Artigo de opinião: “E os culpados somos nós”

marcoNão quero que este momento termine nunca. E que prazer dá escrever sobre ele. Não quero perder os sentimentos que ainda me rodeiam desde Domingo, em que estivemos, todos juntos, mais do que nunca, no limite da emoção, do equilíbrio nervoso, da força, da amizade, da humildade, até da condescendência, do orgulho, da honra. Em que rimos e chorámos, se nos apeteceu. Estávamos todos em cadeia, a lutar para o mesmo lado.

Custa muito ler que existe um bando de imbecis xenófobos que nos trata por “nojentos”. Mas a consequência foi demasiado saborosa e arrasadora. Quase fez lembrar “aquela” (das nossas infâncias) aldeia gaulesa (com personagens de “Viriato”) a aviar nos romanos. Mas que também pode muito bem representar um grito de revolta de uma qualquer bidonville nas redondezas de Paris, repleta de gente humilde e trabalhadora.

Não há nada que nos leve a esta união como a Selecção Nacional de futebol. Não serão garantidamente as eleições internas ou as disputas desportivas entre cidades que o farão. E, sim, também temos outros grandes resultados de outras competições desportivas, que também nos transportam alegria, mas sempre misturada com uma certa componente de hipocrisia. E foi com muita emoção que ouvimos o discurso de Fernando Santos do dia da vitória (carta que traria escondida), que alguns apontam como tendo uma forte componente religiosa, mas que na realidade traz um conteúdo, sim, com uma grande carga de simbolismo maçónico, naturalmente com os melhores conceitos e valores que se pretendem para a sociedade. E o resultado (quase como a pílula) do dia seguinte disse-nos que a República é definitivamente o nosso regime. Aquele que une o Povo. Que dá o poder de escolha ao Povo.

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Alguns, ditos grandes profissionais, parece não terem querido receber antes e abertamente o génio de Cristiano Ronaldo, devido à mesquinhez desses, porque o sentem demasiado grande e a inveja e a cobiça que lhe nutrem é de tal ordem, que só sonham em colocá-lo à parte dos demais ou empurrá-lo para baixo. É uma forma de estar típica de alguns portugueses. Poucos, graças a Deus. E são precisamente estes maus sentimentos que não levam ao desenvolvimento de nada, nem ao atingir de qualquer objectivo. E quem sabe disso sabe que, para crescer, só se conseguirá fazê-lo englobando todos, nomeadamente os que querem construir. Foi essa a lição que aprendemos.

É altura de receber e aproveitar esta energia positiva, e usá-la da melhor forma, com a família, com os amigos, nos locais de trabalho, nas instituições sociais e políticas que nos rodeiam. Até porque, com a decisão recente do Ecofin, querendo aplicar sanções a Portugal por não cumprimento de metas que (des)governos anteriores criaram, convém que nos afastemos de traidores (entenda-se a direita, contra o interesse nacional) e aniquiladores de nações com séculos de história. Esperemos que o actual Governo saiba responder à letra a tal atrevimento. Perante ingratidões e injustiças, Scolari perguntava: “E o burro sou eu?”. Sim, desta vez vamos ser assertivos e rodearmo-nos só do que a sociedade tem de melhor para nos dar. Sim, “e os culpados somos (fomos todos) nós.”

Marco Oliveira

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