Artigo de opinião: “Os comunistas e “a festa””

marcoGosto de gente com as vidas resolvidas. Que fecham páginas e abrem outras, mas também reabrem as que entendem quando entendem, sem terem que dar justificações seja a quem for. Que não temem tomar posições. Que, como alguém escrevia, ressalvando (quem o queira) a defesa das próprias convicções, não deixam de partilhar ideologias, mantendo a perseverança dos seus próprios valores.

E foi nesse seguimento que aceitei o convite para ir pela primeira vez à Festa do Avante. Por amigos, desses que eu gosto, das convicções. E que me levou inclusivamente a ouvir todos os discursos na tarde de Domingo, do princípio ao fim. Deixar uma nota ao do Secretário-geral do PCP, que tendo agarrado a si o acordo entre “cavalheiros de esquerda”, não deixa de continuar a enviar umas piadolas indirectas para os tempos da governação de Sócrates, assim como a urticária pela permanência na União Europeia, mas sem mexer muito no jeitaço que dá ter os seus camaradas a serem eleitos, na mesma, para os centros de decisão da Europa, e a ganharem também algum, que até transporta uma certa percentagem ao partido.

Mas se estamos num espaço aberto a todos, a nossa curiosidade poderá também ajudar a uma maior participação democrática em Portugal. E vale(u) a pena. Com tudo incluído. Desde o banho comunitário à partilha do termo “camarada” vezes sem conta, e sem chegar a enjoar. Nunca me soou tão bem. E todos embrulhados no espírito. Que é aquele e não se pode inventar outro. E quem não quiser não é obrigado a ir. Uma diversidade cultural ímpar, mas também de gerações. Sim, até porque as “criancinhas” também por ali andam a correr, e cheias de saúde. Em plena liberdade e segurança.

E a abrangência do país, com todas as regiões portuguesas representadas, num espaço amplo, bem estruturado e renovado, com vista para Lisboa e o Tejo, e a cheirar a margem sul, e não a areia do deserto. A “carvalhesa”, a quantidade de excelentes músicos e bandas portuguesas, o fogo-de-artifício que tende a encerrar “a festa” à hora. O Hino Nacional e uma Internacional semelhante. Outros preocupam-se mais com convenções e segredinhos descarados de “aparelhistas” pelos seus corredores exteriores, ou com universidades de verão.

E depois são também “os outros”. Os que recebem a malta que se junta pela noite dentro na área dos partidos comunistas internacionais, a cantar e a dançar, inclusivamente junto do espaço daqueles partidos comunistas onde nos recusamos a dialogar ou a consumir seja o que for.

Fica o agradecimento de coração a quem me convenceu a participar, e a todos os que sabiam que iria e me receberam como se estivesse na minha própria casa. E tantos Joaquins e tantos Josés por ali “dão ao cabedal” dias a fio, para que no final tudo decorra como previsto. É que uma coisa é a “festa” e outra coisa é “a festa”.
E por aqui também há dos tais dirigentes que têm a mania que são donos das estruturas, e das pessoas, e dos momentos, e para os conhecer basta só perceber quem anda com o nariz apontado para a lua diariamente, como que toda a gente lhes deva e não lhes pague. E é precisamente por esta “ortodoxia”, que também existem comunistas que prosseguem os valores da fraternidade e da solidariedade, mas em outras organizações, fora dos “olhares” do partido.

Saio desta Festa do Avante ainda mais do Partido Socialista. E mais Social-democrata. Mas mais ainda de Esquerda. Ciente da ideologia que prossigo e que continuarei a prosseguir. Outros camaradas do meu partido também por lá andaram, e por algum motivo terão ido. Resumindo: rendido e para regressar para o ano.

Marco Oliveira

At http://www.jornalaltoalentejo.com/ / versão papel

Distrito com 3 equipas na Taça de Portugal

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O Gafetense vai defrontar o Académico de Viseu, da II Liga, na segunda eliminatória da Taça de Portugal em futebol, ditou o sorteio realizado quinta feira.

Depois de eliminar o Sintrense, ao ganhar por 1-0, em Sintra, na primeira ronda da competição, a formação de Gáfete, que alinha no Campeonato de Portugal, tem agora pela frente um “osso muito mais duro de roer”.

Confrontado com o resultado do sorteio, o treinador do Gafetense, o nisense João Vitorino, afirmou que a sua formação “não presta vassalagem nem estende a passadeira a nenhuma equipa”, acrescentando que “os jogos em casa são para ganhar”.

O Mosteirense que também se apurou para a segunda eliminatória da Taça de Portugal ao vencer, no desempate por penáltis, o Cartaxo, vai receber o Famalicão, equipa que à semelhança do Académico de Viseu, alinha na II Liga.

Quanto aos Gavionenses, que foram goleados na primeira eliminatória da Taça de Portugal por 10-0 na deslocação à União de Leiria, foram uma das 15 equipas repescadas, e o sorteio ditou que vão receber o Mortágua do Campeonato de Portugal, na segunda ronda da competição.

Os jogos da segunda eliminatória da Taça de Portugal estão todos agendados para o dia 25 de setembro.

