Artigo de opinião: “Não se idolatram idiotas”

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Há anos que não estão preparados para dar as melhores colheitas de vinho. Mas podem pelo menos anunciá-las. Dow’s, Chryseia e Quinta do Vale Meão. Parece ser esse o papel de um 2014 que não traz de todo só boas novas. E muito menos a pessoas que por algum motivo tenham relação simultânea com o BES ou com o ex-primeiro-ministro José Sócrates.

Ainda que também tenhamos maus colegas, maus camaradas ou mesmo más hierarquias, o facto de termos diariamente uma imagem que respeitamos e defendemos intransigentemente, faz-nos ultrapassar algumas agruras que a vida nos traz, mais ainda quando trabalhamos desinteressadamente, entenda-se sem interesses ocultos. Tratam-se de pessoas que se tornam, mais do que tudo, numa referência, impolutos, abnegados, e que queremos sejam uma marca a passar às novas gerações.

Quando recebemos desmoralizantes notícias inesperadas, torna-se inclusivamente difícil escrever de forma escorreita. Desilusões que não queremos afastar para que nos sirvam de exemplo, mas suficientemente distantes para procurarmos o que de melhor nos oferece o meio que nos envolve. Ainda assim, no caso Sócrates, e tendo em conta que a ser condenado será por crimes praticados a título pessoal e não por más políticas, faço questão de manter sempre como bandeira, entre outros feitos, o défice mais baixo desde o 25 de Abril, o Simplex, as Novas Oportunidades ou o Plano Tecnológico. Em sentido oposto, é preferível termos o antídoto da aldeia do Astérix para que o céu não nos caia em cima, do que dizer, nos dias que correm, ser-se Espírito Santo. Curiosamente, falamos de casos com uma grande diferença de milhões, mas também de aplicação de justiça.

Mas há, sem dúvida, uma grande diferença entre aqueles que profundamente idolatramos em certa fase da nossa vida, e os mais perfeitos idiotas. Falo de alguns(mas) que por aí andam armados em filantropos, e que se mostram acima da plebe. Gente que não visa construir nada e que gosta de inventar moinhos de vento por onde o seu trajecto vai correndo mal, para se poderem vitimizar e assim legitimarem as suas perseguições particulares. Gente que decidiu não viver fisicamente junto à sociedade que tanto dizem defender, e porque os resultados políticos não lhes deram o oportunismo que tanto desejavam anteriormente, acabaram por também abandonar as estruturas partidárias locais onde não foram felizes, durante o período que mais lhes deu jeito. Há ainda outros frustrados, também escondidos habitualmente em casa, com falta do reconhecimento que tanto ambicionavam por parte da sociedade, convictos por isso que só pisando ou passando a perna a uns e a outros conseguem atingir os seus fins, seja, por exemplo, como cabecilhas a uma Câmara Municipal, a uma Assembleia Municipal ou à presidência de uma qualquer colectividade. Gente que facilmente muda de cor, de tendência ou de pensamento, consoante apareça a oportunidade do interesse. Contrapondo estes iluminados, que se vão condecorando entre eles pelas intrujices que vão fazendo ao longo da vida, os verdadeiros líderes vencem à 1.ª ou, aceitavelmente à 2.ª, com mérito, sob pena de se conformarem que o seu destino não será o de dirigir seja o que for. E garantidamente sabem também ter humildade para reconhecer o trabalho daqueles que tudo fizeram, fazem e continuam a fazer, para um dia virem a atribuir um sorriso à cara que outros escondem frustrada. A figura de idiota pau-mandado e lambe-botas, essa, muito na moda ultimamente, nem carece definição.

Acreditam que há quem venere estes manhosos?

Precisamos é de boa gente.

“A maneira mais fácil e mais segura de vivermos honradamente, consiste em sermos, na realidade, o que parecemos ser.” – Sócrates, filósofo grego (470 a.C. – 399 a.C.)

 Marco António

(Com mais tempo disponível, à minha irmã Margarida, para ajudar a que a minha sobrinha traga muita garra, sorte e saúde, que o Salvador já faz quase windsurf)