Artigo de opinião: “Molhar a palavrinha”

marcoHá um espaço reservado no ano, em que a população aumenta significativamente, assim como as transacções na economia local, e coloca, passado muito tempo de espera, gerações diferentes, principalmente no âmbito familiar, a interagir.

Tudo isto pela deslocação intensa de emigrantes e migrantes que se verifica no tão aguardado mês de Agosto, e onde o concelho de Nisa é exemplo máximo no Alto Alentejo.

O que há uns bons anos atrás trazia também associados alguns exibicionismos, os mesmos ficam hoje reservados para quem pode, e que se somam aos remediados e aos que podem menos, mas que tudo fazem para poderem estar perto do calor familiar mais distante, numa estratificação quase semelhante a supostas classes sociais. Há os que investem muito na vertente imobiliária, para assim usufruírem de maior qualidade de vida e reserva, e os que dispõem do que já têm quase secular, para assim desfrutarem momentaneamente do ambiente familiar na sua maior dimensão, numa lógica quase norte europeia. Foi precisamente a integração europeia que veio trazer algum, pouco, equilíbrio entre os seus membros, nomeadamente na óptica da cidadania.

Para além da forte componente de amizade e boa disposição que tanto cresce nesta altura, sobressaem também os amores que provavelmente nunca foram ou serão, pois só viveram em potência, mas também as inimizades daqueles que nunca se puderam ver, porque uma das partes sempre fez questão de ficar à distância, e que garantidamente não obrigam à violência que nesta altura também gosta de se mostrar por algumas festas populares. E depois há também os indiferentes, que, com maiores ou menores afectos, também querem sorrir com os que têm mais próximos.

É uma altura de excessos sim, que alguns sublinham, e bem, até porque são feitos com gosto, independentemente das consequências à saúde que possam trazer. É altura de “molhar a palavrinha” por várias esplanadas de cafés, bares e restaurantes, assim como pelas festas populares que não faltam em nenhuma freguesia.

É depois chegado o momento da tristeza do fim, que provoca sempre alguns desequilíbrios emocionais, e que ocorrem principalmente como “ossos de quem trabalha”. Tudo começa com o melhor dia para casar, e vai terminando consoante as malas dos carros vão ficando atascadas e se vão ouvindo buzinadelas de boa viagem em passagens de rua, se possível à distância, para que a despedida seja menos dolorosa.

Até para o ano … ou para o Natal!

At http://www.jornalaltoalentejo.com/ (versão em papel)

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