tempos em que Portalegre tinha indivíduos do gabarito de José Régio… Hoje, se José Régio fosse vivo, tinha de leccionar em Lisboa, sob pena de não ser reconhecido nem em Portalegre.

Ou seja, a putativa descentralização autárquica implementada pelos democratas portugueses, em vez de contribuir para uma maior coesão territorial, não só ainda reforçou mais o centralismo do poder de Lisboa como provocou o esvaziamento do interior do país. No tempo de Salazar, Lisboa tinha o poder. Agora tem o poder e as pessoas.

Com o 25 de Abril, os autarcas, para gáudio dos nativos, passaram a defender a sua “terrinha” acima de tudo. O problema é que há duas terrinhas muito maiores do que as deles e, quando as terrinhas entram em concorrência e competição, sucede-lhes o mesmo que sucedeu ao Estrela e ao Desportivo: desapareceram do mapa, ficando apenas o Benfica e o Sporting, ou seja, Lisboa.

Como dizia Gonçalo Ribeiro Telles, Portugal é, hoje, a cidade Lisboa-Porto. A A1 é a verdadeira fronteira de Portugal. E essas reformas que se avizinham e que são defendidas pelos políticos da cidade Lisboa-Porto, como é o caso dos círculos uninominais e da Regionalização, ainda irão vincar mais as assimetrias. Os círculos uninominais e a Regionalização só são defensáveis em países com grande coesão territorial, caso contrário ainda aceleram mais o processo de desertificação.

Mas o interior, infelizmente, já está conformado com isto e, em boa verdade, não quer que nada mude. E porquê? Porque as elites e a classe média que reside no interior já tem os filhos a residir em Lisboa e, como tal, já está mais preocupada com o Benfica e o Sporting do que com o Estrela ou o Desportivo.

Quem tem pernas e dois dedos de testa vai estudar para Lisboa e já não regressa. Aqui só ficam os chaparros e os sobreiros velhos como eu, que até já dou pouca cortiça. É, aliás, assim que nos veêm e falam de nós quem reside na cidade Lisboa-Porto. Hoje, um alentejano ou um transmontano respeitado é um alfacinha com muito orgulho nas suas raízes alentejanas ou transmontanas, mas que não reside, nem quer residir em Portalegre ou Bragança. Tá quieto!

E, se virmos bem, também é assim que pensa a maioria dos portalegrenses e dos alentejanos. “Para viveres aqui, é porque não deves ser grande coisa. Caso contrário, vivias em Lisboa…” E o pior de tudo é que, provavelmente, têm razão.

Santana-Maia Leonardo

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Campus Basket regressou a Ponte Sor. Entretanto o equipamento desportivo das Termas de Nisa…

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Os Pavilhões Municipais de Ponte de Sor foram, mais uma vez, escolhidos por Carlos Seixas e pela sua equipa para a realização do seu Campus Basket.

A sétima edição do Campus Basket Carlos Seixas ocorreu de 14 a 20 de Julho, em Ponte de Sor, e nela participaram jovens com idades compreendidas entre os 12 e os 18 anos, de ambos os sexos. A organização do evento esteve a cargo de Carlos Seixas (actual técnico-adjunto da equipa sénior masculina do Benfica e comentador de basquetebol na Sport Tv, depois de ter sido responsável pelo Centro de Alto Rendimento do Jamor, seleccionador nacional de Sub-18 e adjunto na principal Selecção Nacional) e Luís Avelãs (ex-treinador, jornalista e comentador dos jogos da NBA na Sport Tv), com a colaboração da Câmara Municipal de Ponte de Sor e da Associação de Basquetebol do Alentejo.

O Campus, que conta ainda com a presença de outros treinadores e monitores convidados, é destinado aos jovens que praticam basquetebol e pretendem melhorar o nível do seu jogo, mas também a todos os que nunca jogaram oficialmente mas se sentem atraídos pela modalidade, bem como para aqueles que apenas desejam passar uns dias de férias repletos de desporto e emoção.

