Escolas conciliam aulas e desporto de competição

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Os secretários de Estado da Educação e do Desporto revelaram hoje que quatro escolas começaram este ano letivo com um projeto-piloto para apoiar alunos que são atletas de alto rendimento, nomeadamente com uma gestão flexível de currículos.

A iniciativa, que abrange 12 modalidades e 57 estudantes, foi divulgada no Porto, na Escola Secundária Fontes Pereira de Melo, onde funciona uma Unidade de Apoio ao Alto Rendimento na Escola (UAARE), à semelhança do que acontece em escolas de Linda-a-Velha, Oeiras, Rio Maior, Santarém, e Montemor-o-Velho, Coimbra.

“Estes jovens são coordenados, empenhados, querem superar-se, trabalham em equipa, sincronizam o seu ritmo com o dos colegas, coordenam o seu tempo com o tempo de estudo. São, afinal, as competências do século XXI. Dizer que o desporto não é estruturante e que só duas disciplinas é que são, era matar estas competências do século XXI”, vincou o Secretário de Estado da Educação, João Costa.

Na prática, cada UAARE terá um “professor acompanhante”, responsável por um diagnóstico sobre a situação de cada aluno-atleta e pela definição e implementação de um programa pedagógico específico para cada caso.

Para João Costa, esta iniciativa é, por isso, “um grande projeto de tutoria, já com grande sucesso”, para aprofundar o plano mais alargado de tutorias que o Governo começou a implementar.

“Estamos a fazer história na escola portuguesa. Já não estamos a falar de uma escola para todos, mas em criar condições de sucesso para todos os alunos que estão na escola”, resumiu Vítor Pardal, coordenador nacional do projeto, e, desde 2009, do Gabinete de Apoio ao Alto Rendimento de Montemor-o-Velho.

O responsável lembrou que estes ‘alunos-atletas’ estão, muitas vezes, “deslocalizados, longe das famílias”, e são sujeitos a um grande “stresse psicológico e fisiológico”.

O secretário de Estado do Desporto, João Paulo Rebelo, afirmou que a ideia do Governo começou a ser desenhada depois de conhecer o projeto educativo do Centro de Alto Rendimento de Montemor-o-Velho, muito ligado à canoagem, e depois de um alerta para as dificuldades em manter as atletas num estágio, a faltar à escola ou a exames.

“O presidente da Federação Portuguesa de Basquetebol tinha a seleção sub-17 a estagiar em Lousada, em preparação para um campeonato do mundo, e os pais muito preocupados porque as alunas estavam a faltar à escola”, explicou o governante.

Compatibilizar uma “carreira desportiva de excelência” com o “sucesso escolar” é a missão desta ação em quatro estabelecimentos de ensino do país, que o secretário de Estado do Desporto pretende levar “a muitas e muitas mais escolas”.

“Tínhamos um país que dizia: quando forem lá fora, tragam medalhas. Mas, cá dentro, não vos damos condições. Era urgente atuar”, justificou o secretário de Estado da Educação, que pretende “começar a contaminar o resto do país com uma boa prática”.

Além de estar na Escola Fontes Pereira de Melo, no Porto, as UAARE funcionam nas escolas Amélia Rey Colaço, em Linda-a-Velha, Oeiras, Augusto Silva Ferreira, Rio Maior, e na Escola Secundária de Montemor-o-Velho.

At http://desporto.sapo.pt/

Governo reabre Escola Básica em Monsanto

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A escola básica de Monsanto reabriu esta quinta-feira, com 19 crianças no 1º ciclo do ensino básico e 12 no pré-escolar, depois de ter estado encerrada durante dois anos, por decisão do anterior Governo, um ato que o coordenador-adjunto da Unidade de Missão para o Interior considerou de simbólico para todo o país.

“É para mim um dia muito emocionante, porque acompanhei a luta do vosso presidente da câmara [Idanha-a-Nova] e a escola reabre hoje porque houve um homem que teve um sonho, lutou por ele e realizou-o”, afirmou o coordenador-adjunto da Unidade de Missão para a Valorização do Interior (UMVI), João Paulo Catarino.

Este responsável, que se deslocou a Monsanto, no concelho de Idanha-a-Nova, para presidir à cerimónia de reabertura da escola local, classificou este ato como “simbólico para Idanha-a-Nova e para todo o país”.

“Dois anos depois, o sonho torna-se realidade para Monsanto, para Idanha-a-Nova e para o [presidente] Armindo Jacinto. É o princípio da esperança. O que queremos é que volte a acontecer isto em muitos concelhos do interior”, sublinhou.

Disse ainda que após seis meses de trabalho na UMVI, criada pelo atual Governo, tem uma certeza: “A decisão política quanto mais próxima estiver dos seus destinatários, mais justa é”.

João Paulo Catarino adiantou também que tratar o concelho de Idanha-a-Nova, no distrito de Castelo Branco, da mesma forma como se tratam outros concelhos do país, é uma “injustiça” que se faz à região e ao interior do país.

E, indiretamente, criticou a decisão que o anterior Governo tomou em 2014, de encerrar este estabelecimento de ensino: “Não ter sensibilidade para o que representam estas crianças também é uma falta de bom senso muito grande”.

O coordenador-adjunto da UMVI reforçou a ideia de que existe uma “assimetria brutal” entre o interior e o litoral do país e adiantou que são precisas medidas concretas para alterar a situação.

Hoje, somos dois países [interior e litoral] completamente distintos. Temos que trabalhar para corrigir as assimetrias“, sustentou.

O complexo escolar de Monsanto, agora designado como escola básica de Monsanto e Idanha-a-Nova, abriu as portas com 19 crianças que vão frequentar o 1º ciclo do ensino básico e 12 no pré-escolar.

Em 2014, quando o Governo decidiu encerrar este estabelecimento de ensino, havia sete crianças a frequentar o 1º ciclo do ensino básico.

Já o presidente da Câmara de Idanha-a-Nova, Armindo Jacinto, classificou a reabertura do estabelecimento de ensino como um ato de “investimento e o acreditar nos territórios de baixa densidade”.

“Os pais sempre quiseram que os meninos ficassem na sua terra. A escola reabriu, não porque tenhamos metido uma cunha, foi porque temos um concelho a crescer em termos económicos e é isto que faz com que haja aqui famílias a fixarem-se e só o fazem se tiverem [serviços] de qualidade na educação, saúde e emprego”, disse.

O autarca sublinhou também que atualmente o concelho de Idanha-a-Nova tem uma rede de apoio à educação que começa nos berçários e termina no ensino superior.

“A educação, para nós, é prioritária e fundamental. Se queremos inverter o processo de desertificação temos que investir nas pessoas e na educação. É isto que Idanha está a fazer”, concluiu.

At http://www.dn.pt/