Opinião: “Voluntariado”

Joao Wengorovius MenesesAproxima-se o dia internacional do voluntariado. É um tema que divide. Tem sido conotado com a direita católica. Depreciado como algo infantil, superficial, nalguns casos exploração laboral ou comprometedor do papel do Estado. É verdade que participar numa juventude partidária ou numa manifestação também é voluntariado, simplesmente nesses casos há um interesse próprio. No voluntariado em contextos de exclusão social também se recebe, mas nada tão concreto ou material como uma carreira futura ou uma alteração legislativa. É essa gratuidade, esse encontro com o outro – transitório e aberto ao inesperado – que permite desenvolver uma qualidade que nos torna humanos: a empatia. Guterres e Obama fizeram voluntariado e isso transparece na sua ação política. Quem acha que é um tema bolorento ou dominical, not cool ou not serious enough, devia experimentar. Para mim, devia ser obrigatório (sem o ser). É tanto uma aprendizagem de relação, como de interioridade. Claro que tem o perigo de se poder tornar um ato de vaidade ou uma droga boa. É por isso que o voluntário que recordo com maior admiração vagueava solitário como o corno de um rinoceronte.

João Wengorovius Meneses

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