At https://www.facebook.com/ e http://www.cbcarlosseixas.com/

Opinião: “sobre as Cepas da Serra”

Cepas da Serra

Caros Portalegrenses e Reguenguenses
Desabafo
Em primeiro, gostava de ter a capacidade de escrita de uma Luísa Moreira ou do Luis Mangerona. Não tenho
Mas tenho o direito de dizer o que me vai na alma.
Sou filho de um pequeno comerciante, com uma avó que tinha uma taberna, tudo isto ao cimo da chamada Rua do Cano.
Desde pequeno que vinha com o meu pai ao Reguengo, visitar amigos dele, nomeadamente o Sr. Artur, o Sr. Casa Nova, e o Sr. António Crespo, da Quinta dos Padres que me obrigava a jogar às damas. Era uma grande seca, mas pronto amigo do meu pai meu amigo é.
Também em miúdo, com o meu padrinho João do Carmo Ferreira, mais conhecido pelo João dos Bigodes, “aprendi “ a fazer vinho, ou melhor a ter gosto de fazer vinho.
Lembro-me que a maior parte das uvas vinham do Porto da Boga e outras do Ribatejo, transportadas pelo Sr. Cabaço.
Passados alguns anos, já não concordava como a forma como o vinho era feito.
Brigas e mais brigas, mas ele era o dono do negócio. Eu um fedelho a quer mandar, não dá para acreditar.
Mas o povo de Portalegre gostava do vinho, era barato e outros bebiam à borla. Era a maneira de ele vivera sua vida, e não o levo a mal,viveu á sua maneira. lembro-me de ele me dar garrafas de vinho, e muitas, era só pedir, mas não tinha a coragem de oferecer nem beber aquele vinho, efetivamente, era mau.
Fui viver para Oeiras e trabalhar para Lisboa, fazer a formação que não tinha feito em tempo útil, por malandragem.
Era a descoberta de um novo mundo que não tinha tido. Paguei e bem caro.
Vivi, 16 anos naquela urbe, mas sempre com Portalegre na mira, e o Reguengo no coração.
Tive a oportunidade, por questões profissionais, de voltar a Portalegre
Com o sonho familiar que tínhamos pelo o Reguengo, aluguei uma casa modesta no Reguengo, ao Sr.º Eng. Batista Tavares.
Estava no meio, onde a oportunidade de negócio poderia aparecer.s
Consegui.
Comprei uma propriedade no Reguengo, com vinha velha, impossível de trabalhar e de rentabilizar.
Em 2005, mãos à obra, com os conselhos dos meus amigos que sabiam da “ poda”, gente humilde mas com sabedoria desta arte, a vinha foi reorganizada.
Devo muito ao Engo. José Luis Marmelo que me sempre assessorou e ajudou.
Comecei a fazer vinho do Reguengo, perguntem ao Salvador que me acompanhou em todos os momentos.
Coloquei o vinho no mercado, o vinho da Quinta das Toroas, com muito sacrifício, noites inteiras na adega, mas o prazer era superior ao cansaço.
Segundo os críticos, que valem o que valem, gostam do vinho que aqui é produzido, e esgota.
Este ano, e porque me foi atribuído quota, plantei mais 0,5 ha de vinha branca, Fernão Pires e Arinto.
O tempo vai mau, pouca água para crescer os meus novos “ filhos”.
Tudo isto tem a ver com a reportagem da SIC, sobre S, Mamede.
Não tenho duvidas sobre o mau jornalismo, gente que não sabe nem quer aprender.
Exemplo: Tapada de Chaves, em primeiro lugar é Tapado do Chaves, fica na Serra de S. Mamede?
Estamos a brincar, só pode.
Eu não tenho dinheiro para pagar reportagens.
Peço desculpa às pessoas que não mencionar, produtoras de vinho na Serra de S. Mamede, que eu sabia são:
Folha do Meio – Amigo Chaparro
Quinta das Cabeças – João Afonso (vizinho)
Quinta da Toroas – João Laranjo
Quinta do Porto da Boga – João Lourenço
Novos
Quinta do Centro
Quinta da Queijeirinha
Depois o que temos?
Talibans, que compram as nossas uvas e depois dizem que é de Évora, zonas do norte.
A todos os que lutamos pelo nosso vinho, força.
Viva a Serra de S. Mamede, o Reguengo e Portalegre
Foi mesmo um desabafo.

