Governo veio a Nisa para reabrir o tribunal

testa-nisa-p1140665

A Justiça voltou a aproximar-se das pessoas com a reabertura do Tribunal de Nisa. A promessa do Governo do Partido Socialista foi cumprida nesta terça-feira, dia 7 de Fevereiro, numa cerimónia que contou com a presença da secretária de Estado da Justiça, Helena Mesquita Ribeiro, da presidente da Câmara de Nisa, Idalina Trindade, e na qual fiz questão de participar, não só para comemorar uma boa medida para a região como para defender, junto do governo, que é preciso continuar a apostar no Alto Alentejo.

At https://www.facebook.com/ / Deputado Luís Moreira Testa

Indignação na raia

valencia-mapa_rest_46
A viagem Cáceres – Valência de Alcântara volta a durar hora e meia

“Os habitantes da região de Valência de Alcântara têm muitos infortúnios”, assim começa a carta dirigida a mim por Manuel Moreno Lobato, respeitado vizinho desta vila cacereña e fronteiriça e ex-presidente do Círculo de Artesãos da localidade, a instituição mais tradicional, representativa e de peso de todas as sociedades que existem em Valência de Alcântara.

Manuel Moreno explodiu, como muitos dos seus vizinhos, fartos de viver numa localidade e numa comarca que parece deixada na mão dos políticos e do destino. Existem dados que emolduram esta zona fronteiriça e nos falam da sua desesperante realidade. Trata-se, em suma, da comarca menos povoada da Extremadura, com cerca de 15.000 habitantes e um índice demográfico mais próprio das zonas polares que de uma comarca europeia, que varia entre um e dez habitantes por quilómetro quadrado, em comparação com os 26 de média na Extremadura.

A sua carta surge na sequência de um detalhe quase anedótico, que foi a gota que fez transbordar o copo da sua resignação e da dos seus vizinhos. Refere-se, em concreto, a certas limitações de velocidade na N-521, que liga Cáceres com a fronteira portuguesa de Valência de Alcantara-Marvão; essas limitações, converteram esta viagem, que durava uma hora, num desesperante trajecto de hora e meia.

Mas, além da estrada, Manuel Moreno Lobato aproveita a oportunidade para incidir na situação da sua localidade. “Temos a população mais envelhecida de Espanha e da Europa, tínhamos uma ferrovia que nos unia directamente com Madrid e Lisboa que foi roubada, somos o único povo de uma capital de comarca da província que não está unido por autoestrada, temos os hospitais a 92 e a 82 quilómetros, respectivamente, não temos fibra óptica, as estações de rádio são ouvidas com uma dificuldade enorme”, explica don Manuel.

Após a Guerra Civil, Valência viveu uma época de descolagem graças à fronteira, aos funcionários e ao contrabando. Ao desaparecer a fronteira, com ela foi tudo o resto. A comarca não recebeu nenhuma compensação, mas notou-se então o peso da história: ao ter sido tantos anos fronteira, as indústrias não se estabeleceram ali por decreto e isto marcou o presente de forma sangrenta.

Victor Perez, hosteleiro de Valência de Alcântara, dono do hotel e restaurante El Clavo, comentava-me que daqueles tempos perdurou um estilo de vida elegante que ainda se nota nos bares, na vida cotidiana: “Hoje em dia, em Valência Alcântara, em muitos bares têm-se três ou quatro referências de vinhos Rioja ou Ribera del Guadiana, duas de Ribera del Duero e uma de Somontano, abertas para quem quer beber um copo. Isso é um nivelaço que não se dá nem nos bares das grandes cidades “.

Mas essa barreira não se pode manter elevada sem ajuda ou luta. Valência de Alcântara conseguiu que se arranjasse a sua estrada até à capital, ‘La Cenicienta’ era chamada, depois de muitos protestos e até mesmo de uma greve geral. “Passámos a ter uma via de certa qualidade, das denominadas do “Plan Redia”, com um limite de velocidade de 100 kms, que permitia uma comunicação mais ou menos rápida com a capital da província. Ah!, Mas a alegria há-de durar pouco na casa dos pobres. Agora, por causa das medidas que emanam da DGT, semearam-se em todo o percurso dos 92 kms sinais de limitação de velocidade que, comprovado, de respeitar-se todos e cada um desses sinais, 80, 70, 60, em todas as mudanças de altitude, na maioria das curvas, que permitem sem nenhum risco serem feitas pelo menos à velocidade genérica da estrada, ou seja, a 100, em muitas entradas das quintas, etc, supõe demorar a percorrer os 92 quilómetros mais de 1 hora e 30 minutos. Isto é, de novo, e uma vez mais, somos punidos, atrasam-nos, somos discriminados e faz-nos regressar ao século XVIII ou XIX “, conclui indignado Manuel Moreno.

At http://www.hoy.es/extremadura/