Artigo de opinião: “Fotógrafos Taurinos e “tira-bonecos””

Paulo Paulino pp-150x150Esta semana foi emitido um comunicado subscrito por uma larga maioria dos fotógrafos taurinos que habitualmente cobrem as corridas de toiros em Portugal. No essencial, trata-se do marcar de posição face à “divulgação/venda/cedência das imagens” – conforme referem – massiva e pouco criteriosa das ocorrências trágicas, mas intrínsecas à atividade tauromáquica, que infelizmente sucederam na recente noite de Coruche, por parte de supostos “colegas” mais colados ao protagonismo do que propriamente ao mero intuito informativo, numa atitude que o conjunto de fotógrafos taurinos que assina este comunicado se distancia incondicionalmente.

Aplaudo de pé e peço Porta Grande.

Estes fotógrafos taurinos, além de um grande sentido ético pela atividade que exercem, elevam a grandeza de caráter que distingue os verdadeiros amantes da arte que os move e lhes permite inúmeras vezes criar a sua própria arte, não uma função de meros oportunistas sedentos de uma qualquer tragédia para se porem em “bicos de pés” apenas (ou não apenas) como um meio para “preencher” currículo e verem o nome escrito num qualquer pasquim sensacionalista. Entre outros valores, trata-se também de uma questão de respeito pelos verdadeiros protagonistas, os que na arena arriscam a vida, e de respeito pelos verdadeiros aficionados que não necessitam deste tipo de “toxicidade” infiltrada num meio que tem sido permanentemente fustigado de ataques nos tempos que correm.

Não apenas por isto, mas também por isto, recordo-me de um tão grande amigo como fotógrafo taurino que recentemente nos deixou e que corroborava destes valores únicos, o saudoso Duarte Chaparreiro. Numa trágica noite na Arruda dos Vinhos, o Chaparreiro era o único fotógrafo taurino que cobria uma corrida do 16 de agosto e captou toda a sequência da fatídica pega que causou a morte ao forcado Ricardo Silva “Pitó” do Grupo de Vila Franca. No dia seguinte, numa atitude que distingue os Grandes dos restantes, chegou-se ao cabo do Grupo de Vila Franca (Vasco Dotti à época), entregou-lhe um envelope com as fotos dessa pega e numa conversa que não presenciei, mas da qual acabei por ter conhecimento do essencial, disse-lhe algo como:

“Estão aqui todas as fotos da pega do “Pitó”, pertencem ao Grupo de Vila Franca e nunca serão de mais ninguém, façam delas o que entenderem”.

São valores fundamentais, natos de quem sente e vive a tauromaquia de um modo diferente, puro…

Paulo Paulino

At http://tauronews.com/

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