José Carlos Laranjo

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Opinião: “É destas que gosto”

FB_IMG_1563551319568Gosto de pessoas “sem merdas”, daquelas que se estão a lixar que as olhem de lado quando se riem alto na rua; daquelas que apreciam todas as comidas e que, quando o arroz vem com passas (quem é que pode gostar de passas, por Deus?), se limitam a pô-las para o lado continuando a comer.
Gosto de pessoas que não fazem cenas nem armam dramas mesmo quando as situações o pedem, mas sabem usar o dedo do meio e palavrões cabeludos nas ocasiões certas.
Gosto de malta que diz o que pensa e faz o que diz e raramente se arrepende por não ter nada de que se arrepender.
Gosto de gente ousada, picante, marota, que se transforma em ovelha quando todos são lobos só pelo prazer da diferença e insubmissão.
Gosto de humanos paradoxais, ilegíveis e imprevisíveis, daqueles a quem os pequenos receios passam ao largo e que derrotam os grandes medos com um humor divertido.
Gosto de quem se aceita e se quer melhorar; de quem se respeita para poder respeitar; de quem se explora, se assume, se mostra, se expande, gosto destas mesmo muito.
Gosto dos que sabem pedir desculpa, dar o braço a torcer e não deixam que mesquinhos orgulhos lhes roubem afectos.
Gosto de quem não vive sem música nem livros nem todas as formas de arte sem querer parecer erudito.
Gosto de gente agradecida, humilde, vivida, viajada e culta ao ponto de saber que nada sabe.
Gosto de quem sabe estar na mais rasca tasca com o mesmo à vontade com que se desloca na nata e gasta mais “bons dias” com os humildes que com os grandes.
Gosto de quem segura a porta, de quem se levanta, de quem se está “nas tintas” para como vai ser interpretado aquele sorriso rasgado e interminável abraço.
Gosto de pessoas “sem merdas”, daquelas que vivem de facto cada momento sem esperar demasiado; daquelas que sabem ser apenas mais uma entre milhões, mas ainda assim se distinguem por, de tão fieis a si mesmas, se tornarem únicas…

Ana Amorim Dias

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Projecto “Recrutas de palmo e meio” regressa

Recrutas palmo e meio GNR

Nos dias 25 e 26 de julho, a Escola da Guarda, através do Centro de Formação de Portalegre, realiza mais uma edição do projeto “Recrutas de Palmo e Meio”, no qual irão participar 40 crianças e jovens da União de Freguesias de Crato e Mártires, Flor da Rosa e Vale do Peso, com idades compreendidas entre os 10 e os 16 anos.

O projeto consiste numa demonstração e participação, devidamente adaptada, na Formação Geral Militar do Curso de Formação de Guardas, proporcionando um conjunto de experiências relacionadas com a vivência na Guarda Nacional Republicana, contribuindo assim para um conhecimento mais profundo da Instituição, bem como para enriquecimento moral e cívico dos participantes, enquanto cidadãos.

Esta iniciativa decorre desde 2015 e efetua uma abordagem a várias matérias do foro militar, das quais se destacam:

  • Ordem Unida – movimentos básicos de ordem unida;
  • Técnica Individual de Combate – sinais de combate, camuflagem e disciplina de ruídos e brilhos;
  • Topografia – técnicas de orientação por processos expeditos e realização de circuito prático;
  • Luta e Defesa Pessoal;
  • Educação Física e Desportos – jogos coletivos e treino em circuito;
  • Saúde e Socorrismo – conceitos gerais de primeiros-socorros.

At https://www.gnr.pt/

Comemorações da Batalha de Ourique

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Batalha de Ourique desenrolou-se muito provavelmente nos campos de Ourique, no atual Baixo Alentejo(sul de Portugal), mais precisamente em Castro Verde, em 25 de Julho de 1139 — significativamente, de acordo com a tradição, no dia do provável aniversário D. Afonso Henriques e de São Tiago, que a lenda popular tinha tornado patrono da luta contra os mouros; um dos nomes populares do santo, era precisamente “Matamouros“.

Foi travada numa das incursões que os cristãos faziam em terra de mouros para apreenderem gado, escravos e outros despojos. Nela se defrontaram as tropas cristãs, comandadas por D. Afonso Henriques, e as muçulmanas, em número bastante maior.

