Artigo de opinião: “Paris-Almada”

joana amaral diasNo limite, para Inês de Medeiros nem eram necessárias eleições.

Inês de Medeiros afirmou: Há “deputados que deixam de ser deputados e não têm direito a nada, nem sequer a um fundo de desemprego. Acho preocupante”. Parece mais preocupante que uma presidente da câmara, que foi deputada esperando que lhe pagassem viagens semanais a Paris (tendo concorrido pelo círculo de Lisboa), ainda não entenda que ser eleito para o parlamento não é uma profissão, mas uma missão.

Fazer política não é um emprego com um salário mas sim um serviço ao país e à causa pública.

Enfim, numa altura em que a Assembleia da República está profundamente descredibilizada, mais um prego no caixão. E nem sequer é rigoroso porque os deputados eleitos antes de 2005 gozam das subvenções vitalícias e do subsídio de reinserção. Ironicamente, foi Sócrates que terminou com esse regime desse ano em diante. Inês de Medeiros discorda do padrinho? Certo, é que o próprio diverge porque é com esse valor que diz financiar a sua actual vida. 

Por fim, note-se como a ex-atriz também acha que 2019 vai ser “um ano infernal” e que as campanhas podem “estragar a extraordinária” legislatura de agora. Perceba-se: no limite, para Inês de Medeiros nem eram necessárias eleições, esse limbo após o qual os deputados arriscam-se a ficar sem nada. E nem sequer podem dizer: “teremos sempre Paris”.

Joana Amaral Dias

At https://www.cmjornal.pt/opiniao/

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