Artigo de opinião: “Estranhíssimo”, disse Cavaco

Cavaco CSRS

Cavaco Silva classificou de “estranhíssima” a decisão de substituir Joana Marques Vidal. Já eu classifico de “estranhíssimo” o facto de não haver um único dos seus amigalhaços do BPN atrás das grades, apesar da épica cruzada da PGR cessante. Ele há coisas estranhíssimas, não há?

Mas, uma vez que estamos no campo do “estranhíssimo”, quem se lembra daquela vez em que o candidato Cavaco convidou uns quantos amigos da Sociedade Lusa de Negócios, dona do BPN, para a comissão de honra da sua segunda candidatura à presidência da República? Entre outros “notáveis“, estava lá Fernando Fantasia, o tal da célebre (e estranhíssima) permuta na aldeia do cavaquistão, esse grande amigo de Cavaco Silva que nos deve quase 250 milhões de euros. Por falar em dívidas, alguém me sabe dizer se Cavaco Silva já pagou o que nos deve do IMI que não pagou da sua residência na rua do BPN? É no mínimo estranhíssimo que um político tão experimentado, que ocupou os mais variados cargos, incluindo a pasta das Finanças, não conheça as suas obrigações fiscais.

Mais estranho do que os banqueiros escolhidos por Cavaco Silva para a sua comissão de honra, só mesmo o grande negócio que fez com o seu ex-secretário de Estado e amigo de longa data, Oliveira e Costa, a quem em 2001 comprou 105.378 acções da SLN, a 1€ cada, e que vendeu, dois anos depois, com um lucro a rondar os 150%. Ele a sua filha, que também obteve mais-valias generosas das mãos de Oliveira e Costa e Dias Loureiro. Será essa a mesma filha cujo marido comprou o Pavilhão Atlântico em preço de saldo?

Por falar em banqueiros de bancos criminosos, e em ex-presidentes sem noção que se chocam com coisas “estranhíssimas”, que dizer da nomeação de Dias Loureiro para o Conselho de Estado de Cavaco Silva e do facto de Cavaco o ter protegido, enquanto pôde, debaixo da sua asa presidencial? E daquela declaração estranhíssimanegada pelo próprio de forma bizarra e senil, através da qual Cavaco enlameou a presidência da República ao instar os portugueses a confiar no BES? E já que estamos no BES, qual foi mesmo o candidato presidencial cujo maior donativo de campanha teve origem na família Espírito Santo? Exactamente.

Ele há coisas estranhíssimas, disso ninguém tem dúvidas. E Cavaco Silva, o político que tentou convencer o país que não era político, é um profissional do estranho. Que o digam as cagarras! Estranhamente, todos os seus amigos e ex-colegas associados à criminalidade financeira (e não só) continuam cá fora, a dever milhões de euros aos portugueses que assumiram a factura do festim. E nem Joana Marques Vidal, a grande Joana Marques Vidal, conseguiu pôr cobro à situação, pelo que não há nada de estranho nas declarações ontem proferidas pelo indivíduo em questão. Estranho seria se os corsários de colarinho branco, muitos dos quais Cavaco conhece tão bem, estivessem atrás das grades, numa cela partilhada com escória da sua laia.

João Mendes

At https://aventar.eu/

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