Partidos optam por novas caras para Portalegre

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Foi aprovada na reunião da Concelhia do PSD desta noite a candidatura de Armando Varela à Câmara de Portalegre.

A candidatura do actual presidente da Câmara de Sousel e presidente da Distrital do PSD fica apenas formalmente dependente da aprovação da Distrital.

Armando Varela esteve há poucos dias em Lisboa para, juntamente com os responsáveis nacionais decidir sobre esta candidatura que aceitou.

O autarca, que também presidiu à CIMAA, está a cumprir o seu último mandato enquanto presidente da Câmara de Sousel, à qual não se pode recandidatar, devendo avançar a vereadora Marta Carujo como candidata.

A confirmar-se a candidatura, pelo PS, do actual presidente da Câmara do Crato, Correia da Luz, a capital de distrito vai assistir pela primeira vez ao embate de dois candidatos que não possuem ligações efectivas ao concelho.

A actual presidente da Câmara, Adelaide Teixeira, avança para a recandidatura, seja pela CLIP, formada para concorrer às anteriores autárquicas que ganhou, seja por uma formação partidária que a apoie, reunindo assim o suporte de diversos sectores.

O actual vereador da CDU, Luís Pargana, poderá igualmente avançar com a recandidatura.

At Jornal Alto Alentejo

Personalidade feminina do ano na política é de Tomar

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O jornal O MIRANTE decidiu atribuir o prémio Personalidade do Ano, na área da Política Feminina, a Anabela Freitas (PS) que é a primeira mulher a exercer o cargo de presidente da Câmara Municipal de Tomar, e desde Outubro de 2013.

Eleita em 2013, numa altura em que as câmaras em geral passavam por dificuldades económicas, não tendo capacidade para lançar grandes obras, optou por investir os parcos recursos no que sentia fazer mais falta aos cidadãos, nomeadamente o arranjo de estradas e pequenas obras nas freguesias. Ao mesmo tempo foi desenvolvendo trabalho na área do turismo e na promoção de valores históricos e culturais de forma a aumentar a auto-estima da população.

Soube aproveitar apoios para dar maior visibilidade à Sinagoga, como forma de atrair mais visitantes à cidade, que parecia ter apenas o Convento de Cristo. Para isso foi fundamental a constituição da Associação dos Amigos da Sinagoga, apadrinhada pelo embaixador de Israel em Portugal, que integra o actual e o anterior presidente da Comunidade Israelita de Lisboa e que é presidida por um neto de Samuel Schwarz, doador da Sinagoga ao Estado português e o lançamento de algumas obras de manutenção e remodelação.

Conjugou também esforços com outras entidades para potenciar a ligação da cidade ao universo Templário e deu grande atenção à Festa dos Tabuleiros, conseguindo que a mesma recebesse o troféu de Melhor Evento Público realizado em Portugal em 2015/2016, prémio pelo qual a câmara felicitou a própria população.

Avançou também para alguns dossiês difíceis como o do saneamento básico, uma vez que cerca de 40 por cento do concelho não tem cobertura, incluindo zonas da própria cidade e em Janeiro deste ano, os Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) m aprovada uma candidatura para ampliação das redes de drenagem de águas residuais domésticas de Tomar e Paialvo, com investimento previsto de 1.896.292 euros, co-financiado a 85% por fundos europeus do Programa Operacional de Sustentabilidade e Eficiência no Uso dos Recursos

Conseguiu negociar fundos comunitários para a cidade num valor superior a 5 milhões de euros, que lhe vão permitir fazer a requalificação do Flecheiro e a requalificação da Várzea Grande; da Avenida Nuno Álvares Pereira; a reabilitação do Convento S. Francisco (Museus/Praça), entre outras obras.

A gerir uma câmara sem maioria absoluta, Anabela Freitas teve capacidade para negociar com o vereador da CDU um entendimento mínimo que lhe garantisse alguma estabilidade e mostrou firmeza política quando teve que enfrentar problemas com elementos da sua equipa. Despediu o chefe de gabinete quando percebeu que o mesmo lhe estava a tentar sabotar o trabalho, pondo também fim à relação afectiva que mantinha com ele há anos e conseguiu provocar a demissão do vereador do seu partido que a tinha deixado de apoiar. Apesar da situação conturbada e da pressão de uma oposição aguerrida agiu sempre sem tibiezas nem hesitações mostrando uma invulgar resiliência e recusando fazer-se passar por vítima.