Inesperadamente, um exército mouro saiu-lhes ao encontro e, apesar da inferioridade numérica, os cristãos venceram. A vitória cristã foi tamanha que D. Afonso Henriques resolveu autoproclamar-se Rei de Portugal(ou foi aclamado pelas suas tropas ainda no campo de batalha), tendo a sua chancelaria começado a usar a intitulação Rex Portugallensis (Rei dos Portucalenses ou Rei dos Portugueses) a partir 1140 — tornando-o rei de facto, sendo o título de jure (e a independência de Portugal) reconhecido pelo rei de Leão em 1143 mediante o Tratado de Zamora e, posteriormente o reconhecimento formal pela Santa Sé em Maio de 1179, através da bula Manifestis probatum, do Papa Alexandre III.

A primeira referência conhecida ao milagre ligado a esta batalha é do século XIV, depois da batalha. Ourique serve, a partir daí, de argumento político para justificar a independência do Reino de Portugal: a intervenção pessoal de Deus era a prova da existência de um Portugal independente por vontade divina e, portanto, eterna.

At https://pt.wikipedia.org/

Artigo de opinião: “Amigos para sempre”

Miguel Esteves Cardoso 800Os amigos cada vez mais se vêem menos. Parece que era só quando éramos novos, trabalhávamos e bebíamos juntos que nos víamos as vezes que queríamos, sempre diariamente. E, no maior luxo de todos, há muito perdido: porque não tínhamos mais nada para fazer.

Nesta semana, tenho almoçado com amigos meus grandes, que, pela primeira vez nas nossas vidas, não vejo há muitos anos. Cada um começa a falar comigo como se não tivéssemos passado um único dia sem nos vermos.

Nada falha. Tudo dispara como se nos estivera – e está – na massa do sangue: a excitação de contar coisas e a alegria de partilhar ninharias; as risotas por piadas de há muito repetidas; as promessas de esperanças que estão há que décadas por realizar.

Há grandes amigos que tenho a sorte de ter que insistem na importância da Presença com letra grande. Até agora nunca concordei, achando que a saudade faz pouco do tempo e que o coração é mais sensível à lembrança do que à repetição. Enganei-me. O melhor que os amigos e as amigas têm a fazer é verem-se cada vez que podem.

É verdade que, mesmo tendo passado dez anos, é como se nos tivéssemos visto ontem. Mas, mesmo assim, sente-se o prazer inencontrável de reencontrar quem se pensava nunca mais encontrar.

O tempo não passa pela amizade. Mas a amizade passa pelo tempo. É preciso segurá-la enquanto ela há. Somos amigos para sempre mas entre o dia de ficarmos amigos e o dia de morrermos vai uma distância tão grande como a vida.

Miguel  Esteves Cardoso

At https://www.publico.pt/

Texto originalmente publicado em 5 de Fevereiro de 2011.

Crónica: “O que faz falta não é ser bonito”

FB_IMG_1563551319568O que faz falta não é ser bonito, é ser carismático.
O que importa não é ter dinheiro, é ter presença.
O que conquista os outros não é a aparência, é algo muito mais intangível, algo que não se muda com dietas, plásticas ou roupas de marca e sim com a permanente consciência de sermos uma obra em constante construção.

E no entanto, o que devia ser uma óbvia verdade permanece desconhecido por tantos: enquanto não nos conquistarmos a nós, não conquistaremos nada, não cativaremos ninguém.
Enquanto não nos dominarmos, admirarmos, superarmos e respeitarmos profundamente, não teremos armas para manter com os outros relacionamentos saudáveis.
Só quando nos deslumbramos com o nosso interior, com os nosso pensamentos e com as nossas reações aos estímulos exteriores, estamos aptos a deslumbrar.
Só quando nos respeitamos acima de tudo, conseguimos conquistar o absoluto respeito alheio.
Só quando nos desafiamos constantemente a mais e melhor, representamos para os outros um encantador desafio.
E creio que se resume tudo a isto: a sermos um desafio; um constante e irredutível desafio. Para nós e para quem nos vê como exemplo.

Ana Amorim Dias

At https://www.facebook.com/