At http://www.radioportalegre.pt/

Luís Gonçalves ganhou o bronze nos Paralímpicos

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Luís Gonçalves conquistou esta sexta-feira a primeira medalha para Portugal nos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro ao garantir o bronze na final dos 400 metros T12 (deficiência visual), com o tempo de 49,54 segundos. O atleta do Sporting Clube de Portugal, de 28 anos, repetiu a proeza de há oito anos, mas em Pequim 2008 ganhou a prata. (…)

O facto de ter nascido com retinosquise, uma doença rara que afeta a retina e impede a visão, não o impediu de praticar desporto. Fez natação, futsal, karate, jiu jitsu e até tentou o futebol – o seu ídolo era o guarda-redes soviético Lev Yashin. Mas acabou por escolher o atletismo, modalidade em que é uma referência a nível mundial.

“Não parava quieto. Gostava de pegar nos ténis e nos calções e correr uma hora, hora e meia. Nunca deixei de fazer nada, brinquei a tudo. Foi assim que me adaptei a ter noção do espaço e a aproveitar os meus sentidos ao máximo – e também a visão. Como nasci com este problema, já estou habituado. Para mim, isto é o ser normal, sempre vi o mundo assim e sempre tive que me desenrascar”, contou num perfil publicado no site do Sporting, o clube que defende.

Nascido em Alagoa, uma aldeia de Portalegre, mudou-se para Lisboa aos 18 anos, para conciliar o atletismo com o curso de curso de massagem auxiliar de fisioterapia. Desde 2006 venceu várias provas internacionais, mas o ponto alto aconteceu nos Jogos Paralímpicos de Pequim, onde foi medalha de prata nos 400 metros. “Quando era novo no atletismo os meus colegas chamavam-me passarinho. Recordo-me que na minha primeira prova nos Jogos, estava parado na porta da maratona com o meu treinador e disse-lhe: “O passarinho vai ganhar asas”. E ganhou.”
Entre 2012 e 2014 esteve suspenso, devido a um controlo de doping positivo que o impediu de participar nos Jogos Londres2012. Mas o ano passado voltou a brilhar, ao sagrar-se campeão mundial dos 400 metros T12, no Qatar.

At http://www.dn.pt/desporto/

Artigo de opinião: “Coisas que não se dizem”

luis-gonc3a7alvesÉ verdade, Sr. Joaquim Vieira, não se pode dizer ou escrever aquilo que o senhor escreveu na sua página do Facebook. Fica-lhe mal. Quer publicidade? Venda-se de forma honesta, não precisa de insultar ninguém para lograr os seus intentos. Lamentável!

Para quem não sabe do que se trata, deixo aqui o que Joaquim Vieira escreveu sobre os Jogos Paralímpicos. Propositadamente, não coloco link da página, para não lhe dar a publicidade de que o homem parece precisar tão desesperadamente. Ora aqui vai:

«Sou só eu a achar que os Jogos Paralímpicos são um espetáculo grotesco, um número de circo para gáudio dos que não possuem deficiência, apenas para preencher a agenda do politicamente correto?
NOTA: Este post já me valeu diversas ameaças de morte, além da condenação a todas as penas do inferno, para não falar das pragas sobre os familiares mais próximos, que, coitados, não têm nenhuma responsabilidade no que penso e escrevo. Não discorro sobre o grau de intolerância que muita gente aqui revela, mas tenho de admitir que a forma sintética como escrevi o post deu origem a equívocos, e por isso, como já disse num comentário em baixo, não posso deixar de lamentar ter ferido a sensibilidade de muitos com esta opinião. Fui acusado de muita coisa que não sou (entre elas, a que considero mais grave, de fazer a defesa do eugenismo) e que está nos antípodas da minha visão do mundo e da minha filosofia de vida. Sou totalmente a favor da inclusão e dos direitos dos menos capacitados, e entendo mesmo que nesse terreno ainda existe muita coisa por fazer e reivindicar, designadamente quanto à vida quotidiana. Aceito também que tenham a ambição de enveredar por práticas desportivas, assim como de entrar em competição. A minha crítica dirige-se ao espetáculo montado com os Jogos Paralímpicos e não aos que neles participam, que cumprem um sonho de vida e procuram dessa forma a sua realização pessoal. Choca-me a atribuição do estatuto de Jogos Olímpicos (ou equiparados) a estas provas, como se houvesse dois universos que se equivalessem ao mesmo nível e não se cruzassem (daí eu ter falado em apartheid desportivo). Mas Jogos Olímpicos só há uns, e, como eu também já disse, destinam-se a premiar os melhores da raça humana, homens e mulheres, em cada modalidade. Os Jogos Paralímpicos, sinceramente, não sei a que se destinam. Lamento desiludir muita gente, mas há só um Usain Bolt e um Mark Phelps. Não existe o Usain Bolt nem o Mark Phelps dos Paralímpicos. Por muito que alguns nos queiram convencer do contrário.» – Publicação de 8/09 às 13h46 – Sim, infelizmente, tive que ir ver com os meus próprios olhos para poder falar com conhecimento. 

Concordo que há aproveitamento de quem quer ser «politicamente correcto». Compreendo que se possa estar contra esse aproveitamento. Defendo que devemos sempre, porque temos esse direito, falar sobre o que nos parece errado. Mas nunca, nunca, denegrindo outros, sobretudo pessoas que só pelo seu esforço nos merecem tanto respeito. Usain Bolt? Mark Phelps? Quem seriam eles se tivessem nascido com deficiência? Fala este senhor que os Jogos Olímpicos se destinam a premiar os melhores da raça humana. Exactamente, os melhores, não os mais bonitos ou perfeitos. Os melhores. Quem é melhor do que um atleta com deficiência que vai aos Paralímpicos?

Noémia Pinto

At https://aventar.eu/