At O Mirante

Instituto do Estado abate património do distrito

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A Infraestruturas de Portugal abateu, esta segunda feira, sete freixos, no “Túnel das Árvores”, na aldeia da Portagem, em Marvão, sob um “coro de protestos” do município local.

A intervenção previa o corte de um total de 14 freixos, alegadamente em “mau estado de conservação”, mas acabou por ser suspensa, cerca das 11:00, por ordem do ministro do Planeamento e Infraestruturas, Pedro Marques.

Em declarações à Rádio Portalegre, o presidente da Câmara Municipal de Marvão, Vítor Frutuoso, disse ter sido apanhado de surpresa com esta intervenção da Infraestruturas de Portugal, “delapidadora de um património natural classificado”.

De acordo com o autarca a Infraestruturas de Portugal não só não informou o município sobre o abate das árvores, como também procedeu, sem dar conhecimento, ao desvio do trânsito por uma outra estrada.

O autarca revelou ainda que a Câmara de Marvão tinha-se disponibilizado para “pagar” a realização de um diagnóstico, árvore a árvore, para que fossem abatidos apenas os freixos que pusessem em causa a segurança dos utilizadores daquela estrada, mas a proposta do município foi “pura e simplesmente ignorada”.

At Rádio Portalegre

Opinião​: “O interior é o lado de dentro”

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Enquanto estamos aqui, eles estão lá. Reconhecer a existência dos outros é o passo mais essencial para respeitá-los.

Afirmar o interior do país e o meio rural como uma realidade folclórica, exótica, ligada exclusivamente ao passado, é um insulto. Se existe agora, neste momento, então é presente. Se há quem ande de carroça hoje, então hoje também se anda de carroça. Não é possível levar uma vida no passado, acorda-se sempre no dia em que se está. Defender que a realidade do interior não é contemporânea transporta a visão tendenciosa e preconceituosa de que o nosso tempo é intrinsecamente urbano.

Também há quem argumente que o interior já não é rural, que a sua cultura hoje é tão urbana quanto a de qualquer cidade. Há duas possibilidades que contribuem para essa ideia: ignorância ou cegueira. Ou não sabem o que estão a dizer, ouviram daqui e dali e juntaram essas peças segundo o modo como gostam de imaginar o mundo; ou estiveram lá, mas não foram capazes de ver, mediram os outros pelos seus próprios critérios, baralharam as proporções, tomaram alguma coisa por outra coisa qualquer. Acharam talvez que, por haver televisão e Internet, não existia uma forma própria de entender o mundo e a vida.

As certezas absolutas que tínhamos acerca da modernidade e do desenvolvimento trouxeram-nos aqui. Foram elas que despovoaram o interior e transformaram aqueles que lá continuam numa minoria. A discrepância é enorme: uma aldeia assinalada no mapa tem menos gente do que o prédio mediano de uma qualquer avenida. Por isso, como sempre acontece com as minorias desfavorecidas (principalmente quando nem sequer são reconhecidas como tal), os seus direitos não são defendidos, a sua cultura é posta em causa.

A ruralidade não é o estereótipo da ruralidade. As piadas com personagens do meio rural têm a mesma raiz que as piadas sobre negros, homossexuais ou loiras. A discussão acerca da sua pertinência é a mesma.

Porque temos tantos problemas com os outros, mesmo quando estão na sua vida, apenas a lutar por sobreviver? Como nos deixámos convencer que engrandecemos se inferiorizarmos os outros?

Neste preciso momento, estamos a preparar o futuro. Se é verdade, apesar de não ser a única verdade, que a ruralidade mantém relações com o passado, temos todo o interesse de aproveitar essa sensibilidade, essa experiência. Não nascemos de geração espontânea. Chegamos de algum lado, que também nos constitui. A nossa história é parte de nós, mesmo que a recusemos. Desprezar a nossa história e a nossa cultura é desprezarmo-nos a nós próprios.

Enquanto estamos aqui, eles estão lá. A nossa realidade partilha este tempo com a realidade deles. Este tempo não pertence mais a uns do que outros.

Parece-me pertinente considerar a hipótese de que o futuro desejável possa conter um pouco desse mundo. E se o interior do país e a ruralidade contiverem não apenas passado, mas também futuro?

Em todos os instantes construímos o que virá. Estamos aqui, existimos, ainda estamos a tempo.

José Luís Peixoto, in revista UP, fevereiro de 2017